Observando com a tábua rasa

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A observação é um dos principais fundamentos da resolução de problemas. Mas para fazê-la bem é preciso ter mente aberta e livre de ideias pré-concebidas.

Claudemir Oribe

Para resolver qualquer tipo de problema é preciso observá-lo com muita atenção. De fato, a observação é fundamental para a compreensão dos fenômenos e elucidação dos enigmas ligados aos problemas complexos, ocasionalmente considerados insolúveis.

Explorando a Observação de um sentido mais prático, o vencedor do prêmio Deming Hitoshi Kume, reforça que o maior objetivo da observação é descobrir possíveis causas do problema associando a variação do problema com a variação das possíveis causas. Para isso é preciso ir ao local, procurar pistas sobre ao menos quatro pontos de vista: quando o problema ocorre, onde ocorre, em quais tipos de produto ou processo e a característica dos sintomas.

Já no MASP mais conhecido no Brasil, a Observação consiste em algumas atividades. Em primeiro lugar, coletar tudo o que se possa encontrar e que já esteja disponível sobre todos os aspectos possíveis do problema. Isso pode incluir registros, estudos anteriores, dados e entrevistas. É possível descobrir informações preciosas apenas conversando com empregados que convivem com o problema. E não estranhe se, ao indagar por que eles nunca relataram esses fatos, eles responderem: “-Ninguém perguntou!”.

Na metodologia científica, que é o arcabouço conceitual sobre o qual o MASP se sustenta, a observação pode ser feita de forma estruturada e não estruturada. Na forma estruturada, um plano ou um formulário de observação deve ser preparado previamente, visando direcionar a observação para o propósito do trabalho e registrar as informações coletadas. Já a observação não estruturada é feita sem um instrumento pré-definido. Enquanto a observação estruturada possibilita foco, a não estruturada abre o campo de visão embora, haja o risco de se perder numa contemplação sem objetivo e retornar sem as respostas necessárias para alimentar adequadamente a etapa de Análise (1).

Ainda do ponto de vista da metodologia científica, a observação pode ser descritiva, onde se relata apenas o que foi visto ou observado e sem qualquer julgamento, ou analítica, que é quando um solucionador de problemas procura usar seu conhecimento, bom senso e experiência para selecionar, julgar e atribuir relevância às informações. Assim, em se tratando da resolução de problemas usando MASP, uma equipe deveria procurar trabalhar de forma mais metódica possível, fazendo a observação de forma estruturada e analítica, para potencializar a atividade e obter o máximo de ganho nesta etapa.

A Observação é uma etapa essencial, sobre o qual todos os órgãos do sentido devem ser utilizados buscando identificar a maior quantidade possível de suspeitas e evidências(2), sempre indo no local, nas condições reais e com dados reais (3).

É imprescindível apurar a atenção, desenvolvendo a capacidade observadora, para que o quebra-cabeças da ocorrência do problema seja esclarecido. E, finalmente, as ideias preconcebidas, pressupostos, preferências, vaidades e temores devem ser deixados de lado. É preciso observar com a mente aberta, vazia e em branco. Como diziam os filósofos empiristas, iniciar a investigação sem nada na mesa ou, usando uma expressão da época, com a tábua rasa.

Claudemir Oribe é mestre em administração, consultor e instrutor de MASP, ferramentas da qualidade e gestão de T&D – claudemir@qualypro.com.br

Referências

KUME, Hitoshi. Statistical Methods For Quality Improvement. Tokyo: 3A Corporation, 1992. p. 191-206.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de A. Metodologia Científica. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2004.

LAVILLE, Christian; DIONNE, Jean. A Construção do Saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1999.

ORIBE, Claudemir Y. Quem Resolve Problemas Aprende? A contribuição do método de análise e solução de problemas para a aprendizagem organizacional. Belo Horizonte, 2008. Dissertação (Mestre em Administração). Programa de Pós-Graduação em Administração da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da Filosofia. 2. Ed. São Paulo: Paulus, 2005.

Notas

(1) Uma alternativa seria uma abordagem intermediária de Observação, onde a pessoa apenas identifica o que, quando e onde observar, sem elaborar um formulário específico (LAVILLE e DIONNE, 1999).

(2) O empirismo defende que todas as nossas ideias são provenientes de nossas percepções sensoriais (visão, audição, tato, paladar e olfato). Segundo Locke, nada vem à mente sem ter passado pelos sentidos.

(3) Essa combinação é chamada de Princípio 3G, que representam as palavras japonesas Gemba, Gembutsu e Genjitsu.

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