Os mistérios da educação brasileira

Claudio de Moura Castro

Decifrar a nossa educação não é tarefa menor. Mas se queremos consertá-la, é preciso entender os seus mistérios. Nem sempre conseguimos, mas conhecer a nossa ignorância já é um passo à frente. O presente ensaio explora uma coleção de mistérios que obliteram uma compreensão correta da nossa educação.

Por que nossa educação é tão atrasada? É simples, começamos muito tarde e, até recentemente, andamos devagar. Ou seja, não é o que fazemos errado agora, mas o que deixamos de fazer, ao longo da nossa história.

No século XVIII, estima-se que apenas 3% da nossa população era alfabetizada. Em contraste, os Estados Unidos tinham então uma escolarização superior à da Europa. Por que?

As primeiras ondas migratórias para os Estados Unidos foram de ingleses, escoceses, alemães e suecos, quase todos protestantes e alfabetizados. No nosso caso, os imigrantes portugueses tinham baixíssima alfabetização, para não falar dos africanos e dos índios locais.

A própria administração colonial portuguesa não era lá essas coisas em escolaridade. Isso desembocava na fragilidade das políticas públicas para a educação, mesmo no Império. De fato, somente ao fim do século XIX começam a aparecer redes locais de ensino público.

Portanto, a fraca escolaridade é uma consequência natural da nossa demografia. Para uma exploração agrícola e mineral primitiva, isso fazia pouca diferença. Mas hoje, mesmo a agricultura requer um grau elevado de escolaridade e afinidade com processos complexos. O que não era problema passou a sê-lo.

E por que a educação disparou no século XX? É extraordinário o atraso histórico do país em matéria de ensino. Até poucas décadas atrás, mesmo países como Peru, Paraguai e Colômbia tinham sistemas educativos com cobertura maior do que a do nosso. Ainda hoje, o nível médio de escolaridade de alguns desses países é superior à daqui.

Lá pela entrada do século XX, tínhamos da ordem de dez por cento da faixa etária correspondente frequentando escolas. Em contraste, Argentina e Uruguai já caminhavam para uma cobertura universal.

Mas à medida em que avança o século, o Brasil começa a acordar. Desde então, os números revelam uma aceleração muito considerável, pois chegamos à metade do século XX com metade dos alunos na escola. Foi um grande salto. Daí para frente, começamos a ultrapassar nossos vizinhos. De fato, nos aproximamos dos melhores, no caso, Argentina, Uruguai e Chile.

Avança a economia e a educação também. Mas não em perfeita sincronia. À medida em que se aproxima o fim do século XX, o crescimento da matrícula acelera, atingindo próximo de 100% da faixa etária. Paradoxalmente, trata-se de um período de desaceleração da economia.

Neste meio século, há um crescimento vertiginoso do ensino superior, inicialmente, com a criação de uma grande rede de universidades públicas ambiciosas e caras, algumas das quais mostraram excepcional desempenho. A pós-graduação sai do nada e revela um vigor inesperado. Em algumas décadas, a pesquisa brasileira, partindo do zero, atinge o 13º lugar no ranking mundial.

Mas, em seguida, perde velocidade o ensino superior público, excessivamente caro na sua proposta institucional. O dinamismo do crescimento transfere-se para o setor privado.

Esse meio século é o momento mais dinâmico e mais criativo da educação brasileira. O que veio antes era muito pouco e o sistema perde velocidade na virada do milênio. Ou seja, se a educação brasileira teve um momento de glória foi na segunda metade do século XX.

E por que travou o ensino no século XXI? Ao fim do milênio, já havíamos completado – tardiamente – o ciclo de desenvolvimento do ensino fundamental. Com o aumento nas graduações, o ensino médio passa a crescer. Na década de 90, praticamente triplicou a matrícula neste nível, uma grande proeza.

À época, esperávamos a continuação deste crescimento acelerado. Contudo, o ensino médio, estagnou, a deserção disparou e a travou a sua qualidade – medida pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e Prova Brasil.

Como resultado, o ensino superior ficou desabastecido de candidatos e, ainda mais, de candidatos bem preparados. Não obstante, o superior foi o único nível que se expandiu, graças ao estoque de graduados do Médio, mais velhos. E cresce mais a rede privada do que a pública.

Por que essa perda de dinamismo, em um período em que a expansão econômica, apesar de irregular, teve seus bons momentos? Isso é outro mistério.

