O novo posicionamento estratégico da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ)

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Abrindo o Congresso FNQ de Excelência em Gestão (CEG), em São Paulo, no Centro de Convenções Rebouças, o presidente executivo da FNQ, Jairo Martins, revelou que, devido ao cenário brasileiro que se tornou cada vez mais complexo e volátil, há novos desafios a ser vencidos por todas as instituições. “Isso está requerendo novas atuações das empresas e inclusive da nossa organização. Assim, estamos adotando um novo posicilonamento estratégico da FNQ, exatamente no ano que iremos comemorar 25 anos de atuação no país”.

Ele acrescenta que à luz das tendências dos cenários econômicos, políticos, tecnológicos, etc., fizemos uma análise do momento atual vivido pelo Brasil, marcado por uma evidente crise de gestão em todos os níveis. “Se a gente olhar vemos um país com desemprego crescente, estados e municípios quebrados, empresas demitindo a sua mão de obra, sinalizando um evidente mau uso do dinheiro público, uma incompetência administrativa imensa e por aí vai. Então, o nosso direcionamento estratégico estará focado em três pilares que irão sustentar a nossa missão e a busca constante na excelência operacional. Um dos pilares é o engajamento das pessoas na causa da gestão para a excelência e eu fico satisfeito hoje em ver tantas pessoas aqui procurando adotar esse posicionamento. Na verdade, a sociedade somos nós. Nós temos que mudar a postura para alterar todo esse estado de coisas que estamos vivendo. A sociedade tem que se engajar para ser o protagonista de toda essa situação. Mudança que precisa acontecer”, observa.

Jairo diz que o segundo ponto será o aumento da produtividade das organizações, pois sem isso não acontece nada. “Sem trabalho não vai ocorrer nada. Essa política de compradre que existe hoje, baseada na corrupção, não dura muito tempo. Precisamos, sim, que as empresas sejam produtivas. Em consequência, esse processo irá aumentar a competividade brasileira. E o que é ser competitivo? É ser escolhido e o Brasil não está sendo escolhido para se ter relações comerciais pelo resto do mundo. Temos que ser escolhidos como parceiros internacionais e não ter uma imagem negativa de aqui nada funciona. Teremos que mudar esse panorama o mais rápido possível”.

Segundo o presidente, o objetivo dessa proposta da FNQ é atuar na esfera pública e privada, e ajudar realmente a resgatar a confiança no país. “Não só a confiança externa, mas também a interna, pois nós não estamos muito confiantes como o país está sendo levado. Dessa forma, eu gostaria de todos refletissem nesse novo posicionamento da FNQ: pensar no país. É essa proposta”.

Complementa dizendo que a instituição sempre terá a função de promover a busca pela excelência, já que o país precisa de uma grande cadeia de valor voltada para as melhorias. “E o que vem a ser a busca pela excelência? O primeiro ponto é entender que a empresa é um organismo vivo, operando em um sistema complexo e que está sempre interagindo com o seu ambiente. Precisamos gerar valor para todos os integrantes da cadeia de valor em uma relação de interdependência e cooperação, e ter qualidade na interação com o ecosistema, ou seja, a velocidade de aprendizado e a capacidade de se adaptar a cenários imprevistos e incontroláveis. Isso tem que ser a tarefa de cada um de nós. Sempre estar observando e reagindo em relação ao que está ocorrendo nesse ambiente conturbado mundialmente.

A FNQ também estará publicando a 21ª edição do Modelo de Excelência em Gestão (MEG), que é o carro-chefe da FNQ para a concretização da sua missão, que é a de estimular e apoiar as organizações brasileiras no desenvolvimento e na evolução de sua gestão para que se tornem sustentáveis, cooperativas e gerem valor para a sociedade e outras partes interessadas. “Nessa nova edição, comemorando os 25 anos da Fundação, que será disponibilizada no segundo semestre desse ano, já fazendo parte dessa nova postura estratégica, serão abordados novos temas, como o desenvolvimento sustentável, a ética, o sistema de compliance e a governança corporativa que passa a ser decisiva na condução dos negócios, ou seja, refletindo os impactos atuais nas gerações futuras. O novo MEG trará os temas que irão inmpactar os negócios no mundo atual”.

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Ele aponta ainda uma nova mudança na FNQ: o seu logotipo. “Uma marca moderna que acompanha a evolução da instituição e que procura trasmitir a seriedade em trilhar novos caminhos, de forma leve e transformadora. Uma busca pela evolução em seus conceitos. Temos que pensar diferente: o Brasil é a nossa tarefa”.

