O ouro de Rafaela e a gestão do esporte no Brasil

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Ary José Rocco Júnior

Ao conquistar a primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a judoca Rafaela Silva provocou uma série de manifestações nas redes sociais. De um lado, milhares de pessoas exaltando a origem humilde da atleta, nascida na favela carioca da Cidade de Deus, com passado difícil, sentindo na própria pele o dilema de ser negra e pobre em um país como o Brasil. Do outro, centenas de internautas salientando os méritos da atleta, que com esforço pessoal próprio saiu da miséria para a medalha de ouro.

Os dois grupos, e tantos outros que comentaram o tema, estão corretos em suas análises. Apenas reverberam suas próprias histórias de vida e suas concepções pessoais sobre uma sociedade comprovadamente dividida, como a brasileira.

Pouca gente, no entanto, mencionou ou discutiu algo que julgo extremamente importante, e que fica exposto de forma clara pela brilhante conquista da judoca brasileira: a estrutura de financiamento e a organização do esporte no Brasil. Rafaela Silva, hoje com 24 anos de idade, teve seu primeiro contato com o judô aos 7 anos, através do Instituto Reação, organização não governamental (ONG) criada na Cidade de Deus pelo ex-judoca e medalhista olímpico Flávio Canto, em 2003.

O Instituto Reação, como informa seu portal oficial, é uma ONG que promove o desenvolvimento humano e a inclusão social por meio do esporte e da educação, fomentando o judô desde a iniciação esportiva até o alto rendimento. A proposta é utilizar o esporte como instrumento educacional e de transformação social, formando faixas pretas dentro e fora do tatame.

O projeto atende hoje aproximadamente 1.200 crianças, adolescentes e jovens, todas em situação de risco, em cinco polos – Rocinha, Cidade de Deus, Tubiacanga, Pequena Cruzada e Deodoro, todos no estado do Rio de Janeiro. Geraldo Bernardes, primeiro treinador de Rafaela Silva no Instituto Reação, ao ser entrevistado sobre a conquista de sua pupila, recordou que a judoca, quando chegou à ONG de Flávio Canto, apresentava extrema agressividade, que, com o passar do tempo, foi canalizada, de forma positiva, para a prática do judô.

Por outro lado, em caminho oposto ao desenvolvido pelo Instituto Reação, o governo, através do Ministério do Esporte, investiu cerca de US$ 350 milhões para os Jogos Olímpicos de Londres 2012. Outros US$ 600 milhões foram colocados em diversas modalidades esportivas, sempre no alto rendimento, para tentar levar o país à 10ª colocação do quadro de medalhas dos Jogos do Rio, agora em 2016.

Nos valores acima, extraídos do portal do Ministério do Esporte, estão incluídos os gastos do governo (Lei Agnelo Piva, Bolsa Pódio e Plano Brasil Medalhas) e também verbas dos patrocinadores privados. No mesmo sentido, ilustrando a forma como o esporte é gerido no Brasil, Marcus Vinícius Freire, diretor executivo do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), afirmou em entrevista à revista IstoÉ 2016, que “não se faz atleta de ponta sem dinheiro público no Brasil”.

A colocação do executivo do COB escancara a forma como os dirigentes esportivos brasileiros, em qualquer entidade – clubes, federações e confederações –, pensa o financiamento do esporte no país. Porém, e aí reside o ponto central da questão, a declaração de Marcus Vinícius reflete a total incompetência dos gestores esportivos do Brasil em administrar, de forma adequada, o esporte de alto rendimento em território nacional.

A dependência estatal ilustra a completa incapacidade dos dirigentes de nossas entidades em tornar modalidades, clubes e campeonatos rentáveis para patrocinadores e investidores privados. De forma geral, o esporte de rendimento, aquele que interessa à mídia, é investimento de retorno garantido para patrocinadores, uma vez que é difícil encontrarmos atributos negativos no esporte no relacionamento com marcas e públicos específicos e segmentados.

Problemas de governança, ilustrados pela falta de transparência, impedem que o esporte seja plataforma para investimentos de empresas privadas sérias interessadas em “pegar carona” na boa imagem que patrocinar esporte causa aos seus consumidores.

