Reflorestamento e reabilitação de aves são foco de projeto em Minas Gerais

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reflorestamentoPor meio de uma iniciativa sustentável na cidade de Aiuruoca, mais de 3 mil pássaros já foram liberados na natureza, inclusive alguns à beira da extinção, e árvores nativas tomam conta de 18 hectares da região antes semi desértica

Localizada em Aiuruoca, município mineiro cortado por rios que correm a Serra do Papagaio entre vales e cânions, a Fazenda Caminho do Meio sedia, desde 1999, um importante projeto de sustentabilidade ambiental, que integra agricultura, reflorestamento de árvores nativas da Mata Atlântica e soltura de aves recuperadas por maus tratos ou apreendidas pelo Ibama.

Segundo o idealizador do projeto e dono da Fazenda, Nélio Weiss, no início o local exibia uma paisagem árida e quase desértica, resultado de queimadas e devastações do passado. “Em 1999, começamos a jornada de reflorestamento da terra, que é vizinha do Parque Estadual Pico do Papagaio, Área de Proteção Ambiental (APA), plantando as primeiras mudas de pau-brasil, carvalho e jacarandá próximas às minas de água e, aos poucos, espalhamos o verde ao longo de 18 hectares”, conta.

Devido ao antigo cenário seco e sem verde, os pássaros da região praticamente desapareceram, inclusive o papagaio-de-peito-roxo, símbolo da cidade de Aiuruoca (em tupi guarani, ‘casa dos papagaios’), que está ameaçado de extinção. Diante disso, o primeiro passo deste grande projeto de sustentabilidade foi plantar árvores frutíferas para atrair as aves, iniciativa que foi tocada juntamente com o reflorestamento até a aprovação de um projeto de soltura de pássaros em parceria com o Ibama, que é acompanhado de perto pelas autoridades ambientais, garantindo que eles voltem ao seu ecossistema de origem.

“Desde 2007, nosso viveiro recebe inúmeras espécies de pássaros silvestres recuperados por mau tratos ou apreendidos pelo Ibama e pela polícia florestal devido ao comércio ilegal. Até hoje já libertamos mais de três mil aves, entre papagaio do peito roxo, tucano, azulão, pássaro preto, maritaca, trinca ferro, sabiá, sanhaço, saíra, pintassilgo, tiziu e canário da terra, além de saguis e macacos prego”, comenta Weiss. A Fazenda também possui um mantenedouro conservacionista, que pode ser visitado, e conta com araras Canindé, araras tricolores, araras vermelhas, ararajubas, papagaios verdadeiros, papagaios galegos, papagaios do mangue, papagaios do peito roxo, jandaias verdadeiras, tuim, ararinhas nobre, periquitos rei, periquitões maracanã e tucanos.

A iniciativa que surgiu da crença de seu idealizador de que “se não podemos transformar o mundo todo, começamos com as próprias mãos ao nosso redor”, hoje transformou o antigo cenário semi desértico da região em uma densa floresta a perder de vista, com mais de 15 mil novas árvores recompondo a biodiversidade desse pedaço da Serra da Mantiqueira, entre as espécies Ingá, Tamboril, Jambolão, Óleo bálsamo, Ipês (rosa, branco, amarelo e roxo), Peroba, Mogno, Jatobá, Jacarandá, Jequitibá, Angico, Maçaranduba e Carvalho.

E até mesmo o papagaio-do-peito-roxo, ameaçado de extinção, voltou a colorir o céu da região. O viés econômico faz parte do projeto ‘Adote uma Oliveira’, que envolve o cultivo de oliveiras para a produção de um azeite de qualidade premium, que será comercializado a partir de 2017. Toda a mão de obra do projeto é local e segue a filosofia da ‘fazenda à mesa’, destinando toda a produção para o consumidor.

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Estudo do INPE quantifica o papel do desmatamento e da degradação florestal nas emissões de CO2 até 2050

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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) fez um estudo apresentando os cenários de uso da terra e emissões de gases do efeito estufa atualizados para a Amazônia brasileira. O trabalho ajuda a elucidar o potencial e as limitações das metas propostas pelo Brasil na intended Nationally Determined Contribution (iNDC), subsidiando as discussões para a COP21 em Paris.

Ana Paula Aguiar, pesquisadora do CCST/INPE e uma das líderes do estudo, explica que a necessidade de elaboração de novos cenários surgiu das mudanças observadas na região na última década. “Muitos estudos discutiram o futuro da Amazônia nos anos 2000, com foco principal na questão do desmatamento. Porém, aqueles estudos foram desenvolvidos com base num contexto socioeconômico e institucional de total falta de controle do desmatamento – e mesmo seus cenários mais otimistas seriam considerados hoje muito pessimistas. A situação mudou e com ela houve a necessidade de atualizar os cenários. Porém, o futuro da região continua muito incerto. Por exemplo, embora as taxas de desmatamento na Amazônia tenham caído desde 2004, elas estabilizaram em torno de 6.000 km²/ano nos últimos cinco anos. As taxas vão cair mais, estabilizar ou subir novamente? O Código florestal será cumprido? Como o passivo ambiental será regularizado? Os altos índices de degradação florestal atuais serão revertidos? As respostas dependem de uma série de fatores, externos e internos – em especial, do modo como os governos e a sociedade irão lidar com a demanda por terra e commodities nas próximas décadas. Mas os novos cenários que propomos não se limitam às questões de recursos naturais e uso da terra. Eles são abrangentes, incluindo explicitamente a dimensão social como eixo de discussão. Temas bastante importantes, tais como a urbanização caótica e a desigualdade de acesso aos recursos na região também foram abordados”, ressalta a pesquisadora.

Neste contexto, narrativas contrastantes sobre o futuro foram construídas de modo participativo, através de workshops com representantes da sociedade civil e governo, no âmbito do projeto Amazalert, em parceria com a Embrapa, Museu Emilio Goeldi e diversas outras organizações. Os elementos destas narrativas, relativos ao uso dos recursos naturais, foram quantificados através de modelos computacionais capazes de estimar o balanço regional de CO2, considerando trajetórias alternativas de desmatamento, da dinâmica da vegetação secundária e também da degradação florestal.

“É o primeiro trabalho que inclui esses três processos no balanço de carbono da região de modo espacialmente explícito. Os cenários representam histórias contrastantes, porém factíveis, e incluem uma série de premissas sobre políticas para região – em especial sobre o cumprimento ou não do Código Florestal”, diz Jean Ometto, chefe do CCST/INPE e um dos líderes da pesquisa. Este estudo integra dados produzidos pelos sistemas de monitoramento do INPE (PRODES, DEGRAD e TerraClass) e utiliza as ferramentas de modelagem de código aberto LuccME e INPE-EM, também desenvolvidas pelo INPE.

O cenário mais otimista (Cenário A – Sustentabilidade) representa um futuro com avanços significativos nas dimensões socioeconômica e ambiental. Neste cenário, as medidas de Restauração e Conservação previstas no Código Florestal são, não apenas cumpridas, mas superadas. A região se tornaria um sumidouro de carbono após 2020, devido ao fim do desmatamento por corte raso e do processo de degradação florestal, aliado a um aumento da área de vegetação secundária (e do seu tempo de permanência), levando a um processo de Transição Florestal.

