Aprendendo a gerenciar os resíduos da construção civil com a norma técnica

Dados revelam que o volume de resíduos gerado pela indústria da construção civil – entulho de construção e demolição -, chega a ser duas vezes maior que o volume de lixo sólido urbano. Alguns especialistas afirmam que 60% do total de resíduos produzidos nas cidades brasileiras têm origem na construção civil.

Hayrton Rodrigues do Prado Filho, jornalista profissional registrado no Ministério do Trabalho e Previdência Social sob o nº 12.113 e no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo sob o nº 6.008

Em qualquer cidade brasileira, é comum se deparar com um monte de resíduos de construção espalhado por diferentes pontos. A geração de resíduos nas atividades de construção civil, reformas, ampliações e demolições e sua consequente destinação final, quando não realizada em conformidade com a legislação vigente, pode resultar em impactos ambientais que muitas vezes são visíveis como: a degradação de áreas de preservação permanente, assoreamento de córregos e rios, obstrução de vias e logradouros públicos, proliferação de vetores, queimadas entre outros, que tantos malefícios causam à população e ao meio ambiente.

A indústria da construção, como o setor de atividades humanas que mais consome recursos naturais e utiliza energia de forma intensiva, gera consideráveis impactos ambientais. Além dos impactos relacionados ao consumo de matéria e energia, há aqueles associados à geração de resíduos sólidos, líquidos e gasosos. Estima-se que mais de 50% dos resíduos sólidos gerados pelo conjunto das atividades humanas sejam provenientes da construção.

Os desafios para o setor da construção são diversos, porém, em síntese, consistem na redução e otimização do consumo de materiais e energia, na redução dos resíduos gerados, na preservação do ambiente natural e na melhoria da qualidade do ambiente construído. Para tanto, recomenda-se: uma mudança dos conceitos da arquitetura convencional na direção de projetos flexíveis com possibilidade de readequação para futuras mudanças de uso e atendimento de novas necessidades, reduzindo as demolições; a busca de soluções que potencializem o uso racional de energia ou de energias renováveis; a gestão ecológica da água; a redução do uso de materiais com alto impacto ambiental; a redução dos resíduos da construção com modulação de componentes para diminuir perdas e especificações que permitam a reutilização de materiais.

Confirmada em março de 2017, a NBR 15112 de 06/2004 – Resíduos da construção civil e resíduos volumosos – Áreas de transbordo e triagem – Diretrizes para projeto, implantação e operação fixa os requisitos exigíveis para projeto, implantação e operação de áreas de transbordo e triagem de resíduos da construção civil e resíduos volumosos. É importante conhecer algumas definições envolvidas. Os resíduos da construção civil são os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica, etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha.

Os resíduos volumosos são constituídos basicamente por material volumoso não removido pela coleta pública municipal, como móveis e equipamentos domésticos inutilizados, grandes embalagens e peças de madeira, podas e outros assemelhados, não provenientes de processos industriais. A área de transbordo e triagem de resíduos da construção civil e resíduos volumosos é a destinada ao recebimento de resíduos da construção civil e resíduos volumosos, para triagem, armazenamento temporário dos materiais segregados, eventual transformação e posterior remoção para destinação adequada, sem causar danos à saúde pública e ao meio ambiente. O ponto de entrega de pequenos volumes é a área de transbordo e triagem de pequeno porte, destinada à entrega voluntária de pequenas quantidades de resíduos de construção civil e resíduos volumosos, integrante do sistema público de limpeza urbana.

Os resíduos da construção civil são classificados em conformidade com a legislação nacional. O Classe A são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como: de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem; de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento, etc.), argamassa e concreto; de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meios fios, etc.) produzidas nos canteiros de obras.

Os de Classe B são os recicláveis para outras destinações, tais como plásticos, papel, papelão, metais, vidros, madeiras e outros. Os de Classe C são os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem e recuperação, tais como os produtos oriundos do gesso. Os de Classe D são os perigosos oriundos do processo de construção, tais como tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles contaminados oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros.

A área de transbordo e triagem de resíduos da construção civil e resíduos volumosos deve ser dotada de portão e cercamento no perímetro da área de operação, construídos de forma a impedir o acesso de pessoas estranhas e animais; anteparo para proteção quanto aos aspectos relativos à vizinhança, ventos dominantes e estética, como, por exemplo, cerca viva arbustiva ou arbórea no perímetro da instalação.

Deve ter, na entrada, identificação visível quanto às atividades desenvolvidas e quanto à aprovação do empreendimento. No local, devem ser devem ser observadas algumas diretrizes. Só devem ser recebidos resíduos de construção civil e resíduos volumosos e não devem ser recebidas cargas de resíduos da construção civil constituídas predominantemente de resíduos classe D. Fundamental é que só devem ser aceitas descargas e expedição de veículos com a cobertura dos resíduos transportados e os resíduos aceitos devem estar acompanhados do controle de transporte de resíduos (CTR).

Os resíduos aceitos devem ser integralmente triados, devendo se ser evitado o acúmulo de material não triado. Os resíduos devem ser classificados pela natureza e acondicionados em locais diferenciados e os rejeitos resultantes da triagem devem ser destinados adequadamente. A transformação dos resíduos triados deve ser objeto de licenciamento específico e a remoção de resíduos da área de transbordo deve estar acompanhada do CTR.

