A fabricação e a aceitação de tubos de concreto de seção circular

A escolha dos materiais para a preparação do concreto destinado à fabricação dos tubos deve considerar a agressividade do meio interno e externo onde serão instalados os tubos, conforme especificação da NBR 6118.

A NBR 8890 de 03/2020 – Tubo de concreto de seção circular para água pluvial e esgoto sanitário – Requisitos e métodos de ensaios especifica os requisitos para fabricação e aceitação de tubos de concreto de seção circular simples, armados e armados com reforço secundário de fibras, e respectivos acessórios destinados à condução de água pluvial, esgoto sanitário e efluente industrial. estabelece ainda as características dos materiais, parâmetros de dosagem, características do acabamento, método de cura, dimensões e tolerâncias, tipos de junta, instruções para estocagem, identificação e manuseio do produto final, bem como os critérios para inspeção, ensaios e parâmetros para aceitação de lotes de fornecimento de tubos. Não se aplica aos tubos destinados à cravação (pipe jacking), que são especificados na NBR 15319. Para os efeitos desta norma, aplicam-se aos mesmos requisitos aos tubos pré-moldados e aos tubos pré-fabricados de concreto.

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Como deve ser feita a formação de lotes e amostras de tubos e de anéis de borracha?

Quais os requisitos dos ensaios para a aceitação dos tubos?

Quais são as dimensões dos tubos para água pluvial com encaixe ponta e bolsa?

Quais são as dimensões dos tubos destinados a esgoto sanitário e água pluvial com junta elástica?

A escolha dos materiais para a preparação do concreto destinado à fabricação dos tubos deve considerar a agressividade do meio interno e externo onde serão instalados os tubos, conforme especificação da NBR 6118. Para o traço do concreto, a relação água/cimento, expressa em litros de água por quilograma de cimento, deve ser no máximo de 0,50 para tubos destinados a água pluvial e no máximo de 0,45 para tubos destinados a esgoto sanitário, com consumos de cimento de acordo com a NBR 12655.

Na produção do tubo para água pluvial pode ser utilizado qualquer tipo de cimento Portland, de acordo com a NBR 16697. No caso de comprovada agressividade do meio externo ao concreto, deve ser feita uma avaliação conforme as NBR 6118 e NBR 12655, para definição dos parâmetros de preparação do concreto e seleção do cimento. Na produção do tubo para esgoto sanitário, efluente industrial ou drenagem pluvial, nos casos em que seja comprovada a contaminação por esgoto, deve ser usado cimento resistente a sulfatos, conforme NBR 16697.

Deve ser rejeitado, independentemente de ensaios de laboratório, todo e qualquer cimento que indicar sinais de hidratação, ou que esteja acondicionado em sacos que se apresentem manchados, úmidos ou avariados. Os agregados devem atender aos requisitos da NBR 7211, sendo sua dimensão máxima característica limitada ao menor valor entre um terço da espessura da parede do tubo e o cobrimento mínimo da armadura.

No caso de tubos reforçados exclusivamente com fibras de aço, os agregados devem ter sua dimensão máxima característica limitada a um terço da espessura de parede do tubo. Os agregados devem ser estocados de forma a evitar contaminação e mistura de diferentes materiais e atender aos requisitos estabelecidos na NBR 15577-1 com relação ao seu potencial de reatividade com álcalis do concreto. Deve-se proceder às medidas preventivas específicas para cada caso.

A água deve ser límpida, isenta de teores prejudiciais de sais, óleos, ácidos, álcalis e substâncias orgânicas, e não alterar a reologia do concreto, atendendo aos requisitos da NBR 15900-1. Os aditivos utilizados no concreto devem atender ao disposto na NBR 11768 e o teor de íon cloro no concreto não pode ser maior que 0,15%, determinado conforme a NBR 10908. Os aditivos devem ser armazenados em local abrigado de intempéries, umidade e calor, respeitando-se seu prazo de validade.

