Otimismo na indústria

Luiz Gonzaga Bertelli

A crise econômica que de certa forma dilacerou boa parte do setor industrial começa a perder o fôlego. Os sinais de recuperação vão ficando mais nítidos e gerando confiança. Pelo menos é o que demonstra o estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que prevê a retomada do crescimento a partir do ano que vem.

Segundo o documento, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 1,7% em 2017; 2,5% em 2018; 2,8% em 2019; e ultrapassar os três pontos em 2020. Com a recuperação dos investimentos privados, o emprego também voltará a crescer.

Apesar do quadro otimista, a CNI faz um alerta: para dar conta da demanda do reaquecimento da economia, o Brasil terá de qualificar 13 milhões de jovens entre 2017 e 2020 para ocupações no setor industrial, incluindo pessoal de nível superior e técnico. De acordo com o estudo, as áreas de maior procura serão construção civil, com 3,8 milhões de vagas, seguidas de meio ambiente e produção (2,4 milhões), indústria metal mecânica (1,7 milhão); e alimentos (1,2 milhão).

Sempre que há retomada no crescimento, as empresas necessitam de mão de obra qualificada para dar vazão ao crescimento da produção. É por isso que o CIEE, já há algum tempo, vem alertando as corporações para a necessidade de abrir oportunidades para estagiários e aprendizes, com o objetivo de formar, dentro de sua cultura organizacional, os próprios talentos. Pois, no momento em que o crescimento econômico exigir maior desempenho das empresas, aquelas que contarem com capital humano mais preparados alcançarão resultados mais positivos.

O estágio, que pode ser realizado por estudantes dos ensinos médio, técnico, tecnológico e superior, é adequado para fortalecer a formação prática no campo profissional. O estudante também leva à empresa sua bagagem teórica e os novos estudos da área, desenvolvidos na academia.

A aprendizagem é importante para incluir e dar formação socioprofissional para jovens de 14 a 24 anos, capacitando-os para o mercado de trabalho com programas que unem a prática na empresa com o conteúdo teórico que o CIEE oferece por meio do programa Aprendiz Legal. As empresas que formarem seus próprios talentos estarão mais preparadas para enfrentar a competitividade que o desenvolvimento econômico costuma trazer para o mercado de trabalho.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).

Como implementar a Economia Circular (EC)

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circular-economy

B.V.Dagnino

A sustentabilidade está cada vez mais na ordem do dia, obrigando empresas e governos a repensarem seu funcionamento. De um lado, legislação e regulamentação são cada vez mais exigentes para atender aos aspectos ambientais e sociais. Do outro, os empresários começam a despertar para o fato de que a prática de seus princípios melhora seu desempenho econômico, seja pela redução do desperdício, seja pela redução do uso de insumos na produção e na prestação de serviços, ou ainda pela imagem e reputação que elas firmam perante o mercado.

O surgimento do conceito da Economia Circular (EC), por oposição à economia linear, foi uma consequência dessa tendência. Objetivando sua disseminação, o Ministério da Infraestrutura e do Meio Ambiente dos Países Baixos (Rijkswaterstaat) promoveu em Amsterdam, de 23 a 25/5/2016, o Circular Procurement Congress (https://www.aanmelder.nl/85950). O último dia do evento foi realizado em grande galpão em Hoofdorp, Circular Expo, Park 2020, onde foi possível observar a variedade dos produtos e serviços relacionados à EC oferecidos por empresas holandesas.

Este texto utiliza como base os ensinamentos colhidos nesse evento, em participações em webinars promovidos pela UNEP, pelo ICLEI, Programa Ambiental da ONU (UNEP/ 10YFP), eventos presenciais organizados pela Firjan, pela empresa e4cb e pelo Parque Tecnológico da UFRJ, bem como na Comissão Especial de Estudo CEE 277 da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, espelho do Task Group TG 277 da ISO – norma ISO 20400 – Compras sustentáveis/Sustainable procurement. Ele se destina a oferece subsídios para implementar progressivamente a EC no Brasil, a partir da experiência de países onde sua prática está avançada, em particular da Holanda.

Segundo Ellen MacArthur Foundation, EC é uma economia que é restauradora e regeneradora a partir do seu projeto, tendo como objetivo manter os produtos, componentes e materiais com sua maior utilidade e seu maior valor durante todo o tempo, distinguindo entre os ciclos técnico e biológico. Já a recente norma internacional ISO 20400 (confira o link http://www.iso.org/iso/home/news_index/news_archive/news.htm?refid=Ref210 – First International Standard for sustainable procurement nears publication), ora em fase adiantada de elaboração abordando compras sustentáveis, refere-se à economia circular em seu texto.

Essa norma relaciona uma série de atividades para explicar o conceito de EC: identificação de métodos alternativos de atendimento da demanda, como a terceirização, utilizando serviços ou arrendamento em vez de sua execução com recursos próprios; agregação e/ou consolidação da demanda; compartilhamento da utilização entre divisões ou organizações; incentivo à reciclagem, reparo ou reutilização para outra finalidade dos bens usados; definição se a terceirização é necessária e como estender o escopo da responsabilidade de práticas trabalhistas e ambientais ao longo das cadeias de suprimento; e utilização de materiais reciclados/renováveis.

A norma enfatiza que nela os recursos são mantidos o maior tempo possível para extrair o seu valor máximo e os resíduos podem ser considerados como um recurso alternativo. As peças vão, portanto, se juntando. Na Holanda, os especialistas de vários países europeus no citado Congresso expuseram suas ideias, dentre as quais é relevante destacar pela sua pertinência.

Por exemplo, as empresas estão mudando seu modelo de negócio, deixando de ser, como no caso da Philips Lighting, mera fabricante de lâmpadas, para vender iluminação, inclusive serviços de projeto, instalação e manutenção, como no Aeroporto de Schiphol em Amsterdam; os edifícios devem possuir um inventário do material empregado na construção, de forma que sua eventual demolição considere o material gasto para fins de balanço (observei a desmontagem da imensa quantidade de materiais utilizados na Rio 2016, e refleti sobre o conceito: será que todas aquelas grades, arquibancadas, construções, alambrados, coberturas etc. etc. serão reutilizados, ou ao menos reciclados? Em alguns casos, as instalações esportivas serão transformadas em escolas, mas qual será o índice efetivo de reaproveitamento?).