Endividados pela má gestão, e com dificuldades enormes de levantar recursos pela falta de credibilidade, sobra aos “cartolas” do nosso esporte recorrer ao governo para financiar as atividades das organizações esportivas que dirigem. Pressionado pela necessidade de fazer boa figura em casa, agora nos Jogos 2016, o Ministério do Esporte investiu como nunca no atual ciclo olímpico.

O investimento em atletas de alto rendimento, por parte do poder público, oferece muito pouco retorno à sociedade se comparado àquele obtido quando o investimento é feito no esporte educacional e/ou de participação. Atividades de organizações não governamentais que trabalham com esporte, como o Instituto Reação de Flávio Canto, mostram o exato caminho que deve ser seguido pelo governo.

O investimento no esporte, como elemento de inserção social e educação, rende benefícios à sociedade que ultrapassam a fronteira do sucesso esportivo. Para a iniciativa privada, o investimento em esporte de alto rendimento, quando bem planejado e executado, é certeza de retorno certo. Dá lucro e torna as marcas fortes na mente dos seus consumidores.

Para o setor público, o investimento em inserção social e educação através do esporte, rende muito mais do que o merecido ouro de Rafaela. Salva vidas e torna nossa sociedade mais justa e menos dividida.

Entre tantas maravilhosas lições que o triunfo da judoca nos deu, temos aqui mais duas: a necessidade de uma verdadeira política de esporte, por parte do poder público, que privilegie o esporte educacional, e, no setor privado, a premente demanda por gestores competentes e transparentes que transformem o esporte de alto rendimento em excelente plataforma para patrocinadores e investidores. Se as lições forem aprendidas, o que eu duvido, teremos muitas outras Rafaelas para comemorar.

Ary José Rocco Júnior é pós-doutor em ciências da comunicação pela ECA-USP e professor da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE-USP).

O novo posicionamento estratégico da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ)

fnq

Abrindo o Congresso FNQ de Excelência em Gestão (CEG), em São Paulo, no Centro de Convenções Rebouças, o presidente executivo da FNQ, Jairo Martins, revelou que, devido ao cenário brasileiro que se tornou cada vez mais complexo e volátil, há novos desafios a ser vencidos por todas as instituições. “Isso está requerendo novas atuações das empresas e inclusive da nossa organização. Assim, estamos adotando um novo posicilonamento estratégico da FNQ, exatamente no ano que iremos comemorar 25 anos de atuação no país”.

Ele acrescenta que à luz das tendências dos cenários econômicos, políticos, tecnológicos, etc., fizemos uma análise do momento atual vivido pelo Brasil, marcado por uma evidente crise de gestão em todos os níveis. “Se a gente olhar vemos um país com desemprego crescente, estados e municípios quebrados, empresas demitindo a sua mão de obra, sinalizando um evidente mau uso do dinheiro público, uma incompetência administrativa imensa e por aí vai. Então, o nosso direcionamento estratégico estará focado em três pilares que irão sustentar a nossa missão e a busca constante na excelência operacional. Um dos pilares é o engajamento das pessoas na causa da gestão para a excelência e eu fico satisfeito hoje em ver tantas pessoas aqui procurando adotar esse posicionamento. Na verdade, a sociedade somos nós. Nós temos que mudar a postura para alterar todo esse estado de coisas que estamos vivendo. A sociedade tem que se engajar para ser o protagonista de toda essa situação. Mudança que precisa acontecer”, observa.

Jairo diz que o segundo ponto será o aumento da produtividade das organizações, pois sem isso não acontece nada. “Sem trabalho não vai ocorrer nada. Essa política de compradre que existe hoje, baseada na corrupção, não dura muito tempo. Precisamos, sim, que as empresas sejam produtivas. Em consequência, esse processo irá aumentar a competividade brasileira. E o que é ser competitivo? É ser escolhido e o Brasil não está sendo escolhido para se ter relações comerciais pelo resto do mundo. Temos que ser escolhidos como parceiros internacionais e não ter uma imagem negativa de aqui nada funciona. Teremos que mudar esse panorama o mais rápido possível”.

Segundo o presidente, o objetivo dessa proposta da FNQ é atuar na esfera pública e privada, e ajudar realmente a resgatar a confiança no país. “Não só a confiança externa, mas também a interna, pois nós não estamos muito confiantes como o país está sendo levado. Dessa forma, eu gostaria de todos refletissem nesse novo posicionamento da FNQ: pensar no país. É essa proposta”.

