Os riscos do trichloroethylene ou tricloroetileno (TCE)

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TCEO TCE é usado nos processos industriais pela sua propriedade de dissolver graxa e gordura. Cerca de 90% da sua produção é consumida em operações de desengraxamento (limpeza de peças, decapagem de materiais para processos de eletro deposição, etc.). A lavagem a seco de roupas (dry-cleaning) e a extração seletiva de certos alimentos e drogas (como a remoção da cafeina do café) utiliza 5%. O restante é empregado numa miscelânea de operações que abrangem aplicações em pesticidas, resinas, colas, breu, cera, tintas e vernizes.

Nos Estados Unidos, a U.S. Environmental Protection Agency (EPA) vem procurando acordos com as empresas que utilizam essa perigosa substância química. Como o emprego do TCE envolve riscos à saúde pela toxicidade de seus vapores, os trabalhadores que manuseiam esse solvente constituem uma população que necessita observação médico e preventiva cuidadosa. Somente nos Estados Unidos, estima-se que 200.000 trabalhadores estão expostos aos seus riscos. No Brasil não há dados, mas, muitas vezes, apenas uma indústria consome cerca de 20 toneladas mensais de TCE.

A principal via de absorção da substância é a respiratória e, secundariamente, a via cutânea. Uma vez absorvido, é fixado pelos eritrócitos e pelo plasma, sendo distribuído pelo organismo com afinidade para o tecido lipoide. A eliminação se faz através do rim, convertido metabolicamente em ácido tricloroacético e tricloroetanol, e também, em pequena escala, pelos pulmões.

Experiências em animais demonstraram que o TCE não tem ocasionado lesões severas no rim e no fígado, como as encontradas em intoxicações por outros hidrocarbonetos halogenados. Há relatos da degeneração gordurosa do fígado e degeneração granular do rim (inalação experimental) e caso fatal de necrose aguda do fígado 12 dias após anestesia prolongada com TCE.

Não há dúvida que o seu principal risco potencial é o efeito anestésico. Têm sido relatadas intoxicações ocupacionais cuja sintomatologia consistiu em inconsciência e coma. A grande maioria se recupera bem, já tendo, entretanto, ocorrido casos de óbito por fibrilação ventricular, especialmente nas exposições prolongadas em concentrações elevadas.

Certos produtos de decomposição do TCE, ou ainda impurezas oriundas da fabricação, são de elevada toxicidade, como dicloroetano, fosgênio e o tetracloroetano. Às vezes os efeitos podem ser atribuídos primordialmente a estas substâncias e não ao próprio TCE.

Em casos agudos, a intoxicação se traduz por inconsciência e coma, chegando à morte por edema agudo do pulmão. As formas agudas se caracterizam por tonturas e perturbação de equilíbrio (embriaguez) com cefaleia, náuseas, fadiga, insônia.

A forma crônica se traduz por transtornos nervosos com sintomas semelhantes às formas agudas leves, mas em caráter mais duradouro. São referidas, nesta fase, certas perturbações digestivas com gastralgias e estado nauseoso, podendo ainda aparecer a anemia.

O tratamento da intoxicação é sintomático. Resume-se no afastamento do empregado da exposição; lavagem abundante com água no caso da contaminação da pele ou dos olhos. A prevenção pode se iniciar no exame pré-funcional, eliminando candidatos com lesões hepáticas, pulmonares, renais ou neurológicas e os que se intoxicaram previamente com o TCE.

No exame periódico deve haver cuidadosa avaliação clínica com ênfase nos aspectos neurodermatológicos e pulmonares. Recomenda-se também a determinação de compostos triclorados na urina das pessoas expostas, bem como exames laboratoriais das funções hepatorrenais.

Outro aspecto importante é instruir o empregado sobre os seus riscos e as medidas de seu controle: uso de equipamento de proteção individual, medidas de higiene, abstenção do álcool, primeiros socorros em casos de intoxicação aguda, e outras. O ritmo da avaliação periódica dependerá das concentrações ambientais, podendo ser semestral ou trimestral, mas de qualquer forma é importante lembrar que há casos de hiper suscetibilidade individual que necessitarão controle mais amiudado, e, eventualmente, afastamento definitivo da exposição.

Os métodos de desengraxamento adotados nas diversas indústrias e oficinas podem ser caracterizados em dois tipos de procedimentos: com aquecimento ou sem aquecimento do TCE, ou, em linguagem usual, a quente ou a frio. No primeiro, o solvente é aquecido num tanque de fundo retangular. As peças são dependuradas nele, expostas aos seus vapores que se condensa na sua superfície.

A graxa aderente se dissolve e a solução volta gotejando para o fundo do tanque. Em certa altura do tanque uma serpentina de refrigeração acompanha suas paredes internamente. Serve para facilitar a condensação do TRI sobre as peças e deveria impedir a saída de vapores do tanque; porém, devido à grande volatilidade do TRI, certa quantidade de vapores sempre escapa para fora e deve ser afastada por ventilação local exaustora. Uma tampa completa o aparelho, mas em geral somente é colocada quando o mesmo está fora de uso.

Na aplicação a frio, o desengraxamento consiste na simples imersão de algumas peças no TCE líquido contido num vaso aberto. Algumas empresas têm por costume empregar o TCE no lugar de querosene ou gasolina para desengraxar pequenas peças.

