As auditorias e a certificação de sistemas de gestão de energia (SGE)

Os sistemas de gestão de energia capacitam uma organização a seguir uma abordagem sistemática para alcançar melhoria contínua no seu desempenho energético, incluindo eficiência energética, uso e consumo de energia. A NBR ISO 50003 de 06/2016 – Sistemas de gestão de energia – Requisitos para organismos de auditoria e certificação de sistemas de gestão de energia especifica os requisitos de competência, consistência e imparcialidade em auditorias e certificação de sistemas de gestão de energia (SGE) para organismos que prestam estes serviços.

Para garantir a eficácia da auditoria de SGE, esta norma aborda o processo de auditoria, os requisitos de competência para o pessoal envolvido no processo de certificação para sistemas de gestão de energia, a duração das auditorias e amostragem para multi-instalações. Destina-se a ser utilizada em conjunto com NBR ISO/IEC 17021:2011. Os requisitos da NBR ISO/IEC 17021:2011 também se aplicam a esta norma.

Esta norma destina-se a ser usada em conjunto com a NBR ISO/IEC 17021:2011. No momento da publicação desta norma, a NBR ISO/IEC 17021:2011 está sob revisão e será cancelada e substituída pela ISO/IEC 17021-1. Para efeitos desta norma, a NBR ISO/IEC 17021:2011 e a ISO/IEC 17021-1 são consideradas equivalentes. Após a publicação da ISO/IEC 17021-1, todas as referências nesta NBR ISO/IEC 17021:2011 serão consideradas como referências à ISO/IEC 17021-1.

Além dos requisitos da NBR ISO/IEC 17021:2011, esta norma especifica requisitos que dizem respeito à área técnica específica de SGE que são necessários para assegurar a efetividade da auditoria e certificação. Particularmente, esta norma internacional aborda os requisitos adicionais necessários para o processo de planejamento de auditoria, a auditoria de certificação inicial, a condução da auditoria no local, competência do auditor, duração das auditorias do SGE e amostragens multilocal.

A Seção 4 descreve as características da auditoria do SGE, a Seção 5 descreve os requisitos do processo de auditoria do SGE e a Seção 6 descreve os requisitos de competência para o pessoal envolvido no processo de certificação do SGE. Os Anexos A, B e C fornecem informações adicionais para complementar a NBR ISO/IEC 17021:2011.

Esta norma trata de auditorias de SGE para fins de certificação, mas não trata de diagnósticos energéticos, cujo propósito é estabelecer uma análise sistemática de consumo e uso de energia os quais são definidos na NBR ISO 50002. Os SGE capacitam uma organização a seguir uma abordagem sistemática para alcançar melhoria contínua no seu desempenho energético, incluindo eficiência energética, uso e consumo de energia.

Esta norma especifica requisitos adicionais àqueles especificados na NBR ISO/IEC 17021:2011 para uma eficaz auditoria de avaliação da conformidade do SGE. A organização deve definir o escopo e fronteiras do SGE; entretanto, o organismo de certificação deve confirmar a adequação do escopo e fronteiras em cada auditoria.

O escopo da certificação deve definir as fronteiras do SGE incluindo atividades, instalações, processos e decisões relacionados ao SGE. O escopo pode ser toda a organização com multilocais, uma instalação dentro da organização, ou um subconjunto ou subconjuntos dentro de uma instalação, como uma edificação, instalação ou processo.

Quando definir as fronteiras, uma organização não pode excluir as fontes de energia. Na determinação do tempo da auditoria, o organismo de certificação deve incluir os seguintes fatores: fontes de energia; usos significativos de energia; consumo de energia; e o número do pessoal efetivo no SGE.

A duração da auditoria inclui o tempo no local da organização, planejamento da auditoria, revisão de documentos e produção de relatórios de auditoria. As tabelas de duração da auditoria no Anexo A devem ser utilizadas para determinar a duração da auditoria.

O método de cálculo da duração da auditoria está descrito no Anexo A. Nos casos onde os processos vigentes e a estrutura organizacional forem tais que uma redução na duração da auditoria possa ser justificada, o organismo de certificação deve fornecer uma justificativa razoável para a decisão e assegurar que ela esteja registrada.

A duração da auditoria pode ser reduzida se a organização tiver um SGE integrado com outro sistema de gestão certificado. O ajuste no tempo devido a outro sistema de gestão certificado não pode exceder 20 % de redução.

Os homens/dia da auditoria são baseados em 8h por dia. Ajustes podem ser solicitados baseados em requisitos locais, regionais ou exigência legais nacionais.

O número do pessoal efetivo no SGE e o critério de complexidade, como definido no Anexo A são utilizados como base para o cálculo da duração de auditoria. O organismo de certificação deve definir e documentar um processo para determinar o número do pessoal efetivo do SGE para o escopo de certificação e para cada auditoria no programa de auditoria.

O processo para determinar o número do pessoal efetivo no SGE deve assegurar a inclusão de pessoas que contribuem ativamente para atender os requisitos do SGE. Quando regulamentações exigirem a identificação de pessoas para operação e manutenção das atividades de SGE, estas pessoas devem ser parte do pessoal efetivo do SGE.

Quando conduzir a auditoria, o auditor deve coletar e verificar a evidência de auditoria relativa ao desempenho energético que inclui no mínimo: planejamento energético (todas as seções); controle operacional; e monitoramento de medição e análise. Ao identificar não conformidades da NBR ISO 50001, a definição para não conformidade maior para o SGE (ver 3.6) será utilizada pelo auditor.

Um relatório de auditoria deve incluir: escopo e fronteiras do SGE que estão sendo auditado; e declaração da obtenção da melhoria contínua do SGE e melhoria no desempenho energético com evidências de auditoria para amparar as constatações. A auditoria fase 1 deve incluir o seguinte: confirmação do escopo e fronteiras do SGE para certificação; análise gráfica ou uma descrição narrativa das instalações, equipamentos, sistemas e processos para o escopo e fronteiras identificados; confirmação do número do pessoal efetivo do SGE, fontes de energia, uso significativo de energia e consumo anual de energia, para confirmar a duração da auditoria; revisão de resultados documentados do processo de planejamento energético; análise da relação de oportunidade de melhorias de desempenho energético identificadas assim como os objetivos, metas e planos de ação relacionados.

Durante a auditoria fase 2, o organismo de certificação deve reunir as evidências necessárias de auditoria para definir se está demonstrada ou não a melhoria do desempenho energético, antes de tomar a decisão de certificação. A confirmação da melhoria do desempenho energético é necessária para a concessão da certificação inicial. Exemplos de como a organização pode demonstrar a melhoria do desempenho energético estão apresentados no Anexo C.

Durante as auditorias de manutenção, o organismo de certificação deve analisar as necessárias evidências da auditoria para determinar se foi demonstrada ou não uma melhoria contínua do desempenho energético. Durante a auditoria de recertificação, o organismo de certificação deve analisar as evidências da auditoria necessárias para determinar se uma melhoria contínua do desempenho energético está demonstrada antes de ser tomada a decisão de recertificação.

A auditoria de recertificação também deve levar em conta qualquer alteração significativa nas instalações, equipamentos, sistemas ou processos. A confirmação de melhoria contínua de desempenho energético é necessária para que a recertificação seja concedida. A melhoria do desempenho energético pode ser influenciada por alterações nas instalações, equipamentos, sistemas ou processo, mudanças no tipo de negócio, ou outras condições que resultem em mudança ou uma necessária mudança na linha de base.

Todo o pessoal envolvido em atividade de auditoria de SGE e atividades de certificação deve possuir um nível de competência que inclui as competências genéricas descritas em NBR ISO/IEC 17021:2011 assim como os conhecimentos gerais em SGE descritos na Tabela 1, onde “X” significa que o organismo de certificação deve definir o critério.

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A equipe de auditoria deve ser nomeada e composta por auditores e especialistas técnicos, como necessário, para cumprir os requisitos de competência técnica, bem como os requisitos de competência gerais compatíveis com o escopo da certificação. A Tabela 3 descreve as competências técnicas para um SGE, onde “X” significa que o organismo de certificação define os critérios.

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Enfim, a determinação da complexidade do SGE deve ser baseada em três considerações: o consumo anual de energia, o número de fontes de energia e o número de usos significativos de energia. A complexidade é um valor calculado com base em um fator ponderado que aborda todas estas três considerações.

Para cada consideração, dois itens de informação são necessários para calcular a complexidade: o peso ou multiplicador; e o fator de complexidade, que se baseia em um intervalo. A Tabela A.1 fornece para cada consideração o peso e as faixas associadas para os fatores de complexidade necessários para calcular a complexidade.

