Seminário ABQ Qualidade Século XXI – Qualidade no Brasil: Lições a aprender

seminario

O evento, que aconteceu na Fiesp, em São Paulo, contou com a participação de mais de 160 pessoas ao vivo e mais de 1.000 pela web.

A Academia Brasileira de Qualidade (ABQ) promoveu pela terceira vez o Seminário ABQ Qualidade Século XXI – Qualidade no Brasil: Lições a aprender, no Salão Nobre da Fiesp, ontem, dia 10 de novembro, em celebração ao dia mundial da Qualidade. Com participação de Evandro Lorentz, Dorothea Werneck, Ozires Silva, Nigel Croft, Reinaldo Figueiredo, Getulio Ferreira, Ana Maria Malik, Reynaldo Goto, Cristiano Paiva, Matheus Valente e Jorge Gerdau Johannpeter, o evento conseguiu discutir temas relevantes da gestão de qualidade no Brasil e no mundo.

Na apresentação de Evandro Lorenz, o público presente pôde saber mais sobre a prática de liderança tridimensional, com foco no mundo particular, no mundo profissional e no mundo público “Hoje, o profissional tem que estar habilitado a navegar nesses três universos, sempre em transparência e conformidade com a verdade”.

Durante a palestra de Dorothea Werneck, foi explanado sobre a importância e a necessidade da melhoria do atendimento público, onde ela afirmou “É possível essa melhoria, é necessário que usemos as ferramentas de gestão disponíveis, assim como é de suma importância que, para as coisas darem certo, o líder de cada pasta não apareça. Defendo também que exista a desburocratização e a desregulamentação”.

Para Basilio Dagnino, vice-presidente da ABQ e um dos organizadores do seminário, essa terceira edição do evento teve maior repercussão não só por causa dos temas relevantes quanto pelo próprio interesse do brasileiro em se engajar mais sobre os temas de qualidade. “Além disso, tivemos um apoio internacional muito importante dos países da CPLP, Unido e World Quality Month”, complementa Dagnino.

Com outros temas como: A Qualidade e o Futuro das Organizações; Qualidade no Serviço Público: Desafios; Benchmarking: Qualidade no Brasil e no Mundo; Qualidade na Educação e na Saúde: como melhorar; Gestão de compliance e anticorrupção nas organizações, o seminário cumpriu sua missão de trazer luz à necessidade de se ampliar a gestão da qualidade em todos os setores da economia nacional.

Segundo Ozires Silva, a educação deve ser considerada como o pilar mais importante para o desenvolvimento de uma nação. “Num país onde não se tem educação e nem liberdade, fica difícil construir um futuro brilhante e de desenvolvimento”, afirmou.

Duas palestras trataram do compliance, pois o mundo está experimentando um movimento sem precedente na luta contra a corrupção. Nas últimas décadas, a sociedade começou a organizar-se. Surgiram ONGs de abrangência global, houve assinaturas de acordos internacionais e elaboração de legislações específicas coibindo práticas, algumas delas aceitas até então.

Também os Programas de Compliance tomaram um caráter crucial para as empresas que desejam a sustentabilidade e perenidade no mercado. Com a Lei n.º 12.846/13, essa tendência foi enfatizada no Brasil e as organizações passaram a perceber a necessidade de se prepararem para essa nova realidade.

Uma empresa, ao optar por seguir o caminho da integridade, compromete-se perante seus funcionários e a sociedade, a engajar-se apenas e tão somente em negócios limpos. Esse princípio inviolável não sucumbe a nenhum tipo de tentação, mesmo em condições muito vantajosas do ponto de vista financeiro.

Uma vez iniciado o Programa de Compliance, não há mais volta. Haverá um controle social, vindo de dentro e fora da organização, que impõe um autocontrole e assegura a aplicação prática dos princípios preconizados pelo Programa.

Portanto, mais do que a proteção frente aos riscos existentes, os Programas de Compliance impulsionam as empresas a assumirem assim, um papel central na mudança da cultura do país. Os seus princípios vão permeando a força de trabalho. Criam um orgulho natural nas pessoas, que os disseminam nos seus círculos privados, familiares, amigos, vizinhos e conhecidos. Outras empresas adotam a mesma referência e, paulatinamente, as lacunas para os desvios vão se fechando.

Matheus Valente, da Compliance Total, descreveu os sete elementos para um programa de compliance: comprometimento da Alta Direção; criação de políticas, procedimentos e controles de referência para o compliance; aplicação de um programa efetivo de comunicação, treinamento e sensibilização; avaliação, monitoramento e auditoria para assegurar a efetividade do programa; aplicação adequada das medidas disciplinares e ações corretivas pertinentes; adequação na delegação das responsabilidades; e melhoria contínua.

Reynaldo Goto, diretor de compliance da Siemens, defendeu a transparência em todos os setores da empresa, assim como da economia, para que a gestão da qualidade seja efetiva. “Em nossa empresa, treinamos 100% os funcionários e os parceiros, sobre termos de compliance, pois assim entendemos que é a maneira mais eficaz de evoluir com transparência”.

Depois, os participantes puderam constatar os resultados da II Pesquisa ABQ/Target. O vice presidente da Target, Cristiano Paiva, explicou que foi utilizada a ferramenta de pesquisa SurveyMonkey e o link da pesquisa foi disponibilizado para o mundo técnico de diversas maneiras. O perfil dos respondentes correspondeu a 66% de pessoas de empresas industriais, o que corresponde a uma fatia considerável do PIB industrial do país. Ao se obter 1.168 participantes, o nível de disponibilizar o link diminuiu e as respostas e seus resultados se estabilizaram.

