Impactos sociais e ambientais das olarias

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olariaNo Brasil, é muito comum quando há um crescimento demográfico muito grande em uma região existir em paralelo a necessidade de ampliação do sistema de produção que fornece os mais diversos itens que são utilizados nas construções civis e urbanização. Assim, surge a demanda de telhas e tijolos para suprir a necessidade do mercado. Uma vez identificada a demanda se torna necessária a maior oferta de produtos deste gênero, a fabricação destes materiais se dá em um local chamado olaria.

Os especialistas definem as olarias como empreendimentos que se baseiam na argila como matéria-prima e elas podem causar diversos tipos de danos ao meio ambiente, pois no processo de extração da argila, beneficiamento e produção dos tijolos, cerâmicas e afins, são realizadas diversas ações que podem causar impactos ambientais ao meio e a sociedade.

A argila pode ser definida como um material terroso, de granulação muito fina, que adquire plasticidade, quando umedecida com água. Mineralogicamente é composta por caulinita/haloisita, illita e montmorilonita, enquanto as impurezas presentes, às vezes úteis,são quartzo, mica, feldspato, óxido de ferro, carbonatos e matéria orgânica.

É proveniente da decomposição de rochas ígneas primárias, tais como granitos, feldspatos e pegmatitos, que se formam através da ação química da água, do óxido de carbono, dos ácidos húmicos e raramente dos gases de enxofre, flúor, auxiliados por temperaturas elevadas. Apresentam cores e tonalidades variadas, predominando do cinza-médio a escuro, além das tonalidades esverdeadas, amareladas, avermelhadas e amarronzadas. As argilas podem ocorrer em quase todo o mundo.

Podem ser encontradas argilas residuais na Grã-Bretanha, nos EUA, na China e no Brasil, enquanto que as argilas sedimentares podem ser encontradas nos EUA; já as argilas do tipo ball clay são mais encontradas nos EUA, Inglaterra, Alemanha e Brasil. Podem ser distribuídas em plásticas (queima branca ou clara) e fundentes (queima vermelha). As argilas plásticas são compostas de caulinita e outros argilo-minerais subordinados (illita e esmectita), com variável conteúdo de quartzo, feldspato, micas e matéria orgânica; na composição da massa, fornecem plasticidade, trabalhabilidade, resistência mecânica e refratariedade.

Deve-se dizer que se considera impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que direta ou indiretamente, afetam: a saúde, a segurança e o bem estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais. Em consequência, entre os diversos impactos acarretados devido às atividades das olarias está a extração indiscriminada de argila.

Essa atividade de extração desenvolvida no Brasil está voltada principalmente para a produção de matérias primas para a construção civil. Geralmente no processo de extração da argila, a cobertura vegetal é totalmente retirada e usada como lenha na queima dos produtos. Na medida em que o solo vai sendo retirado, o lençol freático torna- se mais vulnerável, facilitando assim, a contaminação das águas subterrâneas, caso ocorram derramamentos de óleo ou derivados provenientes das máquinas que atuam no local.

Os principais impactos ambientais encontrados foram o desmatamento das áreas de extração, as cavas no solo, e a poluição do ar decorrente da queima dos tijolos e de segurança dos trabalhadores. Um outro impacto ambiental bem relevante, é relacionada a vida útil da reserva de argila explorada e sua durabilidade, pois se sabe que sua exploração é feita sem qualquer estudo prévio, afetando sua vida útil, e todo ecossistema envolvido.

Já no beneficiamento da argila há o processo de queima dos tijolos, que é realizado em fornos construídos de maneira artesanal, utilizando-se sobras de madeiras advindas de áreas rurais provenientes de derrubadas para posterior formação de pastagens. Visto que, essa madeira é legalmente proibida, pois não possui autorização de nenhum órgão ambiental do município para sua utilização.

Além do impacto de desmatamentos encontrado, em relação à queima, é relevante relatar sobre a poluição do ar proveniente da fumaça que é liberada livremente na atmosfera, devido ao processo de queima dos tijolos, logo, o empreendimento localiza-se em uma área praticamente urbanizada, comprometendo assim a qualidade do ar dos moradores ao entorno. Ou seja, além dos desequilíbrios sociais e econômicos na região onde se localiza a olaria estudada, ocorre um desequilíbrio ecológico.

Para a fabricação dos tijolos, os oleiros desmatam, consomem lenha como fonte de energia, contribuem para a poluição da atmosfera, da água e do lençol freático, prejudicando o ciclo natural do escoamento dos sedimentos (areia, argila, silte) para os rios, acúmulo de lixo , além da possibilidade de esgotamento da jazida. Caracterizada pela falta de equipamentos de alto porte tecnológico, más condições de segurança do trabalho, a mineração artesanal está presente no cotidiano da sociedade brasileira, constituíndo-se em uma atividade com vulnerabilidade ambiental, social e econômica.

Soma-se a tudo isso o problema social. Por exemplo, uma operação feita pela polícia ambiental em olarias da região de José Bonifácio (SP), dois adolescentes de 16 anos faziam parte do quadro de operários – um deles, registrado – o que é proibido para esse tipo de profissão. Quatro olarias foram interditadas. Suspeitas de irregularidades foram confirmadas no local, como o uso de materiais tóxicos e a falta de equipamentos de segurança. Cerca de 30 pessoas sobrevivem do trabalho sem nenhum tipo de equipamento de segurança, como luvas, botas ou máscaras e também sem registro em carteira.

Além dos problemas com os operários, as equipes também constataram crimes ao meio ambiente. Fiscais da Cetesb encontraram óleo lubrificante usado em vários tambores. O produto estava sendo aproveitado na etapa em que os tijolos são  desenformados. O óleo pode causar danos a saúde dos funcionários.

