Ganhando tempo na aplicação do MASP

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A execução simultânea de algumas tarefas e etapas permite ganhar tempo precioso na implantação de um projeto de melhoria.

Claudemir Oribe

Todo método é composto de uma sequência de etapas, para atingir um propósito desejado e pré-definido. O MASP não se chama método à toa. Sua estruturação se enquadra na definição epistemológica de método. O MASP foi construído para resolver problemas complexos e com histórico de ocorrência.

Esses problemas são confusos e difíceis de serem resolvidos pelos processos simples de solução de problemas. O risco de se perder no decorrer do projeto é substancialmente elevado. Além disso, é preciso que cada etapa seja bem executada, para evitar retrabalho e comprometer a eliminação definitiva do problema. Por isso, existe uma sequencia natural, lógica e racional para execução das etapas.

No entanto, embora elas tenham uma ordem, nem sempre elas precisam ser executadas de forma exclusiva. Ou seja, talvez não seja necessário esperar que uma termine totalmente para que a próxima seja executada. Se houver certa simultaneidade de tarefas e etapas, haverá um ganho considerável de tempo, tornando o MASP ainda mais rápido.

Mas não é só isso. Ao antecipar a discussão da próxima etapa, a equipe acaba avaliando o andamento da etapa em curso. Isso garante mais eficácia no processo como um todo. As etapas do MASP não são estanques. Elas podem sobrepor umas às outras, tal como acontece na engenharia simultânea e também no método CQI-20.

Já de início, toda a etapa 1 – Identificação do problema pode ser feita previamente pela gerência ou área da Qualidade, deixando para a equipe executar o método a partir da Etapa 2 – Observação do problema. A empresa pode indicar os problemas para serem tratados e as equipes que enfrentarão cada um. Um cronograma inicial de projeto pode ser também apresentado previamente, podendo, a equipe, revisá-lo durante o transcorrer do trabalho. Ainda na Observação, a coleta de informações e dados existentes pode ser distribuída entre os membros e compartilhados numa reunião, poupando a mobilização do grupo todo.

Na etapa 3 – Análise, o objetivo é descobrir as causas principais. Isso pode demandar o levantamento de dados de uma infinidade de variáveis causais. Em alguns casos pode ser necessária a execução de experimentos para comprovar as relações de causa e efeito entre as hipóteses e o problema. Tudo isso pode ser feito de forma simultânea usando delegação para que cada membro traga sua contribuição, deixando para o grupo todo, apenas o levantamento de dados de fatores causais mais difíceis de serem analisados.

Também na etapa de análise, é praticamente impossível não pensar em soluções quase imediatamente após encontrar uma causa relevante. Assim, se uma solução existe e é factível, ela pode ter sua viabilidade, custo e efeitos secundários discutidos ainda durante a análise.

Se, ao contrário, a solução não existir ou ser inviável, a própria causa identificada poderia ser descartada ou relegada a um baixo nível de prioridade devido a essa impossibilidade de ação sobre ela. Dessa forma, a etapa 4 – Plano de Ação é discutida quase ao mesmo tempo da Análise.

Outra etapa que podem ser sobreposta é a etapa 7 – Padronização com a etapa 4 – Plano de Ação e etapa 5 – Ação. Isso pode fazer sentido se houver elevada confiança na solução escolhida. Se a solução foi testada ou decidida de maneira veemente, ela pode ser implantada por meio de procedimentos e treinamento intensivo a todos os envolvidos já como parte da ação. Dessa forma, quando a verificação indicar que a solução foi realmente eficaz, a padronização já foi feita, como parte do plano de ação traçado e implementado na execução das ações.

Finalmente, a etapa 8 – Conclusão, também pode ser realizada tão logo se verifique que a solução implementada esteja realmente funcionando, embora dados ainda em quantidade significativa ainda não tenha sido coletada para uma verificação completa e convincente. Se alguma informação for invalidade na verificação, a conclusão pode ser revisada ou, até ser realizada posteriormente, como indica o método tradicional.

Um problema complexo pode, portanto, ser resolvido muito mais rapidamente com MASP do que se pensa, por meio da realização de tarefas ou etapas de forma simultânea. Para isso, basta conhecimento, disposição e atitude da liderança e dos membros da equipe de melhoria. O PDCA talvez não fique com suas etapas tão distintas e definidas, formando aquele círculo bonitinho de quatro etapas de 90 graus que conhecemos. Mas o resultado certamente acontecerá muito mais rápido e com muito menos esforço.

Claudemir Oribe é mestre em Administração, Consultor e Instrutor de MASP, Ferramentas da Qualidade e Gestão de T&D – claudemir@qualypro.com.br

masp

Figura: representação de um MASP Simultâneo (clique na figura para uma melhor visualização)

Referências

AIAG. CQI-20 Solução Eficaz de Problemas. 1. Ed. Tradução para o português pelo Instituto da Qualidade Automotiva. São Paulo: IQA, 2014. p. 10.

CAMPOS, Vicente Falconi. TQC: Controle da Qualidade Total (no estilo japonês). 8. ed. Belo Horizonte: INDG, 2004. 256 p.

HARTLEY, John R. Engenharia Simultânea: um método para reduzir prazos, melhorar a qualidade e reduzir custos. Porto Alegre: Bookman, 1998.

HOSOTANI, Katsuya. The QC problem solving approach: solving workspace problems the japanese way. Tokio: 3A Corporation, 1992.

JUSE – JAPANESE UNION OF CIENTISTS AND ENGINEERS. How to operate QC Circle activities. Tokyo: QC Circles Headquarters – JUSE, 1985. Primeira edição em japonês impressa em 1971.