Os governos devem promover incentivos para a adoção das práticas da economia circular inclusive nas compras públicas, especialmente considerando que na maioria dos países seu peso em termos de valor chega a 30%. A adoção da EC em lugar da linear é uma questão de mudança de atitude, ou seja, da cultura de todas as partes interessadas: sociedade, empresas, instituições de fomento, governos etc.

Todos precisam ser informados, ou melhor, esclarecidos e motivados, de que se trata de um imperativo para preservação do futuro da humanidade, e não simplesmente de um modismo. A questão cultural requer tratamento específico, já que sua prática obriga a uma mudança de paradigma, ou seja, de práticas arraigadas ao longo do tempo pelas empresas.

Contudo, parte delas pode ter a ambição para se engajar no movimento e ser diferente, definindo estratégias e políticas que redundem em ações voltadas para o cumprimento de metas de sustentabilidade. Além disso, a adoção de práticas alternativas após análise daquelas mais sustentáveis envolve inovação e criatividade.

Como aspecto relevante da sustentabilidade, a EC é considerada cada vez mais prioritária, sendo a questão das compras circulares objeto de atenção especial, em particular na Europa, onde a Comissão Europeia emitiu em 2015 o Plano de Ação com diretrizes detalhadas sobre o assunto. Inclusive o importante documento Buying Green, um handbook on green public procurement que pode ser conferido no link http://ec.europa.eu/environment/gpp/pdf/Buying-Green-Handbook-3rd-Edition.pdf

Enquanto isso, no Rio de Janeiro é promovido um grande evento, Connected Smart Cities, e em São Paulo a FGV trata em seminário das lições (não) aprendidas com a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. De uma forma ou de outra, os temas se interpenetram, havendo, portanto necessidade de que sejam tratados de forma integrada.

Na palestra magna do Congresso em Amsterdam, o arquiteto Thomas Rau, uma autoridade reconhecida em arquitetura sustentável, enfatizou que, a fim de proporcionar uma economia mais circular, precisamos mudar a nossa forma de consumir. Se quisermos mudar a nossa economia, precisamos de novos modelos de negócios e para isso precisamos facilitar uma nova relação entre produtores e compradores, que precisam passar a serem usuários ao invés de donos.

Como evidência da continuidade do empenho holandês na área, foi recebido recentemente e aceito convite de Cuno van Geet do Rijkswaterstaat, que promoveu o Congresso, para participar do novo Grupo de Trabalho 4c do 10 Year Framework Programme (10YFP): Promoting resource-efficient business models and circular economy, a serem coordenado pelo seu Ministério em nome da UNEP e dos parceiros ICLEI e KEITI (Korean Environmental Industry Technology Institute) desse Programa. Cumpre destacar a importância de o governo e o setor privado pensarem sobre os impactos da abordagem da aquisição em todo o ciclo de compras, desde o projeto, fornecimento, utilização e descarte (incluindo reuso, reuso para outro fim (re-purposing), e reciclagem.

É importante ainda a colaboração dentro das organizações e com o mercado, para identificar as categorias prioritárias onde cadeias de suprimento de produtos e materiais podem passar de abertas ou lineares para circulares ou fechadas, reduzindo os custos do ciclo de vida e os impactos. Um exemplo é o ramo de lâmpadas da Philips, que deixou de ser uma indústria para ser uma “fornecedora de luz”, como no caso do Aeroporto de Schiphol em Amsterdam, onde a empresa projetou, instalou, opera, executa a manutenção e atualiza as instalações de iluminação; assim, para as indústrias a prática da economia circular obriga a adoção de novos modelos de negócio como, por exemplo, deixar de focar produto para enfatizar serviço; há, pois, que repensar a forma de fazer negócio.

Os governos têm sua responsabilidade na definição de políticas e necessitam desenvolver iniciativas para estimular a EC, fomentando a inovação e a criatividade, criando estímulos fiscais e tributários, e considerando seus aspectos na legislação e na regulamentação. Em particular, os governos têm um papel muito importante no desenvolvimento das compras circulares, inclusive por adquirirem grande volume de produtos e serviços, estimado em 20% do PIB nos países industrializados (a estimativa no Brasil é entre 15 e 20%).

A ferramenta Circular Comparator (CC), metodologia para comparação entre a compra circular e a linear, abrange as seguintes etapas, com o objetivo de evidenciar suas vantagens: Passo 1: Identificar o escopo, a duração e a opção de um contrato (tanto linear como circular); Passo 2: Análise qualitativa, com base nos valores direcionadores (drivers); Passo 3: Valores sociais e outros argumentos; e Passo 4: Análise quantitativa. O acompanhamento de muitos parâmetros importantes para a sustentabilidade indica o crescimento exponencial da conscientização para sua importância, o que implica a necessidade de todos os países e organizações priorizarem um de seus aspectos relevantes, que é a EC, aí incluídas as compras circulares.

É claro que nem tudo são flores na discussão e, portanto, não se deve desprezar ou mesmo minimizar os obstáculos e as dificuldades para a implementação da EC. Um tema complexo que requer ampla discussão é a dicotomia entre ela e o consumismo.

Algumas perguntas que se podem fazer. Como contrabalançar a força da propaganda e do marketing das empresas com o contínuo lançamento de novos produtos e serviços, além da obsolescência e durabilidade limitada programada? Seriam a mudança de postura da sociedade e a logística reversa suficientemente eficazes para equilibrar a busca pelo novo e de status pelos consumidores?

Deve ainda ser enfatizado que um extraordinário esforço de comunicação para todos os públicos, abrangendo governos, empresas e a sociedade, sendo indispensável que todos conheçam as vantagens da EC e a pratiquem. No caso das empresas, convencê-las de que ela gera benefícios econômicos deve ser o foco da campanha de divulgação e a utilização de casos reais nesse convencimento deve ser a tônica.

Com base nas observações colhidas nas fontes citadas e outras, pode-se relacionar algumas propostas de atividades para implementação da EC no Brasil, a título de subsídio. Um grande esforço de comunicação, integrando em um plano formal, com o apoio de profissionais do ramo, diversas atividades distintas para diferentes públicos-alvo é prioritário.

Seria preciso vender a ideia da economia circular para o governo, de forma que haja uma política oficial de compras circulares por parte dos órgãos públicos, para as empresas mudarem o enfoque de venda de produtos para prestação de serviço, e ainda para que a sociedade se conscientize da sua importância. Igualmente, seria importante a criação de cursos de curta e longa duração, em diferentes níveis, e o incentivo à introdução de disciplinas voltadas para a sustentabilidade, em particular para a economia circular, nos cursos de nível técnico e universitário.