O cenário oposto, bastante pessimista (Cenário C – Fragmentação), parte da premissa de um retrocesso nos avanços ambientais e sociais da última década, com uma volta a maiores taxas de desmatamento e desrespeito ao Código Florestal, aliados a um processo de urbanização caótico e acirramento dos problemas sociais. Finalmente, um cenário intermediário (Cenário B, Meio do Caminho), combina premissas dos dois cenários mais extremos.

Este cenário também considera o cumprimento do Código Florestal, com taxas de desmatamento legais em torno de 4.000 km²/ano após 2020. As reservas legais são regularizadas principalmente através do mecanismo de compensação no mesmo bioma e a vegetação secundária mantém a mesma dinâmica atual, de abandono e corte cíclico nas áreas menos consolidadas. Neste cenário, talvez o mais plausível, a região continua sendo emissora de CO2.

Sobre a plausibilidade dos cenários, os autores do trabalho advertem: “Cenários não são previsões. Afirmar que a Amazônia vai virar um sumidouro de carbono, como no cenário A, sem esclarecer todas as premissas subjacentes, seria equivocado. Cenários são apenas histórias internamente consistentes sobre como o futuro pode se desenvolver. Técnicas de cenários são aplicadas justamente quando as incertezas sobre o futuro são muito grandes. Por outro lado, o futuro depende das nossas ações hoje. Se ele será mais próximo do cenário A ou C irá depender da organização da sociedade em uma direção ou outra. Fomentar esta discussão é o objetivo principal do método proposto”.

No setor florestal e de mudança do uso da terra, a iNDC prevê, entre outros pontos: “fortalecer políticas e medidas com vistas a alcançar, na Amazônia brasileira, o desmatamento ilegal zero até 2030 e a compensação das emissões de gases de efeito de estufa provenientes da supressão legal da vegetação até 2030”. Ou seja, o Brasil está propondo zerar as emissões líquidas por desmatamento até 2030 – numa situação entre os cenários A e B descritos acima. Alguns aspectos do trabalho do CCST/INPE podem ajudar na análise dos desafios destas metas.

Desmatamento ilegal zero – O que significa? Diversos trabalhos recentes publicados na literatura científica estimaram a área passível de ser desmatada legalmente de acordo com o Código Florestal, obtendo valores de 86.000 km² a 290.000 km² (Martini et al., 2015; Soares-Filho et al., 2014; Sparovek et al., 2015). O cenário B em Aguiar et al. (2015) considera uma taxa de desmatamento (legal) em torno de 4.000 km²/ano após 2020 (isto é, uma perda de aproximadamente 140.000 km² no período 2015 a 2050). Uma fonte importante de incerteza consiste em como estes estudos consideraram as terras públicas sem destinação, sobretudo, no Estado do Amazonas. As opções em relação à estas áreas são (i) a criação de áreas protegidas ou (ii) destinar para produção agrícola. A criação de áreas protegidas nestas áreas poderia diminuir substancialmente o potencial de desmatamento legal. Por outro lado, a literatura indica (o que também foi sido bastante discutido no processo participativo de construção dos cenários) a fragilidade das áreas protegidas existentes, incluindo unidades de conservação não consolidadas e a pressão sobre terras indígenas (Ferreira et al., 2014). Por fim, cabe ressaltar ainda que as taxas de desmatamento caíram significativamente após 2004, mas estabilizaram em 6,000 km² nos últimos anos. Logo, a manutenção e aprimoramento do conjunto de ações dos PPCDAM (Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal) e o fortalecimento dos arcabouços institucionais (para evitar retrocessos) são essenciais para que, no máximo, as taxas permaneçam dentro dos limites legais – e não voltem a subir na direção do Cenário C (a Tabela S1.1 do material suplementar do artigo apresenta uma síntese de ações necessárias, resultante do processo participativo de construção dos cenários).
Compensação das emissões provenientes do desmatamento legal: (a) Papel da vegetação secundária no balanço de carbono: Uma das formas de compensar as emissões por desmatamento legal na Amazônia seria a absorção de CO2 através da regeneração da vegetação secundária. De acordo com o sistema TerraClass, em 2008 foram observados cerca de 150,000 km² de vegetação secundária em áreas previamente desmatadas. Esta área vem aumentando nos levantamentos mais recentes do sistema. O processo de crescimento da vegetação secundária poderia, potencialmente, compensar as emissões por corte raso. Porém, os dados da literatura e do próprio TerraClass mostram que parte considerável desta vegetação é ciclicamente cortada (por exemplo, cerca de 25% da área identificada em 2008 havia sido cortada em 2012). Os novos cenários discutem o papel potencial da vegetação secundária no balanço de carbono no futuro, através de modelos que representam a dinâmica de abandono, crescimento e corte cíclico nas áreas desmatadas. Os resultados do cenário B mostram que, mantida a dinâmica atual, as emissões continuariam positivas. É importante notar que a vegetação secundária existente na região foi produzida pelo processo histórico de ocupação da região (pecuária extensiva, falta de assistência técnica, agricultura itinerante, especulação fundiária, etc.), inicialmente dissociado da questão mais recente da regularização do passivo ambiental pelo Código Florestal. Medidas que visem utilizar estas áreas para fim de regularização das reservas legais deverão incluir – além de sistemas de monitoramento adequados e de legislação específica que norteie a necessidade de sua supressão cíclica – a disponibilização de alternativas tecnológicas para que a vegetação secundária possa fazer parte do sistema produtivo aos agricultores da região, como por exemplo, sistemas que integram pastagem/agricultura e floresta. (b) Regularização das Reservas Legais (RL). Os trabalhos mencionados acima (Martini et al., 2015; Soares-Filho et al., 2014; Sparovek et al., 2015) também estimam a área de Reserva Legal a ser restaurada (passivo ambiental) caso as regras do novo Código Florestal venham a ser cumpridas de fato. O trabalho de Soares-Filho et al. (2014), por exemplo, estima cerca de 80.000 km² de passivo ambiental. O Código Florestal oferece dois mecanismos principais de regularização: efetiva restauração da reserva legal dentro da propriedade rural ou compensação em outra área do bioma (através de Cotas de Reserva Ambiental – CRA). Existe muita incerteza em relação a qual mecanismo será adotado por diferentes atores. Em todos estes trabalhos a área de passivo ambiental é consideravelmente menor do que o ativo (área legalmente disponível para conversão), em muitos casos, menos da metade. O mecanismo de compensação pode proteger áreas de floresta primária (diminuindo o ativo), enquanto o mecanismo de restauração pode favorecer o aumento das áreas de florestas secundárias. Existe, portanto, a necessidade de uma ampla discussão sobre os mecanismos de regularização das RL mais apropriados em diferentes contextos – considerando não apenas as emissões líquidas de carbono, mas a perda de biodiversidade, a provisão de serviços ecossistêmicos e os impactos nos atores envolvidos. Os resultados em Aguiar et al (2015) indicam que, em termos de emissões, mesmo no caso de que a regularização dos 80.000 km² de passivo viesse a ocorrer pelo mecanismo de restauração (pouco provável no entender dos autores, pois implicaria, em muitos casos, no abandono de áreas em produção), as emissões continuariam positivas – devido ao balanço entre as áreas passiveis a serem legalmente desmatadas (ativo) e à curva de crescimento da vegetação nas áreas de restauração. Por outro lado, os resultados da simulação B mostram que seria necessária a regeneração de uma área superior a 150 mil km² para zerar as emissões líquidas em 2030. Portanto, apenas o cumprimento do código dificilmente será capaz de zerar as emissões na Amazônia em 2030, independente do mecanismo de regularização das RL utilizado pelos diferentes atores. Serão necessárias medidas complementares que mantenham as taxas de desmatamento por corte-raso abaixo dos níveis “legais”.

