Carta a um jovem universitário

Claudius D’Artagnan C. Barros

Pediram-me para lhe escrever uma carta, apresentando sugestões sobre como você poderia aproveitar minha experiência – profissional e de vida, para melhor se situar no desafiante mundo de hoje. Vou fazê-lo sim, é claro.

Mas, quero que saiba que a experiência, seja tácita, ou explícita compartilhada, mesmo tendo valor inestimável, é apenas um ponto de partida. Há mais coisas importantes que caberá a você mesmo fazer!

Dizem que a experiência não é aquilo que nos acontece, mas o que fazemos com aquilo que nos acontece. Dizem também (atribuem esta frase, aliás, ao grande Albert Einstein), que não se podem resolver problemas criados a partir de uma realidade, utilizando instrumentos que pertencem a essa mesma realidade. Assim, temos que nos reinventar constantemente.

Pensando nisso, fico imaginando como minha experiência, que se deu ontem, em momento tão diverso desse que você vive hoje, pode ajudá-lo a resolver – com ferramentas de ontem, os problemas que você enfrenta hoje? Certamente não pode.

O que talvez possa ser útil a você, levando em conta minha experiência de praticamente cinco décadas no mundo corporativo, é o fato de que vivi momentos importantes de transição e essa parte específica de minha experiência – esta sim, pode ajudá-lo a perceber e a agir adequadamente em momentos de transição que você próprio está vivenciando ou, com certeza irá vivenciar.

Falando nisso, o mundo passa atualmente por uma enorme transição e os jovens – como você, que se preparam para ingressar no mundo dos negócios, em particular no mercado de trabalho, precisam ser muito ousados e, atitudinalmente, preparados para enfrentar mudanças muito rápidas e inesperadas. Tal qual afirmou o filósofo Heráclitus (535 a.C.), “A única certeza permanente que temos… é a mudança”.

Como gerenciar essas mudanças tem sido um enorme desafio. De que maneira nos preparamos para o que vem por aí, quando nem mesmo sabemos que aparência essa nova realidade terá? Como, enfim, lidar com tamanha incerteza, frente a tantas dúvidas sem resposta?

Você, particularmente, tem de responder a algumas questões concretas que hoje atormentam uma grande quantidade de alunos das universidades: Que curso seguir? Qual é a melhor escola? Como custear meus estudos? Que garantia terei de que com isso obterei uma posição de destaque e uma remuneração atraente depois de formado?

A resposta mais honesta a tudo isso é, simplesmente, não sabemos: temos de procurar dados informativos disponíveis, transforma-los em conhecimento e tratar de fazer o melhor uso possível deles, para que nossa decisão seja a mais instrumentada, balizada e assertiva possível. Somente assim teremos alguma chance de encontrar uma boa saída gerindo as mudanças com eficácia.

Descobrir em que você tem mais talento e tratar de aproveitá-lo, transformando-o num negócio, pode ser uma oportuna opção para sua atuação efetiva no mercado de trabalho como um empreendedor. Faça uma boa reflexão sobre isso antes de definir como única opção a de “profissional com carteira assinada”

Durante o período em que estiver fazendo seu curso, não despreze as oportunidades de estágio. Mas, não faça estágio apenas por fazer, ou para cumprir uma exigência acadêmica. Aplique-se nele, faça dele um trampolim para aprendizagem efetiva de uma profissão.

Estude muito e continuamente. Busque incessantemente o conhecimento, não apenas no âmbito daquilo que escolher como especialização profissional, mas sobretudo o conhecimento amplo, holístico, que relaciona entre si áreas díspares, que pareçam as vezes, nada ter a ver umas com as outras. Isso é o que realmente pode garantir um diferencial na concorrência profissional. Lembre-se, o conhecimento é o ouro moderno.

Não deixe passar em branco as boas oportunidades que se oferecerem em sua vida. Saiba perceber o cavalo encilhado que passa ao seu lado, como destaca o consultor Al Ries em seu livro “Horse Sense”.

Se você não aproveita para montar no cavalo encilhado que passa, este poderá nunca mais passar novamente por você. E, se você não prestar atenção na possibilidade de cavalos encilhados virem a passar ao seu lado, poderá nem sequer perceber que algum deles eventualmente já terá passado!