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Como base para a amostragem, os procedimentos do organismo de certificação devem assegurar que a revisão do contrato inicial inclua uma avaliação da complexidade e escala das atividades abrangidas pelo SGE e que os critérios em todas as cláusulas tenham sido cumpridos.

Algumas considerações sobre diferenças que possam afetar a amostragem podem incluir o seguinte: desempenho energético; usos significativos de energia; fontes de energia; monitoramento, medições e análises; consumo de energia; e mudanças no escopo. O organismo de certificação deve identificar as funções centrais (escritório central) da organização com a qual ele tem um acordo jurídico vinculado à prestação de atividades de certificação.

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Aprendendo a medir o desempenho energético com a norma técnica

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A implantação de um sistema de gestão da energia requer o comprometimento da alta direção da organização, mas, também, dos diversos níveis hierárquicos da empresa. Ao primeiro grupo caberá definir os objetivos e metas a serem alcançados em termos de desempenho energético e fornecer uma visão corporativa que permita a implantação bem-sucedida do sistema de gestão.

Os demais níveis participam da operacionalização da política energética, da identificação das necessidades diárias e da proposição de melhorias nos processos, atuando como mola mestra do funcionamento de todo o programa A principal questão quanto ao sucesso da implantação do sistema está na compreensão, por todos, de que esta iniciativa resultará, em última análise, em ganhos financeiros para a empresa, pois aumenta a sua competitividade ao reduzir custos produtivos desnecessários. Outros ganhos, relacionados à sustentabilidade econômica e ambiental do negócio, também serão obtidos, sem falar na redução de investimentos na ampliação incessante da infraestrutura necessária à distribuição de determinados insumos energéticos, tais como eletricidade e gás natural, entre vários outros.

A NBR ISO 50001 especifica os requisitos de um sistema de gestão da energia (SGE) para uma organização desenvolver e implementar uma política energética, estabelecer objetivos, metas e planos de ação que considerem requisitos legais e informações relativas ao uso significativo de energia. Um SGE habilita uma organização a atender sua política energética, tomar as devidas ações de melhoria de seu desempenho energético e demonstrar conformidade aos requisitos desta norma.

Pode-se ajustar a aplicação desta norma a requisitos específicos de uma organização – incluindo complexidade do sistema, grau de documentação e recursos – e abrange as atividades sob o controle da organização. Ela se baseia na estrutura de melhoria contínua do Plan-Do-Check-Act e incorpora a gestão da energia nas práticas organizacionais diárias, melhoria da competitividade e redução de emissões de gases de efeito estufa e outros impactos ambientais relacionados.

É aplicável independentemente dos tipos de energia utilizados. Pode ser utilizada para certificação, registro ou autodeclaração do SGE de uma organização. Ela não estabelece requisitos absolutos para o desempenho energético além daqueles estabelecidos na política energética da organização e de sua obrigação de conformidade a requisitos legais aplicáveis ou outros requisitos. Assim, duas organizações realizando operações semelhantes, mas com desempenhos energéticos distintos, podem ambas estar em conformidade com seus requisitos.

Especificamente em seu item 4.3 Política energética: deve declarar o comprometimento da organização para atingir a melhoria do desempenho energético. A alta direção deve definir a política energética e garantir que esta: seja apropriada à natureza e escala do uso e consumo de energia da organização; inclua um comprometimento para melhoria contínua de desempenho energético; inclua um comprometimento para garantir a disponibilidade de informações e de recursos necessários para atingir objetivos e metas; inclua um comprometimento para cumprir com os requisitos legais aplicáveis e outros requisitos aos quais a organização subscreve em relação à eficiência, uso e consumo de energia; forneça uma estrutura para estabelecer e revisar objetivos e metas energéticas; apoie a aquisição de produtos energeticamente eficientes, assim como de serviços e projetos para melhoria do desempenho energético; seja documentada e comunicada em todos os níveis da organização; e seja regularmente revisada e atualizada se necessário.

Já a NBR ISO 50006 de 03/2016 – Sistemas de gestão de energia — Medição do desempenho energético utilizando linhas de base energética (LBE) e indicadores de desempenho energético (IDE) — Princípios gerais e orientações fornece orientações para organizações de como estabelecer, utilizar e manter indicadores de desempenho energéticos (IDE) e linhas de base energética (LBE) como parte do processo de medição de desempenho energético. As orientações nesta norma são aplicáveis a qualquer organização, independentemente do seu tamanho, tipo, localização ou nível de maturidade na área de gestão de energia.

Fornece às organizações orientações práticas sobre como atender aos requisitos da NBR ISO 50001 relacionados ao estabelecimento, uso e manutenção dos indicadores de desempenho energético (IDE) e linhas de base energética (LBE) para a medição e alterações no desempenho energético. O IDE e a LBE são dois elementos-chave inter-relacionados da NBR ISO 50001 que permitem a medição, e, logo, a gestão do desempenho energético em uma organização.

O desempenho energético é um conceito amplo relacionado ao uso e consumo de energia e eficiência energética. Para gerenciar efetivamente o desempenho energético de suas instalações, sistemas, processos e equipamentos, as organizações precisam saber como a energia é utilizada e quanto é consumida ao longo do tempo.

Um IDE é um valor ou medida que quantifica resultados relacionados à eficiência energética, uso e consumo de energia em instalações, sistemas, processos e equipamentos. As organizações utilizam IDE como medida de seus desempenhos energéticos.

A LBE é uma referência que caracteriza e quantifica o desempenho energético de uma organização durante um período de tempo específico. A LBE permite que uma organização avalie alterações do desempenho energético entre dois períodos selecionados. A LBE também é utilizada para cálculos de economia de energia, como uma referência antes e depois da implementação de ações de melhoria do desempenho energético.

As organizações definem metas para o desempenho energético como parte do processo de planejamento energético em seus sistemas de gestão de energia (SGE). A organização precisa considerar as metas específicas de desempenho energético, enquanto identifica e estabelece o IDE e a LBE. A relação entre o desempenho energético, IDE, LBE e metas energéticas é ilustrada na Figura 1.

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Esta norma inclui quadros de ajuda desenvolvidos para fornecer ao usuário ideias, exemplos e estratégias para medição do desempenho energético utilizando o IDE e a LBE. Os conceitos e métodos nessa norma podem também ser utilizados por organizações que não possuem um SGE.

Por exemplo, o IDE e a LBE podem também ser utilizados em nível de instalação, sistema, processo ou equipamento, ou para a avaliação de ações individuais de melhoria de desempenho energético. O contínuo comprometimento e o engajamento da alta direção são essenciais para a efetiva implementação, manutenção e melhoria do SGE, de forma a alcançar os benefícios da melhoria do desempenho energético. A alta direção demonstra seu comprometimento por meio de ações de liderança e um envolvimento ativo no SGE, garantindo contínua alocação de recursos, incluindo pessoal, para implementar e manter o SGE ao longo do tempo.

Para medir e quantificar efetivamente seu desempenho energético, uma organização estabelece o IDE e a LBE. Os IDE são utilizados para quantificar o desempenho energético de toda a organização ou de suas diferentes partes. As LBE são referências quantitativas utilizadas para comparar valores do IDE ao longo do tempo e para quantificar alterações no desempenho energético.

Os resultados do desempenho energético podem ser expressos em unidades de consumo (por exemplo, GJ, kWh), consumo específico de energia (CEE) (por exemplo, kWh/unidade), potência de pico (por exemplo, kW), alteração percentual em eficiência ou proporções adimensionais etc. A relação geral entre o desempenho energético, o IDE, a LBE e metas energéticas é apresentada na Figura 1.

O desempenho energético pode ser afetado por uma série de variáveis relevantes e fatores estáticos. Eles podem estar relacionados às condições variáveis de negócio, como demanda de mercado, vendas e rentabilidade.

Uma visão geral sobre o processo de desenvolvimento, utilização e atualização dos IDE e LBE é ilustrada na Figura 2 e descrita em detalhes nas Seções 4.2 a 4.6. Este processo auxilia a organização a melhorar continuamente a medição do seu desempenho energético.

A quantificação do consumo de energia é essencial para a medição do desempenho energético e das melhorias do desempenho energético. Quando múltiplas formas de energia forem utilizadas, é útil converter todas as formas para uma unidade de medição de energia comum. Convém tomar cuidado para que a conversão seja feita de forma que represente a energia total consumida em uma organização apropriadamente, incluindo perdas em processos de conversão de energia.