Outros pontos relevantes: (a) Emissões por degradação florestal. O trabalho apresenta a quantificação das emissões provenientes do processo de degradação florestal – um componente importante do balanço regional de carbono não considerado na elaboração das metas. Utilizando dados do Sistema DEGRAD do INPE, o trabalho estima que as emissões brutas por degradação no período foram, em média, cerca de 47% das emissões por desmatamento tipo corte raso. Por outro lado, o processo de regeneração pós-distúrbio pode compensar, em parte, essas emissões. (b) Emissões nos outros biomas. A iNDC se refere apenas ao bioma Amazônia. Porém, tanto trabalhos de modelagem econômica (Dalla-Nora 2014), quanto a estimativa da área passível de ser legalmente desmatada de acordo com o Código Florestal no Cerrado (cerca de 400.000 km² de acordo com Soares-Filho et al. 2014) apontam para altas taxas de desmatamento neste bioma nas próximas décadas, devido ao seu potencial produtivo para a agricultura e menor grau de proteção. Caso apenas o cumprimento do Código Florestal seja o balizador de ações para proteger o Cerrado, podemos antever impactos consideráveis nas emissões nacionais e em termos de perda de biodiversidade. Já o bioma Caatinga, embora também apresente um ativo elevado (cerca de 258.000 km², de acordo com Soares-Filho et al. (2014)), não apresenta condições edafoclimáticas para a expansão da agricultura de grãos. Este bioma está, no entanto, sujeito a outros vetores de desmatamento, em especial a exploração predatória para satisfazer demandas por carvão vegetal e lenha para fins energéticos.

O trabalho completo em inglês está no link http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/gcb.13134/abstract

Os reflexos das queimadas

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queimadaQueimadas às margens de estradas têm sido um pesadelo para agricultores que possuem plantações próximas a elas. Com o tempo seco os riscos de fogo nas vegetações aumentam podendo se tornar incontrolável, causando destruição de lavouras, fauna e de toda vegetação seca.

As queimadas são um dos componentes mais devastadores do ecossistema, não destrói somente árvores e plantações, ela ocasiona o empobrecimento do solo e seus nutrientes, além de secar as nascentes. O agrônomo e consultor técnico Plinio Fernandes da empresa Fertigeo, diz que os agricultores precisam adotar medidas preventivas para que o fogo não atinja plantações prontas para serem colhidas neste período do ano e também vegetações próximas dos hectares.

“Até setembro alguns agricultores fazem a colheita do milho e algodão, são culturas fáceis de pegar fogo e por isso a preocupação. O agricultor pode optar por aceiros como medida de prevenção, principalmente para aqueles que plantam nas margens das rodovias. Essa técnica precisa ser feita em áreas de 20 a 50 metros nas laterais das lavouras, se há plantio na margem da estrada, opte por deixar este espaço para o plantio que fica do lado de dentro dos hectares. Como muitas áreas ficam descobertas a vegetação fica desprotegida, com este processo podemos evitar que, em caso de incêndio, o fogo se espalhe e fuja do controle, podendo queimar toda plantação. Outra medida é deixar próximo dessas áreas caminhões pipas ou tanques com água”.

Os incêndios podem ser provocados por pedaços de vidros não recolhidos por total quando acontece algum acidente nas estradas, estes mínimos estilhaços são capazes de produzir fogo, assim como garrafas com água que são lançadas nas margens das estradas, esse recipiente se transforma em lente de aumento, que também inicia o fogo.

“Falta conscientização das pessoas e gerenciamento dos donos de fazenda que plantam próximo das rodovias. Os prejuízos podem ser evitados, caso este agricultor tenha consciência dos perigos. Durante o período de estiagem as folhas das culturas ficam secas e podem pegar fogo com facilidade, as labaredas atingem áreas descobertas e o fogo se espalha rapidamente”, explica Plinio.

Segundo dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de 01 de janeiro até 14 de agosto, o monitoramento realizado revelou que 43.613 focos de calor foram detectados em todo o Brasil. O número corresponde a um aumento de 5% em comparação com o mesmo período do ano passado interrompendo um período de queda observado até julho.

Em alguns estados a situação pode piorar com a passagem do fenômeno chamado de El Niño, que é responsável por aquecer as águas do Oceano Pacífico na região tropical, podendo afetar o clima regional e global do país. Seus principais efeitos são as mudanças dos padrões de vento, com reflexos, sobretudo, sobre os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias.

“O perigo não está somente em perder a lavoura, o risco de acidentes ocasionados por queimas também é preocupante, assim como problemas para a saúde humana e animal. É comum em áreas rurais, a utilização do fogo para limpeza de áreas, isso é ilegal e pode trazer risco para fazendas vizinhas e também para condutores que trafegam próximo das queimadas. Os nutrientes do solo são prejudicados com as queimadas constantes, e a reposição por adubo pode levar certo tempo e ficará financeiramente mais cara ao produtor. Atenção e cuidado são algumas das medidas que elaboramos em nossas consultorias dadas aos produtores”, ressalta o especialista.

Tratamento e disposição do lodo de ETA e impactos na qualidade das águas

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O controle da poluição das águas é fundamental para a saúde humana, assim como para o meio em que essa se insere. Uma importante questão ambiental que vem sendo pesquisada atualmente, e um dos principais problemas enfrentados pelos grandes centros urbanos, é o processo de disposição final para o lodo gerado nas estações de tratamento de água (ETA). Com o crescimento populacional vem aumentando o consumo de água potável, sendo necessário o tratamento de uma maior vazão de água para prover toda a demanda da população. Com a deterioração da qualidade da água, torna-se necessário o uso de coagulantes para garantir que a água tratada atenda aos padrões de potabilidade da Portaria nº 2.914/2011, levando a um aumento da geração de lodo dentro da estação.

lodo1Segundo os especialistas, o lodo é gerado de duas maneiras: primeira devido à sedimentação dos flocos que ocorre nos decantadores, onde ficam retidos por dias ou até meses, de acordo com o sistema de descarga. E a outra forma de produção de lodo é devido à parte dos flocos que não se sedimentaram nos decantadores, e que seguem para a etapa de filtração, onde são retidos. Durante a limpeza dos decantadores, por processos mecanizados ou manuais, e dos filtros por lavagem, o lodo é removido e encaminhado para o processo de desidratação e disposição. Assim, a geração do lodo ocorre nos decantadores e na lavagem dos filtros.