Assim, obteve-se mais de 30.000 respostas, o que é bastante participativo no mundo técnico. Enfim, constatou-se que a competitividade brasileira não está nada bem, a péssima prestação de serviço público e baixa participação da sociedade no consenso da normalização nacional.

No final, foi assinado o acordo de cooperação entre o Movimento Brasil Competitivo (MBC) e a Academia Brasileira de Qualidade, para melhoria e disseminação dos processos de gestão de qualidade no Brasil.

Para ver as apresentações, acesse o site do evento (a partir do dia 17/11): www.abqualidade.org.br/Eventos/

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II Pesquisa sobre Qualidade, Normalização e Metrologia ABQ/Target

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Resultados preocupantes: a competitividade brasileira não está nada bem, a péssima prestação de serviço público e a baixa participação da sociedade no consenso na normalização nacional.

Nos últimos anos, a competitividade brasileira foi afetada pela deterioração de fatores considerados básicos para a competitividade, como ambiente econômico, desenvolvimento do mercado financeiro e, principalmente, capacidade de inovação. Ou seja, é necessário que o país faça a sua lição de casa: reformas estruturais, melhorar a gestão pública, simplificar o marco regulatório, e modernizar a legislação trabalhista e previdenciária.

Feito isso, pode-se conseguir uma maior inserção internacional; espaço para o investimento privado; a internacionalização das empresas brasileiras; nova pauta de inovação tecnológica; e simplificação e modernização dos marcos regulatórios.

O resultado da pesquisa mostrou que a capacitação dos empregados, ouvir o cliente, sistema de gestão da qualidade e ética foram os itens prioritários para que se melhore a qualidade dos produtos e serviços no Brasil, em se tratando de empresas privadas.

Esses temas estão relacionados com a melhoria contínua das empresas que deve ser o conjunto de atividades planejadas através das quais todas as partes da organização objetivam aumentar a satisfação do cliente, tanto para os clientes internos quanto externos. É preciso melhorar se a empresa quiser manter a sua parcela de mercado.

Quanto à melhora da qualidade dos serviços públicos no Brasil, os respondentes apontaram como prioritários alguns temas: ética, menor interferência política nos cargos, focar de fato as necessidades do contribuinte/cliente daquele serviço e gestão profissional dos dirigentes parecem ser os recados para a melhoria da gestão pública. Os desafios são imensos, aliados à vontade política, liderança, honestidade de propósitos e amplo esclarecimento da população para, no médio prazo, se obter melhores resultados.

Para acessar o relatório completo da pesquisa clique aqui

 

Qualidade poderia estar mais presente na Rio 2016

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Na Rio 2016 houve pontos altos e baixos, nada que a gestão da qualidade não pudesse aprimorar ainda mais ou evitar que problemas tenham ocorrido. Cada vez mais, Qualidade significa não apenas fazer certo da primeira vez, mas fazer o que é certo e melhorar sempre.

Na verdade, esse é um aspecto que acaba sendo negligenciado e comprometido: a qualidade. Com a crise e a forma de se fazer a gestão pública no país, esqueceu-se desse tema tão desacreditado atualmente, mas que já foi responsável por um salto de melhoria da competitividade do país. Não seria a hora de se reeditar um Programa de Qualidade e Produtividade II?

Tudo começou com a euforia da escolha do Rio. Uma candidatura muito bem preparada venceu adversários poderosos como Chicago. Qualidade nota 10. Aí o país dormiu sobre os louros da vitória: a primeira oportunidade de melhoria para futuros eventos é já ter um planejamento estratégico, tático e operacional pronto antecipadamente. Isso também seria Qualidade nota 10.

A pontualidade dos eventos de dezenas de modalidades esportivas em múltiplas instalações e locais foi elogiada, apesar da complexidade logística: Qualidade nota 10. Em compensação, arenas vazias e longas filas nas bilheterias, mobilidade com restrições, comida escassa e piscinas com água esverdeada poderiam ter sido evitadas com uma boa gestão de risco, outra ferramenta importante para a Qualidade nota 10.

Felizmente foi feito previamente benchmarking com Londres e Barcelona, para aprender com as cidades que já realizaram Olimpíadas bem avaliadas. Este é mais um instrumento da Qualidade que será abordado no III Seminário Qualidade Século XXI, da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ) que será realizado no Dia Mundial da Qualidade, 10 de novembro de 2016, no auditório do Salão Nobre da FIESP.

No evento um painel abordará o que se faz diferente na Europa, nos EUA e no Japão, o que poderá fazer com que o brasileiro pense o quanto se tem que avançar para melhorar a Qualidade dos produtos e serviços no Brasil. Qualidade no Serviço Público será um tema tratado no evento em palestra magna, com propostas que possam promover seu aprimoramento.

Um assunto atualíssimo será o compliance, que será objeto de painel que enfocará tanto os aspectos conceituais como práticos. Na abertura será feito um exercício de antecipar tendências, expondo o que será o futuro da Qualidade.

O programa evidencia a importância do evento pela relevância dos assuntos abrangidos e o currículo dos palestrantes. Para que os meios de comunicação participem ativamente desse esforço, a Academia coloca à disposição dos jornalistas entrevistas ao vivo ou virtuais com os palestrantes, antes, durante ou após e evento e material de divulgação.