Já a publicação de informativo com notas sobre o assunto, tanto em nível nacional como internacional, inclusive relatos de casos e práticas de sucesso, seria uma forma de melhor divulgar o assunto. Também, a estruturação de base de dados de fácil acesso sobre o tema, incluindo bibliografia nacional e internacional, casos de sucesso no Brasil e no Mundo, como indispensável repositório de conhecimento sobre o tema.

O intercâmbio de especialistas, com a vinda de profissionais holandeses e de outras nacionalidades ao Brasil para curta e média permanência, bem como o envio de brasileiros à Holanda e outros países para estágios, visitas técnicas e cursos em nível de graduação e pós-graduação, propiciando uma troca e aquisição de conhecimentos importante para dar maior velocidade à implementação da economia circular no Brasil. A criação de algum tipo de reconhecimento (prêmio?) às organizações e aos profissionais brasileiros que se destacarem na área da economia circular.

Por que não a programação de seminário internacional anual sobre o tema, com a participação de especialistas holandeses e de outros países. A identificação de fontes de fomento disponíveis para organizações públicas e privadas interessadas em implementar projetos e práticas de EC, bem como promover novas iniciativas, seriam bem vindas. Uma proposição ao governo, em nível federal, de legislação que defina uma política e promova o desenvolvimento da economia circular. Essa legislação poderia ser seguida por ações correlatas em nível estadual e municipal.

No caso do Núcleo de Economia Circular da UFRJ, implementação da economia circular na Universidade como projeto piloto, ou ao menos no Parque Tecnológico, estendendo a prática progressivamente até abranger todo o campus. A criação de conjunto de indicadores qualitativos para autoavaliação das empresas quanto ao seu nível de prática da economia circular, nos moldes do Anexo B da NBR ISO 18091 (matriz tricolor de indicadores qualitativos).

A criação de conjuntos de indicadores chave de desempenho (quantitativos) para avaliar o desempenho de empresas e a identificação de corporações holandesas que praticam a economia circular, procurando incentivar suas subsidiárias brasileiras a implementá-la, por exemplo, Philips, Unilever, Royal Ahold, C&A, KLM, Akzo Nobel, Shell, Moinho Wafers, ING, de forma que sirvam de casos reais para vender a ideia. Trata-se, pois, de imperativo para reflexão profunda, dadas as sua consequências para a preservação da qualidade de vida no planeta Terra.

B. V. Dagnino é presidente da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ) e diretor técnico da Qualifactory Consultoria.

Aprendendo a criar peixes redondos com a norma técnica

aquiculturaA aquicultura é o cultivo de organismos cujo ciclo de vida em condições naturais se dá total ou parcialmente em meio aquático. Assim como o homem aprendeu a criar aves, suínos e bovinos, bem como a plantar milho e trigo, também aprendeu a cultivar pescado. Dessa forma, assegurou produtos para o consumo com mais controle e regularidade.

A aquicultura é praticada pelo ser humano há milhares de anos. Existem registros de que os chineses já tinham conhecimentos sobre essas técnicas há muitos séculos e de que os egípcios criavam a tilápia há cerca de 4.000 anos.

A aquicultura pode ser tanto continental (água doce) como marinha (água salgada), esta chamada de maricultura. A atividade abrange as seguintes especialidades: piscicultura (criação de peixes, em água doce e marinha); malacocultura (produção de moluscos, como ostras, mexilhões, caramujos e vieiras, sendo que a criação de ostras é conhecida por ostreicultura e a criação de mexilhões, por mitilicultura); carcinicultura (criação de camarão em viveiros); algicultura (cultivo de macro ou microalgas); ranicultura (criação de rãs); e a criação de jacarés.

Essa atividade é diferente da pesca, que se baseia na retirada de recursos pesqueiros do ambiente natural. Já a aquicultura é baseada no cultivo de organismos aquáticos geralmente em um espaço confinado e controlado. A grande diferença entre as duas atividades é que a primeira, por ser extrativista, não atende as premissas de um mercado competitivo.

Já a aquicultura possibilita produtos mais homogêneos, rastreabilidade durante toda a cadeia e outras vantagens que contribuem para a segurança alimentar, no sentido de gerar alimento de qualidade, com planejamento e regularidade. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a aquicultura é a mais rápida das atividades agropecuárias em termos de resultados produtivos e uma das poucas capazes de responder com folga ao crescimento populacional, o que pode contribuir para o combate à fome em todo o mundo.

A NBR16375 de 05/2015 – Aquicultura – Criação de peixes redondos – Requisitos básicos especifica os processos básicos para a criação dos peixes redondos, tambaqui (Colossoma macropomum), pacu (Piaractus mesopotamicus), pirapitinga (Piaractus brachypomus) e seus híbridos, em tanques-rede, viveiros escavados e barragens, desde a implantação do empreendimento aquícola até a despesca, para a produção de pescado seguro, viável e com qualidade. É aplicável a todos os empreendimentos aquícolas, incluindo propriedades individuais e grupos de produtores, independentemente do tamanho ou complexidade.

A oferta contínua de pescado seguro e de qualidade, a preços competitivos com as expectativas de cada nicho de mercado e em relação a outras carnes, é uma necessidade e anseio atual no mercado de alimentos. A aquicultura reveste-se da maior importância, não só porque contribui para a satisfação das necessidades nutricionais, ao oferecer ao mercado consumidor alimentos com elevado valor nutritivo, mas também porque ajuda a criar empregos e gera recursos financeiros.

Nos cenários nacional e internacional, a produção e o comércio de pescado oriundo da aquicultura têm aumentado, e a crescente conscientização dos consumidores tem levado à maior profissionalização do setor. A fim de fornecer ferramentas e aumentar os seus benefícios para a sociedade, a Food and Agriculture  Organization (FAO) elaborou documentos, como o Código de Conduta para a Pesca Responsável e as Diretrizes Técnicas para a Certificação da Aquicultura.