Os lodos possuem características variadas, dependendo fundamentalmente das condições apresentadas pela água bruta, da dose e tipo de produtos químicos utilizados, e da forma de limpeza dos decantadores. Com a produção de uma grande quantidade de resíduos, as ETAs precisam dispor de forma correta todo o lodo para atender a legislação ambiental.

No Brasil, grande parte das estações lançam seus resíduos sem nenhuma forma de tratamento, diretamente no corpo d’água mais próximo à estação, ocasionando assoreamento e deterioração da qualidade da água dos rios e lagos. Atualmente, é necessário realizar novas buscas por tecnologias de tratamento do lodo e determinar formas diferenciadas de disposição, de maneira a causar o menor impacto possível no meio ambiente e atender as legislações ambientais.

A busca por soluções visando minimizar os impactos e viabilizar a disposição adequada dos resíduos da ETA, levou ao desenvolvimento de várias tecnologias. No entanto, a escolha da melhor tecnologia depende das características qualitativa e quantitativa do lodo, e das condições climáticas, sendo que cada estação terá um lodo com características diferentes. Pode-se estender a estes fatores a área necessária para implantação, custo da área, distância da estação até o destino final, custo dos equipamentos, operação, preparo de recursos humanos para preparação e a necessidade de condicionamento do lodo.

Uma grande preocupação em dispor corretamente o lodo das ETA está na presença de metais na composição desse resíduo e no aumento do volume de chorume gerado durante o processo de degradação quando o lodo é disposto em aterros sanitários, contribuindo para a geração de impactos adversos ao meio ambiente (água, solo, flora e fauna) e à saúde humana, quando depositados de forma inadequada. Muito se tem pesquisado sobre as opções de disposição do lodo de ETA, como: insumo na agricultura, disposição em aterro sanitário, incineração, uso na fabricação de cerâmica, recuperação de área degradada e recuperação do coagulante. No entanto, ainda existem lacunas sobre a melhor maneira de dispor estes resíduos, de forma que cause o menor impacto ambiental possível, devido às diversas características do lodo produzido.

Os resíduos gerados em ETAs, segundo os especialistas caracterizam-se por possuírem grande umidade, geralmente maior que 95%, estando, de maneira geral, sob forma fluída. A redução do seu volume propicia uma disposição mais adequada, a redução do custo de transporte e de disposição final além de minimizar os riscos de poluição do meio ambiente.

As estratégias de tratamento e disposição final de lodos de ETAs envolvem diversas opções e técnicas cujas pertinências são grandemente influenciadas, dentre outros fatores, pelas características do lodo, área disponível, clima local e condições socioeconômicas, culturais e ambientais da região onde se pretende implantar o sistema de tratamento de lodo. Normalmente, a primeira etapa dos sistemas de tratamento de lodo gerados em ETAs convencionais é o seu espessamento ou adensamento, que é um processo preparatório para o seu posterior condicionamento e desidratação final. Essa etapa objetiva a separação de parte da água mais facilmente removível do lodo com vistas à diminuição do volume desse lodo e, consequentemente, possibilita a redução no tamanho dos equipamentos utilizados na etapa subsequente de desidratação final do lodo, cujos custos de implantação e de operação (energia, manutenção, etc.) dependem do volume e das características do lodo a ser desidratado.

O adensamento é uma das mais importantes operações unitárias do processamento de tratamento da fase sólida, pois, de modo geral, os equipamentos de desidratação mecânica existentes no mercado recomendam uma concentração de ST no lodo de entrada na ordem de 2% para que o seu funcionamento ocorra de forma adequada. O espessamento pode ser efetuado em unidades de sedimentação (espessamento por gravidade), em unidade de flotação por ar dissolvido (espessamento por flotação) ou em espessadores mecânicos de esteira.

Embora o uso de adensadores por gravidade seja mais antigo e difundido em vários países, a alternativa de espessamento por flotação vem conquistando o apreço dos projetistas. Tal fato ocorre devido a algumas vantagens inerentes ao espessamento de alguns tipos de lodo por flotação em relação ao procedimento de sedimentação, podendo-se citar: maiores taxas de aplicação de sólidos e de clarificação (unidades mais compactas), maiores concentrações de sólidos no lodo espessado por flotação e maior versatilidade operacional da instalação devido à possibilidade de controle da qualidade de ar fornecida para flotação. Contudo, salientam que a escolha do tipo de unidade de espessamento de lodos de ETAs deve sempre se pautar em resultados de ensaios de laboratórios, ou escala-piloto, pois o desempenho de qualquer processo de espessamento dependerá das características do lodo considerado, as quais podem variar significativamente de uma ETA para outra.

Estudos realizados pelo Prof. Dr. Luiz Di Bernardo avaliaram a tratabilidade de resíduos produzidos na ETA Descalvado, localizada no município de Descalvado em São Paulo, e verificou que com uso de polímero foi obtido um lodo com maior facilidade de desaguamento por centrifugação. O Prof. Di Bernardo também demonstrou que o tratamento do lodo realizado unicamente por adensamento, inviabiliza sua disposição em aterro, dada a dificuldade na sustentação dos equipamentos e taludes, devido à baixa concentração de sólidos ≤ 8%. Acrescentou ainda que este fato também limita sua utilização como matéria-prima na fabricação de cerâmica e na incorporação em matriz de concreto, embora essa baixa concentração de sólidos possa ser recomendável para disposição desses resíduos em ETEs ou recuperação de solos agrícolas, dependendo das características qualitativas e quantitativas dos resíduos.

Logo, dependendo da disposição final que se pretende dar ao lodo de ETA, pode ser necessária, após o adensamento, a aplicação de outra tecnologia de desaguamento, com o propósito de aumentar a concentração de sólidos totais e, consequentemente, reduzir de forma mais significativa o volume de lodo. O especialista concluiu na sua pesquisa que a escolha da técnica de tratamento deve ser analisada do ponto de vista sistêmico, considerando que o grau de tratamento do lodo da estação depende, diretamente, do método de aproveitamento e de disposição do resíduo, junto com a qualidade desejada para a parcela líquida a ser recirculada no início da ETA (se esta possibilidade for avaliada).

As ETA que utilizam o tratamento convencional (coagulação, floculação, decantação e filtração), transformam a água inadequada ao consumo humano em um produto em acordo com o padrão de potabilidade, para isso são necessários processos e operações que geram resíduos. No Brasil, a maior preocupação tem sido em relação aos resíduos gerados em estações de tratamento de esgoto (ETEs), enquanto pouco tem sido discutido em relação aos rejeitos gerados em ETAs, como o lodo. De acordo com a NBR 10.004, o lodo é classificado como resíduo sólido, não sendo permitido seu lançamento in natura em águas superficiais. No entanto, no Brasil essa prática é realizada pela maioria dos sistemas de tratamento de água, promovendo impactos ambientais diversos. Segundo IBGE (2010), dos 5.564 municípios brasileiros, 2.098 produzem lodo no processo de tratamento da água. As destinações desse lodo gerado são apresentadas na Figura 1. É importante frisar que um município pode dar mais de um destino ao lodo gerado.

