A sustentabilidade no Antropoceno

A solidão do Homo sapiens sapiens

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Hayrton Rodrigues do Prado Filho, jornalista profissional registrado no Ministério do Trabalho e Previdência Social sob o nº 12.113 e no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo sob o nº 6.008

Se você ficar em um lugar escuro, sem música, sem barulho do mundo exterior, dá para você escutar o rumor da sua solidão. Esse é o homo sapiens sapiens olhando a fogueira nas cavernas ou olhando a tela de seu computador ou seu celular. A solidão que faz buscar paraísos, infernos ou purgatórios para tentar explicar o inexplicável. A lógica ilógica das coisas sobre a Terra, dos planetas visíveis, do universo em uma noite escura e brilhante. Olhando o horizonte infinito de uma praia, os seus olhos chegam a arder e à sua mente vem a vontade de ir até lá.

Uma jornada de mais de 160.000 anos. Há evidência arqueológica do seu genoma mitocondrial (mtDNA materno) e cromossomo Y (DNA paterno) no leste da África. Antes disto (pelo menos há 500.000 anos), grupos de hominídeos como o homem de Pequim, de Heidelberg e de Neandertal haviam saído da África e habitaram a Europa e Ásia. Mas estes não eram homo sapiens sapiens.

Entre 160.000 a 135.000 anos quatro grupos portando a primeira geração de genoma mitocondrial tipo L1 viajaram como caçadores para o sul ao Cabo da Boa Esperança, para o sudoeste até a bacia do rio Congo e para oeste rumo à Costa do Marfim. Entre 135.000 a 115.000 anos um grupo viajou através de um Saara verde e fértil, através de uma passagem, subiu o rio Nilo e ocupou a Ásia Menor.

Entre 115.000 a 90.000 anos o grupo que chegou à Ásia Menor se extinguiu. Um resfriamento global converteu esta área e o norte da África num deserto extremo. A região voltou a ser ocupada mais tarde por Neandertais.

Entre 90.000 a 85.000 um grupo atravessou a boca do Mar Vermelho – pela Porta das Lamentações (Bab el-Mandeb) – antes de seguir seu caminho ao longo da costa sul da península arábica em direção à Índia. Todos os não africanos são descendentes deste grupo.

Entre 85.000 a 75.000, a partir do Sri Lanka (antigo Ceilão ao sul da Índia) eles continuaram ao longo da costa do Oceano Índico até a Indonésia ocidental, que na época era parte da Ásia continental. Ainda seguindo a costa eles passaram ao redor de Bornéu e chegaram ao sul da China.

Há 74.000 anos uma enorme erupção do Monte Toba, na Sumatra, causou um inverno artificial que durou 6.000 anos e uma instantânea era glacial por 1.000 anos, desencadeando uma aniquilação da população humana que ficou reduzida a menos de 10.000 adultos. As cinzas vulcânicas cobriram grande parte da Índia e do Paquistão cobrindo a superfície com uma camada de 5 metros.

Entre 74.000 a 65.000 anos, após a devastação do subcontinente indiano, ocorreu um novo povoamento. Alguns grupos navegaram em botes do Timor para Austrália e também de Bornéu para a Nova Guiné. Havia um frio intenso no Pleniglacial Inferior ao norte.

Entre 65.000 a 52.000 anos um dramático aquecimento global finalmente permitiu que alguns grupos pudessem se dirigir ao norte pela Crescente Fértil para retornar a Ásia Menor. Dali, há 50 mil anos, chegaram ao Bósforo e entraram no continente europeu.

Entre 52.000 a 45.000 anos, houve uma pequena idade do gelo. A cultura Aurignaciana do Paleolítico Superior saiu da Turquia para a Bulgária na Europa. Novos estilos de ferramentas de pedra se estenderam ao norte pelo rio Danúbio em direção a Hungria e depois para a Áustria.

Entre 45.000 a 40.000 anos grupos da costa oriental da Ásia Central seguiram rumo ao nordeste da Ásia. Do Paquistão rumaram para a Ásia Central e da Indochina através do Tibet até a planície de Qing-Hai.

Entre 40.000 a 25.000 anos, da Ásia Central, grupos seguiram para Oeste rumo ao Leste Europeu e para o Norte ao círculo polar ártico unindo-se com asiáticos orientais e disseminaram o nordeste da Eurásia (Sibéria). Este período assistiu o nascimento de espetaculares obras de arte como os da Caverna Chauvet (França).

