Reconhecimento profissional: muito além de dinheiro e ego

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A Academia Brasileira da Qualidade (ABQ) tem como um dos seus objetivos a disseminação ampla e irrestrita da Qualidade, procurando atingir os mais diversos segmentos profissionais, corporativos, comunidades além de setores acadêmicos. Como forma de colocar em prática a ação de divulgação de conceitos, conhecimentos e saberes sobre assuntos inerentes a Qualidade, foi desenvolvido um projeto cuja a intenção foi o de disponibilizar, de forma abrangente, informações importantes sobre os temas Inovação, Competitividade e Empreendedorismo, entendendo que eles são faces das mesmas moedas e que compõem um cenário de relevado interesse da sociedade.

Para tanto, optou-se por realizar entrevistas curtas informais e objetivas com profissionais reconhecidamente expoentes no mercado e que aceitaram compartilhar seus conhecimentos, experiências e vivências no âmbito desses temas. A metodologia adotada para as entrevistas foi a de perguntas e provocações ancoradas, de modo que o entrevistado pudesse ser desafiado e estimulado a contribuir ao máximo com sua expertise em relação a cada tema.

Assista às entrevistas e aproveite ao máximo a oportunidade de ouvir e absorver importantes conhecimentos, conceitos, dicas sobre esses três temas considerados hoje como ímpares para a sustentabilidade e garantia de êxito nas mais variadas formas e estratégias de condução dos sistemas de gestão nas organizações.

Inovação

Âncora: João Mario Csillag (ABQ)

Entrevistado: Prof. Wilson Nobre (FGV – SP)

Competitividade

Âncora: Eduardo Guaragna (ABQ)

Entrevistado: Prof. Dr. Peter B. Hansen (PUC-Rio Grande do Sul)

Empreendedorismo

Âncora: Claudius D’Artagnan Barros (ABQ)

Entrevistado: Prof. Marco Antonio de Oliveira (OBI – Consultores & Editores)

Para assistir, acesse o link http://abqualidade.org.br/Eventos/videos-abq.html

Maurício Sampaio

O reconhecimento é uma das principais medidas para motivar e promover conquistas pessoais, profissionais e financeiras para um profissional, além de trazer benefícios para a empresa, como maior produtividade, funcionários em busca de resultados e com maior foco para o sucesso da organização. O problema é que nem sempre isso acontece…

Acredito até essa seja um problema universal. De um lado os chamados colaboradores, esperando por um elogio ou um feedback, seja ele positivo ou não. Do outro, líderes e empresas querendo entender o descontentamento de seus funcionários.

A verdade é que é preciso analisar ambos os lados. O reconhecimento é resultado do alinhamento de valores da empresa e de seus colaboradores. Portanto, analise o que pode ser sugerido para você ser reconhecido, ao mesmo tempo em que irá gerar bons resultados para sua organização. Eu já estive em ambos os lados, mas boa parte da minha vida passei como contratante e reparei que existem dois sentimentos nesse jogo:

1) O sentimento do contratado, que acha que poderia “valer mais”, então ele gostaria de ser reconhecido pelos seus superiores e ter um aumento de salário.

2) A situação do contratante, que até sabe que seus funcionários poderiam ser melhor reconhecidos financeiramente, mas, devido aos muitos impostos, às vezes fica inviável.

Mas, para mim, a grande questão é que reconhecer um colaborador financeiramente não é tudo. O dinheiro é uma questão à parte nessa discussão e isso é algo que as recentes pesquisas vêm mostrando, principalmente no que se refere às novas gerações.

Muitos profissionais da Geração Y (nascidos após os anos 80) e Geração Z (nascidos na década de 90), por exemplo, não estão buscando apenas um bom salário ou um bônus salarial. É claro que dinheiro é bom e todo mundo gosta, pois podemos comprar as coisas que gostamos, viajar com a família e com os amigos, mas não é tudo. Quando esses jovens saem de uma empresa eles estão querendo um reconhecimento profissional, das suas habilidades e conquistas.

No começo da minha carreira, eu fui trabalhar em uma empresa familiar. E, obviamente, como era o mais novo, eu tinha que obedecer aos mais velhos – que, no caso, era a minha mãe. Ela era – e ainda é – dona de um colégio particular e eu sempre olhava e pensava: “Nossa, eu também quero ter o reconhecimento que ela tem”. E não era por uma questão de dinheiro, mas sim por reconhecimento profissional mesmo.

O fato é: todo o mundo deseja ser reconhecido. Isso não é uma questão de ego ou exibicionismo. Todos se sentem bem quando são valorizados, quando têm o incentivo e a admiração das outras pessoas. Isso faz parte da vida do ser humano. Eu duvido que exista alguém que não goste de um elogio ou que não se importe com isso.

E como ter o reconhecimento profissional? Existem duas saídas: ou a empresa tem uma política humana de reconhecimento ou você deve procurar outro lugar que ofereça isso. Quando eu digo “política humana de reconhecimento”, refiro-me a um alinhamento de valores entre a companhia e os seus colaboradores. E não é só questão do reconhecimento financeiro.