Complementa dizendo que a instituição sempre terá a função de promover a busca pela excelência, já que o país precisa de uma grande cadeia de valor voltada para as melhorias. “E o que vem a ser a busca pela excelência? O primeiro ponto é entender que a empresa é um organismo vivo, operando em um sistema complexo e que está sempre interagindo com o seu ambiente. Precisamos gerar valor para todos os integrantes da cadeia de valor em uma relação de interdependência e cooperação, e ter qualidade na interação com o ecosistema, ou seja, a velocidade de aprendizado e a capacidade de se adaptar a cenários imprevistos e incontroláveis. Isso tem que ser a tarefa de cada um de nós. Sempre estar observando e reagindo em relação ao que está ocorrendo nesse ambiente conturbado mundialmente.

A FNQ também estará publicando a 21ª edição do Modelo de Excelência em Gestão (MEG), que é o carro-chefe da FNQ para a concretização da sua missão, que é a de estimular e apoiar as organizações brasileiras no desenvolvimento e na evolução de sua gestão para que se tornem sustentáveis, cooperativas e gerem valor para a sociedade e outras partes interessadas. “Nessa nova edição, comemorando os 25 anos da Fundação, que será disponibilizada no segundo semestre desse ano, já fazendo parte dessa nova postura estratégica, serão abordados novos temas, como o desenvolvimento sustentável, a ética, o sistema de compliance e a governança corporativa que passa a ser decisiva na condução dos negócios, ou seja, refletindo os impactos atuais nas gerações futuras. O novo MEG trará os temas que irão inmpactar os negócios no mundo atual”.

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Ele aponta ainda uma nova mudança na FNQ: o seu logotipo. “Uma marca moderna que acompanha a evolução da instituição e que procura trasmitir a seriedade em trilhar novos caminhos, de forma leve e transformadora. Uma busca pela evolução em seus conceitos. Temos que pensar diferente: o Brasil é a nossa tarefa”.

Estabeleça metas de forma inteligente para que se concretizem

Mais informações: https://www.target.com.br/livros/target/livro_2015.aspx

Erik Penna

“Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe pra onde ir” (Sêneca)

Uma pesquisa da Universidade de Scranton, na Pensilvânia – Estados Unidos, revelou que apenas 8% das pessoas conseguem cumprir a meta desejada. Você deve conhecer algumas pessoas que reclamam de não conseguir atingir alguns objetivos na vida. Eu mesmo conheço várias e descobri que a maioria não conquista os objetivos porque não os possuem de forma clara em sua mente.

Já as pessoas que estabelecem metas, normalmente alcançam melhores resultados na vida pessoal e profissional. E se, no planejamento dessas metas, você fizer uso do sistema SMART (palavra que, em inglês, significa esperto, inteligente), vai observar que as chances de êxito aumentam ainda mais. O sistema S.M.A.R.T. define que, na elaboração das metas, devem ser observadas cinco características (cujas iniciais em inglês dão nome ao sistema). Veja a seguir:

– Specific (Específica): O primeiro passo é especificar, ou seja, descrever com detalhes o seu desejo. Por exemplo: não adianta dizer que a meta é comprar um carro novo, isso é muito vago, afinal, um carro novo pode ser um Fusca ou uma Ferrari. Portanto, descreva a marca, o modelo, o ano, a potência do motor, os opcionais, quantas portas deve ter e até a cor que lhe agrada mais. Isso evita ambiguidades, sendo, portanto, fundamental para você saber exatamente o que está buscando.

– Measurable (Mensurável): Em alguns casos, o sonho não acontece porque pedimos errado. Um exemplo disso ocorreu quando eu questionei um amigo sobre suas metas para o ano e ele me respondeu que a meta era ter mais dinheiro. Na mesma hora, eu tirei um real do bolso entreguei a ele e disse que ele, então, já tinha atingido a meta, pois já possuía mais dinheiro. Ele riu, percebeu o erro e entendeu a necessidade de mensurar, medir e quantificar o que desejava. Exemplo: eu quero 50 mil reais a mais do que eu tinha no final do ano passado, na minha conta corrente, até o dia 30 de dezembro deste ano.

