Os capacetes de segurança para uso ocupacional

Os capacetes de segurança são projetados para proteger a cabeça contra objetos que caem e os lados da cabeça, olhos e pescoço de impactos, colisões, arranhões e exposição elétrica indesejáveis, etc.

A segurança sempre é uma questão muito importante em todas as atividades industriais, pois não é um trabalho de escritório comum e requer algumas medidas de precaução. Quanto mais preparados os trabalhadores, menor a chance de acidentes e ferimentos nos locais operacionais.

A cabeça é o único órgão do corpo humano totalmente envolto em osso e por natureza deve ser protegida como um componente funcional muito vital do corpo: o cérebro. Assim, os capacetes segurança agem como a primeira linha de defesa contra ferimentos na cabeça, mas eles só funcionam quando usados corretamente. Assim, é seguro dizer que os capacetes de segurança salvam vidas e reduzem o risco de lesão cerebral.

A maioria dos ferimentos na cabeça pode ser evitada se a proteção adequada da cabeça for selecionada, usada e mantida. Como qualquer pessoa que tenha visitado qualquer local de operação industrial pode atestar que alguns trabalhadores não seguem completamente as placas que exigem que eles usem capacetes de segurança. Isso pode ocorrer por várias razões, como incompatibilidade no nível de conforto ou simples negligência ou desconsideração dos capacetes de segurança devido a informações incorretas.

Segundo relatos publicados em várias revistas e na internet, há uma menção severa da maioria dos casos em que ocorreram ferimentos na cabeça e os empregadores não exigiram que os trabalhadores usassem proteção para a cabeça. Sempre que plausível, um empregador deve considerar viável implementar controles administrativos ou de engenharia para minimizar ou eliminar a exposição ao problema.

Os capacetes de segurança são projetados para proteger a cabeça contra objetos que caem e os lados da cabeça, olhos e pescoço de impactos, colisões, arranhões e exposição elétrica indesejáveis, etc. O uso de um capacete de segurança é um requisito obrigatório que deve ser seguido por todos os empregadores que devem fornecer a seus trabalhadores esses equipamentos de proteção e garantir plenamente que eles os usem. Como, em média, centenas de trabalhadores por ano sofrem ferimentos fatais na cabeça, os capacetes são características cruciais da segurança do local de trabalho.

A NBR 8221 de 10/2019 – Capacete de segurança para uso ocupacional – Especificação e métodos de ensaio estabelece os tipos e as classes de capacetes de segurança para saúde e segurança no trabalho, fixa os requisitos mínimos quanto às características físicas e de desempenho, e prescreve os ensaios para a avaliação dos referidos capacetes, os quais são destinados à proteção da cabeça contra impactos, penetração e riscos elétricos no uso ocupacional. Os capacetes de segurança para uso ocupacional destinam-se a reduzir a quantidade de força de um golpe de impacto, mas não podem oferecer total proteção à cabeça em casos de impacto e penetração severos.

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Como deve ser executado o ensaio de inflamabilidade?

Como deve ser o procedimento para o ensaio de penetração excêntrica?

Qual o procedimento de marcação da linha de ensaio dinâmico (LED)?

Como deve ser feito o ensaio de penetração no topo?

Como deve ser feita a cabeça padrão para ensaio de atenuação da energia de impacto lateral?

O uso de capacetes de segurança nunca deve ser visto como substituição às boas práticas de segurança e controles de engenharia. Alterações, acoplamento de outros equipamentos de proteção individual (EPI) ou adição de acessórios podem afetar o desempenho do capacete. Eles são projetados para oferecer proteção acima das linhas de ensaio, que são claramente definidas nesta norma.

Os capacetes podem se estender abaixo das linhas de ensaio por estilo ou propósitos práticos, mas isso não implica proteção abaixo destas. O capacete de segurança é classificado conforme a proteção oferecida quanto aos riscos de impacto e elétricos, sendo classificado como Tipo I ou Tipo II, quanto à sua proteção contra impactos e Classes G, E ou C, quanto a sua proteção contra riscos elétricos.

O capacete Tipo II contempla os requisitos do capacete Tipo I, assim como o capacete Classe E contempla os requisitos das Classes G e C. O capacete Classe G contempla os requisitos da Classe C. O capacete de segurança Tipo I é concebido para reduzir a força de impacto resultante de um golpe no topo da cabeça.

O capacete de segurança Tipo II é concebido para reduzir a força de impacto resultante de um golpe no topo ou nas laterais da cabeça. O capacete de segurança Classe G é concebido para reduzir o risco de choque elétrico quando houver contato com condutores elétricos de baixa tensão, e é ensaiado com 2.200 V. Essa tensão não busca ser um indicador da tensão na qual o capacete protege o usuário.

O capacete de segurança Classe E é concebido para reduzir o risco de choque elétrico quando houver contato com condutores elétricos de alta tensão, e é ensaiado com 20.000 V. Essa tensão não busca ser um indicador da tensão na qual o capacete protege o usuário. O capacete de segurança Classe C não oferece proteção contra riscos elétricos.

Cada capacete deve ter marcações permanentes e legíveis, em qualquer região do casco, contendo as seguintes informações: nome ou marca de identificação do fabricante ou importador; data de fabricação; lote de fabricação. Cada capacete deve ter marcações legíveis, em qualquer região do casco, contendo as seguintes informações: a) número e ano desta norma; indicações aplicáveis de Tipo e Classe.

Cada capacete deve ser acompanhado por instruções do fabricante com as seguintes informações: instruções de colocação e retirada do sistema de suspensão no casco; método correto para ajuste de tamanho da suspensão; instruções sobre limitações e utilização; orientações sobre higienização, vida útil, cuidado e manutenção periódica; se aplicável, instruções sobre montagem e ajuste para uso invertido. Devem constar nas instruções a forma de identificação e a correta interpretação da data de fabricação, e quando o número do lote for o mesmo da data de fabricação, esta informação também deve constar nas instruções.

Quando o capacete possuir acessórios e/ou jugular, estes devem ser acompanhados por instruções de montagem, ajuste e utilização. O capacete de segurança Tipo I para uso invertido deve atender aos requisitos de ensaio de transmissão de força, quando montado na posição invertida na cabeça padrão.

O capacete de segurança Tipo II para uso invertido deve atender aos requisitos de ensaio de transmissão de força, atenuação de energia de impacto lateral e penetração excêntrica, quando montado na posição invertida na cabeça-padrão. Quando medido para alta visibilidade, o capacete para alta visibilidade deve demonstrar cromaticidade que esteja dentro de uma das áreas definidas na tabela abaixo e o fator de luminância total (Y expresso como porcentagem) deve ser superior ao mínimo correspondente na tabela abaixo.

As cabeças padrão para os ensaios descritos nesta norma devem atender aos requisitos do Anexo A e para o ensaio de transmissão de força, devem atender ao Anexo B. As dimensões constantes nos Anexos A e B devem ter tolerâncias de ± 1,0%. As dimensões fornecidas nos Anexos A e B para confecção das cabeças padrão de ensaios são referentes a um perfil completo de cabeça, porém estas dimensões só são relevantes para esta norma acima das linhas de ensaio, sendo então permitida a construção de cabeças com adaptações dimensionais abaixo destas linhas de ensaio.

Para o procedimento de marcação da linha de ensaio dinâmico (LED), a cabeça-padrão deve estar firmemente posicionada com o plano-base na horizontal. A amostra de ensaio deve ser colocada sobre a cabeça padrão, em sua posição normal de uso, centralizada em relação ao plano médio-sagital e paralela ao plano-base, de acordo com seu índice de posicionamento.

A amostra que pode ser utilizada na posição invertida deve ser montada conforme instruções do fabricante para uso invertido, sendo então colocada sobre a cabeça padrão e centralizada em relação ao plano médio-sagital e paralela ao plano base, de acordo com seu índice de posicionamento. Uma massa de (5,0 ± 0,1) kg deve ser aplicada uniformemente sobre o topo do capacete (por exemplo um saco de areia).

Mantendo a massa e a posição descritas, desenha-se uma linha na superfície externa do capacete, coincidindo com as interseções da superfície do capacete e os planos seguintes: um plano “k”, em milímetros, acima e paralelo ao plano de referência na porção anterior da cabeça de ensaio de referência; um plano vertical transversal “b”, em milímetros, atrás do centro do eixo central vertical, em uma vista lateral; um plano “j”, em milímetros, acima e paralelo ao plano de referência na porção posterior da cabeça de ensaio de referência.