Outra irregularidade é o uso da raspa de couro na fabricação dos tijolos. Ela foi vendida de forma clandestina por curtumes. A sobra deveria ter sido entregue a um aterro industrial, por conter cromo, um metal pesado que polui  o solo, mananciais e causa câncer. Apenas em uma das olarias, estavam depositadas mais de cinco toneladas do produto.

Estratégias para reduzir as queimadas no Brasil

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cerradoElas podem ser criminosas, planejadas ou acidentais. As queimadas não naturais são hoje um risco para o equilíbrio ambiental do país, mas também à saúde humana e à própria economia nacional. Nesta época do ano, auge do período de seca (agosto – outubro) no Cerrado – bioma que se estende por onze estados brasileiros e no qual vivem 20 milhões de pessoas, os focos de incêndio se alastram e ameaçam a biodiversidade e a população. Na luta contra o fogo, unidades de conservação têm investido com êxito em parcerias público-privadas, na geração de conhecimento para a população e em treinamentos de capacitação para funcionários e a comunidade de seus entornos.

Com área correspondente a 23,92% do território nacional, o Cerrado possui o maior índice de queimadas do país, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Neste ano, até agosto, foram registrados 73 mil focos de queimadas no Brasil, sendo 60% delas no Cerrado. O desafio da conservação do bioma, que garante qualidade de vida à população por meio dos serviços ambientais que presta, é uma verdadeira batalha contra o fogo.

Há quem pense que o problema das queimadas não naturais seja apenas ambiental. O impacto para a economia das cidades e a saúde das pessoas também é grande: diminuição da qualidade do ar, provocando doenças respiratórias; problemas com infraestrutura, como a queda no fornecimento de energia elétrica; perdas em propriedades rurais e péssima visibilidade em rodovias são alguns exemplos de como as queimadas afetam diretamente a população. “Os problemas relacionados ao fogo afetam as vidas das pessoas, estejam elas morando nas cidades ou em áreas rurais. Por isso, é importante entender que a ameaça vai além do impacto direto na natureza”, pontua o analista ambiental do Parque Nacional Chapada dos Veadeiros, Fernando Rebello.

A prática, comum no Cerrado, de utilização do fogo como manejo da terra, principalmente por agricultores e na época de seca, oferece grande risco à biodiversidade e às pessoas. “O uso do fogo é bastante perigoso, principalmente, se a utilização de manejo acontece próximo às áreas urbanas. Além da destruição ambiental, as queimadas podem se alastrar para áreas próximas, atingindo casas, áreas naturais e danificando as redes de transmissão elétrica”, explica Rebello.

Com cerca de 9.000 hectares e fazendo limite com diversas propriedades rurais, a Reserva Natural Serra do Tombador, em Cavalcante (GO), a 420 km de Brasília, é um exemplo de como o combate ao fogo depende da união de diversos setores da sociedade. Mantida pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, a Reserva fica próxima ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e teve cerca de 60% de sua área queimada em 2011, por conta de um grande incêndio. “Diante desse cenário, passamos a investir fortemente em duas dimensões: especialização das estratégias de combate ao fogo e intensificação das ações de prevenção”, explica a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes, que completa: “em ambos os casos, a parceria com a comunidade do entorno e o poder público ampliaram nossos resultados”.

Em termos práticos, para o combate a possíveis focos de queimada foram construídos aceiros (retirada de vegetação rasteira em linhas para evitar a passagem do fogo durante um incêndio) e também houve a instalação de 11 caixas d’água em diversos pontos estratégicos da reserva, além de outras iniciativas. O investimento em prevenção aconteceu por meio da criação de uma brigada comunitária voluntária de combate a incêndio, em 2012. Apesar de ter como objetivo final o combate a incêndios já estabelecidos, o treinamento dos participantes incluía noções de uso correto do fogo, seus impactos para a biodiversidade entre outros temas relacionados à educação ambiental focada na problemática do fogo.

A brigada voluntária foi uma das soluções encontradas para ressaltar a importância da proteção dos ambientes naturais e compartilhar o conhecimento em relação ao fogo, com a comunidade do entorno da Reserva. “Oferecer capacitação de combate para a população é uma solução para que os moradores tenham conhecimento e saibam como agir de forma preventiva, além de identificarem as formas corretas de uso do fogo, bem como outras opções para manejo da terra”, explica Malu Nunes.

A brigada comunitária voluntária, como aponta Malu, contribuiu para diminuição dos índices de queimadas dentro da Reserva. O monitoramento realizado no local identificou que houve queda de aproximadamente 95% nos focos de incêndios entre 2011 e 2014. Além da capacitação, que serve como serviço de educação ambiental, os voluntários da comunidade, que integram as brigadas, recebem equipamentos básicos como bota, máscara, capacetes e até as bombas costais (utensílio utilizado para esguichar água, com capacidade de até 22 litros).

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Rios despoluídos seriam alternativa para o abastecimento

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O Comitê responsável pelas bacias hidrográficas dos rios Piracicaba, Jundiaí e Capivari autorizou a captação para consumo das águas do rio Jundiaí, classificado, anteriormente, pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) como altamente poluído. O trecho de 22 km de onde serão captadas as águas fica entre as cidades de Itupeva e Indaiatuba, no interior de São Paulo.

Recentemente, o rio foi reclassificado para nível 3 de poluição, condição que viabiliza sua utilização para abastecimento após tratamento avançado. A melhora da qualidade da água ao longo da bacia, principalmente no trecho entre Itupeva e Jundiaí se deu graças aos investimentos em despoluição realizados nos últimos 20 anos.

O doutor em engenharia de recursos hídricos Marco Antonio Palermo enfatiza a importância do investimento em despoluição de rios e lagos ao observar a reclassificação do trecho do rio Jundiaí da classe 3 para a 4 no que se refere ao nível de poluição. “Uma vez despoluídos, os corpos d´água podem se prestar para o abastecimento público, dentre outros usos. Passa a ser possível empregar quantidades importantes de água antes impróprias e inaproveitáveis”.

