A conformidade das fechaduras de embutir

Conheça os métodos de ensaios a serem executados nas fechaduras de embutir, simulando, por meio de ensaios mecânicos, uma utilização prolongada da fechadura, para verificação da durabilidade dos componentes e os esforços a que podem ser submetidas em uma tentativa de arrombamento.

Confirmada em dezembro de 2019, a NBR 14913 de 09/2011 – Fechadura de embutir – Requisitos, classificação e métodos de ensaio especifica os requisitos mínimos para fabricação, classificação, dimensionamento, segurança, funcionamento e acabamento superficial de fechaduras de embutir para serem empregadas nas portas de edificações. Esta norma não se aplica às fechaduras fabricadas para usos e aplicações específicas, como, por exemplo, fechaduras para hotéis, fechaduras navais, fechaduras de cadeia, fechaduras hospitalares, etc.

Especifica os métodos de ensaios a serem executados nas fechaduras de embutir, simulando, por meio de ensaios mecânicos, uma utilização prolongada da fechadura, para verificação da durabilidade dos componentes e os esforços a que podem ser submetidas em uma tentativa de arrombamento. Esta norma especifica também os métodos de execução, independentemente de laboratório, a serem aplicados em fechaduras de embutir, quando do recebimento destas pelo consumidor.

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Como deve ser verificado o acionamento do trinco pela chave/rolete?

Quais as características mecânicas das fechaduras – ensaios de desempenho?

Qual deve ser a resistência da lingueta a um esforço contrário ao seu avanço?

Qual deve ser o tempo de exposição em câmara de névoa salina neutra?

As fechaduras de embutir tratadas por esta norma são aquelas utilizadas nas portas de edificações em geral, podendo ser externas, internas, de banheiro ou de perfil estreito, com a função de propiciar o controle de acesso, segurança e estética ao ambiente. As fechaduras de embutir são constituídas basicamente de mecanismo (fechadura propriamente dita) através do qual se consegue fechar ou abrir porta ou portão, sendo acionado por maçaneta, puxador, chave ou tranqueta, e seus respectivos acabamentos, os quais conferem ao produto características estéticas e anatômicas, podendo incluir puxador, chapatesta, falsatesta, contratesta, maçaneta, espelho, roseta, entrada e tranqueta. Na fabricação das fechaduras de embutir, os materiais metálicos devem ser os recomendados na tabela abaixo, podendo, contudo, ser substituídos por outros, desde que os novos materiais atendam aos requisitos desta norma.

Na fabricação das fechaduras de embutir, os materiais não metálicos devem obedecer às normas correspondentes para cada tipo de material e atender aos requisitos desta norma. As peças devem possibilitar a montagem entre elas, resultando em um conjunto esteticamente agradável. As peças aparentes do conjunto fechadura não podem apresentar defeitos conforme definido no Anexo A.

Todas as peças não aparentes da fechadura, após sua instalação, devem apresentar um acabamento protetivo, como, por exemplo, bicromatização, zincagem, pré-pintura, cromação e outros, exceto molas, que podem ser oleadas, e peças em zamac, latão ou plásticos de engenharia, que podem ser isentas de acabamento. O fabricante deve fornecer, junto com a fechadura, as seguintes informações técnicas: procedimentos adequados para a correta instalação do produto; orientações para uso e conservação da fechadura.

A pedido do comprador, componentes avulsos podem ser fornecidos, desde que o conjunto montado atenda aos requisitos desta norma. Para o caso das fechaduras de embutir de perfil estreito, estas podem ser fornecidas sem os parafusos de fixação e/ou contratesta, desde que solicitado pelo comprador.

O conjunto fechadura de embutir tipo externa deve ser constituído de fechadura propriamente dita (máquina), cilindro com no mínimo duas chaves, contratesta, guarnição e respectivos parafusos de fixação. O conjunto fechadura de embutir tipo interna deve ser constituído de fechadura propriamente dita (máquina), no mínimo duas chaves, contratesta, guarnição e respectivos parafusos de fixação.

O conjunto fechadura de embutir de banheiro deve ser constituído de fechadura propriamente dita (máquina), chave de emergência, contratesta, guarnição e respectivos parafusos de fixação. O conjunto fechadura de embutir de perfil estreito deve ser constituído de fechadura propriamente dita (máquina), cilindro com no mínimo duas chaves, contratesta, guarnição e respectivos parafusos de fixação.

As dimensões da caixa e da chapatesta, indicadas na figura abaixo, devem atender aos valores estabelecidos na tabela abaixo. As cotas referentes à largura e comprimento da chapatesta das fechaduras de embutir de perfil estreito não são estabelecidas. A chapatesta pode ter seus cantos arredondados, com diâmetro igual à sua largura.

A lingueta deve avançar um total mínimo de 18 mm para as fechaduras de embutir dos tipos externa e interna e um total mínimo de 9 mm para as fechaduras de banheiro. Para o caso das fechaduras de embutir de perfil estreito, a lingueta deve avançar um total mínimo de 14 mm.

A fechadura de embutir externa e a fechadura de embutir de perfil estreito devem possuir no mínimo 250 combinações de segredos do cilindro da fechadura. A fechadura de embutir interna deve possuir no mínimo seis segredos diferentes. Os requisitos de desempenho das fechaduras de embutir são estabelecidos para: três classes de utilização, conforme 5.1; cinco graus de segurança, conforme 5.2; quatro graus de resistência à corrosão, conforme 5.3. As classes de utilização para tráfego leve são as fechaduras de embutir utilizadas em edificações de tráfego leve, como portas de residências unifamiliares, portas de comunicação entre cômodos etc. Para o tráfego médio, são as fechaduras de embutir utilizadas em edificações de tráfego médio, como portas de consultórios médicos, portas de escritórios de serviços, etc. As de tráfego intenso são as fechaduras de embutir utilizadas em edificações de tráfego intenso, como portas de hospitais, portas de postos de saúde, portas de shopping centers etc.

Quanto aos graus de segurança, a segurança mínima se relaciona com um conjunto fechadura de embutir cuja lingueta resista a um esforço lateral exercido pela contratesta de 2 kN. Toda fechadura que não atender aos requisitos desta norma deve ser rejeitada. Para a amostragem utilizada em todos os ensaios desta norma, deve ser adotado o plano de amostragem simples-normal, apresentado na NBR 5426, nível de qualidade aceitável (NQA) 6,5 e nível de inspeção S2.

Quando a amostra for representativa de um lote, a sua rejeição por não atender às condições especificadas nesta Norma implica a rejeição de todo o lote que ela representa. É permitido que o fabricante realize reparos necessários no lote rejeitado, colocando os produtos nas condições estabelecidas por esta norma. Este lote deve ser submetido novamente aos ensaios especificados na Seção 7. Se nestes ensaios os resultados forem insatisfatórios, todo o lote deve ser rejeitado.

Em caso de dúvida referente à legitimidade da documentação, todo o lote representativo pode ser rejeitado. Neste caso, permite-se que o fabricante realize todos os ensaios correspondentes, na presença do comprador. Para a marcação, em alguma peça do conjunto fechadura de embutir, incluindo chapatesta, falsa testa, cilindro e chave, devem ser marcadas, de forma visível e indelével, as seguintes informações: nome ou marca do fabricante; país de origem de fabricação (por exemplo: Ind. Bras., Fabricado no Brasil, Indústria Brasileira, Made in Brazil, etc.); data de fabricação (no mínimo semestre/ano).