Às vezes, deixamos este cavalo passar, na expectativa de que outro virá representando uma oportunidade ainda melhor. Ledo engano meu caro – o próximo pode não ser um tranquilo e exuberante cavalo encilhado; mas sim, uma boiada estourada…!

Cultive o relacionamento autêntico e aprofundado com as pessoas: conviva com elas e não perca a oportunidade de aprender com elas; fortaleça e desenvolva sua capacidade de conquistar pessoas e fazer amigos. Como sugere o pensador e escritor polonês Zygmunt Bauman, em seu livro “Amor líquido”, …construa uma comunidade efetiva de amigos, não necessariamente uma rede (virtual) de amigos!

Mas, sobretudo, procure se cercar de gente melhor do que você, com quem possa verdadeiramente aprender. Procure também pessoas que tenham alta intensidade ao se debruçarem nos estudos.

As organizações de hoje querem profissionais competentes em suas respectivas especialidades, porém, querem ao mesmo tempo, pessoas capazes de relacionar-se com outras pessoas e formar comunidades de prática e de aprendizagem. Embarque nessa e meus votos de que você tenha muito sucesso!

Claudius D’Artagnan é membro da Academia de Letras de Lorena, Vice Presidente da Academia Brasileira da Qualidade, Empresário, Coordenador pedagógico do Projeto de Educação Gerencial Continuada – EGECON® e autor do livro “Missão Qualidade – Uma autobiografia profissional” – 2016 Ed.Qualitymark.

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Emprego na melhor idade

Já se foi o tempo em que pessoas com mais de 60 anos não conseguiam uma recolocação profissional no mercado. Com a expectativa de vida cada vez maior, muitos daqueles que chegam aos 60 anos não querem deixar de trabalhar, ou ainda, desejam retornar ao mercado depois de um período de descanso. “Essa volta ao mercado de trabalhadores aposentados é um fenômeno recente no Brasil. Os 70 anos de hoje podem ser comparados com os 50 anos de algumas décadas atrás”, explica Madalena Feliciano, gestora de carreira do Outliers Careers.

Segundo a especialista em transição de mercado, existe, principalmente, duas razões para que os profissionais acima dos 60 procurem uma ocupação que lhes rendam dinheiro “Cada vez mais as pessoas chegam aos 60 anos com grandes capacidades profissionais, vontade de ganhar seu próprio dinheiro e ter uma boa vida pessoal. Isso faz com que elas não queiram ficar em casa e voltem grande parte da sua atenção para o trabalho, assumindo com uma grande responsabilidade o que é delegado a eles”, explica Madalena. As empresas optam por esses profissionais quando a atividade exige mais responsabilidade, disponibilidade e respeito ao horário.

De acordo com Madalena, não existe idade máxima para se trabalhar, o que existe é a capacidade que cada pessoa tem para determinadas funções. “Os profissionais acima dos 60 podem sentir algumas dificuldades para retornar ao trabalho, afinal, muitas vezes o convívio com profissionais mais jovens, conectados à internet e às redes sociais, atualizados das novidades em suas áreas de atuação; a necessidade de falar outros idiomas e de ter uma atuação multidisciplinar, por exemplo, podem pôr em risco a confiança do profissional mais velho. Mas ele não deve se abalar: se foi contratado, é porque a empresa está à procura de experiência e maturidade, características normalmente encontradas em profissionais com mais experiência”, exalta. Isso acontece porque o ideal é contar com profissionais experientes – e essa experiência só é alcançada com a vivência.

Para aqueles que desejam regressar ao mercado de trabalho, existem algumas recomendações que podem ser seguidas “Identifique suas principais competências; procure por um trabalho alinhado às suas experiências profissionais anteriores; faça um bom currículo, destacando a sua experiência; não pareça resistente às mudanças e novidades. Boa apresentação pessoal e postura são muito importantes, capriche nelas; e procure manter-se atualizado sobre a sua área de atuação”, aconselha Madalena.

Para o empregador também existem grandes vantagens em contratar pessoas com mais idade – que vão além da experiência. “Em geral, os mais velhos são excelentes para o atendimento a clientes, são mais humildes em reconhecer seus erros e buscar a melhoria, são menos ansiosos, têm paciência para um plano de carreira mais longo, maior disponibilidade de tempo e flexibilidade na negociação do salário; menor responsabilidade com filhos – geralmente já são formandos ou independentes. Em geral, já recebem a aposentadoria e por isso o foco do trabalho nem sempre é exclusivamente o salário. Hoje em dia, os profissionais acima dos 60 fazem tudo: entram na internet, dirigem, fazem exercícios, dançam, namoram, estudam, enfim, procuram algo que venha trazer bem-estar e o melhor caminho para felicidade – e muitas vezes o trabalho ajuda e muito nesse caminho” conclui a especialista.