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Nota-se que o percentual de municípios brasileiros que destinam o lodo em rios corresponde a 62,44%. Esse percentual mostra que um grande volume de lodo vem sendo lançado nos rios brasileiros, o que interfere na qualidade das águas, podendo causar diversos impactos. Dentre os municípios que destinam o lodo gerado em rios, a região sudeste é a que contribui com o maior número de municípios, seguida da região sul, conforme a Tabela 1. Essas duas regiões são as que possuem a maior demanda por água e consequentemente as que produzem a maior quantidade de água tratada e lodo.

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Segundo a Profa. Dra. Cali Laguna Achon do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de São Carlos, em um estudo realizado sobre as 23 ETA da sub-bacia do rio Piracicaba em São Paulo, que é precursora na gestão de recursos hídricos, a forma de destinação que prevalece é a disposição in natura do lodo nos corpos d’água, sendo que 73% do lodo é lançado nos corpos receptores sem tratamento prévio, 23% das ETAs não disponibilizaram esta informação e somente 4% enviam o lodo para aterro, após desaguamento. Ainda de acordo com a pesquisadora as informações sobre o lodo gerado na maioria das ETAs não é, sequer efetivamente medido e quantificado, o que dificulta ações de melhoria da gestão destes resíduos e a avaliação de impactos ambientais advindos da disposição inadequada.

As principais características que distinguem o lodo de outros resíduos são: a capacidade de suportar a vida vegetal, a capacidade de retenção de água e o conteúdo de ferro e alumínio. Com base nesses aspectos, podem ser citadas algumas técnicas de disposição final: aplicação em solos agrícolas, recuperação de áreas degradadas, material de construção, materiais cerâmicos, recuperação do coagulante, disposição em ETE, disposição em aterro, dentre outras. No Brasil, tais alternativas ainda são pouco utilizadas.

A aplicação em solos agrícolas é umas das possíveis formas de disposição do lodo de ETA. Como o sulfato de alumínio é bastante utilizado como coagulante nas ETAs, os possíveis efeitos que ele pode causar têm sido um ponto central nas pesquisas sobre a aplicação do lodo em solos agrícolas. A toxicidade do alumínio é um dos mais importantes fatores que limitam a produtividade das culturas em solos ácidos, os quais compreendem mais de 40% das terras aráveis do mundo.

No Brasil, aproximadamente 1,8 milhão de km² de solos, sob vegetação de cerrado, caracteriza-se por apresentar forte acidez, deficiência extrema de fósforo, cálcio, magnésio e níveis elevados de alumínio e manganês. A baixa produtividade e a baixa resposta de muitos desses solos à fertilização têm sido, em grande parte, atribuídas à presença de alumínio em concentrações tóxicas. Diante dos possíveis efeitos causados pelo alumínio, para a aplicação de lodos de ETAs em solos agrícolas é necessária a realização de análises, principalmente quando o coagulante utilizado no tratamento for o sulfato de alumínio.

A utilização do lodo de ETA para a recuperação de áreas degradadas é uma alternativa viável, desde que sejam realizadas análises para identificar os efeitos causados ao solo e as plantas. O lodo de ETA pode ser disposto em áreas degradadas, pois eleva os teores de macronutrientes e o valor do pH do solo. Em altas doses pode causar a salinidade do solo. Para fins de recuperação, sua aplicação deve estar associada a um resíduo orgânico, como composto de serragem e esterco bovino, entre outros.

A construção civil é um setor que apresenta um alto consumo de recursos naturais e a utilização do lodo de ETA pode ser uma alternativa benéfica para mitigar tal consumo. Pesquisas têm sido realizadas a fim de verificar a adequabilidade dos produtos para construção gerados com adição de lodo de ETAs em relação às normas pertinentes.

As características físicas e químicas de lodos de ETAs são, muitas vezes, similares às características dos materiais utilizados na fabricação de tijolos, pois apresentam propriedades similares à argila natural e xisto utilizados na produção destes materiais. As grandes quantidades de lodos gerados em ETAs podem diminuir significativamente a quantidade de argila e xisto utilizados na fabricação de tijolos, aumentando a vida útil das jazidas naturais. A possibilidade de reunir os rejeitos advindos do lodo de ETAs em conjunto com os resíduos da construção civil, no intuito de estudar formas de utilização dos mesmos, poderá ser uma interessante estratégia no sentido de minimizar os impactos ambientais gerados por estes dois setores.

A agregação de resíduos de diversas atividades em produtos cerâmicos argilosos é uma alternativa tecnológica que pode contribuir para a redução do impacto ambiental causado por estes. Durante a queima da cerâmica pode ocorrer a inertização de materiais potencialmente tóxicos por volatilização, transformação química e estabilização na fase vítrea que se forma pela participação de alumino silicatos e fundentes na massa cerâmica. Dependendo da quantidade e da característica do resíduo, essa incorporação pode, inclusive, melhorar o processamento cerâmico, a qualidade da cerâmica e ainda, contribuir para a redução do gasto energético na etapa de queima e na redução do consumo de argilas, recurso natural utilizado como matéria prima na confecção de cerâmica.

O lodo gerado em ETAs, principalmente o proveniente de água de superfície, pode ser incorporado à massa cerâmica devido a sua composição mineralógica sem alterar de forma significativa as propriedades físicas das peças produzidas. A incorporação do lodo gerado em ETAs na massa cerâmica pode reduzir a temperatura de queima, devido à fração orgânica, e consequentemente reduzir a energia total requerida durante o processo.

Além disso, os hidróxidos metálicos presentes no lodo reduzem a porosidade e, no caso dos lodos férricos, aumentam a intensidade da cor vermelha dos tijolos e telhas. Há possibilidade da utilização do lodo na fabricação de materiais cerâmicos desde que o teor máximo de lodo não ultrapasse 10%, pois observou que com concentrações maiores houve comprometimento das propriedades físicas e mecânica do material.

A alternativa de recuperação do coagulante permite minimizar os custos e os problemas associados à disposição final do lodo, pois além de diminuir o volume a ser descartado, promove a reciclagem dos produtos químicos dosados no tratamento. A redução dos custos pode chegar a valores próximos de 45%. Entorno de 35 a 45% dos sólidos presentes no lodo são hidróxidos e qualquer que seja o tipo de regeneração, a etapa inicial será a solubilização dos hidróxidos precipitados.

Os processos se diferenciam na forma pela qual os compostos solúveis serão separados dos materiais inertes. As opções tecnológicas que se encontram disponíveis para a realização da recuperação de coagulantes de lodos de ETAs são: recuperação pela via ácida, recuperação pela via alcalina, extração com solventes orgânicos e extração com quelantes. Dentre as quatro, a que alcançou o maior desenvolvimento industrial foi a recuperação pela via ácida.

Segundo Di Bernardo et al. (1999), um método de disposição do lodo gerado nas ETAs, que tem sido observado em alguns países da Europa e nos Estados Unidos, é o seu lançamento nas estações de tratamento de esgoto (ETEs), via rede coletora de esgoto ou por meio de transporte em caminhão. Tal alternativa torna-se atraente, pois elimina a implantação de um sistema de tratamento nas próprias ETAs. No entanto, o que ocorre é a transferência do gerenciamento para a administração das ETE.

