O índice de reciclagem das embalagens

reciclagemA reciclagem é o termo utilizado para designar o reaproveitamento de materiais beneficiados como matéria-prima para um novo produto. Muitos materiais podem ser reciclados e os exemplos mais comuns são o papel, o vidro, os metais como alumínio e aço e os diferentes tipos de plástico. A reciclagem proporciona a minimização da utilização de matérias-primas de fontes naturais e a minimização da quantidade de resíduos encaminhados para a destinação final.

O conteúdo reciclado é a proporção, em massa, de material reciclado em um produto ou em uma embalagem. Somente os materiais pré-consumo e pós-consumo devem ser considerados como conteúdo reciclado.

A destinação adequada é o descarte seletivo para revalorização ou disposição final. Deve-se orientar o consumidor sobre o descarte dos resíduos para sua posterior revalorização ou disposição final e consequentes impactos ambientais.

A disposição final é a coleta, triagem, transporte e tratamento de resíduos não revalorizados e seu depósito, em definitivo, em aterros industriais ou municipais. O material pós-consumo é o descartado por domicílios ou instalações comerciais, industriais e institucionais após o uso do produto. Ele não pode mais ser usado para o fim ao qual se destina.

O material pré-consumo é o desviado do fluxo de resíduos durante um processo de manufatura. Exclui-se a reutilização de sucata, materiais retrabalhados, retriturados ou gerados em um processo e que podem ser reaproveitados dentro do mesmo processo que os gerou (aparas).

Já a embalagem de uso único ou one way é a projetada para ser utilizada apenas uma vez, também denominada descartável (e que após o seu uso deve ser encaminhada para a coleta seletiva). A embalagem reutilizável é a reutilizada em sua forma original para o mesmo fim para a qual foi concebida e projetada para desempenhar um número mínimo de viagens ou rotações dentro de seu ciclo de vida.

Assim, a embalagem é um recipiente ou envoltura que armazena produtos temporariamente, individualmente ou agrupando unidades, tendo como principal função protegê-lo e estender o seu prazo de vida (shelf life), viabilizando sua distribuição, identificação e consumo. Tornou-se ferramenta crucial para atender à sociedade em suas necessidades de alimentação, saúde, conveniência, disponibilizando produtos com segurança e informação para o bem estar das pessoas, possibilitando a acessibilidade a produtos frágeis, perecíveis, de alto ou baixo valor agregado. A embalagem possibilita ainda o desenvolvimento de novos produtos e de formas de preparo com o uso dos eletrodomésticos.

A Pesquisa Ciclosoft 2016 apontou que a concentração dos programas municipais de coleta seletiva permanece nas regiões Sudeste e Sul do país, totalizando 81%. Do total de municípios brasileiros que realizam esse serviço, 8% estão na região Centro-Oeste, 10% na região Nordeste e apenas 1% na região Norte do país.

No total, estima-se que apenas 31 milhões (o equivalente a 15%) de brasileiros têm acesso aos programas municipais de coleta seletiva. Esse índice sofreu pequena elevação, se comparado à edição anterior do estudo, quando esse número atingia 13% da população.

A pesquisa também revelou que 54% dos municípios ainda realiza a coleta seletiva por meio de pontos de entrega voluntária e Cooperativas, enquanto apenas 51% da coleta seletiva é feita pela própria prefeitura das cidades pesquisadas. Com relação aos materiais recicláveis mais coletados, o Ciclosoft 2016 mostrou que o papel e papelão continuam sendo os tipos de materiais recicláveis mais coletados em peso, representando 34% da coleta, seguidos de plástico com 11% e vidro com 6%.

Ainda se está muito longe do aumento das embalagens sustentáveis, que deveriam contemplar a proporção ideal de embalagem versus produto, otimizando o seu peso específico e proporcionando as condições ideais para o acondicionamento do produto. A sustentabilidade só pode ser alcançada por meio da busca pela eficiência em todos os processos ao longo do ciclo de vida da produção embalagem e do produto, incluindo seu consumo e descarte.

Busca-se a sustentabilidade por meio do processo de melhoria contínua fazendo uso nas novas tecnologias e da evolução do cenário social, econômico e mercadológico, maximizando-se a distribuição do produto, a segurança do consumidor, o sucesso de seu uso e minimizar a geração de resíduo e desperdício, prevendo a destinação final adequada, oferecendo o reaproveitamento de seu material e não tendo efeitos indesejáveis no meio ambiente.

Entre outros aspectos, a embalagem tem a função primordial de proteção dos produtos demandados por todos nós. Esta proteção deve viabilizar a adequada distribuição dos mesmos, o prolongamento da sua vida útil e consequentemente a redução de perdas, o atendimento dos requisitos legais, bem como de segurança do consumidor. Algumas poucas embalagens que estão hoje no mercado já atendem aos quesitos de sustentabilidade como otimização de seu peso específico, possibilidade de reciclagem ou reaproveitamento de seu material, entre outros aspectos.

A NBR 15792 de 01/2010 – Embalagem – Índice de reciclagem – Definições e método de cálculo estabelece as definições e o método de cálculo do índice de reciclagem de embalagem pós-consumo. Também fornece os métodos de cálculo dos índices de revalorização energética e orgânica. Cálculo do índice de reciclagem pós-consumo (IRpc).

O método de cálculo deve ser aplicado a qualquer grupo (embalagens celulósicas, plásticas, de alumínio, de aço, de vidro etc.) ou subgrupo (por exemplo, caixa de papelão ondulado, garrafas PET, latas de bebida, embalagens multicamadas, acessórios como tampas, rótulos etc.) de embalagens para os quais os dados podem ser fornecidos conforme Figura 1. Tomando como referência a Figura 1, o índice de reciclagem de embalagens pós-consumo deve ser calculado através da equação:

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O índice de reciclagem pós-consumo deve ser calculado dentro dos limites geográficos do país e deve incluir embalagens importadas e excluir as embalagens exportadas. O denominador é o total das embalagens utilizadas no mercado brasileiro, inclusive aquelas de produtos importados já embalados.

É possível utilizar outros limites geográficos bem definidos, como regiões ou estados, desde que esta adaptação seja explicitamente declarada. Os pontos de medição para determinar o índice de reciclagem pós-consumo devem ser baseados no fluxograma da Figura 1.

