Um, dois, três! É MASP outra vez!

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Claudemir Oribe

“Embora ler e aprender com os outros seja importante, nenhum aprendizado é melhor do que aquele obtido pela ação.” (Jeffrey Pfeffer e Robert Sutton: The Knowing-doing gap)

Aprender é fundamental para aplicar qualquer recurso metodológico. O MASP é um método estruturado sendo, portanto, um recurso precioso para obtenção de melhorias significativas em todas as áreas da gestão organizacional. Dessa forma, sua utilização depende do uso correto e amparado pelas ferramentas corretas. Embora seja um poderoso aliado, o MASP não resolve problemas por si só. Ele precisa de uma mente preparada, dos sentidos atentos e comportamentos positivos. Assim, conhecimentos, habilidades e atitudes adequadas, o famoso CHA, são fundamentais para preparar o terreno para semear e colher resultados.

Existem muitas formas de aprender. Você pode fazer cursos, estudar sozinho, assistir apresentações, ler livros e conversar com as pessoas detentoras de conhecimento. Pode fazer visitas, ler estudos de caso e pesquisar na internet. Pode, inclusive, observar as pessoas trabalhando ou fazendo aquilo que deseja aprender. Alguns têm facilidade de aprender. Outros têm dificuldade e precisam repetir leituras e exercícios práticos para fixar o conhecimento ou a habilidade que precisa ser adquirida. O aprendizado é um processo muito amplo e cada um tem afinidade com um conjunto particular de estímulos. Além disso, o desenho do processo em si pode influenciar significativamente a memorização e a compreensão do conteúdo.

Embora muitos métodos possam ser empregados, especialistas afirmam que o melhor aprendizado acontece fazendo. Ao fazer algo, vários sistemas atuam em conjunto para produzir um resultado. A memória contém as instruções, as decisões e articulações que são repassados aos membros superiores e inferiores – braços e pernas – e à fala. Os órgãos dos sentidos captam as alterações do mundo externo, transferindo informações para o cérebro que, ao comparar com os referenciais existentes – o conhecimento prévio – ele aprende. Não se trata de articulação teórica ou discussão de possibilidades do que pode ou não acontecer. É a vida real acontecendo, em sua frente, e transferindo informação válida de forma imediata.

Fazer algo resulta, portanto, em dois resultados: o que se produziu e o aprendizado obtido, na forma de novos conhecimentos e novas habilidades. O conhecimento é o saber, que fica armazenado na memória. A habilidade é conhecimento em ação, demonstrado por meio de um resultado positivo e que pode ser repetido. Resolver problemas é, portanto, uma habilidade e, como toda habilidade, é necessária prática para que seja aperfeiçoada até o nível da excelência.

Sendo o MASP um método de resolução de problemas e, portanto, uma habilidade, quantas vezes seria necessário praticar para que se atinja o patamar que se espera? Na primeira aplicação, provavelmente o método não está ainda sedimentado. O problema são será muito desafiador. É necessário acompanhamento de especialistas ou consultores para reforçar o conhecimento e trazer o projeto para o rumo lógico e estruturado do MASP, que é necessário para otimizar o resultado. Os usuários estarão ainda confundindo etapas e cometendo erros primários. Análises ainda serão superficiais, sem aprofundar na busca da causa raiz, e termos vagos, como “material inadequado”, ainda serão mencionados como possíveis causas. Etapas menos impactantes do MASP serão ignoradas ou executadas de forma superficial. Enfim será, provavelmente, uma aplicação normal para quem inicia nessa área.

Numa segunda aplicação, os erros primários deverão ser suprimidos ou reduzidos ao mínimo. O método será aplicado de maneira mais cuidadosa e todas as etapas, provavelmente, serão cumpridas. O problema escolhido é mais relevante e o grupo está mais maduro para usar ferramentas com mais segurança ou aplicar outras mais sofisticadas. As etapas serão vencidas com mais facilidade e consistência e o ganho do projeto seguramente será maior.

Se houver feedback e reforço do aprendizado, na terceira aplicação do MASP, as pessoas poderão utilizar, de forma mais plena, o potencial próprio e do método. O grupo estará confiante para desenvolver o projeto de melhoria sem ajuda externa. O conhecimento das ferramentas estará bem evoluído, com uso de recursos tecnológicos, como planilhas eletrônicas e gráficos bem feitos, bonitos e sempre pertinentes. Erros conceituais e metodológicos como, por exemplo, denominar ausência de solução como causa de problemas – o famoso “falta de…” – não serão mais cometidos. O grupo não se intimidará de reconhecer falhas e insucessos durante o trabalho e se sentirão orgulhosos de girar o PDCA várias vezes durante o projeto. Enfim, neste estágio as pessoas e o grupo de melhoria atingem um nível de maturidade técnica e estará pronto para grandes desafios.

O problema que se observa nos dias de hoje é a busca por resultados imediatos, não oferecendo o tempo necessário ao aprimoramento contínuo e à excelência profissional. Ao deixar pessoas e grupos relegados à própria sorte, o aprendizado não acontece, erros básicos continuam a ser cometidos e apenas problemas simples são tratados. As organizações precisam usar MASP. E para isso, precisam de um processo de aprendizado consistente baseado na ação. Dificilmente isso se dará com menos de três aplicações do método. Enquanto isso, recursos são necessários mas benefícios fazem todo o esforço valer a pena.

Claudemir Oribe é mestre em administração, consultor e instrutor de MASP, ferramentas da qualidade e gestão de T&D – claudemir@qualypro.com.br

Referências

PFEFFER, Jeffrey; SUTTON, Robert I. The knowing-doing gap: How smart companies turn knowledge into action. Boston: Harvard Business School Press, 2000.

ARGYRIS, Chris R. Knowledge for action. San Francisco: Jossey-Bass Publishers, 1993.

ORIBE, Claudemir Y. Quem Resolve Problemas Aprende? A contribuição do método de análise e solução de problemas para a aprendizagem organizacional. Belo Horizonte, 2008. Dissertação (Mestre em Administração). Programa de Pós-Graduação em Administração da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

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