O Brasil à Andrade Gutierrez

corruption

Hayrton Rodrigues do Prado Filho, jornalista profissional registrado no Ministério do Trabalho e Previdência Social sob o nº 12.113 e no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo sob o nº 6.008

A verdade nua e crua: o impasse institucional brasileiro, combinado com a crise econômica, a insegurança do Direito, a corrupção sistêmica, a impunidade e a violência urbana sem controle, está empurrando o país para um estágio de pré-convulsão social. Esse risco, de ruptura institucional, é um cenário cada vez mais próximo e possível – mesmo quando por aqui se cultua o falso mito de uma passividade e pacifismo de um povo bom e ordeiro.

Depois que o juiz federal Sérgio Moro homologou acordo de leniência entre a empreiteira Andrade Gutierrez e o Ministério Público Federal (MPF), pelo qual a empresa pagará R$ 1 bilhão de indenização e publicar os termos do acordo em nota nos principais veículos de comunicação, os leitores podem fazer a leitura ao contrário: como era o país à moda da Andrade Gutierrez.

Mesmo a empresa admitindo, de modo transparente perante toda a sociedade brasileira, seus erros e que vai reparar os danos causados ao país e à própria reputação da empresa, o que se vê era em é um Estado totalmente à mercê de esquemas de corrupção que se espalharam por toda a sociedade. Será que é suficiente admitir que é preciso aprender com os erros praticados e, principalmente, atuar firmemente para que não voltem a ocorrer?

Será que vai mudar alguma coisa na empresa depois que ela implementar um modelo de Compliance, baseado em um rígido Código de Ética e Conduta, em linha com as melhores práticas adotadas em todo o mundo? Será que escrever que a Operação Lava Jato poderá servir como um catalisador para profundas mudanças culturais ─ que transformem o modo de fazer negócios no país e que esse manifesto contribua para um grande debate nacional acerca da construção de um Brasil melhor ─ ajudará na eliminação de alguns de seus piores defeitos, como o desperdício de dinheiro público e a impunidade, entre muitos outros? Isso ficará claro na mente de toda a sociedade brasileira?

Ao propor sugestões que acredita ser capazes de criar uma nova relação entre o poder público e as empresas nacionais, com atuação em obras de infraestrutura, a Andrade Gutierrez está fazendo o que realmente importa para o povo brasileiro? Ou seja, adotar procedimentos corretos principalmente em relação à ética, à responsabilidade social e ao zelo com o dinheiro público. Na verdade, no texto publicado os brasileiros deveriam ficar estarrecidos com que a empresa realizava.

Não fazia nenhum estudo de viabilidade técnico-econômica anterior ao lançamento do edital de concorrência, não descartando obras que não contribuam para o desenvolvimento do país. Não realizava nenhum projeto executivo de engenharia antes da licitação do projeto, o que não permitia a elaboração de orçamentos realistas e evitar assim as previsões inexequíveis que causam má qualidade na execução, atrasos, rescisões ou a combinação de todos esses fatores.

Não lutava para a obtenção prévia de licenças ambientais, o que poderia ter evitado contestações judiciais ao longo da execução do projeto e o início de obras que em desacordo com a legislação. Não fazia nenhum tipo de aferição dos serviços executados e de sua qualidade, que deveria ser executado por empresa especializada, evitando-se a subjetividade e interpretações tendenciosas.

Enfim, a empresa não garantia que ambas as partes tivessem os seus direitos contratuais assegurados, passíveis de serem executados de forma equitativa. Não havia nenhum modelo de governança em empresas estatais e órgãos públicos que garantisse que as decisões técnicas fossem tomadas por profissionais técnicos concursados e sem filiação partidária.

Não estava nem aí se as obras tinham garantia de disponibilidade de recursos financeiros, vinculados ao projeto até a sua conclusão. Não se preocupava em assegurar a punição de empresas e contratantes que não cumprissem os contratos na sua totalidade.

Por fim, a companhia acha que as mudanças não serão possíveis se não houver o engajamento de todos os agentes do setor e de toda a sociedade. “Dessa forma, a Andrade Gutierrez espera que as entidades que representam o setor de infraestrutura, assim como as demais empresas desse mercado, se juntem em um movimento que possa definitivamente trazer mais transparência e eficiência para todo o mercado, resultando em um Brasil melhor.”

A gente fica na torcida para que isso ocorra o mais rápido possível. E que o país à moda Andrade Gutierrez seja passado à limpo.

Hayrton Rodrigues do Prado Filho é jornalista profissional, editor da revista digital Banas Qualidade, editor do blog https://qualidadeonline.wordpress.com/ e membro daAcademia Brasileira da Qualidade (ABQ)hayrton@hayrtonprado.jor.br– (11) 99105-5304.