A identificação dos usos da energia, como sistemas energéticos (por exemplo, ar comprimido, vapor, água fria etc.), processos e equipamentos, auxilia a categorização do consumo de energia e a focar o desempenho energético nos usos que são importantes para uma organização.  A eficiência energética é uma métrica frequentemente utilizada para se medir desempenho energético e pode ser utilizada como um IDE.

A eficiência energética pode ser expressa de diferentes maneiras, como saída de energia/entrada deenergia (eficiência de conversão); energia requerida/energia consumida (onde a energia requerida pode ser obtida a partir de um modelo teórico ou alguma outra relação); saída de produção/entradade energia (por exemplo, as toneladas de produção por unidade de energia consumida).

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Convém que os IDE forneçam informações relevantes sobre o desempenho energético para permitir que vários usuários dentro de uma organização compreendam o seu desempenho energético e adotem medidas para melhorá-lo. Os IDE podem ser aplicados em nível de instalação, sistema, processo ou equipamento para proporcionar vários níveis de foco. Convém que uma organização estabeleça uma meta energética e uma linha de base energética paracada IDE.

Dessa forma, convém que uma organização compare as alterações no desempenho energético entre o período de base e o período de reporte. A LBE é apenas utilizada para determinar os valores de IDE para o período de linha de base. O tipo de informação necessária para estabelecer uma linha de base energética é determinado pelo propósito específico do IDE.

As alterações no desempenho energético podem ser calculadas utilizando-se IDE e LBE para instalações, sistemas, processos ou equipamentos. A comparação do desempenho energético entre o período de base e o período de reporte envolve o cálculo da diferença entre o valor do IDE nos dois períodos.

A Figura 3 ilustra um caso simples em que a medição direta do consumo de energia é utilizada como IDE e o desempenho energético é comparado entre o período de base e o período de reporte. Nos casos em que a organização determinar que variáveis relevantes como clima, produção, horas de operação do edifício etc. afetam o desempenho energético, convém que o IDE e sua LBE correspondente sejam normalizados para que o desempenho energético seja comparado sob condições equivalentes.

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Revisão energética

A revisão energética fornece informações sobre desempenho energético úteis para o desenvolvimento dos IDE e LBE. O Anexo A ilustra a relação entre a revisão energética e as informações necessárias para se identificar o IDE e estabelecer a LBE. O estabelecimento de IDE apropriados e LBE correspondentes requer o acesso a dados organizacionais de energia disponíveis, análise dos dados e processamento da informação de energia.

O escopo e fronteira do SGE compreendem a área ou as atividades dentro das quais uma organização gerencia o desempenho energético. Para medir o desempenho energético, convém que sejam definidas as fronteiras de medição adequadas para cada IDE. Estas são chamadas de fronteiras do IDE e podem se sobrepor. Os usuários do IDE e suas necessidades precisam ser identificadas antes (ver 4.3.2), e então a fronteira do IDE correspondente é definida.

Ao se definir uma fronteira do IDE, convém considerar:  responsabilidades organizacionais relacionadas à gestão de energia; a facilidade de isolamento da fronteira do IDE medindo-se energia e variáveis relevantes; a fronteira do SGE; o uso significativo de energia (USE) ou grupos de USE que a organização designar como prioridade para controle e melhoria; e os equipamentos, processos e subprocessos específicos que a organização quiser isolar e gerenciar. Os três níveis primários da fronteira do IDE são: individual, sistema e organizacional, conforme descrito na Tabela 1.

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Uma vez que uma fronteira do IDE for definida, convém que a organização identifique o fluxo de energia através da fronteira. A organização pode utilizar um diagrama como aquele apresentado na Figura 4 para determinar a informação sobre energia necessária para estabelecer o IDE. Estes diagramas fence ou mapas de energia mostram visualmente o fluxo de energia dentro e através da fronteira do IDE.

Eles podem também incluir informações adicionais, como pontos de medição e fluxos de produtos, os quais são importantes para a análise energética e o estabelecimento de IDE. Convém que a organização meça o fluxo de energia dentro da fronteira do IDE, as alterações nos níveis do estoque de combustíveis e a quantidade de qualquer energia armazenada.

O IDE e a LBE para USE requerem fronteiras bem definidas para a quantificação dos fluxos de energia. Uma importante consideração para cada USE é a medição apropriada para medir o consumo de energia que atravessa a fronteira do USE, assim como a disponibilidade de dados sobre variáveis relevantes.

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De acordo com a necessidade da organização e seu SGE, convém que as variáveis relevantes que podem impactar o desempenho energético sejam definidas e quantificadas em cada fronteira de IDE. É importante isolar aquelas variáveis que são significantes em termos de desempenho energético daquelas variáveis que possuem pequena ou nenhuma influência.

A análise de dados é normalmente necessária para determinar a significância de variáveis relevantes. Algumas variáveis são mais relevantes para o consumo de energia que outras.

Por exemplo, quando o uso de energia por unidade de produção estiver sendo medido, a contagem do número de produtos finais pode fornecer um resultado errôneo se houver produção de saídas intermediárias e se estas saídas intermediárias forem desperdícios, valor agregado ou reciclados. Uma vez que variáveis relevantes tenham sido isoladas, técnicas de modelagem adicionais podem ser usadas para determinar a natureza precisa da relação.

Enfim, um sistema de gestão de energia auxilia as indústrias a otimizar o uso de energia sistematicamente, economicamente e ecologicamente. A gestão de energia ajuda a melhorar a eficiência energética de processos, equipamentos e dispositivos, além de reduzir os custos, o consumo de energia e as emissões de CO2, entre outras vantagens.

Além disso, permite a redução custos com energia e vida útil de equipamentos; a redução da emissão de gases de efeito estufa; uma política para o uso mais eficiente de energia envolvendo até a alta administração; a integração com sistemas de gestão existentes; metas para redução; rateio de custos setorizados e transparência dos consumos de energia por departamentos; e a melhoria contínua do perfil de uso da energia.

Não se deve cansar de economizar energia, já que a norma ISO 50001 foi um ganha ganha para a Bridgestone

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Até o final de 2012, os sistemas de gestão de energia de mais de 1.000 organizações em 50 países foram certificados com a norma ISO 50001 em apenas 18 meses após a sua publicação. Muitos são grandes empresas globais que buscam alcançar a melhoria contínua no desempenho energético, incluindo uma maior eficiência energética e uso reduzido de energia e consumo.

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Sede da Bridgestone Américas e Centro de Suporte, em Nashville, Tennessee, EUA

Uma das últimas empresas a obterem a certificação ISO 50001 foi a Bridgestone Americas Tire Operations (BATO), uma fábrica instalada em Wilson County, Carolina do Norte, EUA. A BATO faz parte da Bridgestone Corporation, que se tornou produtor mundial de pneus, com a aquisição da Firestone Tire & Rubber Company em 1988. A Bridgestone também exige que todas as suas instalações de fabricação devem obter a certificação ISO 14001 de gestão ambiental, e até agora 52 sites americanos já obtiveram.

A situação ganha ganha

“Nossa empresa tem o foco na redução do uso de recursos naturais e vem instituindo práticas de produção sustentável, de modo que conquistar essa certificação foi uma grande honra, e eu estou feliz em dizer que isso também foi um ótimo negócio para a nossa fábrica”, explica Gary Williamson, gerente da BATO. “A poupança de energia não é apenas boa para o meio ambiente, mas também é boa para todos, de modo que essa é verdadeiramente uma situação ganha ganha”.

Na fábrica de Wilson County podem ser citadas vários projetos recentes de economia de energia que ajudaram a contribuir para a certificação ISO 50001, incluindo mudar a fonte primária de combustível para gás natural em suas caldeiras, desligamento do equipamento quando não estiver em operação, reparar imediatamente quando houver vazamentos de vapor e de ar, isolamento de tubulação e execução de projetos de otimização de iluminação.

A Revista ISO Focus + perguntou a Letha Barnes, uma engenheira elétrica da Bridgestone e gerente de projeto da implementação e certificação ISO 50001 e desempenho energético, para comentar sobre o processo e os benefícios para a empresa de todo esse projeto.

ISO Foco +: Qual foi o seu envolvimento no processo de implementação/certificação?

Letha Barnes: Com a ajuda dos meus colegas, eu era responsável pelo desenvolvimento da linha de base de energia, identificando as fontes de energia, modificando e criando novos procedimentos e formulários, coleta de dados de energia, comunicação de informações com a planta, criar a agenda para a certificação e implementação de outros requisitos da norma.