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Decide melhor quem sabe ouvir

Resultado de imagem para how to decideVicente Falconi

Deve-se ficar atento quando as pessoas fazem a pergunta em uma empresa: será que as coisas estão mesmo bem? Isso indica que os executivos dessa empresa trabalham no estilo comando e execução. O chefe diz o que fazer e todos obedecem – ou fingem obedecer -, mesmo que não concordem.

Coisa velha e ultrapassada. Mas ainda vejo esse tipo de chefe todo dia. Eles acham que devem saber tudo e não se esforçam para aprender o que acontece na vida real, na base. Pior: sentem-se inseguros e resistentes sempre que alguém propõe algo novo que ainda não dominam.

Nesses casos, a equipe sai das reuniões revoltada simplesmente porque não tem a oportunidade de externar conhecimentos e opiniões – principalmente aquelas que são contrárias. O encontro serve apenas para que todos ouçam as ordens do dia. Esse tipo de atitude infantiliza as pessoas e as impede de crescer profissionalmente. Daí a revolta. Entendo perfeitamente. Não se vai muito longe com essa forma anacrônica de gerenciar.

Hoje, o mundo mudou, e o ato de gerenciar é essencialmente coletivo. A função do chefe não é apresentar a solução pronta. Estamos na era do que chamo de gerenciamento científico.

A ciência desse estilo de gerenciar está na análise de informações – fatos e dados – para criar o conhecimento novo que vai fundamentar a tomada de decisão. Assim como numa equipe de cientistas, todos estão sempre em busca de conhecimento novo. E a colaboração é indispensável.

O papel do chefe nesse contexto é, junto com seu time, buscar os dados e o conhecimento necessários para atingir determinados objetivos. No método científico, as metas são estabelecidas de forma participativa. Todos calculam suas lacunas de resultado – ou seja, o patamar que pretendem atingir – e propõem os alvos que deverão alcançar primeiro.

A partir daí, os planos de ação são estabelecidas pelo grupo responsável pela meta, e sua execução é controlada. Quando isso acontece, as reuniões são muito boas porque todos contribuem e saem dali com o sentimento de que foram respeitados e cresceram como profissionais. Já existem atualmente no Brasil empresas muito avançadas em relação a esse aspecto e que utilizam todos os recursos da matemática e da tecnologia da informação para a análise de fatos e dados. A empresa em que você trabalha precisa de uma boa dose disso.

Quanto às reuniões, há, basicamente, três tipos: informativa, de acompanhamento de metas e de solução de problemas. É claro que algumas reuniões às vezes servem a mais de um desses objetivos. Vou explicar cada uma, mas existem algumas recomendações gerais que devem ser observadas.

O primeiro ponto é que o propósito da reunião deve sempre ser detalhado e todos precisam ter, antecipadamente, a resposta à seguinte pergunta: qual deverá ser o produto final de nosso encontro? Parece muito óbvio, mas não é. É muito comum que as pessoas entrem na sala com expectativas diferentes e a conversa se torne improdutiva.

O segundo ponto é que toda reunião tem de ser planejada: e as pessoas, convidadas com a máxima antecedência, de tal maneira que consigam programar suas agendas sem problemas. O terceiro e último ponto é que alguém deve controlar o tempo e manter uma “linha dura” nesse controle. Do contrário, algumas pessoas não terão chance de fazer suas apresentações e participar do debate.

Esses são aspectos gerais. Mas cada tipo de reunião exige variações específicas. Reuniões informativas são aquelas em que são feitas várias apresentações de projetos em andamento e que visam manter a equipe informada do que está acontecendo, além de listar críticas e sugestões quanto aos projetos.

As reuniões de acompanhamento de metas podem ser bem padronizadas. Se a meta foi batida, ótimo. Caso contrário, o participante deve levar um plano alternativo para apagar o incêndio já elaborado. Esse plano deve ser produto de reflexão do que está acontecendo, segundo a opinião de todo o time e de fatos e dados levantados.