Estes pontos de medição são definidos para fornecer a forma mais prática de obter dados confiáveis. O índice de reciclagem pós-consumo deve ser calculado no ano civil (janeiro a dezembro), e as medições do numerador e do denominador devem tomar como referência o mesmo período de tempo

É possível utilizar outros períodos de tempo, desde que esta adaptação seja explicitamente declarada. Devido à complexidade do efeito dos fluxos flutuantes (embalagens de produtos com validade maior que o período considerado) e longos intervalos de tempo entre processos (produção, consumo e reciclagem), o índice calculado é obtido pelas quantidades de embalagens colocadas no mercado e recicladas em um determinado período de tempo.

O índice de reciclagem pós-consumo deve ser calculado com base em dados coletados em unidades de massa e deve excluir todo e qualquer fluxo de aparas internas de produção industrial e de aparas de conversão industrial, como, por exemplo, resíduos de produção de embalagens ou de produção de materiais de embalagem ou de qualquer outro processo de produção.

O fluxograma que orienta o cálculo do índice de reciclagem pós-consumo é reproduzido na Figura 1. O numerador e o denominador do índice de reciclagem são baseados na entrada de material de embalagem, sendo o numerador a quantidade de embalagens usadas, recolhidas no pós-consumo e direcionadas para a reciclagem.

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A energia dos resíduos sólidos

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O engenheiro ambiental e aluno do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, Clauber Barão Leite, em uma parceria com o IPT, está trabalhando em um projeto de avaliação comparativa de duas tecnologias de tratamento (digestão anaeróbia e incineração) de resíduos sólidos com aproveitamento energético. A escolha do pesquisador pelo tema para a sua dissertação de mestrado foi motivada por duas questões socioeconômicas que estão na ordem do dia – a crescente demanda pela geração de energia elétrica e o aumento da quantidade de resíduos sólidos – e a intenção de buscar uma solução conjunta.

Uma das disposições da Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pelo governo em 2010, é a observação da seguinte ordem de prioridade na gestão e no gerenciamento de resíduos sólidos: não geração; redução; reutilização; reciclagem; tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, aqui definidos como todos os resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as chances de tratamento e de recuperação por processos tecnológicos economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade além da destinação final. “Os resíduos sólidos têm uma componente energética importante: no meu estudo, a intenção é avaliar o seu aproveitamento, levantando informações sobre o potencial de geração de energia, e as tecnologias existentes”, explica Leite.

Analisando a composição dos resíduos no Brasil, continua ele, a média é de 50% de material orgânico, 25% a 30% de resíduos passíveis de reciclagem e o restante (20% a 25%) do rejeito propriamente dito: “Somente os rejeitos deveriam ser destinados aos aterros; tudo o que é passível de aproveitamento, tanto orgânicos como recicláveis, deveria passar por um tratamento antes da destinação final, mas isso ainda não acontece”.

A digestão anaeróbia e a incineração são os processos mais utilizados para o tratamento dos resíduos sólidos na Europa e nos Estados Unidos e foram as escolhidas pelo pesquisador para o estudo. “Meu trabalho segue uma linha de comparação, mas de adaptar o cenário para a realidade brasileira porque existem diferenças – não basta transferir uma tecnologia bem-sucedida no exterior para o Brasil, pois existem diferenças nos tipos de resíduos e nos hábitos da população, e tudo isso provoca impactos na operação e nos custos”, ressalta ele.

Embora ainda não estejam presentes no Brasil em larga escala, o pesquisador optou pelas duas tecnologias por conta da rentabilidade econômica, enfatizando que processos como o plasma térmico e a gaseificação estão ainda em um patamar científico ou não têm viabilidade comercial. Mais de 41% das 78,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos gerados no país em 2014 tiveram como destino lixões e aterros controlados, segundo estudo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

A metodologia da pesquisa da entidade envolveu 400 municípios, o equivalente a 91,7 milhões de pessoas, e apontou que o brasileiro gera, em média, 1,062 kg de lixo por dia. Os dados coletados na pesquisa apontaram ainda que 52,5% dos resíduos eram provenientes da Região Sudeste.

Leite havia pensado inicialmente em estudar o cenário de cinco regiões administrativas do estado de São Paulo – São Paulo, Campinas, Santos, São José dos Campos e Sorocaba – que representam cerca de 70% dos resíduos gerados no estado, mas decidiu delimitar a área de estudo para a região metropolitana da capital paulista pelo maior número de equipamentos instalados. Existem biodigestores nas cidades vizinhas a São Paulo e projetos de instalação de incineradores em Barueri e em São Bernardo do Campo, por exemplo.

Para a comparação entre as duas tecnologias, o pesquisador considerou um desempenho econômico-financeiro necessário ao atendimento de uma oferta de mil toneladas diárias de resíduos sólidos, para cada uma das alternativas propostas. Foram obtidas preliminarmente informações de duas instalações, o que se pretende aprofundar ainda no estudo com a coleta de mais dados, e os primeiros resultados apontaram a necessidade de um investimento de R$ 160 milhões para a instalação de um incinerador, a um custo operacional de R$ 44,6 milhões/ano, enquanto o biodigestor demandaria tanto menor capital (R$ 140 milhões) quanto desembolso anual para seu funcionamento (R$ 25 milhões).

A análise preliminar de Fluxo de Caixa Descontado da alternativa do biodigestor revelou uma viabilidade econômico-financeira significativa no cenário macroeconômico atual do País, produzindo uma taxa interna de retorno (TIR) de 13,9% – no caso da alternativa da incineração, a mesma análise revelou um prejuízo acumulado de R$ 292 milhões.

A tecnologia de biodigestão está se mostrando até agora mais viável em comparação à incineração, mas o pesquisador alerta que algumas premissas precisam ser respeitadas: a primeira é a coleta diferenciada, que ainda não acontece em todas as cidades brasileiras e demandaria, nas palavras do pesquisador, um choque de gestão, pela necessidade de um controle rígido do material que seria usado no equipamento, a fim de propiciar um composto de melhor qualidade.