Para a realização de tal procedimento são necessárias análises criteriosas para avaliar as possíveis interferências que podem ocorrer nas unidades da ETE devido às características do lodo gerado e do incremento da vazão. Já foram analisados em escala piloto o impacto do lançamento dos resíduos de uma ETA em uma ETE operando com reator UASB, sendo verificado que a disposição do lodo em um reator UASB não interfere prejudicialmente no desempenho operacional do mesmo.

A alternativa de disposição dos lodos de ETA em aterros é sempre recomendada por ser comprovadamente viável tecnicamente e possuir regulamentação pelas legislações ambientais vigentes. Mesmo adotando-se outras formas de disposição, propõe-se sempre prever a utilização de aterros sanitários como opção de armazenamento dos lodos, pois pode haver necessidade de sua utilização nos casos de variações bruscas na quantidade ou qualidade dos lodos. Para a disposição do lodo de ETA em aterros é necessária a análise da interação das substâncias químicas presentes na composição do lodo de ETA com os resíduos de origem predominantemente doméstica.

No Brasil, a maioria das estações lançam seus resíduos sem nenhuma forma de tratamento diretamente no corpo d’água mais próximo à estação, ocasionando assoreamento e deterioração da qualidade da água dos rios e lagos. A toxidade potencial dos lodos de ETA, para plantas, seres humanos e organismos aquáticos, depende de fatores tais como: características da água bruta, produtos químicos utilizados no tratamento, possíveis contaminantes contidos nesses produtos, reações químicas ocorridas durante o processo, forma de remoção e tempo de retenção dos resíduos dos decantadores, características hidráulicas, físicas, químicas e biológicas do corpo receptor. As águas naturais utilizadas como mananciais estão sujeitas à contaminação por formas naturais decorrente da ação da água sobre as rochas e também sobre o meio, tais como: aplicação de fertilizantes e pesticidas e disposição de resíduos sanitários e industriais. Esse aspecto é de grande importância, pois esses podem estar presentes nos resíduos gerados.

A grande preocupação em dispor corretamente o lodo das ETAs, está na presença de metais na composição desse resíduo e no aumento do volume de chorume gerado durante o processo de degradação quando o lodo é disposto em aterros sanitários, contribuindo para a geração de impactos adversos ao meio ambiente (água, solo, flora e fauna) e à saúde da população, quando depositados de forma inadequada. O lançamento do lodo em corpos receptores, devido a sua concentração, ao tamanho das partículas dispostas e a baixas velocidades de escoamento do rio a jusante do lançamento, pode levar a sedimentação das partículas sobre a camada bentônica, inibindo o crescimento de várias espécies de peixes e outros organismos aquáticos.

A descarga de lodo com altos teores de alumínio no corpo receptor causa toxicidade do meio aquático. A carga orgânica contida no lodo pode contribuir para o consumo de oxigênio no corpo d’água, levando a condições anaeróbias, produção de maus odores e mortandade de peixes e algas, além de afetar a camada bentônica. Desta forma, os lançamentos destes efluentes contribuem para aumentar a degradação dos corpos d’água e desrespeitam a DN conjunta COPAM/CERH nº 01 (MINAS GERAIS, 2008) e a Lei de Crimes Ambientais nº 9.605 (BRASIL, 1998). Sendo imprescindível o conhecimento dos aspectos legais para definição de estratégias gerenciais que objetivem a minimização de resíduos gerados e o aproveitamento e disposição dos resíduos, sem comprometer a qualidade dos corpos receptores.

Recuperação de pastagens pode evitar perdas no campo

CURSO TÉCNICO

Metodologia para Identificação e Classificação de Aspectos e Impactos Ambientais, Conforme NBR ISO 14001 – Disponível pela Internet

Possibilitar ao participante a identificação dos aspectos e impactos ambientais, e elaborar o LAIA – Levantamento de Aspectos e Impactos Ambientais de sua organização conforme a norma NBR ISO 14001.

degradadaA recuperação de pastagens é uma importante aliada para se obter desempenho satisfatório no campo. Um solo saudável é capaz de trazer riquezas para o sustento humano e animal, porém muitos agricultores utilizam de forma inadequada o solo, fazendo com que ele perca seus nutrientes e tenha resultados negativos para o meio ambiente e agricultura.

A degradação do solo pode deixá-lo infértil ou com baixas concentrações de nutrientes, dificultando ou inviabilizando a prática da agricultura. A produtividade pode ser maior, isso se o agricultor realizar adubação intensiva no solo, este processo interage com a lavoura e pecuária propiciando bons resultados.

O consultor agrônomo Plinio Fernandes Costa, da empresa Fertigeo, explica que é preciso ficar atento se há incidência de pastagens degradadas. “Fazemos uma avaliação e buscamos a melhor alternativa para recuperar a pastagem para plantio, pois em alguns casos a propriedade pode apresentar um alto nível de degradação. Pastagens sendo tomadas por plantas daninhas, baixa lotação de pastejo, erosões, falta de contenção de água, aumento do alumínio no solo, compactação do solo entre outros são alguns dos problemas que podem prejudicar o processo de plantio”, explica.

Os problemas internos afetam os agricultores que buscam ajuda em associações e consultorias para controlar e evitar perdas no campo. A rotação de culturas é importante porque melhora a qualidade do solo, contribui para a ciclagem e diminui a incidência de pragas e ervas daninhas.

O agrônomo ressalta que o investimento para este controle pode ser menor, caso o agricultor faça o quanto antes uma avaliação do solo. “Para conservar o maior patrimônio que é o solo, será preciso realizar investimentos em corretivos, até mesmo para garantir o patrimônio imobiliário das terras, a propriedade busca lucratividade com o plantio e se não houver um bom manejo o valor da perda de safra será repassado para os consumidores, colocando assim uma alta taxa sobre o produto entregue na mesa das famílias”, acrescenta.

A recuperação de pastagens proporciona uma série de benefícios, como a diversificação na produção da propriedade; redução no custo de formação das pastagens pela melhoria das condições do solo e renda com as culturas anuais; diminuição do risco de perda de renda do produtor, pois sua produtividade aumenta e não fica dependente de somente um produto; maior conservação do solo e, consequentemente, redução de perdas com erosão; menor impacto ambiental; melhor aproveitamento da propriedade rural; conservação de matéria orgânica; manutenção de culturas; menor temperatura do solo e maior umidade devido ao manejo de palhadas.

O consultor explica que o trabalho necessita de muito planejamento e discussão sobre os dados obtidos nas avaliações. “Precisamos obter o máximo de eficiência nos que se diz investimento e lucratividade, é como um passo de cada vez. Em estágios iniciais é possível que com apenas uma adubação seja capaz de resolver o problema. Porém, em situações criticas é necessário fazer uma nova aração, correção de solo e outros procedimentos. O investimento pode aumentar de acordo com a necessidade que o solo se encontra”, conta Plinio.

O agricultor é responsável pela maioria das degradações vivenciadas no campo atualmente, as atividades agrícolas são agentes degradantes dos solos, causando anualmente a perda de milhões de toneladas, carregando a cada safra resultados positivos e negativos. “É preciso pensar que o meio ambiente é nossa maior riqueza, seja para os animais, vegetais e principalmente humano. Se degradamos hoje, amanhã podemos não ter um bom solo para nos trazer bons resultados, devemos preservar cada centímetro de terra”, complementa Plinio.