Local: FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

Av. Paulista, 1313 – Bela Vista – São Paulo, SP (mapa de acesso)

Credenciamento: Andar Térreo|Auditório: Salão Nobre do 15º andar.

www.abqualidade.org.br/Eventos

Faça a sua inscrição gratuita no link http://www.abqualidade.org.br/Eventos/cadastro_abq_eventos.php

III SEMINÁRIO ABQ QUALIDADE SÉCULO XXI

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III SEMINÁRIO ABQ QUALIDADE SÉCULO XXI

Qualidade no Brasil: Lições a Aprender

10/11/2016 – FIESP – São Paulo, SP

Dia Mundial da Qualidade

O tema Qualidade é de tal relevância que a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Dia Mundial da Qualidade, que em 2016, será no dia 10 de novembro. Por isso, a Academia Brasileira da Qualidade (ABQ), organização não governamental, sem fins lucrativos e referência nacional sobre Qualidade e Excelência na Gestão, que congrega os principais expoentes da Qualidade dos mais diversos setores econômicos nos âmbitos público, privado e acadêmico, irá realizar no dia 10 de novembro o III SEMINÁRIO ABQ QUALIDADE SÉCULO XXI – Qualidade no Brasil: Lições a Aprender, na Fiesp, em São Paulo, na Av. Paulista, 1313 – Bela Vista – Salão Nobre – 15º andar.

PROGRAMA

08h30 – 09h00 Credenciamento
09h00 – 09h30

 

Abertura

Saudação

Acad. Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto – Presidente, ABQ

A Qualidade e o Futuro das Organizações

Acad. Evandro G. Lorentz

09h30 – 10h00 Palestra Magna

Qualidade no Serviço Público: Desafios

Acad. Dorothea Werneck

10h00 – 10h30 Benchmarking: Qualidade no Brasil e no Mundo

Acad. Nigel Croft – o que se faz diferente na Europa

Acad. Reinaldo Figueiredo – o que se faz diferente nos EUA

Acad. Getulio Ferreira – o que se faz diferente no Japão

Moderador: Acad. B. V. Dagnino

10h30 – 10h55 Debates
10h55 – 11h25 Intervalo
11h25 – 11h55 Qualidade na Educação e na Saúde: como melhorar

Acad. Ana Maria Malik

Acad. Ozires Silva

Moderadores: Acads. Eduardo Guaragna e João Mario Csillag

11h55 – 12h20 Debates
12h20 – 12h50 Gestão de compliance e anticorrupção nas organizações

Wagner Giovanini

Reynaldo Goto

Moderador: Acad. Ariosto Farias Jr.

12h50 – 13h20 Debates
13h20 – 13h30 Encerramento

Acad. Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto – Presidente, ABQ

13h30 – 14h30 Confraternização

Programa sujeito a alterações

O evento será exclusivo para convidados, porém, terá transmissão ao vivo pela internet. Inscrições e informações: Natascha Vieira – N8 Eventos – 999264441 ou pelo e-mail: n8eventos@abqualidade.org.br

Clique Aqui e acesse o site do evento

Saudação

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Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto (Acadêmico) – Presidente da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ), é engenheiro (ITA), MSc. (Stanford, CA), doutor (POLI/USP), professor aposentado da Poli/USP – Engenharia de Produção, presidente da Fundação Vanzolini (1982-1987), ex-juiz do PNQ e juiz do PPQG, Prêmio Qualidade Banas 1999 e professor de pós-graduação da Unip. Autor de vários livros.

Palestrantes

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Evandro G. Lorentz (Acadêmico) irá abordar o tema A Qualidade e o Futuro das Organizações onde abordará algumas questões: Como será o futuro? Estamos nos preparando para o futuro ou estamos ajudando a construí-lo? Como agirão as organizações em um mundo onde todos terão um smartphone conectado a uma rede wifi gratuita de alta velocidade? As organizações brasileiras estão se preparando para o futuro? E nosso relacionamento com os sistemas cognitivos, como o IBM Watson? Quais os impactos na educação, na saúde, em tudo? O que poderemos fabricar em casa utilizando impressoras 3D? São muitas indagações, algumas respostas e apenas uma certeza: será ótimo estar lá para vivenciá-las.

dothea

Dorothea Werneck (Acadêmica), com sua vasta experiência na área pública em funções de relevo, abordará ações que respondam aos desafios para melhorar a qualidade dos serviços prestados pelas organizações governamentais. A necessidade de melhoria da qualidade nos serviços públicos é um consenso. Porque ainda temos tantas reclamações? Todos sabem o que gostariam: menor custo, menor tempo, melhor atendimento (informações e simpatia), menos burocracia.

Para o governo, também é óbvio: menor número de “agências” e gastos com salários e manutenção. E certamente, melhor avaliação da gestão governamental com redução das reclamações e das ações judiciais. O que fazer? As ferramentas de gestão estão aí disponíveis. Porque é tão difícil? Quais são os desafios aparentemente intransponíveis?

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Nigel Croft (Acadêmico) vai falar com a visão de quem foi criado e educado no Reino Unido e saiu de sua terra nativa em 1981 para morar (na sequência) nos EUA, Noruega e Brasil, onde ficou durante quase 20 anos, adquirindo a cidadania brasileira em 1999. Atualmente, mora novamente no Reino Unido, com atuações profissionais e pessoais em países europeus como Alemanha, Áustria, Suíça (ISO), Portugal e Bulgária. Nigel vai apresentar suas percepções e experiências, compartilhando as coisas boas e não tão boas de cada país e os aspectos que considera benchmarking para os demais.

reinaldo

Reinaldo Balbino Figueiredo (Acadêmico) vai abordar tópicos relacionados à função qualidade nos USA, envolvendo os setores de serviços, manufatura e agricultura. Em sua palestra, serão apresentados os atores que colaboram para a melhoria da qualidade nos respectivos setores e, também discutirá como o Prêmio Malcolm Baldrige National Quality Award vem apoiando o desenvolvimento de novas metodologias para a Qualidade. A exposição representa sua perspectiva como residente nos EUA há mais de 15 anos, com atuação na área de normalização e avaliação de conformidade, acreditação de organismos de certificação de produtos e laboratórios e, também, decorrente de sua participação nos trabalhos da ISO nestas áreas.

getulio

Getulio Ferreira (Acadêmico) identificará, com base em observações feitas por ocasião de treinamento realizado no Japão e trabalho em subsidiária japonesa no Brasil, lições apreendidas na vivência comparativa entre as práticas dos dois países. As diferenças em relação aos métodos de gestão com foco na Qualidade como base para o sucesso das organizações serão abordadas.