O outro princípio é a de reciclagem de todos os resíduos passíveis de reaproveitamento, o que tampouco acontece hoje: “Somente é reciclado o que tem valor econômico, como as garrafas PET e as latinhas de alumínio de alimentos e bebidas. O isopor, por exemplo, pode ser reciclado, mas o material tem baixo valor e acaba sendo destinado aos aterros, assim como o vidro”, afirma ele.

Os gastos para a instalação das plantas e da operação das duas tecnologias não encontram viabilidade, no entanto, quando são comparados aos valores de deposição dos resíduos em aterros que são pagos pelas administrações municipais (de R$ 50 a R$ 60) atualmente aos prestadores de serviços de transporte do lixo.

“Para dar viabilidade à instalação de um biodigestor, o valor por tonelada ficaria em torno de R$ 80, e para a instalação de um incinerador o valor por tonelada chegaria a cerca de R$ 160, ou seja, os custos são mais altos do que a simples disposição em aterros. Isso mostra que será necessária uma nova maneira para tratar os passivos ambientais para que sejam cumpridos os objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Em algum momento, não será mais possível aceitar resíduos sólidos em aterros, mas somente rejeitos”.

Gestão de resíduos sólidos em São Paulo

A Cetesb divulgou os resultados da gestão dos resíduos sólidos dos 645 municípios paulistas, que pode ser acessado no link Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Urbanos-2015. Segundo o documento,  no decorrer dos últimos 19 anos, foram alcançadas melhorias substanciais nas condições ambientais dos locais de destinação final de resíduos urbanos em São Paulo.

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Verificou-se, por exemplo, um aumento do número de municípios que contavam com instalações de disposição final enquadradas na condição Adequad, de 492, em 2011, para 600, em 2015, correspondentes a 93,6% das municipalidades, além de uma redução do número de municípios com instalações consideradas Inadequadas, de 153, em 2011, para 41, em 2015, correspondendo a 6,4% dos municípios.

Ressalte-se que 90 prefeituras obtiveram 10,0 pontos, atendendo a todos os quesitos avaliados na pesquisa realizada por técnicos da Cetesb ao longo do ano passado. Além dos aspectos técnicos e operacionais dos aterros, considerados adequados, estes locais para onde os resíduos são destinados corretamente contam com guaritas de vigilância, cercas e outras benfeitorias.

O levantamento estima que em São Paulo são gerados, diariamente, excetuados os quatro municípios que exportam seus resíduos para outros estados, 39.307 toneladas de resíduos, das quais 95,6% são destinadas de forma adequada e 4,4%, inadequada, contra, por exemplo, 84,7% e 15,3%, respectivamente, em 2011.

Entre as condições inadequadas, observam-se presença de vetores de doenças, emanação de odores incômodos e falta de controle operacional. Nipoã é o município que se encontra em pior situação, tendo alcançado 2,0 pontos, numa escala que vai até 7,0 (a partir da qual as condições passam a ser consideradas adequadas). Mirandópolis, que se localiza na mesma região, também obteve baixa pontuação, com 2,6.

Na opinião dos especialistas da Cetesb, os resultados alcançados nos últimos anos são decorrentes das ações de fiscalização e controle, somadas às de apoio e orientação técnica prestadas aos municípios, para o melhor desempenho de suas atribuições legais na gestão dos resíduos sólidos, assim como as ações de implementação das Políticas Nacional e Estadual de Resíduos Sólidos e do Plano de Resíduos Sólidos do Estado de São Paulo.

O apoio financeiro também foi fundamental para a evolução registrada desde a elaboração do primeiro inventário, em 1997. O governo do Estado já destinou R$ 283,22 milhões às prefeituras, por intermédio do Fundo Estadual de Prevenção e Controle da Poluição (Fecop), para aquisição de equipamentos como caminhões, tratores e pás carregadeiras, além de R$ 28,73 milhões pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), para elaboração de projetos e implantação de aterros sanitários, centros de triagem e ecopontos.

Normas técnicas

Existem algumas normas técnicas para os requisitos dos resíduos sólidos: a NBR 13332 de 11/2010 – Coletor-compactador de resíduos sólidos e seus principais componentes – Terminologia define os termos relativos ao coletor-compactador de resíduos sólidos, acoplado ao chassi de um veículo rodoviário, e seus principais componentes. A NBR 14879 de 01/2011 – Implementos rodoviários — Coletor-compactador de resíduos sólidos — Definição do volume que estabelece os critérios de definição dos volumes geométricos das caixas de carga e dos compartimentos de carga dos coletores-compactadores de resíduos sólidos de carregamento traseiro.

A NBR 12980 de 08/1993 – Coleta, varrição e acondicionamento de resíduos sólidos urbanos define termos utilizados na coleta, varrição e acondicionamento de resíduos sólidos urbanos. A NBR 10005 (MB2616) de 05/2004 – Procedimento para obtenção de extrato lixiviado de resíduos sólidos fixa os requisitos exigíveis para a obtenção de extrato lixiviado de resíduos sólidos, visando diferenciar os resíduos classificados pela ABNT NBR 10004 como classe I – perigosos – e classe II – não perigosos.

A NBR 13463 de 09/1995 – Coleta de resíduos sólidos classifica a coleta de resíduos sólidos urbanos dos equipamentos destinados a esta coleta, dos tipos de sistema de trabalho, do acondicionamento destes resíduos e das estações de transbordo. A NBR 10004 (CB155) de 05/2004 – Resíduos sólidos – Classificação classifica os resíduos sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, para que possam ser gerenciados adequadamente. A NBR 10007 (NB1068) de 05/2004 – Amostragem de resíduos sólidos fixa os requisitos exigíveis para amostragem de resíduos sólidos.

 

 

As latas de aço para embalagens de produtos

A embalagem de aço é, tecnicamente, uma das melhores formas de se acondicionar produtos. Convenientes, duráveis, livre de conservantes químicos proporcionam uma alimentação saudável e rápida a qualquer hora e em qualquer lugar, evitando o desperdício e protegendo adequadamente a integridade de seu conteúdo no transporte e comercialização.

Completamente recicláveis e contendo uma série de diferentes produtos, incluindo alimentos com baixos teores de sal e açúcar, diet e light, as latas de aço podem conter, desde produtos delicados como balas e biscoitos finos até produtos de uso industrial, como os óleos lubrificantes e tintas navais. Quando se pensa no transporte de longa distância ou em condições críticas, por exemplo, a embalagem de aço é a primeira a ser cogitada por sua resistência mecânica.