Marco Palermo avalia que os investimentos em despoluição que melhoraram a qualidade da água do rio Jundiaí entre as cidades de Itupeva e Jundiaí deveria ser modelo a ser seguido por São Paulo, além de uma alternativa a mais para o abastecimento que passa pela sua pior crise. “Imaginem se os rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí estivessem despoluídos, certamente não seria necessário ir buscar tanta água tão longe e nem  recorrer a medidas extremas como utilizar o volume morto dos reservatórios para abastecer as cidades do Alto Tietê”, conclui.

CSN: os impactos ambientais que nunca serão recuperados

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Quando se chega de ônibus na cidade Volta Redonda (RJ), a rodoviária parece ser igual a muitas outras espalhadas pelo Brasil. Contudo, quando um estranho pede para ir ao bairro de Volta Grande IV, o motorista de táxi parece estranhar, mas não faz pergunta. Esse bairro fica ao lado do rio Paraíba do Sul e de um terreno com material estocado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Os estudos no solo do bairro Volta Grande IV parecem indicar contaminação com substâncias tóxicas pela própria empresa. As análises exigidas pela Justiça vão determinar se 750 famílias vão poder continuar morando na área. O terreno doado há 15 anos pela CSN ao Sindicato dos Metalúrgicos para a construção de casas populares era um antigo lixão. A companhia depositava toneladas de resíduos industriais com alto poder de contaminação no local. As amostras de solo revelaram a presença de 20 substâncias tóxicas ou cancerígenas. A empresa já foi multada em R$ 35 milhões pela contaminação de parte do terreno.

Entre os moradores do bairro, há inúmeros relatos de doenças. Reclamam de problemas respiratórios e irritação na pele. A idosa conta que o depósito também irradia um pó preto que suja a sua residência. Entre as substâncias tóxicas encontradas no terreno pelos órgãos ambientais estão o benzopireno, subproduto oriundo da unidade de coque da CSN, que apresentou níveis duas vezes acima do tolerável. No caso do ascarel, um óleo industrial tóxico e persistente utilizado como isolante de equipamentos elétricos, o nível é 90 vezes maior do que o aceitável.

O bairro Volta Grande abriga um conjunto habitacional homônimo, cujo terreno foi doado pela CSN ao Sindicato dos Metalúrgicos, posteriormente à implantação do depósito. De acordo com o texto da ação, consultorias ambientais contratadas pela própria CSN para averiguar os impactos na região confirmaram a contaminação do solo e das águas subterrâneas, que escoam para o rio Paraíba do Sul, assim como a presença de substâncias tóxicas e cancerígenas, como bifenilas policloradas (PCBs), cromo, naftaleno, chumbo, benzeno, dioxinas, furanos e xilenos, em áreas ocupadas por residências e centros de lazer.

Na verdade, o aço é imprescindível para a construção civil, especialmente como componente da estrutura das edificações em concreto armado ou somente em aço. No mercado da construção civil, o aço está em toda a parte. E as vantagens na sua utilização são diversas. Mas, se por um lado as vantagens são muitas, por outro lado os impactos ambientais negativos oriundos da fabricação deste insumo são diversos.

A energia utilizada na produção siderúrgica, mais precisamente na produção de ferro-gusa, vem da queima de carvão vegetal, que é produzido muitas vezes a partir da extração ilegal de mata nativa. Poderia haver o uso de madeira plantada para este fim, mas a monocultura está relacionada com uso de agrotóxico e redução de biodiversidade, dentre outros problemas ambientais.

As siderúrgicas emitem CO2 (dióxido de carbono) e CH4 (metano) na atmosfera, contribuindo para agravar o efeito estufa. Óxidos de enxofre (SOx) e óxidos de nitrogênio (NOx) também são emitidos. Estes reagem com a umidade presente no ar e constituindo assim a chamada chuva ácida. O uso de filtros adequados é a solução mais adequada para minimizar este impacto.

As siderúrgicas, no processo de fabricação do aço emitem efluentes líquidos altamente poluentes em corpos d’água próximos à unidade fabril. Esses efluentes contêm hidrocarbonetos, cobre, níquel, chumbo, amônia e outros elementos químicos, altamente nocivos aos ecossistemas locais. Para mitigar este problema, os efluentes devem passar por estações de tratamento antes de serem descartados.

O consumo de energia é um importante indicador para o debate sobre siderurgia, ambiente e sociedade, uma vez que a produção de energia tem diferentes impactos, e à medida que seu consumo for reduzido, menor será a necessidade de sua produção. A produção siderúrgica é caracterizada por sua grande necessidade de energia, principalmente térmica, para fundir o ferro-gusa e, assim, conseguir transformá-lo em aço.

Uma alternativa para tentar reduzir o impacto do setor, pelo menos do ponto de vista das mudanças climáticas, é a substituição do carvão mineral, por carvão vegetal. Como o carvão vegetal é oriundo de fontes renováveis, parte do CO2 emitido na sua queima é reciclado no crescimento das árvores, assim, sua contribuição efetiva para as mudanças climáticas é menor do que a do carvão mineral. Entretanto, mesmo que as usinas siderúrgicas optem por ampliar o uso do carvão vegetal, essa iniciativa simplesmente não garantirá uma gestão adequada dos seus impactos ambientais.

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Um dos principais desafios para as empresas que atuam no Brasil é garantir que o carvão vegetal não seja produzido a partir do corte de mata nativa. Como consequência da grande intensidade energética do setor siderúrgico, assim como de suas fontes de energia, outro importante problema socioambiental associado à produção de ferro e aço é a poluição atmosférica.

O processo siderúrgico emite uma série de poluentes como óxidos de enxofre (SOx), gás sulfídrico (H2S), óxidos de nitrogênio (NOx), monóxido de carbono (CO), dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), etano (C2H6), material particulado e diferentes hidrocarbonetos orgânicos, como o benzeno. Entretanto, mesmo que alterações tecnológicas consigam diminuir a quantidade de emissões, o volume total emitido pelas empresas ainda é muito elevado, principalmente devido à sua produção total.

