A Qualidade das vestimentas de proteção contra o calor e a chama

Para produzir fogo, deve existir oxigênio suficiente para sustentar a combustão, calor suficiente para elevar o material à temperatura de ignição, algum tipo de combustível e uma reação química exotérmica que é o fogo. Dessa forma, oxigênio, calor e combustível são freqüentemente chamados de o triângulo do fogo. Adicione o quarto elemento, a reação química, e se terá um tetraedro do fogo.

Deve-se lembrar que tirar qualquer uma dessas quatro coisas e não se terá fogo ou ele se apagará. Essencialmente, os extintores apagam o fogo removendo um ou mais elementos do triângulo/tetraedro do fogo. A segurança contra incêndio, em sua forma mais básica, é baseada no princípio de manter as fontes de combustível e fontes de ignição separadas.

Quando há fogo não se pode querer ser o único usando o tipo errado de vestimenta de proteção. Embora frequentemente seja a última linha de defesa contra incêndios repentinos e outros desastres semelhantes, as vestimentas de proteção resistentes ao fogo são essenciais e o EPI padrão para trabalhadores em vários setores. Pode ser tentador simplesmente comprar o equipamento de proteção mais econômico, mas nos EPI resistentes ao fogo não se deve economizar.

As roupas de proteção FR ainda podem pegar fogo, mas lida com a ignição de maneira diferente dos tecidos normais do dia a dia. Quando os tecidos normais pegam fogo, eles se espalham para fora do ponto de ignição com uma taxa crescente de propagação da chama. Em geral, esses tecidos continuam a arder mesmo após a retirada da fonte de ignição e só param de arder depois de extintos ou quando não houver mais material inflamável.

As vestimentas de proteção devem resistir à ignição mais do que esses tecidos normais e evitar a propagação do fogo, oferecendo alguns benefícios importantes: não derrete na pele, fornece isolamento térmico do calor, resiste a quebrar e expor a pele e reduz as queimaduras e aumenta as chances de sobrevivência. Na verdade, uma vez que uma vestimenta resistente ao fogo é removida da fonte de ignição, qualquer chama deve se extinguir.

Embora as queimaduras ainda possam ocorrer em qualquer ponto de exposição à fonte de ignição, os trabalhadores que usam roupas resistentes ao fogo têm muito menos chance de seu uniforme pegar fogo e queimar de forma sustentada. Para os ensaios das vestimentas, a duração do tempo de exposição às chamas deve ser de 3 s.

A probabilidade de percentual de queimaduras deve ser calculada pela média dos resultados obtidos nos ensaios realizados nos três corpos de prova sob a vestimenta de proteção (áreas protegidas), excluindo pés, mãos e cabeça. Esse resultado deve atender ao requisito de uma área máxima de 40%, das áreas de previsão de queimaduras de 2° e 3° graus, para a vestimenta-padrão e para a peça de vestuário completa.

As etiquetas da vestimenta de proteção devem possuir no mínimo marcação indelével da data de fabricação, nome do fabricante ou importador do EPI e o lote de fabricação. A indelebilidade das etiquetas deve ser avaliada após o pré-tratamento e lavagem das amostras e devem permanecer legíveis a uma distância de 30,5 cm por um observador com acuidade visual 20/20 ou corrigida para 20/20.

As vestimentas de proteção devem ser fornecidas com um manual de instruções escrito na língua portuguesa do Brasil. O manual de instruções das vestimentas de proteção deve conter no mínimo as seguintes informações: descrição completa do equipamento de proteção individual (EPI), incluindo todos os principais materiais que o constituem; a indicação da proteção que o EPI oferece; as instruções sobre a utilização apropriada do produto, de modo a minimizar os riscos de danos e o perigo de utilização inapropriada, restrições e limitações do equipamento; a vida útil ou periodicidade de substituição de todo ou de partes do EPI que sofram deterioração com o uso, quando aplicável; as verificações a serem realizadas pelo usuário antes de sua utilização para verificar a integridade dos sistemas de fechamento, do tecido e das costuras; as instruções de como reconhecer o envelhecimento e a perda de desempenho do produto; as instruções relacionadas ao uso, a reparos e à manutenção; as orientações e o procedimento de higienização, lavagens e secagem, e as respectivas restrições, quando aplicável; a indicação de produtos contraindicados, higienização e descontaminação de vestimentas; a incompatibilidade com outros EPI passíveis de serem usados simultaneamente; a possibilidade de alteração das características, da eficácia ou do nível de proteção do EPI, quando exposto a determinadas condições ambientais, como a exposição a umidade, calor, produtos químicos, etc.; as ilustrações, número de série, etc., para auxílio; as instruções sobre embalagem, transporte e armazenamento; o canal de comunicação para onde possam ser enviadas dúvidas, sugestões, reclamações ou elogios