A armadura principal do tubo deve ser posicionada de forma a garantir o atendimento aos requisitos mínimos de cobrimentos conforme descrito em cobrimento mínimo da armadura. As barras transversais da armadura (barras ou telas) não podem afastar-se entre si ou das extremidades do tubo mais de 150 mm, sendo que na bolsa este afastamento não pode ser maior que 50 mm e na ponta 70 mm, tendo pelo menos duas espiras em sua extremidade. As emendas de barras podem ser feitas por transpasse ou solda, de forma a garantir a continuidade da capacidade estrutural do conjunto, conforme a NBR 6118.

O aço deve atender aos requisitos da NBR 7480, conforme processo de montagem da armadura. A tela de aço soldada deve atender aos requisitos da NBR 7481. Deve ser garantido o posicionamento geométrico das armaduras de maneira uniforme, respeitando o cobrimento interno, que deve ser no mínimo de 20 mm, e o cobrimento externo, que deve ser no mínimo de 15 mm, para os tubos de diâmetro nominal até 600 mm. Para os tubos com diâmetros nominais maiores que 600 mm, o cobrimento interno das armaduras deve ser no mínimo de 30 mm e o cobrimento externo no mínimo de 20 mm.

As fibras de aço devem atender aos requisitos estabelecidos para a Classe A-I da NBR 15530. O tubo deve apresentar arestas bem definidas e ser feito por processo industrial adequado às características do produto final quanto à resistência mecânica, permeabilidade, estanqueidade, absorção, dimensões e acabamento. Após a moldagem, os tubos devem ser curados por método e tempo adequados, de modo a evitar a ocorrência de fissuras e garantir sua capacidade resistente. O Anexo G apresenta recomendações básicas para esse procedimento.

O manuseio dos tubos deve ser feito por procedimentos que não alterem suas características aprovadas na inspeção, em respeito ao projeto. Todos os tubos devem trazer, em caracteres legíveis, gravados em baixo-relevo no concreto ainda fresco, o nome ou marca do fabricante, o diâmetro nominal, a classe a que pertencem ou a resistência do tubo, a data de fabricação e um número para rastreamento de todas as suas características de fabricação.

No caso de tubos reforçados exclusivamente com fibras de aço, eles devem ser identificados com a sigla “RF” gravada em caracteres legíveis em baixo-relevo no concreto ainda fresco e, no caso de armados com reforço secundário de fibra, devem ser identificados com a sigla “RSF”. Os tubos devem ser estocados na fábrica ou na obra de acordo com as instruções do fabricante e protegidos de contaminação. O Anexo G apresenta recomendações básicas para esse procedimento.

As juntas dos tubos para aplicação em esgoto sanitário devem ser do tipo elástica. Para os tubos destinados a água pluvial, as juntas podem ser rígidas ou elásticas. As amostras de um lote de tubos ou acessórios, formadas conforme a formação de lotes e amostras de tubos e de anéis de borracha, devem atender aos requisitos de 5.2 e 5.3, respeitadas suas especificidades.

As superfícies internas e externas dos tubos devem ser regulares, homogêneas e uniformes, compatíveis com o processo de fabricação, não podendo apresentar defeitos visíveis a olho nu ou detectáveis por meio de percussão, e que sejam prejudiciais à qualidade do tubo quanto à resistência, permeabilidade, durabilidade e rugosidade. Fibras salientes na superfície interna e na ponta do tubo provido de junta elástica não são admitidas. Fibras aparentes na superfície externa do tubo não caracterizam problema.

Não são permitidos retoques com nata de cimento ou com outros materiais, visando esconder defeitos. Após o fim de pega do concreto e mediante aprovação do comprador, podem ser executados reparos de defeitos de dimensões inferiores ao estabelecido ou não podem ser aceitos tubos com defeitos como bolhas ou furos superficiais com diâmetro superior a 10 mm e profundidade superior a 5 mm e fissuras com abertura maior que 0,15 mm, bem como fissuras superficiais, com materiais e procedimentos adequados e fiscalizados pelo comprador.

Não podem ser retiradas as fibras salientes na superfície dos tubos com o concreto fresco. Não podem ser aceitos tubos com defeitos como bolhas ou furos superficiais com diâmetro superior a 10 mm e profundidade superior a 5 mm e fissuras com abertura maior que 0,15 mm. O acabamento da superfície interna do tubo deve ser avaliado com o gabarito da figura abaixo, que deve ser rolado sobre esta superfície em movimentos circulares com o eixo paralelo ao eixo do tubo. Devem ser aprovados os tubos cuja parede não é tocada pela parte central do gabarito.

