Perguntas poderosas podem turbinar os resultados de suas equipes

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As perguntas possuem, de maneira geral, três dimensões, são elas a forma de construção, o escopo e os pressupostos. Todas elas devem ser cuidadosamente analisadas na elaboração das perguntas poderosas.

Manoel Escobedo Fernandez

A rotina de muitos gestores é solucionar problemas, seja apoiando a resolução, cobrando, incentivando, analisando em conjunto ou resolvendo de forma direta e pessoalmente os problemas. O desejo e a necessidade dos gestores é ter pessoas em suas equipes que os ajudem a resolverem os problemas que aparecem.

Essa equipe preparada não é resultado da sorte e sim de um árduo trabalho da liderança, a fim de desenvolver pessoas para os desafios atuais. Um dos papéis das lideranças é desenvolver as pessoas.

A resolução de problemas ultrapassa as questões do conhecimento técnico e das metodologias de análise e resolução de problemas, que certamente são muito importantes, mas não são suficientes.

Segundo Albert Einstein, se ele estivesse diante de um problema vital, do qual dependesse sua vida e tivesse apenas uma hora para resolvê-lo, passaria 55 minutos pensando em qual seria a pergunta correta a ser feita para depois resolvê-lo em cinco minutos. Podemos assim, entender o poder que tem uma pergunta feita da melhor maneira, no momento certo e para a pessoa correta.

As perguntas podem levar uma pessoa à reflexão, ao cultivo de sentimentos positivos, ao foco no futuro, a deixar o papel de vítima de lado, a sair da defensiva e certamente levar a ação correta. Entendendo isso como verdade a pergunta errada, da forma errada e para pessoa errada pode ter um efeito maléfico para as organizações. A grande questão agora é como fazer as perguntas certas e poderosas.

As perguntas possuem, de maneira geral, três dimensões, são elas a forma de construção, o escopo e os pressupostos. Todas elas devem ser cuidadosamente analisadas na elaboração das perguntas poderosas. As perguntas possuem também algumas propriedades, devem ser focadas no futuro, preferencialmente devem ser perguntas abertas e levar o interlocutor a ação.

As perguntas podem ser abertas ou fechadas, as abertas levam o interlocutor a reflexão, as questões fechadas normalmente conduzem o interlocutor a responder com apenas uma palavra, por exemplo, sim/não ou concordo/discordo, limitando o pensamento mais abrangente. Um exemplo de pergunta fechada seria: O projeto está atrasado? A resposta é sim ou não neste caso. Transformando essa pergunta em aberta teríamos algo como: Em sua visão como está o andamento do projeto? Ou Quais são os pontos críticos no andamento do projeto? Ou ainda O que podemos fazer para garantir que o projeto seja concluído no prazo?

A arte de fazer perguntas está em simplesmente agir com respeito e empatia e ter atenção às dimensões das questões. A forma como construímos uma pergunta pode fazer uma enorme diferença na maneira que pensamos para respondê-la, abrindo nossas mentes ou fechando. Uma questão pode também nos colocar em uma situação defensiva, como por exemplo: Por que o projeto está atrasado? As perguntas construídas com Por que, podem remeter o interlocutor a procurar justificativas e ou “desculpas” para responder a questão, levando o foco para o problema e não para solução. Na figura 1 temos as formas usuais de construção das perguntas e sua escala de poder.

figura 1

Figura 1 : Construções típicas

As perguntas do tipo Por que devem ser sempre usadas com cautela, pois as perguntas devem ser focadas na ação e no futuro, ao invés de Por que o projeto está atrasado? Prefira questões que levem a reflexões positivas e não defensivas, como O que podemos aprender com esse projeto sobre a gestão dos prazos? Ou também focando no futuro e nas possibilidades de ação podemos perguntar: Como podemos minimizar ou recuperar o atraso deste projeto?

As perguntas do tipo Por que são muito mais eficientes com máquinas e equipamentos do que com pessoas. No caso de máquinas e equipamentos é aconselhável fazer uma séria de porquês até encontrar a causa raiz da questão.

Por exemplo, Por que tem óleo no chão? Porque a bomba está vazando? Por que a bomba está vazando? Porque está com vazamento na junta? Por que está com vazamento na junta? Porque a junta não foi trocada? Por que a junta não foi trocada? Porque o operador esqueceu-se de trocar.

A partir deste momento deixamos de lidar com máquinas e equipamentos e passamos a lidar com pessoas, portanto ao invés da questão Por que você esqueceu-se de trocar a junta da bomba? Prefira algo focado no futuro e que seja direcionada a ação (ver tabela).

FRACA

PODEROSA

Por que fez isso?

O que deve ser feito a partir de agora?

Por que você errou?

O que descobriu que deve ser diferente?

Por que você esqueceu?

Como podemos evitar esquecimentos?

Quem foi o culpado?

Quem mais pode ajudar nos ajudar na solução definitiva do problema?

Por que tem que ser sempre assim?

O que devemos ajustar para evitar eventos como esse?

Quanto aos escopo, uma pergunta será mais efetiva quando é feita para a pessoa correta, ou seja, a questão é feita diretamente para a pessoa que tem responsabilidade e poder sobre a resposta que será dada. Como podemos melhorar a performance da corporação?; Como podemos melhorar a performance da empresa?; Como podemos melhorar a performance do seu departamento?; Como podemos melhorar a performance da máquina cinco?

Podemos verificar que o compromisso da resposta muda quando a pergunta é realizada de acordo com o escopo correto, assim evitamos “palpites” como resposta, os “palpites” são bem vindos em determinadas situações, como em reuniões de “brainstorm”, onde os “palpites” podem servir como “insights”.

Normalmente, quando perguntamos a um operador de máquinas de um determinado setor da empresa como podemos reduzir custos na empresa? Ele certamente será capaz de apresentar uma grande lista de oportunidades, porém se perguntarmos como podemos reduzir custos na sua área? A lista será significativamente menor, no entanto serão oportunidades mais factíveis e que ele mesmo poderá colocar em prática.

Naturalmente assumimos o papel de vítima, dizendo que o problema está sempre em outra área, em outro turno, etc. Provavelmente se perguntarmos para um professor como o seu colega de trabalho poderia melhorar a aula? Ele terá uma longa resposta com muitos palpites, mas se perguntarmos como pode melhorar a sua própria aula? O nível de compromisso e engajamento será completamente diferente.

Para tornar as perguntas mais poderosas é preciso definir o escopo precisamente, dentro dos limites da realidade, conforme a situação e problema que está sendo vivenciado. O escopo não deve ser grande e nem pequeno demais e sim o justo e necessário com a situação e com o interlocutor.

Os pressupostos embutidos nas perguntas são normalmente fontes de grandes problemas no processo de comunicação dentro das empresas. A palavra comunicação vem do latim “communis”, que significa comum, carregando a ideia de comunhão, comunidade, portanto comunicar significa tornar comum, estabelecer a comunhão. Uma comunidade são pessoas que têm ideias e ou objetivos comuns (Koutantos, 2009, p. 43).

Analisando a pergunta, Como podemos implantar um sistema de treinamento e-learning na empresa para melhorar nossos treinamentos? Essa questão carrega diferentes pressupostos:

– Precisamos de outro sistema de treinamento;

– Um sistema de e-learning é a melhor solução;

– Nossos treinamentos não estão bons.

Caso algum desses pressupostos não sejam comuns às equipes podem causar problemas. Caso sejam pressupostos comuns as equipes, ou seja, uma comunidade, a pergunta é pertinente.

Para formular perguntas poderosas, devemos estar cientes dos pressupostos carregados pela questão e pelos interlocutores e usá-los adequadamente. Isso pode ajudar ou dificultar a exploração de novos caminhos de pensamento. Um exercício muito produtivo e interessante é alternar propositalmente os pressupostos das questões desafiando os paradigmas atuais. Temos como exemplos:

– O que devemos fazer para ser o melhor departamento da empresa?;

– O que devemos fazer para ser o melhor departamento para empresa?;

– Como podemos competir com a empresa X?;

– Como podemos nos aliar com a empresa X?

As perguntas poderosas devem ser feitas no momento certo, para isso podemos classificar as perguntas, segundo David Verble do Lean Enterprise Institute, em três tipos:

Perguntas Exploratórias: Que visam entender o problema e explorar as sua possibilidades, por exemplo, Qual é o problema? Por que isso é um problema? Quais são as consequências do problema? Como o problema se apresenta? Como percebemos o problema?