As reuniões de solução de problemas são, a meu ver, as mais interessantes. Elas visam estabelecer metas, fazer brainstorm baseado em informações e criar planos de ação. Devem servir também para a aprovação de certos planos ou certas ações na hora.

Finalmente, o segredo de boas reuniões, além de seguir todas essas recomendações, é dar uma aula de comunicação ao pessoal. E aqui vou dar um conselho básico a você: cada slide de Power Point deve consumir, em média, 3 minutos da reunião. Assim, se uma pessoa tem 30 minutos, ela tem direito a mostrar, no máximo, dez slides. Essa limitação já seria um bom começo para colocar ordem na casa.

Vicente Falconi é sócio fundador e presidente do Conselho de Administração da Falconi Consultores de Resultado, e membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ).

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Como reger seu tempo com ousadia

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Não é novidade para ninguém que as exigências, compromissos e responsabilidades de todos aumentaram com o passar dos anos, mas independentemente disso, o tempo continua igual para todos: o dia continua com 24 horas e não existe milagre que possa ser feito para mudar isso. Então, para lidar da melhor forma possível com o seu tempo e torná-lo mais produtivo, é preciso que ele seja administrado com sabedoria. “Administrar o tempo é uma atitude que ajuda a fazer com que todas as suas tarefas, independente de que área sejam, sejam executadas da melhor forma possível – e ocupem uma parte menor do seu dia”, comenta Madalena Feliciano, gestora de carreira da Outliers Careers.

Seja em casa, no trabalho, na faculdade, na vida pessoal, é preciso organizar não só o que deve ser feito, mas também a forma que serão executados os movimentos, – assim as tarefas são realizadas com eficácia e dentro do prazo necessário, desejo que todos possuem. “Duas atitudes devem ser encaradas com seriedade e compromisso: organização e disciplina. Essas duas palavras, quando transformadas em ações, promovem verdadeiras mudanças no nosso dia a dia e tornam nossa vida muito mais fácil”, exalta Madalena.

Além disso, existem algumas atitudes ‘chaves’ que devem ser feitas para aqueles que querem, desde já, começar a otimizar o seu tempo. “Uma das dicas que eu sempre falo é: faça uma lista de prioridades. Por mais que existam milhões de coisas que você quer ou precisa fazer, organize as mais importantes para que não se tornem urgentes e faça uma lista. Determinando mais ou menos o tempo que utilizará para realizar cada tarefa e, conforme o que foi realizado risque o item da lista”, comenta Madalena, que ainda diz que o ideal nesses casos é colocar as coisas mais difíceis no topo da lista, assim, no fim do dia, quando estiver mais cansado, serão feitas as tarefas mais fáceis.
Outra dica importante é evitar as distrações, elas são grandes vilãs na administração do tempo. Aqueles momentos de distração que eram para ser pequenos podem tomar muito tempo e, quando você se der por conta, terá acumulado tudo o que deveria ter feito – e acabará pegando “emprestado” o tempo que iria usar para outras coisas.

Organizar a sua mesa, seu computador – e a sua vida, com o auxílio de uma agenda, por exemplo, – também pode ser uma ótima solução. “Com os materiais organizados, você não perderá tempo procurando documentos, pastas, relatórios, arquivos no computador, etc. A agenda ajuda marcar tarefas pessoais, datas especiais, ligações a fazer e demais eventos importantes. Quanto mais organizada é a sua vida pessoal, mais fácil fica para administrar o restante” ressalta.

Usar as tecnologias ao seu favor para evitar filas, por exemplo, também é uma grande ajuda. “Quanto mais coisas você puder resolver pela internet ou telefone, melhor. Desse jeito você evita ir até os locais, o que poupa grande tempo de deslocamento, as filas demoradas e demais complicações que possam aparecer.

“Porém, para que todas as dicas anteriores tenham sucesso, é preciso de uma coisa antes de tudo: estar bem descansado. Por isso, planejar intervalos, separar algumas horas para o lazer e dormir bem são atitudes mais do que necessárias para que o seu tempo seja bem aproveitado – afinal, ninguém trabalha ou vive bem quando não dorme ou não tem algum momento para aproveitar o seu descanso”, conclui Madalena, que diz que, em suma, conhecer a sua rotina, organizar suas tarefas e administrar o seu tempo ajudará não só em seu trabalho, como também trará mais qualidade de vida.