No Brasil, esta norma de requisitos básicos para a criação de peixes redondos começou a ser elaborada no ano de 2011, com um projeto de pesquisa sobre instrumentos que poderiam auxiliar no aumento da competitividade e, melhorias de resultados do setor e aumento do grau de confiança dos peixes redondos frente ao consumidor. Os seus requisitos têm por finalidade apresentar aos empreendedores aquícolas como gerir o seu processo produtivo (de engorda) de maneira eficiente e viável, sendo, portanto, aplicáveis aos diferentes sistemas de produção e condições climáticas.

A partir de uma parceria firmada entre o Sebrae Nacional, ABNT, MPA e Inmetro, foram realizadas diversas visitas técnicas a produtores nos principais polos produtivos do país durante o ano de 2012, com o objetivo de conhecer a realidade do setor. Além disso, foram realizadas oficinas técnicas com aquicultores e demais partes interessadas, nas quais a ABNT abordou os conceitos de “Normalização” e “Normas Técnicas”, bem como aplicou uma metodologia para verificar, junto ao público presente, quais problemas o setor enfrentava e quais poderiam ser resolvidos por uma norma técnica.

Ao fim das oficinas, foram identificadas as seguintes demandas: boas práticas higiênico sanitárias e de manejo, aspectos de segurança, qualidade do produto final, bem-estar animal, insumos (alimentação, alevinos e sementes etc.), controle e monitoramento ambiental, rastreabilidade, qualidade da água e critérios de sustentabilidade.

A identificação das demandas resultou na instalação da Comissão de Estudos Especial da Aquicultura (ABNT/CEE-192), na ABNT no Rio de Janeiro, com a participação de representantes de associações de produtores, fundações de extensão ao setor, representantes do governo, universidades. A ABNT/CEE-192 decidiu por consenso que a primeira norma a ser elaborada deveria tratar dos requisitos básicos a serem adotados na criação dos peixes redondos, com o objetivo de orientar os empreendedores de aquicultura a adotarem práticas que garantam a sua própria viabilidade econômica, proteção ambiental e segurança do alimento.

A Comissão de Estudo se organizou, inicialmente, em quatro grupos de trabalho, para elaborar os projetos de normas de tilápia, tambaqui, moluscos bivalves e camarão. Cada grupo de trabalho teve um responsável por obter contribuições e sugestões aos projetos de normas, junto às diversas partes interessadas, como produtores, pesquisadores, agências de extensão e governo. Além das reuniões presenciais, os grupos de trabalho efetuaram web conferences para discutir as contribuições recebidas e efetuar as melhorias aos Projetos de Normas. Estas normas, como parte do processo de normalização, serão revisadas sempre que houver a necessidade de ajustá-las ao avanço da tecnologia.

O empreendimento aquícola deve estar legalizado junto ao orgão governamental competente. Relativamente aos sistemas de abastecimento e drenagem em sistemas de criação terrestres, quando aplicável, o empreendimento aquícola deve levar em consideração os seguintes critérios: captar de água de locais não poluídos e sem restrições ambientais, de acordo com a legislação vigente; construir estruturas de abastecimento e drenagem independentes e que evitem processos erosivos; verificar a possibilidade de estabelecer o reuso da água, adotando sistema fechado ou semifechado, quando couber, a fim de evitar de desperdícios.

Deve-se assegurar o cumprimento das normas pertinentes à atividade e dos procedimentos de licenciamento, autorizações e registros, durante o planejamento ou adequação do projeto. Os representantes legais do empreendimento aquícola devem demonstrar capacidade de assegurar o cumprimento da legislação em vigor.

O empreendimento aquícola deve estabelecer e implementar procedimento-padrão operacional de higiene pessoal que seja apropriado à prevenção da contaminação dos organismos aquáticos criados, que contemplem no mínimo: elaboração de especificações sobre a frequência e métodos adequados para a higienização e desinfecção pessoal dos trabalhadores e visitantes; utilização de equipamentos e vestimentas adequados pelos trabalhadores e visitantes, para cada parte da produção; orientações sobre a necessidade de consultas médicas, quando sintomas de doenças relevantes para o trabalho forem observados, e proibição do manejo dos peixes por pessoas infectadas ou portadoras de zoonoses, após comprovação médica.

O empreendimento aquícola deve garantir que o armazenamento dos alimentos seja feito respeitando-se alguns princípios básicos, como: utilizar local seco, protegido da incidência solar direta, e exclusivo para esta finalidade, sendo recomendada a separação de outros materiais e substâncias, bem como ausência de animais neste local; manter o local livre da presença de pragas, sendo recomendada a implantação de um sistema eficaz de controle de pragas; utilizar estrados apropriados para apoiar as embalagens de alimentos e estes estrados devem atender aos critérios de distanciamento adequado da parede e do solo, de forma a manter a qualidade do produto; identificar e separar adequadamente os alimentos medicamentosos em relação aos não medicamentosos; implementar o sistema “primeiro que vence, primeiro que sai” e a inspeção periódica para a verificação de data de validade e integridade das embalagens.

O procedimento de higienização deve conter no mínimo: detalhamento das fases e dos produtos a serem utilizados, em cada fase: remoção de resíduos sólidos etc. seguida de pré-lavagem; limpeza e lavagem; desinfecção; enxágue; monitoramento e registro de cada etapa do processo de higienização das instalações, dutos e tanques, bem como a frequência dos procedimentos de limpeza; descrição e orientações para uso dos equipamentos de proteção individual pelos trabalhadores que atuem na higienização das instalações, como roupas de proteção, máscaras, luvas, óculos etc.; descrição sobre o destino dos resíduos orgânicos removidos dos viveiros, de acordo com a legislação vigente.

De forma a possibilitar ao empreendedor a verificação da qualidade da ração fornecida, evitando prejuízos econômicos e ambientais, recomenda-se que o empreendimento aquícola: solicite a declaração ao fornecedor de alimentação animal, contendo os seguintes parâmetros: ingredientes; uniformidade; flutuabilidade; tempo de resistência; percentual de finos; ensaios de qualidade da ração (microbiológicos, bromatológicos, vitamina C, digestibilidade, aflatoxinas); realize as análises para avaliação da qualidade da alimentação, no recebimento de acordo com o descrito no Anexo C, e registre as informações relacionadas.

O empreendimento aquícola deve estabelecer medidas para controle e monitoramento da qualidade da água, de acordo com a legislação vigente e que incluam, no mínimo: definição de uma rotina de análise periódica das variáveis de qualidade da água no empreendimento, como transparência, dureza, alcalinidade, nível de oxigênio, temperatura, pH, gás carbônico e amônia (ver Anexo D).