O equipamento de ensaio de atenuação de energia de impacto lateral deve ter um sistema guia que atinja velocidades de impacto exigidas por esta norma. O atrito entre o carro em queda e o sistema guia deve ser minimizado pelo uso de materiais de rolamento apropriado. As bigornas de ensaio devem ser feitas de modo que possam ser intercambiáveis na base e devem ser fixadas de forma que nenhuma energia seja absorvida por deformações.

A base deve ser de aço de espessura de pelo menos 25 mm. Deve haver uma esfera de montagem conectada ao sistema guia que permita adequada fixação das cabeças de impacto, de forma que esta possa ser girada sobre a esfera e fixada em uma posição predeterminada, mas que não saia desta posição no momento de impacto. Um acelerômetro deve ser montado dentro da esfera, tendo o eixo (ou eixo vertical, no caso de um acelerômetro triaxial) dentro de 2,5° de alinhamento vertical.

O sensor de velocidade deve ser capaz de registrar velocidades em uma taxa mínima de 100 kHz e sua posição deve ser ajustável, de modo que a velocidade de impacto seja medida a não mais que 2,0 cm a partir do ponto de impacto. Caso o mecanismo guia de queda possua um flag para acionar o sensor de velocidade, este deve ter uma altura máxima de 26 mm. O feixe luminoso, visível, infravermelho etc., deve ter fendas de emissão/recepção de funcionamento perpendicular ao trajeto do percurso do flag. A resposta em frequência do sistema de aquisição de dados e do acelerômetro deve estar em conformidade com a SAE J211, Classe de Canal 1000.

NFPA 24: a instalação de redes privadas de bombeiros

Essa norma internacional, editada em 2019 pela National Fire Protection Association (NFPA), apresenta os requisitos abrangentes que regem as redes de bombeiros e hidrantes privados. Abrange a localização e identificação de conexões de departamentos, proteção da rede de bombeiros e válvulas que controlam o abastecimento de água.

A NFPA 24:2019 – Standard for the Installation of Private Fire Service Mains and Their Appurtenances apresenta os requisitos abrangentes que regem as redes de bombeiros e hidrantes privados. Abrange a localização e identificação de conexões de departamentos, proteção da rede de bombeiros e válvulas que controlam o abastecimento de água. Os seus critérios também tratam da rede de bombeiros subterrânea e equipamentos relacionados, a tubulação de quintal que alimenta sistemas automáticos de aspersão, hidrantes de quintal, tubulações e outros sistemas à base de água.

Essa norma abrange os requisitos mínimos para a instalação de redes de bombeiros particulares e seus acessórios, fornecendo o seguinte: os sistemas de sprinklers automáticos, os sistemas de sprinklers abertos, os sistemas fixos de spray de água, os sistemas de espuma, os hidrantes particulares, a forma de monitorar os bicos ou sistemas de tubulações com referência ao suprimento de água e os locais das mangueiras. Aplica-se às redes de serviço combinadas usadas para transportar água para serviços de incêndio e outros usos.

Esta norma não se aplica às seguintes situações: rede elétrica sob controle de uma concessionária de água; rede elétrica que fornece proteção contra incêndio e/ou água tratada de propriedade privada, mas que são operadas como concessionárias de água. Não se aplica a redes subterrâneas que atendem a sistemas de aspersão projetados e instalados de acordo com a NFPA 13R com tamanho inferior a 4 pol. (102 mm). Não se aplica a redes subterrâneas que servem sistemas de aspersão projetados e instalados de acordo com a NFPA 13D.

Conteúdo da norma

Capítulo 1 Administração

1.1 Escopo

1.2 Objetivo

1.3 Retroatividade

1.4 Equivalência

1.5 Unidades

Capítulo 2 Publicações referenciadas

2.1 Geral

2.2 Publicações da NFPA

2.3 Outras publicações

2.4 Referências para extratos em seções obrigatórias

Capítulo 3 Definições

3.1 Geral

3.2 Definições oficiais da NFPA

3.3 Definições gerais

3.4 Definições de hidrante

Capítulo 4 Requisitos gerais

4.1 Planos

4.2 Trabalho de instalação

Capítulo 5 Abastecimento de água

5.1 Conexão com sistemas hidráulicos

5.2 Tamanho da rede elétrica

5.3 Dispositivos e medidores de regulação de pressão

5.4 Conexão de sistemas hidráulicos

5.5 Conexões com sistemas públicos de água

5.6 Bombas

5.7 Tanques

5.8 Represas, rios, lagos ou reservatórios

5.9 Conexões remotas dos bombeiros

Capítulo 6 Conexões de abastecimento de água

6.1 Válvulas

6.2 Conexões com o abastecimento de água

6.3 Válvulas pós-indicador

6.4 Válvulas em poços

6.5 Conjuntos de prevenção de refluxo

6.6 Válvulas seccionais

6.7 Identificação e fixação de válvulas

6.8 Válvulas de retenção

Capítulo 7 Hidrantes

7.1 Geral

7.2 Número e localização

7.3 Instalação

Capítulo 8 Casas e equipamentos para mangueiras

8.1 Geral

8.2 Localização

8.3 Construção

8.4 Tamanho e arranjo

8.5 Marcação

8.6 Equipamento geral

8.7 Proibido o uso de serviço doméstico

Capítulo 9 Correntes de água

9.1 Fluxos principais

9.2 Aplicação e considerações especiais

Capítulo 10 Requisitos subterrâneos

10.1 Tubulação

10.2 Acessórios

10.3 Conexão de tubos, conexões e acessórios

10.4 Proteção da rede privada de bombeiros

10.5 Aterramento e ligação

10.6 Restrição

10.7 Graus íngremes

10.8 Requisitos de instalação

10.9 Preenchimento

10.10 Ensaio e aceitação.

Capítulo 11 Cálculos hidráulicos

11.1 Cálculos em unidades habituais nos EUA

11.2 Cálculos em unidades SI

Capítulo 12 Tubos e conexões acima do solo

12.1 Geral

12.2 Proteção da tubulação.

Capítulo 13 Tamanhos de tubos enterrados

13.1 Rede de serviço privado

13.2 Fontes principais que não fornecem aos hidrantes

13.3 Rede que fornece aos sistemas de proteção contra incêndio

Capítulo 14 Inspeção, ensaio e manutenção do sistema

14.1 Geral

Anexo A Material explicativo

Anexo B Questões de supervisão de válvulas

Anexo C Prática recomendada para ensaio de fluxo de incêndio

Anexo D Prática recomendada para marcação de hidrantes

Anexo E Referências informativas

Esta norma crítica abrange a localização e a identificação de conexões de departamentos, proteção da rede de bombeiros e válvulas que controlam o abastecimento de água. Os critérios da NFPA 24 também tratam da rede de subterrânea para os bombeiros e equipamentos relacionados, a tubulação local que alimenta os sistemas automáticos de aspersão, hidrantes no local, tubulações e outros sistemas à base de água. A edição de 2019 inclui: as alterações relacionadas à abertura de valas e aterro, os requisitos de ensaio de aceitação pela primeira vez para tubulação acima do solo e as revisões que esclarecem o uso limitado de tubulações de aço para serviços subterrâneos.

A segurança das plataformas elevatórias móveis de trabalho (PEMT)

Deve-se ser lembrado que os requisitos de segurança desses equipamentos foram elaborados com base no fato de que as plataformas elevatórias móveis de trabalho (PEMT) recebem, periodicamente, manutenção de acordo com as instruções fornecidas, condições de trabalho, frequência de uso e legislação vigente.

Deve-se ser lembrado que os requisitos de segurança desses equipamentos foram elaborados com base no fato de que as plataformas elevatórias móveis de trabalho (PEMT) recebem, periodicamente, manutenção de acordo com as instruções fornecidas, condições de trabalho, frequência de uso e legislação vigente. A manutenção para a PEMT é o produto de atividades que inclui projeto, produção e ensaios para fornecer informações sobre ela. O Anexo F. apresenta sugestões para treinamento e manual de operação para as PEMT.