O Anexo A fornece as dimensões e resistências dos tubos objeto desta norma. As dimensões dos tubos estão apresentadas nas Tabelas A.1, A.2 e A.3 (disponíveis na norma). Os tubos devem ter eixo retilíneo e perpendicular aos planos das extremidades. A superfície interna deve ser cilíndrica e as seções transversais devem ter a forma de coroa circular.

O diâmetro interno médio não pode diferir mais de 1 % do diâmetro nominal. Para a espessura de parede não são admitidas diferenças para menos de 5 % da espessura declarada ou 5 mm, adotando-se sempre o menor valor. O comprimento útil não pode diferir da dimensão declarada em mais de 20 mm para menos, nem mais de 50 mm para mais.

A força mínima isenta de fissuras deve ser determinada conforme ensaio estabelecido no Anexo B, no caso de tubos de concreto armados e armados com reforço secundário de fibras, ou conforme o Anexo F, no caso de tubos de concreto reforçados exclusivamente com fibras de aço. As forças mínimas isentas de fissura, para cada diâmetro nominal e classe, devem obedecer aos requisitos estabelecidos na Tabela A.5 (disponível na norma).

A força mínima de ruptura deve ser determinada conforme ensaio estabelecido no Anexo B no caso de tubos de concreto simples, armados e armados com reforço secundário de fibras, ou conforme o Anexo F no caso de tubos de concreto reforçados exclusivamente com fibras de aço. As forças de ruptura, para cada diâmetro nominal e classe, devem ser no mínimo as apresentadas nas Tabelas A.4 e A.5 (disponíveis na norma).

Os tubos com junta elástica para esgoto sanitário devem ter suas permeabilidade e estanqueidade determinadas conforme ensaio descrito no Anexo C, não podendo apresentar vazamento, quando submetidos à pressão de 0,1 MPa durante 30 min. Manchas de umidade, bem como gotas aderentes, não podem ser consideradas como vazamentos.

Pode-se acrescentar que até a entrega na obra, os tubos de concreto passam por algumas etapas importantes, como o processo de cura, manuseio, armazenagem, transporte e instalação, as quais requerem cuidados específicos, pois a estanqueidade, a durabilidade e a resistência dos tubos estão também ligadas à sua integridade. Recomenda-se que a aquisição dos tubos de concreto seja baseada nas especificações de projeto e que a verificação do atendimento aos requisitos desta Norma seja realizada preferencialmente antes do transporte dos tubos ao local de aplicação.

No momento da aquisição, é importante que o comprador forneça ao fabricante a classe de resistência mecânica do tubo ou os seguintes critérios, especificações e informações para a definição dos tubos a serem fornecidos: nome e local da obra; utilização prevista (água pluvial ou esgoto sanitário ou outro); diâmetro nominal interno (DN); tipo de junta (rígida no caso de água pluvial e elástica no caso de água pluvial ou esgoto sanitário, podendo ser integrada ou como acessório); tipo de encaixe (ponta e bolsa ou macho e fêmea); desenhos de locação em planta e perfil; grau de agressividade do meio interno e externo da peça; método executivo (base de assentamento, equipamento de compactação do aterro, outros); carga móvel ou acidental; cargas especiais; outras exigências consideradas importantes pelo comprador.

Em contrapartida, é de responsabilidade do fabricante de tubos: seguir o projeto especificado de acordo com a classe de resistência mecânica solicitada; fornecer ao comprador instruções para manuseio, transporte e estocagem das peças; disponibilizar os resultados dos ensaios, conforme esta norma; fornecer os tubos para a obra em condições de utilização. Fica a critério de entendimento entre comprador e fabricante o estabelecimento dos custos decorrentes da realização de todos os ensaios previstos nesta norma e de seu acompanhamento.

A cura adequada do concreto é de fundamental importância no desenvolvimento de sua resistência mecânica e respectiva durabilidade. O processo de cura tem o objetivo de manter um adequado teor de umidade a uma temperatura favorável no interior da massa de concreto, durante o processo de hidratação dos materiais aglomerantes, de modo a propiciar o adequado desenvolvimento de suas propriedades. Nos tubos armados o processo de cura é de fundamental importância na prevenção do aparecimento de fissuras.