Para a identificação do fabricante, na fechadura de embutir deve estar marcado, de forma visível e indelével, após a instalação do produto, o nome ou marca do fabricante. O conjunto fechadura de embutir deve ser acondicionado em embalagem protetora, de modo a garantir a permanência de suas características, devendo constar no lado externo: nome ou marca do fabricante; materiais empregados na fabricação dos componentes; país de origem de fabricação (por exemplo: Ind. Bras., Fabricado no Brasil, Indústria Brasileira, Made in Brazil, etc.); número desta norma; faixa de espessura de folha de porta para a instalação da fechadura; distância de broca (dimensão “A” da figura acima); no caso das fechaduras de embutir do tipo externa e das fechaduras de embutir de perfil estreito, a indicação do respectivo número de combinações de segredos para o cilindro da fechadura; classificação do produto conforme especificado a seguir: tráfego __________ (leve, médio ou intenso); resistência à corrosão __________ (1, 2, 3 ou 4); segurança __________ (mínima, média, alta, muito alta ou máxima).

A conformidade da produção do adobe ou tijolo de barro

Conheça os requisitos para a produção de adobe e execução da alvenaria, além dos métodos de ensaio para sua caracterização física e mecânica, não sendo aplicável à edificação com parede em alvenaria estrutural de adobe superior a dois pisos, assim como à execução de arcos, abóbadas e cúpulas.

A NBR 16814 de 01/2020 – Adobe — Requisitos e métodos de ensaio estabelece os requisitos para a produção de adobe e execução da alvenaria, além dos métodos de ensaio para sua caracterização física e mecânica. Esta norma não é aplicável à edificação com parede em alvenaria estrutural de adobe superior a dois pisos, assim como à execução de arcos, abóbadas e cúpulas. Esta norma não é aplicável aos projetos elaborados com alcance e base diferentes das considerações aqui estabelecidas. Esta norma contribui com a ampliação de alternativas de materiais e técnicas de construção, principalmente para produção de habitação de interesse social, especialmente em regiões nas quais existe a tradição de uso do adobe como material de construção, como forma de qualificar esta prática.

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Como se define o adobe e o adobe estabilizado?

Qual deve ser a argamassa de assentamento do adobe?

Qual deve ser o número de adobes dos lotes e da amostragem?

Como deve ser executada a inspeção por ensaios?

Em geral, as técnicas de construção com terra são de baixo impacto ambiental negativo, principalmente pela produção local e em pequena escala, reduzido gasto energético com transporte, utilização de matéria prima local e abundante, reduzido consumo de energia para produção, baixo nível de geração de resíduos da construção e demolição, e elevado potencial de reciclagem. Assim sendo, estes materiais atendem às principais premissas do desenvolvimento sustentável, reduzindo os impactos ambientais negativos produzidos pela construção civil, uma das grandes preocupações da atualidade.

Entre as inúmeras técnicas de construção com terra encontradas ao redor do mundo, destacam-se três, que foram introduzidas no Brasil pelos colonizadores portugueses, no século XVI: taipa (ou taipa de pilão): solo predominantemente arenoso, com umidade próxima ao teor de umidade ótima de compactação, compactado em camadas no interior de formas móveis (taipal), conformando paredes consideradas monolíticas; adobe: solo arenoargiloso, em estado plástico firme (barro), moldado em formas, desmoldado logo em seguida e colocado para secar naturalmente, para produção de elementos de alvenaria (blocos ou tijolos); e pau a pique (ou taipa de mão, ou taipa de sopapo, ou técnica mista): solo argiloso, em estado plástico mole, preenchendo os espaços formados por um entramado de madeira de pequena seção (fixado em uma estrutura de pilares e vigas de madeira), aplicado em várias camadas, intercaladas por processo de secagem.

Posteriormente, notadamente nos anos 70 e 80, e com a popularização do uso do cimento na construção civil, outra técnica de construção com terra foi incentivada no Brasil. Trata-se dos blocos de terra comprimida (BTC), estabilizados com cimento. Não existiam normas brasileiras para as três técnicas anteriores, quer seja para caracterização dos materiais ou para sua aplicação na elevação de paredes.

Em outros países, existem algumas normas para construção com adobes, ou com taipa, porém de difícil adaptação à realidade brasileira, porque são países com considerável vulnerabilidade sísmica e/ou solos muito diversos dos encontrados no Brasil. Para avaliação da adequação do solo para a produção de adobe, devem ser realizados ensaios de laboratório, cujos resultados atendam aos seguintes requisitos: a composição granulométrica da terra, determinada conforme as NBR 6457 e NBR 7181, deve atender preferencialmente aos seguintes parâmetros: areia: entre 45% e 65%; silte: até 30%; e argila: entre 25% e 35%.

Para os solos fora dos parâmetros indicados ou com presença de sais, realizar ensaios de comportamento físico e mecânico de adobes produzidos experimentalmente, os quais devem atender às especificações de desempenho desta norma e não utilizar solos orgânicos (ou contendo matéria orgânica em decomposição) ou com comportamento expansivo.

A composição granulométrica do solo pode ser corrigida com adição de areia, ou com mistura de dois ou mais tipos de solos. A água a ser utilizada deve atender aos mesmos requisitos daquela aplicada nos concretos e argamassas. Caso seja necessário, podem ser utilizados estabilizantes, desde que sejam realizados ensaios de comportamento físico e mecânico de adobes produzidos experimentalmente, para verificação do atendimento dos parâmetros de desempenho desta norma.

Para as características visuais do adobe, para seu emprego, o adobe deve estar seco, livre de materiais estranhos, trincas ou outros defeitos que possam comprometer sua resistência ou durabilidade. Recomenda-se que o adobe tenha a forma externa de um paralelepípedo retangular, sendo suas dimensões nominais ajustadas às seguintes condições, de acordo com a figura abaixo: comprimento do adobe (C), correspondente à maior dimensão das faces de assentamento, preferencialmente igual ao dobro da largura (L), sendo acrescida de uma vez a espessura da junta vertical de assentamento (j), em que as juntas de assentamento horizontais e verticais não podem exceder 20 mm de espessura e devem ser preenchidas completamente; altura do adobe (H), correspondente à distância entre as faces de assentamento, preferencialmente igual à metade da largura e maior ou igual a 7 cm.

Para as dimensões efetivas do adobe são admitidas as seguintes tolerâncias, com relação às dimensões nominais: a tolerância de dimensões individuais efetivas do adobe, para H, L e C, estabelecidas em 4.3.1 e determinadas de acordo com o procedimento estabelecido no Anexo A, é de ± 5 mm; a tolerância de dimensões médias da amostra para Hm, Lm e Cm, é de ± 5 mm. Para atender às necessidades específicas de projeto, por exemplo, paredes curvas ou formação de ângulos diferentes de 90º entre si, é permitida a produção de adobes com formatos especiais, desde que sejam asseguradas as mesmas características físicas e mecânicas dos demais adobes de uma mesma edificação.

O adobe deve ser maciço, sendo permitidos um ou dois furos perpendiculares à face de assentamento, para passagem de tubulações ou grauteamento para reforço estrutural. O diâmetro do furo (d) deve ser de no máximo metade da largura do adobe, conforme a figura abaixo.

O barro para moldagem do adobe deve ser preparado de acordo com as seguintes etapas: o material seco deve ser destorroado e homogeneizado, antes da adição da água; adicionar água, homogeneizando a mistura (amassamento) até obter a consistência apropriada para a moldagem; deixar o barro em repouso por cerca de 24 h, coberto com lona plástica, e amassá-lo novamente, antes do uso.

Devem ser tomados os seguintes cuidados na moldagem do adobe: o barro deve preencher completamente o volume do molde; desmoldar o adobe logo após a sua conformação, sobre uma superfície nivelada; se necessário, utilizar desmoldante. O tempo de secagem varia em função das condições climáticas da região. Deve-se atentar para: proteger o adobe das intempéries; evitar a secagem acelerada no início do processo; assegurar que a secagem seja uniforme em todas as faces do adobe.

A umidade e a erosão produzidas nas paredes de terra são as principais causadoras da deterioração destas construções, sendo necessário protegê-las por meio de elementos construtivos, como: argamassas para emboços e rebocos de terra, que podem ser estabilizadas nos ambientes internos molhados, quando expostas ao contato direto com a água, ou quando houver necessidade; nas paredes externas, expostas às chuvas, estas argamassas devem ser estabilizadas com materiais que garantam melhor proteção mecânica, como a cal, por exemplo; revestimentos com outros materiais para proteção mecânica das paredes, desde que assegurem seu comportamento higroscópico; parede assentada em uma base de material que impeça a ascensão capilar de água e proteja a base da alvenaria; calçadas perimétricas; sistema de drenagem apropriado no entorno imediato da construção; beirais de cobertura. Não podem ser empregadas argamassas de cimento e areia para o revestimento de paredes de adobe.

As peças compradas e fabricadas por manufatura aditiva

Pretende-se que este documento seja utilizado pelos fornecedores de peças e/ou pelos clientes de peças fabricadas por manufatura aditiva. Este documento é uma norma de nível superior na hierarquia de normas de manufatura aditiva, destinado a ser aplicado às peças fabricadas por qualquer processo de manufatura aditiva e qualquer tipo de material.

A NBR ISO/ASTM 52901 de 11/2019 – Manufatura aditiva — Princípios gerais — Requisitos para peças compradas, fabricadas por manufatura aditiva define e especifica os requisitos para peças compradas, fabricadas por manufatura aditiva. Fornece as diretrizes para os elementos a serem trocados entre o cliente e o fornecedor da peça no momento do pedido de compra, incluindo as informações da solicitação do cliente, dados de definição da peça, requisitos de material de alimentação, características e propriedades da peça final, requisitos de inspeção e métodos de aceitação da peça. É aplicável ao uso como uma base para obter peças fabricadas por manufatura aditiva que atendam aos requisitos mínimos de aceitação. Requisitos mais rigorosos da peça podem ser especificados por meio da adição de um ou mais requisitos complementares no momento do pedido de compra.

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O que as características da peça devem atender?

Como deve ser feita a inspeção das peças?

Qual deve ser a documentação de aceitação?

Quais são as informações do pedido de compra da peça?

Este documento abrange a definição e a comunicação de requisitos para peças compradas, fabricadas por manufatura aditiva. Ele é destinado a permitir uma comunicação eficiente e inequívoca entre os fornecedores de peças e os clientes de peças fabricadas por manufatura aditiva, assegurando que a peça resultante atenda aos requisitos do cliente.

Pretende-se que este documento seja utilizado pelos fornecedores de peças e/ou pelos clientes de peças fabricadas por manufatura aditiva. Este documento é uma norma de nível superior na hierarquia de normas de manufatura aditiva, destinado a ser aplicado às peças fabricadas por qualquer processo de manufatura aditiva e qualquer tipo de material.

Este documento permite diferentes requisitos com base na classificação da criticidade e do uso final esperado das peças fabricadas por manufatura aditiva. O pedido de compra da peça deve incluir os seguintes elementos: organização e informações de contato do cliente (de preferência com pontos de contato para pedidos de compra, pagamento e entrega); definição da (s) peça (s) a ser (em) fabricada (s); condições associadas de entrega ao cliente; outros requisitos de compra; uma identificação de referência deste documento, ou seja, NBR ISO/ASTM 52901, e outros regulamentos nacionais/internacionais pertinentes; identificação do pedido de compra da peça do cliente (número de requisição, data de requisição etc.); designação ou descrição da (s) peça (s) desejada (s) (número/identificação da peça, índice de revisão, etc.); quantidade desejada de peças; data de entrega requerida, se for um único pedido de compra; quantidade de entrega, frequência e período de duração requeridos do pedido de compra, se for um pedido com entrega programada ou múltiplos pedidos; marcação ou etiquetagem requerida das peças, incluindo, por exemplo, rótulos, número de série, número de lote, tipo de material de alimentação, referência do fornecedor da peça, identificador de inspeção, referência de rastreabilidade, etc.; requisitos da embalagem da peça para entrega ao cliente; endereço de entrega do cliente.

Os valores específicos dos elementos estão sujeitos a um acordo entre o cliente e o fornecedor da peça. A definição da peça deve incluir os seguintes elementos: geometria da peça; tolerâncias; textura superficial; orientação de fabricação, se necessário, para atender aos requisitos do cliente; material de alimentação para a peça a ser fabricada, se necessário, para atender aos requisitos do cliente; métodos de reparo (levando em consideração as categorias de ensaio definidas na NBR ISO 17296-3); imperfeições ou desvios aceitáveis; informações de controle do processo.

A divulgação de informações confidenciais está sujeita a um acordo entre o cliente e o fornecedor da peça. A definição da peça deve incluir os seguintes elementos: referência do desenho de engenharia (número, índice e versão), se aplicável; referência do arquivo digital (nome, formato, versão), se aplicável; descrição da geometria por um desenho de engenharia que defina completamente a peça, ou um arquivo digital contendo o modelo 3D ou as informações de geometria da peça.

Para troca de dados eletrônicos, o cliente e o fornecedor da peça devem assegurar que os sistemas utilizados sejam compatíveis e devem definir o método de fornecimento de arquivos digitais, incluindo o nível de confidencialidade e os métodos de proteção de dados, o formato dos dados eletrônicos, e os procedimentos para criação do arquivo digital (incluindo a fonte dos dados eletrônicos e os requisitos de conversão necessários para produzir o arquivo digital). Os documentos de descrição da geometria da peça podem ser fornecidos pelo cliente ou pelo fornecedor da peça.

O formato de arquivo STL utilizado por muitas máquinas de manufatura aditiva não contém unidades de medida como metadados. Quando somente arquivos STL forem fornecidos pelo cliente, as informações do pedido de compra especificam as unidades de medida da peça juntamente com o arquivo digital. Mais informações sobre arquivos digitais podem ser encontradas na ISO/ASTM 52915.

As tolerâncias devem ser especificadas (por exemplo, tolerâncias gerais, ver NBR ISO 2768-1 e NBR ISO 2768-2, e/ou tolerâncias específicas, ver ISO 1101), incluindo a definição de zonas funcionais (por exemplo, sobremetal para usinagem para acabamento ou retrabalho) e zonas estéticas ou cosméticas, de modo que o fornecedor da peça possa orientar a peça de acordo com os requisitos e decidir sobre a localização e o tipo de estruturas de suporte da peça, se necessário. Convém que a textura superficial (também conhecida como acabamento superficial) da peça seja especificada, se possível por referência a normas existentes (por exemplo, utilizando a ISO 1302 e/ou a ISO 25178-1).

O requisito de textura superficial pode ser especificado por um valor máximo de rugosidade/ondulação para toda a peça ou por uma rugosidade/ondulação específica para uma ou mais superfícies críticas. A textura superficial geralmente depende de diversos parâmetros do processo, incluindo a orientação da peça e a espessura de camada.

O processo de fabricação desejado para construir a peça deve ser identificado, incluindo as etapas de pós-processamento necessárias (por exemplo, tratamento térmico, acabamento superficial). A orientação de fabricação deve seguir as regras fornecidas na ISO/ASTM 52921. A orientação de fabricação geralmente é escolhida pelo fornecedor da peça para atender aos requisitos; entretanto, o cliente pode especificar a orientação de fabricação da peça, se necessário, para obter as propriedades mecânicas específicas.

O tipo e/ou os limites da composição química do material de alimentação para a peça a ser fabricada devem ser especificados por referência a normas e/ou especificações existentes do material. O pedido de compra deve mencionar ou referenciar especificações apropriadas para as características do material de alimentação para a peça a ser fabricada, os requisitos de armazenamento, manuseio e processamento para o uso adequado do material de alimentação e para o controle de suas propriedades, e se for necessário atender aos requisitos do cliente, informações sobre o uso permitido do material de alimentação reciclado (reutilizado).

Se o cliente tiver preocupações sobre o país de origem do material de alimentação ou do produtor do material de alimentação, a fonte desejada do material de alimentação pode ser especificada. Qualquer reparo deve ser comunicado ao cliente e autorizado antes de ser realizado. Os métodos de reparo autorizados (como reparo por deposição de material, soldagem, colagem ou aglutinação) e as condições de reparo correspondentes devem ser especificados, se necessário, e devem ser aprovados pelo cliente.

As tolerâncias para trincas, defeitos, descontinuidades, material estranho, inclusões, imperfeição (ões) ou desvio (s) aceitável (eis), descolorações e porosidade devem ser acordadas entre o fornecedor da peça e o cliente. Os requisitos para a repetibilidade do processo de fabricação devem ser identificados, incluindo referência a normas ou métodos de medição relevantes para avaliar a repetibilidade, particularmente para pedidos de compra de peças múltiplas ou pedidos de compra múltiplos esperados da mesma peça.

Os requisitos para documentar as informações de controle do processo durante a fabricação devem ser identificados. As informações requeridas, conforme acordado entre o fornecedor da peça e o cliente, devem ser documentadas durante a fabricação e incluídas no registro de qualidade para a peça de manufatura aditiva como retidas pelo fornecedor da peça. O período de retenção do registro de qualidade e as informações de controle do processo a serem transmitidas ao cliente devem ser acordados entre o cliente e o fornecedor.

Se prestadores de serviços externos autorizados forem requeridos (por exemplo, para pós-tratamento, inspeção, etc.), eles devem ser acordados entre o fornecedor da peça e o cliente, e devem ser documentados. O pedido de compra deve especificar se a inspeção deve ser realizada em uma ou mais peças finais ou de referência (por exemplo, em um turno completo de produção, em amostras dos turnos de produção ou em peças de referência que tenham características similares, porém geometria ou escala diferentes).

Se os resultados do ensaio especificado no pedido de compra estiverem em conformidade com os critérios de aceitação, a peça deve ser aceita. Se os resultados dos ensaios não estiverem em conformidade com os valores definidos no pedido de compra, amostras adicionais do mesmo turno de produção devem ser submetidas a ensaios adicionais para aceitação.

Qualquer peça que não esteja em conformidade com os requisitos, porém que atenda às condições para retrabalho estipuladas no pedido de compra, pode ser reparada ou aceita. Qualquer não conformidade remanescente com os requisitos do pedido de compra, se o retrabalho for realizado ou não, deve ser revisada pelo cliente para determinar se um desvio específico dos requisitos pode ser aceito. Caso contrário, as peças devem ser rejeitadas.

Os requisitos das válvulas industriais para petróleo

Há todo um conceito para os projetos e ensaios de protótipos de válvulas industriais tipos gaveta, esfera, globo, retenção, macho e borboleta, nas classes de pressão 150, 300, 600, 800, 900, 1.500 e 2.500, utilizados nas instalações de exploração, produção, refino e transporte de produtos de petróleo.

A NBR 15827 de 12/2018 – Válvulas industriais para instalações de exploração, produção, refino e transporte de produtos de petróleo – Requisitos de projeto e ensaio de protótipo estabelece os requisitos para projetos e ensaios de protótipos de válvulas industriais tipos gaveta, esfera, globo, retenção, macho e borboleta, nas classes de pressão 150, 300, 600, 800, 900, 1.500 e 2.500, utilizados nas instalações de exploração, produção, refino e transporte de produtos de petróleo. Esta norma é aplicável às válvulas com ou sem acionamento manual, com ou sem redutor. Os redutores devem comprovar o pleno atendimento às premissas de projeto das válvulas, incluindo os ensaios cíclicos desta norma.

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Quais as faixas de abrangência do protótipo por diâmetro e classe de pressão?

Quais as siglas e abreviaturas usadas nessa norma?

Qual a ciclagem para válvulas tipo esfera, gaveta, globo, borboleta, macho e de retenção?

Quais os vazamentos permitidos?

Qual o critério de aceitação para válvulas com esfera flutuante?

Qual deve ser a especificação padronizada para as gaxetas?

As válvulas devem ser projetadas utilizando os padrões construtivos dados nas Tabelas 1 a 6 (disponíveis na norma). Exceto se indicado em contrário aos requisitos de documentação de projeto, memórias de cálculo e ensaios de protótipo são aplicáveis a todos os tipos de válvulas. O fabricante deve estabelecer como premissas de projeto os aspectos descritos a seguir.

A confiabilidade para a vida útil projetada, com base no número de ciclos esperados em operação real e no número máximo de ciclos a que um protótipo pode ser submetido e o número mínimo de ciclos nas condições de ensaio, a partir do qual é constatado o primeiro vazamento pela vedação da haste, para os projetos de válvulas que utilizem vedação por engaxetamento. A periodicidade de reaperto da vedação da haste, para as válvulas que utilizem vedação por engaxetamento, observando as taxas de vazamento (líquido e gás) por meio da vedação da haste, que após o reaperto deve ser sem vazamento visível (SVV).

Os critérios de aceitação para vedação em função dos requisitos normativos estabelecidos nesta norma e os critérios de aceitação de desempenho, em função dos requisitos normativos estabelecidos nesta norma: considerar como falha na validação do projeto qualquer não conformidade de desempenho do protótipo em relação aos requisitos estabelecidos nesta norma; em válvulas de acionamento manual que utilizem redutor, este é considerado parte integrante do projeto da válvula e deve ter suas características identificadas e controladas conforme esta norma.

Caso exista mudança no redutor, este pode ser qualificado em separado, para assegurar sua adequação ao projeto original, efetuando-se os ensaios de torque e ciclagem previstos para a válvula. Para aplicações específicas, podem ser solicitadas pelo comprador premissas complementares de projeto que atendam aos critérios de aceitação para vedação e de desempenho. Neste caso, devem ser estabelecidos procedimentos de ensaio de protótipo específicos com foco nessas necessidades.

O fabricante deve registrar explicitamente na documentação de projeto as restrições de projeto e de operação (por exemplo, posição de instalação, sentido de fluxo, regime de fluxo, pressão, temperatura, materiais resilientes etc. O material dos estojos, parafusos e porcas da união corpo-tampa, união corpo-tampa tipo castelo, união do corpo com a tampa do eixo trunnion das válvulas tipo esfera, união do corpo diretamente com o eixo trunnion das válvulas tipo esfera, quando este for solidário à sua tampa, e união do corpo com a tampa do eixo das válvulas tipo borboleta deve ser conforme as especificações listadas na Tabela 8 (disponível na norma).