Perguntas de Diagnóstico: Que visam diagnosticar a situação atual, por exemplo, Onde ocorre o problema? Onde não ocorre o problema? Quando começou o problema? O que mudou no processo? Por que o problema ocorre? Qual a causa do problema?

Perguntas desafiadoras: Que visam desafiar as soluções e as equipe, não aceitando as primeiras respostas como verdadeiras, buscando soluções mais efetivas, perenes e com menor custo, como por exemplo, Por que você acredita que esta é a causa do problema? O que te leva a crer que se fizermos isso resoveríamos este problema? Com base em quais fatos ou informações você chegou a conclusão que esta é a causa do problema? Como você garante que se fizermos isso este problema não ocorrerá novamente? Como fazer isso com menor custo para a empresa? Como fazer isso mais rápido? São utilizadas para fazer a pessoa refletir se o curso de ação proposto é eficaz e se ele/ela pensou em todas as alternativas possíveis. Ferro (2012)

Essa é uma divisão cronológica, eu exploro os dados e fatos do problema para diagnosticar as causas e propor uma solução. Somente depois de executarmos as etapas anteriores é que podemos fazer perguntas desafiadoras com objetivo de desenvolver as pessoas, os processos e os sistemas da empresa.

Essa divisão cronológica nos ajuda a fazer as perguntas certas na hora certa, imaginemos um alto executivo de uma empresa perguntar: Qual é a causa do problema? Se a equipe estiver na fase exploratória, essa questão vai certamente causar mais complicações do que qualquer outra coisa.

Durante as visitas ao Gemba, nas reuniões de análise crítica dos processos e nas reuniões de acompanhamento dos projetos, boas perguntas podem ajudar a romper os bloqueios mentais, incentivar a criatividade, promover o trabalho em equipe e a cooperação, nos levar a diferentes respostas que criam alternativas variadas e ilimitadas, Boris (2004). “Perguntas fracas nos mantêm prisioneiros das formas tradicionais de pensar e fornecem respostas convencionais e óbvias”, Boris (2004).

As respostas para as perguntas poderosas serão realmente poderosas na medida em que as respostas forem factuais e não baseadas em “achômetros”, por tanto, o pensamento e métodos estatísticos, como teste de hipóteses e cartas de controle são ferramentas importantes nesse processo como um todo.

As boas perguntas desenvolvem as pessoas, enriquecem a abordagem dos problemas, promovem a ação, criam um ambiente de respeito mútuo e desenvolve nas pessoas as posturas e os comportamentos vencedores.

Para Porter (1990) a vantagem competitiva de uma empresa não pode ser compreendida observando a empresa como um todo, ela tem sua origem nas inúmeras atividades diárias e na abordagem das diversas situações e dos problemas, portanto desenvolver as equipes através das perguntas poderosas é um fator de competitividade da empresa. Consiste na parte não visível do iceberg.

Bibliografia

Artigo – Pergunta certa na hora certa, José Roberto Ferro Presidente do Lean Institute Brasil. São Paulo. 2012

Adaptação do texto fonte de: Boris R. Drizin, Diretor da TIMING DESENVOLVIMENTO EMPRESARIAL. 2004

KOUTANTOS, Dimitrios. Dicionário de Etimologia. São Paulo. 2009

PORTER, Michael – Vantagem Competitiva: Criando e sustentando um desempenho superior. Rio de Janeiro Editora Campus 1990.

Manoel Escobedo Fernandez é master black belt e responsável de excelência operacional e logística da Elekeiroz.

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O contraste das prioridades


NBR 9603 de 12/2015: como realizar a sondagem a trado

Qual a aparelhagem a ser utilizada para a sondagem a trado? Quais os requisitos específicos para a execução…

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A priorização pode ser facilitada pela matriz de causa e efeito (CE).

Scott Force

Os profissionais de qualidade podem não atender a todas as reclamações de clientes, remover todos os defeitos ou ter todas as soluções para o processo de implementação que a equipe desenvolve, por isso a priorização é vital. Isso mantém a orientação para resolver os problemas mais significativos e a implementação de soluções que proporcionam uma maior impacto na organização.

Como engenheiro de qualidade certificado, eu aprendi muitas técnicas para melhorar os processos, mas nada aconteceu até que eu recebi meu treinamento em Lean Six Sigma Black Belt e descobri a matriz de causa e efeito (CE), a ferramenta que tenho usado extensivamente na priorização dos elementos.

Como parte da metodologia de implantação da função de qualidade (QFD), a matriz CE permite avaliar ou comparar vários elementos através de uma lista de atributos em intervalos definidos para a sua pontuação. A Tabela 1 mostra um exemplo de uma matriz CE utilizada para a comparação em entrevistar candidatos com base em três atributos: anos de experiência em Lean Six Sigma, pretensão salarial e número de projetos concluídos.

As duas principais características da matriz são o peso ou o nível de importância e os critérios de pontuação para os atributos em uma escala de zero, um, três ou nove. No desenvolvimento do QFD, seus facilitadores querem criar um contraste maior entre os atributos fortes (marcar nove) dos mais fracos (escores de zero, um ou três). No exemplo da entrevista (ver Tabela 1), o perfil de pontuação permite que os candidatos que receberam um nove em um ou mais atributos têm mais influência sobre a priorização final para entrevistas futuras. (1)

As estimativas para a pontuação são simples: o peso ou o nível de importância de cada atributo é multiplicado pela avaliação feita pelos clientes desse atributo. Estes resultados são adicionados na linha horizontal e fornecem os pontos finais.(2) A Tabela 1 mostra os candidatos A, B e D com um conjunto de número maior de atributos preferidos para a posição, o que garante o monitoramento das comunicações ou de verificação para determinar como proceder em entrevistas futuras.

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table1

No contexto dos projetos Lean Seis Sigma, a matriz CE reduz a lista de entradas no processo e como eles se relacionam com as suas saídas. Isso ajuda as equipes a investigar várias coisas: como proceder através da fase de medição do processo para definir, medir, analisar, melhorar e controlar (DMAIC); melhor priorização de melhorias para testar a fase de melhoria; e como a matriz pode ser usada como uma ferramenta de planejamento estratégico, comparando os processos em toda a organização para decidir onde concentrar os esforços de melhoria.

A matriz CE permite uma abordagem metódica e disciplinada para processo de abordagem de melhoria que é semelhante a outros métodos, como o ciclo Plan-Do-Check-e DMAIC. Isto é o que sempre me impressionou na melhoria de processos: embora eu possa ignorar as soluções para os problemas que são atribuídos à minha equipe, sei que após o meu treinamento e contando com as minhas ferramentas, sempre eu terei uma alta probabilidade de sucesso.

Referências

(1) Louis Cohen, Quality Function Deployment: How to Make QFD Work for You, Prentice Hall, 1995, p. 144.

(2) Scott Force, Creative Combination, Quality Progress, março de 2012, p. 72.

Scott Force é engenheiro de qualidade e especialista em Six Sigma Black Belt certificado pela ASQ. Ele obteve seu diploma de bacharel em engenharia industrial pela Universidade de Miami em Oxford, Ohio. Force é um membro sênior da ASQ e Six Sigma Master Black Belt formado por Sigma Breakthrough Technologies Inc.

Fonte: Quality Progress – http://asq.org/qualityprogress/index.html

Tradução: Hayrton Rodrigues do Prado Filho

O emprego de cor nas tubulações evita acidentes

tubulacoesA sinalização de segurança trata das fixações de cores padrão que devem ser usadas nos locais de trabalho para a prevenção de acidentes, identificando os equipamentos de segurança, delimitando áreas, identificando as canalizações empregadas para a condução de líquidos e gases, e advertindo contra riscos. No caso das tubulações, a NBR 6493 (NB54) de 10/1994 – Emprego de cores para identificação de tubulações fixa condições exigíveis para o emprego de cores na identificação de tubulações para a canalização de fluidos e material fragmentado ou condutores elétricos, com a finalidade de facilitar a identificação e evitar acidentes.

Aplica-se à identificação de tubulações de maneira geral, podendo ser complementada por normas específicas, indicadas pela necessidade de determinadas atividades. O uso de cores e outros recursos diversos para identificação, incluindo sinalização para identificação de substâncias perigosas, de recipientes para movimentação de materiais e rotulagem preventiva, são muito importantes para a segurança dos funcionários e para a planta industrial.