A padronização dos medidores de água potável

Os medidores de água devem apresentar uma numeração própria na forma de um código alfanumérico, localizada no máximo em duas das partes definidas a seguir: carcaça; flange; mostrador; porca superior ou anel de fechamento.

A NBR 8194 de 12/2019 – Medidores de água potável — Padronização padroniza o formato do número de série, conexões e dimensões de medidores de água potável destinados à instalação em unidades consumidoras, em complemento às NBR 16043-1, NBR 16043-2 e NBR 16043-3.

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Como deve ser os medidores com extremidades roscadas?

Quais as dimensões de porcas plásticas?

Como devem ser os medidores com extremidades flangeadas?

Quais as dimensões de medidores de água, flange roscada com ressalto e flange integrado para PN 16?

Os medidores de água devem apresentar uma numeração própria na forma de um código alfanumérico, localizada no máximo em duas das partes definidas a seguir: carcaça; flange; mostrador; porca superior ou anel de fechamento. Para medidores com diâmetros a partir de DN 40, podem ser aceitas numerações gravadas em plaquetas metálicas, desde que estas sejam adequadamente fixadas em partes não removíveis do equipamento e permitam a fácil visualização de suas informações.

Para medidor combinado, com transdutor de medição e dispositivo calculador separáveis, a numeração definida nesta norma deve estar presente no mínimo no elemento primário. Como características, a numeração deve assegurar perfeita legibilidade, ser indelével e atender às seguintes condições: quando for na lateral, deve ser gravada em ambos os lados da carcaça, paralelamente ao plano horizontal do medidor; quando for na parte superior, a numeração deve ser linear ou radial, e estar localizada na porca superior ou anel de fechamento, mostrador ou flange. As dimensões mínimas dos caracteres, de acordo com a modalidade da superfície, encontram-se descritas na tabela abaixo.

A numeração dos medidores de água deve ser única e estar de acordo com um sistema de 12 caracteres alfanuméricos, descritos como a seguir: primeiro caractere: uma letra correspondente à designação dos medidores de água; segundo e terceiro caracteres: dois algarismos, que correspondem ao ano de fabricação; quarto e quinto caracteres: duas letras exclusivas, correspondentes à identificação do fabricante, sendo vedado o uso das letras “i” e “o”; sexto ao décimo segundo caracteres: número de série sequencial com início em 0000001 para cada vazão permanente ou nominal e para cada ano de fabricação.

Questão de saneamento

NBR ISO 50004 de 03/2016 e NBR ISO 50006 de 03/2016: os princípios para um sistema de gestão de energia Publicada em 20/04/2016

Quais são os requisitos gerais de um sistema de gestão da energia? Quais considerações devem…

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Luiz Gonzaga Bertelli

A eclosão da zika surpreendeu o Brasil e uma de suas graves consequências  graves, a microcefalia em bebês, talvez seja a que mais sensibilize a sociedade. Mas há um aspecto que, embora ainda cause indignação, não chega a surpreender: a fragilidade do sistema público de saúde, que se mostra mais precário em casos de surtos inesperados de doenças que se disseminam rapidamente.

Mas aqui cabem algumas perguntas. Será que todos os surtos são mesmo inesperados? Depois do susto com a dengue há poucos anos, ninguém pode alegar que o seu vetor, o Aedes egypti não seja bem conhecido dos brasileiros. Sem tirar o mérito das campanhas de erradicação do mosquito (fumacês, evitar acúmulo de água em pratinhos de vasos, pneus velhos ou garrafas pets; cobrir as caixas d’água, etc.), não seria hora (ainda que tardia) de se pensar em medidas tão ou mais eficazes de prevenção ou, pelo menos, de contenção da proliferação do Aedes?

Essa proposta remete para o persistente descaso com  o saneamento básico, hoje privilégio de apenas 50% dos brasileiros. A outra metade da população está vulnerável a doenças transmissíveis por vetores que proliferam em esgotos a céu aberto, enchentes, poças de água de chuva, etc. Ou, no caso do Aedes, até na água limpa que os moradores estocam para vencer a seca em centenas de municípios, como no Nordeste.