Além de serem embalagens ecologicamente corretas, pois são feitas de metal 100% reciclável, a litografia fornece um excelente facing de prateleira possuindo a propriedade de transformar latas de aço em brindes colecionáveis para o consumidor. A história da lata começou em 1795 quando as tropas de Napoleão estavam sendo arrasadas mais pela fome e doenças relacionadas do que pelo combate. As conquistas militares e expansão colonial requeriam a invenção de algum recipiente capaz de transportar comida sem apodrecer, foi quando o governo francês ofereceu um prêmio de 12.000 francos para quem inventasse um método de conservar comida.

Depois de 15 anos de experiências, um parisiense chamado Nicholas Appert obteve sucesso na preservação de comida, vedando as garrafas com rolhas e imergindo as garrafas em água fervente. Appert supôs que como no vinho, exposição ao ar estragava a comida. Assim, a comida colocada num recipiente que vedava a entrada do ar, ficaria fresca e com boa qualidade. E isso funcionou.

Em meados do ano de 1830 as latas de conserva de tomates, sardinhas e ervilhas começaram a aparecer no mercado, tendo se popularizado em quase um século mais tarde com o aperfeiçoamento do enlatamento. Segundo Rogério Parra, chefe do Laboratório de Embalagem e Acondicionamento do IPT (rparra@ipt.br), o aço é uma liga metálica à base de ferro. Várias composições de aço são utilizadas para fabricação de latas. A liga MR, que possui relativamente poucos elementos residuais, é utilizada para vegetais e carnes. A liga L é utilizada para produtos mais corrosivos. A liga N, que possui nitrogênio na composição, torna a chapa com mais resistência mecânica, é utilizada em domos de aerossóis. O liga D é a mais fácil de dobrar, indicada para latas com design mais exigentes.

“A chapa de aço nua escurece facilmente pela oxidação da superfície. Originalmente, esta chapa era revestida com estanho por imersão a quente para que o estanho desse a proteção ao aço. Esta é a chamada folha-de-flandres. Durante a Segunda Guerra, foi desenvolvido um processo eletrolítico de deposição, o que produz uma camada de estanho mais fina e uniforme. Um processo semelhante pode ser utilizado também para depositar cromo”, explica ele.

Parra diz que a camada de cromo ou estanho impede a oxidação da chapa de aço e também impede que, por exemplo, uma bebida enlatada retire ferro do aço e fique com gosto ruim. A espessura da camada de cromo ou estanho pode ser diferente em cada lado da chapa de aço dependendo da agressividade do que será envasado na lata ou do ambiente em que esta lata ficará exposta.

Ele exemplifica: uma lata de pêssegos da Grécia viaja em um contêiner e, sem o revestimento adequado, o calor e a umidade farão com que a lata chegue ao Brasil com pontos de corrosão no lado externo. Para uma lata de molho de tomate, que parte do interior paulista para a capital, deve se ter uma proteção melhor no lado interno porque a acidez do molho é a maior preocupação.

A camada de estanho oferece melhor resistência à corrosão que o cromo. Mas a camada de cromo possui melhor resistência ao calor, permite melhor litografia, adere melhor a outros revestimentos e resiste ao ataque de produtos que contenham enxofre. No entanto, a placa cromada não solda tão facilmente quanto a estanhada, o que é importante para a formação da lata. Ela requer o uso de um elemento intermediário de fusão ou, então, a remoção da camada de cromo na região de solda.

No entanto, a eficiência desta camada protetiva tem um limite. Daí a necessidade de vernizes e revestimentos internos e externos. Estes revestimentos protegem a lata de corrosão, reação com o produto envasado e abrasão. Existe uma grande variedade de revestimentos: oleorresinas, alquídicos, vinílicos, acrílicos, fenólicos, epóxi-amínicos, polibutadienos, organo-vinílicos ou epóxi-fenólicos.

O revestimento a utilizar é definido pelo conteúdo e pelos processos ao qual a lata será submetida. Por exemplo, para uma lata para vegetais é mais adequado um revestimento a base de oleorresinas. Revestimentos vinílicos são mais flexíveis, mas não resistem ao calor. Epóxi-fenólicos possuem boa adesão e alta resistência química. Organo-vinílicos são flexíveis a ponto de resistirem aos dobramentos e estiramentos da folha de aço quando da formação da lata.

Atualmente, há a possibilidade da aplicação de poliéster para substituir a camada de verniz, o que além da proteção, permite um ótimo efeito decorativo. O fundo de uma lata de espuma de barbear sem um revestimento polimérico provavelmente irá manchar a pia do banheiro.

A NM 42 de 04/2001 – Folha-de-flandres e chapa não-revestida em folhas e bobinas de simples e dupla redução estabelece os requisitos mínimos a que devem atender a folha-de-flandres eletrolítica e a chapa não-revestida, em folhas e bobinas de simples e dupla redução empregadas na fabricação de latas, tampas metálicas, filtros de óleo para automóveis e outros usos. O aço usado na produção da chapa não revestida deve ser fabricado por qualquer processo que assegure um material adequado às características do produto final. O aço deve atender aos requisitos de composição química de acordo com seu tipo, descritos na tabela 1.

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O aço se classifica, de acordo com seu uso, em:

– Aço tipo D – Metal base de aço resistente ao envelhecimento, acalmado com alumínio e tratado para adquirir excelentes características de embutimento. É usado principalmente para partes submetidas a embutimento muito profundo e para aplicações em que seja necessário evitar a formação de estrias e de marcas superficiais devidas ao alongamento do material ao deformar-se, ou onde sejam exigidas propriedades direcionais especiais.

– Aço tipo L – Metal base de aço baixo em metalóides e elementos residuais que são selecionados frequentemente para a folha de flandres destinada a latas de produtos alimentícios fortemente corrosivos. Os elementos residuais como fósforo, silício, cobre, níquel, cromo e molibdênio são restritos aos limites mínimos praticamente possíveis.

– Aço tipo MR – Metal base de aço, similar em teor de metalóides ao tipo L, mas com menos restrições quanto ao teor de elementos residuais como cobre, níquel e cromo, entretanto, o fósforo se mantém em nível baixo. É usado para a maioria das aplicações de folhas de flandres para enlatar alimentos moderadamente corrosivos.

