A prevenção de legionelose em água de edificações

Conheça os métodos para gerenciamento de risco e práticas para a prevenção de legionelose associada aos sistemas prediais coletivos de água de edificações industriais, comerciais, de serviços, públicos e residenciais. É aplicável à incorporação, projeto, construção, instalação, gerenciamento, operação e manutenção de edificações.

A NBR 16824 de 06/2020 – Sistemas de distribuição de água em edificações — Prevenção de legionelose — Princípios gerais e orientações especifica os métodos para gerenciamento de risco e práticas para a prevenção de legionelose associada aos sistemas prediais coletivos de água de edificações industriais, comerciais, de serviços, públicos e residenciais. É aplicável à incorporação, projeto, construção, instalação, gerenciamento, operação e manutenção de edificações. A Legionella é um gênero de bactérias patogênicas que podem causar doenças respiratórias conhecidas como legionelose. Foi identificada pela primeira vez após um surto de grande repercussão entre membros da Legião Americana na Filadélfia (EUA) em 1976. Essas bactérias são encontradas em sistemas de água naturais e artificiais, bem como, ocasionalmente, em alguns solos. Mais de 50 espécies de Legionella já foram identificadas.

A espécie Legionella pneumophila está associada à grande maioria dos casos de legionelose (cerca de 90%). A legionelose é um termo genérico usado para descrever qualquer infecção causada por bactéria do gênero Legionella. A doença do legionário (LD) e a Febre Pontiac são os dois tipos mais comuns de legionelose. Ambas são infecções no sistema respiratório, sendo a doença dos legionários a mais grave preocupação para a saúde pública por ser uma pneumonia atípica que pode ser fatal. A Febre Pontiac não tem fatalidades associadas e pessoas saudáveis se recuperam em no máximo cinco dias.

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O levantamento de risco na edificação deve ser realizado por pessoa (s) ou entidade responsável (eis). Convém que a periodicidade máxima para este levantamento seja de dois anos. Para edificações com riscos identificados, convém que os levantamentos de risco sejam repetidos ao menos uma vez ao ano. Se as características da edificação forem alteradas durante este período, a edificação deve ser submetida a medidas preventivas de um novo levantamento de risco.

O levantamento de risco da edificação deve levar em conta um ou mais fatores de risco relacionados à legionelose que possam estar presentes nos sistemas listados a seguir: sistemas de água fria e água quente; sistemas de água para irrigação; sistemas de água para recreação (como piscinas, spas etc.); sistemas de água para uso decorativo (como fontes e chafarizes); todos os sistemas de água não potável; todos os outros sistemas de água que gerem aerossol e dispersão de água no ambiente (lavador de ar, umidificador, nebulizador, lava a jato, etc.); todos os sistemas de água que tenham presença residual de cloro menor que 0,2 ppm; sistemas de água para uso em serviços de saúde. O levantamento de risco da edificação deve determinar se há sistema que possua torre de resfriamento ou condensador evaporativo, independentemente do tamanho ou frequência de uso.

A abordagem de APPCC (análise de perigos e pontos críticos de controle que é um método de gerenciamento de riscos com base científica que impede que os riscos possam prejudicar as pessoas) deve considerar os seguintes princípios: condução da avaliação de risco; determinação dos pontos críticos de controle; estabelecimento dos limites críticos para cada ponto crítico de controle; estabelecimento de um sistema para monitorar os controles dos pontos críticos de controle; estabelecimento de ação corretiva a ser realizada quando o monitoramento de um PCC não estiver sob controle; estabelecimento de procedimentos de verificação para confirmar se o sistema de APPCC está funcionando efetivamente; estabelecimento de documentação relativa a todos os procedimentos e registros apropriados a estes princípios e a suas aplicações.

Uma equipe de APPCC deve ser estabelecida, incluindo um profissional habilitado e que possua conhecimento no processo de APPCC de água para edificações e os riscos associados a bactérias do gênero Legionella. Os membros da equipe de APPCC podem ser funcionários, fornecedores, consultores ou a combinação destes. A avaliação de risco deve ser conduzida por um profissional com conhecimento de avaliação de risco para Legionella em sistemas de água com conhecimento do processo de APPCC.