Hayrton,

Amei receber seu texto. Mas como sou advogada e contadora sei que tenho algumas experiencias para te relatar. Uma empresa de construção civil grande como a Andrade Gutierrez (desculpe se errei é a pressa) não “ofereceria nada de livre e espontânea vontade” ela e muitas outras são obrigadas a concordar com o esquema de quem contrata e quem paga (o governo) o maior criminoso para mim é o nosso governo em dose 10 vezes maior que as empresas. Como contadora eu preciso de clientes e com o advogada também e esses clientes sao empresas privadas, que mantem quadro de funcionários, custos fixos altissimos etc. Ou seja, ou aceita ou perde para outra que vai aceitar por isso existiu o cartel entre elas…elas já não estavam mais aguentando a sangria dos petistas. Esse partido deve ter um problema muito sério, pois a maioria parece que sofreu lavagem cerebral não querem enxergar o mal que fizeram ao país. Tudo é culpa da “oposição” que não aceitou os votos da urna. Nunca acreditei nessa urna eletronica. Eu sou a favor do voto livre, até pela internet como contadores ja fazem, diminui o gasto com tudo e não polui a cidade com propagandas enganosas.

A politica deveria ser limpa, só entrar quem já tem projetos em mãos, no mínimo 1 por ano. Tem pessoas que estão no mandato ha 20 anos e somente 1 projeto, não entendo isso. Um país como o Brasil que tem 35 partidos e depois vira um funil de candidatos que se coligam para fortalecer. Eu sou a favor de 2 partidos, um de oposição outro de situação e ponto. Sou a favor de parlamentarismo e sou contra salarios e seguranças e assessores para esses ex tudo do Brasil, quantas bocas estamos sustentando? Acabou o mandato vai procurar o que fazer, trabalhar, dar aulas etc. Mas percebo que as familias se perpetuam, ex da familia Sarney, que agora tem pai, filho e espirito santo na politica…e a Roseana com as mazelas dela e mostrou que não era santa. Filha e neto de Sarney , que são ricos em local de extrema pobreza. Eu teria vergonha de morar em um lugar que eu poderia ter feito tudo e nada fiz.

Enfim, sei que vc é uma pessoa extremamente ocupado e não pode perder tempo lendo e mails de seus fãs como eu, mas te admiro, sei que ser Jornalista no Brasil é um perigo, mas precisamos de você e de outros como você para nos mostrar essas verdades que o povão precisa saber.

Estou querendo repassar o seu e mail e quero saber se posso, pois vou preservar a grandeza de quem escreveu na íntegra.

Nilra

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Questão de saneamento

NBR ISO 50004 de 03/2016 e NBR ISO 50006 de 03/2016: os princípios para um sistema de gestão de energia Publicada em 20/04/2016

Quais são os requisitos gerais de um sistema de gestão da energia? Quais considerações devem…

Leia mais…

Luiz Gonzaga Bertelli

A eclosão da zika surpreendeu o Brasil e uma de suas graves consequências  graves, a microcefalia em bebês, talvez seja a que mais sensibilize a sociedade. Mas há um aspecto que, embora ainda cause indignação, não chega a surpreender: a fragilidade do sistema público de saúde, que se mostra mais precário em casos de surtos inesperados de doenças que se disseminam rapidamente.

Mas aqui cabem algumas perguntas. Será que todos os surtos são mesmo inesperados? Depois do susto com a dengue há poucos anos, ninguém pode alegar que o seu vetor, o Aedes egypti não seja bem conhecido dos brasileiros. Sem tirar o mérito das campanhas de erradicação do mosquito (fumacês, evitar acúmulo de água em pratinhos de vasos, pneus velhos ou garrafas pets; cobrir as caixas d’água, etc.), não seria hora (ainda que tardia) de se pensar em medidas tão ou mais eficazes de prevenção ou, pelo menos, de contenção da proliferação do Aedes?

Essa proposta remete para o persistente descaso com  o saneamento básico, hoje privilégio de apenas 50% dos brasileiros. A outra metade da população está vulnerável a doenças transmissíveis por vetores que proliferam em esgotos a céu aberto, enchentes, poças de água de chuva, etc. Ou, no caso do Aedes, até na água limpa que os moradores estocam para vencer a seca em centenas de municípios, como no Nordeste.

Se o terrível lado humano dessas tragédias não basta para sensibilizar o Poder Público, quem sabe as estimativas dos custos financeiros gerados pelo Aedes estimulem investimentos para valer em saneamento básico. Fiquemos em dois  exemplos, válidos só para 2015. Para tentar controlar a proliferação do Aedes e dos vírus que transmite, só o Ministério da Saúde gastará R$ 2,5 bilhões. E mais: a zika pode causar prejuízos de até R$ 8,6 bilhões com a redução da vinda de estrangeiros para as Olimpíadas.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE.