Keiper: o Target GEDWEB faz parte dos processos de melhoria da empresa

Líder no mercado de reclináveis e trilhos de assentos automotivos, a Keiper desenvolve produtos exclusivos para as principais montadoras e autopeças no Brasil. A empresa utiliza em seus processos produtivos o Target GEDWEB como parte de sua qualidade e na melhoria contínua de seus produtos.

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Desde 1979 no Brasil, a Keiper iniciou suas atividades com a produção de reclináveis e, em 1982, fechou o primeiro contrato para o fornecimento desses produtos para a Volkswagen. Em 1985, as operações foram transferidas para Diadema (SP) e, após quatro anos, participou de um projeto da General Motors. Em 1994, a companhia inaugurou sua filial em Caçapava (SP) e no mesmo ano tornou-se pioneira na adoção da produção just in time (sistema produtivo que determina que nada deve ser produzido, transportado ou comprado antes da hora certa).

Em 1997, transferiu suas atividades para o bairro de Ipiranga, na cidade de São Paulo, e iniciou a produção dos reclináveis patenteados Taumel 2000®. Três anos depois, em 2000, a companhia passou a produzir, em caráter de exclusividade, os componentes para um projeto global da General Motors. Em 2001, desenvolveu e iniciou o fornecimento de estruturas para os bancos dos modelos Ford Fiesta e Ford EcoSport (Projeto Ford Amazon). No ano seguinte, a companhia iniciou a produção no Brasil de sistemas modulares de trilhos (KS) e de reclináveis Lever 2000® para o Ford Ranger.

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Os produtos são modulares, ou seja, de fácil instalação.

Em 2004, expandiu suas operações e inaugurou uma fábrica em São José dos Pinhais (PR) para a produção do Fox LAM e FOX Europa. No ano seguinte, a empresa foi selecionada para trabalhar em parceria com a Honda (FIT), Mitsubishi (L200) e Toyota (Corolla).

Em 2007, iniciou a produção de trilhos Power para a Fiat. Em 2009, a subsidiária brasileira celebrou 30 anos de atividades no país e inaugurou a fábrica em Mauá, que recebeu 12 das linhas de produção que até então estavam instaladas no Ipiranga.

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Fabio dos Santos: “a Keiper sempre buscou a melhoria contínua e o fornecimento de produtos com foco na qualidade”.

Segundo Fábio Melo dos Santos, técnico de engenharia, a empresa é líder no mercado de reclináveis e trilhos de assentos automotivos, sendo certificada na NBR ISO 14001:2004, NBR ISO/TS 16949:2002 e VDA 6.3. “Esses certificados comprovam a nossa busca pela melhoria contínua e fornecimento de produtos com foco na qualidade, competitividade e sustentabilidade no desenvolvimento e na produção de componentes para bancos automotivos, como trilhos, mecanismos reclináveis, módulos de complemento e estruturas metálicas dianteiras e traseiras”, explica.

Ele acrescenta que, para gerenciar os seus processos produtivos, todo o banco de dados era gerenciado pela matriz alemã, tanto para os desenhos 2 D ou 3 D como para as normas técnicas. “Para as normas NBR, a gente utilizava o Target Cewin que permitia, de uma maneira fácil e eficiente, a organização de normas técnicas brasileiras e do Mercosul. Como a Keiper deixou de fazer parte do grupo alemão, tivemos que criar os meios para fazer todo esse gerenciamento. Foi feita uma pesquisa de mercado na internet, sendo cotado com a Target e outra empresa, e as condições oferecidas pela Target foram as que melhor se adaptaram à Keiper. Ou seja, em relação ao serviço oferecido, ao investimento a ser feito, etc. e tudo isso levou à opção do Target GEDWEB”.

Atualmente, em média cerca de 50 usuários usam o sistema, coordenado pelo Fábio Santos. “Na verdade, a ferramenta é bem fácil de trabalhar e quase todas as dúvidas são solucionadas sem precisar do suporte da Target. Na maioria das vezes, sob a minha orientação, os problemas são resolvidos internamente. Além disso, a gente pode acessar o sistema com tablets e smartphones em qualquer lugar, bastando uma conexão à internet”.

Apesar da aparente e intencional simplicidade da interface do sistema, a complexidade e a criticidade das informações gerenciadas, como os documentos críticos externos, os documentos críticos internos e os documentos críticos complementares, tornam o sistema Target GEDWEB essencial para as empresas, gerenciando os riscos regulamentares (mitigando e até dirimindo), diminuindo custos operacionais, de produção, de controle de conformidades, etc. “Mesmo com toda a sua simplicidade de uso, em relação à padronização para as consultas às normas que são documentos muito importantes para o sistema produtivo da Keiper. Porém, o mais fundamental é que todos usam os documentos no mesmo nível de revisão e tudo estar concentrado em uma única ferramenta. A gente diz: o sistema é esse, o que estiver fora daqui é por conta e risco do usuário. Acho que esse é o grande benefício. Não existem normas nas gavetas. A atualização das normas nacionais e internacionais é online e instantânea. Mesmo as normas hospedadas pela Target são disponibilizadas no sistema. No nosso caso são as normas da Volkswagen”, observa Fabio.

A VDA 6.1 é uma norma desenvolvida pela indústria automotiva da Alemanha (VDA – Verband der Automobilindustrie e.V.) para certificação do sistema de gestão da qualidade dos fornecedores de montadoras como Volkswagen, Audi, BMW, Porsche, Mercedes-Benz e outros. A maior parte dos requisitos da VDA 6.1 é baseada na norma ISO 9001, porém organizados em elementos distribuídos em 2 partes: Gerenciamento e Produto/Processo. Estes elementos incorporam requisitos da ISO 9001, requisitos da ISO 9004 (diretrizes para melhoria de desempenho), requisitos específicos do setor automotivo e da EAQF (requisitos automotivos da França).

A VDA 6.4 é uma norma desenvolvida para ser utilizada em empresas que fabricam equipamentos e ferramentas para a aplicação na produção automotiva. Atualmente, o objetivo de atingir a qualidade tem uma nova dimensão que inclui também as áreas de fabricação de máquinas, ferramentas e equipamentos de inspeção e ensaios. A estrutura básica da norma VDA 6.4 e seu sistema de avaliação é em grande parte idêntica à VDA 6.1, porém ela leva em consideração particularidades e interesses específicos dos fornecedores de produção de equipamentos.