Quando solicitado pelo cliente, os estojos ou parafusos e as porcas devem ser revestidos com zinco níquel (Zn-Ni) ASTM B 841, Classe 1, Tipo B/E, Grau 5 a 8, com alívio de tensões e de hidrogênio, conforme as ASTM B 849 e ASTM B 850. Para os estojos e parafusos no material ASTM A 320 Gr L7, quando o material do corpo da válvula for igual a ASTM A 350 Gr LF2 CL 1 ou ASTM A 352 Gr LCB, é aceitável o ensaio de impacto a –45 °C e, quando o material do corpo da válvula for igual a ASTM A 350 Gr LF3 ou ASTM A 352 Gr LC3, é aceitável o ensaio de impacto a –60 °C.

Os estojos de união do corpo-tampa (tipo esfera, retenção e macho) e corpo-tampa tipo castelo (tipo gaveta e globo) devem ser conforme ASME B 1.1, UNC-2A até 25,40 mm (1”) e 8UN-2A a partir de 28,57 mm (1 1/8”), com porcas sextavadas padrão ASME B 18.2.2, no número mínimo de quatro. O comprimento dos estojos deve ter no mínimo um e no máximo três fios de rosca, além da porca. Para as válvulas de diâmetro 40 (1 ½) e menores, é permitida a utilização de parafusos conforme ASME B18.2.1. Alternativamente os parafusos, estojos e porcas podem ser em padrão métrico.

As válvulas tipo esfera ensaiadas a fogo (fire tested type) devem ser certificadas com os estojos listados na Tabela 8 (disponível na norma). Para os casos não cobertos na Tabela 8, o fabricante pode especificar o material dos estojos. Neste caso, este conjunto deve ser certificado com ensaio a fogo. Como alternativa ao material ASTM A 193 GR B7, podem ser usados estojos no material ASTM A 193 GR B16.

Nas ligações aparafusadas da válvula ou redutor, não é permitido o uso de materiais com dureza acima de 35 HRC, devido à possibilidade de fragilização por hidrogênio. As válvulas devem conter placa de identificação conforme indicado na norma construtiva e atender às marcações e requisitos adicionais de 5.7.4 e 5.7.5. A placa de identificação deve ser fabricada em aço inoxidável e fixada como a seguir: em válvulas fundidas, deve ser fixada à superfície externa da aba do flange de ligação do corpo ou da tampa ou castelo, com elementos de fixação em aço inoxidável austenítico; em válvulas forjadas, deve ser fixada ao volante por meio de sua porca; em válvulas tipo wafer, deve ser fixada no corpo.

As válvulas ensaiadas a fogo devem ser identificadas na placa com a sigla ISO – FT e com a especificação do material dos internos (haste, obturador e sede) e das vedações (gaxetas e juntas). Além do requerido pela norma construtiva, a placa de identificação deve conter as seguintes informações: identificação desta norma (NBR 15827); especificação do material das gaxetas e junta de vedação; temperatura máxima de utilização contínua (para válvulas em condições especiais); número de série, individualizado por válvula.

Para as válvulas de retenção forjadas, a placa de identificação deve ser fixada ao tampo por meio de suas porcas ou de rebites, desde que a espessura mínima de parede não seja afetada. Os ensaios devem ser executados em laboratório próprio do fabricante ou contratado, que tenha sido avaliado por um organismo de terceira parte, com profissionais avaliados conforme os requisitos da NBR ISO IEC 17025.

Um organismo de terceira parte acreditado deve auditar o sistema de gestão da qualidade do fabricante, priorizando os controles referentes às etapas de projeto, fabricação e memorial descritivo das válvulas industriais, tendo como referência os itens indicados no Anexo G referentes à NBR ISO 9001. Engenheiro com mais de cinco anos de formado e experiência mínima de três anos, ou técnico com mais de oito anos de formado e cinco anos de experiência em projetos de equipamento mecânicos, com base nas normas API, BS, ASME e ANSI e análise estrutural por elementos finitos, ou quando aplicável, análise computacional de mecânica dos fluidos.

O fabricante deve apresentar os desenhos dimensionais de conjunto, em corte, com lista de todos os componentes e especificações dos materiais. O fabricante deve apresentar os desenhos de fabricação de todos os componentes, com respectivas revisões e procedimentos de montagem, incluindo tabela de torques de aperto dos elementos de fixação. Deve apresentar as memórias de cálculo, conforme detalhado nesta norma. A fim de preservar a propriedade intelectual do fabricante, os documentos citados em 6.1.1 a 6.1.3 não são anexados à documentação de projeto, porém devem estar disponíveis na fábrica para eventuais avaliações por parte do comprador.

O fabricante deve apresentar memória de cálculo da válvula ou do conjunto válvula-redutor (quando aplicável), comprovando o atendimento à ASME B16.34 e respectivos padrões construtivos. A memória de cálculo da válvula deve incluir análise das tensões e deformações resultantes, por cálculos analíticos e/ou modelos de elementos finitos, abrangendo o cálculo dos componentes críticos, como corpo, tampa, haste e elementos de fixação, assim como o cálculo das pressões das sedes sobre o obturador.

Considerar como parâmetros de entrada as temperaturas ambientes, máxima e mínima, conforme a tabela abaixo, e a correspondente pressão máxima de trabalho, conforme ASME B16.34. Os cálculos analíticos e/ou de elementos finitos são aplicáveis somente à válvula, não sendo necessária a análise de elementos finitos para o redutor. Os critérios de análise de tensões e tensões admissíveis devem ser conforme Código ASME Section VIII Division 2, exceto para o sistema de acionamento, cujas tensões devem ser limitadas a 67 % das tensões de escoamento conforme API 6D.

As tensões de cisalhamento, torção e compressão não podem exceder o limite especificado no API 6D. O fabricante deve disponibilizar estudo completo de folgas e tolerâncias, abrangendo condições de carregamento interno e influência da temperatura, conforme faixa de aplicação da tabela abaixo. O fabricante deve disponibilizar estudo completo com critério de seleção dos materiais resilientes das sedes, em função das classes de pressão e de temperatura da válvula, apresentando relatório com os critérios que influenciaram na seleção dos materiais.

Para as válvulas tipo esfera, o fabricante deve apresentar a tolerância de esfericidade e o grau de acabamento superficial da esfera e da área de vedação da haste, indicando a rugosidade em μm RA ou μinch rms. No caso de as válvulas tipo esfera possuírem vedação entre sede × esfera do tipo metal × metal, apresentar também o diferencial de dureza entre sedes e esfera, quando aplicável. Para as demais válvulas, o fabricante deve apresentar o grau de acabamento das sedes, obturadores e área de vedação das hastes μm RA ou μinch RMS, bem como durezas e diferenciais de dureza, onde aplicáveis.

O fabricante deve apresentar lista dos torques requeridos no eixo da válvula, contendo os seguintes torques: torque nominal de operação (TNO), torque máximo de operação (TMO) e torque máximo admissível (TMA), levando-se em conta as classes de pressão e de temperatura da válvula. Para válvulas tipo gaveta e válvulas tipo globo acionadas manualmente, o TNO deve atender à MSS SP-91; para as válvulas tipo esfera, o TNO deve atender à ISO 14313 (API 6D); e para as válvulas tipo borboleta, o TNO deve atender à API 609. A memória de cálculo do sistema de acionamento da válvula deve considerar como premissa de projeto o TMO, conforme 7.1.3.1.

O projeto de válvulas tipo retenção, globo e borboleta deve considerar estudo de mecânica dos fluidos, para líquidos e gases, que inclua a apresentação da curva de perdas de carga e do coeficiente de vazão, assim como evidências do comportamento estável dentro da faixa de vazão para válvula tipo retenção. A análise fluidodinâmica, quando requerida pelo usuário, pode ser realizada por simulação computacional (CFD) ou comprovação experimental, onde esta última pode ser realizada durante os ensaios de qualificação com protótipo.

