Resolução de problemas e desenvolvimento de pessoas

Eduardo Moura

Os problemas são para a mente o que os exercícios são para os músculos: eles nos fortalecem e nos fazem crescer.” (Norman Vincent Peale)

Nessa mesma linha de pensamento, Einstein disse: “Não é que eu seja tão inteligente; apenas permaneço nos problemas por mais tempo.” E em certa ocasião escutei Eli Goldratt afirmar: “Já me chamaram de gênio, mas na verdade sou halterofilista.”

É também interessante observar que no ápice da pirâmide do modelo 4P do “Toyota Way” está o P de “Problem Solving”, acima de “Philosophy”, “Process” e “People”. Tudo isto indica que, muito provavelmente, resolver problemas é a melhor maneira de desenvolver pessoas. Alguém que acaba de resolver um problema é alguém que alcançou um nível mais elevado de conhecimento. E alguém que desenvolve o hábito de identificar e resolver problemas está no caminho de tornar-se sábio. Porque o que diferencia a verdadeira sabedoria em relação ao simples acúmulo de informação é a capacidade de aplicar o conhecimento de forma relevante em situações práticas.

E nada é mais prático do que um problema, dependendo, é claro, da forma como o abordamos. Infelizmente, a maioria das organizações que conheço estão imersas num contínuo combate a “incêndios”, desperdiçando mais de 70% da capacidade produtiva de sua gente em ações emergenciais, como forma de responder de maneira rápida (e ineficaz) aos problemas do dia-a-dia. Para agravar ainda mais a situação, aquelas ações emergenciais são tipicamente tomadas dentro das fronteiras de cada departamento ou área funcional, de forma isolada, o que praticamente decreta a ineficácia diante dos problemas mais complexos, de caráter sistêmico.

Mas se contarmos com a saudável combinação de pessoas corretas e metodologias corretas para enfrentar os problemas, aquele quadro sinistro pode se reverter radicalmente. Para isto é necessário reconhecer, já de saída, dois fatos importantes: o trabalho em equipe aumenta grandemente a eficácia na resolução de problemas e há diferentes categorias de problemas, as quais pedem diferentes tipos de metodologias.

O que deveria fazer com que as organizações que realmente levam a sério a resolução de problemas e o desenvolvimento de seu pessoal, invistam o tempo e os recursos necessários para criar uma estrutura de trabalho em equipe, desde o nível operacional até o nível executivo, apoiadas por metodologias e ferramentas analíticas apropriadas a cada situação. Esperar que filosofias ou metodologias genéricas de  resolução de problemas (ao estilo do ciclo “PDCA”) possam ser usadas como panacéia desde o planejamento estratégico até o Kaizen Diário, é como buscar uma bala de prata que mate todos os vampiros.

A tabela abaixo ajuda a ilustrar o que digo, e sugere (com exemplos parciais, sem a pretensão de esgotar o assunto)  metodologias adequadas para os diferentes tipos de problemas enfrentados pelos diferentes tipos de equipes nas empresas. Por sua vez, cada metodologia mencionada na tabela traz consigo um particular conjunto de ferramentas analíticas (não mostradas aqui por falta de espaço), as quais aumentam em muito a eficácia de aplicação da respectiva metodologia.

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Alguém poderia questionar que o enfoque em problemas é de natureza negativa, e que deveríamos antes buscar as oportunidades e as inovações. Todas as oportunidades e inovações de porte são aquelas que respondem a uma necessidade ou problema relevante para os clientes. Além disso, se definirmos problema como “um desvio em relação a um resultado desejado”, abrimos espaço para incluir como “problema” um salto positivo que queiramos dar em algum parâmetro importante do desempenho organizacional.

Em suma, se almejamos organizações excelentes, devemos tratar seriamente a questão de desenvolver pessoas através do estimulante caminho da resolução de problemas. Deixar isso de lado, como tema de importância secundária, é deixar escoar pelo ralo grande parte do valioso potencial humano de uma organização.

Eduardo Moura é diretor da Qualiplus Excelência Empresarial –emoura@qualiplus.com.br

Corrupção, mal endêmico mundial

Basilio V. Dagnino

Talvez pudéssemos ter um melhor desempenho se aproveitássemos a atual mobilização dos meios de comunicação e da população para que o Brasil suba no triste campeonato mundial da corrupção, pois infelizmente estamos longe do título, um modesto 69º. lugar entre 175 países. Com a Lava-Jato, cujos dados ainda não foram computados pela Transparência Internacional, antes pelo contrário, certamente ainda cairíamos alguns postos no ranking.

Isso evidencia que esse é um mal endêmico mundial, conforme comprovam os muitos documentos editados por organizações internacionais. A ONU publicou a Convenção contra a Corrupção, e a Organização Internacional para a Normalização está trabalhando intensamente na norma técnica ISO 37001 sobre sistemas de gestão antipropina.

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Em muitos países as campanhas anticorrupção utilizam técnicas de comunicação e marketing, como é o caso da Índia, adotando slogans fortes para vender a ideia.

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Nos Estados Unidos uma preocupação é com a propina legal, termo usado para aquela em que lobbies, apoiando com vultosas somas aplicadas em campanhas de candidatos, conseguem embutir na legislação dispositivos que favorecem determinados grupos ou interesses – os nossos jabutis! A campanha nesse sentido, tanto em nível estadual como federal, chega ao ponto de estar sendo considerada proposta de emenda constitucional a respeito.

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Isso não quer dizer que devemos nos colocar em posição de conforto, antes pelo contrário. Uma meta para galgarmos progressivamente posições, sem sermos ambiciosos demais para chegar a níveis escandinavos, australiano ou neozelandês seria altamente benéfica.

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Dessa forma, recursos desviados, por exemplo, da saúde e da educação e moradia seriam devidamente aplicados na redução das imensas carências nacionais.

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Basilio V. Dagnino é vice presidente da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ) e diretor técnico da Qualifactory Consultoria.