Foco ISO +: Após a certificação ISO 50001, como você acha que essa implementação vai mudar ou influenciar a abordagem da Bridgestone para a gestão de energia?

Letha Barnes: Acreditamos que a implementação da ISO 50001 vai trazer uma nova consciência para a conservação de energia e gestão. Poderá permitir identificar novas oportunidades para reduzir o consumo de energia para projetar e comprar mais produtos e serviço energeticamente eficientes, e assim cada funcionário da BATO poderá contribuir para a gestão de energia. A norma exige a identificação de operações que têm um impacto significativo sobre a energia. Comunicação e treinamento sobre como a nossa energia impacta os empregos e isso irá reiterar a influência que temos sobre a gestão de energia e mantê-la fresca em nossas mentes.

ISO Foco +: Qual é o escopo da certificação – ele se estende para além da Bridgestone Américas?

Letha Barnes: O escopo de nossa certificação inclui toda a fábrica de Wilson County. Nós também comunicamos aos nossos fornecedores que as compras serão avaliadas por seu desempenho energético. Enquanto não há uma política para implementar sistemas de gestão de energia por toda a empresa, não há necessariamente uma diretiva que a ISO 50001 deve ser obtida em todas unidades.

Foco ISO +: Você achou o processo de implementação simples, e acha que poderá integrá-lo com os outros sistemas de gestão baseados nas normas ISO, como a ISO 9001 e ISO 14001?

Letha Barnes: Uma vez que entendemos os requisitos da norma, a implementação foi simples. Nós sentimos que poderíamos cumprir a norma. Nossa certificação ISO 14001 antes definitivamente ajudou com a implementação. Nós fomos capazes de modificar a documentação existente e as práticas para a ISO 50001.

ISO Foco +: Você precisou adaptar quaisquer requisitos da norma ou a sua interpretação foi feita de acordo com as práticas operacionais e políticas da Bridgestone?

Letha Barnes: A BATO está em operação há mais de 38 anos e ainda temos um pouco das coisas da planta original. Tínhamos de avaliar as nossas capacidades de medição para garantir que poderiam monitorar e medir nossas fontes de energia, conforme exigido pela norma. Para as áreas que tinham menos possibilidade de medição, fomos capazes de determinar o consumo de energia através de dados recolhidos.

Foco ISO +: O que as medidas de economia de energia e as iniciativas que você espera para colocar no lugar como resultado da certificação?

Letha Barnes: Estamos agora sendo mais pró-ativos em termos de se preocupar com a energia em projetos de engenharia e compras. Também estamos dando ênfase para a verificação dos equipamentos diariamente. Esperamos continuar com as auditorias de energia e projetos de redução de aplicação de energia. Desde a implementação da ISO 50001, os companheiros de equipe têm sidos mais conscientes de como eles podem afetar a energia, e mais pró-ativos com a apresentação de sugestões de redução de energia. Como exemplo, vamos instalar novos luminárias T5 (incluindo lâmpadas e lastros) com cerca de 217 W cada em comparação com as antigas luminárias de 465 W. Isso é uma economia de 248 W em um ano para uma luminária. Parte da atualização inclui mudar algumas lâmpadas T12 para lâmpadas T8. Até o final de 2012, devemos ter atualizado 1 600 luminárias. Estimamos economizar pelo menos 180 kW e 1 532 768 kWh em um ano. Nós também estamos planejando a modernização de um espaço adicional em 2013, e a meta para o ano é de atingir pelo menos a mesma quantidade de economia obtida em 2012.

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A equipe de implementação da norma ISO 50001. Da esquerda para a direita: Gwen Brinson, coordenadora de implementação; Charles Boswell, representante dos sistemas de gestão de energia; Letha Barnes, gerente de projetos; auditor da Dekra (empresa fornecedora); auditor da Dekra; e Gary Williamson, gerente da fábrica.

Fonte: ISO Focus + – March 2013

Tradução: Hayrton Rodrigues do Prado Filho

Suspensa a licença ambiental para a construção de uma termelétrica em Canas (SP)

Coleção de Normas de Resíduos da Construção Civil

A sustentabilidade na construção civil é um tema de extrema importância, já que esse setor causa um grande impacto ambiental ao longo de toda a sua cadeia produtiva. Isso inclui ocupação de terras, extração de matérias primas, produção e transporte de materiais, construção de edifícios e geração e disposição de resíduos sólidos. Em relação à quantidade de materiais, estima que em um metro quadrado de construção de um edifício são gastos em torno de uma tonelada de materiais, demandando grandes quantidades de cimento, areia, brita, etc.

Como eu nasci na região, essa notícia me interessou bastante. A Defensoria Pública de SP em Taubaté e o Ministério Público do Estado obtiveram uma liminar na última sexta-feira (30/3) que suspende a licença ambiental emitida pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) para a construção de uma termelétrica na cidade de Canas, interior paulista. A decisão é da 1ª Vara Cível de Lorena e foi proferida após uma ação civil pública proposta em conjunto pelas duas instituições. De acordo com a ação, a termelétrica lançaria grande quantidade de gases poluentes na atmosfera, em uma região já comprometida com outras relevantes fontes poluidoras. As cadeias montanhosas da região da Serra da Mantiqueira, ainda, geram dificuldades de dispersão atmosférica dos poluentes. A ação foi proposta pelos defensores Wagner Giron de La Torre e Thais de Assis Guimarães F. Aiello e pela Promotora de Justiça Renata Bertoni Vita. Segundo eles, não foram realizadas todas as audiências públicas exigidas pela legislação nas cidades afetadas pela construção da termelétrica. “Para assegurar o princípio democrático ou da participação, após a publicidade dos estudos constantes do Estudo de Impacto Ambiental EIA), devem ser realizadas audiências públicas para que a população afetada pelo empreendimento possa manifestar-se. Apesar de o empreendimento ser de grande porte, com previsão de causar grave impacto ambiental na região em que está prevista sua instalação, apenas foram realizadas audiências públicas nos municípios de Canas e Lorena. Não foi realizada audiência pública, por exemplo, no município de Cachoeira Paulista, que se localiza na área de influência direta do empreendimento”, afirmam.

A ação aponta, ainda, que o EIA apresentado “não considerou a natural dificuldade do Vale do Paraíba para a dispersão de poluentes atmosféricos devido a suas características topográficas e meteorológicas, não analisando adequadamente o efeito da existência de duas grandes cadeias de montanhas que encarceram a região e aprofundam a apontada dificuldade na dispersão atmosférica”. Os autores argumentam também que, pelo fato de o município de Canas não possuir um Plano Diretor, não há mecanismos hábeis para se realizar um Estudo de Impacto de Vizinhança, que deveria apontar impactos sociais decorrentes da obra. Em sua decisão liminar, o juiz Paulo Rogério Santos Pinheiro suspendeu os efeitos da licença ambiental prévia emitida pela Cetesb. “Os relatórios técnicos (…) evidenciam que os estudos prévios de impacto ambiental apresentados (…) não possuem o necessário detalhamento, o que impede a análise segura acerca da viabilidade ambiental do empreendimento”. Ele aponta que “os estudos de dispersão atmosférica” apresentados “consideram dados extraídos de outras cidades distantes do município em que se instalará a usina e que possuem características meteorológicas completamente distintas”. “O risco de dano potencial é manifesto, uma vez que, caso o empreendimento seja efetivamente implantado e, de fato, provoque graves impactos ambientais, os prejuízos ao meio ambiente serão enormes e irreparáveis”, afirmou.