As lentes para óculos montadas

As lentes montadas e acabadas são classificadas da seguinte forma: lentes acabadas de visão simples; lentes acabadas multifocais; lentes acabadas de potência variável.

A NBR ISO 21987 de 08/2019 – Óptica oftálmica — Lentes para óculos montadas especifica os requisitos e métodos de ensaio para lentes para óculos montadas, em relação à prescrição solicitada.

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Quais as tolerâncias do desequilíbrio do prisma (erro relativo de prisma) para lentes de visão simples (excluindo lentes de visão simples de posição específica) e lentes multifocais?

Qual deve ser a posição horizontal dos segmentos?

Qual é o método para verificação da potência de adição para lentes multifocais?

Qual é o método de verificação para planos de transmissão de lentes polarizadoras?

Como deve ser avaliada a qualidade do material e da superfície?

As lentes montadas e acabadas são classificadas da seguinte forma: lentes acabadas de visão simples; lentes acabadas multifocais; lentes acabadas de potência variável. As tolerâncias devem ser aplicadas a uma temperatura de 23 °C ± 5 °C. As lentes acabadas não cortadas, utilizadas na fabricação de óculos completos, devem atender aos requisitos da ISO 14889.

As lentes para óculos montados também devem atender aos outros requisitos solicitados na prescrição, não incluídos neste documento. As características ópticas devem ser verificadas utilizando um lensômetro, conforme os requisitos da ISO 8598-1. As tolerâncias ópticas devem ser aplicadas no (s) ponto (s) de referência das lentes em um dos comprimentos de onda de referência especificados na NBR ISO 7944.

Se o fabricante indicar uma potência de verificação, as faixas e tolerâncias nas tabelas na norma devem estar de acordo com e aplicadas à potência de verificação. Neste caso, a potência de verificação pode ser declarada pelo fabricante em um documento anexo. Para as potências do vértice posterior, quando verificadas de acordo com 5.3.1, as lentes para óculos devem estar de acordo com as tolerâncias da potência de cada meridiano principal (ver tabela abaixo, segunda coluna) e com as tolerâncias da potência cilíndrica (ver tabela abaixo, terceira a sexta coluna), usando o método especificado em 6.2: a potência do vértice posterior no ponto de referência de todas as lentes de visão simples e o ponto de referência da distância das lentes multifocais, incluindo aqueles com superfícies asféricas ou atoroidais, devem atender às tolerâncias constantes na tabela abaixo; a potência do vértice posterior no ponto de referência primário das lentes de potência variável deve atender às tolerâncias constantes na tabela abaixo.

Quando verificado de acordo com 5.3.1 e usando o método especificado em 6.6, o desequilíbrio do prisma (erro relativo de prisma), depois de neutralizar ou permitir que qualquer prisma prescrito, para lentes de visão simples (excluindo visão simples de posição específica) e multifocais, deve atender às tolerâncias da Tabela 5 (na norma). Lentes sem prisma prescrito também são inclusas. Para determinar as tolerâncias de desequilíbrio do prisma: se for prescrito como um prisma oblíquo, calcular qualquer prisma prescrito em suas componentes vertical e horizontal; determinar o maior valor da componente horizontal prescrita e o maior valor da componente vertical prescrita; encontrar as quatro potências principais (duas em cada lente); identificar a maior potência absoluta das quatro potências principais; horizontal: se o valor absoluto da potência encontrada for ≤ 3,37 D, usar os valores de tolerância da segunda coluna da Tabela 5 na norma.

A linha é determinada usando o maior valor da componente horizontal prescrita. Se o valor absoluto da potência for > 3,37 D, usar os valores de tolerância da terceira coluna. A Figura 1 na norma pode ser usada para determinar a tolerância do desequilíbrio horizontal do prisma ao invés de usar a Tabela 5. Encontrar a tolerância do desequilíbrio horizontal do prisma no eixo y, usando a potência no eixo x, acima em 4), e a curva representando a faixa pertinente do prisma, isto é, que contém o maior valor da componente horizontal do prisma prescrito.

Na vertical: se o valor absoluto da potência encontrada for ≤ 5,00 D, usar os valores de tolerância na quarta coluna da Tabela 5. A linha é determinada usando o maior valor da componente vertical prescrita. Se o valor absoluto da potência for > 5,00 D, usar os valores de tolerância na quinta coluna.

Como recomendações na montagem, convém que as duas lentes de um par sejam razoavelmente combinadas em formato, tamanho, forma e massa e, exceto quando necessário para fins de combinação, não convém que sejam substancialmente mais espessas do que o requerido, para dar estabilidade mecânica. Em determinadas circunstâncias, uma correspondência satisfatória pode requerer que as lentes sejam especialmente trabalhadas. Convém que o tom, incluindo a refletância residual de revestimentos antirreflexo e a refletância de revestimentos espelhados, das duas lentes de um par não seja obviamente diferente.

Como recomendações sobre a montagem, no tamanho e forma das lentes, convém que o tamanho e a forma de uma lente sejam substancialmente iguais ao tamanho e forma da abertura correspondente na armação. Convém tomar cuidado para assegurar que as dimensões do frontal dos óculos, após a montagem, não difiram substancialmente das dimensões correspondentes antes da montagem. Convém ter em mente que alterações significativas na forma do aro, tamanho da abertura ou dimensões da ponte podem diminuir consideravelmente a vida útil dos óculos acabados.

Ao montar lentes em armações de metal, convém tomar cuidado para não danificar qualquer revestimento protetor no metal. Para as lentes com bordas biseladas, convém que o bisel seja liso, regular, livre de cavacos e estrelado, e razoavelmente livre de facetas, com um chanfro de segurança no pico e em cada borda, quando necessário. Para lentes para montagens de óculos sem aro e semiaro, convém que as lentes de borda plana apresentem um acabamento suave com um chanfro de segurança em cada borda, quando necessário.

Convém que os furos para conexões sem aro sejam perfurados na distância correta da borda de acordo com o tipo de montagem. Slots e ranhuras, quando requeridos, convém que sejam posicionados com exatidão. Convém que a barra frontal de suportes semiaro seja cuidadosamente ajustada para seguir a extremidade da lente, desde que o modelo de estrutura permita isto. Convém que as extremidades dos parafusos estejam bem acabadas.

Para a montagem, convém que as lentes sejam retidas com segurança na armação, para que o movimento ou a rotação não possam ocorrer sob qualquer condição normal de uso. Convém que nenhum espaço esteja visível entre a borda da lente e o aro. Convém que as metades das juntas do bloco de fechamento fechem adequadamente sem força indevida ou sem deixar uma lacuna visível na junta. Convém que as lentes em suportes sem aro e semiaro sejam montadas de forma habilidosa e cuidadosa para assegurar que estejam seguras na posição. Convém que todas as lentes montadas não apresentem tensão significativa, quando examinadas em um polariscópio ou tensiômetro.

Para o ajuste de lentes redondas, convém que a posição de ajuste das lentes redondas (exceto as de vidro temperado termicamente) seja indicada por uma marca permanente colocada ao lado da junta na superfície posterior da lente, como a seguir: na lente direita, uma marca na linha central horizontal no lado temporal; na lente esquerda, duas marcas colocadas simetricamente, uma acima e outra abaixo da linha central horizontal no lado temporal.

Otimismo na indústria

Luiz Gonzaga Bertelli

A crise econômica que de certa forma dilacerou boa parte do setor industrial começa a perder o fôlego. Os sinais de recuperação vão ficando mais nítidos e gerando confiança. Pelo menos é o que demonstra o estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que prevê a retomada do crescimento a partir do ano que vem.