Outra questão ambiental relevante para o setor siderúrgico é o uso dos recursos hídricos. Quanto ao consumo de água, as empresas possuem índices bastante variados, o que sugere que a ganhos significativos de eficiência ainda podem ser obtidos pelo setor de forma geral. Entretanto, o mesmo não deve ocorrer em relação à recirculação.

Outra questão relacionada aos recursos hídricos diz respeito à produção de efluentes líquidos. De forma geral, esses efluentes apresentam alta concentração de contaminantes, como amônia, benzeno e outros componentes aromáticos, sólidos em suspensão, cianetos, fluoretos, óleos, cobre, chumbo, cromo e níquel. O relatório “O estado real das águas no Brasil”, desenvolvido pela Defensoria da Água (2008), aponta que a CSN tem problemas como depósito irregular de resíduos, vazamentos de benzeno e diversos casos de poluição hídrica.

Por isso, as condições de segurança e saúde do trabalhador são importantes indicadores de gestão ambiental, entretanto elas pouco são divulgadas pelas empresas. Os funcionários de uma indústria são diretamente impactados pela gestão do processo produtivo e correspondem ao primeiro grupo a ser afetado por emissões e acidentes. Além disso, se uma empresa não consegue garantir a qualidade de vida de um grupo reduzido, pelo qual é responsável e a quem pode treinar e oferecer acesso a sistemas individuais e coletivos de segurança, como garantir que ela seja capaz de proteger a saúde da população que vive nas proximidades ou do meio ambiente de forma geral.

Em Volta Redonda, quando você se aproxima de uma das entradas da CSN, dá para sentir o calor, o aumento da temperatura. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) vem periodicamente multando a companhia por poluição do ar. A siderúrgica, de vez em quando, emite poluentes de cor acastanhada, proveniente da nova unidade de aços longos, e de coloração avermelhada, cuja origem foi na unidade de sinterização da fábrica. O valor da multa a ser aplicada será definido no auto de infração e de acordo com os agravantes e atenuantes dos incidentes conforme prevê a legislação ambiental, e aprovado pelo Conselho Diretor do Inea.

A empresa se defende explicando sobre algumas não conformidades apontadas por órgãos ligados ao meio ambiente. “A nova fábrica de aços longos começou a testar seu processo produtivo em novembro de 2013. Ajustes nesta fase do empreendimento já eram esperados, como é padrão em processos industriais desse porte. Todas as não conformidades estão sendo analisadas em detalhes pelos técnicos da Companhia e sanadas em tempo hábil”.

A CSN assinou um novo Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Inea, se comprometendo a desembolsar um total de R$ 189 milhões para resolver problemas ambientais em sua estrutura produtiva, em áreas contaminadas no Município de Volta Redonda e no rio Paraíba do Sul, principal manancial de água do Estado do Rio de Janeiro. No documento, a empresa se comprometeu a investir R$ 165,3 milhões em obras e melhorias na Usina Presidente Vargas (UPV) nos próximos anos.

A empresa já investiu nos últimos três anos mais de R$ 200 milhões em obras de modernização da Usina em Volta Redonda e mais R$ 16 milhões foram pagos ao Estado na forma de medida compensatória para investimentos em projetos de recuperação ambiental no município e na bacia do rio Paraíba do Sul. Dos 114 itens previstos na primeira fase do TAC, todos foram concluídos ou estão em andamento. Além do novo investimento, a CSN assumiu o compromisso de assinar um TAC baseado em recomendações do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que será específico para o gerenciamento ambiental das áreas usadas como depósito de resíduos industriais no período em que a empresa era estatal.

A CSN produz, principalmente, produtos de aço planos, como bobinas e chapas, para os quais a concorrência se tornou acirrada nos últimos anos. Os analistas, geralmente, têm uma visão mais positiva sobre a perspectiva para produtores de aço longo, como a brasileira Gerdau.

A companhia afirma também que segue à risca as normas ambientais, monitorando e trabalhando com a investigação da área desde 2000. A empresa relata ainda que, durante esse período, foram realizados oito estudos a respeito da extensão e da natureza dos materiais encontrados no subsolo do bairro, e nenhum deles apresentou risco real para a saúde dos moradores.

Entre os moradores do bairro, há inúmeros relatos de doenças. Reclamam de problemas respiratórios e irritação na pele. Relatam que o depósito também irradia um pó preto que suja as residências.

Uma pesquisa da Secretaria municipal de Saúde de Volta Redonda constatou ainda uma considerável incidência de abortos e leucopenia na população da região. Essa doença se caracteriza pela diminuição no número dos glóbulos brancos no sangue. Isto pode ser causado devido a determinadas medicamentações, a quimioterapia para o tratamento do câncer, radioterapia, cirurgia, a transplante da célula estaminal, transplante de medula, esteróides e algumas circunstâncias genéticas assim como doenças auto-imunes. Muitas vezes, isso é chamado de imunosupressão enquanto a leucopenia conduz a uma imunidade enfraquecida.

Para a Justiça, os moradores não podem conviver com esses riscos para a saúde. As células ilegalmente utilizadas para depositar resíduos tóxicos e cancerígenos não devem permanecer no local, prejudicando a população.

O pior é que a CSN vem sofrendo condenações na Justiça. Uma por poluição e outra por danos à saúde de um ex-funcionário. A operação Águas Limpas, do Gabinete de Gestão Integrada do Estado do Rio, flagrou a companhia depositando resíduos químicos às margens do rio Paraíba do Sul, que abastece a Região Metropolitana. Foram contabilizadas cerca de 540 mil toneladas de pilhas de rejeitos em locais inapropriados em Volta Redonda, Barra do Piraí e Porto Real, lançados pela CSN e outras três empresas.