sobre o produto; as referências sobre acessórios e partes, se aplicável.

A NBR 16623 de 10/2021 – Vestimentas de proteção contra o calor e a chama provenientes do fogo repentino – Requisitos estabelece os requisitos de aceitabilidade para a avaliação de desempenho, das vestimentas de proteção, quando são submetidas a ensaios, sob condições controladas, contra os perigos térmicos do calor e das chamas provenientes do fogo repentino, que podem ocorrer de forma fortuita e inesperada em ambientes suscetíveis a atmosferas potencialmente explosivas oriundas de atividades industriais em plantas químicas, petroquímicas, de prospecção de hidrocarbonetos ou de poeiras inflamáveis. Não se aplica à proteção contra chamas oriundas de fogo estrutural, incêndios florestais, resgates técnicos, riscos térmicos de arcos elétricos, respingos de metais fundidos e calor convectivo e irradiado.

Os fabricantes ou os importadores devem assegurar e comprovar que a vestimenta de proteção contra o fogo repentino possui capacidade de isolamento térmico em conformidade com os requisitos dessa norma. Os requisitos gerais de vestimentas de proteção devem estar conforme ao estabelecido na NBR ISO 13688.

Caso as vestimentas de proteção possuam dispositivos de regulagem, estes devem oferecer mecanismos de fixação que impeçam a sua alteração involuntária, após ajustados pelo usuário, desde que observadas as condições previsíveis de utilização, conforme avaliação qualitativa a ser executada pelo laboratório de ensaio. Essas vestimentas de proteção não protegem do risco, mas agem como uma das barreiras para reduzir ou eliminar a lesão ou agravo decorrente de um acidente ou exposição que o trabalhador possa sofrer, em razão dos riscos presentes no ambiente laboral.

As dimensões corporais para o dimensionamento da vestimenta de proteção para o usuário final devem atender à NBR ISO 7250. O usuário pode solicitar demandas específicas, em função da sua utilização e atividades laborais. Os aviamentos adicionados às vestimentas de proteção devem ser avaliados quanto aos requisitos térmicos e devem estar de acordo com a ISO 17493, quando estes forem aplicados externamente ou quando transpassados do interior para o exterior.

Os aviamentos não podem comprometer o desempenho de proteção das vestimentas de proteção. Os corpos de prova devem ser retirados de peças de vestimentas prontas ou montadas em painéis têxteis de mesma composição e gramatura dos tecidos utilizados nas vestimentas, de forma a representar as costuras e os aviamentos aplicados nas peças de vestimentas de proteção prontas.

Os aviamentos como velcro e zíper não podem fundir ou gotejar comprometendo a remoção da vestimenta após o ensaio de manequim instrumentado conforme as ISO 13506-1 e ISO 13506-2. As linhas de costura utilizadas na construção das vestimentas de proteção, resistentes ao calor e à chama, devem ser de fibra inerentemente resistente à chama, e devem atender ao seguinte: ser ensaiadas a uma temperatura de 260 °C, de acordo com a ISO 17493; ser ensaiadas conforme a ISO 15025 e ser aplicadas aos corpos de prova, de forma representativa às peças de vestimenta; posicionadas na vertical, na região onde ocorrerá a incidência da chama.