Falta de vigor nas políticas públicas? Políticas de “jogar dinheiro no problema”, em vez de resolvê-lo? Ministros sem expressão política? Regras de funcionamento inapropriadas? Um pouco disso tudo. Seja como for, a economia não teve o imaginado poder de empurrar para frente o nosso ensino.

Mais uma questão: por que crescemos mais que os outros países, apesar da má educação? Estimativas cuidadosas indicam que, de 1880 a 1980, em termos absolutos, a nossa economia cresceu mais rapidamente do que a de qualquer outro país do mundo, incluindo Estados Unidos e Japão.

Por que cresceu tanto a economia, com uma educação tão débil? E note-se, tivemos um processo de industrialização variado e de considerável densidade tecnológica. Eis um dos grandes mistérios da nossa educação.

Os adeptos da Teoria do Capital Humano, o presente autor incluído, têm grande dificuldade para explicar por que nossa economia cresceu tão rapidamente, sem o respaldo de uma educação minimamente razoável. Como é possível ser a oitava maior economia do mundo e estar na rabeira do Programme for International Student Assessment (PISA)?

Alguns se espantam de ver a oitava economia do mundo relegada aos últimos lugares no PISA. Mas isso é comparar alhos com bugalhos. O oitavo PIB reflete os 200 milhões de brasileiros. Note-se, Bangladesh tem um PIB igual ao da Finlândia, contudo, sua renda per capita é de um décimo! O Pisa só pode ser comparado à renda per capita, pois também é per capita (não é o somatório do que todos os brasileiros aprenderam na escola!).

E nesta comparação, vamos descobrir que estamos onde se esperaria que estivéssemos, com uma renda per capita de 15 mil dólares – que nos coloca em octogésimo lugar, comparado com 50º no PISA. De fato, todos os países com PISA mais elevado têm também maior renda per capita (incluindo Argentina, Uruguai, México e Chile, na América Latina). Inversamente, os mais pobres têm PISA inferior. As discrepâncias são mínimas.

Ou seja, para o nosso nível de desenvolvimento econômico, temos a educação que se esperaria. Nenhuma vergonha, nenhuma anomalia ou patologia social.

O problema é que temos ambições de desenvolvimento e uma história recente de superação, pois saímos da vala comum dos mais pobres e entramos na categoria dos que estão no meio do caminho. Porém, hoje fica bem mais difícil avançar nesta trajetória, sem fazer andar a educação. A experiência internacional é bem eloquente: os países que cresceram mais fizeram também um grande esforço de melhorar a sua educação. É aqui que estamos capengando.

Mas, por que a maioria pensa que nossa educação é boa, quando, não é? Talvez a nossa dificuldade em melhorar a qualidade do ensino resulte de uma percepção por parte da sociedade de que já estamos bem. De fato, pesquisas mostram que da ordem de 70% dos pais acham boa a educação oferecida aos seus filhos. Ou seja, se não está estragada, o que haveria para consertar?

Em contraste, tanto o PISA quanto a Prova Brasil mostram as fraquezas do ensino. Em português, pouco mais de 10% atinge níveis considerados como mínimos. E em matemática, os números são ainda piores.

Pode ser parte da resposta a percepção coletiva de que tivemos amplo sucesso em crescer com migalhas de educação e que podemos continuar assim. Isso muda o foco do problema, mas não resolve o mistério.

Outro aspecto é que como país grande e bastante isolado, não sabemos bem o que é uma boa educação. Faltam bons modelos. As escolas de excelência são poucas e não se reproduziram na escala desejada.

Incensamos o ensino privado. De fato, é amplamente superior ao público. Mas já nos mostrava o primeiro PISA, nossa elite sai da escola pior preparada do que a classe operária da Comunidade Europeia.

Por onde começar? Uma política econômica inteligente e a volta dos investimentos, provavelmente, irão trazer, em um par de anos, um crescimento econômico aceitável. Mas isso é apenas um remendo, se pensamos no longo prazo. Não poderemos enfrentar o adensamento tecnológico dos processos produtivos com o ensino que temos.

Ao longo das décadas, o Brasil Velho perde espaço, mas isso ocorre muito lentamente. Um segmento demasiado grande da nossa sociedade ainda pensa e age com os valores do atraso e do tradicionalismo, incompatíveis com um avanço vigoroso e persistente da economia.

Não por coincidência, são estes mesmos valores que cegam grande parte da nossa sociedade para o imperativo de ter boas escolas. É o círculo vicioso do atraso. Uma educação capenga produz uma sociedade que não dá a ela o papel que pode ter.