A NBR 16776 de 08/2019 – Plataformas elevatórias móveis de trabalho (PEMT) — Projeto, fabricação, manutenção, requisitos de segurança e métodos de ensaio especifica os requisitos de segurança e as medidas preventivas, bem como os meios para a sua verificação, para alguns tipos e tamanhos de plataformas elevatórias móveis de trabalho (PEMT) destinadas ao posicionamento de pessoas, juntamente com as suas ferramentas e materiais necessários nos locais de trabalho. Esta norma contempla os cálculos e critérios de estabilidade do projeto estrutural, construção, manutenção e ensaios de segurança a serem aplicados antes de uma PEMT ser colocada em serviço pela primeira vez. Não é aplicável aos cestos aéreos montados sobre veículos que trabalham estabilizados, conforme a NBR 16092.

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Quais os fatores de forma aplicados às superfícies expostas ao vento?

Como deve ser feito o cálculo de tombamento e momentos de estabilização?

Para que deve ser utilizada a análise de tensão geral?

Por que deve ser instalado um dispositivo de segurança automático?

Como funciona o travamento do eixo oscilante ou sistemas de controle?

Os requisitos para o projeto, fabricação e remanufatura de plataformas elevatórias móveis de trabalho devem ser aplicáveis aos equipamentos fabricados a partir da publicação desta norma e legislação vigente. Esta norma não se aplica aos equipamentos fabricados anteriormente à sua publicação. Também não se aplica às PEMT reformadas e recondicionadas, com ano de fabricação anterior à publicação desta.

Esta norma não se aplica a: equipamentos de elevação de pessoas instalados permanentemente, que atendem a níveis definidos; equipamentos de combate a incêndios e resgate em incêndio; gaiolas de trabalho sem guias, suspensas por equipamentos de elevação; equipamento de armazenamento e recuperação dependente de trilhos; elevadores em geral; plataformas de cremalheira com deslocamento; equipamentos de parque de diversões; mesas elevatórias com altura de elevação inferior a 2 m (6,56 pés); guinchos de construção para pessoas e materiais; manipuladores de carga com cesto acoplado; equipamentos de apoio em terra às aeronaves; escavadeiras com torre de perfuração; caminhões industriais com posições para operador em elevação; dispositivos aéreos isolados para uso no trabalho em instalações elétricas energizadas; e os dispositivos aéreos de elevação e rotação montados em veículos.

Esta norma exclui os requisitos para os riscos decorrentes de: uso em atmosferas potencialmente explosivas; uso de gases comprimidos para componentes da sujeição de carga; trabalho em sistemas elétricos energizados; subir e descer do cesto em altitudes diversas; prevenção contra o descarrilamento e descontrole nas PEMT montadas em trilhos. As PEMT devem estar em conformidade com os requisitos de segurança e as medidas de proteção indicas nesta Seção. As PEMT importadas devem seguir a legislação vigente e devem atender aos requisitos desta norma.

O fabricante deve executar: cálculos estruturais para avaliar as cargas e forças individuais em suas posições, direções e combinações que produzam as tensões mais desfavoráveis nos componentes; e cálculos de estabilidade para identificar as diferentes posições da PEMT e combinações de cargas e forças que criem condições de estabilidade mínima.

A carga nominal equivalente a uma massa, m, deve ser determinada usando a seguinte equação: m = (n x mp) +me, onde mp é a massa de uma pessoa, igual a 80 kg (176,4 lb); me é a massa de ferramentas e materiais, igual a 40 kg (88,2 lb) ou mais; n é o número permitido de pessoas sobre o cesto. Os valores indicados em sistema métrico são valores-padrão. Os valores entre parênteses, geralmente em sistema imperial, são aproximados e somente para informação.

A carga nominal mínima de uma PEMT deve ser de 120 kg (264,5 lb). As seguintes cargas e forças devem ser levadas em consideração: forças criadas por carga nominal e massas estruturais; forças do vento; forças manuais; e as cargas e forças especiais. As forças gravitacionais criadas pela carga nominal e massas estruturais devem ser consideradas como atuando verticalmente para baixo nos centros de massa do componente.

As forças devem ser calculadas multiplicando as massas do componente por 1,0 g. O fator g representa a aceleração da gravidade de 9,81 m/s² (32,2 pés/s²). As forças dinâmicas criadas pela aceleração e desaceleração das massas estruturais e carga nominal devem ser representadas por forças que atuem na linha de movimento dos centros de massa do componente.

As forças dinâmicas criadas por extensão ou retração da estrutura extensível devem ser calculadas multiplicando as massas estruturais por 0,1 g. Os fabricantes podem utilizar fatores inferiores a 0,1 g, desde que tenham sido verificados por medição dos efeitos de aceleração e desaceleração. As forças dinâmicas criadas por movimentos de deslocamento das PEMT Tipo 2 e Tipo 3 devem ser calculadas multiplicando as massas estruturais por z vezes g.

O fator z x g representa a aceleração e desaceleração da PEMT devido ao deslocamento e sua aceleração e desaceleração angular devido ao deslocamento sobre obstáculos no piso, como o que ocorre durante o ensaio de obstáculo. O fator z deve ser um mínimo de 0,1 g, a menos que seja determinado por cálculo ou ensaios (ver Anexo C para um exemplo de cálculo de z). Considera-se que cada pessoa atua como uma carga de ponto sobre o cesto e qualquer extensão do cesto a uma distância horizontal de 0,10 m (3,94 pol.) da borda interna superior do trilho do topo.

A distância entre as cargas de ponto deve ser de 0,50 m (19,7 pol.). A largura de uma pessoa deve ser considerada em 0,50 m (19,7 pol.) (ver figura abaixo). Considera-se que o equipamento atua como uma carga distribuída uniformemente em 25% do piso do cesto. Se a pressão resultante exceder os 3 kN/m² (0,435 psi), o valor de 25% pode ser aumentado para resultar em uma pressão de 3 kN/m² (0,435 psi). Todas as cargas estabelecidas em 5.2.2.3 devem estar localizadas nas posições que criam a condição mais adversa.

Todas as PEMT utilizadas externamente são consideradas afetadas por uma velocidade do vento a uma pressão de 100 N/m² (0,0145 psi), com base em uma velocidade do vento de 12,5 m/s (28 mph). É permitido utilizar dados da modelagem de fluidodinâmica computacional ou ensaios físicos para atender a este requisito. A modelagem de fluidodinâmica computacional deve ser especificada e deve incluir uma explicação das áreas de carga, áreas de restrição e tipos de restrição.

Os ensaios físicos devem incluir os parâmetros de modelagem e similaridade dimensional utilizados. Assume-se que as forças do vento atuem horizontalmente no centro das áreas das peças da PEMT, pessoas e equipamentos no cesto. A área superficial total de uma pessoa deve ter largura média de 0,7 m² (7,53 pés²), considerando: largura de 0,4 m (1,31 pés) × altura de 1,75 m (5,74 pés), com o centro da área 1,0 m (3,28 pés) acima do piso do cesto.

A área superficial exposta de uma pessoa em pé sobre um cesto por trás de uma seção não perfurada de aproximadamente 1,1 m (3,61 pés) de altura deve ser de 0,35 m² (3,77 pés²), com o centro da área de 1,45 m (4,76 pés) acima do piso do cesto. O número de pessoas diretamente expostas ao vento deve ser calculado do seguinte modo: o comprimento da lateral do cesto exposto ao vento, arredondado para o valor mais próximo de 0,5 m (1,64 pé), dividido por 0,5 m (1,64 pé); ou o número permitido de pessoas no cesto, se for menor que o número calculado conforme o comprimento da lateral do cesto exposto ao vento, arredondado para o valor mais próximo de 0,5 m (1,64 pé), dividido por 0,5 m (1,64 pé).

Se o número permitido de pessoas no cesto for maior que o calculado conforme acima, um fator de forma de 0,6 deve ser aplicado ao número extra de pessoas. A força do vento sobre ferramentas e materiais expostos no cesto deve ser calculada como 0,03 g, multiplicada pela massa que atua horizontalmente a uma altura de 0,5 m (1,64 pé) acima do piso do cesto.