No julgamento do processo nº 1173, da 1ª Vara da Comarca de Lorena, o juiz Paulo Rogêrio Santos Pinheiro escreveu o seguinte despacho: “Vistos. Trata-se de ação civil pública visando obstar os efeitos da licença ambiental prévia emitida pela CETESB, em processo de licenciamento de empreendimento de geração energia elétrica, consistente em urna usina termelétrica movida a gás natural. Em síntese, os autores argumentam que o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/RIMA) contêm falhas que impedem a análise sobre a viabilidade ambiental do projeto. Passo a apreciar o pedido de tutela antecipada. Em cognição sumária. os documentos colacionados à inicial evidenciam a plausibilidade do direito alegado na inicial. Os relatórios técnicos que acompanharam a inicial ás fis. 1.207/1.259 evidenciam que os estudos prévios de impacto ambiental apresentados pela AES TIETÊ não possuem o necessário detalhamento. o que impede a análise segura acerca da viabilidade ambiental do empreendimento. Com efeito, é plausível a afirmação de que o empreendimento provocará o lançamento de grande quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera, uma vez que se trata de uma usina termoelétrica (lis. 143). Ocorre que. segundo apontado pelos autores, o estudo de dispersão atmosférica não considerou a situação topográfica e meteorológica do Vale do Paraíba. Não se analisou a existência de grandes cadeias de montanhas na regido (Serra da Mantiqueira), o que reforça a dificuldade na dispersão atmosférica. Da mesma forma, não foram considerados fenômenos meteorológicos comuns na região e que parecem capazes de impedir a dispersão de poluentes, quais sejam. as calmarias atmosféricas e as inversões térmicas. Os estudos de dispersão atmosférica consideraram dados extraídos de outras cidades distantes do município em que se instalará a usina c que possuem características meteorológicas completamente distintas. O risco de dano potencial é manifesto, uma vez que, caso o empreendimento seja efetivamente implantado e, de fato. provoque graves impactos ambientais. os prejuízos ao meio ambiente serão enormes e irreparáveis. Diante do exposto, presentes fumus boni juris e periculum in mora, defiro a liminar para suspender os efeitos da licença ambiental prévia emitida pela CETESB de n° 2047. de 20/10/lI, sob pena de multa diária de R$ 10.000,00. em caso de descumprimento. Notifiquem-se os requeridos. com urgência No mais, citem-se, na forma da Lei. Ciência ao Ministério Público. Int. Lorena. 30 de março de 2012.”

Quais os impactos das usinas termelétricas?

termocarvaoNormalmente, essa é um tipo de instalação industrial usada para geração de energia elétrica a partir da energia liberada em forma de calor, normalmente por meio da combustão de algum tipo de combustível renovável ou não. Geralmente, é usado algum tipo de combustível fóssil como petróleo, gás natural ou carvão para ser queimado na camara de combustão. O vapor movimenta as pás de uma turbina, cada turbina é conectada a um gerador que gera eletrecidade. Como vários tipos de geração de energia, a termeletricidade também causa impactos ambientais. Contribuem para o aquecimento global através do efeito estufa e da chuva ácida. A queima de gás natural lança na atmosfera grandes quantidades de poluentes, além de ser um combustível fóssil que não se recupera. O Brasil lança por ano 4,5 milhões de toneladas de carbono na atmosfera, com o incremento na construção de usinas termelétricas esse indicador chegará a 16 milhões.

As termelétricas apresentam um alto custo de operação, em virtude do dinheiro utilizado na compra de combustíveis. Em geral, o funcionamento das centrais termelétricas é semelhante, independentemente do combustível utilizado. Ele é armazenado em parques ou depósitos adjacentes, de onde é enviado para a usina, onde será queimado na caldeira. Esta gera vapor a partir da água que circula por uma extensa rede de tubos que revestem suas paredes. A função do vapor é movimentar as pás de uma turbina, cujo rotor gira juntamente com o eixo de um gerador que produz a energia elétrica. Essa energia é transportada por linhas de alta tensão aos centros de consumo. O vapor é resfriado em um condensador e convertido outra vez em água, que volta aos tubos da caldeira, dando início a um novo ciclo. A água em circulação que esfria o condensador expulsa o calor extraído da atmosfera pelas torres de refrigeração, grandes estruturas que identificam essas centrais. Parte do calor extraído passa para um rio próximo ou para o mar. Para minimizar os efeitos contaminantes da combustão sobre as redondezas, a central dispõe de uma chaminé de grande altura (algumas chegam a 300 m) e de alguns precipitadores que retêm as cinzas e outros resíduos voláteis da combustão. As cinzas são recuperadas para aproveitamento em processos de metalurgia e no campo da construção, onde são misturadas com o cimento.

Como o calor produzido é intenso, devido as altas correntes geradas, é importante o resfriamento dos geradores. O hidrogênio é melhor veículo de resfriamento que o ar; como tem apenas um quatorze avos da densidade deste, requer menos energia para circular. Recentemente, foi adotado o método de resfriamento líquido, por meio de óleo ou água. Os líquidos nesse processamento são muito superiores aos gases, e a água é 50 vezes melhor que o ar. A potência mecânica obtida pela passagem do vapor através da turbina – fazendo com que esta gire – e no gerador – que também gira acoplado mecanicamente à turbina – é que transforma a potência mecânica em potência elétrica. A energia assim gerada é levada através de cabos ou barras condutoras, dos terminais do gerador até o transformador elevador, onde tem sua tensão elevada para adequada condução, através de linhas de transmissão, até os centros de consumo. Através de transformadores abaixadores, a energia tem sua tensão levada a níveis adequados para utilização pelos consumidores. Existe, ainda que em fase de pesquisa, outro tipo de geração de termelétricas que procura melhorar o rendimento na combustão do carvão e diminuir o impacto sobre o meio ambiente: são as centrais de combustão de leito fluidificado. Nessas centrais, queima-se carvão sobre um leito de partículas inertes (por exemplo, de pedra calcária), através do qual se faz circular uma corrente de ar que melhora a combustão. Uma central nuclear também pode ser considerada uma central termelétrica, onde o combustível é um material radioativo que, em sua fissão, gera a energia necessária para seu funcionamento.

A sua principal vantagem é que elas podem ser construídas onde são mais necessárias, economizando assim o custo das linhas de transmissão. E essas usinas podem ser encontradas na Europa e em alguns estados do Brasil. O gás natural pode ser usado como matéria prima para gerar calor, eletricidade e força motriz, nas indústrias siderúrgica, química, petroquímica e de fertilizantes, com a vantagem de ser menos poluente que os combustíveis derivados do petróleo e o carvão. Entretanto, o alto preço do combustível é um fator desfavorável. Dependendo do combustível, há os impactos ambientais, como poluição do ar, aquecimento das águas, o impacto da construção de estradas para levar o combustível até a usina, etc. As usinas térmicas não são propriamente eficientes: sua produção global é cerca de 38%, isto é, apenas aproximadamente 38% da energia térmica colocada na usina pelo combustível torna-se aproveitável como energia elétrica.

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Hiroshima, Nagasaki, tsunami, Fukushima e Ishikawa

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B.V.Dagnino

O Japão, recuperado das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki (que alguns historiadores consideram ter sido completamente desnecessárias) depois da 2ª. Guerra Mundial, vive novo pesadelo nuclear: a central de Fukushima com seus cinco reatores, depois de atingidas pelo terremoto no nível 9 na escala Richter e pelo tsunami que se seguiu, são objeto de preocupação. A tragédia japonesa poderia ou não ser evitada? Só se retirássemos toda a população nipônica definitivamente da falha geológica onde está o país, o que teria que ser feito também com San Francisco na Califórnia, a Nova Zelândia e com todas as cidades do chamado Cinturão de Fogo no Oceano Pacífico.

Será que mestre Ishikawa (e seus 5 ou 6 Ms) poderia nos ajudar mais uma vez para minorar (ou mitigar, como dizem os ambientalistas) as conseqüências do desastre natural? Comecemos pelo M de Management. Ao que consta de notícias de jornais, a operadora Tokyo Electric Company (TEPCO) escondeu das autoridades japonesas diversos incidentes que deveriam ter sido reportados. Mau sinal: onde estão os princípios éticos da governança da empresa, que nem sequer cumpre os preceitos legais? Gestão do conhecimento também passou ao largo, pois o histórico de operação desta e de outras centrais aconselhavam redobrar uma série de medidas de segurança. Isso também ocorreu do lado do órgão fiscalizador, pois a prorrogação da licença de operação de uma central com 40 anos não considerou os últimos avanços da tecnologia nuclear

Passando ao M de Métodos, ao que tudo indica o processo de projeto não considerou um terremoto escala 9, mas apenas 7, o que não é aceitável face à localização da central. Já a intensidade do tsunami, que tornou os geradores diesel de emergência inoperantes, foi realmente imprevisível. Por outro lado, o fato de as tomadas de energia elétrica de geradores móveis não serem compatíveis com as da central evidencia mais um descuido de projeto. Essa foi uma das razões que tornaram difícil o resfriamento do núcleo dos reatores. Ponto para o M da Mão de obra. O empenho do pessoal das usinas, arriscando-se e sendo efetivamente atingido por radiação em nível acima do permitido, tem sido elogiado com destaque. Não foi publicado nenhum detalhe sobre o treinamento e a qualificação e certificação dos técnicos de operação e manutenção, que se supõe adequados. O M de Máquinas/ equipamentos requereria um aprofundamento técnico acima do possível de se condensar em poucas linhas. Os reatores a água fervente (BWR) projetados pela GE, deve-se supor, consideraram todos os requisitos de segurança aplicáveis, tais como redundância de sistemas, vaso de contenção etc.