Se o terrível lado humano dessas tragédias não basta para sensibilizar o Poder Público, quem sabe as estimativas dos custos financeiros gerados pelo Aedes estimulem investimentos para valer em saneamento básico. Fiquemos em dois  exemplos, válidos só para 2015. Para tentar controlar a proliferação do Aedes e dos vírus que transmite, só o Ministério da Saúde gastará R$ 2,5 bilhões. E mais: a zika pode causar prejuízos de até R$ 8,6 bilhões com a redução da vinda de estrangeiros para as Olimpíadas.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE.

 

As perdas de água nos sistemas de distribuição

CURSO TÉCNICO PRESENCIAL

Aterramento e a Proteção de Instalações e Equipamentos Sensíveis contra Raios: Fatos e Mitos – A partir de 3 x R$ 257,81 (56% de desconto)

vazamentoNo mundo, cidades com padrão de excelência em perdas têm indicadores menores que 10%, no Brasil, atualmente esses índices são maiores que 35%

A água é uma necessidade básica da humanidade e a sua escassez e contaminação podem comprometer irreversivelmente a existência humana na Terra. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso a um abastecimento adequado de água. No Brasil, com a crise hídrica que vem afetando fortemente as regiões Sudeste e Nordeste, este assunto ganhou nos últimos meses uma enorme visibilidade na sociedade como um todo, e também entre autoridades e formadores de opinião.

Uma das questões mais relevantes para a gestão hídrica é a mensuração e o controle contínuo das perdas de água, principalmente na etapa de distribuição dos sistemas de abastecimento. Essas perdas podem ser provenientes de vazamentos, erros de medição e consumos não autorizados (ligações clandestinas). Isso traz impactos negativos para o meio ambiente e para a receita financeira da companhia, elevando os custos com tratamento da água, energia elétrica, entre outros. O Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, apresentou em março deste ano o documento “Perdas de Água: Desafios ao Avanço do Saneamento Básico e à Escassez Hídrica”. Usaram como base os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), de 2013, do Ministério das Cidades.

O estudo apontou que cidades com padrão de excelência em perdas têm indicadores menores do que 15%. No Brasil, em 2013, o índice de perdas de faturamento total foi de 39,07% (6,53 bilhões de metros cúbicos ao ano) e o índice de perdas na distribuição foi de 36,95% (5,95 bilhões de metros cúbicos ao ano). Os dados apresentados pelo SNIS evidenciam uma urgência cada vez maior em acelerar o ritmo de gestão e investimentos em programas de controle e redução das perdas de água.

Tecnicamente pode-se encontrar diferentes procedimentos para avaliação das perdas de água. Uma das mais utilizadas é a proposta pela International Water Association (IWA), seguindo uma matriz de balanço hídrico, onde são detalhados os processos pelos quais a água pode passar, desde o momento que entra no sistema até a casa do consumidor. Evidente que para a elaboração dessa matriz de balanço hídrico, é necessário investir em macromedição para mapear esse “caminho” que a água percorre por toda a rede.

Segundo o mesmo estudo, no atual cenário hídrico brasileiro, uma rede sem perdas não é viável econômica e tecnicamente, pois é muito elevado o investimento para atingir essa situação. Porém, há um limite para a redução dos volumes de perdas. Em São Paulo, os índices de perdas de faturamento total e por distribuição são respectivamente 34,34% e 32,10%; no Rio de Janeiro 50,62% e 30,82%; no Rio Grande do Sul 48,85% e 37,23%; no Paraná 22,48% e 33,35% e em Santa Catarina 26,75% e 33,71%.  Já em Florianópolis, os números são 24,60% e 33,72%.

Para Guilherme Girol, um dos diretores da Sanova Inovação em Saneamento, são vários os desafios a serem enfrentados para mudanças nesse cenário. “Novas obras para melhoria e ampliação das redes atuais precisam ser executadas”, comenta Girol, destacando ainda que “o sistema de abastecimento necessita de uma visão mais sistêmica no qual não seja observada apenas a necessidade de reparar um vazamento, mas também de investir em tecnologias de monitoramento inteligente de dados aliado com ações de gestão e planejamento técnico. Dessa forma, gradativamente os índices podem ser reduzidos, gerando economia financeira, maior capacidade de investimento e, claro, sustentabilidade hídrica”.