Os registros das análises devem estar disponíveis para consulta. Igualmente o uso de equipamentos em perfeito funcionamento e calibrados rotineiramente, conforme recomendação do fabricante. Os kits de análise de água devem estar dentro do prazo de validade recomendado pelo fabricante.

Clique nas figuras para uma melhor visualização

Registros, periodicidade e tempo de manutenção

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Parâmetros a serem verificados e registrados no recebimento das formas jovens

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Análises para avaliação da qualidade da alimentação, no recebimento

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Controle e monitoramento da qualidade da água em viveiro escavado

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Enfim, por definição a aquicultura é considerada uma atividade multidisciplinar, referente ao cultivo de diversos organismos aquáticos, incluídos neste contexto plantas aquáticas, moluscos, crustáceos e peixes, sendo que a intervenção ou manejo do processo de criação é imprescindível para o aumento da produção. Talvez a mais importante diferença em relação ao conceito da pesca, é que este último arremete a ideia de exploração de recursos naturais de propriedade pública ou descaracterizada de proprietário.

Existem duas possibilidades para a exploração desta fonte de recurso: a produção em território continental ou a produção marítima. Para a realidade brasileira, 69,7% da produção é proveniente da primeira forma de produção, com projeções que apontam para uma tendência ao crescimento. Sua preferência é decorrente da disponibilidade de grandes extensões de terra passiveis de serem destinadas ao cultivo; a abundância de água doce e limpa; e a boa adaptabilidade das espécies destinadas à criação.

Mais de 50% em impostos nos produtos da Páscoa

Normas comentadas

NBR14039 – COMENTADA de 05/2005 – Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV – Versão comentada.

Nr. de Páginas: 87

NBR5410 – COMENTADA de 09/2004 – Instalações elétricas de baixa tensão – Versão comentada.

Nr. de Páginas: 209

NBRISO9001 – COMENTADA de 09/2015 – Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Versão comentada.

Nr. de Páginas: 32

NBRISO14001 – COMENTADA de 10/2015Sistemas de gestão ambiental – Requisitos com orientações para uso – Versão comentada….

Nr. de Páginas: 41

O leão não dá trégua nem em feriado santo. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação(IBPT), entre os produtos mais consumidos na Páscoa, a maior carga de tributos incide sobre o vinho, cuja tributação chega a 54,73%, seguido do bacalhau importado (43,78%). Os ovos de Páscoa, um dos produtos mais consumidos nesta época do ano, têm carga tributária de 38,53%. Aqueles que optarem pela compra de bombons também não escapam: 37,61% do seu preço vão para os cofres públicos; no caso da barra de chocolate, a carga tributária atribuída é de 38,60%. Na colomba pascal, os tributos representam 38,68% do preço.

Apesar das altas alíquotas sobre esses produtos, o Leão pretende abocanhar ainda mais imposto do bolso do brasileiro. Temos um recente aumento na tributação nos chocolates que começará a valer a partir de primeiro de maio deste ano.

Para o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), João Eloi Olenike, a única preocupação do governo atualmente é reduzir o rombo das contas públicas: “O mercado ainda não absorveu os reajustes tributários recentes, mas certamente estes, em breve, surtirão seus efeitos na mesa do consumidor, que pagarão mais caro por estes itens, pois a maioria dos tributos estão embutidos no preço final dos produtos”, criticou Olenike.

O presidente do IBPT aconselha o consumidor a pesquisar atentamente os preços dos produtos se quiser economizar. “As famílias brasileiras poderiam consumir mais e melhor na Páscoa se não tivessem altos tributos encarecendo o preço dos produtos”, desabafa o presidente do IBPT.

Produtos Tributos
Almoço em restaurante 32,31%
Bacalhau importado 43,78%
Bombons 37,61%
Cartão de Páscoa 37,48%
Chocolate 38,60%
Coelho de Pelúcia 29,92%
Colomba pascoal Chocolate 38,68%
Hospedagem em hotel 29,56%
Ovo de Páscoa 38,53%
Passagem aérea 22,32%
Peixes 34,48%
Refrigerante (lata) 46,47%
Refrigerante garrafa 44,55%
Vinho 54,73%

 

Fashion Law ou os problemas relacionados com o Direito que envolvem o mundo da moda

Laudos periciais baseados em normas técnicas

laudo

Disponibilizo o serviço de apresentar o resultado ou a fotografia imediata do ponto a ser analisado, baseado em uma norma técnica para apurar possíveis responsabilidades civis e criminais de empresas ou fornecedores que não cumpram a norma técnica e tenha ocorrido um acidente de consumo ou danos materiais. Contatos: hayrton@hayrtonprado.jor.br ou (11) 99105-5304 (WhatsApp).

fashionFascinação, glamour, beleza, dinheiro, sofrimento, paixão, mitos, dinheiro, muito dinheiro. Esse é o redondo e dinâmico mundo fashion ou da moda. Mas, ele envolve outros como a publicidade, as revistas especializadas, o setor têxtil, etc. No caso desse último setor, a pulverização da sua cadeia produtiva leva à disseminação de condições de trabalho análogas a de escravo. Esse fracionamento da produção empurra para o domicílio toda a cadeia produtiva. Nesses ambientes, o pagamento é feito com base na produção, o que leva a jornadas excessivas, sem que sejam oferecidas condições de segurança e saúde.

A pessoa que se submete a esse tipo de trabalho, conhecido como sistema de suor ou sweating system, ocorre com mais frequência entre trabalhadores estrangeiros. É um tipo de trabalho que, basicamente, o trabalhador nacional já não aceita. Ele acaba atraindo o estrangeiro e, principalmente, o mais humilde. É o imigrante econômico, que busca melhores condições do que de seu país. Em São Paulo, há muitos trabalhadores latino-americanos, basicamente bolivianos, paraguaios, peruanos.

O grande número de trabalhadores sujeitos a esta condição no setor têxtil levou à instauração, em março de 2014, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de São Paulo. O relatório final estimou que existam entre 12 mil e 14 mil locais com esse tipo de trabalho ou trasweatshops (locais de trabalho que se confundem com residências e envolve condições extremas de opressão e salários miseráveis). O documento aponta ainda que um empregador que utiliza mão de obra escrava lucra cerca de R$ 2,3 mil por mês sobre cada trabalhador na comparação com aqueles que respeitam a legislação.