Importante observar que a massa da chapa não revestida e da folha de flandres, determinada com uma precisão de 2 g, deve ser a estabelecida na tabela 2, de acordo com a sua espessura. As espessuras nominais da chapa não revestida e da folha de flandres devem ser as estabelecidas na tabela 2 da presente norma.

A tolerância admissível na espessura da chapa não revestida e da folha de flandres em bobinas é de + 8,5% da espessura nominal em 98% do comprimento da bobina. As tolerâncias superiores admissíveis tanto para a largura como para o comprimento poderão ser reduzidas mediante acordo prévio. As larguras para as folhas e para as bobinas devem ser múltiplas de 2, sendo a largura mínima de 560 mm.

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A tolerância admissível na largura das folhas e bobinas é de + 3,2 mm para a superior e zero para a inferior. A tolerância admissível no comprimento das folhas é de + 3,0 mm para a superior e zero para a inferior. No caso de folha de flandres com revestimento diferencial, a marcação deve ser realizada de forma individual, tanto em folhas como em bobinas e realizada da seguinte maneira: a menos que exista outro acordo entre fabricante comprador, a marcação da folha de flandres com revestimento diferencial deve ser feita na face de maior revestimento e esta deve ser a face superior no amarrado ou o exterior da bobina.

O sistema de marcação deve ser de aspecto somente visual e não deve afetar a espessura do estanho. Nos rótulos da embalagem devem constar, pelo menos, as seguintes informações: nome do fabricante; identificação do lote; designação da massa de revestimento, no caso da folha de flandres; peso líquido e bruto do amarrado ou bobina; grau de encruamento; aspecto superficial; quantidade de folhas contidas no amarrado e, no caso de bobinas, a quantidade de metros.

A mitificação dos lacres das latas de alumínio por cadeira de rodas

lacresNo Brasil, existe um mito que a gente vê se espalhar pela rua, bares, resturantes, etc. de pessoas retirando o lacre das latas de alumínio a fim de trocar algumas toneladas dele por uma cadeira de rodas. Isso não é verdade.

Segundo a Associação Brasileira do Alumínio (Abal), não se sabe como isso começou, mas o boato de que os lacres das latas de alumínio teriam um alto valor comercial se espalhou pelo Brasil. Em São Paulo, principalmente, pessoas de todas as idades passaram a juntar quilos de lacres com a esperança de engordar o rendimento mensal, uma vez que, conforme o boato, uma garrafa de plástico de dois litros (contendo um quilo aproximadamente de lacres) valeria muitas vezes mais que um quilo da própria lata.

A venda dos lacres das latas de alumínio chegou até a internet com pessoas anunciando promoções, todas em busca de comprador. Mas ninguém sabe para onde ou para quem vender os lacres, e o resultado é um grande número de telefonemas e e-mails dirigidos à associação e às empresas de reciclagem em busca de informações.

A verdade é que as empresas de reciclagem de alumínio reciclam a lata inteira (com ou sem o lacre), mas não compram o lacre separadamente. Isso porque o anel da lata é muito pequeno e pode se perder durante o processo de transporte e peneiragem do material a ser reciclado, ou mesmo durante o processo de fundição. Daí ser importante manter o anel preso à tampa, razão pela qual foi adotado o sistema atual de abertura para as latas de alumínio chamado originalmente de stay-on-tab, conhecido como tampa ecológica.

O lacre, assim como o corpo da lata, é feito de uma liga de alumínio, com alto teor de magnésio. Ao contrário do que sugerem os boatos, não entram em sua composição ouro, prata e nem platina.

O conselho às pessoas: junte a lata e o lacre, amasse-os, e vá juntando uma quantidade suficiente para comprar uma cadeira de rodas. Uma cadeira de rodas simples custa em torno de 350 a 500 reais. O preço de latas soltas ou enfardadas está por volta de 3,59 o quilograma. A lata prensada pode ser vendida a 3,90 por quilograma. Assim, a pessoa precisará juntar mais ou menos 100 kg de latas de alumínio, comprar uma cadeira de rodas e doar para quem quiser. Fim do mito!

Você acredita nos laudos enviados pelos seus fornecedores?

Carlos Roberto Moreschi, coordenador da qualidade da Kap Componentes Elétricos – qualidade@kap.com.br

Um laudo é um relatório contendo os resultados dos ensaios de cada lote. Algumas observações:

– Você está lá no fornecedor para ver os ensaios?

– Observe os valores dos ensaios de cada laudo, na maioria das vezes, são os mesmos valores, ou quando muito, são bem próximos uns dos outros.

– Desde quando um pedaço de papel com alguns valores pode revelar a qualidade de uma peça/produto?

– Se tiver laudo tem qualidade, se não tem laudo, então não tem qualidade?

– Normalmente são enviados, pelos fornecedores, laudos em papel para cada lote. Estes são arquivados para nunca serem vistos (olha a ecologia).

Trata-se, em minha opinião, de uma hipocrisia, do tipo, me engana que eu gosto. Os laudos só devem ser aceitos, quando de uma matéria prima muito importante cujo ensaio no cliente for oneroso. Porém, este fornecedor deve ser auditado frequentemente.

No lugar dos laudos, devemos sempre ter a nossa inspeção de recebimento, sem usar do perigosíssimo skip-lote. Lembrete: nunca confie no seu fornecedor, um dia ele falhará e você vai pagar caro por isso.

Vamos melhorar a qualidade dos produtos brasileiros, temos que criar um “corrente” entre nós para que a imagem do nosso país cresça e com isto cada empresa se beneficiará com esta imagem. Vamos imitar os nossos amigos japoneses. Hoje, quando falamos de uma empresa japonesa, já imaginamos que o produto tem qualidade, porque é japonês.