O desafio da sociedade brasileira não é apenas criar uma escola em que os alunos dominem o que está no currículo. Precisamos de uma escola que seja eficaz transformadora de valores. A partir dos estudos de Inkeles, sabemos que a escola é a agência mais poderosa para a aquisição dos valores da modernidade. E hoje, J. Heckman nos mostra também que a chamada dimensão sócioemocional é, pelo menos, tão importante quanto o lado cognitivo.

Como escapar do círculo vicioso? Todos os países hoje bem-sucedidos conseguiram virar a mesa, ou seja, superar a velha camisa de força dos valores tradicionais e da ignorância. Não é impossível. Mas o fato de que relativamente poucos conseguiram demonstra que não é tão fácil assim.

Não parece haver uma solução mágica. Mas há muito a se fazer. Em primeiro lugar, bons governos e bons gestores na educação fazem uma grande diferença. As forças da inércia não são vencidas se o Ministério da Educação é prêmio de consolação para políticos fracos ou temerosos.  O mesmo nas secretarias estaduais e municipais.

Creio que a guerra da educação brasileira não poderá ser ganha sem vitórias no campo de batalha do marketing social. É preciso um movimento explícito e teimoso de remexer os valores, crenças e prioridades da nossa sociedade.

Há 1.000 coisas erradas nas escolas e nos sistemas de ensino. Lidar com os equívocos e implementar soluções é vital. Afinal de contas, sem consertar os erros não sairemos do lugar. Mas a tese aqui defendida é que o ponto crítico não está na identificação destes aspectos técnicos e administrativos. Pelo contrário, está na dinâmica política que permite ou não tomar decisões, sobretudo, considerando que muitas delas são impopulares e pisam em muitos calos.

No nível de maturidade intelectual em que se encontra o pensamento educacional brasileiro – se ignorarmos os movimentos mais toscos – há ideias muito claras e convergentes acerca do que precisa ser feito. Alinhavá-las requereria um espaço além do permitido para este ensaio. Preferimos aqui chamar a atenção para os impedimentos políticos e sociológicos que travam a implementação de uma agenda de reforma razoavelmente consensual.

Dito simplesmente, se o impedimento é político, a solução passa pela política. E se é assim, a revolução nas escolas não se fará sem avanços neste campo.

Claudio de Moura Castro é economista (UFMG), ex-professor da PUC-Rio, FGV, UnB, Univ. de Chicago e Univ. de Genebra e membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ).

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Projeto de normas técnicas

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Ernesto Berg

Certamente você já sabe muito bem se é, ou não, uma pessoa sorridente, e não necessita de nenhum questionário para abrir os olhos a esse respeito. Entretanto, este teste, além de fazer você saber em que tipo de pessoa “sorridente” você se enquadra, tem uma finalidade mais importante em se tratando de relações humanas: conscientizá-lo das muitas oportunidades e ocasiões em que você pode (ou poderia) exibir um simpático e sincero sorriso e, com isso, auxiliar na construção de um ambiente mais leve e descontraído, ensejando melhor relacionamento com as pessoas.

As respostas às perguntas lhe dirão muito sobre sua habilidade nas relações humanas e do seu estado emocional, tanto em interagir com pessoas, como consigo mesmo.

S = SIM N = NÃO AV = ÀS VEZES

  1. Você costuma sorrir ao longo do dia? S N AV
  2. Se alguém sorri para você, você sorri de volta? S N AV
  3. Quando você é apresentado(a) a uma pessoa, você sorri ao cumprimentá-la? S N AV
  4. Quando você sorri seus dentes ficam à mostra? S N AV
  5. Quando você vai a uma reunião em que não conhece ninguém você fica sério (a) o tempo todo? (sem esboçar um simpático sorriso?) S N AV
  6. Seu sorriso, às vezes, é um sorriso de deboche, ou ironia? S N AV
  7. Você já observou seu sorriso no espelho? É um sorriso bonito? S N AV
  8. Você é do tipo “cara amarrada”, que pouco sorri? S N AV
  9. Seu rosto, habitualmente, tem um semblante de preocupação ou inquietação? S N AV
  10. Às vezes, quando você está sozinho, você se pega sorrindo, ao lembrar de um acontecimento agradável? S N AV
  11. Quando você está aborrecido com algo e encontra um bom amigo (a), mesmo assim, você mostra um sorriso sincero ao vê-lo (vê-la)? S N AV
  12. Quando você sorri, você faz as outras pessoas sorrirem também? S N AV

Faça sua Contagem de Pontos

Marque um ponto para cada resposta SIM que você deu às seguintes perguntas: 1, 2, 3, 4, 7, 10, 11. 12.