Transformando pessoas com base na cultura do envolvimento e o comprometimento, a criatividade e inovação desafiando paradigmas comportamentais com produtos, serviços e processos diferenciados com alto valor agregado, aquele povo liderou o mundo na busca do que foi denominado Qualidade Total. Os desafios futuros para o caminho do Brasil em um mundo cada vez mais competitivo e imprevisível serão abordados com base nessa experiência vivida.

malik

Ana Maria Malik (Acadêmica) evidenciará sua vivência e pesquisa na área da saúde, enfatizando que todos querem saúde e qualidade de vida. No entanto, buscam os serviços de assistência quando ficam doentes e compram planos de saúde para se proteger quando precisam usar esses serviços. Nesses serviços de saúde, hoje se fala muito em melhoria, que é bastante necessária. Mas no Brasil, mesmos requisitos obrigatórios não são sempre cumpridos, mesmo sem considerar a heterogeneidade existente no país.

Além de tudo, no século XXI, já se diz há anos que, embora a medicina ou assistência esteja avançada, o modelo é do século XX e a gestão, do século XIX. Na segunda década do século XXI, ignorar os avanços das tecnologias de informação é ser muito pouco eficiente. Assim, para melhorar a eficiência e a eficácia na gestão da saúde é preciso conhecer a realidade e olhar para o futuro.

ozires

Ozires Silva (Acadêmico) discorrerá inicialmente sobre o quadro que se vê para o ensino e a educação no país, como fruto de décadas de desacertos e mesmo incompetência, constatados pela realidade de uma população com uma maioria de compatriotas semialfabetizados, que nada ou mal estão habilitados a ler e compreender o mais simples dos textos.

Em contrapartida, há um mundo inteligente produzindo produtos, criados por mentes avançadas de equipes especializadas e bem graduadas, vindos de escolas de reputação consagrada. São técnicos e especialistas que, desde o ensino fundamental, aprenderam o que deveria ser aprendido e muitos se transformaram em sábios admirados, cujas lições são exemplos para cada um de nós, hoje cidadãos de um mundo global.

A pergunta seria: o que fazer? Pode-se não saber como respondê-la, mas não se podem calar sem chamar a atenção da sociedade que se não for alteradas as rotas políticas que caracterizam as leis, normas e regras da educação no Brasil, estará sendo pavimentada uma estrada para a pobreza nacional, diante da grandeza do mundo que não se poderá enfrentar.

giovanini

Wagner Giovanini (palestrante convidado) falará sobre o significado do compliance e sua aplicação prática nas empresas. Outro ponto a ser abordado é o fato de a Lei 12.846/2013 – a chamada Lei Anticorrupção impor um risco adicional às organizações, mesmo para aquelas que já possuem sistemas robustos alinhados às legislações internacionais. Assim, Wagner pretende não só alertar os participantes sobre essa questão, mas, também, contribuir com a solução para as medidas mitigadoras. Giovanini tem quase dez anos de experiência no assunto, dos quais oito como diretor da Siemens para o Brasil e depois para a América Latina.

Goto

Reynaldo Goto (palestrante convidado), diretor de compliance da Siemens, irá apresentar a importância da governança corporativa para as empresas que estão no processo de implementação de um sistema de compliance. Durante sua palestra, também irá abordar sua experiência na Siemens durante seus quase 20 anos na empresa, incluindo o período mais crítico que a empresa passou durante as investigações iniciadas em 2006 na Alemanha. Como principal tópico a ser abordado, apresentará boas práticas internacionais relacionadas à análise de riscos de compliance, incluindo um manual elaborado pelo Pacto Global da ONU.

apoios

Saindo da crise pelas mãos da qualidade

Norma comentada

NBR ISO 9001 – COMENTADA de 09/2015

 

Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Versão comentada.

Nr. de Páginas: 32

Eduardo V. C Guaragna

Meus caros, estamos vivenciando momentos críticos no nosso país que impactam a todos nós, nossas famílias, nossos negócios, o futuro de nossos filhos, a sociedade.  Da mesma forma percebemos que muitos princípios da qualidade que levaram países arrasados no passado à vida digna hoje, são ainda pouco valorizados no nosso Brasil.

Ouve-se até que a qualidade já era, não é mais necessária, pois virou uma commodity.Engano crasso. Dr. Noriaki Kano já dizia no final da década de 80 que há duas maneiras pelas quais as empresas no Japão buscavam a qualidade. Para fazer frente à crise, perda de mercado, competição acirrada ou pela ação visionária da liderança que levava às pessoas a suarem pela qualidade.

Também conhecemos a tomada de consciência dos EUA quando no inicio dos anos 80 Deming passou a ser conhecido naquele país pelo desafio colocado na cadeia de TV. “Se eles podem (o Japão) nós também podemos”, referindo-se à necessidade de melhoria da qualidade para recuperar a competitividade americana.

Muitos dirão que o Brasil não ficou parado. Isso é verdade. Tivemos uma forte motivação para o TQC, TQM e criamos em 92 o Prêmio Nacional da Qualidade. Um grande avanço. Passados estes quase 25 anos vejo que estamos esmorecendo na busca da qualidade.