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Rio de Janeiro condenou a empresa a indenizar em R$ 500 mil um funcionário que contraiu benzenismo, doença causada por intoxicação de benzeno, que atinge o sistema nervoso e a medula óssea. Também, um vazamento de óleo da CSN escorreu para o Rio Paraíba do Sul, causando danos às águas. De acordo com a companhia, o vazamento teria durado cerca de 20 minutos, e o óleo foi retirado.

Enfim, a CSN é uma história de sucesso e de problemas ambientais graves que parece vão ficar eternos. Esse ano a empresa completou 73 anos. A empresa foi fundada em 9 de abril de 1941 e iniciou suas operações em 1º de outubro de 1946. Atualmente, com capacidade de produção anual de 5,6 milhões de toneladas e cerca de 19.000 empregados, concentra suas atividades em siderurgia, cimento, mineração, logística e energia.

Como primeira produtora integrada de aço plano no Brasil, a CSN é um marco no processo de industrialização do Brasil. O seu aço viabilizou a implantação das primeiras indústrias nacionais, núcleo do atual parque fabril brasileiro. A estratégia integrada e alinhada ao negócio principal assegura posição de liderança no setor siderúrgico brasileiro. A aquisição dos ativos da Heartland Steel, constituindo a CSN LLC, nos Estados Unidos, em 2001, marcou o início do processo de sua internacionalização. 

E, mesmo tendo certificações NBR ISO 9001 e NBR ISO 14001, os problemas gerenciais e ambientais continuam. Em termos de poluição do ar e de saúde pública, são as emissões das unidades de coqueificação e de recuperação de seus subprodutos, em especial o benzeno, produto altamente tóxico. Além, é claro, dos depósitos irregulares ao lado do rio. CSN: se fez um bem danado para o desenvolvimento da região de Volta Redonda (RJ), também fez um mal danado para essa mesma região que se espalha aos quatro ventos pela água, pelo sol0 e pelo ar.

Relatório de Sustentabilidade

O mais trágico ou cômico é que chega no final do ano essa empresa lança pela grande mídia, espalhando por todos os lados, o seu Relatório de Sustentabilidade que não coloca o dedo nas feridas abertas na comunidade de Volta Redonda. Um relatório bem diagramado, escrito por profissionais e que divulga o desempenho econômico, ambiental, social e de governança da organização relatora, com muitas omissões.

Essa ideia é de que as organizações querem tornar suas operações mais sustentáveis e estabelecer um processo de elaboração de relatório de sustentabilidade para medir desempenhos, estabelecer objetivos e monitorar mudanças operacionais. Um relatório de sustentabilidade seria a plataforma fundamental para comunicar os impactos de sustentabilidade positivos e negativos bem como para obter informações que podem influenciar na política, estratégia e nas operações da organização de uma forma contínua. Mas, muitas vezes isso fica na ficção e entre quatro paredes. O que vem a público é apenas o lado positivo.

Depois de anos de queda, as emissões brasileiras de GEE dão sinais de voltar a subir

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O Observatório do Clima apontou para tendência de o Brasil reverter o cenário de queda nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), colocando em risco seu papel nas negociações internacionais e no contexto pós-2020, além de colocar em dúvida a competitividade econômica e a capacidade de resposta do país à mudança do clima no futuro próximo

O período de reduções drásticas nas emissões brasileiras de gases de efeito estufa (GEE) pode estar no fim, como apontam os documentos da Análise do Panorama Atual de Emissões Brasileiras – Tendências e Desafios, do Observatório do Clima, elaborados a partir de seu Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SEEG). A queda de mais de 70% nas taxas de desmatamento na Amazônia, que ajudaram o Brasil a baixar sua participação nas emissões globais de 6,2% em 2004 para 2,9% em 2012, colocou o país em boa posição para iniciar as discussões do novo acordo global de clima, que irá substituir o Protocolo de Quioto depois de 2020.

Em 2012, as emissões globais aumentaram 7%. Mas as estimativas geradas pelo Observatório do Clima apontam uma clara tendência de crescimento nas emissões de GEE dos setores de energia, transportes, agropecuária, indústria e resíduos sólidos. E vale ressaltar que as estimativas do Observatório do Clima ainda não captam o aumento do desmatamento na Amazônia no ano passado.

Há portanto, uma forte indicação de que podemos chegar a 2020 com emissões em ascensão. “O Brasil deverá cumprir a meta voluntária de redução de emissões fixada em 2010 para 2020. Mas seguindo a trajetória atual, é provável que nos próximos anos reduções adicionais do desmatamento sejam inferiores ao aumento de emissões nos demais setores, levando a um novo período de crescimento”, alerta Tasso Azevedo, coordenador do SEEG.

Além da queda do desmatamento que se verificou durante alguns anos no Brasil, as taxas de crescimento econômico bem abaixo do projetado pelo governo federal nas políticas de clima também vão ajudar: “As metas brasileiras de redução de emissões foram definidas em 2010 com base em um crescimento médio anual da economia de 4% a 5%, bem distante da realidade de nossa matriz energética”, acrescentou Azevedo.

Quando se excluem as emissões de Mudança de uso da Terra entre 1990 e 2012, só houve redução de emissões no Brasil no ano de 2009, em consequência da crise econômica global, deflagrada no segundo semestre de 2008. Já em 2010 as emissões voltaram a crescer um ritmo superior ao de 2008 e seguiram nesta tendência até 2012. E o desmatamento da Amazônia, que por anos foi a principal fonte de emissões brasileiras e representou cerca de 70% do total nos anos 90, caiu para 32% em 2012, se equiparando aos setores de energia e agropecuária, com 30% cada um. “Mesmo com a redução de emissões observada nos últimos anos, o Brasil está entre os maiores emissores mundiais e deve assumir sua responsabilidade para o enfrentamento do problema nas próximas décadas”, afirmou Carlos Rittl, Secretário Executivo do Observatório do Clima.