Outro dado que impressiona é o potencial de economia gerado com base nas perdas totais dos sistemas brasileiros. “8 bilhões de reais, isto mesmo, 8 bilhões. Este recurso poderia estar sendo aplicado em melhorias, ampliações e novas obras em prol da universalização do saneamento básico no Brasil”, finaliza Guilherme.

Saneamento básico no Brasil pode reduzir até 6,8% do atraso escolar

Vídeo explicativo

Apresentando os novos requisitos e as alterações para a ISO 9001:2015 – Disponível pela Internet

Tem sido verificado em todo o mundo, nos últimos anos, um significativo aumento no interesse pelo desenvolvimento de Sistemas de Gestão “integrados”

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou, em julho de 2014, que a população brasileira atingiu 202,7 milhões de habitantes. Do total de crianças, com idade entre 7 e 14 anos, 97% estão na escola. Mas, de que forma a falta de saneamento básico no Brasil atinge diretamente o rendimento escolar, o aprendizado e a frequência escolar dessas crianças?

De acordo com dados do Instituto Trata Brasil, crianças com acesso a saneamento básico chegam a ter um aproveitamento de 20% no rendimento escolar. Um estudo do mesmo Instituto, de 2011, mostrou que 50% das internações por diarreias ocorreram em crianças com até cinco anos.

Exatamente na faixa etária quando a criança precisa ter a saúde mais preservada e, principalmente, a atividade cerebral está em desenvolvimento. Segundo vários pediatras, inclusive alguns deles embaixadores do instituto, as diarreias constantes desidratam as crianças, e com isso pode haver comprometimento da capacidade de aprendizado escolar para a vida toda.

Para o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, a falta de saneamento básico está ligada diretamente com a performance escolar da criança, uma vez que o aprendizado está totalmente conectado à saúde. “Todo cidadão tem direito a água limpa e esgoto tratado. São princípios básicos do desenvolvimento do ser humano. Quando deixamos de oferecer o saneamento básico (água e coleta e tratamento dos esgotos), as crianças são as primeiras a sentirem”, afirma Édison.

No ano passado, o Instituto apresentou outros estudos, que mostraram os benefícios da universalização do saneamento básico no país. Um capítulo inteiro, destinado a educação, apresentou que a universalização do acesso à coleta de esgoto e água tratada traria uma redução de 6,8% no atraso escolar dos alunos que vivem em regiões sem saneamento.

Para Guilherme Girol, um dos diretores da Sanova Inovação em Saneamento, são vários os desafios a serem enfrentados em várias regiões do Brasil. “Faltam políticas públicas por parte dos governantes e maior eficiência na elaboração e execução de projetos e obras, principalmente. Em relação aos projetos, é necessário que as empresas busquem ferramentas de otimização (softwares) para a elaboração dos mesmos. Estes, além de projetarem a infraestrutura necessária para atender as demandas de água e esgoto, conseguem simular condições futuras, como por exemplo, o crescimento populacional e o impacto que isso irá acarretar no projeto”.

Historicamente, as regiões do Nordeste e Norte ainda estão atrasadas no que se refere aos serviços de coleta e tratamento dos esgotos. A região Norte é a mais preocupante, onde grandes cidades não coletam e tão pouco, tratam o esgoto.

Essa realidade além de impactar no rendimento escolar, exerce impacto negativo em outras áreas como no turismo e até mesmo na valorização ambiental. O Sul é uma região que também apresenta indicadores alarmantes na coleta e tratamento de esgotos. Exceto o Paraná, que apresenta dados melhores, Santa Catarina e Rio Grande do Sul ainda estão distantes do cenário ideal.

Já as regiões do Centro-Oeste e Sudeste apresentam os melhores índices, mas ainda têm desafios pela frente. Cidades aonde a universalização do saneamento já chegou, como é o caso de Limeira e Franca, ambas no estado de São Paulo, e Uberlândia em Minas Gerais, os índices de internações por doenças de veiculação hídrica são menores, a taxa de desempenho escolar é considerável e a valorização ambiental é assegurada.