Passamos a dar maior ênfase nos Prêmios, quer sejam regionais ou ao próprio PNQ. O aprofundamento no tema qualidade não aconteceu como se esperava. Isso é o que eu vejo. Se olharmos para a ASQ (sempre a ASQ) identificamos ali as divisões onde os conhecimentos dos conteúdos da qualidade naquele objeto da divisão se fazem presentes, de forma profunda.

Não identifico isso aqui no Brasil, infelizmente. Somos muito generalistas e pouco profundos, em geral. Quanto à certificação profissional nas especialidades da qualidade pela mesma instituição, somos poucos os certificados no Brasil, bem menos que em 20 anos atrás. É preciso refletir sobre estas lacunas se quisermos amadurecer no campo da qualidade.

Mas eis que a crise atual nos oferece uma grande oportunidade. Penso que a aplicação dos 13 fundamentos da qualidade expressos no Modelo de Excelência em Gestão da FNQ pode ajudar o governo, a administração pública, as organizações privadas e os profissionais, em qualquer área de atuação, a enfrentar os problemas e vencer a crise.

O entendimento dos fundamentos e sua aplicação podem orientar o comportamento das pessoas e de toda uma nação, construindo uma cultura sólida nestes princípios de gestão. Vamos a eles. O que segue são percepções pessoais decorrentes de minha vivência e atuação no campo da qualidade, sem pretender absolutamente ser “dono da verdade”.

O fundamento da liderança transformadora nos mostra que é preciso inspirar as pessoas para o alcance dos objetivos. Isso é fundamental. Que país desejamos? Quem são os nossos líderes no governo? Há, com certeza. Temos que valorizá-los.  As mudanças a serem feitas só terão êxito com lideranças reconhecidas e aceitas. Nas organizações, nas comunidades, em momentos de crise as lideranças surgem. No Brasil de hoje há, a meu ver, carência na formação de lideres, em geral.

O conhecimento sobre clientes e mercados nos remete a colocar o cliente no seu correto valor, de fato. Ele é a parte mais importante do processo de qualidade. Sem cliente não há negócio. Em 2010, um survey do PGQP e ASQ mostrou que a implementação dos programas de qualidade visando o atendimento às necessidades e expectativas do cliente era a terceira ênfase dentro dos objetivos dos programas de qualidade nas organizações no Brasil. A melhoria dos produtos e dos processos apresentava maior prioridade. Ou seja, a pró-atividade junto ao cliente ainda se mostrava baixa, mesmo depois de 30 anos de aplicação dos conceitos da qualidade. No que se refere à administração pública e governo pouco se vê de respeito ao cidadão que recorre  a estes serviços. A criação de valor precisa estar no foco dos administradores, em geral.

A responsabilidade social quer seja das organizações ou das ações provenientes do governo encontra hoje uma lacuna inimaginável. A falta de comportamento ético e transparente. O impacto na sociedade pelas decisões equivocadas, sem qualidade, com ingredientes ativos de corrupção sistêmica é um dano profundo ao país e a cada um de nós. Sim, a qualidade trata disso.

Sabemos que a mudança de uma cultura vem pela insatisfação com a situação presente (há isso no Brasil) e por ações concretas e consistentes na direção do futuro que desejamos, no caso, banir de vez a corrupção. Enquanto não tivermos um nível de consciência coletivo que oriente espontaneamente o nosso comportamento contra as ações de corrupção, precisamos muito de leis claras e de sua aplicação eficaz. Quando a consciência estiver presente as leis serão secundárias.

Vejam o caso do cinto de segurança. Seu uso é obrigatório, O desvio vem com a multa. Mas hoje quem deixaria de usá-lo, caso a lei não mais se aplicasse? Poucos, eu acredito. Adquirimos consciência de sua importância

O pensamento sistêmico infelizmente não faz parte da agenda dos governos que se preocupam em atuar pontualmente nos problemas sem avaliar as inter-relações. As principais ações deveriam ser vistas de forma integrada, entre as diversas pastas da administração pública. Nas organizações este fundamento se vale do processo de formulação da estratégia e das interações com as partes interessadas, sendo, portanto, melhor praticado.

O olhar para o futuro trata de criação no que desejamos ser, do nosso amanhã. Metas de médio e longo prazo, consistentes com a visão, inspiradora. Falta esta qualidade aos governos que se ocupam em resolver problemas no hoje apenas, sendo imediatistas. É preciso uma visão maior de futuro para o país, suprapartidária e que seja assumida como uma missão a ser realizada pelos governantes e principais lideranças de diversas áreas de atuação no país. Com relação às organizações privadas vejo como um fundamento que evoluiu bastante a sua aplicação nos últimos anos, possivelmente se valendo dos instrumentos de pensamento estratégico e do balanced scorecard.

Decisões fundamentadas ainda pouco se valem do conhecimento acumulado pelas análises e experiências passadas. Cada governo tem o hábito nefasto de negar as realizações do anterior e de aprender com elas. Se positivas são “rebatizadas” com novos rótulos, se negativas são colocadas na “vitrine das realizações equivocadas”. Pouco se aprende com isso.Na iniciativa privada este fundamento esta melhor aplicado pois as consequências da decisões desastrosas são tão nefastas às organizações quanto aos tomadores de decisão.O uso de Indicadores de desempenho tem ajudado as organizações neste processo de decisão.

A orientação por processos ainda é incipiente na administração pública que trata mais das funcionalidades da área. Nas organizações ela tem crescido em aplicação, principalmente estimulada pelo próprio MEG e pelas normas ISO que colocam os processos de negócio no centro do modelo de gestão e da agregação de valor ao cliente e demais partes interessadas.