Dicas para desenvolver a trabalhabilidade

Segundo a especialista Carla Béck, diretora da Infinita Engenharia do Potencial Humano e Master Coach, hoje é importante que o profissional tenha trabalhabilidade. Ou seja, veja o trabalho além do emprego. Para ela, ter trabalhabilidade é se manter produzindo economicamente além do escritório, seja como empreendedor, consultorias, parcerias, ou hobbies que podem se tornar fonte de renda no futuro. “O profissional reconhecido por sua capacidade de gerar receita, por suas competências, por sua experiência, independentemente da forma como ele é contratado. É um conceito que estabelece uma nova forma de percepção e relação com o trabalho”, explica Carla.

A primeira dica para desenvolver trabalhabilidade, é imprescindível investir em autoconhecimento, seja com cursos, consultorias, coaching. São ferramentas que auxiliam na construção de aproveitamento do potencial de cada um. A segunda é: reflita sobre a sua vida profissional e estabeleça metas de crescimento pessoal e profissional, dessa maneira, o indivíduo cria para si e para o mercado maior valor e, claro, consegue melhores propostas e trabalhos.

Ter diploma universitário já foi garantia de conquistar um bom emprego, com salário alto e a tão sonhada estabilidade. Até pouco tempo atrás, era muito comum que as pessoas trabalhassem em uma única empresa por toda a vida. Inclusive era a forma mais garantida de crescimento e promoções nas empresas: o chamado “tempo de casa”.

Com o advento da tecnologia, principalmente da internet e meios de comunicação, as relações se tornaram mais fluidas, dinâmicas e com contornos mais amplos. Por exemplo, já não é mais necessário estar numa sala ou escritório para fazer uma ligação, enviar um documento ou mesmo uma reunião. Smartphones, notebooks, softwares de mensagens e vídeo, wi-fi e 3G vieram para ficar e mudar as relações de trabalho.

Em tempos de redes sociais, internet e comunicação cada vez mais instantânea, é preciso encontrar profissionais que acompanhem esse processo. Essas novidades mudaram não só a forma como trabalhamos, mas a importância e valor de algumas características e habilidades do trabalhador. “Por exemplo, é imprescindível no mercado atual que o profissional saiba se adaptar rapidamente às mudanças, saiba antever dificuldades e buscar soluções por conta própria. A terceira dica é: seja proativo! No mundo 2.0, isso significa buscar respostas diferentes para a mesma pergunta”, acrescenta a especialista.

O grande massacre das árvores

Luiz Marques

​Eclode, nessa exclamação de Rilke, a verticalidade totêmica da árvore, o mais majestoso traço de união entre o céu e a terra. Esses versos vêm à mente diante da ameaça de extinção dos maiores seres vivos terrestres do planeta, como o Jequitibá-Rosa, a Peroba-Rosa, a Sumaúma, as Castanheiras do Pará ou mesmo as Sequoias norte-americanas (I). Mais que isso, vem à mente o temor de um mundo sem florestas. Thomas W. Crowther, da Yale University, à frente de uma equipe de 38 cientistas, nos adverte que já percorremos metade do caminho. “Estimamos que mais de 15 bilhões de árvores são derrubadas a cada ano, e que o número global de árvores diminuiu cerca de 46% desde o início da civilização” (II). Proposta num artigo da Nature em 2015, essa avaliação acrescenta que, por serem mais densas, as florestas tropicais perdem muito mais árvores. O próximo artigo tratará especificamente da perda e da degradação das florestas tropicais, com ênfase no Brasil. Aqui, o problema será tratado de modo mais global.