As faixas retrorrefletivas das vestimentas de proteção devem estar conforme a NBR 15292 e devem ser ensaiadas a 260 °C, conforme a ISO 17493. As vestimentas de proteção devem passar por uma lavagem do material têxtil para a realização dos ensaios mecânicos e químicos, conforme a ISO 6330, Método 6N, com temperatura de secagem de (60 ± 3) °C.

Para a realização desse ensaio, os corpos de prova devem ser lavados com cinco ciclos de lavagem. O usuário pode solicitar demandas específicas, em função da sua utilização e atividades laborais. A lavagem dos corpos de prova para os ensaios conforme a ISO 15025 deve ser realizada em conjuntos de corpos de prova, com cinco e 100 ciclos de lavagem, conforme a ISO 6330, Método 6N, com temperatura de secagem de (60 ± 3) °C.

Os corpos de prova de vestimentas de proteção prontas para ensaio de manequim instrumentado devem ser lavados com cinco ciclos de lavagem, conforme a ISO 6330, Método 6N, com temperatura de secagem de (60 ± 3) °C. Para o condicionamento dos corpos de prova, devem ser observadas as condições indicadas nas

A gramatura do tecido da vestimenta de proteção deve ser avaliada conforme a NBR 10591. A composição do tecido da vestimenta de proteção deve ser avaliada conforme as NBR 11914 e NBR 13538. Na impossibilidade técnica de determinação da composição quantitativa do tecido pelos ensaios citados e comprovados por laudo de laboratório de terceira parte, pode ser aceita uma declaração de primeira parte.

A medida da alteração dimensional deve ser avaliada conforme a ISO 13688. A alteração nas dimensões em virtude das lavagens do tecido da vestimenta de proteção não pode exceder ± 3% para o tecido plano, nos sentidos da trama e urdume. Para outros tecidos, o resultado do ensaio deve ser informado.

Os ensaios de resistência à tração, resistência a rasgos, resistência ao estouro para materiais em malha e costuras, calor convectivo, calor radiante e calor de contato devem ser conforme a tabela abaixo e atender aos requisitos mínimos estabelecidos. Os ensaios dos tecidos ou malhas devem atender aos requisitos estabelecidos nas tabelas abaixo.

O fabricante do EPI deve realizar o ensaio de manequim instrumentado para avaliação têxtil (maior insumo da vestimenta) e da vestimenta completa, pronta no modelo final e que identifique ser mais representativa de seu processo produtivo. Se materiais metálicos forem utilizados, estes não podem entrar em contato com a pele devido à grande probabilidade de que a condução de calor venha a provocar leões.

De acordo com a necessidade do usuário, a avaliação de modelos adicionais ou mesmo a avaliação sem a utilização de roupas sob a peça de vestuário, ou sob a vestimenta-padrão, podem ser solicitadas. Os ensaios de manequim devem ser realizados atendendo aos tamanhos fornecidos pela grade de medidas indicada pelo laboratório.

A vestimenta-padrão consiste em um macacão de mangas longas com fechamento frontal (fecho de contato, zíper ou fechamento por botões), sem bolsos, sem elástico nas costas e sem fechamento nos tornozelos. Para comprovação da proteção contra fogo repentino, os ensaios devem ser realizados na peça de vestuário completa no (s) modelo (s) escolhido (s) pelo fabricante confeccionista.

Para os ensaios em conjuntos de calça e camisa, ou de calça e jaqueta, com o objetivo de avaliar as peças da composição do vestuário (calça, camisa ou calça e jaqueta), o material e a confecção das peças de vestuário devem ser equivalentes, com mesma composição e gramatura; para mais de uma camada, a mesma ordem das camadas na composição da peça de vestuário deve ser seguida.

Os corpos de prova devem receber pré-tratamento e lavagem do material têxtil. Os ensaios devem ser realizados com camiseta interna, tipo t-shirt, 100 % algodão, com gola careca, manga curta e gramatura de (150 ± 10%) g/m², e cueca curta, no mínimo 90% algodão, tipo boxer, e com gramatura de (200 ± 10%) g/m², quando aplicável, para o tipo de vestimenta sob ensaio.

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