O turismo sustentável precisa ganhar espaço no Brasil

capa_livroÉ SUSTENTABILIDADE SUSTENTÁVEL?

Se o termo sustentabilidade está sendo usado para definir ações e atividades humanas que visam suprir as necessidades atuais dos seres humanos, sem comprometer o futuro das próximas gerações, também está está diretamente relacionada ao desenvolvimento econômico e material sem agredir o meio ambiente, usando os recursos naturais de forma inteligente para que eles se mantenham no futuro. Seguindo estes parâmetros, a humanidade pode garantir o desenvolvimento sustentável. Nesse livro, o autor afirma que tudo isso implica em um legado que será deixado para as futuras gerações em termos de meio ambiente saudável e de disponibilidade de recursos naturais essenciais para que também possam sobreviver e prosperar.

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O turismo é uma atividade do setor terciário e que vem crescendo cada vez mais no Brasil e no mundo. A riqueza de opções em entretenimento e lazer que o país tem a oferecer ao turista brasileiro e estrangeiro são diversas, em destaque as belas praias que despertam o interesse de investimento por empresários, na construção de complexos hoteleiros e parques aquáticos. As regiões costeiras, os campos, as montanhas, os lagos e os rios, juntamente com o clima, constituem os recursos naturais para a realização da experiência turística e existem independentemente da presença de visitantes, mas poderão ter a sua disponibilidade e suas características afetadas por eles. Com o crescimento acelerado do turismo e o grande número de empreendimentos implantados, se faz necessário uma maior preocupação em relação aos impactos negativos causados sobre as paisagens dos locais frequentados pelos visitantes e isso precisa ser melhor estudado para tudo ser baseado na sustentabilidade.

turismoUm estudo denominado Documento Referencial Turismo no Brasil 2011-2014 apresenta uma avaliação sobre o dinamismo do setor dentro do ambiente econômico nacional e internacional e procura se antecipar aos principais desafios que a iniciativa pública e a privada terão para preparar o turismo brasileiro para a Copa do Mundo de 2014. O estudo aponta para a consolidação do turismo como produto de consumo do brasileiro. Estima-se que os desembarques domésticos saltem dos 56 milhões, registrados em 2009, para 73 milhões, em 2014. Projeta-se também a geração de 2 milhões de empregos formais e informais de 2010 a 2014. A entrada de divisas internacionais deverá crescer 55%, no mesmo período, subindo de R$ 6,3 bilhões para R$ 8,9 bilhões no ano de realização da Copa no Brasil.

Contudo, deve-se ressaltar que as construções de empreendimentos turísticos para atender esses visitantes provocam uma série de efeitos negativos sobre o meio ambiente: A devastação das florestas, a erosão das encostas, a destruição da cobertura vegetal do solo, a ameaça de extinção de várias espécies da fauna e da flora, a poluição sonora, a visual e atmosférica, além da contaminação das águas de lagos, rios e oceanos. Diante de todos esses efeitos deve-se buscar responder o seguinte questionamento: Quais os impactos ambientais gerados por um empreendimento turístico? A deterioração dos ambientes urbanos pela poluição sonora, visual e atmosférica, a violência, os congestionamentos e as doenças provocadas pelo desgaste psicofísico das pessoas são as principais causas da fuga das cidades e da busca do verde nas viagens de férias e de finais de semana. Nessas ocasiões, o homem urbano, agredido em seu próprio meio, passa a agredir os ambientes alheios. Trata-se de um círculo vicioso que é preciso romper por meio de planejamento dos centros urbanos e de medidas enérgicas que visem à conscientização para preservação dos meios naturais, promovendo a sua conservação e perenização.

O impacto ambiental é entendido como qualquer alteração nas propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem estar da população, as atividades sociais e econômicas, a biota, as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos ambientais. É essencial que as empresas tenham plena consciência de todos os impactos gerados por sua atividade, para que dessa forma possa preparar-se e realizar os procedimentos indicados em cada caso. Cada atividade gera um tipo, ou vários tipos de resíduos diferenciados, sendo, portanto, não viável a adoção de tratamentos generalizados. É preciso tomar algumas iniciativas, alinhadas à preocupação com a questão ambiental, que dão o subsídios para que a exploração do turismo em diversas áreas do mundo possam acontecer, assegurado a sustentabilidade do meio ambiente e a consolidação do setor turístico, não como usurpador dos recursos naturais e econômicos de uma região, mas, como agente facilitador da preservação ambiental e do surgimento de novas oportunidades de crescimento econômico, social e humano.

Por todos esses desafios, a NBR 15401, de 2006, especifica os requisitos relativos à sustentabilidade de meios de hospedagem, estabelecendo critérios mínimos específicos de desempenho em relação à sustentabilidade e permitindo formular uma política e objetivos que levem em conta os requisitos legais e as informações referentes aos impactos ambientais, socioculturais e econômicos significativos, de acordo com explicações do presidente da Target Engenharia e Consultoria, Mauricio Ferraz de Paiva. “Ela se aplica aos aspectos que podem ser controlados pelo empreendimento ou sobre os quais ele possa exercer influência e em qualquer meio de hospedagem que deseje implementar, manter e aprimorar práticas sustentáveis para as suas operações, assegurar-se de sua conformidade com sua política de sustentabilidade definida, demonstrar tal conformidade a terceiros e buscar a certificação segundo essa norma por uma organização externa”, explica.