Planos governamentais

Como sempre o governo sempre tem planos e um deles era recuperar 15 milhões de hectares de áreas de pastagens degradadas entre os anos de 2010 e 2020 é uma das metas do Ministério da Agricultura para o programa do governo federal de redução da emissão de gases de efeito estufa. O solo degradado é consequência da perda de sua capacidade física e química (fertilizantes) de continuar produtivo, o que o impossibilita de reter gás carbônico (CO2).  A degradação ambiental impõe elevados custos à sociedade, além do empobrecimento do produtor rural.

O Brasil possui cerca de 30 milhões de hectares de áreas de pastagens em algum estágio de degradação, com baixíssima produtividade para o alimento animal. O uso correto de tecnologias e de boas práticas agropecuárias torna possível reinseri-los ao processo produtivo. Dentre as ações em execução pelo Ministério da Agricultura, vale destacar a instituição do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas na Amazônia (Pradam). Elaborado em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), a Organização Mundial para Agricultura e Alimentos (FAO, em inglês) e o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), o Pradam visa a recuperar 5 milhões de hectares em cinco anos.

Para cumprir com essa meta, o programa iria fazer o mapeamento das áreas degradadas em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); definir as estratégias de intervenção com tecnologias sustentáveis, assistência técnica e crédito rural facilitado; e implantar projetos demonstrativos em parceria com órgãos públicos e privados. Entre as tecnologias aplicáveis, destacam-se a agricultura orgânica, sistemas de produção integrada, integração lavoura-pecuária-floresta plantada (ILPF), plantio direto e sistemas agroflorestais. A capacitação de produtores e assistentes técnicos, bem como o uso de estratégias específicas para o barateamento dos custos de transporte dos insumos e de escoamento também fazem parte do Pradam.

Resíduos, qualidade da água, do ar e das praias em São Paulo

CURSO PELA INTERNET

Metodologia para Identificação e Classificação de Aspectos e Impactos Ambientais, Conforme NBR ISO 14001 – Disponível pela Internet

Possibilitar ao participante a identificação dos aspectos e impactos ambientais, e elaborar o LAIA – Levantamento de Aspectos e Impactos Ambientais de sua organização conforme a norma NBR ISO 14001.

As condições climáticas em São Paulo ao longo de 2014 influenciaram a qualidade do ar, das águas e das praias no estado. Essa é a principal conclusão dos relatórios anuais da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que apontam que a média acumulada de chuvas no território paulista foi de 1.055 mm no ano passado, contra um valor histórico de 1.438 mm, o que corresponde a redução de 26%.

A escassez de chuvas refletiu-se na melhora das condições de balneabilidade das praias, em razão da redução de poluentes carreados para o mar. Por outro lado, a menor disponibilidade hídrica aumentou a concentração de poluentes nos rios. No que se refere à qualidade do ar, o efeito da escassez de chuva foi atenuado por melhores condições de ventilação durante o inverno.

Os relatórios de qualidade do ar, das águas superficiais e das águas litorâneas do estado de São Paulo, além do Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Urbanos, relativos ao ano de 2014, encontram-se disponíveis para consulta e download no site www.cetesb.sp.gov.br

Balneabilidade das praias

O Relatório de Qualidade das Águas Litorâneas do Estado de São Paulo 2014 revela que, em comparação com 2013, houve melhora nas condições de balneabilidade no litoral paulista, com aumento de 11% para 18% de praias classificadas como Boa. Os dados são explicados pela estiagem e pelo investimento em saneamento básico.

No entanto, uma análise da tendência da qualidade das praias paulistas ao longo dos últimos dez anos revela a diminuição do índice de praias que permaneceram próprias para banho durante o ano todo. Tal tendência pode ser atribuída, em parte, ao aumento da população fixa no período. Os anos em que esse índice ficou abaixo dos 25% foram 2008, 2011, 2013 e 2014.

No Litoral Norte, em 2014, os quatro municípios apresentaram melhora das condições, com a porcentagem de praias próprias para banho avançando de 22% para 28%, embora as Ótimas tenham recuado de 7% para 3%. As praias Ruins e Péssimas recuaram de, respectivamente, 20% para 7% e de 5% para 2%. As praias em condições Regulares, seguindo a tendência do estado, constituíram a maioria com 63%.

Na Baixada Santista, as praias consideradas próprias para banho, que englobam as classificações Ótima e Boa, aumentaram de 3% para 11%, enquanto as praias Regulares avançaram de 20% para 40%. No sentido inverso, houve a diminuição das praias Péssimas de 30% para 10%. As praias Ruins registradas chegaram a 39%.

Nessas duas regiões, foram registrados aumentos significativos no número de praias impróprias para banho nos meses de fevereiro, março e setembro, mostrando a grande influência das chuvas nas condições de balneabilidade. No Litoral Sul, observou-se melhora significativa nas condições de balneabilidade, em decorrência principalmente do aumento das praias Ótimas de 20% para 80%. As demais se enquadraram como Boas. Nessa região, as praias são sistematicamente próprias para banho, não se registrando situações Regulares, Ruins ou Péssimas.

Qualidade das águas

Segundo o Relatório de Qualidade das Águas Superficiais do Estado de São Paulo 2014, os rios e reservatórios monitorados pela Cetesb apresentaram estabilidade do Índice de Abastecimento Público (IAP), avaliado nos pontos de captação, com uma porcentagem de 81% de pontos enquadrando-se nas categorias Regular, Boa e Ótima.

Nos cinco reservatórios do sistema Cantareira, o IAP anual variou entre as condições Boa e Ótima. Esses resultados indicaram que o uso da reserva estratégica não prejudicou a qualidade da água bruta para fins de abastecimento público.

Em relação ao Índice de Qualidade das Águas (IQA), que avalia os efeitos dos lançamentos de esgotos domésticos no corpo hídrico, houve leve piora em relação aos últimos cinco anos, por causa da concentração de poluentes devido ao baixo índice pluviométrico.

O reservatório Billings apresentou um Índice de Proteção da Vida Aquática (IVA) Ruim nos pontos amostrados, com exceção do trecho inicial próximo à Pedreira, que foi classificado como Péssimo. Nesse local, verificaram-se valores mais elevados de microcistina (toxinas naturais produzidas pelas algas). Na Guarapiranga, por sua vez, a concentração de microcistina na água bruta manteve-se sempre inferior ao padrão de potabilidade de 1 micrograma/litro.

Qualidade do ar

O Relatório de Qualidade do Ar no Estado de São Paulo 2014 revela que as concentrações de dióxido de enxofre (SO2), monóxido de carbono (CO) e partículas inaláveis (MP10) são menores do que as observadas no final de década de 1990 e início dos anos 2000, mostrando a eficácia dos diversos programas de controle adotados.

Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), os níveis de monóxido de carbono e de dióxido de enxofre encontrados estão entre os mais baixos da década, apesar da expansão da frota automotiva. Já os de partículas inaláveis (MP10) tendem à estabilidade, com uma concentração média de 36 microgramas/m³, ligeiramente superior à observada em 2013, tendo sido registradas ultrapassagens dos padrões diário e anual de qualidade do ar, tanto de partículas inaláveis quanto de partículas inaláveis finas (MP2,5) em algumas estações próximas a vias de tráfego.