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tabela_tubulações

As funções das cores na segurança incluem a prevenção de acidentes; a identificação dos equipamentos de segurança; a delimitação de áreas; a identificação de tubulações de líquidos e gases advertindo contra riscos; a identificação e a advertência acerca dos riscos existentes. A utilização das cores não dispensa o emprego de outras formas de prevenção de acidentes.

O uso de cores deverá ser o mais reduzido possível, a fim de não ocasionar distração, confusão e fadiga ao trabalhador. São adotadas as seguintes cores básicas na pintura das tubulações, aplicadas em toda a sua extensão, ou na seção média das faixas: alaranjado-segurança: produtos químicos não gasosos; amarelo-segurança: gases não liquefeitos; azul-segurança: ar comprimido; branco: vapor; cinza-claro: vácuo; cinza-escuro: eletroduto; cor-de-alumínio: gases liquefeitos, inflamáveis e combustíveis de baixa viscosidade (por exemplo: óleo diesel, gasolina, querosene, óleo lubrificante, solventes); marrom-canalização: materiais fragmentados (minérios), petróleo bruto; preto: inflamáveis e combustíveis de alta viscosidade (por exemplo: óleo combustível, asfalto, alcatrão, piche); verde-emblema: água, exceto a destinada a combater incêndio; vermelho-segurança: água e outras substâncias destinadas a combater incêndio.

É adotado, com a presente norma, o quadro-código constante do Anexo. É permissível a aplicação parcial da faixa de identificação (na face exposta), no caso de tubulação encostada em parede ou outro obstáculo.

O uso de cores adicionais nas seções extremas das faixas de identificação é indicado à vista da variedade de conteúdo das tubulações. As faixas de identificação das tubulações devem ter a largura de 40 cm.

A faixa de identificação, quando usada, é dividida em três seções tais que haja a relação de 2:1 entre a extensão da seção média, destinada à cor básica, e a das seções externas, destinadas a cores adicionais. Sempre que necessário, devem ser apostas às faixas, indicações que facilitem a identificação do conteúdo. Estas indicações devem ser escritas em preto sobre as cores cujo numerador da fração do código Munsell for igual ou maior do que cinco e em branco, quando menor que cinco.

As indicações relativas à pressão devem ser dadas na unidade Pascal (Pa), do Sistema Internacional de Unidades (SI). A disposição das faixas de identificação deve ser tal, que torne possível a identificação da tubulação, sem, para isso, ser necessário ao observador percorrê-la.

Quando a identificação se fizer através de faixas, é obrigatória sua existência nos pontos em que haja possibilidade de desconexão, nos pontos de inspeção, junto a válvulas e em qualquer ponto onde seja importante assegurar a identificação, como nas proximidades de parede ou outro obstáculo atravessado pela tubulação.

Nos casos de tubulações destinadas a água ou espuma para combate a incêndio, a pintura de identificação deve ser feita, obrigatoriamente, em toda a extensão da tubulação. O quadro-código, constante do Anexo, pode ser aplicado aos reservatórios de armazenagem de fluidos identificados por retângulos, cuja maior dimensão deve ser 1/10 do diâmetro e a menor dimensão 1/40 do diâmetro, dividida a maior dimensão, quando necessário, em três partes.

Esses retângulos devem ser colocados em posição que permita a sua observação a partir das válvulas. O fabricante de tinta que adotar as especificações constantes desta norma, deve comparar o produto fabricado com a especificação adotada, sob luz solar normal média (aproximadamente 6800 K).

Como condições específicas, junto à faixa de identificação, podem constar, se necessário, para efeito de informação mais pormenorizada, o sentido em que se desloca o fluido, e constantes físicas que interessem do ponto de vista da segurança da operação. Pode ser usada a palavra “VENENO”, acompanhada de um símbolo, quando julgado conveniente.

Os anéis em cor-de-alumínio, que caracterizam as linhas de espuma, têm a largura de 5 cm e devem existir, com intervalos regulares, em toda a extensão da tubulação. Quando não houver contraste suficiente entre a cor da faixa de identificação e a da pintura geral, deve ser a primeira delimitada por traços de, no máximo, 2 cm de largura, pretos ou brancos, na forma do critério. A tubulação de água potável deve ser diferenciada, de forma inconfundível, com a letra P, em branco, sobre a pintura geral de identificação em verde-emblema, colocada tantas vezes quantas forem necessárias.

Uma nova itemização na NBR ISO 14001 de 10/2015

14001A implantação sistematizada de processos de gestão ambiental tem sido uma das respostas das empresas a muitas pressões pela melhoria ambiental. Assim, ela no âmbito das empresas tem significado a implementação de programas voltados para o desenvolvimento de tecnologias, a revisão de processos produtivos, o estudo de ciclo de vida dos produtos e a busca por produtos mais sustentáveis, buscando cumprir imposições legais, aproveitar oportunidades de negócios e investir na imagem institucional.

Conforme definido na norma relacionando com os seus itens, um sistema de gestão conjunto de elementos inter-relacionados ou interativos de uma organização (3.1.4), para estabelecer políticas, objetivos (3.2.5) e processos (3.3.5) para alcançar esses objetivos. Um sistema de gestão pode abordar uma única disciplina ou várias disciplinas (por exemplo, gestão da qualidade, gestão ambiental, gestão da saúde e segurança ocupacional, gestão da energia, gestão financeira). Os elementos do sistema incluem a estrutura da organização, papéis e responsabilidades, planejamento e operação, avaliação de desempenho e melhoria. O escopo de um sistema de gestão pode incluir a totalidade da organização, funções específicas e identificadas da organização, seções específicas e identificadas da organização, ou uma ou mais funções dentro de um grupo de organizações. Um sistema de gestão ambiental é parte do sistema de gestão (3.1.1) usado para gerenciar aspectos ambientais (3.2.2), cumprir requisitos legais e outros requisitos (3.2.9), e abordar riscos e oportunidades (3.2.11).

Dessa forma, o sistema de gestão ambiental deve envolver as seguintes áreas de atividades das empresas: elaboração de políticas (estratégia), auditoria de atividades, administração de mudanças, e comunicação e aprendizagem dentro e fora da empresa. A gestão ambiental torna-se um importante instrumento gerencial para capacitação e criação de condições de competitividade para as organizações, qualquer que seja o seu segmento econômico. As ações de empresas em termos de preservação, conservação ambiental e competitividade estratégica – produtos, serviços, imagem institucional e de responsabilidade social – passaram a consubstanciar-se na implantação de sistemas de gestão ambiental para obter reconhecimento da qualidade ambiental de seus processos, produtos e condutas obtidos por meio de certificação voluntária

Foi publicada a nova versão da NBR ISO 14001 de 10/2015 – Sistemas de gestão ambiental — Requisitos com orientações para uso que especifica os requisitos para um sistema de gestão ambiental que uma organização pode usar para aumentar seu desempenho ambiental. Esta norma é destinada ao uso por uma organização que busca gerenciar suas responsabilidades ambientais de uma forma sistemática, que contribua para o pilar ambiental da sustentabilidade.

Ela auxilia uma organização a alcançar os resultados pretendidos de seu sistema de gestão ambiental, os quais agreguem valor para o meio ambiente, a organização em si e suas partes interessadas. Os resultados pretendidos de um sistema de gestão ambiental coerente com a política ambiental da organização incluem: aumento do desempenho ambiental; atendimento dos requisitos legais e outros requisitos; alcance dos objetivos ambientais.

É aplicável a qualquer organização, independentemente do seu tamanho, tipo e natureza, e se aplica aos aspectos ambientais das suas atividades, produtos e serviços que a organização determina poder controlar ou influenciar, considerando uma perspectiva de ciclo de vida. Contudo, não determina critérios de desempenho ambiental específicos.

Pode ser usada na íntegra ou em parte para sistematicamente melhorar a gestão ambiental. As declarações de conformidade com esta norma, entretanto, não são aceitáveis, a menos que todos os seus requisitos sejam incorporados ao sistema de gestão ambiental da organização e atendidos sem exclusões. Dessa forma, alcançar um equilíbrio entre o meio ambiente, a sociedade e a economia é considerado fundamental para que seja possível satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer as suas necessidades. O objetivo do desenvolvimento sustentável é alcançado com o equilíbrio dos três pilares da sustentabilidade.

As expectativas da sociedade em relação ao desenvolvimento sustentável, à transparência e à responsabilização por prestar contas têm evoluído com a legislação cada vez mais rigorosa, crescentes pressões sobre o meio ambiente, decorrentes de poluição, uso ineficiente de recursos, gerenciamento impróprio de rejeitos, mudança climática, degradação dos ecossistemas e perda de biodiversidade. Importante observar que foi usada a expressão “responsabilização por prestar contras” como tradução de “accountability” para evitar confusão com a tradução do termo “responsibility”.

Com isso, as organizações têm adotado uma abordagem sistemática na gestão ambiental, com a implementação de sistemas de gestão ambiental que visam contribuir com o pilar ambiental da sustentabilidade. Observa-se que o objetivo desta norma é prover às organizações uma estrutura para a proteção do meio ambiente e possibilitar uma resposta às mudanças das condições ambientais em equilíbrio com as necessidades socioeconômicas.

Ela especifica os requisitos que permitem que uma organização alcance os resultados pretendidos e definidos para seu sistema de gestão ambiental. Uma abordagem sistemática para a gestão ambiental pode prover a Alta Direção de uma empresa com as informações necessárias para obter sucesso em longo prazo e para criar alternativas que contribuam para um desenvolvimento sustentável, por meio de: proteção do meio ambiente pela prevenção ou mitigação dos impactos ambientais adversos; mitigação de potenciais efeitos adversos das condições ambientais na organização; auxílio à organização no atendimento aos requisitos legais e outros requisitos; aumento do desempenho ambiental; controle ou influência no modo em que os produtos e serviços da organização são projetados, fabricados, distribuídos, consumidos e descartados, utilizando uma perspectiva de ciclo de vida que possa prevenir o deslocamento involuntário dos impactos ambientais dentro do ciclo de vida; alcance dos benefícios financeiros e operacionais que podem resultar da implementação de alternativas ambientais que reforçam a posição da organização no mercado; comunicação de informações ambientais para as partes interessadas pertinentes.

Esta norma, assim como outras, não se destina a aumentar ou alterar os requisitos legais de uma organização. O sucesso de um sistema de gestão ambiental depende do comprometimento de todos os níveis e funções da organização, começando pela Alta Direção. As organizações podem alavancar as oportunidades de prevenção ou mitigação dos impactos ambientais adversos e intensificar os impactos ambientais benéficos, particularmente aqueles com implicações estratégicas e competitivas.

A Alta Direção pode efetivamente abordar seus riscos e oportunidades, integrando a gestão ambiental aos processos dos negócios da organização, o direcionamento estratégico e à tomada de decisão, alinhando-os com outras prioridades de negócios e incorporando a governança ambiental em seu sistema de gestão global. A demonstração de uma implementação bem-sucedida desta norma pode ser utilizada para assegurar às partes interessadas que a organização possui um sistema de gestão ambiental eficaz em operação.

No entanto, a adoção desta norma por si só não garante resultados ambientais ideais. A sua aplicação pode diferir de uma organização para outra devido ao contexto da organização. Duas organizações distintas podem executar atividades semelhantes e ao mesmo tempo possuir diferentes requisitos legais e outros requisitos, comprometimento em suas políticas ambientais, tecnologias ambientais e metas de desempenho ambiental, ainda que ambas atendam aos seus requisitos.

O nível de detalhe e complexidade do sistema de gestão ambiental variará dependendo do contexto da organização, do escopo do seu sistema de gestão ambiental, de seus requisitos legais e outros requisitos e da natureza de suas atividades, produtos e serviços, incluindo seus aspectos ambientais e impactos ambientais associados. A base para a abordagem que sustenta um sistema de gestão ambiental é fundamentada no conceito Plan-Do-Check-Act (PDCA).

O ciclo PDCA fornece um processo iterativo utilizado pelas organizações para alcançar a melhoria contínua. Pode ser aplicado a um sistema de gestão ambiental e a cada um dos seus elementos individuais. O ciclo PDCA pode ser brevemente descrito: Plan (planejar): estabelecer os objetivos ambientais e os processos necessários para entregar resultados de acordo com a política ambiental da organização; Do (fazer): implementar os processos conforme planejado; Check (checar): monitorar e medir os processos em relação à política ambiental, incluindo seus compromissos, objetivos ambientais e critérios operacionais, e reportar os resultados; e Act (agir): tomar ações para melhoria contínua.

A Figura 1 mostra como a estrutura apresentada na norma poderia ser integrada ao ciclo PDCA, o qual pode ajudar usuários novos ou existentes a entender a importância de uma abordagem de sistemas.

pdca_14001

A norma teve várias mudanças em seus itens: Entendendo a organização e seu contexto 4.1; Entendendo as necessidades e expectativas de partes interessadas 4.2; Determinando o escopo do sistema de gestão ambiental 4.3; Liderança e comprometimento 5.1; Ações para abordar riscos e oportunidades (somente título) 6.1; Generalidades 6.1.1; Planejamento de ações 6.1.4; Objetivos ambientais e planejamento para alcançá-los (somente título) 6.2; Objetivos ambientais 6.2.1; Planejamento de ações para alcançar os objetivos ambientais 6.2.2; Informação documentada (somente título) 7.5; Generalidades 7.5.1; Criando e atualizando 7.5.2; Controle de informação documentada 7.5.3; Não conformidade e ação corretiva 10.2; e Melhoria contínua 10.3.

Bastante consistente é o item Ações para abordar riscos e oportunidades. A intenção geral do(s) processo(s) estabelecido(s) é assegurar que a organização seja capaz de alcançar os resultados pretendidos do seu sistema de gestão ambiental, prevenir ou reduzir os efeitos indesejados, e alcançar a melhoria contínua. A organização pode assegurar isto determinando seus riscos e oportunidades que precisam ser abordados e planejando ação para abordá-los.

Estes riscos e oportunidades podem ser relacionados aos aspectos ambientais, requisitos legais e outros requisitos, outras questões ou outras necessidades e expectativas das partes interessadas. Os aspectos ambientais podem criar riscos e oportunidades associados com impactos ambientais adversos, impactos ambientais benéficos e outros efeitos na organização.

Os riscos e oportunidades relacionados aos aspectos ambientais podem ser determinados como parte da avaliação da significância ou determinados separadamente. Os requisitos legais e outros requisitos podem criar riscos e oportunidades, como falha no atendimento (que pode prejudicar a reputação da organização ou resultar em ação judicial), ou ir além de seus requisitos legais e outros requisitos (que pode aumentar a reputação da organização).

A organização pode também ter riscos e oportunidades relacionados a outras questões, incluindo condições ambientais ou necessidades e expectativas das partes interessadas, as quais podem afetar a capacidade da organização em alcançar os resultados pretendidos de seu sistema de gestão ambiental, por exemplo: derramamento ambiental devido a barreiras de alfabetização ou idioma entre os trabalhadores que não estão aptos a entender os procedimentos de trabalho local; aumento de inundação devido à mudança climática que poderia afetar as instalações da organização; escassez de recursos disponíveis para manter um sistema de gestão ambiental eficaz devido a restrições econômicas; introdução de nova tecnologia, financiada por subsídios governamentais, a qual poderia melhorar a qualidade do ar; escassez de água durante períodos de seca, que poderia afetar a capacidade da organização de operar seus equipamentos de controle de emissão.

As situações de emergência são eventos não planejados ou inesperados que precisam da aplicação urgente de competências, recursos ou processos específicos, para prevenir ou mitigar suas consequências reais ou potenciais. As situações de emergência podem resultar em impactos ambientais adversos ou outros efeitos na organização.

Convém que, ao determinar as potenciais situações de emergência (por exemplo, incêndio, derramamento químico, condições climáticas severas), considere: a natureza dos perigos no local (por exemplo, líquidos inflamáveis, tanques de armazenamento e gases comprimidos); o mais provável tipo e a escala de uma situação de emergência; o potencial para situações de emergência em instalações próximas (por exemplo, fábrica, estrada, linha férrea).

Embora riscos e oportunidades necessitem ser determinados e abordados, não há qualquer requisito para gestão de risco formal ou um processo documentado de gestão de risco. Cabe à organização selecionar o método que usará para determinar seus riscos e oportunidades. O método pode envolver um processo qualitativo simples ou uma avaliação quantitativa completa, dependendo do contexto no qual a organização opera.

Uma organização determina seus aspectos ambientais e os impactos ambientais associados, e determina aqueles que são significativos e, portanto, precisam ser abordados pelo seu sistema de gestão ambiental. As alterações para o meio ambiente, adversas ou benéficas, que resultem total ou parcialmente dos aspectos ambientais, são chamadas de impactos ambientais.

Eles podem pode ocorrer em escalas local, regional e global, e também pode ser direto, indireto ou cumulativo por natureza. A relação entre os aspectos ambientais e impactos ambientais é de causa e efeito. Quando são determinados os aspectos ambientais, a organização considera a perspectiva de ciclo de vida.

Isto não requer uma avaliação detalhada do ciclo de vida; o pensamento cuidadoso sobre os estágios do ciclo de vida que podem ser controlados ou influenciados pela organização é suficiente. Os estágios típicos do ciclo de vida de um produto (ou serviço) incluem aquisição de matéria-prima, projeto, produção, transporte/entrega, uso, tratamento pós-uso e disposição final.

Os estágios do ciclo de vida que são aplicáveis irão variar dependendo da atividade, produto ou serviço. Uma organização precisa determinar os aspectos ambientais dentro do escopo do seu sistema de gestão ambiental.

Ela pode levar em consideração as entradas e saídas (ambos pretendidos ou não pretendidos) que estão associados com as atividades, produtos ou serviços atuais e passados pertinentes; planejamento ou novos desenvolvimentos; e atividades, produtos ou serviços novos ou modificados. Convém que o método usado considere condições normais e anormais de operação, condições de desligamento e inicialização, bem como situações de emergência razoavelmente previsíveis já identificadas.

Convém que seja prestada atenção às ocorrências anteriores de situações de emergência. Uma organização não tem que considerar cada produto, componente ou matéria prima individualmente para determinar e avaliar seus aspectos ambientais; ela pode agrupar e categorizar atividades, produtos e serviços quando eles tiverem características comuns.

Na determinação de seus aspectos ambientais, a organização pode considerar: emissões para o ar; lançamentos em água; lançamentos em terra; uso de matérias-primas e recursos naturais; uso de energia; emissão de energia (por exemplo, calor, radiação, vibração (ruído) e luz); geração de rejeito e/ou subprodutos; e uso do espaço. Além dos aspectos ambientais que podem ser controlados diretamente, uma organização determina se há aspectos ambientais que ela pode influenciar.

Estes podem ser relacionados com produtos e serviços utilizados pela organização, que são fornecidos por outros, bem como produtos e serviços que ela fornece a outros, incluindo aqueles associados com processo(s) terceirizado(s). Com relação àqueles que uma organização fornece a outros, ela pode ter influência limitada no uso e tratamento pós-uso dos produtos e serviços.

Em todas as circunstâncias, entretanto, é a organização que determina a extensão de controle que ela é capaz de exercer, os aspectos ambientais que ela pode influenciar e a extensão para os quais ela escolhe exercer tal influência. Convém que sejam considerados os aspectos ambientais relacionados às atividades, produtos e serviços da organização, como: o projeto e desenvolvimento de suas instalações, processos, produtos e serviços; a aquisição de matérias primas, incluindo extração; processos operacionais ou de fabricação, incluindo o armazenamento; operação e manutenção de instalações, recursos organizacionais e infraestrutura; desempenho ambiental e práticas de provedores externos; transporte de produtos e prestação de serviços, incluindo a embalagem; armazenamento, uso e tratamento pós-uso dos produtos; e gestão de rejeitos, incluindo a reutilização, recuperação, reciclagem e disposição.

Não há um método único para determinar aspectos ambientais significativos, entretanto, convém que o método e o critério utilizados forneçam resultados coerentes. A organização estabelece o critério para determinar seus aspectos ambientais significativos.

Os critérios ambientais são critérios básicos e mínimos para a avaliação dos aspectos ambientais. O critério pode estar relacionado com o aspecto ambiental (por exemplo, tipo, tamanho, frequência) ou o impacto ambiental (por exemplo, escala, severidade, duração, exposição). Outro critério pode também ser usado.

Um aspecto ambiental pode não ser significativo quando se considera somente critério ambiental. Ele pode, entretanto, alcançar ou exceder o limite determinado de significância quando outros critérios são considerados. Estes outros critérios podem incluir questões organizacionais, bem como requisitos legais ou preocupações de partes interessadas.

Estes outros critérios não são intencionalmente usados para rebaixar um aspecto que é significativo, com base no seu impacto ambiental. A significância do aspecto ambiental pode resultar em um ou mais impactos ambientais significativos e pode, portanto, resultar em riscos e oportunidades que necessitam ser abordados para assegurar que a organização possa alcançar os resultados pretendidos de seu sistema de gestão ambiental.

A organização determina, em um nível suficiente de detalhe, os requisitos legais, que são aplicáveis aos seus aspectos ambientais, e como eles se aplicam à organização. Os requisitos legais e outros requisitos incluem requisitos legais que uma organização tem de cumprir e outros requisitos que a organização tem de cumprir ou opta por cumprir. Os requisitos legais mandatórios relacionados aos aspectos ambientais de uma organização podem incluir, se aplicável: os requisitos de organizações governamentais ou outras autoridades pertinentes; as leis e os regulamentos internacionais, nacionais e locais; os requisitos especificados em permissões, licenças ou outras formas de autorização; ordens, regras ou orientações de agências regulamentadoras; e sentenças de tribunais ou órgãos administrativos.

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Processo administrativo na Receita pode salvar empresa

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Leonardo de Andrade, advogado e consultor tributário do Rocha Calderon e Advogados Associados

Constantemente, as empresas vêm sendo sufocadas pela grande carga tributária, que afeta seu patrimônio, impede o desenvolvimento econômico e compromete a livre iniciativa e a capacidade contributiva, direitos que são garantidos pela Constituição Federal de 1988. É compreensível que a União, os Estados e os Municípios necessitem levantar fundos para seus cofres a fim de possibilitar a consecução de suas finalidades e atender os interesses da coletividade. No entanto, considerando que nem sempre existe uma distribuição equitativa da pesada carga tributária, em consonância com a capacidade contributiva dos particulares e as pessoas que sofrem maior exigência, é possível minimizar os custos fiscais.

O contribuinte deve exercer discricionariamente seus negócios e gerir seu patrimônio, tudo respaldado no princípio da autonomia da vontade, ou seja, na liberdade de ação; desde que não extrapole os limites legais, não sofra nenhuma limitação ou cerceamento no seu direito de agir e que, dessa forma, garanta o direito de planejar o pagamento de seus tributos. Além da natureza lícita, o planejamento tributário se delineia em conformidade com a situação econômica e fiscal do contribuinte, buscando, assim, adotar procedimentos juridicamente legais que reduzam a carga tributária, embasados no Direito Tributário e demais princípios Gerais do Direito.

A partir desse ponto, se torna necessário o desenvolvimento de um planejamento tributário com a finalidade de preservar, administrativamente ou judicialmente, o direito de revisar e recuperar créditos tributários. Mas, tendo em vista a morosidade do judiciário brasileiro, situação esta não exclusiva mas sim política na grande maioria, resolver as questões administrativamente propicia ao contribuinte a possibilidade de um respiro financeiro em curto prazo.

O cerne do planejamento tributário é o de que muitos empreendedores não seguem a legislação para aplicar as regras sobre o que pode ou não ser utilizado como benefício fiscal de acordo com o ramo de atividade, bem como o que pode ser ressarcido para diminuir a carga tributária.  Com isso, o custo fiscal gera um impacto, geralmente, fatal, especialmente para organizações enquadradas pelo lucro real. Para ilustrar, segundo dados publicados pelo IOB  (Informações Objetivas Publicações Jurídicas), o número de empresas de diferentes ramos como indústria, comércio e serviços, de médio e grande porte, que deixa de se apropriar dessa potencial totalidade de créditos chega a 82%.

Diante dessas incoerências fiscais, a viabilização da saúde orçamentária da empresa em curto prazo por meio da administração eficiente da carga tributária e avaliação de possíveis restituições em dinheiro de tributos já pagos surge como uma esperança para muitos empreendedores. Isso porque a Receita Federal disponibiliza a possibilidade de restituição,  via administrativa, – ou seja, evitando longos processos judiciais -, dos valores pagos a mais de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ).