– Attainable (Atingível): A meta precisa ser desafiadora e possível de ser atingida, pois, se ela for muito fácil, desestimula a atitude e, se for impossível, também não estimula a mobilização adequada. Encontrar este equilíbrio é um desafio para empresas, gestores e pessoas que buscam se aperfeiçoar.

– Relevant (Relevante): Lembre-se de que, ao estabelecer uma meta, é importante que ela tenha relevância e que, ao ser alcançada, gere prazer e satisfação. O esforço precisa realmente valer a pena para quem conquista.

– Time based (Temporal): É preciso também estabelecer uma data limite para a meta. Normalmente, quando se diz: “um dia pago essa conta”; “um dia ainda vou te visitar”, ou “um dia desses iremos nos casar”, costuma não acontecer, pois não foi colocado um prazo para sua realização e, assim, não acontece mesmo.

Para facilitar ainda mais o seu caminho, recomendo que divida o valor a ser atingido em partes. Por exemplo: quero vender 120.000 a mais neste ano. São 10 mil a mais por mês, 333 a mais por dia e, para o vendedor que costuma trabalhar 10 horas por dia, serão apenas 33 a mais por hora, ou seja, algo que parecia extremamente difícil, 120.000, tornou-se aparentemente bem mais fácil e próximo da realização.

E, por fim, se você deseja mesmo realizar suas metas e ser mais respeitado, aconselho-o a escrever num papel todos esses dados, pois não correrá o risco de se esquecer dos seus objetivos. E, pode estar certo, seu esforço e seu comprometimento serão maiores. Depois de traçado o alvo por escrito, fixe estas informações em um lugar onde possa avistá-las diariamente ou com certa frequência. Assim, feliz da vida, vai concluir que, de fato, funciona mesmo.

Erik Penna é especialista em vendas, consultor, palestrante e autor dos livros “A Divertida Arte de Vender” e “Motivação Nota 10”. Site: www.erikpenna.com.br

A coleção de problemas das empresas nacionais. De quem é a culpa?

Dennis Giacometti

No Brasil, 64% das empresas encerram as atividades antes de completarem seis anos; e apenas uma, em cada cem, chega aos 50 anos de forma saudável. Reconhecido mundialmente como país de empreendedores, o Brasil se destaca por apresentar elevada taxa de mortalidade empresarial precoce.

No momento de encerrar as atividades, como acontece em outras situações da vida, há que achar um culpado que, claro, nunca é o próprio empreendedor, sempre “outro”. Na maioria das vezes, a culpa do fracasso é do governo! Será então que não somos corresponsáveis pelo atual estado da indústria nacional?

Se essa maneira de pensar for verdadeira, como explicar o fato de que em quase todos os segmentos econômicos existem, no mínimo, três empresas nacionais de sucesso, independente das ciclotimias naturais do capitalismo? Como essas empresas conseguem perpetuar-se em cenários tão adversos como os relatados pela maioria dos empresários brasileiros?

Jogam na zona cinzenta, para enfrentar, por exemplo, o poder da burocracia? Bem possível… Arriscam-se nas ginásticas fiscais e contábeis para fugir do fisco? Hipótese, evidentemente, cada vez menos provável, em razão da implacabilidade dos órgãos reguladores e gestores do setor. Então, em que se baseia a capacidade de superação permanente dessas organizações acostumadas a enfrentar cenários difíceis e desafios?

Uma análise criteriosa baseada na experiência revela que o principal fator de diferenciação dessas empresas de sucesso é o Trabalho do Conhecimento. Seus acionistas e CEOs, de modo consciente ou intuitivo, investem em conhecimento.

Isso ocorre de diferentes maneiras, em função dos recursos financeiros que cada um destina para esse fim. Quem não dispõe de recursos para a gestão do conhecimento, para a montagem de unidades de inteligência ou para a realização de onerosos estudos de mercado, viagens internacionais inspiradoras e outras iniciativas do gênero, recorre a eventos e congressos realizados por aqui, a muita leitura e até mesmo a pequenos estudos de mercado para ficar mais próximo das tendências de seu setor.

Investir no conhecimento, porém, não é tudo. Na verdade, essas “soluções” representam apenas um por cento do esforço para se manter na liderança. O restante tem a ver com a capacidade dessas organizações para transformar o conhecimento em prática inovadora. Além de contribuir para antecipar as oportunidades e riscos do mercado, a gestão do conhecimento precisa se transformar em vórtice da inovação. Essa é a sua missão crítica.

