Os indicadores para sustentabilidade dos meios de hospedagem

Nesse blog já foi publicado o texto sobre a sustentabilidade dos meios de hospedagem no link https://qualidadeonline.wordpress.com/2014/07/24/a-sustentabilidade-dos-meios-de-hospedagem-conforme-a-norma-tcnica/

Agora foi editada uma norma técnica especificando os indicadores para se conseguir isso. A NBR 16534 de 09/2016 – Meios de hospedagem – Indicadores para o sistema de gestão da sustentabilidade especifica exemplos de indicadores para um sistema de gestão da sustentabilidade em meios de hospedagem, permitindo que um meio de hospedagem monitore e reporte os resultados referentes aos impactos ambientais, socioculturais e econômicos significativos.

Destaca-se que os exemplos de indicadores apresentados nesta norma são modelos que podem ser adequados aos meios de hospedagem conforme a estratégia da empresa, levando em consideração, principalmente, a compatibilidade com a legislação aplicável, bem com seu porte, tipo, localização geográfica e condições culturais e sociais. Por exemplo, um indicador seria a geração de resíduos/hóspede/noite.

O indicador de geração de resíduos/hóspede/noite tem como fundamento o impacto ambiental gerado pelo meio de hospedagem no uso de recursos e na geração de resíduos sólidos. Deve ser calculado para o período adotado e a fórmula de cálculo seria a quantidade total de resíduos sólidos (kg) gerados no período kg de resíduos/hóspede/noite dividido pelo número de hóspedes vezes o número de noites que seria igual a X kg de resíduos/hóspede/noite.

Para as regras de contagem, deve ser considerada a quantidade de resíduos sólidos gerados em quilogramas no período. O valor pode ser estimado, com base em critérios que permitam monitoramento consistente. Para calcular o denominador da fórmula, o meio de hospedagem deve contabilizar os hóspedes, os colaboradores, os visitantes e a quantidade de dias de permanência.

As exceções para as regras de contagem são as quantidades (em kg) muito pequenas de resíduos, de difícil quantificação, podem ser desprezadas. As fonte de dados são os locais onde os resíduos sólidos estão armazenados são a fonte para este tipo de informação.

Exemplo de como calcular

—— volume de resíduo gerado no restaurante (Junho/2014): 304 kg

—— volume de resíduo gerado na lavanderia (Junho/2014): 6 kg

—— volume de resíduo gerado no escritório (Junho/2014): 10 kg

—— volume de resíduo gerado em obras (Junho/2014): 180 kg

—— número de hóspedes.

Inserir indicador

Esta norma se aplica a qualquer meio de hospedagem que deseje: medir, avaliar e monitorar o desempenho do sistema de gestão da sustentabilidade; assegurar-se de sua conformidade com sua política de sustentabilidade definida; medir, avaliar e monitorar os resultados das práticas sustentáveis implementadas nas suas operações; avaliar o cumprimento dos objetivos da sustentabilidade estabelecidos; e monitorar o cumprimento à legislação aplicável.

A abordagem da normalização da sustentabilidade do turismo e a decorrente possibilidade de implementar um sistema de certificação dos meios de hospedagem que aplica a(s) norma(s) relacionada(s) partem do estabelecimento de requisitos de desempenho para as dimensões da sustentabilidade (ambiental, sociocultural e econômica), os quais são suportados por um sistema de gestão da sustentabilidade.

Este sistema de gestão proporciona uma base estável, coerente e consistente para o alcance do desempenho sustentável dos meios de hospedagem e a sua manutenção. O sistema de gestão da sustentabilidade soma-se aos demais modelos de sistemas de gestão estabelecidos, entre os quais estão, como principais referências, a NBR ISO 9001 e a NBR ISO 14001.

Nesta perspectiva, indicadores de desempenho, como estes apresentados nesta norma, são essenciais para que o meio de hospedagem possa monitorar os resultados obtidos pelo planejamento e implementação de ações relacionadas aos impactos ambientais, socioculturais e econômicos significativos. Estes indicadores podem ser utilizados pelos meios de hospedagem que buscam reduzir os seus custos e, ao mesmo tempo, aumentar a sua lucratividade, colocando em prática os conceitos de uma gestão mais sustentável.

Esta gestão permite, na dimensão ambiental, alcançar uma maior eficiência energética, otimizando o uso dos insumos, matérias-primas e recursos hídricos, reduzindo a geração de resíduos e tornando os funcionários mais conscientes e motivados para a preservação do destino turístico onde o meio de hospedagem está localizado.