Em resumo, esse tipo de resíduos representa um grave problema em muitas cidades brasileiras. Se, por um lado, a sua disposição irregular pode gerar problemas de ordem estética, ambiental e de saúde pública, de outro lado, eles representam um problema que sobrecarrega os sistemas de limpeza pública municipais, visto que, no Brasil, eles podem representar de 50% a 70% da massa dos resíduos sólidos urbanos.

De forma geral, esses resíduos são vistos como de baixa periculosidade, sendo o impacto causado, principalmente, pelo grande volume gerado. Contudo, nestes resíduos também são encontrados materiais orgânicos, produtos perigosos e embalagens diversas que podem acumular água e favorecer a proliferação de insetos e de outros vetores de doenças.

Hayrton Rodrigues do Prado Filho, jornalista profissional, editor da revista digital Banas Qualidade, editor do blog https://qualidadeonline.wordpress.com/ e membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ)hayrton@hayrtonprado.jor.br

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O eclipse do sol ou como melar a comunicação

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Ernesto Berg

No assunto relacionamento humano, saber se comunicar é ponto fundamental para o bom entendimento das partes envolvidas, pois é onde tudo começa, e onde também tudo termina. Comunicação é a atividade mais comum a todas as pessoas. Estudos e pesquisas realizadas em organizações mostram que setenta e cinco por cento do tempo das pessoas são gastos comunicando-se com outros, seja para conversar, telefonar, ler, escrever relatórios, mandar e-mails, negociar ou administrar conflitos.

Por comunicação interpessoal, refiro-me à capacidade do indivíduo de saber comunicar-se, de dialogar e de entender aos outros, bem como a de fazer-se compreender. Líderes autênticos são mestres consumados neste quesito. Sabem o que interessa às pessoas, do que elas necessitam, de como motivá-las e, sobretudo, de como entregar a mensagem.

Comunicações mal feitas, por sua vez, originam mal-entendidos de toda ordem, alguns trágicos – como no caso de acidentes aéreos provocados por equívocos -, outros cômicos, como no caso do resultado do concurso Miss Universo 2016, e da final do Oscar 2017. Muita lambança improvisada levando a situações hilariantes.

Lembro-me do famoso exercício de comunicação, “O Eclipse do Sol”, que apliquei inúmeras vezes nos cursos de liderança que ministrei, mostrando o quanto uma informação pode ser deturpada quando mal transmitida e mal assimilada. O resultado é uma coleção de boatos e rumores desencontrados e hilariantes, tão frequentes nos meios de comunicação, principalmente na internet e nas mídias sociais.

Vamos, então, ao “Eclipse do Sol”.

O general dá uma ordem ao coronel:

Amanhã, às 9:00 horas, haverá eclipse do sol, o qual não ocorre todos os dias. Faça saber aos meus homens que vão ao pátio, em traje de campanha, para que vejam esse raro fenômeno, quando eu lhes darei explicações convenientes. Em caso de chuva não poderemos ver nada; então levarás os homens ao ginásio.

O coronel transmite a ordem ao major:

Por ordem do Sr General, amanhã às 9:00 horas haverá eclipse do sol. Se chover, coisa que não ocorre todos os dias, não se poderá ver o fenômeno ao ar livre; então, em traje de campanha terá lugar ao eclipse no ginásio.

O major disse ao capitão:

Por ordem do Sr. Coronel, amanhã todos os homens em traje de ginásio estarão às 9:00 horas no pátio do quartel, para assistirem a inauguração de um eclipse do sol. Como este fenômeno não ocorre todos os dias, informe aos homens com a devida antecipação pois o Sr. General, em traje de campanha dará ordens se chover ou não.

O capitão ao tenente:

Amanhã as 9:00 horas, o Sr. General, em traje de campanha, eclipsará o sol. Se chover, quando este fenômeno se apresentar, mandará fazer ginástica no pátio sem dar explicações a ninguém.

O tenente ao subtenente:

Amanha por volta das 9:00 horas terá lugar o eclipse do general, em traje de campanha. Como isso não ocorre todos os dias, resguarde os homens no ginásio e situe um na porta até que o fenômeno tenha desaparecido.

O subtenente ao sargento:

Amanhã às 9:00 horas o general em traje de ginástica com condecorações, dará explicações necessárias de como devem comportar-se os homens em campanha quando ocorrer o eclipse do sol. Como isso não ocorre todos os dias, os homens em traje de chuva sairão ao ginásio para escutar o tão raro fenômeno.

O sargento ao cabo:

Amanhã às 9:00 horas e em traje de campanha, todo mundo estará formado no pátio do quartel junto ao ginásio. O Sr. General sem dar explicações a ninguém, fará chover até que todo mundo se tenha eclipsado.

O cabo aos soldados:

Transmito a vocês que amanhã, lá pelas 9:00 horas, o General vai trazer ao pátio do ginásio uma eclipse em traje de chuva, para dar explicações sobre as 24 horas do fenômeno.

Os soldados entre si:

Parece ser que amanhã às 9:00 horas, sem dar explicações a ninguém, vão prender 24 horas o General no ginásio. Tudo acontecerá porque quando ele estava em campanha não queria fazer ginástica nos dias de chuva. Pena que isso não ocorre todos os dias.

Sem mais comentários de minha parte, para não eclipsar o bom humor do leitor.

Ernesto Berg é consultor de empresas, professor, palestrante, articulista, autor de 16 livros, especialista em desenvolvimento organizacional, negociação, gestão do tempo, criatividade na tomada de decisão, administração de conflitos.