A equipe de APPCC deve ser responsável pelo gerenciamento rotineiro das ações e deve ter acesso às instalações hidráulicas, ao que for necessário para implementar o gerenciamento de risco. Devem ser consideradas as seguintes ações específicas no desenvolvimento do plano de APPCC: identificar os finais de linha de água potável ou outro sistema avaliado na edificação; desenvolver um fluxograma de todos os sistemas de água avaliados que mostre como a água é recebida, processada, armazenada e distribuída aos pontos de consumo e uso na edificação; confirmar a adequação do fluxograma por meio de inspeção in loco; utilizar o fluxograma para identificar os pontos de controle necessários; determinar quais são os pontos críticos de controle (PCC) e indicá-los nos diagramas de fluxo de processo; estabelecer os limites críticos de controle para cada PCC; estabelecer um processo de monitoramento para cada limite crítico em cada PCC; estabelecer as ações corretivas para cada limite crítico, quando houver desvios dos limites críticos; validar a seleção dos PCC, limites críticos e ações corretivas; estabelecer os procedimentos de verificação; estabelecer a documentação e manter os registros dos procedimentos requeridos.

Um único documento deve ser produzido para um plano de APPCC completo, que deve incluir no mínimo os seguintes elementos: lista com os membros da equipe de APPCC e outras pessoas envolvidas (consultores externos, empresas de apoio, etc.), incluindo seus respectivos títulos, funções e informações de contato; diagramas de fluxo de processos para o sistema de água potável e para o sistema de água de utilidade, por meio de esquemas e desenhos de como a água potável e a água de utilidade são processadas na instalação, com os processamentos das etapas nomeados e codificados; resumo da análise de risco com o nome e o código de cada parte do sistema de água e os perigos potenciais. O julgamento do risco de cada perigo identificado cabe à equipe de APPCC, explicitando o critério para avaliação do risco e apontando os PCC estabelecidos.

Incluir um plano de monitoramento descrito para cada controle determinado, com um limite crítico e as ações corretivas necessárias em caso de desvio; planos de manutenção para os equipamentos e partes dos sistemas incorporadas ou anexadas ao plano; um resumo de validação com a justificativa e, quando disponível, a evidência científica usada para validar a seleção de cada PCC e cada limite crítico selecionado pela equipe de APPCC. A seleção dos limites críticos deve cumprir regulamentação local e o cronograma de verificação de todas as atividades de verificação e a frequência em que elas serão realizadas. Levar em consideração as respostas planejadas a interrupções de fornecimento de água, que podem ser associadas a surtos de legionelose.

Convém que o projeto dos sistemas prediais de água fria e água quente leve em conta o seguinte: considerar mecanismos que permitam esvaziamento completo dos reservatórios para limpeza. Recomenda-se que os reservatórios de água quente possibilitem a harmonização de temperatura no seu interior. Onde aplicável, considerar o sistema de recirculação de água quente com isolamento térmico como um recurso de projeto e assegurar que os trechos de distribuição sejam os mais curtos possíveis.

Convém que as operações de armazenamento e distribuição dos sistemas de água fria e água quente atendam ao seguinte: em instalações de cuidados de saúde, lares de idosos e outras semelhantes, recomenda-se que a água fria seja armazenada e distribuída a temperaturas inferiores a 25 °C. Convém que a água quente seja armazenada acima de 60°C e recirculada a uma temperatura mínima de retorno de 51°C. Recomenda-se avaliar a possibilidade de instalação de equipamentos antiescaldamento nos pontos de utilização que forneçam água quente acima de 45 °C.

Em instalações prediais que não sejam de saúde, recomenda-se que a temperatura da água quente seja armazenada à temperatura mínima de 50 °C ou superior. Recomenda-se avaliar a possibilidade de estender os níveis de temperatura a toda extensão do sistema (aquecedores, reservatórios, distribuição e recirculação). Recomenda-se a realização dos seguintes procedimentos de manutenção e inspeção dos sistemas de água fria e água quente, cuidando para evitar riscos de queimaduras: inspeção anual dos sistemas, para garantir que os termostatos estejam funcionando adequadamente.

Também deve ser realizada a drenagem semestral dos reservatórios de água quente, para remoção de calcário e sedimentos; inspeção e/ou limpeza semestral dos reservatórios dos sistemas de água quente ou fria; inspeção visual trimestral do reservatório de água fria, verificando se a tampa está instalada conforme as instruções do fabricante;- a tela para inseto no tubo de saída está instalada; o isolamento térmico do reservatório (se instalado) está conforme as instruções do fabricante; a superfície da água está limpa, brilhante e livre de espuma e mancha de óleo; a superfície acima do nível máximo de água do reservatório está limpa e não apresenta sinais de corrosão, deposição, incrustações ou crescimento biológico; a água não contém quaisquer detritos.