Entre 25.000 a 22.000 anos os ancestrais dos nativos americanos cruzaram o estreito de Bering pela ponte terrestre que ligava a Sibéria ao Alaska. Passaram tanto pelo corredor de gelo antes do Último Máximo Glacial atingindo Meadowcroft (Pensilvânia) como pela rota costeira.

Entre 22.000 a 19.000 anos, durante a última Idade do Gelo, o norte da Europa, da Ásia e América do Norte estavam totalmente despovoadas com alguns grupos sobreviventes isolados em refúgios. Na América do Norte o corredor de gelo se fechou e a rota costeira congelou.

Entre 19.000 a 15.000 anos, houve o último Máximo Glacial. Na América do Norte, ao sul do gelo, alguns grupos continuaram a desenvolver diversidades na língua, cultura e genética à medida em que cruzaram para a América do Sul.

Entre 15.000 a 12.500 anos, o clima global continuou melhorando. A rota costeira recomeçou. Em Monte Verde (Chile) foram descobertas habitações humanas. Datação por carbono 14 indicam que isso ocorreu entre 11.790 e 13.565 anos. Escavações da Universidade de Kentucky encontraram ferramentas de pedra lascada e pedras arredondadas para calçamento.

Entre 22.500 a 10.000 anos o gelo retrocedeu do sul para o norte. Há 11.500 anos grupos saíram dos seus refúgios do sul do Ártico da Beríngia para se desenvolverem como esquimós, aleutas e falantes da língua Na-Dené.

Entre 10.500 a 8.000 anos o colapso final da Idade do Gelo anunciou o amanhecer da agricultura. O Saara era um pasto cheio de árvores como sugerem os petróglifos de girafas do período Neolítico no deserto de Níger.  Inicia a recolonização das ilhas britânicas e da Escandinávia.

Há 8 mil anos o Homo Sapiens já havia conquistado o mundo. Desta época, saindo da Idade da Pedra atravessou a Idade do Bronze e a Idade do Ferro. De uma população total de 4 milhões chegou a 7 bilhões de habitantes.

Atualmente, já existe a ideia de uma nova era geológica, pois está havendo uma mudança radical no Planeta em um curto espaço de tempo, acelerada pela ação humana. Uma enorme pressão sobre a Terra: o Antropoceno.

O Planeta em seus 4,5 milhões de anos de existência já passou por vários ciclos na escala geológica, com devastações, sendo que a última ocorreu há 67 milhões de anos. Há uma teoria de que um asteróide atingiu o México há 65 milhões de anos, formando a cratera Chicxulub, e que provocou a alteração do clima e a extinção de espécies como os dinossauros. A era Mesozóica, dominada pelos répteis, foi seguida pela era Cenozóica – dos mamíferos – o que incluiu o aparecimento dos primatas.

Nessa nova era, as atividades dos seres humanos estariam influenciando as transformações no mundo, num ritmo acelerado. O modo de vida relacionado com a produção e o consumo está mexendo com o clima. E podem aumentar o risco de aquecimento do planeta. Contudo, a solidão continua a atormentar a eternidade do ser humano.

Falar em sustentabilidade hoje está complicado e vai envolver fortes mudanças de atitude de para todos os seres humanos. A enorme desigualdade na distribuição das riquezas no planeta traz instabilidade política, econômica e social, e é preciso minimizá-la para evitar conflitos ainda mais sérios. Desenvolvimento sustentável demanda um esforço conjunto para a construção de um futuro com inclusão e resiliente para todas as pessoas e todo o planeta.

As mudanças climáticas são um dos pontos centrais, pois ela já impacta a saúde pública, a segurança alimentar e hídrica, a migração, a paz e a segurança. E, se não for controlada, reduzirá os ganhos de desenvolvimento alcançados nas últimas décadas e impedirá possíveis ganhos futuros para as próximas gerações.