Inovação não só na área de produtos e serviços, processos internos, mas principalmente na forma como os colaboradores desenvolvem a interdependência entre as áreas para criar um ambiente propício ao avanço das práticas evolutivas. Somente assim será possível sair da mesmice, “do inferno chinês” (que amanhã será vietnamita, indiano, tailandês etc.) e consequentemente da briga única e exclusiva por preço.

As empresas brasileiras precisam ser obstinadas com a inovação, com a ousadia, com a diferenciação de suas marcas. Devem gerir o tempo de tal forma que possam pensar na reformulação do “galinheiro” nos próximos cinco ou seis anos, em vez de ficar correndo atrás dos frangos soltos 15 horas por dia.

A interação dos empresários com os governos também exige inovação e criatividade, para tentar vencer os principais obstáculos que o setor público coloca diariamente à atividade das empresas. Nesse sentido, vale tentar lembrar de atitudes diferenciadas que teriam sido tomadas pelas principais entidades que representam a indústria no país nos últimos 20 anos.

Alguém se arrisca a elencar cinco ações geniais? Ações que impactaram positivamente a agenda dos governantes? Alguém conhece o sonho da Fiesp, por exemplo, para 2025 e sabe qual seria o seu projeto Brasil com base na perspectiva da evolução industrial de São Paulo? Até onde sabemos, na realidade, não existe nem uma referência que sirva de inspiração, já que o Brasil não possui um projeto para navegar no atual cenário mundial tão complexo e competitivo. Há mais coisas para qualificar do que sonha a nossa vã “filosofia”.

Um projeto para o Brasil não deve ser confundido com programas de governo apresentados pelos presidenciáveis a cada quatro anos e que depois ficam na gaveta. A questão é como criar uma identidade que diferencie o país no presente cenário de nações altamente competitivas. Algo que transcenda as ciclotimias naturais do capitalismo, que eleja quatro ou cinco áreas potenciais de desenvolvimento sustentável por 20 ou 30 anos, acima das demandas por incentivos ao consumo ou aos investimentos.

Um país ainda tão marcado pela pobreza como o Brasil tem que colocar foco nos fatores críticos para o sucesso das gerações futuras. E quais seriam esses pilares? Para estimular a inovação, seria necessário criar um centro de altos estudos que reunisse o maior número possível de profissionais práticos e teóricos, com o objetivo de facilitar a definição e a forma de implementação destes grandes diferenciais que tornarão possível uma mudança qualitativa do Brasil.

Se o país colocasse tempo, energia e recursos no Trabalho do Conhecimento, em dois anos, no máximo, conseguiria definir as grandes linhas mestras para acelerar seu desenvolvimento econômico, social e político. Cabeças brilhantes e pensantes não nos faltam. Na dúvida, o Brasil poderia até “copiar” a China, os Emirados Árabes, a Suécia ou outros países que já fizeram mudanças qualitativas. Isso já seria suficiente.

Dennis Giacometti é sócio presidente da Giacometti Comunicação e da Zhuo – Gestão, Inovação e Estratégia de Marca.

Quais os caminhos para ter um negócio sustentável?

Cursos pela internet

Segurança em Instalações e Serviços com Eletricidade de Acordo com a NR 10 – Básico – Disponível pela Internet

A nova norma apresenta mudanças significativas em relação aos requisitos da versão anterior.

Segurança na Operação e Manutenção de Subestações e Cabines Primárias – Disponível pela Internet

Os grandes blocos de energia, tanto para o segmento comercial quanto para o segmento industrial, são supridos por média tensão. Essa condição gera a necessidade de equipamentos, matérias, pessoal de operação e manutenção de perfil direcionado.

O conceito de Startups, moda no empreendedorismo viralizada por todos os cantos, tem funcionado muito bem para pequenos negócios que não necessitam de grandes investimentos iniciais. Geralmente, apresentam custo operacional baixo e uma equipe modesta que, muitas vezes, é o próprio empreendedor que está no cargo-chave do negócio. “Esses empreendimentos, em sua maioria, são baseados em um conceito de risco inicial para atender necessidades pontuais e desenvolve-se um produto minimamente viável, que vai melhorando através dos feedbacks que o mercado lhe proporciona”, explica Amauri Nóbrega, especialista em gestão estratégica.