A estimativa da equipe coordenada por Crowther abrange todo o período de desenvolvimento da civilização, pois, obviamente, o desmatamento é um processo muito mais antigo e gradual que os últimos dois séculos de expansão planetária do capitalismo industrial. Mas o desmatamento ocorrido desde 1800 é de outra ordem de grandeza e continua em aceleração. Conforme os dois últimos State of World’s Forests (2012 e 2016) da FAO, ao final da última idade do gelo (11.700 anos AP), as florestas cobriam 60 milhões de km2 (45% da superfície terrestre livre de gelo). Em 2010 restava intacta apenas 15% dessa área. Em 2016, a FAO reporta a estimativa de que “nos últimos cinco mil anos, foram desmatados 18 milhões de km²”, ou seja, 30% da área original. Ocorre que desse total de florestas totalmente suprimidas até 2010, mais da metade (10 milhões km²) o foram entre 1800 e 2010 (III). Evidente aceleração, mas a partir de 1950 verifica-se uma aceleração da aceleração. O Millennium Ecosystem Assessment afirmava em 2005 (a partir de dados de 2000) que “mais terra foi convertida em áreas agrícolas (cropland) nos 30 anos após 1950 que nos 150 anos entre 1700 e 1850”. E acrescentava que “sistemas agropecuários (áreas onde ao menos 30% da paisagem é de plantações, culturas de rodízio, criação de gado confinado ou aquacultura em água doce) cobrem agora um quarto da superfície terrestre” (IV). Mais recentemente, o Institute on the Environment da University of Minnesota avalia que a área global destinada à agropecuária é hoje de 46 milhões de km2 (~35% da superfície terrestre livre de gelo), sendo que as pastagens cobrem 30 milhões de km² desse total (V), conforme mostra a figura 1.

Clique nas figuras para uma melhor visualização

Fonte: University of Minnesota Institute on the Environment UMN Global Landscapes Initiative

Note-se que as áreas em cinza, ainda não convertidas em plantações ou em pastagens, são basicamente desertos, pergelissolos (Canadá e Sibéria) e florestas. Portanto, é sobre o que resta das florestas que essa pressão expansiva da agropecuária se exercerá sempre mais.

De fato, apenas entre 2000 e 2012, perdemos globalmente por corte raso 2,3 milhões de km2 de cobertura florestal, o equivalente a desmatar 50 campos de futebol por minuto, todos os dias desses 13 anos, segundo o Global Forest Watch (GFW) (VI). O último, e recentíssimo, balanço do GFW (VII) mostra aumento do desmatamento global entre 2001 e 2004, estabilização do desmatamento anual em torno de 170 mil km² entre 2005 e 2011 e uma nova aceleração a partir de 2011, de modo que de 2012 a 2015 houve uma perda média anual de cobertura florestal de cerca de 220 mil km2, vale dizer, quase um estado de São Paulo (248 mil km²) por ano, conforme mostra a figura 2.

Fonte: World Resources Institute, baseado em dados da Global Forest Watch
Observação: o segmento mais escuro da penúltima coluna (2014) significa uma correção para cima em relação à avaliação anterior.

Áreas selvagens

Se fosse possível eleger o aspecto mais doloroso e catastrófico da aceleração do desmatamento global em curso, esse seria sem dúvida a perda das chamadas áreas selvagens (wilderness areas). Pois, como definidas por James E.M. Watson e colegas, são elas paisagens de mais de 10 mil km2, que “não excluem ocupação humana”, mas “permanecem refúgios vitais onde processos ecológicos e evolucionários operam com distúrbios humanos mínimos, sustentando funções essenciais em escala regional e planetária” (VIII). Os autores demonstram “perdas alarmantes” de 3,3 milhões de km2 dessas áreas selvagens globais nas duas décadas a partir de 1990, particularmente na Amazônia (30%) e na África Central (14%). Além disso, “houve uma erosão substancial dessas grandes áreas selvagens nas duas últimas décadas, com perdas atingindo 2,7 milhões de km2”, tal como mostra a figura 3.

Os enquadramentos são (A) Amazônia; (B) Sahara ocidental; (C) Taiga da Sibéria Ocidental e (D) Bornéu

Como adverte Watson, “áreas selvagens estão sendo dramaticamente dizimadas. Não podemos restaurá-las. Uma vez eliminadas, os processos que mantêm seus ecossistemas também se vão”.