É importante salientar que quando se fala em saneamento, logo costuma-se lembrar dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Mas o conceito é formado também por drenagem urbana e os resíduos sólidos, compondo assim os quatro pilares do saneamento básico.

Atualmente, o setor no país está custeando uma conta onerosa, devido à ausência do investimento que o setor deixou de receber por cerca de 30 anos, com a extinção do Plano Nacional de Saneamento Básico (Planasa), criado na década de 1970 e extinto na década seguinte. Este atraso está sendo revertido, de forma lenta, com ações voltadas principalmente para a ampliação das redes de esgotamento sanitário.

A solução para a crise hídrica mais perto do que se imagina

VÍDEO EXPLICATIVO

Contaminantes químicos e suas medidas de controle – Disponível pela Internet

Avaliar criticamente, compreender e controlar contaminantes químicos em alimentos.

Sergio Werneck Filho

A crise hídrica que afeta quase 1.000 municípios brasileiros das regiões Nordeste e Sudeste é algo histórico que, certamente, deixará grandes lições. O tema tem sido o principal foco de discussões, tanto na esfera pública como privada.

Um ponto, porém, merece atenção. Até o momento, o grande enfoque está em como suprir a demanda diante dos baixíssimos índices dos reservatórios. Alternativas para trazer água de regiões cada vez mais distantes e, claro, a discussão em torno da recuperação dos mananciais norteia grande parte das preocupações.

Porém, a solução, não apenas para esta crise, mas para todo o sistema de abastecimento de grandes centros, não está somente nas alternativas para se obter novas fontes de água. Pelo contrário. O que precisamos é nos atentar à forma com que a água retorna ao sistema. Precisamos enxergar as regiões metropolitanas como grandes sistemas de reuso.

Para abastecer a Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, são necessários 80 metros cúbicos de água bruta por segundo. Sabe-se que grande parte deste volume (cerca de 20%) se perde no caminho. Ou seja, 1 em cada 5 litros de água captada não chega às residências, indústrias, escritórios ou comércios. Esta questão já é amplamente discutida e, para ser solucionada, requer investimentos na rede atual. Assim, precisamos focar na água que chega ao consumidor.

Quando entregue, a água é utilizada para diferentes fins, desde limpeza, higiene pessoal, consumo ou processos industriais. Mesmo utilizada em todos estes processos, ela não desaparece. Estima-se que, do total de água entregue, são consumidos ou evaporados apenas 11,2 metros cúbicos por segundo (20% da água entregue). E o restante? Qual é a destinação desta água? O que fazemos com ela?

O fato é que, se não se perde, não é consumida ou evaporada, esta água retorna ao sistema, seja como efluente ou como esgoto. Este volume representa quase 65% de toda água bruta que chega ao sistema de abastecimento.

O problema é que, apesar de ser um volume significativo, a capacidade de tratamento atual não é suficiente. A estrutura hoje consegue tratar apenas 18 metros cúbicos por segundo. Pelos nossos cálculos, o total de efluentes e esgoto que chega ao sistema é de 51 metros cúbicos por segundo.

Ou seja, 33 metros cúbicos por segundo de esgoto liberados na Região Metropolitana de São Paulo não são tratados. Se considerarmos os dados mensais, os números são ainda mais expressivos. Em 30 dias, estamos falando em 85,5 bilhões de litros que poderiam retornar ao sistema tratados.

Se, ao invés de buscarmos outras alternativas para abastecer o sistema, buscássemos formas eficazes de melhorar a qualidade da água que retorna aos rios e de reduzir as perdas iniciais das águas captadas, o cenário seria bem diferente. Ao reduzir as perdas de 20% para 10%, teríamos uma economia de 7 metros cúbicos por segundo.

Se além disso fossem feitos os investimentos necessários para dobrar a capacidade de tratamento de esgoto da região e ampliação da rede coletora, teríamos mais 18 metros cúbicos por segundo de insumo para reuso. Com estas três iniciativas (menos perdas, mais coleta e mais tratamento), mesmo ainda não conseguindo tratar 100% do esgoto que retorna aos rios, conseguiríamos um volume de 44 metros cúbicos por segundo, ou 114,0 bilhões de litros por mês, equivalente aos sistemas Cantareira e Alto Tiete somados.