O pior é que isso envolve marcas famosas e a Justiça quer atacar esse sistema de produção, o que implica, necessariamente, na responsabilização jurídica, solidária de toda a cadeia produtiva pelas condições de trabalho nela realizada. Normalmente, as trabalhadoras ficam em condições degradantes de alojamento, jornada de trabalho exaustiva de 16 horas, retenção e descontos indevidos de salários, servidão por dívida, uso de violência psicológica, verbal e física e manipulação de documentos contábeis trabalhistas sob fraude.

Outros problemas relacionados com essa indústria envolve os direitos de imagem, marcas, reproduções indevidas, contratos duvidosos ou mal formulados, entre outras diversas questões inerentes ao mercado. Na verdade, a moda é, segundo o dicionário, uma tendência, uma forma de se vestir, modo, costume, vontade. Ela é momentânea.

Mas, é fato: a moda tem o poder de mudar o ânimo das pessoas. Quando a pessoa se veste bem, sua autoestima se eleva. Não se acanha ao chegar nos lugares, pelo contrário, sua presença aumenta e, subitamente, a confiança, é claro.No Brasil, quando Cabral desembarcou por aqui, os silvícolas se vestiam com pouca roupa ou quase nenhuma. Muitos nem escondiam as partes íntimas e somente tinham vários adereços no corpo. Tais ornamentos faziam parte dos rituais sagrados das tribos e, da mesma forma, com um viés erótico. A moda conseguiu atingir a cultura desses povos, seja por influência dela mesma ou por meio da legislação do país – visto que andar nu é contra a lei. Ela chegou até os indígenas e hoje eles se vestem com calças, camisas, bonés, tênis e outros acessórios

Quando Dom João VI aqui aportou, trouxe as tendências europeias para o Brasil. Como residiam nos países em que o frio predominava boa parte do tempo, muitas das roupas do dia a dia pertenciam a climas não proporcionais às temperaturas daqui. Porém, bem trabalhadas, chamam a atenção do consumidor, que acaba por comprar sem se ater a detalhes desse tipo.

Não só nas roupas, a moda influenciou na área de maquiagem. Na Grécia Antiga, usava-se desse artifício nas peças teatrais. Em outros países do Oriente, as pessoas pintavam o corpo para as celebrações religiosas. A maquiagem é muito usada nas produções cinematográficas. Em propagandas, serve para deixar os modelos bem adaptados aos padrões estipulados pela moda. Essa criou um mundo que parece belo e perfeito.

Antigamente, os gregos e romanos pensavam no corpo e na mente, ambos dotados de beleza. Se uma pessoa possuísse beleza interior, deveria também aparentar o mesmo por fora. Os gregos tinham uma ideologia que se encaixava perfeitamente nessa ideia do belo internamente falando e no exterior. O lema é: “Uma mente sã habita um corpo saudável”.

Na Grécia, os integrantes do Senado utilizavam uma espécie de capa, chamada de toga – senadores, magistrados e parlamentares. Revestia o lado esquerdo do corpo, ocultando o braço. Ela é preta, comprida e é usada por advogados e promotores nos tribunais; também por professores catedráticos e doutorados, dependendo da situação. Os plebeus se vestiam como os patrícios, mas não podiam usar as togas.

Quando a religião cristã chegou aos gregos, exatamente no império bizantino, liderado por Justiniano I, as roupas se tornaram mais alongadas – uma vez que pessoas da civilização grega andavam nuas – servindo de grande influência nas vestes sacerdotais. A cor mais usada pela nobreza era, por causa do preço elevado, a púrpura. As peças azuis, feitas com ureia, tinham o custo acessível à população.

Assim, no Fashion Law, são temas muito recorrentes o uso indevido de imagens, a pirataria e a linha tênue que separa a cópia da inspiração original. Uma das maiores polêmicas atuais diz respeito às empresas chamadas fast fashion, um termo utilizado por marcas que possuem uma política de produção rápida e contínua de suas peças, trocam as coleções semanalmente (ou até diariamente) e levam ao consumidor as últimas tendências da moda a preços acessíveis. É comum que essas empresas trabalhem com cópias de peças de marcas de luxo, feitas com tecidos e modelagens mais baratas.

Dessa forma, envolve todas as áreas do Direito voltadas para o mercado da moda, ou seja, aplica-se o direito trabalhista, o direito civil na moda. Deve-se entender como funciona o mercado para poder corretamente aplicar as leis, a Constituição Federal, o Direito Civil, o Direito Trabalhista, Propriedade Industrial, etc. ou seja, não se está criando nenhum Direito novo.

Alguns especialistas dizem que o Fashion Law nasceu da repercussão do litígio entre o designer Christian Louboutin e a grife Yves Saint Laurent no tribunal de Nova York, que gerou grande questionamento sobre o ambiente da moda, o que permitiu a criação e uso da expressão Fashion Law nos EUA. O caso se inicia quando Christian Louboutin questiona a grife YSL por conta do uso de solado vermelho em sapatos de salto alto, posto que o designer, especializado em calçados de luxo, passou a laquear os solados de sapatos femininos de alta qualidade com a cor vermelha a partir de 1992, o que se tornou um símbolo que remetia à sua marca. Em 2011, a YSL relançou o sapato monocromático vermelho, cujo solado, segundo Louboutin, lembraria sua criação. Ao final, ficou confirmado que a cor pode ser objeto de registro de marca, desde que seu uso seja original e, ao mesmo tempo, a YSL garantiu a venda de sapatos vermelhos, desde que sejam monocromáticos.

Depois disso, apareceu problemas jurídicos na França, na Califórnia e muitos advogados acabaram se especializando e atendendo agências de modelos, de publicidade, fabricantes de tecidos, etc., principalmente nas questões contratuais. O registro que muitos desses advogados apontam é que as pessoas têm uma visão que essas searas jurídicas só envolvem as grandes marcas. Mas, isso não é verdade. As pequenas e médias confecções precisam de uma assessoria para saber quais as consequências que a sua marca pode causar no mercado, os problemas jurídicos, a relação com os consumidores, etc.