E o Brasil? Com 11 anos vividos na área nuclear e tendo avaliado faz poucos anos a gestão de Angra 1, tenho plena confiança nas duas usinas, Angra I e Angra 2 da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto. A prioridade que é dada à segurança é impressionante. O papel fiscalizador da CNEN, o intercâmbio contínuo de experiências entre os países que operam usinas nucleares através do WANO – World Association of Nuclear Operators, o suporte técnico propiciado pela IAEA – International Atomic Energy Agency e pelo INPO – Institute of Nuclear Power Operators inclui auditorias cruzadas, quando profissionais brasileiros avaliam centrais de outros países e especialistas estrangeiros de larga experiência inspecionam nossas usinas.

B.V.Dagnino é membro Fundador da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ), fellow, membro fundador e Chartered Quality Professional (CQI, Londres), fellow American Society for Quality (ASQ) e diretor técnico da Qualifactory Consultoria.

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Os riscos da radioatividade

NBR NM 323: os requisitos para um sistema de análise de perigos e pontos críticos de controle (APPCC)
O Sistema APPCC, tal como se aplica na elaboração de alimentos, é um sistema pró-ativo de gestão da segurança dos alimentos que implica controlar pontos críticos de controle em sua manipulação, para reduzir o risco de desvios que poderiam afetar a dita inocuidade. Este sistema pode ser usado em todos os níveis de manipulação de alimentos, e é um elemento importante de gestão global da qualidade.

usinaDepois do tsunami no Japão, a notícia que mais abalou o mundo foi o acidente nuclear de Fukushima, em março de 2011, na costa japonesa, que contaminou água, peixes e organismos microscópicos até 600 quilômetros mar adentro em três meses. Recentemente, um vazamento de água radioativa registrado em um circuito de resfriamento da central nuclear de Penly, na região oeste da França, foi contido e foi descartado qualque impacto negativo para o meio ambiente. De acordo com a Electricité de France (EDF), o retorno à normalidade no circuito de resfriamento permitiu suspender o plano de mobilização dos funcionários. A empresa diz que a água radioativa foi “recolhida em depósitos previstos para tal efeito, sem nenhuma consequência para o meio ambiente”. O incidente aconteceu depois de dois princípios de incêndio no edifício do reator, controlados no início da tarde de quinta-feira pelos bombeiros, depois da ativação do alarme que provocou a paralisação automática de um dos reatores. Mas, afinal, quais os riscos da radioatividade? Segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), o esquecimento de uma rocha de urânio sobre um filme fotográfico virgem levou à descoberta de um fenômeno interessante: o filme foi velado (marcado) por “alguma coisa” que saía da rocha, na época denominada raios ou radiações. Outros elementos pesados, com massas próximas à do urânio, como o rádio e o polônio, também tinham a mesma propriedade. O fenômeno foi denominado radioatividade e os elementos que apresentavam essa propriedade foram chamados de elementos radioativos.

Comprovou-se que um núcleo muito energético, por ter excesso de partículas ou de carga, tende a estabilizar-se, emitindo algumas partículas. Um dos processos de estabilização de um núcleo com excesso de energia é o da emissão de um grupo de partículas positivas, constituídas por dois prótons e dois nêutrons, e da energia a elas associada. São as radiações alfa ou partículas alfa, núcleos de hélio (He), um gás chamado “nobre” por não reagir quimicamente com os demais elementos.Outra forma de estabilização, quando existe no núcleo um excesso de nêutrons em relação a prótons, é através da emissão de uma partícula negativa, um elétron, resultante da conversão de um nêutron em um próton. É a partícula beta negativa ou, simplesmente, partícula beta.

No caso de existir excesso de cargas positivas (prótons), é emitida uma partícula beta positiva, chamada pósitron, resultante da conversão de um próton em um nêutron. Portanto, a radiação beta é constituída de partículas emitidas por um núcleo, quando da transformação de nêutrons em prótons (partículas beta) ou de prótons em nêutrons (pósitrons).Geralmente, após a emissão de uma partícula alfa ou beta, o núcleo resultante desse processo, ainda com excesso de energia, procura estabilizar-se, emitindo esse excesso em forma de onda eletromagnética, da mesma natureza da luz, denominada radiação gama.

Dessa forma, as radiações nucleares podem ser de dois tipos: partículas, possuindo massa, carga elétrica e velocidade, esta dependente do valor de sua energia; e ondas eletromagnéticas, que não possuem massa e se propagam com a velocidade de 300.000 km/s, para qualquer valor de sua energia. São da mesma natureza da luz e das ondas de transmissão de rádio e TV. A identificação desses tipos de radiação foi feita utilizando-se uma porção de material radioativo, com o feixe de radiações passando por entre duas placas polarizadas com um forte campo elétrico.assim, Os núcleos instáveis de uma mesma espécie (mesmo elemento químico) e de massas diferentes, denominados radioisótopos, não realizam todas as mudanças ao mesmo tempo.

As emissões de radiação são feitas de modo imprevisto e não se pode adivinhar o momento em que um determinado núcleo irá emitir radiação. Entretanto, para a grande quantidade de átomos existente em uma amostra é razoável esperar-se um certo número de emissões ou transformações em cada segundo. Essa “taxa” de transformações é denominada atividade da amostra. A atividade de uma amostra com átomos radioativos (ou fonte radioativa) é medida em: Bq (Becquerel) = uma desintegração por segundo; e Ci (Curie) = 3,7 x 1010 Bq.

Na verdade, um núcleo com excesso de energia tende a estabilizar-se, emitindo partículas alfa ou beta. Em cada emissão de uma dessas partículas, há uma variação do número de prótons no núcleo, isto é, o elemento se transforma ou se transmuta em outro, de comportamento químico diferente. Essa transmutação também é conhecida como desintegração radioativa, designação não muito adequada, porque dá a idéia de desagregação total do átomo e não apenas da perda de sua integridade. Um termo mais apropriado é decaimento radioativo, que sugere a diminuição gradual de massa e atividade.Cada elemento radioativo, seja natural ou obtido artificialmente, se transmuta (se desintegra ou decai) a uma velocidade que lhe é característica. Para se acompanhar a duração (ou a “vida”) de um elemento radioativo foi preciso estabelecer uma forma de comparação. Por exemplo, quanto tempo leva para um elemento radioativo ter sua atividade reduzida à metade da atividade inicial ? Esse tempo foi denominado meia-vida do elemento.

Meia-vida, portanto, é o tempo necessário para a atividade de um elemento radioativo ser reduzida à metade da atividade inicial. Isso significa que, para cada meia-vida que passa, a atividade vai sendo reduzida à metade da anterior, até atingir um valor insignificante, que não permite mais distinguir suas radiações das do meio ambiente. Dependendo do valor inicial, em muitas fontes radioativas utilizadas em laboratórios de análise e pesquisa, após dez meias-vidas, atinge-se esse nível. Entretanto, não se pode confiar totalmente nessa “receita” e sim numa medida com um detector apropriado, pois, nas fontes usadas na indústria e na medicina, mesmo após dez meias-vidas, a atividade da fonte ainda é geralmente muito alta.

Na natureza existem elementos radioativos que realizam transmutações ou “desintegrações” sucessivas, até que o núcleo atinja uma configuração estável. Isso significa que, após um decaimento radioativo, o núcleo não possui, ainda, uma organização interna estável e, assim, ele executa outra transmutação para melhorá-la e, ainda não conseguindo, prossegue, até atingir a configuração de equilíbrio. Em cada decaimento, os núcleos emitem radiações dos tipos alfa, beta e/ou gama e cada um deles é mais “organizado” que o núcleo anterior. Essas seqüências de núcleos são denominadas séries radioativas ou famílias radioativas naturais. No estudo da radioatividade, constatou-se que existem apenas três séries ou famílias radioativas naturais, conhecidas como do urânio, do actínio e do Tório. A do actínio, na realidade, inicia-se com o urânio-235 e tem esse nome, porque se pensava que ela começava pelo actínio-227. As três séries naturais terminam em isótopos estáveis do chumbo, respectivamente, chumbo-206, chumbo-207 e chumbo-208. Os principais elementos das séries acima mencionadas são apresentados no quadro abaixo.