O valor mínimo para uma força manual, Fm, deve ser tomado como 200 N (44,96 lbf) para as PEMT projetadas para transportar somente uma pessoa e 400 N (89,92 lbf) para as PEMT projetadas para transportar mais de uma pessoa. As forças manuais devem ser aplicadas a uma altura de 1,1 m (3,61 pés) acima do piso do cesto. Qualquer força maior autorizada deve ser especificada pelo fabricante.

Se uma PEMT for projetada para uso com métodos de trabalho ou condições especiais, como objetos transportados na parte externa do plataforma; ou forças do vento em grandes objetos transportados sobre o cesto; ou velocidades do vento superiores a 12,5 m/s (28 mph); ou forças impostas por guinchos ou outros dispositivos de movimentação de materiais; ou uma combinação de forças, as cargas e forças resultantes devem ser levadas em consideração como uma modificação na carga nominal, carga estrutural, carga de vento e/ou forças manuais, conforme apropriado.

As forças criadas por massas estruturais e carga nominal que causam tombamento ou momentos de estabilização devem ser multiplicadas por um fator de 1,0 e calculadas como atuando verticalmente para baixo. No caso do movimento da estrutura extensível, estas forças devem ser multiplicadas por um fator de 0,1 e aplicadas como forças adicionais que atuam na direção do movimento e que criam o maior momento de tombamento. Os fabricantes podem utilizar fatores inferiores a 0,1, desde que tenham sido verificados por medição dos efeitos de aceleração e desaceleração.

Para movimentos de deslocamento da PEMT tipo 2 e tipo 3, o fator de 0,1 deve ser substituído por um fator z que represente as forças produzidas pela aceleração e desaceleração ou o ensaio de obstáculo. Este fator deve ser determinado por cálculo ou ensaios (ver Anexo C para um exemplo de cálculo). A inclinação máxima permitida do chassi deve ser aumentada em 0,5°, como tolerância de uma imprecisão no posicionamento da PEMT. As forças do vento devem ser multiplicadas por um fator de 1,1 e aplicadas horizontalmente.

As estruturas de proteção na capotagem de tratores de rodas

O ensaio de estruturas de proteção na capotagem (EPC) para tratores agrícolas e florestais de rodas visa minimizar a probabilidade de lesão ao condutor resultante do tombamento acidental do trator durante a operação normal (por exemplo, trabalho no campo) do trator.

A NBR ISO 3463 de 08/2019 – Tratores agrícolas e florestais — Estrutura de proteção na capotagem (EPC) — Método de ensaio dinâmico e condições de aceitação especifica um método de ensaio dinâmico e as condições de aceitação para estruturas de proteção na capotagem (cabine ou estrutura) de tratores de rodas de uso agrícola e florestal. É aplicável a tratores que possuem pelo menos dois eixos para rodas montadas com pneus ou que possuem esteiras em vez de rodas, com uma massa do trator sem lastro não inferior a 600 kg, porém geralmente inferior a 6.000 kg e com uma bitola mínima das rodas traseiras superior a 1.150 mm.

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Quais os símbolos e termos abreviados nessa norma?

Qual deve ser a sequência dos ensaios?

Como deve ser efetuado o impacto traseiro?

Como deve ser executado o esmagamento na traseira?

Quais as tolerâncias das medições durante os ensaios?

O ensaio de estruturas de proteção na capotagem (EPC) para tratores agrícolas e florestais de rodas visa minimizar a probabilidade de lesão ao condutor resultante do tombamento acidental do trator durante a operação normal (por exemplo, trabalho no campo) do trator. A resistência da EPC é ensaiada pela aplicação de cargas de impacto dinâmicas e um ensaio de esmagamento estático para simular as cargas reais que podem ser impostas na cabine ou estrutura quando o trator tombar para trás ou para a lateral sem queda livre.

Os ensaios permitem que sejam realizadas observações sobre a resistência da estrutura e dos suportes de fixação do trator, e também das partes do trator que podem ser afetadas pela carga imposta na estrutura. Esta prescrição é feita para abranger ambos os tratores somente com a posição convencional do condutor voltado para frente, bem como aqueles com uma posição reversível do operador, que estejam de acordo com a prática aplicável do código de ensaio OECD. Para tratores com uma posição reversível do operador, uma área livre é definida como sendo as zonas livres combinadas para as duas posições de operação.

O ponto de aplicação da carga lateral é determinado como o ponto médio entre os pontos do índice do assento medidos nas duas posições. É reconhecido que pode haver projetos de tratores – por exemplo, tratores de jardim, tratores vinícolas estreitos, tratores de baixo vão livre utilizados em edificações baixas com zona livre limitada acima da cabeça, pomares, etc., tratores com vão livre alto e determinadas máquinas florestais, como transportadores autocarregáveis de toras – para os quais esta norma não é apropriada.

Pode-se definir a estrutura de proteção na capotagem (EPC) como a que protege os operadores de tratores agrícolas e florestais que minimiza a probabilidade de lesão ao operador resultante da capotagem acidental durante a operação normal. A EPC é caracterizada pelo fornecimento de espaço para uma zona livre, dentro do invólucro da estrutura ou dentro de um espaço delimitado por uma série de linhas retas, desde as bordas externas da estrutura até qualquer parte do trator que possa entrar em contato com o solo plano e que seja capaz de suportar o trator nessa posição se o trator tombar.

O ensaio de impacto deve ser realizado por meio dos elementos descritos em 5.2.1 a 5.2.5. Para o dispositivo para colisão contra a EPC, um bloco pendular com massa de 2.000 kg. A massa do bloco pendular não inclui a massa das correntes. A massa máxima da corrente deve ser de 100 kg. As dimensões do bloco deve ser suspenso de duas correntes dos pontos pivô a 6 m ou mais acima do nível do solo. O centro de gravidade do bloco pendular deve coincidir com seu centro geométrico.

Para os meios de amarrar o trator ao solo, ele  deve ser amarrado, por meio de cabos de aço que incorporem dispositivos tensores, a trilhos no solo, preferivelmente espaçados em aproximadamente 600 mm em toda a área imediatamente abaixo dos pontos pivô estendendo-se por aproximadamente 9 m ao longo do eixo do bloco pendular e aproximadamente 1.800 mm em cada lateral. Os pontos de fixação das amarras devem estar aproximadamente a 2.000 mm atrás do eixo traseiro e a 1 500 mm em frente ao eixo dianteiro. Deve haver duas amarrações em cada eixo: uma em cada lado do plano médio do trator.

As amarrações devem ser por cabos de aço de 12,5 mm a 15 mm de diâmetro, com resistência à tração de 1.100 MPa a 1.260 MPa. Detalhes dos meios de amarração são fornecidos nas Figuras 4, 5 e 6 (conferir na norma). Uma viga de madeira, com seção transversal de 150 mm × 150 mm, deve ser utilizada para calçar as rodas traseiras ao colidir na dianteira e traseira, e calçar a lateral das rodas dianteiras e traseiras ao colidir na lateral. A estrutura de proteção na capotagem deve ser fabricada segundo as especificações de produção e deve ser instalada no chassi apropriado do modelo de trator de acordo com o método de fixação declarado pelo fabricante.

Um ajuste de bitola para as rodas traseiras deve ser escolhido de forma que, na medida do possível, a EPC não seja apoiada pelos pneus durante o ensaio. Preferivelmente, convém que pneus com lonas diagonais sejam utilizados. A alavanca de marchas deve estar em neutro (ponto morto) e o freio de mão desacionado. Todas as janelas removíveis, painéis e conexões não estruturais removíveis devem ser removidos para que não contribuam para a resistência da EPC.

Nos casos onde for possível manter as portas e janelas abertas ou removê-las durante o trabalho, elas devem ser removidas ou mantidas abertas durante o ensaio para que não aumentem a resistência da estrutura de proteção. Deve ser observado se, nesta posição, elas criam um perigo para o condutor no caso de uma capotagem. Para o ensaio de impacto, a posição do bloco e de suas correntes de suporte deve ser selecionada de modo que o ponto de impacto esteja na borda superior da estrutura de proteção na capotagem e alinhado com o arco de deslocamento do centro de gravidade do bloco.