Segundo o documento, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 1,7% em 2017; 2,5% em 2018; 2,8% em 2019; e ultrapassar os três pontos em 2020. Com a recuperação dos investimentos privados, o emprego também voltará a crescer.

Apesar do quadro otimista, a CNI faz um alerta: para dar conta da demanda do reaquecimento da economia, o Brasil terá de qualificar 13 milhões de jovens entre 2017 e 2020 para ocupações no setor industrial, incluindo pessoal de nível superior e técnico. De acordo com o estudo, as áreas de maior procura serão construção civil, com 3,8 milhões de vagas, seguidas de meio ambiente e produção (2,4 milhões), indústria metal mecânica (1,7 milhão); e alimentos (1,2 milhão).

Sempre que há retomada no crescimento, as empresas necessitam de mão de obra qualificada para dar vazão ao crescimento da produção. É por isso que o CIEE, já há algum tempo, vem alertando as corporações para a necessidade de abrir oportunidades para estagiários e aprendizes, com o objetivo de formar, dentro de sua cultura organizacional, os próprios talentos. Pois, no momento em que o crescimento econômico exigir maior desempenho das empresas, aquelas que contarem com capital humano mais preparados alcançarão resultados mais positivos.

O estágio, que pode ser realizado por estudantes dos ensinos médio, técnico, tecnológico e superior, é adequado para fortalecer a formação prática no campo profissional. O estudante também leva à empresa sua bagagem teórica e os novos estudos da área, desenvolvidos na academia.

A aprendizagem é importante para incluir e dar formação socioprofissional para jovens de 14 a 24 anos, capacitando-os para o mercado de trabalho com programas que unem a prática na empresa com o conteúdo teórico que o CIEE oferece por meio do programa Aprendiz Legal. As empresas que formarem seus próprios talentos estarão mais preparadas para enfrentar a competitividade que o desenvolvimento econômico costuma trazer para o mercado de trabalho.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).

Como implementar a Economia Circular (EC)

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circular-economy

B.V.Dagnino

A sustentabilidade está cada vez mais na ordem do dia, obrigando empresas e governos a repensarem seu funcionamento. De um lado, legislação e regulamentação são cada vez mais exigentes para atender aos aspectos ambientais e sociais. Do outro, os empresários começam a despertar para o fato de que a prática de seus princípios melhora seu desempenho econômico, seja pela redução do desperdício, seja pela redução do uso de insumos na produção e na prestação de serviços, ou ainda pela imagem e reputação que elas firmam perante o mercado.

O surgimento do conceito da Economia Circular (EC), por oposição à economia linear, foi uma consequência dessa tendência. Objetivando sua disseminação, o Ministério da Infraestrutura e do Meio Ambiente dos Países Baixos (Rijkswaterstaat) promoveu em Amsterdam, de 23 a 25/5/2016, o Circular Procurement Congress (https://www.aanmelder.nl/85950). O último dia do evento foi realizado em grande galpão em Hoofdorp, Circular Expo, Park 2020, onde foi possível observar a variedade dos produtos e serviços relacionados à EC oferecidos por empresas holandesas.

Este texto utiliza como base os ensinamentos colhidos nesse evento, em participações em webinars promovidos pela UNEP, pelo ICLEI, Programa Ambiental da ONU (UNEP/ 10YFP), eventos presenciais organizados pela Firjan, pela empresa e4cb e pelo Parque Tecnológico da UFRJ, bem como na Comissão Especial de Estudo CEE 277 da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, espelho do Task Group TG 277 da ISO – norma ISO 20400 – Compras sustentáveis/Sustainable procurement. Ele se destina a oferece subsídios para implementar progressivamente a EC no Brasil, a partir da experiência de países onde sua prática está avançada, em particular da Holanda.

Segundo Ellen MacArthur Foundation, EC é uma economia que é restauradora e regeneradora a partir do seu projeto, tendo como objetivo manter os produtos, componentes e materiais com sua maior utilidade e seu maior valor durante todo o tempo, distinguindo entre os ciclos técnico e biológico. Já a recente norma internacional ISO 20400 (confira o link http://www.iso.org/iso/home/news_index/news_archive/news.htm?refid=Ref210 – First International Standard for sustainable procurement nears publication), ora em fase adiantada de elaboração abordando compras sustentáveis, refere-se à economia circular em seu texto.

Essa norma relaciona uma série de atividades para explicar o conceito de EC: identificação de métodos alternativos de atendimento da demanda, como a terceirização, utilizando serviços ou arrendamento em vez de sua execução com recursos próprios; agregação e/ou consolidação da demanda; compartilhamento da utilização entre divisões ou organizações; incentivo à reciclagem, reparo ou reutilização para outra finalidade dos bens usados; definição se a terceirização é necessária e como estender o escopo da responsabilidade de práticas trabalhistas e ambientais ao longo das cadeias de suprimento; e utilização de materiais reciclados/renováveis.

A norma enfatiza que nela os recursos são mantidos o maior tempo possível para extrair o seu valor máximo e os resíduos podem ser considerados como um recurso alternativo. As peças vão, portanto, se juntando. Na Holanda, os especialistas de vários países europeus no citado Congresso expuseram suas ideias, dentre as quais é relevante destacar pela sua pertinência.

Por exemplo, as empresas estão mudando seu modelo de negócio, deixando de ser, como no caso da Philips Lighting, mera fabricante de lâmpadas, para vender iluminação, inclusive serviços de projeto, instalação e manutenção, como no Aeroporto de Schiphol em Amsterdam; os edifícios devem possuir um inventário do material empregado na construção, de forma que sua eventual demolição considere o material gasto para fins de balanço (observei a desmontagem da imensa quantidade de materiais utilizados na Rio 2016, e refleti sobre o conceito: será que todas aquelas grades, arquibancadas, construções, alambrados, coberturas etc. etc. serão reutilizados, ou ao menos reciclados? Em alguns casos, as instalações esportivas serão transformadas em escolas, mas qual será o índice efetivo de reaproveitamento?).

Os governos devem promover incentivos para a adoção das práticas da economia circular inclusive nas compras públicas, especialmente considerando que na maioria dos países seu peso em termos de valor chega a 30%. A adoção da EC em lugar da linear é uma questão de mudança de atitude, ou seja, da cultura de todas as partes interessadas: sociedade, empresas, instituições de fomento, governos etc.

Todos precisam ser informados, ou melhor, esclarecidos e motivados, de que se trata de um imperativo para preservação do futuro da humanidade, e não simplesmente de um modismo. A questão cultural requer tratamento específico, já que sua prática obriga a uma mudança de paradigma, ou seja, de práticas arraigadas ao longo do tempo pelas empresas.

Contudo, parte delas pode ter a ambição para se engajar no movimento e ser diferente, definindo estratégias e políticas que redundem em ações voltadas para o cumprimento de metas de sustentabilidade. Além disso, a adoção de práticas alternativas após análise daquelas mais sustentáveis envolve inovação e criatividade.

Como aspecto relevante da sustentabilidade, a EC é considerada cada vez mais prioritária, sendo a questão das compras circulares objeto de atenção especial, em particular na Europa, onde a Comissão Europeia emitiu em 2015 o Plano de Ação com diretrizes detalhadas sobre o assunto. Inclusive o importante documento Buying Green, um handbook on green public procurement que pode ser conferido no link http://ec.europa.eu/environment/gpp/pdf/Buying-Green-Handbook-3rd-Edition.pdf

Enquanto isso, no Rio de Janeiro é promovido um grande evento, Connected Smart Cities, e em São Paulo a FGV trata em seminário das lições (não) aprendidas com a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. De uma forma ou de outra, os temas se interpenetram, havendo, portanto necessidade de que sejam tratados de forma integrada.