Projeções até 2050

Muitas são as projeções sobre o estado das florestas até 2030 e até 2050, todas extremamente preocupantes. Selecionemos apenas três, por razões de espaço, mas também porque não são demasiado discrepantes. Em 2012, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico publicou seu Environmental Outlook to 2050, no qual afirma: “As florestas primárias, mais ricas em biodiversidade, devem perder até 2050 13% de sua área. (…) As florestas primárias (…) têm decaído e estima-se que diminuirão constantemente até 2050, mantido o cenário de base” (IX). Em termos de área, esses 13% de florestas primárias deveriam significar algo da ordem de 1 milhão de km2. Mas a perda de formações florestais não primárias não são aqui estimadas. Em 2015, Jonas Busch e Jens Engelmann, do Center for Global Development, projetavam que “uma área de florestas tropicais do tamanho da Índia [~3,2 milhões de km²] será desmatada nos próximos 35 anos [2016-2050], queimando mais de um sexto do carbono restante que pode ser queimado para que se mantenha o aquecimento global abaixo de 2º C” (X). No mesmo ano, o WWF projetou uma perda de até 1,7 milhão de km² entre 2010 e 2030, com 80% dessa perda ocorrendo em 11 frentes globais de desmatamento (XI), conforma mostra a figura 4.

Fonte: “Saving Forests at Risk”. WWF Living Forests Report, 2015Capítulo 5 (em rede)

Retração florestal (dieback)

Essas enormes perdas previstas mostram um círculo vicioso, no qual a amputação e degradação das florestas agravam as secas e o aquecimento global e estes, por sua vez, aumentam a vulnerabilidade das florestas. A que distância estamos de ultrapassar um ponto crítico (tipping point) nesse processo, a partir do qual as florestas começam a morrer “espontaneamente”? A última avaliação do IPCC (AR5-2014) “projeta com razoável confiança (medium confidence) maior mortalidade das árvores em muitas regiões ao longo do século XXI, associada a dieback” (XII). Define-se esse termo como o processo de retração florestal em grande escala por dessecamento progressivo “de fora para dentro” (dieback), isto é, a partir das extremidades dos ramos das árvores. Na realidade, casos de dieback já vêm ocorrendo em ao menos 88 zonas do planeta, causados por “falência hidráulica” ao cabo de secas prolongadas ou por infestações agravadas pelo aquecimento global, conforme o demonstram uma equipe de pesquisadores liderada por Craig Allen e vários outros trabalhos (XIII). Em 2010, Allen e colegas escreviam: “Os estudos aqui compilados sugerem que ao menos alguns dos ecossistemas florestais do globo já estão respondendo a mudanças climáticas e suscitam preocupação de que as florestas possam se tornar crescentemente vulneráveis a maiores taxas de mortalidade de árvores e de definhamento em resposta a aquecimentos futuros e a secas, mesmo em ambientes não normalmente considerados com déficit de água”.

Em toda a multifacética tragédia da deterioração da biosfera, nada é tão brutal e diretamente destrutivo da vida terrestre quanto a remoção e a degradação das florestas, processos causados, sobretudo, pela globalização do capitalismo e por nosso crescente carnivorismo. O mundo que estamos criando será, já o é em crescente medida, um mundo privado da beleza das florestas e dos animais que as habitam, um mundo de extinções em massa de espécies e no qual a vida das que conseguirão sobreviver, entre as quais possivelmente a nossa, tornar-se-á não apenas precária, mas, sobretudo, espiritualmente pobre.

[I] Cf. Oliver Milman, “Trump plan could open Giant Sequoia monument to logging”. The Guardian, 26/VII/2017.

[II] Cf. T. W. Crowther et al. (2015). “Mapping tree density at a global scale” Nature, 2/IX/2015.

[III] FAO State of the World forests 2012, p. 28.

[IV] Cf. Millennium Ecosystem Assessment, 2005. Ecosystems and Human Well-being: Biodiversity Synthesis. WRI, Washington, DC, 2005, pp. 12 e 18.

[V] Segundo a FAO, “a área total ocupada pelas pastagens (livestock grazing) é de 3.433 milhões de hectares, equivalente a 26% da superfície terrestre do planeta livre de gelo”. Cf. Livestock’s Long Shadow: Environmental Issues and Options, FAO, 2006.

[VI] Cf. Matthew C. Hansen et al., “High-Resolution Global Maps of 21st-Century Forest Cover Change”. Science, 342, 6160, 15/XI/2013pp. 850-853. Perda de cobertura florestal é mensurada aqui em árvores de ao menos 5 metros e em áreas de 30 x 30 metros.

[VII] Cf. Mikaela Weisse, Liz Goldman, Nancy Harris, Matt Hansen, Svetlana Turubanova and Peter Potapov, “Global tree cover loss remains high, and emerging patterns reveal shifting contributors”, Global Forest Watch, 18/VII/2017.