Hayrton Rodrigues do Prado Filho é jornalista profissional, editor da revista digital Banas Qualidade, editor do blog https://qualidadeonline.wordpress.com/ e membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ)hayrton@hayrtonprado.jor.br

O maior dos agentes de mudanças

Ernesto Berg

Mudança é a palavra-chave que caracteriza nossa existência como seres humanos e, sobretudo agora, no século XXI. Quem muda e se adapta, sobrevive; quem não o faz estagna e perece. As crises ocorrem quando pessoas, estruturas e sociedades resistem às inovações ou quando surge uma nova situação com a qual conseguem conviver.

O termo crise vem do grego “krisis”, que significa momento decisivo e crítico. Pode tornar-se problemático se encarado negativamente; ou um novo desafio a ser enfrentado e vencido, quando visto positivamente. O ideograma chinês que representa crise é formado de duas partes: uma, significa risco (Wei), a outra, oportunidade (Ji).

A crise traz a oportunidade de construir e vivenciar algo novo, mas também modifica o status quo do antigo, refém da acomodação. Modificar o status quo significa sofrer toda espécie de resistências e mesmo atitudes agressivas.

Líderes autênticos provocam reais mudanças

Cristo foi o maior agente de mudanças que a humanidade conheceu. Tão grande influência exerceu que o calendário foi modificado em antes e depois de Cristo (AC – DC), representando um claro divisor de águas entre o velho e o novo, e um símbolo que poderia significar antes e depois da sua mensagem.

Ele quebrou a espinha dorsal da tradição doutrinária das religiões existentes, afetando sobretudo o judaísmo. O Antigo Testamento faz dezenas de referências ao Messias, Jesus, séculos antes de seu nascimento. Messias vem do aramaico mashiach, que significa ungido pelo santo óleo, expressando o poder com que eram investidos os sacerdotes e reis de Israel, ao serem empossados. Messias em grego é Christos, cuja tradução em português é Cristo.

Grandes líderes – sejam políticos, empreendedores, inventores, artistas – são agentes de mudanças. Eles utilizam a base da sociedade existente e sobre ela calcam novos modelos mentais e estruturais, novos padrões de conduta e tecnologias.

Existem centenas de exemplos de pessoas em todas as áreas do conhecimento e da tecnologia que, mais tarde, transformaram suas ideias e ideais em amplos sucessos resultando em grandes mudanças. Elas tiveram duas coisas em comum:  passaram por um período de aprendizado e incubação mental, ou espiritual, antes de emergirem para o mundo; e tinham grande e profunda convicção no sucesso de suas missões ou empreendimentos.

O grande empreendedor

Foi assim com Jesus. Começou a pregação da boa nova (evangelho) a partir dos 30 anos e, nos próximos três anos e meio de sua existência, sedimentou a base da doutrina espiritual que veio trazer. Instituiu as bases do empreendimento em cerca de 42 meses, mas o resultado e a repercussão ecoaram universalmente, transformando pessoas, sociedades, países e continentes.

O que faz de Cristo o maior empreendedor de todos? Resposta: enquanto outros líderes mostraram-se proeminentes no campo da esfera humana, Jesus trouxe um sopro de luz e vida sobre a área mais obscura e inexplorada do ser humano: seu espírito e alma, o verdadeiro eu. E não ficou nisso. Mostrou a porta de saída de nossas limitações e o caminho para a vida eterna, o que vale mais do que toda a soma do conhecimento humano, pois tornou o que era limitado em ilimitado, o finito em infinito, o passageiro em eterno, o inatingível em atingível.

“Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância”, afirma. João 10.10b. Não a existência comum, mas a vida completa, com abundância, em todas as áreas de nossa vida: abundância de paz, sabedoria, alegria, amor, saúde. É a própria plenitude bíblica, já prometida a Abraão no Antigo Testamento, agora repactuado com vigor muito maior. À medida que você se entrega a Deus, Deus se entrega a você.

Quebra de todos os padrões

Líderes proeminentes quebram padrões e barreiras vigentes para dar forma aos ideais e ideias que vieram disseminar. Pelo princípio da não-resistência Gandhi quebrou a espinha dorsal do império britânico na Índia e libertou seu povo da dominação inglesa. Einstein formulou o princípio da energia X matéria. E= M X C2, onde energia (E), é igual a matéria (M), vezes a velocidade da luz ao quadrado (C2), inaugurando as bases da era atômica.