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Claudemir Oribe

“Embora ler e aprender com os outros seja importante, nenhum aprendizado é melhor do que aquele obtido pela ação.” (Jeffrey Pfeffer e Robert Sutton: The Knowing-doing gap)

Aprender é fundamental para aplicar qualquer recurso metodológico. O MASP é um método estruturado sendo, portanto, um recurso precioso para obtenção de melhorias significativas em todas as áreas da gestão organizacional. Dessa forma, sua utilização depende do uso correto e amparado pelas ferramentas corretas. Embora seja um poderoso aliado, o MASP não resolve problemas por si só. Ele precisa de uma mente preparada, dos sentidos atentos e comportamentos positivos. Assim, conhecimentos, habilidades e atitudes adequadas, o famoso CHA, são fundamentais para preparar o terreno para semear e colher resultados.

Existem muitas formas de aprender. Você pode fazer cursos, estudar sozinho, assistir apresentações, ler livros e conversar com as pessoas detentoras de conhecimento. Pode fazer visitas, ler estudos de caso e pesquisar na internet. Pode, inclusive, observar as pessoas trabalhando ou fazendo aquilo que deseja aprender. Alguns têm facilidade de aprender. Outros têm dificuldade e precisam repetir leituras e exercícios práticos para fixar o conhecimento ou a habilidade que precisa ser adquirida. O aprendizado é um processo muito amplo e cada um tem afinidade com um conjunto particular de estímulos. Além disso, o desenho do processo em si pode influenciar significativamente a memorização e a compreensão do conteúdo.

Embora muitos métodos possam ser empregados, especialistas afirmam que o melhor aprendizado acontece fazendo. Ao fazer algo, vários sistemas atuam em conjunto para produzir um resultado. A memória contém as instruções, as decisões e articulações que são repassados aos membros superiores e inferiores – braços e pernas – e à fala. Os órgãos dos sentidos captam as alterações do mundo externo, transferindo informações para o cérebro que, ao comparar com os referenciais existentes – o conhecimento prévio – ele aprende. Não se trata de articulação teórica ou discussão de possibilidades do que pode ou não acontecer. É a vida real acontecendo, em sua frente, e transferindo informação válida de forma imediata.

Fazer algo resulta, portanto, em dois resultados: o que se produziu e o aprendizado obtido, na forma de novos conhecimentos e novas habilidades. O conhecimento é o saber, que fica armazenado na memória. A habilidade é conhecimento em ação, demonstrado por meio de um resultado positivo e que pode ser repetido. Resolver problemas é, portanto, uma habilidade e, como toda habilidade, é necessária prática para que seja aperfeiçoada até o nível da excelência.

Sendo o MASP um método de resolução de problemas e, portanto, uma habilidade, quantas vezes seria necessário praticar para que se atinja o patamar que se espera? Na primeira aplicação, provavelmente o método não está ainda sedimentado. O problema são será muito desafiador. É necessário acompanhamento de especialistas ou consultores para reforçar o conhecimento e trazer o projeto para o rumo lógico e estruturado do MASP, que é necessário para otimizar o resultado. Os usuários estarão ainda confundindo etapas e cometendo erros primários. Análises ainda serão superficiais, sem aprofundar na busca da causa raiz, e termos vagos, como “material inadequado”, ainda serão mencionados como possíveis causas. Etapas menos impactantes do MASP serão ignoradas ou executadas de forma superficial. Enfim será, provavelmente, uma aplicação normal para quem inicia nessa área.

Numa segunda aplicação, os erros primários deverão ser suprimidos ou reduzidos ao mínimo. O método será aplicado de maneira mais cuidadosa e todas as etapas, provavelmente, serão cumpridas. O problema escolhido é mais relevante e o grupo está mais maduro para usar ferramentas com mais segurança ou aplicar outras mais sofisticadas. As etapas serão vencidas com mais facilidade e consistência e o ganho do projeto seguramente será maior.

Se houver feedback e reforço do aprendizado, na terceira aplicação do MASP, as pessoas poderão utilizar, de forma mais plena, o potencial próprio e do método. O grupo estará confiante para desenvolver o projeto de melhoria sem ajuda externa. O conhecimento das ferramentas estará bem evoluído, com uso de recursos tecnológicos, como planilhas eletrônicas e gráficos bem feitos, bonitos e sempre pertinentes. Erros conceituais e metodológicos como, por exemplo, denominar ausência de solução como causa de problemas – o famoso “falta de…” – não serão mais cometidos. O grupo não se intimidará de reconhecer falhas e insucessos durante o trabalho e se sentirão orgulhosos de girar o PDCA várias vezes durante o projeto. Enfim, neste estágio as pessoas e o grupo de melhoria atingem um nível de maturidade técnica e estará pronto para grandes desafios.

O problema que se observa nos dias de hoje é a busca por resultados imediatos, não oferecendo o tempo necessário ao aprimoramento contínuo e à excelência profissional. Ao deixar pessoas e grupos relegados à própria sorte, o aprendizado não acontece, erros básicos continuam a ser cometidos e apenas problemas simples são tratados. As organizações precisam usar MASP. E para isso, precisam de um processo de aprendizado consistente baseado na ação. Dificilmente isso se dará com menos de três aplicações do método. Enquanto isso, recursos são necessários mas benefícios fazem todo o esforço valer a pena.

Claudemir Oribe é mestre em administração, consultor e instrutor de MASP, ferramentas da qualidade e gestão de T&D – claudemir@qualypro.com.br

Referências

PFEFFER, Jeffrey; SUTTON, Robert I. The knowing-doing gap: How smart companies turn knowledge into action. Boston: Harvard Business School Press, 2000.

ARGYRIS, Chris R. Knowledge for action. San Francisco: Jossey-Bass Publishers, 1993.

ORIBE, Claudemir Y. Quem Resolve Problemas Aprende? A contribuição do método de análise e solução de problemas para a aprendizagem organizacional. Belo Horizonte, 2008. Dissertação (Mestre em Administração). Programa de Pós-Graduação em Administração da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.