Nóbrega acredita que a tecnologia pode ser utilizada como motor para alavancar o negócio, com o fim de prover sustentabilidade. “A tecnologia deve impulsionar o negócio e não ser o próprio negócio, pois ela é, atualmente, facilmente copiada e a sua vantagem competitiva pode evaporar com facilidade”.

Para o especialista em gestão estratégica, o sucesso em 100% dos casos tem como proposta básica simplificar a vida dos clientes e, nos casos mais inovadores, criar uma necessidade já com uma solução para a mesma. “Um exemplo disso é o iPod. É um tipo de produto que foi criado sem que tivéssemos a necessidade e hoje é algo que mudou o conceito de alguns mercados envolvidos”, ilustra Amauri Nóbrega.

Por fim, para se obter um negócio sustentável, ou seja, que não esgote seus próprios recursos e consiga se manter firme no mercado, Nóbrega recomenda a procura de uma oportunidade em um mercado que tenha um potencial de crescimento rápido e configure uma excelente proposta de valor com uma estratégia formatada. “Contrate as pessoas certas capazes de tirar a estratégia do papel, busque uma solução que supere os concorrentes e utilize sempre a tecnologia para potencializar ou simplificar”, aconselha o especialista. Segundo o consultor, é possível dar o start inicial seguindo esses passos, no entanto, posteriormente, é recomendável que se encontre um parceiro que some recursos ao negócio.

Quais são os principais gaps entre estratégia e execução?


O cumprimento das normas técnicas evita acidentes com caldeiras

Um acidente com uma caldeira em manutenção, em uma cervejaria, no estado de São Paulo, deixou quatro…

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Quando se trata de estratégia de negócios para empresas, existe uma grande distância entre o que se está no papel e sua execução. Essa é a opinião do especialista em estratégia Amauri Nóbrega: “Gera-se uma grande questão: a estratégia boa é aquela que se consegue executar? Bom, existem grandes questões envolvidas, pois uma estratégia pode ser separada de sua execução ou a execução é parte da estratégia”.

Para Nóbrega, existem muitos gaps entre a estratégia e sua execução. “Existe estrategista que não sabe executar, ou grandes executores que não conseguem pensar estrategicamente?!”. São muitas questões que não necessariamente existem resposta única para elas.

O estrategista Amauri Nóbrega aponta a primeira pergunta que uma empresa pode fazer a si mesma e que pode gerar lacuna: quem é que queremos ser? “No topo da gestão, se não há uma unanimidade na resposta, posso dizer que, com um percentual muito próximo de 100, essa empresa terá dificuldades na execução da sua estratégia”, diz Nóbrega. Para ele, essa é uma resposta fundamental para o início de um planejamento estratégico. “Enquanto não houver uma unanimidade nessa resposta, não vá em frente”.

Nóbrega indica que, uma vez encontrado o consenso, o próximo passo é saber o que irá oferecer para que os clientes acreditem na empresa e ajudem a torná-la o que ela quer ser. “Qual a nossa proposta de valor? Ela é fundamental e os clientes devem perceber que o que colocamos e oferecemos é percebido por eles e aqui aparece mais um gap. Se o cliente não experimentar o valor oferecido, a continuidade estará comprometida”, explica.

Logo após procurar entender o gap entre a oferta de produtos e a percepção dos clientes, é chegada a hora de olhar para a concorrência. “Ligado com o dito anteriormente, a nossa proposta também é oferecida por mais alguém? Se sim, temos que ter algo que nos diferencie, como conseguir? Questionando. Por que o cliente escolheria fazer negócio conosco em vez do concorrente?”, levanta o estrategista.

Depois de analisar a relação com clientes e concorrentes, o passo seguinte é olhar para o caixa, como explica Amauri Nóbrega. “Será que teremos recursos suficientes para tirar do papel a proposta de valor e chegar aonde desejamos? Pois, não adianta conseguir uma excelência na avaliação do cliente, mas não conseguir chegar no nosso objetivo”. Ele conta que já atendeu diversos casos do tipo. “Empresas que eram amadas pelos clientes, não controlaram os recursos e não conseguiram cobrar um preço premium pelo seu produto/serviço”, relata.