A atuação em rede trata de cooperação buscando interesses comuns e competências complementares. Este fundamento, embora novo no modelo, já vem sendo praticado, faltando maior consciência sobre as suas potencialidades.Na administração pública e governo pode ser potencializado para a obtenção de sinergias com vistas a realização de objetivos.Nas organizações, há oportunidade de desenvolver o comportamento de cooperação entre as organizações na busca de interesses comuns, éticos e íntegros, visto que as organizações são movidas muito por competição.

Agilidade, fundamento este pouco desenvolvido na administração pública e governo que tem suas diretrizes fixadas por regulamentos e burocracia, além de ter baixa orientação por processo, baixo foco no cliente/usuário e pouco olhar para o futuro. Sua melhoria se dará pela atuação conjunta nestes fundamentos. Na iniciativa privada este fundamento se vale da dinâmica do processo de elaboração e execução da estratégia e, no curto prazo, da dinâmica da gestão dos processos relacionados às partes interessadas e a cadeia de valor.

No mundo atual agilidade é fundamental. Talvez a única vantagem competitiva das organizações seja a sua capacidade de aprender mais rapidamente que os concorrentes, já dizia Áries De Geus. Isso tem a ver com agilidade no conhecimento, seu uso e elevada adaptabilidade às mudanças.

A inovação é quase que contemporânea da qualidade, se nós compararmos Walter Shewart na década de 20 como o pai da qualidade mais estruturada como a conhecemos com Joseph Schumpeter como o pai da inovação com foco na economia e desenvolvimento na década de 30. Porém no Brasil a inovação se encontra no nível de maturidade que a qualidade estava na década de noventa. Estamos aprendendo sobre inovação. Não apenas nós, o mundo também.

Em 2013, por exemplo, a ASQ criou uma Divisão para tratar da Gestão da Inovação e, em breve oferecerá mais uma certificação profissional nesta área. Percebo que a criação de um ambiente propício à geração de novas ideias pode ajudar as organizações neste momento de crise, a encontrar soluções novas e a melhorar a produtividade, com baixo investimento. Na administração pública infelizmente estamos longe disso, a menos de ações isoladas tipo cidades inteligentes que pode servir como foco às ações e projetos de inovação: as prefeituras. No Rio Grande do Sul, tivemos em 2014 a Prefeitura de Canoas reconhecida com o Premio Gestão da Inovação PGQP, por exemplo.

Valorização das pessoas e da cultura é um fundamento vital a qualidade. Por quê? Por que a qualidade inicia nas pessoas, com sua educação, formação. Não é possível uma administração publica, governo, organização privada, realizar um bom trabalho voltado ao cliente externo, a uma comunidade, um cidadão, sem que as pessoas que atuam em seu nome estejam conscientes do seu papel, tenham competência e estejam comprometidas.

Em momentos de crise estudos mostraram que a identificação das pessoas com as suas organizações era um fator importante à sobrevivência naquele momento. A administração publica e governo têm dificuldades nos aspectos relativos a meritocracia e reconhecimento ao bom desempenho, associado a metas, quer sejam individuais ou em equipe. As organizações privadas por sua vez, por serem mais suscetíveis às práticas de ajuste de pessoas, corte nos custos fixos, podem criar um clima organizacional não compatível com a busca da excelência, caso estes processos não sejam bem conduzidos.

O aprendizado organizacional, a meu ver, é a maior lacuna que existe na administração publica governo e iniciativa privada. Mesmo após o alerta de estudos feitos por especialistas a respeito (De Geus, Senge, Peter Drucker, Argyris, Swieringa e Wierdsma, entre outros) – mostrando que a longevidade das organizações estava ameaça pela ausência de aprendizado, que a teoria do negócio deveria ser periodicamente revisitada, que o aprendizado só ocorre com a humildade das pessoas em refletirem sobre suas crenças e modelos mentais e aceitarem realizar mudanças- pouco se vê do uso dos conceitos que embasam o aprendizado organizacional.

Na administração pública e governo cada gestão inicia do zero, como regra, com pouca ou nenhuma participação de quem conhece o assunto e o levou até aquele momento. Afora os técnicos de carreira que podem auxiliar nisso, há forte ingerência política. Aqui mais uma vez Deming se faz presente. Um sistema tem seu desempenho dependente de sua concepção e gestão em cerca de 85%. Os 15% restantes deve-se a quem o opera, ao executante que muitas das vezes é vítima de processos mal concebidos. Quem dá as diretrizes para a concepção das práticas na administração publica? Nas organizações o aprendizado tem evoluído um pouco mais, mas ainda limitado a melhoria de processos e práticas.

Pouco se vê de reflexão sobre os fundamentos, princípios, valores e crenças que orientam o comportamento das pessoas e da organização no seu negócio, nas suas relações, nas tratativas com as partes interessadas. Que fundamentos da excelência são mais importantes para nós no contexto atual, ao momento, ao nosso negócio? Como estamos no seu entendimento e aplicação? O que nos impede de estarmos melhor? Como isto tem impactado o comportamento das pessoas, suas competências, os nossos processos e resultados? O que devemos mudar? E, claro, fazer as mudanças, o mais importante. Estas reflexões num ambiente maduro e de abertura das lideranças ainda é exceção.

A geração de valor, o sonho de toda a instituição, é uma consequência. Assim, qualquer ação direta sobre ela, tem pouco impacto. A importância do cliente e das demais partes interessadas em perceber o valor a elas entregue decorre de ações desenvolvidas nos fundamentos aqui já abordados.