Uma grande dúvida, por existir poucos casos no Judiciário, é se o Fashion Law deve se voltar para o registro do direito autoral ou da propriedade industrial. Parece ser correto que as criações de produtos, que compõem o mundo fashion, devam, na medida de sua natureza, ser protegidas por ambas as legislações, tanto a propriedade industrial (desenho industrial e marca), como o direito de autor (ilustrações e design). Quanto às roupas e acessórios, a Lei 9.279/96 da Propriedade Industrial possibilita ao criador de uma peça de vestuário ou um acessório o registro do desenho industrial do projeto do produto.

Alguns advogados acham que se este produto tiver características que o tornem uma obra artística, a Lei 9.610/98, que protege as obras artísticas, literárias e cientificas, não proíbe a sua proteção. Há, inclusive, decisão judicial considerando uma peça de vestuário de alta costura uma criação protegida pelo direito de autor. Para quem viola essa legislação há punições que são aquelas previstas no direito da propriedade intelectual, tais como a busca e apreensão de produtos falsificados (contrafeitos), indenização por perdas e danos ao detentor dos direitos relativos àqueles produtos, além de sanções na esfera penal como a detenção ou até a reclusão em caso de violação aos direitos de autor.

A garantia constitucional determina que seja preservado os direitos do autor concernentes à sua invenção, pois o inciso XXIX do artigo 5º da Constituição Federal, dentro das garantias fundamentais, contempla a questão da proteção à criação: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXIX – a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do país.

Além da Constituição Federal, o direito do autor é garantido na Lei de Propriedade Industrial (Lei n. 9.279/96) e na Lei de Direitos Autorais (Lei n. 9610/98). O artigo 6º da Lei de Propriedade Industrial assegura ao autor o direito de propriedade sobre sua criação, através do registro de patente: Art. 6º Ao autor de invenção ou modelo de utilidade será assegurado o direito de obter a patente que lhe garanta a propriedade, nas condições estabelecidas nesta Lei. § 1º Salvo prova em contrário, presume-se o requerente legitimado a obter a patente. § 2º A patente poderá ser requerida em nome próprio, pelos herdeiros ou sucessores do autor, pelo cessionário ou por aquele a quem a lei ou o contrato de trabalho ou de prestação de serviços determinar que pertença a titularidade. § 3º Quando se tratar de invenção ou de modelo de utilidade realizado conjuntamente por duas ou mais pessoas, a patente poderá ser requerida por todas ou qualquer delas, mediante nomeação e qualificação das demais, para ressalva dos respectivos direitos. § 4º O inventor será nomeado e qualificado, podendo requerer a não divulgação de sua nomeação. O período de exclusividade garantida à invenção patenteada é de 20 anos e caso se trate de modelo de utilidade, a duração é de 15 anos.

Já o artigo 42 da Lei de Propriedade Industrial preserva ao autor o direito de exercer o poder de impedir que terceiros não autorizados façam uso de sua criação: Art. 42. A patente confere ao seu titular o direito de impedir terceiro, sem o seu consentimento, de produzir, usar, colocar à venda, vender ou importar com estes propósitos: I – produto objeto de patente; II – processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. § 1º Ao titular da patente é assegurado ainda o direito de impedir que terceiros contribuam para que outros pratiquem os atos referidos neste artigo. § 2º Ocorrerá violação de direito da patente de processo, a que se refere o inciso II, quando o possuidor ou proprietário não comprovar, mediante determinação judicial específica, que o seu produto foi obtido por processo de fabricação diverso daquele protegido pela patente.

Caso fique comprovada a utilização indevida do que foi patenteado, cabe indenização. Art. 44. Ao titular da patente é assegurado o direito de obter indenização pela exploração indevida de seu objeto, inclusive em relação à exploração ocorrida entre a data da publicação do pedido e a da concessão da patente. § 1º Se o infrator obteve, por qualquer meio, conhecimento do conteúdo do pedido depositado, anteriormente à publicação, contar-se-á o período da exploração indevida para efeito da indenização a partir da data de início da exploração. § 2º Quando o objeto do pedido de patente se referir a material biológico, depositado na forma do parágrafo único do art. 24, o direito à indenização será somente conferido quando o material biológico se tiver tornado acessível ao público. § 3º O direito de obter indenização por exploração indevida, inclusive com relação ao período anterior à concessão da patente, está limitado ao conteúdo do seu objeto, na forma do art. 41.

Inovando e reinventando a engenharia

Conferência de Gestão de Qualidade em Portugal

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Depois do sucesso da primeira edição da International Conference on Quality Engineering and Management, em 2014, a segunda edição ocorrerá entre os dias 13 e 15 de julho de 2016, na Universidade do Minho, em Guimarães, Portugal, na qual se pretende assumir como uma das mais importantes conferências científicas mundiais na área da Qualidade.

Marcus Granadeiro

É muito difícil para um profissional fora do nível estratégico da empresa entender o valor que as inovações em tecnologia podem trazer ao negócio. Como transformar a inovação tecnológica em inovação de negócio e, assim, criar um novo produto, ter mais rentabilidade ou até mesmo produzir um diferencial competitivo?

Este vem sendo um problema para as empresas de engenharia, pois normalmente o nível estratégico é ocupado pelos fundadores da empresa, ou seja, profissionais mais maduros, excelentes engenheiros com grande reputação, mas longe do contato e interesse na tecnologia. Este cenário vem predominando até agora.

As empresas até compram tecnologia, investem em softwares CAD, modeladores BIM e sistemas de gestão de documentos e processos, porém este gasto não se reflete no negócio, assim a TI passou a ser entendida como custo e não investimento. A empresa faz a atualização porque saiu uma nova versão, assim como o dono troca anualmente o seu modelo de carro, porém não se pensa, planeja e justifica esta atualização com um impacto no negócio.

O “jogo vai virar”, dois grandes fatores já estão promovendo mudanças e irão alterar este cenário de forma definitiva em um curto espaço de tempo. O primeiro deles é a crise.

Em momentos como os atuais é impensável gastar dinheiro com algo que não traga um benefício muito bem mapeado e comprovado. Também é questão de sobrevivência inovar, não há mais zona de conforto, inovar para criar novos produtos, achar novos clientes, aumentar produtividade, ter um diferencial, etc.

O segundo vem da indústria de software, que está mudando o seu modelo de comercialização e ficando mais aderente ao modelo que o tsunami chamado “nuvem” impôs. Com a nuvem veio o conceito de software como serviço, no qual a empresa paga pelo o que usa e quando usa. Modelo este que não se compra, mas sim aluga-se.