No período pós-2020, todos os grandes emissores terão que realizar cortes profundos em suas emissões para que seja possível limitar o aquecimento global a níveis seguros. Isto irá exigir um esforço muito maior dos países que mais emitem GEE: “É necessário planejar e investir em um modelo de desenvolvimento baseado em reduções progressivas de emissões.  No Brasil, não temos ainda esta visão de longo prazo. O país está acomodado e ficando para trás em investimentos em uma economia de baixo carbono,” acrescentou Rittl.

Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), em 2013, a China investiu US$ 54 bilhões em energias renováveis (exceto grandes hidrelétricas). Os investimentos dos EUA somaram US$ 34 bilhões.  Índia e África do Sul investiram US$ 6 e US$ 5 bilhões, respectivamente. Já o Brasil reduziu seus investimentos no setor de  US$12 bilhões em 2008, para apenas US$ 3 bilhões em 2013 – quase 75%  de redução no volume de investimentos nestas fontes de energia.

O Observatório do Clima cobra do governo federal a aplicação do que determina a lei 12.187, de 2009, que estabeleceu a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), em seu parágrafo 11: que todos os princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos das políticas públicas e programas governamentais devem compatibilizar-se a PNMC. Em julho de 2014, o Observatório do Clima apresentou ao Ministério de Relações Exteriores sua visão sobre os princípios e critérios que deverão nortear a definição da meta brasileira de redução de emissões para o período pós-2020. “Até 2030, o Brasil terá que reduzir suas emissões a níveis muito inferiores aos atuais. Isto significa promover uma profunda transformação em nossa economia. O país precisa enfrentar este desafio desde já, preparando-se para um cenário em que terá que assumir compromissos significativos de corte de emissões junto à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima no pós-2020”, concluiu Rittl.

O Observatório do Clima faz uma série de recomendações para que o Brasil reduza as suas emissões de forma compatível com o sua responsabilidade sobre o problema, sua capacidade e o que requer o IPCC para que limitemos o aquecimento global a 2°C, dentre elas: zerar as emissões por desmatamento, neutralizar as emissões na agropecuária, reverter a queda da participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira, recuperar áreas degradadas e desmatadas para ampliar a captura de carbono e universalizar o tratamento biológico de resíduos sólidos e esgoto no Brasil com aproveitamento do biogás e dos materiais recicláveis. O relatório completo está disponível no hotsite do Observatório do Clima.

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Controlar e manter o seu acervo de normas técnicas e de documentos internos e externos sempre atualizados e disponíveis para compartilhamento entre todos os usuários é hoje um grande desafio em diversas organizações por envolver a dedicação e o esforço de vários profissionais. As Normas de Sistemas da Qualidade – série ISO 9000, são rigorosas quanto aos critérios de controle, atualização e disponibilização de documentos corporativos aos seus usuários. Tanto os documentos de origem interna como externa, devem ser controlados para evitar a utilização de informações não-válidas e/ou obsoletas, cujo uso pode trazer sérios problemas aos sistemas, produtos e negócios da empresa.  É por isso que a Target Engenharia e Consultoria desenvolveu Sistemas que gerenciam e controlam estes documentos de forma rápida, ágil e segura, facilitando o acesso à informação e ajudando os seus clientes a garantirem suas certificações.

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Lixões no Brasil já deveriam ter acabados!

lixãoVenceu no dia 2 de agosto o prazo para implantação da disposição final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos, estabelecida no art. 54 da Política Nacional de Resíduos Sólidos ((PNRS) – (Lei 12.305/10). Segundo a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), apesar do prazo terminado, o Brasil encontra-se numa situação crítica nessa área: não conseguiu nem mesmo alcançar o fim de todos os lixões.

O Brasil tem atualmente 2.202 municípios com aterros sanitários, o que representa 39,5% das cidades do país. Apesar de mais da metade das cidades ainda terem lixões, 60% do volume de resíduos já estão com destinação adequada. A PNRS foi aprovada em 2010 e determinou que todos os lixões do país deverão ser fechados até o dia 2 de agosto de 2014. Pela lei, o lixo terá que ser encaminhado para um aterro sanitário, forrado com manta impermeável, para evitar a contaminação do solo. O chorume deve ser tratado e o gás metano terá que ser queimado.

Quem não cumprir a legislação estará submetido às punições previstas na Lei de Crimes Ambientais, que prevê multa de R$ 5 mil a R$ 50 milhões. Umas das alternativas para as cidades que não cumpriram a meta seria buscar um acordo com o Ministério Público, que fiscaliza a execução da lei, e firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

Quanto às normas técnicas, existe a NBR 12980 de 08/1993 – Coleta, varrição e acondicionamento de resíduos sólidos urbanos que define termos utilizados na coleta, varrição e acondicionamento de resíduos sólidos urbanos. A NBR 10004 (CB155) de 05/2004 – Resíduos sólidos – Classificação classifica os resíduos sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, para que possam ser gerenciados adequadamente.

A NBR 11175 (NB1265) de 07/1990 – Incineração de resíduos sólidos perigosos – Padrões de desempenho fixa condições exigíveis de desempenho do equipamento para incineração de resíduos sólidos perigosos, exceto aqueles assim classificados apenas por patogenicidade ou inflamabilidade. A NBR 12235 (NB1183) de 04/1992 – Armazenamento de resíduos sólidos perigosos fixa as condições exigíveis para o armazenamento de resíduos sólidos perigosos de forma a proteger a saúde pública e o meio ambiente.

A NBR 13463 de 09/1995 – Coleta de resíduos sólidos classifica a coleta de resíduos sólidos urbanos dos equipamentos destinados a esta coleta, dos tipos de sistema de trabalho, do acondicionamento destes resíduos e das estações de transbordo. A NBR 15113 de 06/2004 – Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes – Aterros – Diretrizes para projeto, implantação e operação fixa os requisitos mínimos exigíveis para projeto, implantação e operação de aterros de resíduos sólidos da construção civil classe A e de resíduos inertes.