Bem, nada como uma crise para refletir sobre o que e como a qualidade pode nos ajudar para supera-la. Acredito que não há abordagem mais completa e versátil do que a da qualidade para ajudar organizações, administração pública, governo, terceiro setor, profissionais autônomos, enfim o ser humano e suas formas de associações a evoluir no que fazem, a superar problemas, a crescer como “pessoa física e pessoa jurídica”. A qualidade é um presente e é de graça, já dizia Crosby há muito tempo. Temos melhor investimento que este? Mãos a obra!

Eduardo V. C Guaragna é engenheiro mecânico, mestre em administração, professor, diretor do Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP) e membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ).

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Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto

O leitor já foi alvo de tentativa de suborno? Eu fui, em pelo menos duas vezes, que me lembro.

Na primeira vez, em 1962, eu era um engenheiro recém-formado no ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica e trabalhava há pouco no CTA – Centro Tecnológico de Aeronáutica, em São José dos Campos, mais especificamente na Comissão de Homologação de Aeronaves. Uma das funções dessa comissão era inspecionar para homologação pequenas aeronaves que passassem por modificações em suas condições essenciais ao vôo.

Minha primeira missão foi ir ao Rio de Janeiro fazer isso, no Aeroporto de Manguinhos, era um pequeno avião adaptado para rebocar faixas de propaganda. Tratava-se de um Paulistinha, um biplace da Neiva muito popular naqueles anos. Cheguei, me apresentei e, com os requisitos e algo mais na mão, comecei o trabalho. O avião estava em petição de miséria. Ao fim do dia, meu relatório apontava 36 falhas que precisariam ser sanadas para que aquela coisa pudesse voar.

Foi quando chegou o proprietário, um tipo asqueroso com o bigodinho típico dos cafetões da Lapa. Expliquei-lhe os problemas e disse que, tão logo resolvidos, eu voltaria para nova avaliação.

– Mas, engenheiro, eu preciso da sua aprovação hoje, pois tenho um contrato que me obriga a voar já amanhã.

– Sinto muito, este avião não pode voar do jeito que está.

Então ele me levou para uma salinha onde havia duas caixas de whisky Johnie Walker Black Label e disse:

– Engenheiro, essas caixas são suas, mas eu preciso da sua assinatura agora.

– De forma alguma, senhor. Este avião não pode voar assim!

Então ele apelou:

– Quer saber de uma coisa? Eu sou amigo do governador e não vai ser um engenheirozinho de merda que vai me impedir de voar com meu avião.

Não me restou outra coisa senão dizer “Passe bem” e me retirar, indignado.

Três dias depois eu estava em minha mesa no CTA folheando o breefing sobre noticias aeronáuticas que recebíamos regularmente quando via a noticia: “Avião rebocador de faixa cai no Rio de Janeiro”. Chequei o prefixo: era o próprio. Felizmente o piloto não morreu, mas quebrou as duas pernas.

Dois anos depois, eu trabalhava em São Paulo como engenheiro em uma empresa de origem holandesa que projetava e instalava sistemas de refrigeração industrial. Apos uns três meses estudando livros e manuais sobre o assunto, eu comecei a me sentir apto a fazer e orçar projetos. Num desses, o representante do cliente me convidou para almoçar no Almanara da Rua Basílio da Gama, então o ponto alto da gastronomia árabe da Paulicéia. No meio do almoço, me propôs o seguinte: eu abateria 30% no orçamento do projeto e ficaria com 5% para mim. Pela segunda vez, indignado, fui obrigado a dizer “Passe bem” e deixar o sujeito falando sozinho no restaurante.

Nesse ínterim, a empresa havia contratado um engenheiro nissei, muito falante, experiente, que devia ganhar bem mais do que eu. Logo após, fomos ambos solicitados a elaborar um projeto importante. Gastei dois dias, ele fez em duas horas. Meu preço era 30% mais caro que o dele. Entusiasmadamente, a empresa contratou o projeto do japonês e eu passei a aguardar a hora de ser demitido. Resultado: o custo do projeto contratado revelou-se 30% mais caro e a empresa teve um baita prejuízo. O japonês foi demitido.

Eu, ao contrário, recebi do vice-presidente mundial da empresa, que logo após esteve no Brasil, um convite para ir ato contínuo para a Holanda, onde ficaria dois anos ganhando experiência, e mais três onde a empresa quisesse me enviar. Pedi 24 horas para decidir. Se aceitasse, possivelmente fosse em alguns anos o maior consultor em refrigeração industrial, caso voltasse ao Brasil, ganhando muito bem. No entanto, pesando os prós e contras, recusei, causando a ira do vice-presidente e a minha saída voluntária da empresa, rumo ao magistério e seus baixos salários. Decisão, entretanto, da qual jamais me arrependi.

Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto é professor titular do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UNIP – Universidade Paulista e presidente da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ) – politeleia@uol.com.br

II Seminário ABQ Qualidade Século XXI

A Academia Brasileira da Qualidade (ABQ), em comemoração ao Dia Mundial da Qualidade, realizará o II Seminário ABQ Qualidade Século XXI – A Qualidade e a Realidade Brasileira (www.abqualidade.org.br/Eventos), no dia 12 de novembro próximo, na FIESP, em São Paulo, SP. O objetivo é enfatizar a importância da Qualidade para a produtividade e a competitividade das organizações e das nações, e consequente bem-estar da sociedade, o que, no caso brasileiro, é certamente oportuno neste momento.

O II Seminário ABQ Qualidade Século XXI reunirá temas muito relevantes a serem relevantes a serem abordados por alguns de seus Acadêmicos que dedicaram muito de suas vidas à Qualidade: Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto, Jorge Gerdau Johannpeter, Jairo Martins da Silva, Luiz Carlos do Nascimento, José Joaquim do Amaral Ferreira e Vicente Falconi.