[VIII] Cf. James E.M. Watson et al., “Catastrophic Declines in Wilderness Areas Undermine Global Environment Targets”, Current Biology, 7/XI/2016. Áreas selvagens não incluem a Antártica e “other ‘rock and ice’ and ‘lake’ ecoregions”.

[IX] Cf. OECD Environmental Outlook to 2050: The Consequences of Inaction, 2012, pp. 22 e 157.

[X] Cf. Jonas Bush & Jens Engelmann, ‘The Future of Forests: Emissions from Tropical Deforestation with and without a Carbon Price, 2016-2050. Working Paper 411. Center for Global Development, 2015 (em rede).

[XI] Cf. “Saving Forests at Risk”. WWF Living Forests Report, 2015Capítulo 5 (em rede).

[XII] CF. IPCC-AR5, 2014, Climate Change. Synthesis Report, p. 35.

[XIII] Cf. Craig D. Allen et al., “A global overview of drought and heat-induced tree mortality reveals emerging climate change risks for forests”. Forest Ecology and Management, 259, 2010, pp. 660-684. Veja-se também Brendon Choat et al., “Global convergence in the vulnerability of forests to drought”. Nature, 21/XI/2012 e William R. L. Anderlegg et al.“The roles of hydraulic and carbon stress in a widespread climate-induced forest die-off”. Proceedings of the National Academy of Science, 109, 1, 13/XII/2011.

Luiz Marques é professor livre-docente do Departamento de História do IFCH /Unicamp. Pela editora da Unicamp, publicou Giorgio Vasari, Vida de Michelangelo (1568), 2011 e Capitalismo e Colapso ambiental, 2015, 2a edição, 2016. Coordena a coleção Palavra da Arte, dedicada às fontes da historiografia artística, e participa com outros colegas do coletivo Crisálida, Crises Socioambientais Labor Interdisciplinar Debate & Atualização (crisalida.eco.br) – Publicado originalmente no Jornal da Unicamp.

A onda asiática

Normas comentadas

NBR ISO 9001 – COMENTADA de 09/2015Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Versão comentada.

Nr. de Páginas: 32

NBR ISO 14001 – COMENTADA de 10/2015Sistemas de gestão ambiental – Requisitos com orientações para uso – Versão comentada

Nr. de Páginas: 4

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE

Pela primeira vez nos 380 anos da história da prestigiosa universidade norte-americana de Harvard, mais da metade dos calouros será não branca, com 50,8% compostos por minorias. A notícia, vinda de um país ainda fortemente marcado pela questão racional, foi uma das que mais chamou atenção na imprensa mundial.

Uma análise mais apurada dos números, entretanto, mostra que nem todos os comentaristas e mesmo especialistas atentaram para um aspecto que deveria provocar reflexão entre os responsáveis pelas políticas educacionais dos países ocidentais. Asiáticos ou descendentes são a expressiva maioria dos não brancos, com 22,2% do total, seguidos pelos afro-americanos (14,6%), hispânicos e outros latinos (11,6%) e descendentes de índios americanos ou habitantes das ilhas do Pacífico (2,5%).

É elogiável postura de Harvard, ao adotar práticas de inclusivas e estimular a formação de turmas com alunos de diferentes origens, experiências de vida e perspectivas – um diferencial e tanto num mundo globalizado. Vale atentar, no entanto, que a predominância de asiáticos nesses percentuais confirma a persistência de um forte traço cultural: a extrema valorização da educação em potências como China e Japão, e a preocupação de integrá-la à economia produtiva e à ciência aplicada.

Algumas análises já vinculam essa ênfase no ensino de ponta – perceptível em várias outras universidades pelo mundo afora – com o potencial de investimento chinês em países ocidentais. Inclusive no Brasil, onde só de 2015 para cá foram compradas 21 empresas, com investimento de 21 bilhões de dólares, segundo levantamento da AT Kearney e Dealogic, citado por Época Negócios.

A alta qualificação dos profissionais mais a fartura de recursos financeiros podem estar sinalizando para uma alteração no mercado de trabalho. Nessa perspectiva, seria bem lógico começar a pensar em alargar o eixo da formação de futuros talentos, pois eles poderão muito bem ter ótimas oportunidades de carreira se estiverem preparados para atuar em empresas com cultura, valores e até missões – não melhores nem piores –, mas diferentes do que vem sendo ensinado em nossas escolas.