Nova lei sobre sacolas plásticas de São Paulo confunde consumidor

Aterramento e a Proteção de Instalações e Equipamentos Sensíveis contra Raios: Fatos e Mitos – A partir de 3 x R$ 257,81 (56% de desconto)

Inspetor de Conformidade das Instalações Elétricas de Baixa Tensão de acordo com a NBR 5410 – A partir de 3 x R$ 320,57 (56% de desconto)

Interpretação e Aplicações da Norma Regulamentadora Nº 13 (NR-13) do MTE (Inspeção de Segurança de Caldeiras e Vasos de Pressão) – A partir de 3 x R$ 257,81 (56% de desconto)

Filtros de Harmônicos em Sistemas Industriais – A partir de 3 x R$ 257,81 (56% de desconto)

sacolas-plasticasEm recentes regulamentações da Lei nº 15.374 de 2011, que proíbe a disponibilização de sacolas plásticas descartáveis nos estabelecimentos comerciais da cidade, a Prefeitura de São Paulo colocou novas regras para a produção e uso de sacolinhas plásticas no município. A lei se aplica às sacolas doadas ou vendidas nestes locais e mostra fragilidades em relação ao objetivo da regulação principal: diminuir a produção, uso e descarte generalizado de sacolinhas descartáveis e incentivar o uso das retornáveis.

As novas regras obrigam que as sacolinhas plásticas sejam padronizadas, feitas de bioplástico (cana de açúcar), e não mais de plásticos tradicionais derivados do petróleo. Elas também precisam suportar uma capacidade maior de carga e serem confeccionadas nas cores verde – para resíduos recicláveis –  e cinza – para outros rejeitos.

A proposta de cores é auxiliar o consumidor na separação dos resíduos e facilitar a identificação para as respectivas coletas. Os comerciantes teriam até 5 de fevereiro (prazo prorrogado por mais 60 dias) para se adaptar às novas regras, que autorizam apenas a distribuição ou a venda dessa nova sacola padronizada.

As sacolinhas descartáveis, que atualmente são distribuídas principalmente nos supermercados, estão proibidas. O consumidor, a partir de então, só poderá descartar nas sacolas verdes o resíduo reciclável, que será enviado às centrais de triagem. Segundo a resolução, caso o consumidor faça uso das sacolas verdes padronizadas para descarte de outros resíduos que não sólidos secos e recicláveis, implicará em multa, após advertência, que pode variar de R$ 50 a R$ 500.

No entanto, apesar de previsto em lei, a medida continua sendo um desincentivo ao consumidor para o uso de sacolas retornáveis ou outros meios – como carrinhos, cestos e caixas – no lugar das descartáveis. Isso porque não extingue a cultura da geração de resíduo, que vem da necessidade de uso de múltiplas sacolinhas nos estabelecimentos comerciais, em especial, supermercados, e se apoia na ainda frágil estrutura da coleta seletiva na cidade.

O programa de coleta seletiva do município tem como meta a triagem de apenas 10% dos resíduos sólidos recicláveis até o final do mandato do atual prefeito, Fernando Haddad, em 2016. Nesse cenário, presume-se que os outros 90% de lixo separado nas novas sacolinhas se somarão ao montante dos demais resíduos não recicláveis e continuará sem um processamento final preciso, mesmo utilizando a sacola padronizada. Hoje, o município não é 100% atendido pela coleta seletiva e que os estabelecimentos comerciais cobertos pela Lei são de abrangência e alcance territorial muito maior que a capacidade de coleta e reciclagem no município.

“Proibir sacolinhas plásticas tradicionais nos estabelecimentos, mas permitir a produção e o descarte de opções semelhantes, independente da finalidade, tem sido o principal ponto da discussão e mobilização sobre o tema, sendo que todas as ações devem dar prioridade a não geração de resíduos, conforme disposto na PNRS. A nova medida é complementar à coleta seletiva e é válida, mas não tem nenhuma relação com a raiz do problema, que é a produção exagerada de descartáveis. Ela apenas facilita a identificação do descarte, o que poderia ocorrer em qualquer recipiente ou sacos de lixo. A nova sacolinha continua contraditória ao desincentivar e substituir o uso das retornáveis e ao instrumentalizar, por meio da Lei, a necessidade de uso das descartáveis padronizadas para a separação”, comenta Renata Amaral, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Ainda no entendimento do Idec, a produção e distribuição das novas sacolas continua representando danos ao meio ambiente, mesmo com parte de sua matéria-prima sendo de origem renovável e tendo como destino final a reciclagem. As demais sacolas já utilizadas para descarte, feitas de outros materiais, podem continuar a ser utilizadas, tanto para coleta seletiva, quanto para coleta convencional, desde que o resíduo seja separado da maneira correta. “Ou seja, o intuito da padronização se perde ao permitir que os demais meios já utilizados sejam válidos e não se enquadrem na fiscalização”, explica Renata.

Apesar de regulamentada, a fiscalização, que deverá ser feita por amostragem e a partir de denúncias, será difícil e o grande número de sacolas que o consumidor leva para casa ou já estão acumuladas continuará a ir – na melhor das hipóteses – diretamente para a coleta seletiva, sem reuso, como já ocorre em muitas residências. Soma-se a isso o hábito de depositar sacolinhas dentro de sacos de lixo maiores, para facilitar o descarte e o manuseio, inviabilizando a identificação para coleta ou a fiscalização.

Ressalte-se que a proibição definitiva das sacolas plásticas já foi adotada em outras cidades do país e se mostrou uma medida viável para o consumidor, sem grandes impactos para a indústria do plástico e com ganhos ambientais significativos. Além disso, o constante reposicionamento público acerca do uso das sacolas plásticas não é educativo e desinforma o consumidor, que fica confuso sobre qual posição tomar conforme as constantes mudanças na lei e regulamentação.

Ao consumidor, cabe a meta, sempre que possível, da não geração e da redução de geração dos resíduos, o que inclui evitar as sacolinhas descartáveis e continuar a usar sacolas retornáveis. E, claro, fazendo a separação dos resíduos para reciclagem – mesmo para aqueles que não tem coleta seletiva em casa, já que existem outras opções disponíveis, como pontos de entrega voluntária, cooperativas, etc.
Caso o consumidor vá a um estabelecimento comercial e esqueça suas sacolas retornáveis, deve lembrar que as sacolas verdes só devem ser usadas para descarte de resíduos recicláveis, caso contrário ele pode ser multado.

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Sustentabilidade e Tecnologia: inimigos ou aliados?