Na verdade, a restituição de imposto pago a mais não é uma novidade, mas é muito comum se pensar que só existe essa possibilidade para pessoa física. Até porque, a orientação de como deve ser declarado o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) é amplamente divulgado pelos veículos de comunicação.

Por isso, ouvir falar em restituição em dinheiro em curto prazo para personalidades jurídicas soa como novidade. Para exemplificar, recentemente, uma empresa do ramo de terceirização de mão-de-obra restituiu a quantia de R$ 6 milhões em menos de seis meses após a protocolização do processo administrativo. Uma devolução dessa monta é significativa e pode ser crucial para a manutenção das atividades, sem entrar no mérito da função social da preservação dos empregos.

Além da devolução do dinheiro, outro ponto importante é o correto enquadramento fiscal e a redução mensal de contribuições tributárias. Esse processo administrativo via Receita Federal, no caso dos tributos federais, embora seja de fácil acesso, é complexo, pois é necessário o cruzamento de todas as informações já enviadas ao fisco, as contribuições e impostos já pagos, para avaliar se existem restituições. Sendo verificada a irregularidade das contribuições dos últimos cinco anos, é possível impetrar processo administrativo junto à Receita em que se contesta e solicita restituição de valores fiscais pagos a mais.

Diante dessa oportunidade que a própria Receita disponibiliza para lidar com a alta carga tributária brasileira que acompanha as empresas desde a sua criação e consolidação no mercado, os gestores precisam mudar a cultura de que somente a figura do contador é necessária para a empresa. O planejamento consubstanciado em um revisão fiscal lícita é uma das alternativas para mudar as estatísticas do Sebrae de que uma  a cada quatro novas empresas fecha em até dois anos após a fundação.

É preciso se conscientizar que escritórios de contabilidade são processadores de informações e vão enviar as guias de recolhimento fiscal conforme as informações obtidas pelos próprios gestores. O empresário necessita ter conhecimento sobre a economia, enquadramento e, especialmente, sobre a carga tributária e obrigações jurídicas que podem causar transtornos para o seu próprio negócio. Com isso, evitam-se essas discrepâncias na forma de contribuição, que elevam a carga tributária e, por vezes, inviabilizam as atividades.

A importância do vidro antivandalismo

Thamires Farias, do marketing do Grupo TBR – thamires.farias@tbrgrupo.com.br

Nos dias atuais infelizmente se tornou comum presenciarmos diariamente nos jornais, ataques em que vidros de lojas, carros, comércios e casas são danificados devido a assaltos ou até mesmo por causa de vandalismo. O comércio é o que mais sofre com isso, pois suas mercadorias costumam ficar expostas por causa da utilização de vidros nas vitrines.

Para evitar a danificação dos vidros, existem duas opções: utilizar um bom sistema de segurança e/ou investir em vidro antivandalismo. E como funciona o vidro antivandalismo?

O vidro antivandalismo oferece maior resistência o que torna os possíveis ataques de ladrões e vândalos mais difíceis. O nome antivandalismo é dado a diferentes tipos de vidros. Todos eles possuem como diferencial a alta resistência, porém cada um deles ainda possuem as suas próprias características.

O vidro temperado é um vidro comum que passa por tratamento térmico. Esse tratamento é realizado na têmpera, onde as características do vidro são alteradas. Consiste em expor o vidro a altas temperaturas para depois ser resfriado, o que faz ele obter uma alta dureza.

O vidro laminado é um vidro composto por uma ou mais placas de vidros unidas por camadas intermediárias de EVA. Quando esse vidro é quebrado, os estilhaços não se espalham, eles permanecem presos a uma das camadas intermediárias de EVA. O resultado é um vidro resistente, com ótima acústica e proteção dos efeitos nocivos dos raios UV.

O vidro multilaminado é um vidro que conta com uma tecnologia especial. Ele é composto por várias lâminas de vidro temperado ou float, o que faz ele suportar fortes impactos sem que a sua transparência seja modificada.

O vidro temperado laminado possui um diferencial. Ele é a soma de dois ou mais tipos de vidros de segurança. Essa composição reforça a qualidade do vidro temperado e laminado, resultando em um vidro de alta segurança.

Com tantas opções de vidros antivandalismo é importante que você converse com um profissional para saber qual é a opção que melhor atende a sua necessidade. Esses tipos de vidros podem ser utilizados de diversas formas, como: fachadas, guarda-corpo, carros, sacadas, coberturas, pisos e degraus, portas, janelas, vitrines, etc.

Eles preservam os ambientes contra ataques de pedras, marretas, facas, martelos, pé-de-cabra, entre outros. Para que você possa escolher a opção ideal de vidro de segurança é fundamental conferir as características que eles possuem e escolher a opção de acordo com a sua necessidade.

Normas técnicas

Esses vidros precisam ser fabricados conforme as normas técnicas. A NBR 14697 de 05/2001 – Vidro laminado especifica os requisitos gerais, métodos de ensaio e cuidados necessários para garantir a segurança e a durabilidade do vidro laminado em suas aplicações na construção civil e na indústria moveleira, bem como a metodologia de classificação deste produto como vidro de segurança. A NBR 14698 de 05/2001 – Vidro temperado especifica os requisitos gerais, métodos de ensaio e cuidados necessários para garantir a segurança, a durabilidade e a qualidade do vidro temperado plano em suas aplicações na construção civil, na indústria moveleira e nos eletrodomésticos da linha branca.

Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) 2015

Entre 2004 e 2011, as emissões de gás carbônico (CO2), um dos principais gases de efeito estufa, caíram 84,4% no setor de mudança do uso da terra e florestas. Isso ocorreu em consequência da queda do desflorestamento na Amazônia, que mostrou tendência de queda entre 2005 e 2013, atingindo o nível mais baixo em 2012 (4.571 km²). No período de 2008 a 2013, o ano de 2013 apresentou o menor número de queimadas e incêndios, com 115.184 focos, enquanto em 2010, o ano com o maior valor, haviam sido 249.274 focos. Os incêndios se concentram em algumas regiões, sendo que a mais extensa e recorrente corresponde ao denominado Arco do Desflorestamento, que abrange o sul e o leste da Amazônia Legal.

Já a intensidade do uso de agrotóxicos mais que dobrou entre 2000 e 2012. Em 2002, ano de menor uso da série, a comercialização do produto era de 2,7 kg por hectare, enquanto em 2012 foi de 6,9 kg/ha. Os produtos considerados perigosos (medianamente) foram os mais representativos no período entre 2009 e 2012, respondendo por 64,1% dos itens comercializados em 2012.

A energia renovável perdeu participação na matriz energética brasileira, registrando, em 2012, sua menor participação em uma década (42,4%). Por outro lado, a participação de petróleo e derivados, fontes não renováveis de energia, aumentou de 36,7% para 39,2% entre 2008 e 2012.

É o que revelam alguns dos resultados da 6ª edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) Brasil 2015, que reúne 63 indicadores com o objetivo de traçar um panorama do país, em quatro dimensões: ambiental, social, econômica e institucional. Entre as fontes de pesquisa utilizadas para a construção dos indicadores estão a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), Produto Interno Bruto (PIB), Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM) e Projeção da População do Brasil, todos do IBGE. O estudo também utiliza dados de ministérios, secretarias estaduais e municipais, Ibama, DataSUS, Iphan, Unesco e outras instituições.

Esta edição dá continuidade à série, iniciada em 2002, atualizando os indicadores já publicados e disponibilizando novas informações, além da introdução de novos dados, reafirmando o objetivo de disponibilizar um sistema de informações para o acompanhamento da sustentabilidade do padrão de desenvolvimento do país. O estudo traz, pela primeira vez, informações sobre a diversidade cultural e ambiental brasileira, por meio do indicador de Patrimônio Cultural brasileiro, formado por 11 bens culturais e oito naturais, todos reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco). A publicação completa pode ser acessada pelo link www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/ids/default_2015.shtm

Com 19 indicadores, a dimensão ambiental do IDS aborda temas ligados à emissão de gases de efeito estufa, poluição do ar e das águas, uso de agrotóxicos, queimadas, desflorestamento, além de informações sobe saneamento básico, entre outros. Em relação à emissão de gases de efeito estufa, houve uma queda de 84,4% das emissões de dióxido de carbono (CO2) no setor de mudança do uso da terra e floresta, (de 1.579.660 Gg para 246.245 Gg) entre 2004 e 2010. Isso ocorreu em função da redução do desflorestamento na Amazônia, que chegou ao seu menor valor em 2012 (4.571 km² de desflorestamento).