Alguns elementos radioativos têm meia-vida muito longa, como, por exemplo, os elementos iniciais de cada série radioativa natural (urânio-235, urânio-238 e tório-232). Dessa forma, é possível explicar, porque há uma porcentagem tão baixa de urânio-235 em relação à de urânio-238. Como a meia-vida do urânio-235 é de 713 milhões de anos e a do urânio-238 é de 4,5 bilhões de anos, o urânio-235 decai muito mais rapidamente e, portanto, é muito mais “consumido” que o urânio-238. Com o desenvolvimento de reatores nucleares e máquinas aceleradoras de partículas, muitos radioisótopos puderam ser “fabricados” (produzidos), utilizando-se isótopos estáveis como matéria prima. Com isso, surgiram as séries radioativas artificiais, algumas de curta duração.

Em consequência, os materiais radioativos produzidos em instalações nucleares (reatores nucleares, usinas de beneficiamento de urânio e tório, unidades do ciclo do combustível nuclear), laboratórios e hospitais, nas formas sólida, líquida ou gasosa, que não têm utilidade, não podem ser simplesmente “jogados fora” ou “no lixo”, por causa das radiações que emitem. Esses materiais, que não são utilizados em virtude dos riscos que apresentam, são chamados de rejeitos radioativos. Na realidade, a expressão “lixo atômico” é um pleonasmo, porque qualquer lixo é formado por átomos e, portanto, é atômico. Ele passa a ter essa denominação popular, quando é radioativo.Os rejeitos radioativos precisam ser tratados, antes de serem liberados para o meio ambiente, se for o caso. Eles podem ser liberados quando o nível de radiação é igual ao do meio ambiente e quando não apresentam toxidez química. Os rejeitos sólidos, líquidos ou gasosos podem ser, ainda, classificados, quanto à atividade, em rejeitos de baixa, média e alta atividade.

Os de meia-vida curta são armazenados em locais apropriados (preparados), até sua atividade atingir um valor semelhante ao do meio ambiente, podendo, então, ser liberados. Esse critério de liberação leva em conta somente atividade do rejeito. É evidente que materiais de atividade ao nível ambiental mas que apresentam toxidez química para o ser humano ou que são prejudiciais ao ecossistema não podem ser liberados sem um tratamento químico adequado. Os sólidos de baixa atividade, como partes de maquinária contaminadas, luvas usadas, sapatilhas e aventais contaminados, são colocados em sacos plásticos e guardados em tambores ou caixas de aço, após classificação e respectiva identificação. Os produtos de fissão, resultantes do combustível nos reatores nucleares, sofrem tratamento especial em usinas de reprocessamento, onde são separados e comercializados, para uso nas diversas áreas de aplicação de radioisótopos. Os materiais radioativos restantes, que não têm justificativa técnica e/ou econômica para serem utilizados, sofrem tratamento químico especial e são vitrificados, guardados em sistemas de contenção e armazenados em depósitos de rejeitos Radioativos. Deve ser esclarecido a diferença entre contaminação radioativa e irradiação. Uma contaminação, radioativa ou não, caracteriza-se pela presença indesejável de um material em determinado local, onde não deveria estar.

Assim, a irradiação é a exposição de um objeto ou um corpo à radiação, o que pode ocorrer a alguma distância, sem necessidade de um contato íntimo. Irradiar, portanto, não significa contaminar. Contaminar com material radioativo, no entanto, implica em irradiar o local, onde esse material estiver. Por outro lado, a descontaminação consiste em retirar o contaminante (material indesejável) da região onde se localizou. A partir do momento da remoção do contaminante, não há mais irradiação. A irradiação por fontes de césio-137, cobalto-60 e similares não torna os objetos ou o corpo humano radioativos.

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Lixo nuclear: um problema de difícil e complexa solução

Depois do terremoto no Japão, a sociedade mundial voltou a discutir as usinas nucleares e um dos problemas se relaciona com o lixo nuclear. Ele é produzido em todos os estágios do ciclo do combustível nuclear- desde a mineração do urânio até o reprocessamento de combustível nuclear irradiado. Grande parte desse lixo permanecerá perigoso por milhares de anos, deixando uma herança mortal para as futuras gerações. Durante o funcionamento de um reator nuclear são criados isótopos radioativos extremamente perigosos – como césio, estrôncio, iodo, criptônio e plutônio. O plutônio é particularmente perigoso, já que pode ser usado em armas nucleares se for separado do combustível nuclear irradiado por meio de um tratamento químico chamado reprocessamento.

Como parte da operação de rotina de toda usina nuclear, alguns materiais residuais são despejados diretamente no meio ambiente. Resíduo líquido é descarregado (como “água de resfriamento de turbina”) no mar ou em rio próximo à usina; resíduos gasosos vão para a atmosfera. Há três categorias de lixo atômico: resíduo de alto nível (HLW, de high level waste); resíduo de nível intermediário (ILW, intermediate level waste); e resíduo de baixo nível (LLW, de low level waste). O HLW consiste principalmente de combustível irradiado proveniente dos núcleos de reatores nucleares (embora a indústria nuclear não o considere como “lixo”) e de resíduos líquidos de alta atividade produzidos durante o reprocessamento. A remoção de plutônio pelo reprocessamento resulta num imenso volume de resíduo líquido radioativo. Parte desse mortal resíduo de reprocessamento, armazenado em grandes tanques, é misturado com material vítreo quente e solidificado.

Os blocos de vidro resultantes também são classificados como HLW. Ainda que o processo de vitrificação possa tornar mais fácil o transporte e o armazenamento do lixo atômico, de forma alguma diminui o terrível risco para as pessoas e o ambiente durante o milênio que virá. De maneira geral, o HLW é mil vezes mais radioativo que o ILW.

O ILW consiste principalmente de “latas” de combustível metálicas que originalmente continham urânio combustível para usinas nucleares, peças de metal do reator e resíduos químicos. Têm de ser blindado para proteger operários e outras pessoas contra a exposição durante o transporte e a destinação final. Normalmente, ele é estocado no local em que é produzido. O ILW, de maneira geral, é mil vezes mais radioativo que o LLW. O LLW pode ser definido como o resíduo que não requer blindagem durante o manuseio normal e o transporte. O LLW consiste principalmente de itens como roupas de proteção e equipamentos de laboratório que possam ter entrado em contato com material radioativo.

O consultor ambiental Mauricio Waldman (mw@mw.pro.br) explica que ainda em estado de choque, a opinião pública mundial assiste ao pesadelo em câmara lenta dos reatores nucleares de Fukushima. Tal como uma hemorragia que resiste a todo e qualquer tratamento, a usina nuclear continua a emitir pródigas quantidades de radiação, cujos efeitos em longo prazo estão distantes de serem mapeados e devidamente avaliados. Afinal, a gangrena radioativa continua, sem previsão de final feliz. “Fato óbvio, o acidente japonês traz a lembrança os dramáticos eventos da explosão do reator de Chernobyl (1986) e porque não, reacende as polêmicas relacionadas com a utilização da energia nuclear. Na ocasião, a fusão do reator ucraniano matou entre 7 e 10 mil pessoas, fez 500 mil vítimas potenciais, afetou em menor grau nove milhões de pessoas e forçou a evacuação de 400.000 cidadãos. Até hoje, fatia considerável dos orçamentos dos países atingidos é destinada para remediar os problemas gerados pelo acidente. Nesta ordem de considerações, é importante ressalvar que apesar de acontecerem, sinistros envolvendo usinas atômicas são sempre apresentados como estatisticamente improváveis. Ademais, esses equipamentos contam com palavras apaziguadoras de profissionais que assumem o papel de relações públicas a serviço da continuidade do nuclear”, explica.

Para demonstrar isso, o consultor cita como exemplo as ponderações dos responsáveis pela Usina de Chernobyl:

“Mesmo que acontecesse o impossível, os sistemas de controle automático e de segurança desligariam o reator em questão de segurança. A usina tem sistemas para refrigeração do núcleo, além de diversos outros dispositivos tecnológicos de segurança” (Nicolai Fomin, engenheiro-chefe de Chernobyl, 1985).

“As chances de fusão de um núcleo são de uma a cada 10.000 anos. As usinas são dotadas de controles seguros e confiáveis, e estão protegidas de qualquer colapso por três sistemas de segurança diferentes e independentes” (Vitali Skiyerov, ministro de energia ucraniano, 1985).

“Esse medo das centrais nucleares não tem fundamento. Eu trabalho de avental branco. O ar lá dentro é puro e limpo, porque é cuidadosamente filtrado” (Boris Chernov, operador de turbina em Chernobyl, 1985).