Cecília Vick

O crescente desenvolvimento tecnológico resultou em um grande problema ambiental: o lixo eletrônico. Dados do relatório da ABDI (Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial), de 2013, mostram que o Brasil produz, em média, 1 milhão de toneladas de resíduos tecnológicos por ano.

Quanto mais aparelhos eletrônicos disponíveis, maior será o consumo de energia elétrica. Apenas em 2013 o Brasil teve um crescimento de 3,5% no uso de eletricidade, de acordo com pesquisa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia. Foram 463,7 mil gigawatts-hora (GWh), puxado pelo consumo residencial (aumento de 6,1%).

Os números reforçam o caráter de vilão que a tecnologia tem quando o assunto é meio ambiente. Afinal de contas, o desenvolvimento da área fez crescer a quantidade de poluentes emitidos pela sociedade, resultando em mais agressão contra a natureza. É importante ter consciência de que todas as soluções tecnológicas também são agentes de poluição.

Porém, com o bom uso, os mesmos dispositivos que agridem o planeta também podem contribuir para práticas sustentáveis. A tendência é conhecida como “TI Verde” e consiste no desenvolvimento de tecnologia que contribui para evitar o desperdício de materiais e diminuir o consumo de energia elétrica.

O conceito permite uma melhor conscientização das pessoas acerca do tema. Com uma conectividade cada vez maior, mais ferramentas são criadas para mostrar soluções sustentáveis que podem ser adotados por todos. Estimulada no ambiente corporativo, a prática de TI Verde ainda é tímido no residencial.

São ideias simples, mas eficazes. A troca de lâmpadas incandescentes pelas de LED economizam energia elétrica. Criar instalações que interrompem o fluxo de energia para carregadores de celulares quando o dispositivo estiver com a bateria cheia e, até mesmo, a aquisição de produtos com o selo de eficiência energética.

Informar-se sobre o descarte correto de equipamentos tecnológicos pode ser muito útil, já que muitos possuem materiais tóxicos, como as baterias de celulares e notebooks. Algumas cidades brasileiras já implantaram centros de resíduos com o objetivo de realizar uma reciclagem adequada. Estes espaços devem se ampliar tal qual o mercado de dispositivos tecnológicos. Se a tecnologia será a vilã ou aliada para um mundo melhor, só os usuários conseguirão responder.

Cecília Vick é diretora executiva da GreenClick.

Gases de efeito estufa na atmosfera atingem um novo recorde em 2013

Segundo a World Meteorological Organization (WMO), a quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera atingiu um novo recorde em 2013, impulsionado por um aumento nos níveis de dióxido de carbono. Entre 1990 e 2013 houve um aumento de 34% na força radiativa – o efeito do aquecimento sobre o clima – por causa de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2), metano e óxido nitroso. Em 2013, a concentração de CO2 na atmosfera era de 142% da era pré-industrial (1750) e de metano e óxido nitroso 253% e 121%, respectivamente.

Os níveis de CO2 aumentaram mais entre 2012 e 2013 do que durante qualquer outro ano desde 1984. Dados preliminares indicam que isso pode estar relacionado à redução da absorção de CO2 pela biosfera terrestre, além do constante aumento das emissões de CO2, ou seja, as concentrações atmosféricas – e não as emissões – de gases poluentes. Emissões representam o que vai para a atmosfera. As concentrações representam o que permanece na atmosfera após o complexo sistema de interações entre a atmosfera, biosfera e os oceanos. Cerca de um quarto das emissões totais são ocupados por oceanos e outro quarto pela biosfera, reduzindo assim a quantidade de CO2 na atmosfera.

A atual taxa de acidificação dos oceanos aparece sem precedentes, pelo menos, ao longo dos últimos 300 milhões anos, de acordo com uma análise no relatório. “Nós sabemos sem sombra de dúvida que o nosso clima está mudando e nosso tempo é cada vez mais extremas devido às atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis”, disse o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud. “Longe de diminuir, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, na verdade, aumentou no ano passado no ritmo mais rápido em quase 30 anos. Temos de inverter esta tendência, reduzindo as emissões de CO2 e outros gases de efeito estufa. Estamos correndo contra o tempo”.

O dióxido de carbono foi responsável por 80% do aumento de 34% no forçamento radiativo por gases de efeito estufa de vida longa 1990-2013, de acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration dos EUA (NOAA). Na escala global, a quantidade de CO2 na atmosfera atingiu 396,0 partes por milhão em 2013 O aumento do CO2 atmosférico 2012-2013 foi de 2,9 partes por milhão, que é o maior aumento anual para o período 1984-2013. As concentrações de CO2 estão sujeitos a flutuações sazonais e regionais. No ritmo atual de aumento, a concentração de CO2 média anual global deve cruzar os simbólicos 400 partes por milhão limite em 2015 ou 2016 .

O metano é o segundo mais importante gás de efeito estufa de vida longa. Cerca de 40% do metano é emitido para a atmosfera por fontes naturais (por exemplo, zonas úmidas e cupins), e cerca de 60% ​​são provenientes de atividades humanas, como a pecuária, a agricultura de arroz, a exploração de combustíveis fósseis, aterros e queima de biomassa. Metano atmosférico atingiu um novo recorde de cerca de 1.824 partes por bilhão (ppb) em 2013, devido ao aumento das emissões de origem antropogênica. Desde 2007, o metano atmosférico vem aumentando novamente após um período temporário de nivelamento.

O óxido nitroso é emitido para a atmosfera, tanto naturais (cerca de 60%) e fontes antropogênicas (aproximadamente 40%), incluindo oceanos, solo, queima de biomassa, uso de fertilizantes e vários processos industriais. Sua concentração na atmosfera em 2013 foi de cerca de 325,9 partes por bilhão. O seu impacto sobre o clima, ao longo de um período de 100 anos, é de 298 vezes maior do que as emissões de dióxido de carbono iguais. Ele também desempenha um papel importante na destruição da camada de ozônio estratosférica que protege dosa Terra dos raios ultravioleta do sol.

O oceano absorve atualmente um quarto das emissões antropogênicas de CO2, reduzindo o aumento do CO2 atmosférico que poderiam ocorrer por causa da queima de combustíveis fósseis. O aumento da captação oceano CO2 altera o sistema carbonato marinho e chumbo para o aumento da acidez. Aumento da acidez dos oceanos já é mensurável como oceanos ocupam cerca de 4 quilos de CO2 por dia por pessoa.