Pedro Luiz

PEDRO LUIZ

Pedro Luiz, como presidente da ABQ, apresentará uma visão mundial da Qualidade, procurando explorar as prioridades para as organizações brasileiras que propiciem a retomada do desenvolvimento do país, num cenário global em que a competitividade entre as empresas e as nações é cada vez mais acirrada. “Na verdade, diversas conceituações podem ser encontradas para a competitividade mas, em essência, uma empresa é competitiva se tem, conserva ou amplia a fatia de mercado para seus produtos ou serviços, estando apta a enfrentar a atuação dos seus concorrentes. A competitividade de uma empresa está diretamente relacionada com a qualidade do que oferece ao público e com a produtividade das suas operações, que também só se consegue mediante a qualidade interna com que executa suas atividades. Para tanto, conhecimento, criatividade, inovação, flexibilidade e muitos outros aspectos também certamente contribuem”, diz o presidente.

Jorge Gerdau

JORGE GERDAU

Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau, acha que o primeiro requisito exigido hoje para qualquer empresa ou indivíduo é mentalizar que ele vive em um cenário de muitas mudanças, imposto pelo mercado. “A tendência conservadora que existe dentro de cada pessoa ou das instituições é querer se acomodar. Mas quem não se capacitar vai ficar para trás. A primeira consciência que o indivíduo ou as empresas devem ter é reconhecer que o processo de mudanças está acelerado. E, nesse conceito, a recapacitação permanente do indivíduo é o único caminho para ele assegurar o seu espaço no mercado”.

Para Gerdau, existem técnicas e indicadores para verificar se o seu processo realmente está funcionando e em que prazo, eficiência, perdas e rendimentos. “Essa tecnologia está amplamente difundida. O segundo ponto neste sentido é que a pessoa também procure se atualizar. Uma questão é a atitude profissional que as pessoas têm, e a palavra profissional deve ser usada com letra maiúscula. Todos precisam ser profissionais nas atividades que exercem. Isso também exige estudo. Quem não fizer isso, não tem chance de sustentar a sua responsabilidade profissional. Eu acredito profundamente na ideia e tenho a convicção de que o movimento pela Qualidade pode alavancar o desenvolvimento do país, ajudar as empresas, as pessoas, os hospitais. Quando vejo outras pessoas que, como eu, criam a consciência de que isso é realmente um processo que pode ajudar o desenvolvimento em benefício de todos nós, vendo essa ideia com muito entusiasmo. Eu acredito nos resultados positivos que este processo pode dar. É preciso acreditar para vender uma ideia”.

Jairo Martins

JAIRO MARTINS

Jairo Martins da Silva, superintendente geral da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), explica que, qualquer organização ou instituição, seja governamental, pública, privada ou do terceiro setor, é responsável por um processo de transformação de recursos em valor para a sociedade. “Para que ela cumpra este propósito é imprescindível que adote princípios e ferramentas para que tenham uma gestão sistêmica, buscando constantemente a eficácia e a eficiência das suas operações. Os fundamentos e os critérios da excelência da gestão expressam a compreensão dos países desenvolvidos e das organizações de classe mundial para alcançar elevados níveis de produtividade e competitividade em um contexto complexo e imprevisível de mudanças globais. Nos desafiadores cenário internacional e momento atual do Brasil, caracterizados pela volatilidade da economia e pela imprevisibilidade política, a sobrevivência e a perenidade das organizações e das instituições dependem da qualidade da interação com o seu ecossistema, e da velocidade com que aprendem e agem em ambientes mutáveis, imprevistos e incontroláveis. A excelência em gestão passa a ser imperativo na agenda dos governos e das organizações públicas e privadas”, explica.

Luiz Carlos do Nascimento, líder da delegação brasileira na revisão da norma ISO 9001, e José Joaquim do Amaral Ferreira, diretor de certificação da Fundação Vanzolini, procurarão atender às milhares de organizações em todo o mundo que aguardam ansiosas a publicação da versão 2015 da norma internacional ISO 9001, para se prepararem para a certificação ou recertificação de seus sistemas de gestão da qualidade. O Comitê Brasileiro da Qualidade (CB 25) da ABNT está se preparando para lançar a versão brasileira da norma NBR ISO 9001:2015.

A apresentação se desenvolverá sob forma de diálogo entre Nascimento e José Joaquim. Ambos enfocarão os aspectos estratégicos da adoção dos requisitos da norma e da certificação. Enquanto Nascimento se concentrará nas alterações introduzidas e na sua importância, José Joaquim enfatizará a forma pela qual as organizações deverão se preparar para o seu cumprimento, abordando ainda o período de transição definido pelas entidades internacionais e brasileira. Os participantes presenciais e virtuais via Internet poderão, no ato da inscrição, formular perguntas a serem respondidas pelos dois especialistas.

Vicente Falconi

VICENTE FALCONI

Tanto os participantes presenciais ou virtuais do seminário poderão, no ato da inscrição, formular perguntas a serem respondidas por Vicente Falconi, presidente do Conselho da Falconi Consultores de Resultados. Quem quiser pode perguntar para ele sobre as dificuldades de implementar no Brasil as práticas que ele trouxe do Japão, ou sobre os casos de sucesso que sua equipe conquistou. Enfim, a pauta é livre, pergunte o que desejar sobre Qualidade no Brasil e no Mundo, produtividade, competitividade do Brasil, Qualidade no serviço público e na área privada, enfim, tudo aquilo que gostaria de saber e nunca teve oportunidade de perguntar.

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