A NBR 15114 de 06/2004 – Resíduos sólidos da construção civil – Áreas de reciclagem – Diretrizes para projeto, implantação e operação fixa os requisitos mínimos exigíveis para projeto, implantação e operação de áreas de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil classe A. A NBR 15116 de 08/2004 – Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil – Utilização em pavimentação e preparo de concreto sem função estrutural – Requisitos estabelece os requisitos para o emprego de agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil.

A NBR15849 de 06/2010 – Resíduos sólidos urbanos – Aterros sanitários de pequeno porte – Diretrizes para localização, projeto, implantação, operação e encerramento especifica os requisitos mínimos para localização, projeto, implantação, operação e encerramento de aterros sanitários de pequeno porte, para a disposição final de resíduos sólidos urbanos. A NBR 8419 (NB843) de 04/1992 – Apresentação de projetos de aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos fixa as condições mínimas exigíveis para a apresentação de projetos de aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos. E, por fim, a NBR 8849 (NB844) de 04/1985 – Apresentação de projetos de aterros controlados de resíduos sólidos urbanos fixa condições mínimas exigíveis para a apresentação de projetos de aterros controlados de resíduos sólidos urbanos.

Enfim, a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada em 2010 e determina que todos os lixões do país deveriam ter sidos fechados até a data de 02 de agosto. Pela lei, o lixo terá que ser encaminhado para um aterro sanitário, forrado com manta impermeável, para evitar a contaminação do solo. O chorume deve ser tratado e o gás metano terá que ser queimado.

Conforme informações da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), dados de 2012 apontam que 42 % da massa de resíduos ainda têm disposição inadequada, o que equivale  a mais de 60% dos municípios brasileiros. É importante dizer que a disposição em lixões não estará proibida a partir de agosto de 2014. Na verdade, já são proibidos desde 1981, quando da instituição da Política Nacional de Meio Ambiente (Lei Federal 6.938/1981); e é crime ambiental desde 1998, quando da promulgação da Lei Federal 9.605/1998 (Lei dos Crimes Ambientais).

O que a PNRS (Lei 12.305/2010) traz em seu at. 54 é que até agosto de 2014 (prazo de 4 anos dado pela Lei) deverá ser implantada a disposição final ambiental adequada dos rejeitos. A lei é muito mais restritiva: não diz somente que os resíduos devem ser adequadamente dispostos (em aterros sanitários e não em lixões), mas estabelece claramente que somente os rejeitos devem ser dispostos, esgotadas todas as possibilidades técnicas e econômicas de reaproveitamento e de reciclagem.

Na grande maioria das capitais e das grandes cidades, a disposição final está adequada, ou seja, há o envio para aterros sanitários. O mesmo não pode ser dito em relação às experiências de coleta seletiva e de reaproveitamento dos resíduos, em especial da fração orgânica ou dos resíduos chamados de facilmente biodegradáveis, que representam em média 50 % da massa dos resíduos sólidos urbanos.

A efetiva reciclagem dos resíduos sólidos urbanos no Brasil é muito baixa. Considerando os resíduos pós-consumo, ou seja, os gerenciados pela municipalidade, somente cerca de 2 a 3 % da massa gerada sofre tratamento, frente a um potencial de reciclabilidade desses resíduos de 25 a 30 %. E são os resíduos recicláveis secos (papel e papelão, plásticos, metais e vidros). Os resíduos urbanos têm cerca de 50 % de orgânicos, os chamados resíduos recicláveis úmidos ou resíduos orgânicos facilmente biodegradáveis. Esses resíduos também podem ser reciclados por meio do processo de compostagem.

Embora a logística reversa funcione relativamente bem para algumas tipologias de resíduos, como para agrotóxicos e óleos usados, para outros, ainda temos um longo caminho pela frente. Talvez o principal desafio, seja a efetiva implantação da logística reversa das embalagens em geral, cujo custo, atualmente, está todo sobre as prefeituras, por meio das coletas seletivas de materiais recicláveis secos em operação. Ainda há uma parcela da população brasileira que não tem serviço regular de coleta de resíduos e a coleta deve atingir a 100% da população.

Aliado a isso, o Decreto Regulamentador da PNRS fala em “coletas seletivas”; ou seja, além da coleta seletiva dos resíduos recicláveis secos (papel e papelão, plásticos, metais e vidros), também traz o conceito de coleta seletiva dos orgânicos ou dos resíduos úmidos. Esse segunda coleta seletiva é particularmente importante quando se intenta fazer o aproveitamento da fração orgânica através da compostagem. Os resíduos coletados sem separação origem resultam em um composto final qualidade inferior, podendo trazer dificuldades de comercialização desse produto.

Contudo, a verdade é que há uma carência muito grande de quadros técnicos nos setores públicos de gerenciamento de resíduos, tanto em quantidade quanto em qualificação. Verifica-se também uma falta de profissionalização (inclusive nos órgãos públicos), onde, em muitos casos, os gestores alocados ao setor de resíduos sólidos não tem qualquer qualificação técnica para atuar no mesmo.

Não se vai mudar a situação atual de tratamento de resíduos no país sem fortes investimentos financeiros. Investimentos necessários para modernização dos sistemas de coleta, remediação das áreas degradadas por disposição irregular de resíduos, implantação de novos aterros sanitários, e implantação de novas unidades de tratamento.

Além disso, são necessários recursos para a operacionalização dessas unidades, lembrando que formas mais avançadas de tratamento, em geral, requerem custos de operação maiores que os praticados hoje nos municípios. Essa situação assume maior gravidade quando se verifica que menos da metade dos municípios brasileiros têm cobrança de alguma ta xa para realização do gerenciamento dos resíduos urbanos. Esse é outro grande desafio: a sustentabilidade (ou autossuficiência) dos serviços de limpeza urbana e gerenciamento de resíduos.