KONDO, Yoshio. Companywide Quality Control: it’s backgroud and development. Tokio: 3A Corporation, 1995.

KUME, Hitoshi. The QC Story. In: KUME, Hitoshi. Statistical methods for quality improvement. Tokyo: 3A Corporation, 1992. p. 191-206.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de A. Metodologia científica. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2004.

ORIBE, Claudemir Y. Quem Resolve Problemas Aprende? A contribuição do método de análise e solução de problemas para a aprendizagem organizacional. Belo Horizonte, 2008. Dissertação (Mestre em Administração). Programa de Pós-Graduação em Administração da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

ORIBE, Claudemir Y. Precisa de solução rápida? Use o MASP. Revista Banas Qualidade, São Paulo: Editora EPSE, n. 257/65, novembro de 2013. p. 53.

PARKER, Graham W. Structured Problem Solving: A Parsec Guide. Hampshire: Gower, 1995.

TOMAZETTI, C. A e outros. A engenharia Simultânea Aplicada em Nível Organizacional. (referência indicada mas não consultada).

Nove ingredientes para criar um negócio de sucesso

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José Ricardo Noronha

Pesquisas mostram frequentemente que a maioria dos profissionais preferia ter um negócio próprio a ser funcionário de uma empresa. Entretanto, o desejo de empreender bate de frente com a falta de ação, justificada pela falta de recursos financeiros, dentre outros fatores. Resumindo: muitos têm vontade, mas são poucos os que querem agir e fazer acontecer.

Para quem deseja montar um negócio ou quer expandir um já existente, alguns ingredientes são fundamentais. Abaixo, detalho nove desses segredos, sendo quatro Cs e cinco Ps. Se você segui-los à risca, ouso afirmar que as chances de sucesso são enormes!

1) Causa: de nada adianta ter um grande sonho que seja único e exclusivamente impulsionado pelo desejo de ficar milionário. É preciso ter uma grande causa, um grande propósito e um grande sonho que permitam usar toda a sua inteligência e capacidade em torno da transformação desta grande “causa” em um negócio de enorme sucesso. E isso pode até resultar em transformar você num milionário.

2) Coragem: “O que pensais, passai a ser“, já dizia o sábio Gandhi. Para empreender e fazer seu sonho acontecer, é preciso superar os medos, os fantasmas e as barreiras visíveis e invisíveis. É necessário coragem para correr riscos, resistência para enfrentar os grandes percalços ao longo do caminho e resiliência, que é a capacidade de se manter firme diante dos grandes obstáculos, da pressão e do estresse que certamente acontecerão em muitos momentos.

3) Criatividade: vivemos em um mundo cada vez mais comoditizado, com ofertas de produtos e serviços cada vez mais similares ou exatamente iguais. Portanto, para empreender com sucesso é fundamental usar a criatividade, pois é ela um dos diferenciais competitivos mais fundamentais para que você tenha um negócio realmente único e atraente. E, muitas vezes, ser criativo é saber usar bem suas grandes competências, talentos e pontos fortes e conectá-los às necessidades das pessoas e das empresas, incluindo aí as que sequer foram por elas identificadas ainda. Tudo isso em torno da criação de um modelo de negócio criado exatamente para maximizar e fazer brilhar os seus dons.

4) Competência: de nada adianta ter uma causa sensacional, a coragem de assumir incríveis riscos, a criatividade para fazer se você não tiver a competência para colocar em prática o seu plano de negócios. E é aqui que entra a tão imprescindível educação continuada, que se traduz em um investimento perene em você mesmo e nas suas equipes. Aprenda a aprender e o mais importante: a colocar em prática rapidamente os seus grandes aprendizados que os cursos, palestras, livros e, principalmente, a vida vão lhe proporcionar.

5) Paixão: se você não for apaixonado pelo que faz, caia fora! A proposta parece um tanto quanto extrema, mas é absolutamente verdadeira, especialmente quando se quer inovar. Busque algo que você seja verdadeiramente apaixonado e verá que o trabalho, por mais desafiador que seja, será feito com muito mais prazer e satisfação.

6) Propósito: é necessário enxergar e viver de forma plena a nobreza da sua missão, do seu DNA. Estudos comprovam que empresas que conseguem demonstrar de forma genuína ao mercado e aos seus clientes a razão da sua existência não apenas vendem mais, como têm um poder de atração, retenção e motivação de seus talentos muito maior. Tenha um propósito de existência claramente definido!

7) Perseverança: todo e qualquer novo empreendimento carece de muito trabalho, muita dedicação e uma enorme capacidade de resiliência. Ou seja, para empreender é preciso perseverar! É preciso se manter firme com sua paixão, com o seu propósito e com o seu grande sonho de mudar positivamente o mundo.

8) Pessoas: todo negócio carece de gente muito qualificada e motivada. Mesmo em negócios individuais, a capacitação constante e a motivação de se trabalhar com algo que tenha um propósito definido e alto impacto no mundo são elementos absolutamente essenciais. Invista em pessoas, treinando-as incansavelmente, motivando-as sempre e dando a elas o senso de pertencer a algo maior, algo que transcende a pura e tão fundamental busca do lucro e do sucesso (“sense of belonging” ou “senso de pertencimento”).

9) Pés no chão: e mão na massa.

José Ricardo Noronha é vendedor, palestrante, professor, escritor e consultor. Tem como sonho e missão transformar a carreira e a vida de milhares de profissionais e os resultados de vendas de empresas através do compartilhamento de lições, experiências, dicas e da sua própria história de superação pessoal.