Ainda na RMSP, que apresenta alto potencial de formação de ozônio devido principalmente às emissões veiculares, foram registradas ultrapassagens do padrão estadual de oito horas desse poluente (140 µg/m3) em 43 dias, contra 13 dias em 2013 e 49 dias em 2012.

No interior do estado, as fontes existentes de emissão dos poluentes, associadas aos períodos sem chuvas e ao aumento dos focos de queimadas, contribuíram para que fossem registradas ultrapassagens dos padrões diários e anual de partículas inaláveis em algumas localidades, com médias, de maneira geral, superiores às de 2013.

Na Baixada Santista, em relação ao ozônio (O3), foram anotadas ultrapassagens do padrão estadual nas estações de medição Cubatão-Centro e Cubatão-Vale do Mogi. No interior do estado houve ocorrências de ultrapassagem em todas as estações que monitoram esse poluente.

Resíduos sólidos urbanos

A principal conclusão do Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Urbanos 2014 é que as condições de destinação de resíduos sólidos no estado de São Paulo melhoraram. Em 2011, 492 municípios, ou 76,3%, tratavam os resíduos sólidos urbanos de forma adequada, índice que alcançou 95,85% em 2014, correspondendo a 615 municípios.

Noventa localidades obtiveram 10 pontos, atendendo a todos os quesitos avaliados pela Cetesb. Nesses casos, além dos aspectos técnicos e operacionais dos aterros, considerados adequados, os locais onde os resíduos são destinados contam com guaritas de vigilância, cercas e outras benfeitorias.

Dos 645 municípios paulistas, 27 dispõem os resíduos sólidos urbanos em condições inadequadas, com locais de destinação final apresentando problemas como a presença de vetores de doenças, emanação de odores, falta de controle operacional e outros. Os demais municípios, com exceção de três, que não foram avaliados por destinarem os resíduos fora do estado, dispõem os resíduos em condições adequadas.

O levantamento revela que Presidente Prudente é o município que se encontra em pior situação, alcançando 2,7 pontos numa escala que vai até 7,0, a partir do qual as condições passam a ser consideradas adequadas. Pirapozinho, que se localiza na mesma região, também obteve baixa pontuação, com 2,8. A pesquisa estima que o estado gera, diariamente, excetuados os três municípios que exportam seus resíduos para outros estados, 39.072 toneladas de resíduos, das quais 97,8% são destinadas de forma adequada e 2,2%, inadequada, contra, respectivamente, 84,7% e 15,3%, em 2011.

Na opinião dos especialistas da Cetesb, os resultados alcançados são decorrentes das ações de fiscalização e controle, somadas às de apoio e orientação técnica prestadas aos municípios para o melhor desempenho de suas atribuições na gestão dos resíduos sólidos. Além disso, o apoio financeiro foi fundamental para a evolução registrada nos dezoito anos desde a elaboração do primeiro inventário, em 1997.

A solução para a crise hídrica mais perto do que se imagina

VÍDEO EXPLICATIVO

Contaminantes químicos e suas medidas de controle – Disponível pela Internet

Avaliar criticamente, compreender e controlar contaminantes químicos em alimentos.

Sergio Werneck Filho

A crise hídrica que afeta quase 1.000 municípios brasileiros das regiões Nordeste e Sudeste é algo histórico que, certamente, deixará grandes lições. O tema tem sido o principal foco de discussões, tanto na esfera pública como privada.

Um ponto, porém, merece atenção. Até o momento, o grande enfoque está em como suprir a demanda diante dos baixíssimos índices dos reservatórios. Alternativas para trazer água de regiões cada vez mais distantes e, claro, a discussão em torno da recuperação dos mananciais norteia grande parte das preocupações.

Porém, a solução, não apenas para esta crise, mas para todo o sistema de abastecimento de grandes centros, não está somente nas alternativas para se obter novas fontes de água. Pelo contrário. O que precisamos é nos atentar à forma com que a água retorna ao sistema. Precisamos enxergar as regiões metropolitanas como grandes sistemas de reuso.

Para abastecer a Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, são necessários 80 metros cúbicos de água bruta por segundo. Sabe-se que grande parte deste volume (cerca de 20%) se perde no caminho. Ou seja, 1 em cada 5 litros de água captada não chega às residências, indústrias, escritórios ou comércios. Esta questão já é amplamente discutida e, para ser solucionada, requer investimentos na rede atual. Assim, precisamos focar na água que chega ao consumidor.

Quando entregue, a água é utilizada para diferentes fins, desde limpeza, higiene pessoal, consumo ou processos industriais. Mesmo utilizada em todos estes processos, ela não desaparece. Estima-se que, do total de água entregue, são consumidos ou evaporados apenas 11,2 metros cúbicos por segundo (20% da água entregue). E o restante? Qual é a destinação desta água? O que fazemos com ela?

O fato é que, se não se perde, não é consumida ou evaporada, esta água retorna ao sistema, seja como efluente ou como esgoto. Este volume representa quase 65% de toda água bruta que chega ao sistema de abastecimento.

O problema é que, apesar de ser um volume significativo, a capacidade de tratamento atual não é suficiente. A estrutura hoje consegue tratar apenas 18 metros cúbicos por segundo. Pelos nossos cálculos, o total de efluentes e esgoto que chega ao sistema é de 51 metros cúbicos por segundo.

Ou seja, 33 metros cúbicos por segundo de esgoto liberados na Região Metropolitana de São Paulo não são tratados. Se considerarmos os dados mensais, os números são ainda mais expressivos. Em 30 dias, estamos falando em 85,5 bilhões de litros que poderiam retornar ao sistema tratados.

Se, ao invés de buscarmos outras alternativas para abastecer o sistema, buscássemos formas eficazes de melhorar a qualidade da água que retorna aos rios e de reduzir as perdas iniciais das águas captadas, o cenário seria bem diferente. Ao reduzir as perdas de 20% para 10%, teríamos uma economia de 7 metros cúbicos por segundo.

Se além disso fossem feitos os investimentos necessários para dobrar a capacidade de tratamento de esgoto da região e ampliação da rede coletora, teríamos mais 18 metros cúbicos por segundo de insumo para reuso. Com estas três iniciativas (menos perdas, mais coleta e mais tratamento), mesmo ainda não conseguindo tratar 100% do esgoto que retorna aos rios, conseguiríamos um volume de 44 metros cúbicos por segundo, ou 114,0 bilhões de litros por mês, equivalente aos sistemas Cantareira e Alto Tiete somados.

A resposta para a crise hídrica atual e todos os possíveis desdobramentos futuros deve privilegiar o tratamento adequado do esgoto. A água precisa retornar com qualidade semelhante a que foi retirada.

Assim, muito mais do que buscar novas fontes, o que a Região Metropolitana de São Paulo –  e tantas outras – precisam é o controle da qualidade do descarte. Se cuidarmos de como devolvemos a água para os rios, vamos sofrer bem menos com a falta de chuvas e/ou problemas nos mananciais. A solução existe e é mais viável do que muitos podem imaginar.

Sérgio Werneck Filho é CEO da Nova Opersan.