A necessidade de realização dos Planos de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos (por parte dos municípios, regiões, estados) é um dos aspectos muito positivo da PNRS. Um problema, entretanto, é possibilidade da elaboração de cópia e cola, que acabam por servir como real ferramenta de gestão.

Este aspecto está, muitas vezes, relacionado à falta de capacidade técnica dos municípios, ou até mesmo dos estados, de construírem eles mesmos, com profissionais do quadro próprio, os seus Planos. A não aprovação oficial, até o momento, do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que deveria balizar a realização dos Planos Estaduais e dos Planos Municipais, também é um fator negativa que impede um planejamento mais integrado dos entes federados.

Cerca de 40% dos resíduos urbanos ainda vão para lixões. Será um desafio implantar aterros sanitários. A implantação de aterros sanitários regionais ou consorciados é uma boa alternativa (adotada em muitos países, como em Portugal, por exemplo, que em menos de uma década conseguir acabar as disposições inadequadas – lixões – e adotar modernas formas de tratamento e de disposição final), mas que ainda enfrenta resistências, mais políticas, por parte dos gestores.

Como a PNRS induz à disposição em aterro somente dos rejeitos, novas formas de tratamento devem passar a ser adotadas, como: aumento da reciclagem; processos mais avançados de compostagem (que permitam maior controle do processo, diminuição do tempo de processamento e aumento da qualidade do composto); implantação de unidade de digestão anaeróbia, que permita a geração e de biogás e de energia elétrica; e em condições específicas, a incineração da fração dos materiais não recicláveis.

E nenhuma dessas tecnologias sozinhas consegue dar uma solução sustentável para o manejo dos resíduos, passando a solução pela adoção do conceito de gerenciamento integrado, que inicia na separação na origem, coletas seletivas, maximização da reciclagem, tratamento e disposição final adequada somente dos rejeitos ou das cinzas. Propor uma metodologia de apoio à decisão, para a escolha da alternativa mais adequada para cada região ou município, ainda é um tema que merece toda a atenção, em especial, para evitar que os vendedores de ilusões ou de soluções mágicas empurrem as soluções não adequadas para a realidade brasileira.

Como economizar água e evitar o racionamento

NR 10 – Atendendo às exigências do Ministério do Trabalho – Reciclagem Obrigatória – A partir de 3 x R$ 264,00 (56% de desconto)

Inspetor de Conformidade das Instalações Elétricas de Baixa Tensão de acordo com a NBR 5410 – A partir de 3 x R$ 320,57 (56% de desconto)

CEP – Controle Estatístico de Processo – A partir de 3 x R$ 165,00 (56% de desconto)

Entendendo e aplicando os conceitos de PPR e PPRO – A partir de 3 x R$ 165,00 (56% de desconto)

A cidade de São Paulo vem vivendo um sério problema em seu abastecimento de água por conta da falta de chuva, decorrente disso, um dos principais reservatórios que distribui água para a cidade, o Sistema Cantareira se encontra em nível crítico. Mesmo o Planeta Terra possuindo 75% da superfície coberta por água, a Organização das Nações Unidas declara que se não houver mudanças de hábitos em relação à economia, em 2030, quase metade da população global terá problemas de abastecimento de água.

As causas mais aparentes em relação à falta de água são o desperdício e a contaminação dos mananciais e cursos d’água. Por isso, Sibylle Muller, engenheira civil e diretora da AcquaBrasilis, destaca cinco importantes dicas sustentáveis de como a população pode economizar água sem passar por um racionamento.

1-    Aproveitar a água da chuva: Mesmo com o nível baixo de chuva nessa época do ano, uma saída para a economia é utilizar o sistema de reuso de água da chuva, que pode ser implantado em residências e condomínios empresariais, aproveitando os dias em que a chuva pode aparecer e captar o líquido para armazenamento e tratamento de água, podendo assim, aproveitá-la para fins não potáveis como irrigação de áreas verdes, em vasos sanitários, lavagem de roupas e carros ou áreas comuns.

2-    Mais economia, menos torneira aberta: A dica aqui é que quando estiver escovando os dentes, evitar ao máximo deixar a água correndo. Essa atitude pode economizar 1,9 milhão de litros de água ao longo da vida se economizada por pelo menos uma pessoa que escova os dentes com a torneira fechada.

3-    Nada de furos: Muitas pessoas não se dão conta, mas canos furados e vazamentos são desperdício de água potável e de dinheiro também. Um buraco de 2 mm em um cano, desperdiça cerca de 96 mil litros do líquido em um único mês. Portanto, é importante fechar as torneiras interrompendo o consumo de água e verificar se os indicadores de hidrômetro continuam girando. Caso isso aconteça, o indicado é procurar um profissional, porque certamente há um vazamento no local.

4-    Água multifuncional: Já é de costume as pessoas utilizarem mangueiras como vassouras para limpar calçadas. Mesmo que a mangueira gaste menos água, o desperdício ainda é grande, pois, cerca de 15 minutos utilizando esse artefato, equivale a 280 litros de água. A alternativa para economizar é substituir a mangueira pelos baldes, de preferência com água reutilizada da máquina de lavar roupas, por exemplo.

5-    Banho consciente e rápido: A economia de água começa pelos hábitos mais comuns do dia a dia, como tomar banho. Foi comprovado que a cada 2 brasileiros que diminuem em pelo menos 5 minutos o tempo do banho, daria para economizar 13,4 bilhões de litros de água por mês, quantidade suficiente para abastecer a população de uma cidade maior que a Bahia, por 30 dias.

“A atual situação da represa é crítica, mas os paulistas podem evitar o racionamento se souberem economizar água no cotidiano”, finaliza Sibylle Muller.