O ano de 2013 apresentou o menor número de queimadas e incêndios desde 2008, com 115.184 focos, enquanto em 2010, o ano com o maior valor, foram 249.274 focos. A espacialização dos focos de calor evidencia a sua concentração em algumas regiões do país, sendo que a mais extensa e recorrente corresponde ao denominado Arco do Desflorestamento, que abrange o sul e o leste da Amazônia Legal. Nesta região, as queimadas, associadas ao desflorestamento, são responsáveis pela destruição de grandes áreas florestais. Pará (20.542), Mato Grosso (17.768) e Maranhão (16.189) são os estados com os maiores números de focos de calor em 2013.

As terras indígenas (TIs) e unidades de conservação (UCs) também sofrem queimadas, embora em menor intensidade. Em 2013, os focos de calor destas áreas corresponderam a 14,9% do total do país. No mesmo ano, registrou-se a mesma tendência observada para o Brasil, com redução do número de focos de calor em relação a 2012 (30.956 para 17.137).

A análise segundo os biomas também mostra valores oscilantes, sendo que entre 2012 e 2013 ocorreu uma redução do número de focos de calor em todos os biomas. A Amazônia registrou a maior ocorrência de focos em todos os anos analisados (48.929 em 2013), seguido pelo Cerrado, com 42.622 focos de calor em 2013. Os demais biomas somados (Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa) corresponderam a 20,0% do total de focos de calor em 2013. A Mata Atlântica vem apresentando decréscimo contínuo desde 2011, mas ainda é o bioma mais desflorestado (85,5% de sua área original até 2012).

De 1997 a 2004, o desflorestamento bruto anual na Amazônia Legal teve crescimento continuado, atingindo seu maior nível em 2004 (27.772 km²). De 2005 até 2013, a tendência foi de queda, chegando ao nível mais baixo em 2012 (4.571 km²). Quanto ao desflorestamento bruto acumulado de 1997 a 2013, a análise das duas metades desse período de 16 anos mostra uma desaceleração: entre 1997 e 2004, a área desmatada foi de 159.078 km², enquanto de 2005 a 2013 foram desmatados 89.158 km².

Entre os biomas extra-amazônicos, o Cerrado teve 49,0% de sua área desmatada até 2010, enquanto na Caatinga, até 2009, a perda foi de 46,0%. O Pampa, único bioma restrito a uma única unidade da federação, ocupa 63,0% do Rio Grande do Sul e teve 54,0% da sua cobertura vegetal desmatada até 2009. Já o Pantanal teve 15,0% de sua área desmatada.

Em 2013, o país possuía 1.783 unidades de conservação (UCs), terrestres e marinhas, com cerca de 1,5 milhão de km², superando as áreas somadas de Portugal, França e Alemanha. Houve forte crescimento da área total das UCs: em 1992 elas representavam 5,4% do território nacional e, em 2013, 17,3%. As unidades da federação com as maiores proporções dos seus territórios em áreas protegidas eram o Distrito Federal (93,5%), Amapá (62,8%), Acre (32,3%) e Pará (32,2%). Juntos, Amazonas e Pará concentravam 9,4% das áreas protegidas do país.

A Amazônia detém a maior área protegida (26,1%, das quais 16,3% são de uso sustentável e 9,4% de proteção integral), além de possuir também as maiores UCs em extensão, que ocupam uma área total de 1.093.604 km². O Pampa e o Pantanal são os biomas com as menores proporções dos seus territórios protegidos em UCs (2,7% e 4,6%, respectivamente). A Mata Atlântica, o Cerrado e a Amazônia possuem os maiores números de UCs (964, 362 e 313, respectivamente).

Há 627 espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção, metade delas na categoria vulnerável. Os grupos que apresentam maior número de espécies ameaçadas são as aves (160), os peixes de água doce (142) e os insetos (96 espécies). Entre os biomas, a Mata Atlântica tem o maior número de espécies da flora e da fauna ameaçadas de extinção (275 e 269, respectivamente), com o Cerrado (131 espécies da flora) e a Amazônia (118 espécies da fauna) a seguir. A maioria das espécies da flora ameaçadas encontra-se no Sudeste e no Sul. De um total de 4.617 espécies, 45,9% foram classificadas como ameaçadas, nas categorias Vulnerável (VU), Em Perigo (EN) ou Criticamente em Perigo (CR).

A emissão de ozônio (O3) é um dos pontos críticos para a poluição atmosférica, pois é de difícil controle, sendo gerado na baixa atmosfera por reações oriundas da queima de combustíveis fósseis. O aumento da frota de veículos dificulta o controle das concentrações do O3, além de aumentar a emissão direta dos outros poluentes atmosféricos. Na cidade de São Paulo, por exemplo, dentre os poluentes estudados, é o que apresenta os maiores números de violações do padrão primário (576 em 2012). Em Belo Horizonte também é o poluente mais crítico em termos de número de violações (65 em 2011).

Os valores de comercialização de agrotóxicos e afins por área plantada registram aumento contínuo a partir de 2009, alcançando 6,9 kg/ha em 2012. Isto representa um acréscimo de 4,2 kg/ha num período de dez anos, tendo em vista que em 2002 o valor foi de 2,7 kg/ha. Quanto à análise por classes de periculosidade ambiental, as classes III (produto perigoso) e II (produto muito perigoso) foram as mais representativas no período 2009-2012, tendo participado com 64,1% e 27,7%, respectivamente, do total dos agrotóxicos comercializados em 2012. A classe IV (produto pouco perigoso) apresentou crescimento contínuo no período analisado. Em 2012, as classes de agrotóxicos mais comercializadas foram os herbicidas (62,6%), seguidos pelos inseticidas (12,6%) e fungicidas (7,8%).

A região Sudeste apresentou a maior comercialização de agrotóxicos por unidade de área (8,8 kg/ha), seguida pela região Centro-Oeste (6,6 kg/ha). Entre as unidades da federação, os maiores valores foram verificados em São Paulo (10,5 kg/ha), Goiás (7,9 kg/ha) e Minas Gerais (6,8 kg/ha), e os menores ocorreram no Amazonas e Ceará, com menos de 0,5 kg/ha.

De 2001 a 2003, o percentual de esgoto tratado no Brasil era inferior a 60,0%. Em 2009, essa taxa chega a 68,4%. A partir de 2010, houve um declínio, possivelmente associado ao maior número de municípios amostrados, que eram 1.739 em 2009 e passaram a 1.948 em 2010. Em 2011, a taxa recuou para 67,9%. Assim, de 2001 a 2011, houve um incremento de aproximadamente 1,6 bilhão de m³ (ou 15,4%) no volume de esgoto tratado.

A Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e o Índice de Qualidade da Água (IQA) são indicadores da qualidade da água em trechos de rios e represas. A DBO mede a quantidade de oxigênio necessária para degradar a matéria orgânica na água. Quanto maior o seu valor, pior é a qualidade da água. Já o IQA utiliza nove parâmetros (temperatura, pH, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio, coliformes termotolerantes, nitrogênio total, fósforo total, resíduo total e turbidez) e varia de 0 a 100. Quanto maior o valor, melhor a qualidade da água.

Entre os 367 pontos de monitoramento no país, 73,0% tinham DBO média dentro dos padrões do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), entre 0 e 5 mg/l. Mas o baixo percentual de tratamento dos esgotos lançados em corpos de água se reflete no alto valor de DBO e baixo IQA em trechos dos rios que cortam áreas urbanas ou industrializadas, como o Alto Tietê/Zona Metropolitana de São Paulo (inclusive a represa Billings) e o Iguaçu/Zona Metropolitana (Paraná). Outros importantes corpos d’água mostraram valores médios anuais de DBO abaixo do limite, como rio Paraíba do Sul (no trecho que abastece a região metropolitana do Rio de Janeiro) e os rios Caí, Gravataí e Sinos (formadores do Lago Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre).