Marque um ponto para cada resposta NÃO que você deu às seguintes perguntas: 5, 6, 8, 9.

Marque meio ponto para cada resposta ÀS VEZES.

TOTAL DE PONTOS_______

SUA AVALIAÇÃO

Entre 10 e 12 pontos. Parabéns. Você é uma pessoa que habitualmente tem um sorriso estampado em seu rosto e isso influencia favoravelmente as pessoas que estão ao seu redor. Isso contribui muito para um bom relacionamento. Você tem uma atitude sorridente em relação à vida.

Entre 7 e 9,5 pontos. Você sabe sorrir quando quer e sabe manter uma atitude simpática, quando assim deseja. Normalmente você procura relacionar-se bem com todas as pessoas embora, às vezes, possam ocorrer algumas rusgas. Veja as perguntas onde não pontuou, ou fez meio ponto, que podem ser muito úteis na sua autoavaliação.

Abaixo de 7 pontos. Você precisa melhorar esse sorriso que, aliás, pouco aparece. Talvez você não sinta vontade ou necessidade de sorrir, mas as pessoas tendem afastar-se de quem não sorri, pois o primeiro requisito da simpatia e jovialidade é o sorriso. Veja as perguntas onde não pontuou, ou fez meio ponto, que podem ser muito úteis na sua autoavaliação.

A magia do sorriso

Estudos revelam que mais de 60% das pessoas sorriem de volta quando se deparam com um rosto sorridente. Os estudos mostram também que sorrir torna as pessoas mais atrativas, simpáticas e parecerem mais jovens, pois o rosto assume um semblante jovial e alegre. Não apenas isso, o sorriso reduz o estresse, aumenta a empatia entre as pessoas e encoraja a confiança entre indivíduos. Inúmeras pesquisas revelam que nos tornamos mais confiáveis aos olhos dos outros quando sorrimos genuinamente; e confiabilidade é uma parte essencial nos relacionamentos humanos, seja em nosso lar, no nosso círculo de amizades ou nos contatos profissionais.

Guillaume Duchenne, neurologista francês do século XIX, foi o primeiro a estudar as expressões do rosto humano e descobriu que tanto o sorriso genuíno como o falso acionam músculos faciais completamente diferentes. O sorriso autêntico utiliza um músculo chamado orbicularis oculi que circunda seus olhos, e deixa-os semicerrados transmitindo um ar de simpatia e jovialidade.

Os falsos sorrisos, são apenas da boca prá fora, somente para manter as aparências, e não expressam sinceridade. São chamados sorrisos de estátua, pois se assemelham aos sorrisos impessoais e distantes que vemos nos manequins de vitrines, comuns, por exemplo, em pessoas que sorriem apenas por obrigação profissional.

Paul Ekman, psicólogo americano pioneiro no estudo das emoções relacionadas às expressões faciais, utilizando tomografia computadorizada demonstrou que o sorriso ativa regiões do cérebro associadas ao prazer e à felicidade embora, não necessariamente, ative as emoções. Segundo ele, existe apenas um único sorriso genuíno ao qual chamou sorriso Duchenne, em homenagem ao neurologista francês.

Ekman diz que sorrimos, não apenas, para ocultar decepções, disfarçar sentimentos e relaxar tensões, mas, principalmente, para revelar contentamento, descontrair o ambiente e atrair o sorriso dos outros. Há claros indícios de que um dos alicerces do sucesso profissional e do bom relacionamento é o sorriso Duchenne, o sorriso sincero e jovial. Profissionais que sorriem espontaneamente angariam mais simpatia e atenção por parte dos chefes, colegas, subordinados e clientes.

Não que o sorriso substitua a competência e a capacidade de realização, mas ele funciona como um catalisador e agregador motivacional das relações humanas. Em outras palavras: abre portas. Porém, mantê-las abertas, depende de sua integridade e competência.

Ernesto Berg é consultor de empresas, professor, palestrante, articulista, autor de 18 livros, especialista em desenvolvimento organizacional, negociação, gestão do tempo, criatividade na tomada de decisão, administração de conflitos – berg@quebrandobarreiras.com.br