A resposta para a crise hídrica atual e todos os possíveis desdobramentos futuros deve privilegiar o tratamento adequado do esgoto. A água precisa retornar com qualidade semelhante a que foi retirada.

Assim, muito mais do que buscar novas fontes, o que a Região Metropolitana de São Paulo –  e tantas outras – precisam é o controle da qualidade do descarte. Se cuidarmos de como devolvemos a água para os rios, vamos sofrer bem menos com a falta de chuvas e/ou problemas nos mananciais. A solução existe e é mais viável do que muitos podem imaginar.

Sérgio Werneck Filho é CEO da Nova Opersan.

Crise hídrica: a natureza aceita apenas a verdade

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Maurício Dziedzic

A falta de água forçava as pessoas a tomar urina reciclada. Essa era uma parte impressionante do livro “Não verás país nenhum”, de Ignácio de Loyola Brandão, que li na adolescência. Hoje sei que o conceito não é tão esotérico e já se tornou realidade em alguns locais do planeta.

Recentemente, Bill Gates tomou água proveniente de esgoto reciclado para mostrar que isso é seguro. Melhor seria não ter que recorrer a esse tipo de solução, mas tudo indica que, como diz o tetracampeão Zagallo, “vamos ter que engolir”.

A escassez de água em São Paulo, no cerne do Brasil “desenvolvido”, finalmente traz para aqueles que não tinham sido sensibilizados pelos anos de seca em regiões mais pobres a sensação de que o problema, além de real, é grave. E a situação, ao contrário de tantas outras que assolam nosso país, não pode ser resolvida, ou escondida, pela alteração de regras, pelo desmentido, pelo “eu não sabia”, nem por medida provisória. A natureza aceita apenas a verdade – se a solução não for a correta, o problema não será resolvido, nem esquecido.

Após décadas de desmatamento, desproteção de nascentes, poluição nas mais variadas formas, impermeabilização do solo impedindo a recarga dos aquíferos e exploração desenfreada de recursos naturais, algumas regiões dão sinal de que a sociedade levou a natureza ao limite. É o caso de São Paulo.

A variabilidade natural da ocorrência de chuvas, com alternância de períodos secos e períodos úmidos, faz com que seja normal a falta de água em alguns momentos. Todavia, os reservatórios são concebidos exatamente para garantir o abastecimento quando chove menos.

O astuto leitor diria que a solução é construir reservatórios cada vez maiores, à medida em que a população aumenta. Há limite de quanta água se pode armazenar, em função da quantidade que chove em cada bacia hidrográfica. Existem, porém, outras fontes de fácil acesso que estão sendo ignoradas no país todo: os próprios sistemas de distribuição de água, pasmem.

O Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos, 2012, publicado pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), mostra que as perdas médias de água tratada no Brasil são de 36,9 %. O índice no PR é de 33 %. O menor é do Distrito Federal, com 23,9 %, e o maior é do Amapá, com 71,9 %.

Levando em conta que parte dessas perdas pode não ser real, mas simplesmente água furtada do sistema por ligações irregulares, pode-se arredondar a conta. Ou seja, mais de um terço é perdido por falhas na rede. Em países desenvolvidos, o índice é próximo a 10%. Poderíamos estabelecer meta mais humilde, talvez próxima a 20 % a médio prazo. Já faria diferença.

Para isso, é necessário investir em infraestrutura e na gestão do saneamento. Não adianta culpar as concessionárias se não são dadas condições para melhorar a situação. O orçamento deveria ser maior. Há muito tempo o setor se queixa e não é ouvido. Infraestrutura é resolvida com obras – principalmente a melhoria das redes de distribuição. A gestão é resolvida com honestidade e educação.

A honestidade resolveria também outros problemas do país que, além da crise hídrica, passa por crise moral, nos transportes, na energia, entre outras. A educação idem, pois profissionais e pessoas, em geral, com melhor formação e discernimento, poderiam utilizar recursos com mais responsabilidade, conduzir melhor o país e decidir seu destino, em vez de serem conduzidas.

Maurício Dziedzic é coordenador do Programa de Pós-Graduação em Gestão Ambiental (Mestrado e Doutorado) da Universidade Positivo.