Nós, que vivemos no século XXI, e estamos familiarizados com os novos conceitos que Cristo trouxe, não nos damos conta dos rígidos paradigmas que ele quebrou há dois mil anos. Foram dezenas de modelos que ele quebrou e repercutem até os dias de hoje. Cito apenas quatro, para exemplificar.

Quebra de paradigma 1: Pai Nosso. Antigamente as pessoas não ousavam chamar ao criador do universo de pai. As expressões eram: Deus, Ser Eterno, Todo-Poderoso, Senhor do Universo etc. Mas, designá-lo de pai, é algo bem diferente. Foi considerado anátema pela classe sacerdotal e digno de reprovação.  Não obstante, Cristo chamou o Criador de Pai, e com essa atitude puxou Deus para a esfera humana e, por sua vez, alavancou-nos até Ele, inaugurando um novo tipo de relacionamento: a do Pai achegando-se aos filhos carinhosamente.

Quebra de paradigma 2: Deus se interessa pelo bem estar de cada pessoa. Cristo trouxe valiosa informação para nós. Deus é um pai amoroso, terno e paciente. Ele não se atém, tão somente, às ações estratégicas e cósmicas. Ele participa do nosso dia a dia, de nossas rotinas e preocupações.

“Não pergunteis, pois, o que haveis de comer ou o que haveis de beber e não andeis inquietos. Porque os gentios do mundo (as pessoas centradas apenas nas coisas materiais) buscam todas essas coisas; mas vosso Pai sabe que necessitais delas.” Lucas 12. 29 e 30.

A preocupação de Deus pelas coisas transitórias em nossas vidas indica seu maior cuidado por nós e toda a criação. Uma confiança simples e sincera em um Pai cuidadoso, liberta as pessoas da ansiedade aborrecedora das necessidades físicas da vida.

Quebra de paradigma 3. O relacionamento com Deus é pessoal e intransferível. É um dos pontos que mais causou polêmica entre os sacerdotes, escribas e fariseus. A tradição religiosa e cultural vigentes era a de que o contato com Deus poderia somente ser feito por profetas, sacerdotes ou reis, por serem figuras investidas de autoridade divina para isso.

Jesus quebra o monopólio elitista das classes privilegiadas e torna o contato com o Pai disponível a todos, sem exceção. Ao sacrificar-se por nós na cruz Cristo tornou-nos reis e sacerdotes, pois ensejou ligação direta com Deus (Apocalipse 1.6).

Quebra de paradigma 4. Valorizou sobremodo as pessoas. Com Jesus o povo passou a ter vez e ser reconhecido como gente. As pessoas acercavam-se de Jesus e eram ouvidas, instruídas e renovadas com suas palavras. Cristo valorizou as mulheres que, na antiguidade, eram tradicionalmente subjugadas e subservientes aos homens, relegadas a uma posição de menor importância na sociedade, cujo objetivo principal era procriar. Há inúmeras passagens na Bíblia onde Cristo conversa carinhosamente com as mulheres, salvando inclusive uma adúltera de apedrejamento, contrariando a lei mosaica, que exigia essa punição às adúlteras. Jesus poderia ter se eximido e não intervir para agradar aos sacerdotes. Mas o líder, nas horas cruciais aparece e atua, não se esconde.

Perguntas-chave da mudança

Em se tratando de mudanças pessoais, existem algumas perguntas que todos nós podemos – e devemos – fazer a nós mesmos: “Como estou em termos da minha zona de conforto? Como estou encarando a restauração da minha vida espiritual? Estou evitando-a e procurando o máximo de tranquilidade e conforto na vida que levo?” Convém lembrar que o lugar mais tranquilo da cidade é o cemitério. Lá tudo é tranquilo e nada muda; ninguém ali aspira a mais nada. Se quisermos crescer teremos de enfrentar a mensagem trazida por Cristo: “Eu vim para tenham vida e a tenham em abundância.” É um convite e também um desafio que Jesus lança a todos: receba vida e a receba com abundância, mas faça a sua parte. Saia da zona de conforto e assuma uma nova postura, com coragem e confiança, pois é na lida diária que crescemos e nos tornamos vencedores.

Ernesto Berg é consultor de empresas, professor, palestrante, articulista, autor de 15 livros, especialista em desenvolvimento organizacional, negociação, gestão do tempo, criatividade na tomada de decisão, administração de conflitos – berg@quebrandobarreiras.com.br