Na palestra magna do Congresso em Amsterdam, o arquiteto Thomas Rau, uma autoridade reconhecida em arquitetura sustentável, enfatizou que, a fim de proporcionar uma economia mais circular, precisamos mudar a nossa forma de consumir. Se quisermos mudar a nossa economia, precisamos de novos modelos de negócios e para isso precisamos facilitar uma nova relação entre produtores e compradores, que precisam passar a serem usuários ao invés de donos.

Como evidência da continuidade do empenho holandês na área, foi recebido recentemente e aceito convite de Cuno van Geet do Rijkswaterstaat, que promoveu o Congresso, para participar do novo Grupo de Trabalho 4c do 10 Year Framework Programme (10YFP): Promoting resource-efficient business models and circular economy, a serem coordenado pelo seu Ministério em nome da UNEP e dos parceiros ICLEI e KEITI (Korean Environmental Industry Technology Institute) desse Programa. Cumpre destacar a importância de o governo e o setor privado pensarem sobre os impactos da abordagem da aquisição em todo o ciclo de compras, desde o projeto, fornecimento, utilização e descarte (incluindo reuso, reuso para outro fim (re-purposing), e reciclagem.

É importante ainda a colaboração dentro das organizações e com o mercado, para identificar as categorias prioritárias onde cadeias de suprimento de produtos e materiais podem passar de abertas ou lineares para circulares ou fechadas, reduzindo os custos do ciclo de vida e os impactos. Um exemplo é o ramo de lâmpadas da Philips, que deixou de ser uma indústria para ser uma “fornecedora de luz”, como no caso do Aeroporto de Schiphol em Amsterdam, onde a empresa projetou, instalou, opera, executa a manutenção e atualiza as instalações de iluminação; assim, para as indústrias a prática da economia circular obriga a adoção de novos modelos de negócio como, por exemplo, deixar de focar produto para enfatizar serviço; há, pois, que repensar a forma de fazer negócio.

Os governos têm sua responsabilidade na definição de políticas e necessitam desenvolver iniciativas para estimular a EC, fomentando a inovação e a criatividade, criando estímulos fiscais e tributários, e considerando seus aspectos na legislação e na regulamentação. Em particular, os governos têm um papel muito importante no desenvolvimento das compras circulares, inclusive por adquirirem grande volume de produtos e serviços, estimado em 20% do PIB nos países industrializados (a estimativa no Brasil é entre 15 e 20%).

A ferramenta Circular Comparator (CC), metodologia para comparação entre a compra circular e a linear, abrange as seguintes etapas, com o objetivo de evidenciar suas vantagens: Passo 1: Identificar o escopo, a duração e a opção de um contrato (tanto linear como circular); Passo 2: Análise qualitativa, com base nos valores direcionadores (drivers); Passo 3: Valores sociais e outros argumentos; e Passo 4: Análise quantitativa. O acompanhamento de muitos parâmetros importantes para a sustentabilidade indica o crescimento exponencial da conscientização para sua importância, o que implica a necessidade de todos os países e organizações priorizarem um de seus aspectos relevantes, que é a EC, aí incluídas as compras circulares.

É claro que nem tudo são flores na discussão e, portanto, não se deve desprezar ou mesmo minimizar os obstáculos e as dificuldades para a implementação da EC. Um tema complexo que requer ampla discussão é a dicotomia entre ela e o consumismo.

Algumas perguntas que se podem fazer. Como contrabalançar a força da propaganda e do marketing das empresas com o contínuo lançamento de novos produtos e serviços, além da obsolescência e durabilidade limitada programada? Seriam a mudança de postura da sociedade e a logística reversa suficientemente eficazes para equilibrar a busca pelo novo e de status pelos consumidores?

Deve ainda ser enfatizado que um extraordinário esforço de comunicação para todos os públicos, abrangendo governos, empresas e a sociedade, sendo indispensável que todos conheçam as vantagens da EC e a pratiquem. No caso das empresas, convencê-las de que ela gera benefícios econômicos deve ser o foco da campanha de divulgação e a utilização de casos reais nesse convencimento deve ser a tônica.

Com base nas observações colhidas nas fontes citadas e outras, pode-se relacionar algumas propostas de atividades para implementação da EC no Brasil, a título de subsídio. Um grande esforço de comunicação, integrando em um plano formal, com o apoio de profissionais do ramo, diversas atividades distintas para diferentes públicos-alvo é prioritário.

Seria preciso vender a ideia da economia circular para o governo, de forma que haja uma política oficial de compras circulares por parte dos órgãos públicos, para as empresas mudarem o enfoque de venda de produtos para prestação de serviço, e ainda para que a sociedade se conscientize da sua importância. Igualmente, seria importante a criação de cursos de curta e longa duração, em diferentes níveis, e o incentivo à introdução de disciplinas voltadas para a sustentabilidade, em particular para a economia circular, nos cursos de nível técnico e universitário.

Já a publicação de informativo com notas sobre o assunto, tanto em nível nacional como internacional, inclusive relatos de casos e práticas de sucesso, seria uma forma de melhor divulgar o assunto. Também, a estruturação de base de dados de fácil acesso sobre o tema, incluindo bibliografia nacional e internacional, casos de sucesso no Brasil e no Mundo, como indispensável repositório de conhecimento sobre o tema.

O intercâmbio de especialistas, com a vinda de profissionais holandeses e de outras nacionalidades ao Brasil para curta e média permanência, bem como o envio de brasileiros à Holanda e outros países para estágios, visitas técnicas e cursos em nível de graduação e pós-graduação, propiciando uma troca e aquisição de conhecimentos importante para dar maior velocidade à implementação da economia circular no Brasil. A criação de algum tipo de reconhecimento (prêmio?) às organizações e aos profissionais brasileiros que se destacarem na área da economia circular.

Por que não a programação de seminário internacional anual sobre o tema, com a participação de especialistas holandeses e de outros países. A identificação de fontes de fomento disponíveis para organizações públicas e privadas interessadas em implementar projetos e práticas de EC, bem como promover novas iniciativas, seriam bem vindas. Uma proposição ao governo, em nível federal, de legislação que defina uma política e promova o desenvolvimento da economia circular. Essa legislação poderia ser seguida por ações correlatas em nível estadual e municipal.

No caso do Núcleo de Economia Circular da UFRJ, implementação da economia circular na Universidade como projeto piloto, ou ao menos no Parque Tecnológico, estendendo a prática progressivamente até abranger todo o campus. A criação de conjunto de indicadores qualitativos para autoavaliação das empresas quanto ao seu nível de prática da economia circular, nos moldes do Anexo B da NBR ISO 18091 (matriz tricolor de indicadores qualitativos).

A criação de conjuntos de indicadores chave de desempenho (quantitativos) para avaliar o desempenho de empresas e a identificação de corporações holandesas que praticam a economia circular, procurando incentivar suas subsidiárias brasileiras a implementá-la, por exemplo, Philips, Unilever, Royal Ahold, C&A, KLM, Akzo Nobel, Shell, Moinho Wafers, ING, de forma que sirvam de casos reais para vender a ideia. Trata-se, pois, de imperativo para reflexão profunda, dadas as sua consequências para a preservação da qualidade de vida no planeta Terra.

B. V. Dagnino é presidente da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ) e diretor técnico da Qualifactory Consultoria.