Segundo ele, o turismo – que é um dos maiores segmentos econômicos do mundo -, é cada vez mais objeto de atenção em relação à sua potencial contribuição para o desenvolvimento sustentável e ao mesmo tempo quanto aos impactos que pode provocar nos campos ambiental, sociocultural e econômico. As organizações de todos os tipos no setor do turismo estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um desempenho correto em relação à sustentabilidade, gerindo o impacto de suas atividades, produtos ou serviços, levando em consideração sua política e seus objetivos de sustentabilidade. “Esse comportamento se insere no contexto de uma legislação cada vez mais exigente, do desenvolvimento de políticas econômicas, de outras medidas destinadas a estimular a proteção ao meio ambiente e ao patrimônio cultural e de uma crescente preocupação das partes interessadas, em particular os clientes, em relação à qualidade, às questões ambientais e ao desenvolvimento sustentável”, assegura.

Em vista disso, muitas iniciativas têm se desenvolvido com o propósito de promover o turismo sustentável. Entre elas, o desenvolvimento de normas que estabeleçam os requisitos mínimos para o turismo sustentável, aliadas a mecanismos de certificação, tem se destacado como uma das tendências mais presentes no mercado internacional, despertando o maior engajamento das partes interessadas. Essa norma estabelece requisitos para meios de hospedagem que possibilitem planejar e operar a s suas atividades de acordo com os princípios estabelecidos para o turismo sustentável. Tendo sido redigida de forma a aplicar-se a todos os tipos e portes de organizações e para adequar-se a diferentes condições geográficas, culturais e sociais, mas com atenção particular à realidade e à aplicabilidade às pequenas e médias empresas. Nesse sentido, essa NBR estabelece requisitos objetivos que podem ser verificados, seja para fins de certificação, seja para os empreendimentos efetuarem autoavaliações fidedignas e comprováveis.

O presidente da Target destaca que existe uma importante distinção entre esta especificação, que descreve os requisitos para a sustentabilidade de um meio de hospedagem, possibilitando a sua verificação e inclusive a certificação, e uma diretriz não certificável destinada a prover orientação genérica a um meio de hospedagem que visa implementar ou aprimorar práticas de turismo sustentável. Para Mauricio, a sustentabilidade do turismo é fundamentada por um conjunto mínimo de princípios. “Várias iniciativas têm sido empreendidas para estabelecer esse conjunto mínimo de princípios. Embora variem em termos de redação, de uma forma geral, os diversos conjuntos de princípios disponíveis têm um núcleo essencial comum”.

O turismo deve respeitar a legislação vigente em todos os níveis no país e as convenções internacionais de que o país é signatário. Outra é garantir os direitos das populações locais , já que o turismo deve buscar e promover mecanismos e ações de responsabilidade social, ambiental e de equidade econômica, inclusive a defesa dos direitos humanos e de uso da terra, mantendo ou ampliando, a médio e longo prazos, a dignidade dos trabalhadores e comunidades envolvidas. Outra iniciativa é conservar o ambiente natural e sua biodiversidade, pois em todas as fases de implantação e operação, o turismo deve adotar práticas de mínimo impacto sobre o ambiente natural, monitorando e mitigando efetivamente os impactos, de forma a contribuir para a manutenção das dinâmicas e processos naturais em seus aspectos paisagísticos, físicos e biológicos, considerando o contexto social e econômico existente. Também deve considerar o patrimônio cultural e os valores locais.

O turismo deve reconhecer e respeitar o patrimônio histórico-cultural das regiões e localidades receptoras e ser planejado, implementado e gerenciado em harmonia com as tradições e valores culturais, colaborando para seu desenvolvimento. Igualmente, deve estimular o desenvolvimento social e econômico dos destinos turísticos. O turismo deve contribuir para o fortalecimento das economias locais, a qualificação das pessoas, a geração crescente de trabalho, emprego e renda e o fomento da capacidade local de desenvolver empreendimentos turísticos”, acrescenta.
Para ser sustentável, o turismo deve avaliar a satisfação do turista e verificar a adoção de padrões de higiene, segurança, informação, educação ambiental e atendimento estabelecidos, documentados, divulgados e reconhecidos. E deve estabelecer procedimentos éticos de negócio, visando engajar a responsabilidade social, econômica e ambiental de todos os integrantes da atividade, incrementando o comprometimento do seu pessoal, fornecedores e turistas, em assuntos de sustentabilidade, desde a elaboração de sua missão, objetivos, estratégias, metas, planos e processos de gestão.

Mais informações sobre a NBR15401 de 10/2006, clique no link:

NBR 15401 – Meios de hospedagem – Sistema de gestão

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