Por último, Nóbrega diz que é necessário, sempre que atingido o objetivo, que a empresa busque evoluir e expandir. “É preciso que venham os re-ciclos, porque, uma vez atingido o objetivo, não fique “sentado” aproveitando. Volte ao início e crie um novo objetivo mais ousado, evolua a proposta, expanda os recursos”.

O especialista em estratégia diz que, a partir do fechamento do primeiro ciclo, a confiança da equipe em sua liderança aumenta e, assim, o sucesso vai surgindo gradativamente junto com o amadurecimento da empresa e de sua equipe. “Não quero dizer aqui que esse é o único caminho para a vitória, mas acredito que é o único caminho para fechar os gaps existentes entre estratégia e execução”, finaliza.

Qual é o perfil do empreendedor ideal?

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Especialista revela dicas para ter um negócio bem-sucedido.

Segundo dados de uma pesquisa realizada pelo Sebrae e Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), e divulgada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o Brasil é o primeiro no ranking mundial quando o assunto é empreendedorismo. Mas o que leva tantos brasileiros a empreender?

Ainda de acordo com os dados, 34 a cada 100 brasileiros adultos – entre 18 e 64 anos – possuem ou estão envolvidos na criação de uma empresa, refletindo no índice de 34,5% de empreendedores. Entretanto, outros países considerados mais desenvolvidos estão abaixo no ranking por apresentar um índice menor, como é o caso da China, com 26,7%, Estados Unidos, 20%, e Reino Unido, 17%, e Japão, 10,5%, que fecham os cinco primeiros colocados. Além disso, o estudo também afirma que ter seu próprio negócio é o terceiro sonho mais comum entre os brasileiros (31%), perdendo apenas para ter uma casa própria, 42%, e viajar pelo país, 32%.

Para Madalena Feliciano, diretora de projetos da Outliers Careers, o Brasil sempre esteve entre os mais empreendedores, porém, a causa disso está mudando ao longo do tempo. “Uma grande parcela dos brasileiros pensa em ter seu próprio negócio. Porém, a grande justificativa disso era a necessidade de arranjar um emprego. Ou seja, muitos desempregados criavam a sua empresa. Hoje, esse o cenário mudou. 71 a cada 100 brasileiros abrem seu negócio por enxergar uma oportunidade. 95% das mais de 10 milhões de empresas do país são pequenos negócios”, revela.

Mas qual o perfil para ser um empreendedor de sucesso? Madalena afirma que a primeira coisa necessária é saber se planejar. “Não dá para abrir um negócio sem saber exatamente o que fazer e como fazer. É importante ter um planejamento e por isso que ter atitude, estar determinado e comprometido são aspectos fundamentais também ao mesmo tempo que você é inteligente emocionalmente e se autoconhecer”, conta.

A inteligência emocional, dita por Madalena, refere-se a ter, por exemplo, a cabeça aberta para novas ideias, aceitando críticas e sugestões. “Ser adaptável a mudanças pode ser essencial para o sucesso. De repente, a ideia inicial pode não estar dando certo e o empreendedor precisa ter jogo de cintura e saber contornar a situação. A persistência diante obstáculos é um fator decisivo na vida das empresas, afinal, segundo o Sebrae, 75,6% das empresas sobrevivem após dois anos”.

E, acima de tudo, ter preparo e atualizar constantemente suas informações também são grandes diferenciais. De acordo com Madalena, não existe mais a desculpa de querer economizar pois existem diversos cursos e palestras grátis, até mesmo pela internet. Além destes, livros, sites e pesquisar também são formas de obter aprendizados, já que o conhecimento do gestor ajuda a minimizar suas angústias e, consequentemente, riscos do empreendimento.

Dessa forma, a especialista apresenta um miniperfil de um empreendedor de sucesso. “A pessoa deve tomar a iniciativa de criar o negócio e se segurar a essa ideia. Esse perfil necessita que você saiba muito bem seu produto ou serviço, assim como as tendências do mercado no ramo escolhido. Ela tem que ter uma boa rede de contatos e saber como fazer seu marketing pessoal bem feito, além, é claro, de ter a capacidade de gerir a empresa financeiramente de uma maneira organizada e ter a capacidade para aproveitar oportunidades que o mercado propõe e a iniciativa de arriscar”, conclui.