Para sistemas prediais de água fria e água quente, convém que seja instalado um sistema de desinfecção secundária. Quando for necessário implementar a desinfecção secundária em sistemas de água fria e água quente, utilizar produtos e/ou dispositivos desinfetantes para a água, conforme a NBR 15784 e a legislação vigente. A desinfecção secundária é a adição de desinfetante suplementar à água potável além do que já foi aplicado para a desinfecção primária. Seu objetivo é manter a qualidade da água, minimizando micro-organismos patogênicos.

Convém que medidas preventivas para abertura de sistemas para reparos e manutenção sejam descritas e documentadas para evitar a contaminação da água. Recomenda-se que atividades como limpeza e desinfecção de reservatórios, manutenção e reparos do sistema tenham medidas para evitar a entrada de contaminantes externos. Recomendações de medidas e de procedimentos para desinfecção de emergência são apresentadas no Anexo A.

Recomendações e orientações sobre o projeto, manutenção e operação de torres de resfriamento e evaporação de condensadores evaporativos são fornecidas nos ASHRAE Guideline 12 e NSF P453. Outras fontes de referência são a Associated Water Technology (AWT) e Cooling Technology Institute. Para nova construção ou modificações significativas em um sistema de resfriamento, incluindo torres de resfriamento e/ou condensadores evaporativos, recomenda-se que os projetos sejam revisados para minimizar os problemas de contaminação no local, prioritariamente antes do início da construção.

Além disso, recomenda-se que o plano de APPCC identifique e solucione: as condições locais que possam permitir a contaminação do (s) equipamento (s) por agentes externos; as condições que possam permitir a infiltração de contaminação da torre de resfriamento ou condensadores evaporativos nos edifícios ou áreas públicas; as condições que possam reduzir ou impedir o acesso ao(s) equipamento(s) e que possam inibir ou dificultar as atividades de manutenção e inspeções. Recomenda-se que o plano de APPCC inclua um plano de comissionamento que: inclua as etapas de limpeza que fazem parte do comissionamento do sistema de resfriamento e identifique-se os responsáveis; inclua um meio de garantir que um programa de tratamento de água em curso será iniciado imediatamente, uma vez que o sistema esteja carregado com água.

Recomenda-se que o plano de APPCC inclua um programa de manutenção que: especifique cronograma de inspeções para avaliar a limpeza geral do sistema, incluindo a limpeza e condições dos eliminadores de gotas e dos enchimentos, assim como a distribuição de água no interior do equipamento; especifique requisitos e cronograma para limpeza de reservatórios remotos, bacias e inclua purga de tubulações com água estagnada ou zonas de baixo fluxo de água; identifique os responsáveis e inclua um meio de registro das atividades de manutenção e notas de inspeção. Para manutenções prediais ver a NBR 5674. Recomenda-se que o plano de APPCC possua um plano de tratamento de água para controle de incrustação, microbiologia, deposição e corrosão, incluindo: especificação de todos os equipamentos e produtos químicos utilizados no tratamento do sistema de recirculação. Os contaminantes da água do sistema de resfriamento (sólidos em suspensão e em precipitação) facilitam o crescimento das bactérias e dos biofilmes que podem impactar o potencial para Legionella.

Cumprir com o requisito para que o controle de sólidos na água da torre de resfriamento seja realizado por meio de filtragem, lavagem física ou outros meios, como o tratamento químico da água. Fazer a identificação dos responsáveis pela manutenção do sistema de tratamento de água e a inclusão de uma inspeção e cronograma de manutenção para o equipamento de tratamento de água e um cronograma para qualquer ensaio requerido como parte do plano de tratamento de água.

Convém que o plano de APPCC tenha uma descrição dos procedimentos a serem seguidos no caso de indícios de contaminação grave (por exemplo, fezes, vômito, etc.). A política para lidar com tais incidentes pode incluir desinfecção de emergência de todo o sistema. Recomendações de medidas e procedimentos para desinfecção de emergência são apresentadas no Anexo A. Quando houver suspeita de Legionella, recomenda-se que o plano de APPCC tenha uma descrição dos procedimentos a serem seguidos, se houver suspeita de problemas de saúde associados à Legionella.

Convém que estes procedimentos incluam critérios para quando se ensaiar a Legionella nas águas de piscinas ou banheiras de uso coletivo. A política para lidar com tais incidentes pode incluir desinfecção de emergência de todo o sistema. As recomendações de medidas e procedimentos para desinfecção de emergência são apresentadas no Anexo A. Recomenda-se que o plano de APPCC inclua uma política para atualizar regularmente todos os manuais de operação para filtros, bombas e equipamentos de halogenação, e para mantê-los em um local seguro e acessível aos responsáveis pela manutenção.

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