Melhor evitar do que remediar

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Claudemir Oribe

Perguntaram a um sábio chileno como os sábios resolvem problemas. O sábio respondeu: “- Nós sábios, não resolvemos problemas, nós os evitamos, por isso somos sábios.” A estória de Alex Periscinoto não é verídica, mas o ensinamento que ela passa é bem plausível.

É impossível evitar totalmente a ocorrência de problemas pois, para isso, seriam necessários recursos inimagináveis. Por isso até mesmo os produtos mais avançados do mundo moderno convivem com algum grau de risco de problema. No entanto, a maior parte deles podem e devem ser evitados. Uma gestão de riscos eficaz possível depende de vontade, liderança e um trabalho minucioso de estudo, avaliação e investimentos em prevenção. Logo, o uso de métodos estruturados é fundamental para que ela tenha máxima confiança a um custo razoável.

O MASP é um método reativo, voltado para problemas que já ocorreram mas, se alterarmos sua construção metodológica, ele pode ser adaptado para uma abordagem proativa, adequando-se para ser usado no tratamento de riscos. A primeira etapa, de Identificação do problema, é substituída pela identificação contexto do trabalho bem como as grandes categorias de riscos que deverão ser tratados. Uma equipe deve ser formada decorrente de acordo com essa avaliação preliminar.

Na etapa de Observação, as atividades podem se manter as mesmas, com visitas aos locais e levantamento de evidências para a próxima etapa. Já na etapa de Análise, a equipe deve identificar os riscos existentes em cada área, avaliando cada um deles segundo um conjunto de critérios de gravidade e probabilidade de ocorrência para estabelecer uma escala de prioridade. Uma ferramenta pode ser utilizada para este fim. Aqui não há procura da causa raiz. A Análise é profunda e exige da equipe mais conhecimento, uma vez que ela consiste em avaliar fenômenos que ainda não aconteceram.

O Plano de Ação – 4ª etapa do MASP preventivo – é o conjunto de ações para mitigar os riscos a um nível aceitável. Ações alternativas devem ser identificadas sendo que, cada uma delas precisa demonstrar seu efeito sobre o potencial de gravidade e ocorrência. Depois de formalizado, o plano de ação deverá ser orçado, negociado e aprovado com a gerência.

Na Verificação, as ações devem ser discutidas e analisadas para reavaliar o grau em que as soluções reduzem o potencial de gravidade e ocorrência para níveis aceitáveis. Novas ações podem ser definidas se as ações anteriores não cumpriram esse papel ou se eventuais efeitos secundários negativos foram identificados.

Finalmente, na Etapa de Conclusão, é sempre bom lembrar a importância do aprendizado nas organizações de hoje. A equipe deve aperfeiçoar sua sensibilidade e critérios de julgamento para que ações sejam cada vez mais efetivas, com o menor custo possível.

Além disso, o risco é um perigo que se movimenta e está sempre à espreita. A equipe então deve continuar ativa e alerta, monitorando e reavaliando a evolução dos perigos na empresa. Dessa forma, fazendo alterações metodológicas devidas, o MASP pode ser empregado para tratar problemas potenciais, talvez com outra denominação: MASPP – Método de Análise e Solução de Problemas Potenciais.

Claudemir Oribe é mestre em administração, consultor e instrutor de MASP, ferramentas da qualidade e gestão de T&D – claudemir@qualypro.com.br

Referências

NBR ISO 9001:2015, Sistemas de Gestão da Qualidade – Requisitos

NBR ISO 31:000:2009, Gestão de Riscos – Princípios e Diretrizes

CAMPOS, Vicente Falconi. TQC: Controle da Qualidade Total (no estilo japonês). 8. ed. Belo Horizonte: INDG, 2004.

ORIBE, Claudemir Y. Quem Resolve Problemas Aprende? A contribuição do método de análise e solução de problemas para a aprendizagem organizacional. Belo Horizonte, 2008. Dissertação (Mestre em Administração). Programa de Pós-Graduação em Administração da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

PERISCINOTO. Alex. Mais Vale o que se Aprende do que o que te Ensinam. Rio de Janeiro:Best Seller, 1995.

TAGUE, Nancy R. The Quality Tool Box. 2. ed. Milwaukee: ASQ Quality Press, 2005.