Os dados do IDS 2015 apontaram avanços na maior parte dos 21 indicadores da dimensão social, que avaliam a satisfação das necessidades humanas, melhoria da qualidade de vida e justiça social. Os indicadores se relacionam a temas como demografia, emprego, saúde, educação e violência. Mesmo apresentando tendência de declínio, o número de internações por doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado (DRSAI) ainda é elevado. Em 2013, ocorreram 202,6 casos por 100 mil habitantes, uma redução de 37,8% na comparação com 2000 (326,1 por 100 mil habitantes). As diferenças regionais são marcantes: enquanto na região Norte, 396,1 pessoas foram internadas para cada 100 mil habitantes, no Sudeste esse número chegou a 78,3, em 2013. Em relação aos estados, alguns atingiram valores superiores a 500 (Maranhão, Piauí e Pará), enquanto em São Paulo foram 55,5 internações por 100 mil habitantes, o menor valor do país.

Desde a segunda metade da década de 1990, as coberturas de vacinas como sarampo, tríplice bacteriana e poliomielite, que antes apresentavam oscilações, passaram a um movimento de rápida ascensão, alcançando a totalidade da população alvo ou chegando próximo a isso. A BCG, desde o início do período analisado, foi uma vacina de grande amplitude, partindo de 90% e apresentando, desde 1995, cobertura plena (100%).

A década de 2000 apresentou mudanças no esquema vacinal, com a tríplice bacteriana sendo substituída pela tetravalente em 2002 e a vacina contra sarampo sendo incorporada à tríplice viral a partir de 2003. Desde sua implantação, esta última vacina tem apresentado constância na cobertura plena, enquanto a tetravalente tem mostrado certa oscilação, porém com taxas sempre elevadas, variando de 94% a 100%. O aumento da proporção de crianças imunizadas contra o sarampo é um dos indicadores utilizados pela ONU para avaliar o atingimento da meta de redução da taxa de mortalidade infantil.

Além de informações sobre energia e reciclagem, os 11 indicadores da dimensão econômica abordam dados relacionados ao PIB, endividamento do país e rejeitos radioativos. O consumo final de energia per capita apresentou crescimento constante ao longo do período 2000-2012, com exceção apenas para 2009, tendo passado de 41,5 GJ/habitante em 2000 para 53,3 GJ/hab, em 2012. A população cresceu 1,2% ao ano em média, enquanto o consumo de energia exibiu um crescimento de 3,3% ao ano. A queda em 2009 (47,8 GJ/hab) possivelmente se deveu à crise mundial de 2008. O maior acesso da população aos bens de consumo essenciais e aos serviços de infraestrutura acarretou aumento do consumo de energia, o qual, por sua vez, causa impactos sobre a população e o meio ambiente.

A participação da energia não-renovável na matriz energética brasileira apresentou crescimento (de 56,1% em 2003 para 57,6% em 2012), principalmente na oferta de petróleo e derivados, que passou de 36,7% para 39,2%, entre 2008 e 2012. Os combustíveis fósseis continuam a dominar a matriz energética brasileira (57,6%), mas, analisando-se a distribuição das diferentes fontes renováveis, percebe-se que os derivados de cana-de-açúcar e carvão vegetal estão perdendo participação, em parte devido ao aumento relativo das fontes alternativas (solar, eólica, biomassa, biogás etc.). A participação destas fontes na matriz energética passou de 2,8% em 2003, para 4,1% em 2012. Já participação da lenha e do carvão vegetal caiu de 13,2% para 9,1%, entre 2004 e 2012. Embora considerados fontes renováveis, nem sempre são produzidos de forma sustentável, ou seja, a partir de florestas plantadas para tal.

Distribuição percentual da oferta interna de energia, segundo as fontes de energia Brasil – 2003-2012

Fontes de Energia Distribuição percentual da oferta interna de energia (%)
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
            Total
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
Energia não renovável
56,1
56,0
55,3
54,8
53,9
53,9
52,7
54,9
56,0
57,6
      Petróleo e derivados
40,2
39,3
38,8
37,9
37,5
36,7
37,9
37,8
38,6
39,2
      Gás natural
7,7
8,9
9,4
9,6
9,3
10,3
8,8
10,2
10,2
11,5
      Carvão mineral e derivados
6,4
6,3
6,0
5,7
5,7
5,5
4,6
5,4
5,7
5,4
      Urânio e derivados
1,8
1,5
1,2
1,6
1,4
1,5
1,4
1,4
1,5
1,5
Energia renovável
43,9
44,0
44,7
45,2
46,1
46,1
47,3
45,1
44,0
42,4
      Hidráulica e eletricidade (1)
14,7
14,5
14,9
14,9
14,9
14,1
15,2
14,0
14,7
13,8
      Lenha e carvão vegetal (2)
12,9
13,2
13,1
12,7
12,0
11,6
10,1
9,7
9,5
9,1
      Derivados da cana-de-açúcar
13,5
13,5
13,8
14,6
15,9
17,0
18,1
17,5
15,7
15,4
      Outras fontes primarias renováveis
2,8
2,8
2,9
3,0
3,2
3,4
3,9
3,9
4,1
4,1
Fonte: Balanço Energético Nacional 2013. Ano base 2012. Rio de Janeiro: Empresa de Pesquisa Energética – EPE, 2013. Disponível em: . Acesso em: mar. 2015.
(1) Conversão de energia elétrica segundo o equivalente térmico teórico – primeiro princípio da termodinâmica (1 KWh = 860Kcal).
(2) Fontes consideradas renováveis embora nem toda a produção de lenha e carvão vegetal se dê de modo sustentável.

Observa-se uma tendência de crescimento da reciclagem entre 1993 e 2012. As latas de alumínio mantiveram seu destaque, com o reaproveitamento de 97,9% em 2012. Em 2011, por exemplo, o Índice de Reciclagem de alumínio (não apenas latas) para o Brasil foi de 98,3%, superior ao do Japão (92,6%), Argentina (91,7%) e Estados Unidos (65,1%), conforme apresentado pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem. Isto se deve a vários fatores, como a existência de mercado de reciclagem em todas as regiões do país, a facilidade para coletar, transportar e vender, a sua disponibilidade durante todo o ano e o alto valor de mercado da sucata de alumínio.

Aproximadamente 59,0% das embalagens pós-consumo de PET foram recicladas em 2012. Para as embalagens longa vida, também conhecidas como cartonadas ou tetrapak, de reciclagem mais recente, os valores são mais baixos, tendo alcançado 29,0% em 2012, em razão da necessidade de separar os materiais componentes (papel, alumínio, plástico), fator que dificulta a reciclagem desse tipo de embalagem.

A dimensão institucional, com 12 indicadores, aborda temas como acordos multilaterais internacionais, legislação, serviços de tecnologia e patrimônio cultural. O país tem, hoje, 11 bens culturais e oito bens naturais considerados patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco). Entre 1980 e 1987, o Brasil obteve o reconhecimento de seis deles, a maioria cidades históricas. Foi necessário o dobro do tempo (1987-2012) para outros cinco bens culturais serem considerados de importância mundial. O mais antigo é o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto (MG), de 1980, e os mais recentes são o Centro Histórico da Cidade de Goiás (GO) e a Praça de São Francisco, em São Cristóvão (SE), aprovados em 2010, e paisagens cariocas entre a montanha e o mar (RJ), aprovado em 2012.

Quanto aos bens naturais, o primeiro reconhecimento foi em 1986, o do Parque Nacional do Iguaçu (no Paraná). Em 2001, já eram oito, ano em que entraram para a lista o Parque Nacional dos Veadeiros e das Emas (GO) e o Parque Nacional de Fernando de Noronha e Atol das Rocas (PE). Com exceção da Sudeste, todas as regiões do Brasil e a maioria dos biomas, exceto o Pampa, têm pelo menos um bem natural incluído na lista.

Já a lista de bens imateriais que fazem parte do Patrimônio Mundial é integrada pelo Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA), Expressão Oral e Gráfica dos Wajãpi (AP), Frevo do Carnaval de Recife (PE) e Círio de Nazaré (PA). Em 2011, o Comitê destacou um bem imaterial em necessidade urgente de salvaguarda: o Yaokwa, ritual do povo Enawene Nawe (MT), entre o Cerrado e a Amazônia. A maioria dos bens materiais está nas regiões Sudeste e Nordeste, enquanto os imateriais se distribuem mais uniformemente pelo território brasileiro, com ênfase na região Norte.