Se há um trabalho nesse sentido e ele permite você acabe utilize as suas ferramentas, o seu conhecimento e aquilo que você quer produzir no dia a dia, ótimo. Do contrário, você realmente tem que buscar uma nova empresa que satisfaça o seu reconhecimento.

E o que é “satisfazer reconhecimento”? De um modo geral, é satisfazer aquilo que você tem para dar. Se você é muito comunicativo, tem que trabalhar em uma área que te permita expor sua comunicação. Caso tenha uma habilidade para vendas, deve buscar uma área de persuasão. Ou, caso você goste de ajudar os outros, precisa caminhar em direção a uma área onde possa trabalhar diretamente com pessoas.

A empresa tem que trabalhar com esse prisma. É o que a gente chama, dentro do nosso meio, de engenharia de função: pessoa certa no lugar certo. Se a organizar não está conseguindo fazer esse tipo de alocação, você que tem que procurar outro lugar que consiga fazer isso.

Por outro lado, você só vai conseguir fazer isso se souber que realmente quer. Muitas pessoas reclamam de reconhecimento, mas, no fundo, não sabem o que querem. Você pode até dizer que quer um aumento de salário, mas sabe que tipo de aumento quer?

Para evitar que seu pedido de aumento de salário seja negado, considere as seguintes perguntas para fazer a si mesmo: Você sabe qual é o seu nível de produtividade no trabalho? Está produzindo mais ou menos? O que, de fato, você está produzindo em números?

As empresas gostam de trabalhar com números. Não tem jeito. É o meio que uma empresa tem para sobreviver. O que importa, no final das contas, é que ela sempre tenha dinheiro sobrando. Por isso, é importante saber de que forma você está contribuindo com ela. Essa é uma forma de você provar a sua participação e ser reconhecido.

São dois jogos: o da empresa e o seu. Ambos precisam estar alinhados. A empresa precisa reconhecer que ela deve fazer um maior esforço para reconhecer seus colaboradores e você precisa fazer um maior esforço para ser reconhecido. E, se estiver no lugar errado, procure um lugar que realmente possa acolher seus valores, talentos e habilidades.

Maurício Sampaio é coach de carreira, palestrante, escritor e fundador do InstitutoMS de Coaching de Carreira.

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A vez da matemática


NBR 10335 de 10/2015: a especificação dos conectores para tubo traqueal
Quais as dimensões nominais do conector? Por que devem ter resistência a agentes anestésicos inalatórios…

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Luiz Gonzaga Bertelli

A matemática é a disciplina escolar que mais receio causa nos alunos. E também nos adultos, que já foram alunos um dia. Pesquisa realizada em 25 cidades brasileiras com adultos de mais de 25 anos, mostra que a maioria não sabe fazer operações matemáticas básicas como cálculos de porcentagens, juros e frações. A ciência é detestada por 43% das pessoas e 65% deles apontam dificuldades na escola com a disciplina. De acordo com a pesquisa, 75% não sabem calcular médias simples, 63% não conseguem responder a perguntas sobre percentuais, 75% não entendem frações e 69% não conseguem fazer contas com taxas de juros. Em avaliações parecidas, feitas em países desenvolvidos, o resultado é quatro vezes melhor.

O estudo, encomendado pelo Instituto Círculo da Matemática do Brasil, aponta para um problema endêmico que atinge o ensino no país. O temor da matemática traz influências perniciosas para o desenvolvimento.

Uma sociedade que não tem bons conhecimentos matemáticos torna-se pouco competitiva no mercado internacional. Não consegue acompanhar as inovações tecnológicas e fica sempre em segundo plano no campo científico.

Além disso, o desconhecimento nesse campo gera dificuldades nas áreas comerciais e financeiras. Como saber quais os melhores investimentos para o dinheiro se o aplicador não sabe calcular juros e porcentagens? É uma deficiência que pode causar, até mesmo, um impacto negativo na economia.

A matemática também é a matéria base para carreiras importantes como a engenharia, que sofreu nos últimos anos, um esvaziamento de profissionais qualificados. Países como China, Coréia do Sul, que hoje desenvolvem tecnologia de ponta e que, até pouco tempo, tinham graves problemas de educação, avançaram bastante e formam muito mais profissionais nessa área que o Brasil.

E a engenharia é um símbolo de carreira que anda ao lado do desenvolvimento. Quanto mais um país cresce, mais precisa de profissionais dessa área.

Os sintomas dessa educação deficiente chegam ao CIEE, que detecta problemas na formação de gerações de estudantes nos processos seletivos que organiza para empresas e órgãos públicos. Esse foi um dos motivos para a criação dos cursos Matemática básica I, Matemática básica II, Matemática financeira e Finanças no rol da educação à distância que o CIEE oferece gratuitamente em seu portal para os jovens que buscam vagas de estágio e aprendizagem.

Dessa forma, o CIEE contribui para atenuar um problema sério que precisa, evidentemente, ser corrigido em sua base. A melhoria na qualidade da formação dos professores deve ser um dos principais itens da lista. Assim como uma adequação estrutural da disciplina nas escolas, com mais aulas e com um enfoque diferente que mostre a importância da matemática no nosso dia a dia.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).