O trator deve ser posicionado e retido de forma segura na área abaixo dos pivôs de modo a ser colidido apropriadamente. Os pontos de fixação da amarração devem estar aproximadamente a 2 m atrás do eixo traseiro e a 1,5 m à frente do eixo dianteiro. Os pneus do trator devem ser inflados de acordo com os diferentes tipos de trator (o lastro de água não pode ser utilizado) e a amarração deve ser apertada para fornecer deformações apropriadas ao tipo de trator e pneu, conforme mostrado na tabela abaixo.

Para os ensaios de impacto na traseira e dianteira, o trator deve ser posicionado de modo que as correntes de suporte e a face do bloco pendular estejam em um ângulo de 20° em relação à vertical ao colidirem na EPC. Se o ângulo do componente da estrutura de proteção na capotagem no ponto de contato na deformação máxima durante o impacto for maior que 20° em relação à vertical, o ângulo do bloco deve ser ajustado por qualquer meio conveniente de modo que a face de impacto e o componente da EPC estejam paralelos ao ponto de impacto e na deformação máxima, estando as correntes de suporte a 20° em relação à vertical quando o bloco colidir na estrutura de proteção na capotagem.

Quando o ângulo for maior que 20°, o ajuste da face de impacto do bloco pendular deve ser baseado na deformação máxima estimada. No caso de uma EPC ter atendido às condições requeridas para aceitação e que é projetada para ser utilizada em outros modelos de tratores, o ensaio especificado na Seção 7 não precisa ser realizado em cada modelo de trator, desde que a EPC e o trator atendam às condições especificadas a seguir.

A massa do trator (3.2) do novo trator não pode exceder a massa de referência (3.3) utilizada no ensaio em mais de 5%. Se a altura de levantamento do bloco pendular para o impacto na traseira foi calculada pela equação alternativa 1 (ver 7.2.2), a distância entre eixos máxima não pode exceder a distância entre eixos de referência. Se a altura de levantamento do bloco pendular para o impacto na traseira foi calculada pela equação alternativa 2, o momento de inércia máximo sobre o eixo traseiro não pode exceder ao momento de inércia de referência.

O método de fixação e os componentes do trator pelos quais a fixação é realizada devem ser de resistência idêntica ou equivalente. Quaisquer componentes, como para-barros e coberturas, que possam fornecer suporte para a EPC, devem ser idênticos ou julgados para fornecer pelo menos o mesmo suporte. A posição e as dimensões críticas do assento na EPC e a posição relativa da estrutura de proteção na capotagem devem ser tais que a área livre tenha permanecido dentro da proteção da estrutura deformada durante todos os ensaios.

Nesses casos, o relatório de ensaio deve conter uma referência ao relatório de ensaio original. Se uma etiqueta for requerida, ela deve ser durável e permanentemente fixada na estrutura principal de modo que ela possa ser lida com facilidade. A etiqueta deve ser protegida contra danos e deve conter pelo menos as seguintes informações: nome e endereço do fabricante ou construtor da EPC; número de identificação da EPC (desenho ou número de série); marca, modelo (s) ou número (s) de série do trator na EPC correspondente; referência a esta norma.

Saúde e segurança no trabalho (SST)

E-book: Saúde e segurança no trabalho (SST): legislação, as NBR e a ISO 45001

Autor: Hayrton Rodrigues do Prado Filho

SUMÁRIO

PREFÁCIO

A falta de prevenção de lesões no trabalho pode ocasionar degenerações e até incapacitações, nos casos mais graves

Capítulo I – O contexto do acidente na SST

Capítulo II – Os requisitos da ISO 45001

Capítulo III – Os conceitos de perigo e de risco na SST

Capítulo IV – Os termos e as definições existentes na ISO 45001

Capítulo V – A consulta e a participação dos trabalhadores nos programas de SST

Capítulo VI – A informação documentada na SST

Capítulo VII – A importância dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) na SST

Capítulo VIII – Avaliando os perigos dos locais de trabalho

Capítulo IX – O planejamento e o controle operacional na SST

Capítulo X – A terceirização na SST

Capítulo XI – A avaliação de desempenho em SST

Capítulo XII – A melhoria contínua em SST

Capítulo XIII – As responsabilidade dos gestores em SST

Anexo – A ISO 45001 traduzida

Para comprar o e-book, envie um e-mail para hayrton@uol.com.br e receberá as instruções para receber o livro. Preço: R$ 150,00.

No Brasil, um acidente de trabalho ocorre a cada 48 segundos e a aproximadamente cada quatro horas uma pessoa morre na mesma circunstância.

Em 2017, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) contou 349.579 comunicações de acidentes de trabalho (CAT), referentes a acidentes e doenças, sem contar os acidentes de trajeto. Desse total, 10,6% (37.057) foram quedas com diferença de nível, isto é, ocorridas em ambientes altos, como plataformas, escadas ou andaimes. Das 1.111 mortes no âmbito laborativo, 14,49% (161) derivaram de quedas. Em fevereiro deste ano, foram constatados 18.000 acidentes de trabalho.

Em 2017, foram concedidos 196.754 benefícios a empregados afastados do trabalho por mais de 15 dias, em decorrência de problemas de saúde provocados por suas atividades. A média, conforme o INSS, foi de 539 afastamentos por dia.

Na lista do INSS sobre os quadros de adoecimento, no ano passado, destacam-se as reações ao estresse grave e transtornos de adaptação (sexto lugar), que justificaram 3.170 dos benefícios deferidos a trabalhadores; o transtorno depressivo recorrente (13ª), com 797 benefícios; e os 364 registros de transtorno afetivo bipolar (18º). Um aspecto preocupante é que o procedimento de amputação traumática de punho e mão aparece em oitavo lugar na tabela de afastamentos por acidente, com 4.682 incidências.

Além de prezar pelo bem-estar dos trabalhadores, a campanha é relevante porque, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o impacto das doenças e acidentes de causa laboral é equivalente a 4% do Produto Interno Bruto (PIB), que, no caso do Brasil, corresponde a prejuízos de R$ 200 bilhões por ano.à economia.

Segundo a Procuradoria do Trabalho, entre 2012 e 2016, o total de dias de expediente perdidos foi 318.000. A proporção do já elevado número fica imenso se complementado pelo valor desembolsado por empresários para o Seguro Acidente do Trabalho (SAT). De acordo com Clóvis Queiroz, assessor de Segurança e Saúde no Trabalho da Confederação Nacional de Saúde, este valor foi de R$ 62 bilhões, entre 2012 e 2015.

O indicador de gravidade, quando a queda provoca a morte do trabalhador, era de 113,49% em 1996, sendo reduzida, 20 anos depois, para 39,12%. Ele destacou ainda o aumento do número de acidentes de trajeto, que antes representavam 8% do total e passou para 22%. Eram 34.696. Em 2016, o número absoluto foi 108.150.

No ano passado, foram concedidos 132.704 benefícios por causa de acidentes por causa de acidentes de trabalho. As cinco principais causas de licença foram fratura de punho e de mão ((22.668 casos); fratura da perna, incluindo tornozelo (16.911); fratura do pé, exceto tornozelo (12.873); fratura do antebraço (12.327); e fratura do ombro e do braço (8.318).

Os benefícios concedidos em 2017 devido a adoecimentos somaram 64.050 benefícios. As cinco principais causas de licença foram dorsalgia, ou dor nas costas (12.073 casos); lesões do ombro (10.888); sinovite e tenossinovite, que são Inflamações do tecido que reveste articulações (4.521; mononeuropatias (lesões que afetam nervos) dos membros superiores (3.853); e outros transtornos de discos intervertebrais (3.221).

O pior de tudo: nos últimos cinco anos, ou seja, entre 2012 e 2018 os acidentes de trabalho custaram ao país R$ 27.300.000.000,00. Nesse período, os brasileiros perderam 318.400 dias de trabalho em razão desses acidentes, levando o país a ocupar o quarto lugar no ranking entre os que mais vitimam trabalhadores. Pelas médias apresentadas, este ano, conforme a projeção do Ministério Público do Trabalho (MPT), pode encerrar com um prejuízo de R$ 4 bi. Já ultrapassa R$ 1 bi, só no primeiro trimestre.

Nessa conta também não entra os danos futuros e psicológicos para os trabalhadores acidentados e a dor de parentes que perdem familiares em acidentes fatais. Segundo o MPT, esse prejuízo é consequência da falta de prevenção à saúde do trabalhador, que geram auxílios-doença, aposentadorias por invalidez, pensões por morte e auxílios-acidente cobertos pela Previdência Social.