“Portanto, em face do que tem acontecido, tudo leva o cidadão comum a no mínimo por em dúvida a palavra dos especialistas, uma descrença que seria maior ainda caso a pauta dos noticiosos explorasse mais profundamente o que está em jogo. Efetivamente, os problemas não se resumem a incêndios de reatores, imagens de multidões em pânico ou outros incidentes cinematográficos. Silenciosamente, uma ameaça latente — sobre a qual a opinião pública é pouco ou nada informada — diz respeito à questão da geração, armazenamento e destinação do lixo nuclear”, acrescenta.

Waldman diz que é fato consumado que a operação de equipamentos nucleares gera rejeitos extremamente perigosos. Este é o caso do plutônio, elemento químico radioativo não encontrado na natureza. Subproduto do urânio – a matéria prima energética da atomoeletricidade – cada central nuclear gera em média entre duas e três toneladas de plutônio por ano, um material perigosíssimo devido sua índole destrutiva. “O plutônio – cujo nome deriva de Plutão, o Deus grego do Inferno – é uma “sobra” virulentamente letal. Basta uma fração da ordem de um milionésimo de grama para por a perder a saúde das pessoas. Além dos efeitos drásticos no meio ambiente, a periculosidade deste elemento químico pode perdurar por milhares de anos, potencializando pulsões já notavelmente daninhas. O pior é saber que passando ao largo das controvérsias que cercam o nuclear, o segmento manteve taxas expressivas de expansão. Em parte, o crescimento se justifica por interesses bélicos. Como até hoje ninguém traçou a linha divisória que separa o chamado uso civil da utilização militar, não há como negar que a expansão da atomoeletricidade corre em paralelo com a probabilidade de eclodirem guerras nucleares, cujos efeitos, em si mesmos dantescos, provocariam impactos simplesmente sem precedentes”.

Assegura, ainda que, tendo este cenário por pano de fundo, a produção mundial de eletricidade de origem atômica mais do que triplicou entre 1980 e 1997, especialmente nos países ricos. As centrais nucleares – 439 em maio de 2008 – estão atualmente em operação em muitas nações, particularmente no hemisfério norte. No século XXI, a energia nuclear alcançou participação nunca vista na produção de energia, suprindo 16 % do consumo mundial.

“Disto resulta um acúmulo de centenas de toneladas de plutônio. Em 2007, apenas os EUA, maior produtor mundial de energia nuclear (30% do total), exibiam uma montanha de 50.000 toneladas métricas de plutônio. Mas onde colocar todo esse lixo? Há quem proponha lacrá-lo em cavernas artificiais construídas especialmente para este fim. Yucca Montain, controvertido projeto de armazenamento do lixo nuclear dos EUA em túneis escavados nas Montanhas Rochosas, acata tal premissa. Teoricamente segura, esta instalação recepcionaria todos os rejeitos radioativos dos EUA e inclusive de países estrangeiros, uma generosidade que o governo norte-americano advoga para que assim seja detida a expansão dos arsenais nucleares”.

O especialista aponta alguns problemas para isso, a começar pela logística de transporte. Para funcionar efetivamente como depósito de resíduos atômicos, transferir lixo radioativo das usinas até Yucca Mountain solicitaria mais de 15.000 carregamentos por caminhão e ferrovia, os quais atravessariam 43 estados durante um período de 30 anos. Configurando um autêntico Chernobyl móvel para 50 milhões de pessoas ao longo do trajeto, este detalhe foi o estopim de aceso inconformismo em muitos estados dos EUA, que resistem em permitir a passagem do lixo nuclear pelo seu território.

“Outro aspecto é o horizonte temporal. Devido à persistência da radiação, o horizonte de responsabilidade legal é avaliado entre 250.000 e 500.000 anos, um período de tempo equivalente a cem vezes o lapso entre a inauguração da pirâmide de Quéops e a leitura deste artigo. Isto significa ficar à mercê do imponderável, principalmente em função da imprevisibilidade dos desastres naturais, sem contar a maximização dos seus efeitos, vitaminados, por exemplo, pelas mudanças climáticas. Nessa perspectiva, a tremenda quantidade de lixo nuclear, aliada aos seus malefícios e consequências duradouras no ambiente, põe diretamente em cheque a hipótese de uma estocagem eficiente”.

Finalmente, o consultor conclui dizendo que não existem recipientes, nem sistemas de armazenamento cuja blindagem seja invulnerável na escala de milhares de anos. Do mesmo modo que um tsunami imprevisto atingiu Fukushima – isso é um fenômeno estatisticamente improvável – abalos sísmicos ainda mais devastadores não podem ser descartados em face do perfil geológico do território japonês. Para complicar, teríamos falhas humanas igualmente inéditas e destinação não-planejada dos resíduos, incidentes que ninguém está em condições de assegurar a respeito de sua improbabilidade.

“Fukushima mostra o quanto o discurso que candidamente batizou o nuclear como energia limpa – visto não gerar gás de efeito estufa – é largamente equivocado. Mostrou igualmente as limitações de um suspeito diálogo responsável que tem sido proposto para legitimar a expansão da atomoeletricidade. Nesse parecer, um fato óbvio se impõe: Não há diálogo possível com um anátema. Num país que como o Brasil, já assistiu acidente sério envolvendo a radioatividade (caso do Césio de Goiânia de 1987), podemos – e devemos – lançar  mão de  alternativas  mais aceitáveis. Algumas sugestões: energia solar, eólica e maremotora, as quais além de não produzirem  efeito estufa, também não emitem radioatividade. Isto sem esquecer os benefícios da conservação de energia e utilização responsável dos recursos naturais. Medidas mínimas cabíveis diante do espetáculo do inusitado”.

No caso do Brasil, o lixo atômico produzido pelas usinas Angra I e II, no Rio de Janeiro, é guardado em depósitos provisórios. Também existem depósitos provisórios em centros de pesquisa nuclear no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais – o único depósito permanente fica em Goiás. O grande problema está mesmo no lixo de alta radioatividade, como restos do combustível nuclear que move as usinas. De tão perigosas, essas pastilhas gastas de urânio vão sendo empilhadas em uma piscina de resfriamento ao lado do reator onde são usadas.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em seu estudo “Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2008 (IDS 2008)” descreve que apesar de produzir 13.775 metros cúbicos de resíduos radioativos, o Brasil ainda não tem, com exceção do depósito de Abadia de Goiás – que contém os rejeitos do acidente com césio-137, ocorrido em Goiânia, em 1987 -, depósitos finais para onde encaminhar esse material perigoso com segurança. Só para se ter uma idéia, ainda se estuda o local ideal para a construção do depósito definitivo para os rejeitos das usinas de Angra I e II, que começaram a operar, respectivamente, em 1982 e 2000. Os rejeitos radioativos brasileiros são depositados, temporariamente, no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo, no Instituto de Energia Nuclear (IEN), no Rio, e no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), em Minas Gerais, todos ligados à Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear). O estado campeão na produção destes rejeitos é São Paulo, responsável por 36% do material que vai para os depósitos da Cnen, seguido por Rio de Janeiro (19%) e Bahia (18%).

Livro de Maurício Waldman

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Quando se pensa em ações sustentáveis, prontamente nos remetemos para a questão ambiental. Isto porque nos dias de hoje, não há continente ou país isento de problemas ecológicos. Na raiz desta situação está a imprudência, o descaso e a falta de planejamento. Não constitui nenhum exagero ponderar que medidas de conservação da natureza poderiam ter evitado muitas das catástrofes vivenciadas pela sociedade contemporânea. Atualmente, não há quem duvide da necessidade urgente de solucionar esta questão. De modo sem precedentes, montanhas de rejeitos parecem se acumular por todos os lados, despertando indignação e indagações sobre como resolver este problema. Com um tema tão complexo e delicado pela frente, o ideal é buscar soluções viáveis e permanentes para a sociedade e para o planeta. Assim, dando continuidade para o debate de ações pedagógicas, sociais e ambientais, a Cortez Editora e o autor Maurício Waldman lançam o livro “Lixo: Cenários e Desafios”, publicação que coloca de modo transparente os principais aspectos de um tema de interesse para o conjunto da sociedade humana. Para comprar o livro, clique no link http://www.lojacortezeditora.com.br/catalogsearch/result/?q=LIXO%3A+cEN%C3%81RIOS+E+DESAFIOS&x=17&y=11

Normas comentadas

Confira quais as normas comentadas disponíveis. Elas oferecem mais facilidade para o entendimento e são muito mais fáceis de usar: http://www.target.com.br/portal_new/produtossolucoes/NBR/Comentadas.aspx

NBR 14039Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Possui 140 páginas de comentários

NBR 5410Instalações elétricas de baixa tensão – Comentada – para windows, versão 2004

NBR ISO 9001 – COMENTADASistemas de gestão da qualidade – Requisitos

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