A atual taxa de acidificação dos oceanos aparece sem precedentes, pelo menos, ao longo dos últimos 300 milhões de anos. No futuro, a acidificação vai continuar a acelerar, pelo menos até meados do século, com base em projeções de modelos do sistema Terra.

As potenciais consequências da acidificação dos oceanos sobre os organismos marinhos são complexas. Uma grande preocupação é a resposta de organismos calcificadores, como corais, algas, moluscos e alguns plâncton, porque a sua capacidade de construir conchas ou material esquelético (via calcificação) depende da abundância de íons de carbonato.

Para muitos organismos, a calcificação diminui com o aumento da acidificação. Outros impactos da acidificação incluem a redução de taxas de sobrevivência, de desenvolvimento e de crescimento, bem como alterações nas funções fisiológicas e redução da biodiversidade.

Preocupação com descarte correto de resíduos sólidos aumenta no Brasil

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Armazenamento de Líquidos Inflamáveis e Combustíveis de acordo com a Revisão da Norma ABNT NBR 17505 – A partir de 3 x R$ 257,81 (56% de desconto)

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Interpretação e Aplicações da Norma Regulamentadora Nº 13 (NR-13) do MTE (Inspeção de Segurança de Caldeiras e Vasos de Pressão) – A partir de 3 x R$ 257,81 (56% de desconto)

ambienteO compromisso com o meio ambiente ainda é tímido por parte da população, como aponta o relatório do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. Os dados mostram que 2/3 da população não usam o verso da folha de papel (65%) e não compram produtos com material reciclável (71%). Mas, pessoas e empresas estão começando a entender melhor a importância de práticas mais sustentáveis. A Bioagri, empresa que integra a Mérieux NutriSciences e que oferece um escopo de análises de alta complexidade para registro e controle de qualidade de produtos, inclusive no segmento ambiental, orienta que os resíduos sólidos despejados no meio ambiente apresentam risco potencial e efetivo à saúde pública.

Os resíduos sólidos mais comuns nas empresas envolvem embalagens, pilhas e baterias, papelão, restos orgânicos e inorgânicos de materiais, dentre outros. O gerenciamento desses resíduos é um processo sustentável e essencial para lidar com todos os lixos produzidos, incluindo a coleta, acondicionamento, processamento, armazenamento, reciclagem, transporte, tratamento e disposição final. Considerando que os resíduos sólidos podem veicular microorganismos causadores de doenças, o seu gerenciamento deve contemplar as boas práticas sanitárias em todas as etapas, visando à proteção da saúde pública e do meio ambiente como um todo.

De acordo com o diretor técnico Marcos Ceccatto, as medidas tomadas para a solução adequada do problema ambiental causado pela disposição inadequada de resíduos sólidos têm, sob aspecto ambiental, objetivo de reduzir o impacto ao meio ambiente, de forma a evitar a contaminação do solo, dos recursos hídricos e do ar. “Essas medidas também promovem a reciclagem e, mais do que isso, diminuem a pressão sobre o uso dos recursos naturais do meio ambiente”, afirma Ceccatto. Além disso, o diretor técnico ressalta que os laboratórios de análises devem se atentar a estas práticas, sendo que muitas já fazem parte da realidade da Bioagri.

Outro aspecto muito importante é que o processo de reciclagem gera diversas vantagens econômicas. É possível reduzir custos de produção, utilizar os recursos naturais de forma mais racional e fazer uma reposição dos materiais que são passíveis de reaproveitamento. No âmbito social, a reciclagem também ganha destaque. Ela não só proporciona melhor qualidade de vida para as pessoas, como também tem gerado muitos postos de trabalho e rendimento para pessoas que vivem dessa atividade e para empresas que também são especializadas nessa prática.

Portanto, a iniciativa dos 3Rs nunca esteve tanto em evidência como nos dias de hoje. Reduzir quer dizer economizar, de todas as formas possíveis. Todas as pessoas e empresas devem aprender a reduzir a quantidade dos resíduos sólidos que geram ao meio ambiente.

Devem entender que redução não implica padrão de vida menos agradável. É simplesmente uma questão de reordenar os materiais utilizados no dia-a-dia de cada um. Reutilizar é uma forma de evitar que vá para o lixo aquilo que não é lixo. Já Reciclar envolve processos industriais, ou não, que permitem transformar os materiais recicláveis, componentes dos resíduos sólidos urbanos, em produto útil.

Por isso, o gerenciamento dos resíduos sólidos no meio ambiente é essencial para a qualidade vida das pessoas. “Esta preocupação vem aumentando cada vez mais no País e isso é muito positivo, já que a consciência de boas e efetivas práticas está ganhando espaço na casa das pessoas e nas estratégias de negócios das empresas”, finaliza Ceccatto.

Normas técnicas

A Coletânea Série Resíduos Sólidos inclui dez normas técnicas que procuram classificar e apontar as soluções para resolver esse grave problema na sociedade atual. Segundo o critério de origem e produção, o lixo pode ser classificado em doméstico, gerado basicamente em residências; comercial, gerado pelo setor comercial e de serviços; industrial, gerado por indústrias (classe I, II e III); hospitalares, gerado por hospitais, farmácias, clínicas, etc.; e especial, originário das podas de jardins, entulhos de construções e animais mortos. De acordo com a composição química, o lixo pode ser classificado em duas categorias: orgânico e inorgânico. Caso o lixo não tenha um tratamento adequado, ele acarretará sérios danos ao meio ambiente:

– poluição do solo: alterando suas características físico-químicas, representará uma séria ameaça à saúde pública tornando-se ambiente propício ao desenvolvimento de transmissores de doenças, além do visual degradante associado aos montes de lixo.

– poluição da água: alterando as características do ambiente aquático, através da percolação do líquido gerado pela decomposição da matéria orgânica presente no lixo, associado com as águas pluviais e nascentes existentes nos locais de descarga dos resíduos.

– poluição do ar: provocando formação de gases naturais na massa de lixo, pela decomposição dos resíduos com e sem a presença de oxigênio no meio, originando riscos de migração de gás, explosões e até de doenças respiratórias, se em contato direto.

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