A qualidade do sistema de armazenamento subterrâneo de combustíveis (SASC)

Os vazamentos de derivados de petróleo e outros combustíveis podem causar contaminação de corpos d’ água subterrâneos e superficiais, do solo e do ar. Assim, toda instalação e sistema de armazenamento de combustível configura-se como empreendimento potencial poluidor e gerador de acidentes ambientais.

No armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis, devem ser adotados métodos para detecção de vazamentos em sistemas de armazenamento de combustíveis subterrâneos, entre eles o monitoramento intersticial. O espaço intersticial é o espaço entre a parede interna (aço carbono) e a parede externa (termofixa) que permite o monitoramento da presença de líquidos, em um tanque de parede dupla.

A NBR 16619 de 07/2017 – Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis – Criação de espaço intersticial a partir da construção de parede dupla interna não metálica em tanques de parede simples, para armazenamento de líquido e combustível instalados em SASC estabelece os requisitos e procedimentos para criação de espaço intersticial a partir da construção de parede dupla interna em tanques de parede simples, para armazenamento de líquido e combustível instalados em SASC. Neste procedimento, aplica-se revestimento não metálico interno utilizando material adequado aos requisitos previstos nesta norma para a criação de espaço anular que permita a instalação de um sistema de monitoramento de vazamento.

Para aplicação desta norma, os seguintes itens devem ser atendidos: compósitos utilizados na aplicação do revestimento conforme a Seção 11; espessura do tanque metálico acima do limite mínimo admissível, conforme 10.1.2, garantida por pré-análise estrutural; tanque deve ser ensaiado conforme NBR 13784, e ser considerado estanque; tanque subterrâneo deve ter sido instalado conforme NBR 13781; todos os componentes do SASC, conforme NBR 13783, para posto revendedor; tanque fabricado conforme a norma vigente na época e com boca de visita com dimensional e conexões conforme NBR 16161; paralisação das atividades operacionais do posto revendedor ou ponto de abastecimento durante a execução dos serviços de desgaseificação conforme 8.3, e preparação de superfície conforme Seção 10.

O cumprimento dos requisitos e procedimentos para criação de espaço intersticial a partir da construção de parede dupla interna em tanque instalado deve ter sua conformidade certificada no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC). Para todas as fases e camadas de revestimento devem ser utilizadas resinas termofixas, epóxi ou poliéster com catalisador. Os sistemas de resinas utilizados podem ser: epóxi/epóxi, epóxi/poliéster ou poliéster/poliéster.

As resinas utilizadas devem ser compatíveis com a manutenção das especificações dos combustíveis armazenados, comprovada por laboratório acreditado no SBAC, através da realização dos ensaios estabelecidos na regulamentação da ANP por 60 dias de imersão da resina totalmente curada no combustível. A camada que fica em contato com o combustível deve ter espessura compatível com o sistema de resina empregado conforme recomendação do fabricante e em conformidade com as mesmas especificações do corpo de prova submetido aos ensaios. Caso seja utilizado o sistema epóxi para a construção desta camada, não podem ser aplicados aditivos que possam comprometer a resistência química do revestimento. O processo de cura e pós-cura deve seguir a orientação do fabricante.

Devem ser realizados ensaios para verificação das seguintes características do revestimento: resistência à flexão, conforme ASTM D 790; resistência ao impacto, conforme ASTM D 2794; dureza, conforme ensaio de dureza barcol da ASTM D 2583; integridade do filme, conforme ASTM D 543; aderência, conforme ASTM D 4541. Os corpos de prova devem ser ensaiados de acordo com os seguintes critérios: estabelecer valores de referência das propriedades fiscais, realizando ensaios citados em 6.1 em amostras do compósito novo (conjunto de revestimento). As amostras do composto podem ter suas propriedades físico-químicas modificadas ao entrarem em contato com os líquidos de imersão.

Após o estabelecimento destes valores referenciais, executar os ensaios de imersão conforme 6.3, terminado cada período de imersão, os corpos de prova devem ser novamente ensaiados, conforme 6.1 e os novos valores obtidos não podem ser inferiores a 30 % dos valores de referência para imersão em tolueno, xileno e água destilada, e 50 % dos valores de referência para os demais produtos citados em 6.3.

Os corpos de prova devem ser imersos nos líquidos mencionados na tabela abaixo por períodos de 1,3 e 6 meses a 38 °C ou 1,3, 6 e 12 meses a 23 °C. Os corpos de prova do material usados para o revestimento, retirados conforme especificado pelas correspondentes ASTM, devem ser ensaiados para determinar a compatibilidade do material com os produtos mencionados na tabela abaixo, que podem vir a ser armazenados no tanque.

Devem ser adotadas as práticas e procedimentos exigidos pelas NBR 14606 e NBR 14973, para limpeza e entrada, desgaseificação e ventilação do tanque, e qualquer trabalho a quente. Devem ser disponibilizados extintores de incêndio conforme estabelecido na NBR 14606. Toda a equipe envolvida nos trabalhos deve estar capacitada e treinada na utilização adequada dos extintores.

Deve ser assegurado que meios de comunicação estejam disponíveis em caso de emergência, e que a equipe envolvida nos trabalhos esteja ciente sobre para quem e para onde ligar, incluindo uma lista com telefones de emergência e com os recursos mais próximos para pronto atendimento. O trabalho não pode ser iniciado, se a direção do vento fizer com que os vapores expulsos do tanque sejam levados para áreas onde existem fontes ou potenciais fontes de ignição, ou para condições perigosas, como exposição a material tóxico.

Todas as tubulações e equipamentos ligados ao tanque devem ser desconectados. Após a desconexão, as tubulações devem ser tamponadas para assegurar que não haja a liberação de produtos ou vapores remanescentes. Deve ser assegurada a remoção ou o controle de todas as fontes de ignição na área em torno do tanque, da sua boca de visita e do ponto onde é feito o expurgo dos vapores removidos do tanque no processo, sempre que existir potencial de vapores inflamáveis serem expulsos para a atmosfera durante a preparação e aplicação do revestimento interno do tanque. Deve ser assegurado que não haja chama aberta e que equipamentos geradores de faíscas que estejam dentro de uma área com raio mínimo de 15 m (50 pés) ao redor do tanque sejam e permaneçam desligados. Os equipamentos elétricos usados na área de segurança devem ser à prova de explosão ou intrinsecamente seguros, conforme especificado pela NBR 14639, e devem ser inspecionados por uma pessoa qualificada e aprovados para uso em ambientes potencialmente perigosos.

Os equipamentos elétricos portáteis devem estar aterrados e conectados a dispositivos de desarme em caso de falha no aterramento, conforme NBR 5410. Deve ser designada pessoa capacitada para utilização de equipamento calibrado e aferido para teste de explosividade ao redor e a jusante do tanque durante a desgaseificação. O teor de oxigênio deve ser determinado antes da leitura da explosividade. Durante todo o processo de desgaseificação, o acesso ao posto deve ser interditado, as operações paralisadas e as instalações elétricas desligadas.

Somente após a conclusão deste processo o acesso ao posto deve ser permitido, as operações reiniciadas e as instalações elétricas religadas. A interdição do acesso ao posto deve ser feita mediante a utilização de fitas de sinalização ou similar com a presença de pessoas posicionadas adequadamente de modo a monitorar o perímetro interditado. Deve ser utilizado quadro elétrico temporário independente, para a ligação de todos os equipamentos elétricos necessários em todo o processo.

Todas as pessoas com permissão para entrar no tanque devem estar treinadas e familiarizadas com os procedimentos descritos na Seção 7 e na NBR 14606. Antes da entrada ou abertura da boca de visita, a atmosfera no interior do tanque deve ser ensaiada para os seguintes parâmetros: nível de oxigênio e o limite inferior de explosividade (LIE). Durante a permanência de pessoas no interior do tanque, deve ser mantida uma ventilação constante, que pode ser obtida através de um difusor de ar. Durante todo este período, a atmosfera no interior do tanque deve ser continuamente ensaiada para verificação dos níveis de oxigênio e LIE.