No SaaS (Software as a Service), não basta fornecer uma aplicação que roda de forma individual, pois este padrão de fornecimento demanda softwares que operem de forma integrada e com serviços associados. Ter um software e não usá-lo passa a significar algo semelhante a alugar um escritório e deixá-lo vazio, alugar um carro e apenas pegar táxi. Ficará muito explícito o custo sem o benefício associado.

Qual caminho seguir? Primeiro deve-se mudar o entendimento que tecnologia é um custo, ela deve ser encarada como um investimento, pois é elemento que propicia a necessária inovação.

Depois é preciso dar mais eficiência e eficácia ao investimento em tecnologia. Então, o caminho é fazer com que os sócios comecem a entender os conceitos, invistam tempo em aprender e trilhar a busca do uso da inovação tecnológica para reinventar a engenharia de suas empresas.

Marcus Granadeiro é engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da USP e presidente da Construtivo.com.

Concorrência e mercado: dicas para se diferenciar e sair à frente


E-book ASQ/Target: as melhores práticas para as equipes excelentes

Essa publicação tem o propósito de explicar a metodologia denominada Excellence Framework Team (TEF)…

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Arley Ribeiro

O Zé estava sempre ocupado. Ele abria o barzinho de segunda a sexta, às 6 h pontualmente. Sua esposa o ajudava no balcão, e eles fechavam pouco depois das 18 h.

O Bar do Zé (era assim que se chamava) ficava quase em frente à primeira empresa em que trabalhei, assim que me formei. Eu pegava um ônibus e descia perto do barzinho, por volta das 7h30. Era impossível não notar o local sempre cheio de gente. O ponto era realmente muito bom, próximo a diversas empresas e fábricas, mas o Zé tinha um problema: no mesmo quarteirão, havia mais 2 bares bem parecidos com o dele e, na outra esquina, uma padaria bem arrumada, que despejava um cheiro de pão quente que invadia o nosso escritório todo dia bem cedo.

Mas o Bar do Zé estava sempre cheio, e os demais muito vazios. Eu não me interessava em entrar no barzinho, pois tomava meu café da manhã em casa e minha viagem de ônibus não durava mais que 20 minutos. Mas eu me admirava com a quantidade de gente que se apinhava no barzinho, todos os dias.
Até que um dia, em meio a um feriado prolongado quando muitas empresas “emendaram”, eu vi o barzinho com poucas pessoas. Então eu resolvi entrar para ver qual era o segredo do Zé. Mal coloquei o pé no bar, o Zé se virou para mim e perguntou: “Puxa, até que enfim você entrou. Te vejo todo dia saindo do ônibus e indo trabalhar, achei que você nunca iria entrar aqui”. Isto me desconcertou um pouco, mas respondi que tomava meu café em casa e, em geral, chegava sem fome.

O Zé sorriu. Perguntou meu nome e o que tomava no café. Ao saber que era pão com manteiga e café com leite, ele perguntou se eu não gostaria de complementar com um iogurte batido com frutas, com pouco açúcar. Eu prontamente aceitei. E, assim, pude observar o trabalho do Zé e esposa. Eles chamavam todos os clientes pelo nome, perguntavam se queriam o de sempre e corriam para preparar os pedidos eles mesmos. Com isso, os clientes acabavam esperando um pouco, mas a qualidade do que era servido era sempre a mesma. Nem o Zé ou a esposa jogavam muita conversa fora com os clientes, pois estavam sempre ocupados, mas demonstravam muita simpatia e bom humor com todos.

Deixei minha primeira empresa após quase um ano de trabalho. Quando saí, os dois barzinhos concorrentes do Zé já haviam fechado as portas e a padaria sobrevivia vendendo basicamente pães e doces, com pouco movimento de venda de lanches e café. Mas o que fazia o Zé ter tanto movimento e os concorrentes não? Esta é uma pergunta que todas as pessoas se fazem quando se deparam com sucessos no mundo dos negócios, que crescem em meio à forte concorrência.

Aprendi muito sobre concorrência com o bar do Zé, muito mais que no meu curso de MBA. Muitas das minhas observações, aplico até hoje com bastante sucesso. O que eu aprendi com o Zé foi:

1- Conheça seus clientes. O Zé sabia o nome e a preferência de todos os seus clientes e isto o ajudava a se aproximar deles. É muito bom entrar num lugar e ser reconhecido, saber que quem está te vendendo algo tem interesse em você e não só em seu dinheiro;

2- Monitore o mercado em geral. Os novos clientes são os grandes responsáveis pelo aumento de vendas. O Zé não sabia se algum dia eu iria entrar em seu bar, mas quando eu entrei, ele estava preparado;

3- Faça uma venda consultiva. Ele me sugeriu o que tomar depois de efetuar algumas perguntas. Eu estava lá só para saber por que o bar estava sempre cheio, e teria alguma dificuldade em escolher algo se ele não sugerisse;

4- Foque no que é importante para seus clientes. Os clientes do Zé poderiam ser servidos mais rapidamente na padaria ou nos outros bares, pois eles estavam sempre vazios. Mas eles preferiam esperar um pouco para ter uma refeição feita pelo Zé ou pela esposa, pois para eles, a qualidade do que comiam pela manhã era mais importante que 5 minutos de espera;

5- Nunca abra mão da qualidade. O Zé cobrava um preço justo pelo que servia, mas reajustava sempre que necessário. Isto fazia com que todos os clientes ficassem satisfeitos com a comida e não procurassem os concorrentes.

Outro dia, me bateu uma saudade, peguei o carro e fui ver se o bar do Zé, depois de 25 anos, ainda existia. Em seu lugar, está hoje o restaurante do Zé. Eu não entrei, mas reconheci dois rapazes bastante semelhantes com o Zé, que devem ser seus filhos. O lugar estava cheio e tinha uma área muito grande, muito maior que o barzinho original. Nem sinal dos outros bares e da padaria, como eu já esperava.

Com base em cinco regrinhas simples, o negócio fundado pelo Zé deixou de ser um barzinho e hoje é um restaurante muito grande. E, se continuar seguindo os mesmo princípios que o seu fundador seguia, quem sabe daqui a alguns anos eles vão abrir o “Joseph’s Bar”, em Nova Iorque!

Arley Ribeiro é executivo e engenheiro químico,  com experiência no setor de adesivos de consumo e industrial em países da América do Sul, México, EUA, Europa e Índia.