Na dimensão sociocultural, funcionários capacitados, diminuição da rotatividade, melhorias no ambiente de trabalho, estreitamento de parcerias com fornecedores e outras organizações relacionadas ao meio de hospedagem, reconhecimento e melhoria da imagem do meio de hospedagem para hóspedes, comunidade local, fornecedores e outras partes interessadas, além da valorização do destino por meio do desenvolvimento da comunidade e proteção dos seus valores culturais.

Na dimensão econômica, o aprimoramento da gestão proporciona maior saúde financeira da empresa, permitindo o desenvolvimento de estratégias para maior lucratividade associada ao crescimento e desenvolvimento do meio de hospedagem, para satisfazer as necessidades do seu cliente. O turismo, que é um dos maiores segmentos econômicos do mundo, vem cada vez mais sendo objeto de atenção em relação à sua potencial contribuição para o desenvolvimento sustentável e ao mesmo tempo quanto aos impactos que pode provocar nos campos ambiental, sociocultural e econômico.

Organizações de todos os tipos no setor do turismo estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um desempenho correto em relação à sustentabilidade, gerindo o impacto de suas atividades, produtos ou serviços, levando em consideração sua política e seus objetivos de sustentabilidade.

Este comportamento se insere no contexto de uma legislação cada vez mais exigente, do desenvolvimento de políticas econômicas e sociais, de outras medidas destinadas a estimular a proteção ao meio ambiente e ao patrimônio cultural e de uma crescente preocupação das partes interessadas, em particular os clientes, em relação à qualidade e às questões ambientais e socioculturais.

Muitas iniciativas têm sido desenvolvidas com o propósito de promover o turismo sustentável. Entre elas, o desenvolvimento de normas que estabeleçam os requisitos mínimos para o turismo sustentável, aliadas a mecanismos de certificação, tem se destacado como uma das tendências mais presentes no mercado internacional, despertando maior engajamento das partes interessadas.

A experiência em outros setores da economia mostra que um sistema de gestão eficaz depende de um conjunto consistente de indicadores e, portanto, esta norma tem como propósito servir de fonte de consulta e orientação para os meios de hospedagem que desejem implementar um sistema de gestão da sustentabilidade.

Para tal deve ser levado em conta que trabalhar com um número muito grande de indicadores, geralmente resulta em um sistema ineficaz, pois é muito difícil se manejar um número grande de variáveis independentes ao mesmo tempo. Outro aspecto a ser considerado é que a norma NBR 15401:2014 estabelece requisitos para três dimensões da sustentabilidade (ambiental, sociocultural e econômica), sendo que as dimensões não se sobrepõem uma sobre as outras em termos de importância, ou seja, todas precisam ser igualmente administradas.

Os indicadores devem ser claros, compreensíveis, objetivos e operacionalmente fáceis de serem apurados e calculados. Os indicadores devem ser utilizados em estreita consonância com os objetivos da sustentabilidade estabelecidos pelo meio de hospedagem.

Considerando estes aspectos, foram definidos indicadores para as três dimensões da sustentabilidade (ambiental, sociocultural e econômica). Os indicadores propostos podem ser considerados como base para cada meio de hospedagem. Assim, será possível que determinados meios de hospedagem usem outros indicadores além destes propostos, e usem alguns dos indicadores, propostos ou indicadores diferentes destes aqui apresentados.

Importante ressaltar que os custos fixos são custos existentes em relação à operação do meio de hospedagem, mesmo que não haja ocupação. São exemplos de custos fixos em meios de hospedagem: folha de pagamento (salários e encargos); taxas e licenças (IPTU, alvarás, entre outros); aluguéis; serviços contratados (manutenção, segurança, jardinagem, internet, TV a cabo, informática, comunicação); energia, água e telefonia (parte fixa da conta); combustível (consumo mínimo); estoque (alimentos e bebidas, material de limpeza, entre outros).

Os custos variáveis são os custos existentes em relação à operação do meio de hospedagem em função da ocupação. São exemplos de custos variáveis em meios de hospedagem: comissões, horas extras e mão de obra temporária incidentes na folha de pagamento; energia, água e telefonia; combustível; consumo e reposição de estoque (alimentos e bebidas, material de limpeza, entre outros); serviços contratados (lavanderia, entre outros).

As despesas variáveis são as despesas relacionadas à estrutura administrativa e comercial da empresa. São exemplos de despesas variáveis em meios de hospedagem: impostos (ISS, PIS, Cofins, entre outros); taxa de recolhimento de lixo por quantidade; comissão de venda e intermediação; taxa administrativa do cartão de crédito e antecipação de receitas.

Os investimentos são recursos aportados para ampliação e/ou melhoria do meio de hospedagem. São exemplos de investimentos em meios de hospedagem: construção de novas UH; modernização das instalações; aquisição de novos equipamentos; inserção de novos serviços; e campanha de marketing.

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