Todas as pessoas que acessarem o interior do tanque devem utilizar vestimentas e equipamento de proteção individual (EPI) conforme NBR 16577, incluindo botas resistentes a água e derivados do petróleo ou álcool, com solado isento de partes metálicas, roupas de proteção com mangas longas de material antiestático (por exemplo, algodão) e botas impermeáveis. Durante os serviços realizados no interior do tanque, deve ser disponibilizado sistema que permita o resgate rápido de pessoas de seu interior, em casos de emergência.

Todos os equipamentos de iluminação, portáteis ou não, que vierem a ser utilizados no interior do tanque, devem ser à prova de explosão ou intrinsecamente seguros. Todos os envolvidos com o processo de aplicação de revestimento interno em tanques devem estar cientes das precauções que devem ser tomadas para a garantia de sua saúde e segurança, conforme a seguir: manter os combustíveis distantes dos olhos, pele e boca, pois podem provocar sérias lesões ou mesmo a morte se inalados, absorvidos pela pele ou ingeridos; manter as áreas de trabalho dentro e em volta do tanque limpas e ventiladas; limpar imediatamente qualquer tipo de derrame.

O manuseio e disposição dos resíduos gerados durante o processo devem estar de acordo com as regulamentações e legislação em vigor. Deve-se ser utilizada água e sabão neutro ou qualquer outro produto aprovado para a limpeza de qualquer resíduo de combustíveis, de derivados de petróleo ou resíduo químico que entre em contato com a pele. Nunca utilizar gasolina ou solventes similares para a remoção de produto na pele. Os uniformes ou roupas de proteção que tenham sido encharcados com combustíveis devem ser deixados para secar ao ar livre, distantes de qualquer fonte de ignição ou centelha.

Deve-se obedecer aos limites de exposição aos produtos e utilizar o equipamento de proteção individual adequado, além de se evitar contato da pele e dos olhos com produto, borras, resíduos e incrustações, e evitar a inalação de vapores. Manter produto, borras, resíduos e incrustações longe dos olhos, pele e boca uma vez que oferecem riscos à saúde se forem inalados, absorvidos através da pele ou ingeridos. A remoção de incrustações em tanques que contiveram gasolina pode produzir atmosferas com quantidades prejudiciais de benzeno.

Todos os envolvidos no processo de aplicação do revestimento interno devem estar cientes de que, quando altas concentrações de vapores de hidrocarbonetos são inaladas, podem aparecer sintomas de intoxicação. Estes sintomas variam desde uma simples tontura ou sensação de euforia até inconsciência e são similares aos produzidos por bebidas alcoólicas ou gases anestésicos.

Caso os sintomas anteriormente descritos sejam identificados em qualquer indivíduo, este deve ser removido imediatamente para um local arejado. Quando a exposição a estes vapores for pequena, o simples fato de se respirar ar puro promove uma rápida recuperação. Nas situações em que ocorra uma parada respiratória, deve ser administrada imediatamente respiração por meios artificiais, seguida de uma imediata remoção para o hospital mais próximo.

Os envolvidos no processo de aplicação devem ser informados sobre os riscos à saúde e segurança e precauções cabíveis, para o controle da exposição aos materiais, produtos e substâncias utilizadas na aplicação do revestimento interno com base na FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos). Todos os envolvidos no processo de aplicação de revestimento interno devem estar cientes dos riscos à saúde e segurança que são gerados pelas substâncias comumente encontradas em tanques para armazenamento de combustíveis.

A ergonomia na movimentação manual de cargas conforme as normas técnicas

Hayrton Rodrigues do Prado Filho, jornalista profissional registrado no Ministério do Trabalho e Previdência Social sob o nº 12.113 e no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo sob o nº 6.008

O ser humano, antes de carregar um peso, deve proceder, com antecedência, a verificação do caminho que será utilizado. Assim, o fará de forma confiante e segura. Deve eliminar todos os obstáculos de seu caminho. No entanto, não se esqueça daqueles, cuja remoção não for possível fazer. Habitue-se a, antecipadamente, verificar com cuidado o peso e o volume que for conduzir, para se certificar do equilíbrio do carregamento.

Para um trabalhador, os limites de pesos que podem ser levantados sem causar problemas à sua saúde: homens adultos (de 18 a 35 anos), 40 kg, para as mulheres, 20 kg; homens de 16 a 18 anos, 16 kg, mulheres, 8, kg; e com menos de 16 anos deve ser proibido. Recomenda-se para as mulheres 50% dos valores máximos de levantamento de peso indicados para os homens, porque, geralmente, elas têm: menor tolerância ao trabalho físico pesado; menor massa muscular; menor peso, o que faz com que o peso do corpo sobre o centro de gravidade seja menor.

Com a finalidade de não prejudicar o desenvolvimento do esqueleto, recomenda-se aos jovens, de 16 a 18 anos, que executem, ocasionalmente, o levantamento de, no máximo, 40% do peso destinados aos adultos. O levantamento de peso para pessoas idosas deve ser evitado, pois seus ossos tendem a ser mais frágeis.

Assim, pode-se acrescentar que o transporte manual de cargas envolve partes ou todo o corpo e, mesmo que a carga a movimentar não seja muito pesada ou volumosa, a baixa eficiência do sistema muscular humano torna este trabalho pesado, provocando rapidamente fadiga com consequências gravosas, nomeadamente aumentando o risco de ocorrência de acidentes de trabalho ou de incidência de doenças profissionais.

Os estudos biomecânicos assumem particular importância nas tarefas de transporte e levantamento de cargas, comuns a um grande número de atividades, responsáveis por várias lesões, por vezes irreversíveis ou de difícil tratamento, sobretudo ao nível da coluna. A coluna vertebral, devido à sua estrutura em discos, é pouco resistente a forças contrárias ao seu eixo. Quando se levanta a carga na posição ereta, o esforço de compressão distribui-se uniformemente sobre a superfície total de vértebras e discos.

Nesta posição consegue-se reduzir em cerca de 20% a compressão nos discos, em relação ao levantamento na posição curvada. Existem dois tipos de levantamento de cargas no trabalho: o levantamento esporádico: relacionado com a capacidade muscular; e o levantamento repetitivo: onde acresce a capacidade energética do trabalhador e a fadiga física.

Quanto as normas técnicas a serem cumpridas, uma delas é a NBR ISO 11228-1 de 03/2017 – Ergonomia – Movimentação manual – Parte 1: Levantamento e transporte de cargas especifica os limites recomendados para o levantamento manual e transporte de cargas, levando em consideração a intensidade, a frequência e a duração da tarefa. Foi elaborada para prover orientações para a avaliação das muitas variáveis que compõem uma tarefa, de maneira a permitir a avaliação dos riscos para a saúde dos trabalhadores.

A NBR ISO 11228-2 de 06/2017 – Ergonomia — Movimentação manual – Parte 2: Empurrar e puxar fornece os limites recomendados para empurrar e puxar com todo o corpo. Fornece orientações sobre a avaliação dos fatores de risco considerados importantes para empurrar e puxar manualmente, permitindo que os riscos de saúde para a população trabalhadora sejam avaliados.

A NBR ISO 11228-3 de 04/2014 – Ergonomia — Movimentação manual – Parte 3: Movimentação de cargas leves em alta frequência de repetição fornece recomendações ergonômicas para tarefas de trabalho repetitivo que envolvem movimentação manual de cargas leves em alta frequência. Também fornece orientações sobre a identificação e avaliação de fatores de risco comumente associados à movimentação de cargas leves em alta frequência, permitindo, assim, a avaliação dos riscos de saúde relacionados à população trabalhadora.

As três partes da NBR ISO 11228 estabelecem recomendações ergonômicas para diferentes tarefas de movimentação manual. Todas as partes se aplicam tanto a atividades profissionais, quanto a atividades não ocupacionais. Estas normas fornecem informações para projetistas, empregadores, funcionários e outros envolvidos na organização do trabalho, trabalho e design de produto. Esta norma está relacionada à NBR ISO 11226. A Parte 1 é a primeira norma sobre movimentação manual.

Os distúrbios do sistema musculoesquelético são comuns no mundo inteiro e representam um dos distúrbios mais frequentes em saúde ocupacional. Fatores como o tamanho e massa do objeto manuseado, postura no trabalho, frequência e duração da movimentação manual, sozinhos ou combinados, podem contribuir para que a movimentação se torne perigosa e represente risco para o aparecimento de distúrbios musculoesqueléticos.