O GEDWEB rastreia e atualiza, diária e automaticamente (duas vezes ao dia), centenas de milhares de regulamentações técnicas. Gerencia mais de 16.000 normas ABNT NBR/NM; mais de 16.000 normas internacionais e estrangeiras, envolvendo 49 entidades internacionais, como o BSI, AFNOR, AENOR, JIS, ASTM, ASME, API, IEEE, NFPA, etc.

O usuário também pode acompanhar e votar nos projetos de Norma Brasileira em Consulta Nacional e acessar mais de 8.000 Regulamentos Técnicos/Portarias do Inmetro. Igualmente, estão disponíveis as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Previdência Social, mais de 115.000 Resoluções da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os Procedimentos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), e mais de 110.000 Procedimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Incluem ainda, o Genius Respostas Diretas, o mais avançado e inovador sistema de perguntas e respostas sobre requisitos de normas técnicas, alertas automáticos sobre documentos desatualizados, incorporados ou que sofreram alterações no acervo do cliente, alertas automáticos sobre solicitações de usuários sobre novos documentos, relatórios estatísticos de acessos, visualizações, impressões, servindo como evidências para o Sistema de Gestão da Qualidade e um glossário técnico trilíngue construído por tradutores especialistas em regulamentação técnica.

Por fim, deve ser ressaltado que o visualizador de todos esses documentos foi desenvolvido pela Target que agiliza o acesso, aumenta a velocidade de pesquisa no próprio texto e facilita em muito a sua impressão. Igualmente, é um sistema multiplataforma, podendo abrir no Linux, Mac, etc. Um sistema multibrowser e multiplataforma.

As aberrações em algumas normas técnicas editadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)

No caso do setor de atmosferas explosivas, a qualidade das normas brasileiras está abaixo da crítica, com traduções horríveis ao pé da letra e até com a invenção de termos. Isso é o que afirma o engenheiro Estellito R. Jr., instrutor de treinamento sobre NR 10, coordenador técnico do ESW Brasil, (evento do IEEE totalmente dedicado à segurança em eletricidade), coordenador geral do PCIC Brasil (congresso dedicado às instalações elétricas no segmento de petróleo e gás) e auditor de instalações elétricas em áreas classificadas. Acompanhe o relato do especialista.

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Hayrton Rodrigues do Prado Filho

Segundo Estellito, algumas pessoas ligadas à ABNT não estão seguindo a própria diretriz da ABNT, inclusive colocando requisitos como Nota Brasileira, o que é uma aberração, pois a norma ABNT é brasileira e uma Nota não pode conter requisito. “Também não está na Diretriz que as normas brasileiras tenham que ter subtítulo em inglês. E a ABNT, após a Comissão enviar o texto-base para ser encaminhado à Consulta Nacional, confere se a tradução está mesmo ao pé da letra e devolve o texto se algo não estiver, Antes, diziam que  estávamos submissos aos Estados Unidos; agora estamos submissos aos europeus, pois estamos apenas sendo tradutores de normas. Mais uma pérola: a ABNT proibiu a citação de leis e regulamentos no texto de normas brasileiras – justamente o que o profissional precisa saber e que tem hierarquia sobre a norma técnica. Então, ficou institucionalizada a tradução das normas que foram feitas lá fora, mesmo ferindo nossas leis, porque passaram a colocar os desvios como Nota Brasileira. Só que Nota não é requisito pela própria diretriz ABNT – é um samba do crioulo doido!”

De acordo com ele, as normas técnicas brasileiras são elaboradas por comissões constituídas por representantes dos consumidores, dos produtores e de entidades neutras, como os laboratórios de ensaios. Ao ser elaborada uma norma técnica nacional, é fundamental que o texto descreva os requisitos mínimos para um produto, atendendo de forma harmoniosa e consensual aos três grupos envolvidos.

“Ou seja, os requisitos devem atender às necessidades do consumidor, devem estar dentro da capacitação fabril do produtor e devem estabelecer os ensaios que avaliarão a conformidade do produto. Após a comissão ter concluído o texto da norma, há uma etapa de consulta pública, onde pessoas que não participaram da comissão poderão examinar o texto e tecer comentários, já que apesar do cuidado, alguns erros tipográficos, ou mesmo técnicos, podem ter passado despercebidos. Estes comentários são posteriormente analisados pela comissão, que decide pela inclusão dos mesmos ou não, e finalmente o projeto de norma será considerado concluído e enviado para a publicação pela ABNT. Portanto, ao comprarmos a norma, devemos esperar receber um texto claro, coerente com os Regulamentos Técnicos, e que permita sua pronta aplicação pelos profissionais responsáveis.”

Mas, como a sociedade deve proceder ao se deparar com textos encontrados em normas ABNT? Por exemplo, na NBR IEC 61892-2: 2009 – Unidades marítimas fixas e móveis – Instalações elétricas. Parte 2: Projeto de sistemas elétricos, a definição 3.18 – baixa tensão – conjunto de níveis de tensão utilizados para a distribuição elétrica e cujo limite superior é geralmente aceito como sendo 1 000 V CA. “Tendo em vista a obrigatoriedade de cumprirmos a NR-10 – Norma Regulamentadora 10 – Segurança em instalações e serviços em eletricidade. Ministério do Trabalho e Emprego, a qual define baixa tensão até 1.000 V ca e 1.500 V cc, como justificar a publicação de uma definição geralmente aceita?”

Na NBR IEC 60079-14: 2006 – Equipamentos elétricos para atmosferas explosivas – Parte 14: Instalação elétrica em áreas classificadas (exceto minas) está escrito que na ausência de normas IEC, recomenda-se que normas nacionais ou outras normas sejam seguidas. “Tendo em vista a disposição da NR 10, que na ausência de norma nacional, as normas internacionais devem ser seguidas, ou seja, a prioridade é dada à norma nacional, entendemos que este texto em norma ABNT afronta o disposto na NR 10, caracterizando uma não conformidade de cunho legal”.

Na NBR IEC 60079-14: 2009 – Atmosferas explosivas – Parte 14: Projeto, seleção e montagem de instalações elétricas, a definição 3.13.1 – tensão extrabaixa de proteção (PELV – Protective Extra Low Voltage) sistema elétrico no qual a tensão não pode exceder os valores de tensão extrabaixa sob condições normais e sob condições de falta única, excluindo faltas à terra em outros circuitos elétricos. “Esta definição está diferente da adotada pela NBR 5410, norma referência para instalações em baixa tensão. Segundo a NBR 5410, Pelv trata-se de Sistema de extrabaixa tensão que não é eletricamente separado da terra, mas que preenche, de modo equivalente, todos os requisitos de um SELV (a ocorrência de uma única falta não resulta em risco de arco elétrico)”.

Outra coisa na NBR IEC 61892-2: 2009 – Unidades marítimas fixas e móveis – Instalações elétricas. Parte 2: Projeto de sistemas elétricos, na Nota a – A tensão nominal dos sistemas existentes em 220/380 V e 240/415 V deve transformar-se, futuramente, no valor recomendado de 230/400 V. Recomenda-se que o período de transição seja o menor possível e que não exceda o ano de 2003. “Este exemplo foi extraído de uma norma emitida em 2009. Como seu texto pode recomendar que o período de transição não exceda a 2003?″

Na Nota 1 da mesma norma, recomenda-se que, em qualquer país, a razão entre duas tensões nominais adjacentes seja inferior a dois. (nota referente a uma tabela que apresenta faixas de tensões nominais para sistemas trifásicos).[1] Comentário: A Norma ABNT é aplicável no Brasil, pois em princípio foi elaborada por brasileiros e para brasileiros. Como ela pode conter recomendações para “qualquer país”?

Na NBR IEC 60079-14:2009 – Atmosferas explosivas – Parte 14: Projeto, seleção e montagem de instalações elétricas no item 9.3 Cabos – Cabos com malhas com baixa resistência à flexão (também conhecidos como cabos superflexíveis) não devem ser utilizados, a menos que instalados em eletrodutos. “Não há esta denominação de cabos no Brasil. A especificação correta de um cabo elétrico deve referenciar a norma que define suas características construtivas”.

Igualmente, na mesma norma, no Anexo está escrito que, por outro lado, é razoável para o proprietário de uma estação de bombeamento remota, pequena e bem segura, acionar a bomba com um motor do tipo zona 2, mesmo em zona 1, se a quantidade total de gás disponível para a explosão for pequena e os riscos para a vida e para a propriedade decorrente de tal explosão puderem ser desconsiderados. “Todos os profissionais que receberam treinamento em instalações em atmosferas potencialmente explosivas sabem que existem equipamentos apenas aprovados para uso em zona 2 e outros aprovados para uso em zona 1. Como os requisitos para equipamentos destinados a zona 2 são menos rigorosos, eles não podem ser instalados em zona 1. Porém, surpreendentemente, há um Anexo em todas as normas ABNT relacionadas com instalações Ex com a orientação acima. Pelo texto, entende-se ser razoável instalar equipamentos inadequados e consentir que haja uma explosão, se alguém achar (talvez usando uma bola de cristal) que a explosão vai ser pequena. Cabe atentar que explosões pequenas podem matar quem estiver efetuando manutenção ao lado do equipamento, ou causar um desastre ambiental pelo vazamento de produtos tóxicos no meio ambiente”.

De acordo com Estellito, o princípio de projeto das instalações Ex é que a seleção de equipamentos elétricos deve ser tal que eles não se comportem como fontes de ignição. Como pode ser razoável colocar tal texto em todas as normas desta série, apesar dos diversos comentários contrários recebidos pelas comissões na etapa de Consulta Nacional?

Em relação à Consulta Nacional, consta no site da ABNT que durante a Consulta Nacional, qualquer interessado pode se manifestar, sem qualquer ônus, a fim de recomendar à Comissão de Estudo autora a aprovação do texto como apresentado; a aprovação do texto com sugestões; ou sua não aprovação, devendo, para tal, apresentar as objeções técnicas que justifiquem sua manifestação. Sendo assim, é muito importante contarmos com a sua opinião sobre o conteúdo dos Projetos em Consulta Nacional, para que possamos ter Normas Brasileiras que realmente representem os interesses da sociedade, bem como possam ser plenamente aplicadas e gerar todos os benefícios inerentes à normalização. Participe, dando a sua contribuição – ela certamente ajudará na melhoria da qualidade de nossos documentos.

“Contudo, segundo a IEC, se um projeto receber 25% dos votos de contrários à publicação, o mesmo é considerado não aprovado, devendo ser reescrito e posteriormente, reapresentado. Porém, consta que a Consulta Nacional da NBR IEC 60074-14: 2009, conforme Ata de reunião especial (análise do resultado da Consulta Nacional de revisão da NBR IEC 60079- 14:2006), CE-03:031.01, 27 e 28/01/2009 recebeu 10 votos de reprovação e 7 votos de aprovação. Apesar disto, a comissão encaminhou o projeto para publicação, o que nos leva a concluir que não foi respeitado o objetivo da Consulta Nacional, que é representar os interesses da sociedade”.

“Não temos espaço para falar sobre todas as situações de conflito nas normas brasileiras do setor de eletricidade, e trouxemos apenas alguns exemplos, para ilustrar as consequências de uma política de tradução ao pé da letra de normas criadas lá fora, sob o argumento de que apenas assim o país poderia efetuar a adoção de normas internacionais. A profusão de notas de tradução nas normas NBR IEC denota que o texto não foi fruto de um consenso sadio entre as partes visando o atendimento aos nossos Regulamentos Técnicos, mas simplesmente uma tradução ao pé da letra. O mais grave é que conforme as Diretivas ABNT Parte 2, item 6.5.2, as notas destinam-se apenas a complementar o texto, não podendo ser contrárias ao conteúdo do texto – porém não é isto que encontramos na prática”.

Ele entende que foi revelada publicamente a danosa política da ABNT na palestra “A ABNT e os benefícios da normalização”, feita pela gerente de processos de normalização Márcia Cristina de Oliveira, no Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, em 19 de agosto de 2010: “se uma norma internacional contiver um erro, a norma brasileira deverá manter este erro em seu texto, sendo feita uma notificação ao organismo emissor para que ele efetue a correção”.

“Tal diretriz”, comenta o engenheiro, “significa que de nada adianta a experiência dos membros da comissão: o erro será oficialmente inserido na norma brasileira sem questionamentos e assim repassado aos nossos profissionais, enquanto ficamos na expectativa da IEC publicar uma errata. Quando vierem a publicar – se o fizerem – a comissão seria reconvocada para então providenciar a emissão daquela errata em português. Mas, como ficam as obras executadas até então?”

Na verdade, trata-se de uma deliberação equivocada, pois nem a norma internacional está exigindo isto, nem a OMC está exigindo isto, já que claramente reconhecem a adoção “MOD” – conforme 4.3 do ISO Guide 21-1, onde podemos indicar na norma brasileira os desvios necessários para atendimento à realidade brasileira. “Para a elaboração de uma norma ABNT, cabe à comissão analisar todo o texto da norma apontada como referência, verificar a compatibilidade com nossos Regulamentos Técnicos, com nossa tecnologia, com nosso mercado e apenas após, definir se o texto tomado como referência poderá ser adotado como uma norma brasileira IDT (idêntica) ou MOD (modificada), de forma a apresentar à sociedade um texto harmonizado e coerente com nossa realidade. Na prática, temos que as comissões colocam no planejamento anual que determinada norma internacional será adotada antes mesmo de se efetuar a leitura do texto. A quem interessa manter tais equívocos na elaboração das normas brasileiras, reduzindo o papel da comissão a mera tradutora de normas? Textos traduzidos ao pé da letra, além de conflitar com os Regulamentos Técnicos, que são requisitos legais e devem ser obrigatoriamente incluídos na seção Referências Normativas, conforme estipulado nas Diretivas ABNT Parte 2, item 6.2.2, confundem os profissionais e podem levar a situações de extremo risco para os usuários”, conclui.

Segurança e saúde no trabalho

Deputado Ivan Valente fala em vídeo sobre o cancelamento da NBR 18801 de 12/2010 – Sistema de gestão da segurança e saúde no trabalho – Requisitos – Válida a partir de 01/12/2014 pela atual diretoria da ABNT por pressão da Confederação Nacional da Indústria (CNI): https://www.youtube.com/watch?v=hHf3TEyR5m8

ivan valente

Serviços bancários: as dúvidas dos consumidores

COLETÂNEA DE NORMAS

Coletânea Série Resíduos Sólidos

Coletânea Digital Target com as Normas Técnicas, Regulamentos, etc, relacionadas à Resíduos Sólidos!
Saiba Mais…

Coletânea Série Segurança Contra Incêndios

bancoO Procon-SP buscou responder as dúvidas mais frequentes dos consumidores em relação aos serviços bancários.

Os bancos podem exigir a aquisição de outros produtos ou serviços para manter uma conta?

Não. Essa prática é a denominada “venda casada”, considerada abusiva e proibida pelo artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor.

O consumidor é obrigado a contratar um pacote de tarifas?

Não. Dependendo da quantidade de serviços utilizados, o consumidor pode fazer uso do “Pacote de Serviços Essenciais”. Que dá direito a:

– Cartão com função débito;

– Receber a segunda via do cartão de débito, exceto nos casos decorrentes de perda, roubo, furto, danificação e outros motivos não imputáveis à instituição emitente;

– Realização de até quatro saques, por mês, em guichê de caixa, inclusive por meio de cheque ou de cheque avulso, ou em terminal de autoatendimento;

– Realização de até duas transferências de recursos entre contas na própria instituição, por mês, em guichê de caixa, em terminal de autoatendimento e/ou pela internet;

– Dois extratos, por mês, contendo a movimentação dos últimos 30 dias por meio de guichê de caixa e/ou terminal de autoatendimento;

– Realização de consultas mediante utilização da internet;

– Receber, até 28 de fevereiro de cada ano, do extrato consolidado, discriminando, mês a mês, os valores cobrados no ano anterior relativos a tarifas;

– Compensação de cheques;

– Dez folhas de cheques por mês, desde que o cliente reúna os requisitos necessários à utilização de cheques, conforme a regulamentação em vigor e condições pactuadas;

– Prestação de qualquer serviço por meios eletrônicos, no caso de contas cujos contratos prevejam utilizar exclusivamente meios eletrônicos.

Como fazer para encerrar uma conta corrente?

Para encerrar uma conta corrente o consumidor deve:

– Preencher o formulário de encerramento, que é fornecido pelo próprio banco;

– Providenciar a assinatura de todos os titulares ou representantes legais no pedido, caso a conta seja conjunta;

– Devolver todas as folhas de cheques e cartões ao banco;

– Verificar se todos os débitos autorizados e cheques emitidos já foram lançados na conta; cancelar as autorizações para futuros débitos automáticos.

Portanto, a conta não é encerrada automaticamente por falta de movimentação.

– O consumidor pode ser responsabilizado pela movimentação de terceiros no caso de roubo, furto ou extravio do cartão?

Os bancos têm o dever legal de zelar pela segurança de seus serviços, impedindo que terceiros façam mau uso de cartões dos correntistas. Os contratos assinados com os bancos normalmente estabelecem que toda e qualquer utilização do cartão e respectiva senha são de responsabilidade do consumidor. Essa cláusula é abusiva, pois os bancos respondem de forma objetiva pelos prejuízos causados ao correntista por falhas na segurança do serviço nos termos do Código de Defesa do Consumidor. Para evitar problemas futuros é recomendável que a comunicação sobre a perda, furto ou roubo seja feita o mais rápido possível ao banco e às autoridades policiais, através de qualquer meio hábil. A orientação também é aplicável para casos envolvendo talões de cheques.

Os bancos são obrigados a realizar a portabilidade de crédito?

O Banco Central não obriga uma instituição financeira a comprar dívida de outra. Por isso, informe-se sobre a possibilidade de fazer a portabilidade junto ao banco escolhido para transferir o débito. Veja mais sobre o tema aqui.

A empresa em que eu trabalho paga o meu salário em um banco e eu desejo transferir meus vencimentos para outra instituição financeira sem pagar taxas, eu tenho esse direito?

Sim. Para isso, o consumidor que tiver interesse em usufruir da conta salário deve procurar a agência na qual possui conta e informar para qual banco quer que o dinheiro passe a ser transferido. O pedido deve ser feito por escrito ao banco, com a informação da conta em que o valor passará a ser creditado. A mudança tem que ser realizada em até cinco dias úteis após a solicitação do cliente.

A melhor pasta de dente para dentes sensíveis

Colgate-Total12A Proteste fez uma avaliação dos rótulos das pastas de dente e o único produto que cumpriu os requisitos (modo de uso, composição, lote, validade, fabricação e advertências) foi o Sensodyne Original. As duas pastas da Oral–B não divulgaram o lote. E as três da Colgate não tinham a data de fabricação, assim como a Sensodyne Rápido Alívio. Sensodyne Original não continha flúor. E a Sensodyne Rápido Alívio tinha, por sua vez, uma concentração próxima à dos produtos infantis. Um dentista examinou 20 voluntários, que usaram os produtos por 28 dias. Colgate Total 12, Colgate Sensitive Original, Oral-B Pro-Saúde e Sensodyne Original não apresentaram sinais clínicos ou funcionais. O Oral-B Pro-Sensitive teve boa avaliação clínica, e como um usuário apresentou alteração na sensibilidade da gengiva e sensibilidade para frio e quente, obteve boa avaliação. Colgate Sensitive Pro-Alívio e Sensodyne Rápido Alívio também foram bem tolerados.

No exame de citotoxicidade, que define se a pasta é agressiva à mucosa bucal, medimos o impacto nessa camada de pele. Colgate Total 12, Colgate Sensitive Original, Oral-B Pro-Sensitive, Sensodyne Rápido Alívio e Sensodyne Original foram considerados as menos agressivas. Já Colgate Sensitive Pro-Alívio teve impacto médio nas células bucais e Oral-B Pro-Saúde foi a que teve maior interferência, porém todas dentro do que consideramos aceitável. Na opinião dos voluntários, Colgate Total 12 e Sensodyne Original tiveram os melhores resultados na alteração de sensibilidade, e Colgate Sensitive Pro-Alívio, Colgate Sensitive Original e Sensodyne Rápido Alívio tiveram os piores resultados. Assim, de acordo com os voluntários, a instituição concluiu que o Colgate Total 12 é o melhor produto, Colgate Sensitive Original e Oral-B Pro-Sensitive têm uma boa eficiência e que o gosto do Sensodyne Original não agradou – o que influenciou no desempenho. Por isso, a escolha certa é a Colgate Total 12, com 80% de aprovação, e que apresentou o melhor custo-benefício.

Entrevista: Evandro Lorentz

O Target GEDWeb – Gerenciador Eletrônico de Documentos via Web da Target – é o único Portal Corporativo no mercado que possibilita o gerenciamento de grandes acervos de normas técnicas, documentos técnicos e internos das organizações, e os disponibiliza de forma totalmente customizável, de acordo com as características e necessidades de seus usuários, seguindo todos os padrões visuais e de comunicação da empresa que o implanta.

Clique aqui para conhecer melhor o Target GEDWeb

evandroDurante a Jornada Infinity Excelência Operacional, realizada em São Paulo em março de 2012, Evandro G. Lorentz, membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ) e presidente do SBQEG, deu a seguinte entrevista:

O tema “onde estamos, o que estamos fazendo e para onde vamos?”. Qual a sua opinião sobre o tema?

Evandro: Observo com satisfação que pessoas e organizações compreendem suas necessidades e, a cada dia, têm adotado iniciativas de excelência operacional visando seu aprimoramento, tornando-se assim mais competitivas e mais sustentáveis. Só me preocupa um pouco o “para onde vamos”.

Qual o motivo de sua preocupação?

Evandro: Algumas pessoas, seja por desconhecimento ou visando proteger seu “nicho de conhecimento”, adotam uma iniciativa de excelência de forma estanque, sem contato com outras, quase que competindo entre si. Isso só gera desgaste. É importante que todas as iniciativas façam parte efetiva da gestão, atuando de forma complementar para o benefício da organização.

Por que isso acontece?

Evandro: De uma forma geral, por desconhecimento da liderança sobre o assunto. Um diretor ou gerente da organização ouve falar que uma iniciativa trouxe resultados em outro lugar e a implanta com o objetivo de tornar-se o “pai da iniciativa”. Outro faz a mesma coisa com outra iniciativa e está instalada a competição. É importante que o CEO, ou alguém por ele designado, tenha conhecimento do assunto e, como já comentamos, faça as iniciativas trabalharem de forma sinérgica. Evidentemente, é muito difícil que um profissional domine todo o conhecimento de todas as iniciativas. Podem ser necessários especialistas nesta ou naquela iniciativa, mas a liderança não pode deixar que eles trabalhem isoladamente, “atropelando-se” mutuamente. Precisamos reforçar o conceito de que todos devem trabalhar juntos e, para tanto, precisam ter conhecimento das demais iniciativas.

Como fazer isso?

Evandro: Buscando o conhecimento existente em outras iniciativas e, principalmente, interessando-se pelos benefícios que todas trazem às organizações. Para consolidar isso, já estamos estruturando uma pós-graduação lato sensu em gestão pela excelência. Nela serão apresentados os conceitos e como eles interagem em benefício da organização. O curso está sendo estruturado em sete vetores: (1) Liderança, (2) Estratégia, (3) Gestão, (4) Ferramentas para a gestão, (5) Clientes, (6) Fornecedores e (7) Pessoas.

Observa-se que os vetores desenvolvem as partes interessadas. Onde se situaria a sociedade?

Evandro: No vetor Liderança. Nele estudaremos também a sustentabilidade e a eco-eficiência.

O que é excelência?

Evandro: Em minha opinião, a melhor forma de compreender o que é excelência é conhecer os 11 fundamentos da excelência tão bem delineados pela Fundação Nacional da Qualidade, que são: (1) Pensamento Sistêmico, (2) Aprendizado Organizacional, (3) Cultura de Inovação, (4) Liderança e Constância de Propósitos, (5) Orientação por Processos e Informações, (6) Visão de Futuro, (7) Geração de Valor, (8) Valorização das Pessoas, (9) Conhecimento sobre o Cliente e o Mercado, (10) Desenvolvimento de Parcerias e (11) Responsabilidade Social. Gostaria de salientar que muitos pensam que o desenvolvimento dos fundamentos e a implantação do modelo de excelência de gestão da Fundação devem ser realizados apenas nas organizações que desejam concorrer ao Prêmio Nacional da Qualidade. Isso não é verdade. Todas as organizações que buscam a excelência devem estar voltadas para a excelência, “inserindo em seu DNA” esses fundamentos e utilizando um modelo de gestão que a permita atingir a excelência. Isso é quase imperioso no cenário competitivo e globalizado que vivemos. Concorrer ao prêmio representa, no bom sentido e em minha opinião, apenas mais uma decisão estratégica.

A Fundação é da Qualidade e o Prêmio também. Qual a relação entre qualidade e excelência?

Evandro: Para explicar melhor isso, precisamos de uma rápida “visita” à história da qualidade, onde se começou com o controle da qualidade do produto e depois do processo. Em seguida, observou-se que com planejamento seria mais fácil obter um bom produto e garantir ao cliente que bons produtos seriam entregues. Além disso, tudo deveria ser continuamente melhorado, como forma de manter viva a organização e o cliente satisfeito. Esses quatro conceitos, planejamento, controle, garantia e melhoria, consolidaram-se na gestão da qualidade e foram estendidos também a serviços. Com o decorrer dos anos, aumentaram compreensivelmente as exigências de outras partes não diretamente interessadas em adquirir o produto ou serviço da organização. A organização teve então que abandonar sua visão voltada apenas para o cliente e a consequente qualidade voltada apenas ao produto e ao serviço, o que não deixava de ser uma visão fragmentada, cartesiana, e ver o mundo como um todo. A qualidade passou então a abranger todos os públicos e, tornou-e, em minha opinião, um processo holístico que objetiva o bem das pessoas. Assim, o conceito qualidade, em sua acepção mais ampla, tornou-se sinônimo de excelência na gestão. É por isso que temos também uma Academia Brasileira da Qualidade (ABQ – www.abqualidade.org.br) e não uma de Excelência na Gestão.

O que é a Academia e quais são seus objetivos?

Evandro: A ABQ é uma organização não-governamental que tem como membros pessoas experientes e reconhecidas por sua trajetória de vida e oriundas das mais diferentes organizações. Sua missão é contribuir para o desenvolvimento e difusão da excelência da gestão e do conhecimento teórico e prático da gestão e da engenharia da qualidade, acompanhando sua aplicação para trazer benefícios para todas as pessoas e organizações. Não há candidatura à Academia. As pessoas são indicadas pelos Acadêmicos e, para serem eleitos, devem receber voto favorável de pelo menos dois terços dos membros.

Você está estruturando a Sociedade Brasileira da Qualidade e Excelência na Gestão, a SBQEG. Quais são os objetivos desta Sociedade?

Evandro: A SBQEG foi criada para ser uma instituição aberta, voltada à disseminação do conhecimento de forma gratuita e ao fortalecimento do networking entres seus membros. Ela tem um cunho eminentemente social e não angariará fundos com a venda de consultorias, cursos e livros, até mesmo para não “concorrer” com seus associados. Uma observação importante é que em seu nome constam as palavras Qualidade e Excelência na Gestão para deixar claro ao grande público a proximidade existente entre esses conceitos. Optamos assim por um nome mais longo, mas muito mais didático.

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IPT: há mais de 100 anos lutando pelo desenvolvimento do país

Curso: Gestão de Energia – Implantação da Norma ISO 50001
Nos últimos dez anos, o consumidor brasileiro desembolsou quase R$ 5 bilhões na conta de luz para bancar projetos de eficiência energética e de soluções para melhorar a operação do sistema elétrico nacional. Até agora, no entanto, os resultados são questionáveis. O país continua desperdiçando cerca de R$ 16 bilhões por ano de energia elétrica, equivalente ao investimento total para a construção da Hidrelétrica de Belo Monte (PA). Além disso, nos últimos anos, a qualidade da energia entregue aos consumidores tem piorado consideravelmente em algumas distribuidoras. Clique para ler mais informações.

iptHá mais de 100 anos o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) vem colaborando para o processo de desenvolvimento do país. Conta com laboratórios capacitados e equipe de pesquisadores e técnicos altamente qualificados, atuando basicamente em quatro grandes áreas – inovação, pesquisa e desenvolvimento, serviços tecnológicos, desenvolvimento e apoio metrológico, informação e educação em tecnologia. Por meio de 12 centros tecnológicos, atua de forma multidisciplinar, contemplando os mais diversos segmentos como energia, transportes, petróleo e gás, meio ambiente, construção civil, cidades, segurança. Além dos projetos em pesquisa, desenvolvimento e inovação já existentes, estão sendo ampliadas as áreas de atuação em biotecnologia, novos materiais e bioenergia. Seu diretor-presidente, João Fernando Gomes de Oliveira destaca na entrevista abaixo a estratégia de valorização profissional no instituto, iniciativa que tem contribuído para que o IPT se insira de maneira estratégica no mercado para atender as demandas da indústria por inovação, bem como as diretrizes de São Paulo e do país no desenvolvimento econômico. Sua gestão tem se voltado à redução de conflitos, algo que foi obtido por meio do desenvolvimento de projetos internos, uma solução inédita que coloca o próprio IPT como cliente de seus pesquisadores e é capaz de dar transparência à aplicação da subvenção pública nos projetos.

IPT2Como está o IPT hoje, depois de quatro anos de investimentos em modernização?

O instituto sofreu intensas transformações nesses quatro anos. Eu destacaria essas mudanças em três eixos principais: pessoas, infraestrutura e gestão. O IPT investiu cerca de R$ 150 milhões em laboratórios, equipamentos e prédios. Tem hoje um centro de informática ultramoderno, tem computadores novos para a maioria dos pesquisadores, a rede de TI está atualizada, a rede elétrica é nova, foram feitas pavimentações, instalações externas restauradas em boa parte, e teve mais de 30 obras de laboratórios, com novos equipamentos, um centro de bionanomanufatura, um laboratório de estruturas leves já começando a operar, laboratórios de naval e corrosão renovados, vazão de óleo, laboratório de mecânica pesada para suporte aos trabalhos do pré-sal, microscopia eletrônica, praticamente uma renovação completa do centro de metrologia química, novos equipamentos de metrologia mecânica com metrotomografia computadorizada, enfim, um grande avanço. Foram mais de 500 equipamentos novos.

E o investimento em pessoas?

O IPT criou um programa de desenvolvimento no exterior, que mandou 30 pessoas para fazer estágios com duração de quatro a oito meses nas melhores instituições de pesquisa com perfil tecnológico como o do IPT, inclusive em centros de pesquisas de empresas. Além disso, mandamos mais 50 pessoas para eventos internacionais de curta duração, então, foram cerca de 80 pessoas para o exterior. Nós também fizemos dois concursos, um já realizado e outro em programação, sendo que nos últimos quatro anos nós contratamos cerca de 250 pessoas, e temos a perspectiva de contratar igual contingente nos próximos quatro anos.

Há outras frentes para a valorização do capital humano?

Nós também reduzimos o total de terceirizações no IPT, agregamos mais concursados ao quadro, promovemos treinamentos em várias dimensões, fizemos um plano de carreira que definiu quais são as características funcionais principais para o desempenho de um pesquisador, de um funcionário do IPT, do pessoal técnico, e é com base nessa formulação de estrutura de carreira e de descrição de tarefas de trabalho que nós implementamos um programa de avaliação institucional das pessoas, o que estamos chamando de Programa de Gestão por Competências, que já está sendo aplicado.

Quantas pessoas estão envolvidas?

Nós estamos treinando 300 pessoas dentro do IPT para avaliar seus pares, por meio de um processo estruturado em workshops internos, criado pela própria comunidade do IPT. Com a colaboração da FIPT [Fundação de Apoio ao IPT], nós tivemos também um programa de bolsas de iniciação tecnológica. Criamos também os projetos internos, de forma que todas as atividades de pesquisa se tornassem registradas e reconhecidas com valores financeiros e monetários de forma a reembolsar o centro tecnológico do IPT com recursos da subvenção pública quanto aos valores daquelas pessoas que estão trabalhando. Essa foi uma decisão importante que permeia o lado de pesquisa do IPT, que tira proveito da infraestrutura, mas que é uma coisa de gestão. Além do processo de projetos internos, nós tivemos uma ampla modernização nos processos administrativos do IPT com um sistema de gestão de compras com workflow na web, com a RCweb, que reduziu os nossos tempos de compra drasticamente. Tivemos também a integração de compras, RH e financeiro pela implantação de um ERP. Nós também criamos alguns órgãos internos no IPT que eram importantes para a administração como uma Controladoria, uma Gerência de Gestão Tecnológica, que possibilitaram uma visão mais apurada do desempenho do Instituto e do seu desenvolvimento. A pesquisa no IPT e a capacidade de prestação de serviços tiveram uma coordenação maior, não só por estar em uma infraestrutura modernizada, em um grupo de pessoas que está em constante atualização, como agora, e em um sistema de gestão mais eficaz, mas porque toda a atividade do IPT passou a ser inserida em um amplo programa de planejamento institucional que virou uma rotina desde 2009, na qual o IPT inteiro desenvolve um plano de execução do próximo exercício sempre pensando em suas prioridades estratégicas sintonizadas com a indústria. A modernização teve como maestros o Conselho de Orientação e o Conselho de Administração com o apoio do Governo de São Paulo.

E para 2012, como ficam os investimentos?

Esses investimentos vão prosseguir, teremos um grande aporte de recursos do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], são mais de R$ 170 milhões de projetos que o IPT produziu e, dentro desse total, temos R$ 150 milhões aprovados e quase R$ 70 milhões contratados. Então, a modernização do IPT começou a ter moto próprio, também com apoio do governo do Estado, que deve alocar no ano que vem mais recursos para a modernização. Só que agora, o moto próprio, que são principalmente os recursos dos projetos do BNDES, Petrobras, dos grandes projetos nos eixos estratégicos do Instituto, vão prosseguir e a modernização do IPT continua.

Por que essas iniciativas são importantes para a população?

O IPT é um parceiro do desenvolvimento do país. Como ele passou a atuar por meio do processo de modernização como um grande catalisador entre conhecimento acadêmico e demandas empresariais e governamentais, o Instituto continua fortalecendo seu papel de um parceiro nas prioridades estratégicas do País. Todo o plano de modernização do IPT teve como base os principais elementos estratégicos para o crescimento do País, que são o desenvolvimento de tecnologias para o pré-sal, para maior sustentabilidade na área de energia, na área de despoluição e pelo desenvolvimento da bionanotecnologia, que agrega valores inovadores em produtos.

A planta piloto de gaseificação de biomassa, em Piracicaba, é um dos projetos fundamentais para o desenvolvimento?

Esse projeto pertence à carteira do BNDES, ele está aprovado. As empresas estão assinando os acordos de distribuição de propriedade intelectual, mas a assinatura final do contrato não foi feita ainda, o que deve acontecer até março de 2012. Eu diria que esse projeto é um dos maiores já realizados até hoje e que depende de uma articulação enorme, o que o IPT assumiu em seu papel. Além de prestar serviço tecnológico e realizar P&D, o Instituto passou a assumir um papel de grande articulador entre empresas, governo e universidades, para possibilitar o desenvolvimento de tecnologias de alto impacto e de grande magnitude em relação ao curso do seu desenvolvimento. A ideia é montar uma planta-piloto com investimento de R$ 80 milhões e viabilizar isso a partir de um plano de dentro do Instituto, que concebe a ideia, sai em busca das empresas, busca especialistas nas universidades e outros institutos, enfim, viabiliza o projeto. No futuro, isso será um exemplo de como nós podemos potencializar grandes realizações, usando o Instituto como instrumento aglutinador ou conector desse processo. A planta de gaseificação já está em estágio avançado de finalização contratual e a gente deve em breve começar a receber os recursos.

Como está se dando a discussão da missão do IPT com os empregados?

Existe um entendimento de que o fluxo de conhecimento ocorre da academia para a empresa; esse entendimento não chega a ser falso, mas não é totalmente verdadeiro, porque a academia tem a missão de formar pessoas e fazer descobertas de maneira simultânea. O problema é que a academia é formatada em escolas, em universidades, e as escolas têm que ensinar todas as matérias para os alunos. E para isso, é preciso ter professores especializados, que criam uma ampla diversidade para as universidades. Mas essa diversidade cria dificuldades quanto à coordenação de atividades para se atingir um objetivo específico. Por exemplo: eu tenho especialistas em uma universidade estudando vários tópicos de engenharia, mas fazer com que todos trabalhem juntos para desenvolver um produto de engenharia é muito mais difícil. Isso ocorre porque um dos princípios da universidade é a liberdade de busca pelo conhecimento. Tal característica dificulta a capacidade de atender demandas empresariais, que são multidisciplinares e dependem dessa coordenação. O IPT atua como um organizador de ideias e aproveita todo esse conhecimento que está sendo exalado da universidade de uma maneira um pouco menos coordenada do que as indústrias precisam. O Instituto organiza esses conhecimentos e formata produtos e serviços, entregando ou colaborando com a empresa para que juntos descubram novas oportunidades de produtos e processos para inovação. Essa é uma das principais missões que procuramos estabelecer no IPT – é um caminho para fortalecer a atuação do instituto.

Nessa perspectiva, qual a importância da gestão?

O principal aspecto do plano de carreiras e da avaliação que é sincronizada com isso é você identificar quais são as competências que você precisa melhorar para se desenvolver. Essa sintonia é articulada pelo plano de cargos e salários – uma estrutura que representa esse sistema. Eu entendo que hoje, ao oferecer curso de gestão de projetos, cursos de negociação e precificação, nós já estamos antecipando a nossa avaliação, dizendo que precisamos nos preparar para ser mais eficientes nas nossas entregas, reconhecer o valor do que a gente entrega e saber negociar e precificar. Então, o plano de cargos e salários é uma das coisas mais importantes, porque como ele foi a base do processo de avaliação, hoje a gente tem muito claro e pactuado no Instituto o que todo mundo precisa saber para ir bem no IPT, e isso antes não era muito claro. Além disso, a construção desses indicadores foi feita pelo próprio IPT, através de workshops por pessoas que representam cada ator no processo do Instituto. Essa é uma das ações que têm a maior importância e é um processo contínuo, que vai viabilizar a avaliação das pessoas, o processo de promoção e evolução na carreira, mas ela vai amadurecendo ao longo dos anos. O importante é que nós demos uma partida nesse processo durante essa gestão nos últimos quatro anos. E isso deve ser definitivo.

E quanto aos projetos internos, quais serão seus benefícios?

Antigamente, o IPT tinha um grupo que vendia, e um grupo que pesquisava. Esses dois grupos viviam em conflito, porque o que pesquisava dizia ‘estou produzindo conhecimento e sou pago para isso com uma subvenção do Estado’. O grupo que vendia dizia: ‘Estou produzindo dinheiro para pagar o salário daqueles que querem produzir conhecimento, mas eu gostaria de produzir conhecimento também; porque que eu tenho que produzir dinheiro e não posso parar e produzir conhecimento?’ A criação dos projetos internos permitiu uma perspectiva de que todo mundo vende projetos. E o cliente interno pode comprar ou não em função de suas prioridades estratégicas, que são construídas por todo o IPT. Por exemplo: o IPT decide que tem que ter foco em uma determinada área de atuação, tudo isso discutido amplamente com o Conselho de Orientação, Conselho de Administração e nas atividades de planejamento. Aí eu abro um edital de projetos internos, falando aos pesquisadores que podem produzir conhecimento porque o cliente agora é o próprio IPT. Os recursos da subvenção vão alocar na sua conta crédito financeiro por você produzir conhecimento. A conta do centro tecnológico que produz conhecimento recebe dinheiro também na contabilização do resultado. Então, se eu fazia só pesquisa e o meu resultado era muito negativo – tinha despesa e não tinha cliente – agora há o cliente, o cliente é interno. A subvenção deixou de ser um dinheiro que se dilui no IPT para ser um dinheiro alocado por atividade. Isso criou uma perspectiva de que todo mundo tem que vender. E o cliente interno, que é um comitê de seleção de projetos administrado pela diretoria executiva, passou a ser bastante rigoroso, que olha para a nossa estratégia e vê se o projeto se encaixa e faz sentido, se ele vai produzir benefícios no futuro. Quando você coloca esses dois componentes na mesa, pode chegar para o pesquisador e dizer assim: ‘não vou comprar isso de você, esse projeto não interessa para o IPT’. Ai você fala: ‘opa, agora então o pesquisador tem que conseguir vender e tem que se alinhar’. O grande impacto nisso é que se quebra um conflito de que um vende e o outro faz o que quer. Agora os dois vendem, porque ambos precisam ter clientes. Isso produz um alinhamento porque para o cliente externo eu vendo coisas que estão habilitadas pela minha infraestrutura e pelo planejamento que viabilizou ofertar aquilo; e para o cliente interno eu tenho que ter uma aprovação por um comitê que olha para a estratégia e para as metas e vê se aquilo vai contribuir ou não. Portanto, produz alinhamento também.

Então há menos conflitos com os projetos internos?

O processo novo reduz os conflitos e ao mesmo tempo promove o alinhamento, as pessoas começam a se orientar mais por um caminho certo e melhor definido. Agora os indicadores de inovação, que são instrumento para que essa harmonia aconteça, criam a perspectiva de que produzir dinheiro é tão importante quanto propriedade intelectual, quanto produzir conhecimento e novos ensaios no sistema da qualidade, desde que esses indicadores estejam alinhados com a nossa estratégia. Antigamente, quando você participava de uma discussão ampla no IPT tinha gente reclamando, dizendo que tem que fazer serviço, enquanto tem gente que pesquisa e não está trazendo dinheiro para o IPT. Pergunta que ocorria: ‘Por que um pode usar a subvenção do Estado e outro não pode?’ Agora é diferente, todos podem pleitear a subvenção ao submeter um projeto a um cliente que está pronto para comprar, desde que seja adequado. Se o pesquisador fala que não consegue achar um cliente que compre o seu projeto, então, a gente diz: ‘Prove que o projeto faz parte da nossa orientação estratégica, que ele vai potencializar alguma inovação tecnológica nas empresas, então, a gente compra o projeto’. Isso só foi possível porque nós fizemos uma grande reorganização no orçamento gerencial e criamos uma controladoria que fica mapeando quem está gastando o quê. Hoje temos um controle melhor de onde é aplicado o dinheiro do Estado. Em contrapartida, eu consigo mostrar ao governo do estado onde que ele está gastando a subvenção e quais os impactos disso na indústria. O governo pode enxergar melhor o investimento que está fazendo no IPT.

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