É conveniente especificar os limites de massa recomendados para manuseio de objetos em combinação com posturas de trabalho, frequência e duração da movimentação manual que se poderia razoavelmente esperar das pessoas quando executam atividades relacionadas com à movimentação de objetos.

A abordagem ergonômica tem impacto significativo na redução de riscos de atividades que envolvam levantamento e transporte de cargas. Uma boa organização do trabalho é particularmente importante, especialmente no que diz respeito às tarefas e postos de trabalho, o que pode incluir o uso de recursos auxiliares apropriados.

A ideia é fornecer uma abordagem passo a passo para estimar os riscos para a saúde do trabalhador associados ao com levantamento e transporte manual de cargas, bem como aos limites propostos em cada passo. Adicionalmente, são apresentadas sugestões práticas ergonômicas para a organização da movimentação manual nos Anexos A, B e C. O modelo de avaliação de risco (risk assessment) apresentado permite a estimativa do risco associado à tarefa de movimentação de material. Ele considera os perigos (hazard), (condições desfavoráveis) relacionados ao levantamento manual e ao tempo gasto com este tipo de atividade.

Podem ser condições desfavoráveis o manuseio de objetos com peso (massa) elevado ou posturas inadequadas (awkward postura) requeridas durante o processo de movimentação de peso tais como torções ou inclinações do tronco, ou ainda, alcance distante. A Parte 2 fornece informações tanto sobre elevação repetitiva e não repetitiva. Os limites recomendados fornecidos baseiam-se na integração de dados derivados de quatro grandes áreas de pesquisa, como: abordagens epidemiológica, biomecânica, fisiológica e psicofísica.

Nos casos em que o levantamento e a movimentação manual não forem possíveis de serem evitados, convém que uma avaliação de riscos à saúde e à segurança seja realizada, considerando a massa do objeto, a pega usada para o manuseio, o controle do objeto em relação à posição do corpo, a frequência e a duração de uma tarefa específica. A avaliação de risco pode ser realizada usando uma abordagem passo a passo.

A cada passo sucessivo, o avaliador precisa julgar os aspectos inter-relacionados das várias tarefas. Ressalta-se que convém que os empregadores informem e treinem seus funcionários para todas as situações descritas na NBR ISO 11228. Os funcionários e outras pessoas podem diminuir o risco de lesões, adotando maneiras seguras de movimentação manual (Ver Anexo A da parte 1).

A avaliação de risco consiste em quatro fases: reconhecimento do perigo, identificação do risco, estimativa de risco e avaliação de risco de acordo com as ISO 14121, EN 1005-2 e ISO/IEC Guia 51. Para informações sobre identificação de risco, ver o Anexo A da parte 1.

Caso os limites recomendados sejam excedidos, convém que medidas sejam tomadas para evitar que a tarefa seja feita manualmente ou para adaptá-la de forma que todas as questões de cada passo sejam solucionadas. O objetivo principal da redução de risco é tomar medidas para melhorar a organização do trabalho de movimentação manual de cargas: a tarefa, o objeto e o ambiente de trabalho, tendo como objetivo a adaptação às características dos indivíduos, conforme apropriado. Não convém que se conclua que somente o fornecimento de informações e o treinamento serão suficientes para assegurar uma movimentação manual segura (ver Anexo A).

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Ao tentar evitar lesões causadas pela movimentação manual, é importante perguntar se a movimentação manual de objetos poderia ser totalmente eliminada. Convém que os responsáveis pelo projeto dos novos sistemas de trabalho, ou instalação de novas fábricas, considerarem a possibilidade de introduzir um sistema integrado de movimentação que, quando apropriado, utilize totalmente a movimentação mecânica ou motorizada, em vez de um sistema manual.

No entanto, convém que se lembre que a introdução de automação ou mecanização pode criar outros riscos diferentes. A mecanização, por exemplo, pela introdução de uma empilhadeira, guincho, carrinho, carro-armazém, inversor de paletes, etc., precisará ser bem conservada e convém que um sistema de relatório e correção de defeito seja instalado.

Convém que todos os acessórios de movimentação sejam compatíveis com o resto do sistema de trabalho; convém que todos sejam eficazes, apropriadamente projetados e de fácil operação. Convém que o treinamento sobre os acessórios de movimentação abranja o uso e o conhecimento de armazenagem segura e de procedimentos a serem usados no caso de uma avaria.

Convém que este treinamento também inclua técnicas sobre as posições adequadas do corpo durante o uso do equipamento. Convém que as instruções de operação e questões com segurança sejam fixadas no equipamento.

No caso de puxar que é esforço físico humano quando a força motriz estiver na frente do corpo e este ficar ereto ou se movimentar para trás e empurrar que é o esforço físico humano quando a força motriz for direcionada para frente, e para longe, do corpo do operador enquanto estiver de pé ou se movimentar para frente, dor, fadiga e distúrbios do sistema musculoesquelético podem ser resultados de tarefas de movimentação manual inadequadas e/ou forçadas, como empurrar ou puxar objetos.

Dor e fadiga musculoesqueléticas podem influenciar o controle postural e aumentar a probabilidade de práticas perigosas de trabalho, levando a um maior risco de lesão, assim como uma redução na produtividade e qualidade de rendimento de trabalho. Um bom projeto ergonômico pode fornecer uma abordagem para evitar esses efeitos adversos.

As forças iniciais são usadas para superar a inércia do objeto ao iniciar ou mudar a direção do movimento. Forças sustentadas são aquelas usadas para manter o movimento do objeto. As forças iniciais são normalmente maiores que as forças sustentadas e, portanto, convém que sejam mantidas ao mínimo.

Convém que o início, parada e manobra frequentes do objeto sejam evitados. Convém que a aplicação contínua e suave de força seja aplicada no objeto, evitando movimentos súbitos e longa duração. Convém que as forças sustentadas sejam evitadas, pois aumentam o risco de fadiga muscular ou de corpo inteiro.

A movimentação de cargas leves em alta frequência (trabalho repetitivo) pode causar dor e fadiga, que podem levar a doenças musculoesqueléticas, produtividade reduzida e coordenação deteriorada de postura e movimento. Isto pode aumentar o risco de erros e pode resultar em qualidade reduzida e situações perigosas.

Um bom projeto ergonômico e uma organização apropriada de trabalho são requisitos básicos para evitar os efeitos adversos mencionados. Fatores de risco e trabalho repetitivo incluem a frequência das ações, duração da exposição, posturas e movimento de segmentos do corpo, forças associadas com o trabalho, organização do trabalho, controle da tarefa, exigências sobre o resultado do trabalho (por exemplo, qualidade, precisão da tarefa) e nível de treinamento/habilidade.

Fatores complementares podem incluir fatores ambientais como clima, ruído, vibração e iluminação. As recomendações dadas por esta parte3 são baseadas em evidência científica relacionada à fisiologia e à epidemiologia do trabalho manual. O conhecimento é, no entanto, limitado, e as orientações sugeridas são sujeitas à mudança de acordo com pesquisa futura.

Assim, convém que tarefas de risco de movimentação manual sejam evitadas sempre que possível. Isso pode ser conseguido por meio de enriquecimento de tarefas, revezamento de tarefas e/ou mecanização/automação dentro da estrutura de abordagem ergonômica participativa. No caso de movimentação repetitiva de cargas leves em alta frequência, muitas tarefas podem ser modificadas por meio do uso de robótica ou sistemas automatizados de produção.

Uma “abordagem ergonômica participativa” significa o envolvimento prático de trabalhadores, apoiado por uma comunicação adequada para planejar e administrar uma quantidade significativa de suas atividades laborais, com conhecimento e habilidade suficientes para influenciar os processos e os resultados para atingir objetivos desejáveis. Quando a movimentação repetitiva for inevitável, convém que uma abordagem de quatro passos, envolvendo avaliação de risco e redução de risco, seja adotada, de acordo com o ISO Guia 51 e a ISO 14121. Os quatro passos são identificação, estimativa, avaliação e redução de risco.

Hayrton Rodrigues do Prado Filho é jornalista profissional, editor da revista digital Banas Qualidade e editor do blog https://qualidadeonline.wordpress.com/hayrton@hayrtonprado.jor.br