Ensino: queda também na quantidade

Luiz Gonzaga Bertelli, presidente do Conselho de Administração do CIEE

Notícias animadoras vêm do mercado de trabalho, alimentando expectativas de avanços na recuperação econômica. Após 11 trimestres seguidos de queda, as contratações com carteira assinada subiram 0,2% (54 mil vagas), ao lado do emprego informal, com mais 468 mil pessoas ocupadas – com isso, a taxa de desemprego no segundo trimestre caiu de 13,6% para 12,8%. Além disso, a soma da renda dos trabalhadores subiu 1,3% de maio a julho em relação ao trimestre anterior, marcando a primeira elevação desde outubro de 2014.

São boas notícias para hoje, o presente de um país que se sente aliviado com as sinalizações, ainda que modestas, de que o pior já pode ter passado. Entretanto, uma má notícia turva a visão de um futuro a prazo relativamente curto. Pela primeira vez em 25 anos, há registra queda no número de alunos da rede particular de ensino superior, que responde por 75% das matrículas nesse nível da educação.

O que é pior: não houve migração para as universidades públicas, que se mantêm praticamente estável no patamar de 1,99 milhão de alunos no ano passado. Mas aqui há um sinal de alerta aceso: com 529,5 mil novas matrículas, houve queda de 4,8 mil ingressantes nos cursos de graduação, menos de 1,9% em relação a 2015.

Esses dados revelam que apenas 18,1% dos jovens de 14 a 24 estavam na faculdade em 2015, percentual ainda mais distante da meta de 33% prevista no Plano Nacional de Educação. É indiscutível os efeitos deletérios desse cenário que compromete o futuro de milhares de jovens, que enfrentarão ainda mais despreparados as exigências do moderno mundo do trabalho.

Efeitos deletérios que também não pouparão as empresas que, com uma recuperação mais firme, voltarão a se ter no gargalo da mão de obra qualificada um dos grandes obstáculos para os planos de expansão das organizações. É uma triste crônica anunciada, pois repete várias crises anteriores que, com seus apagões de mão de obra, parecem nada ou muito pouco ter ensinado a um país que não dá à educação o valor que merece.

Normas comentadas

NBR ISO 9001 – COMENTADA de 09/2015Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Versão comentada.

Nr. de Páginas: 32

NBR ISO 14001 – COMENTADA de 10/2015Sistemas de gestão ambiental – Requisitos com orientações para uso – Versão comentada

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A onda asiática

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Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE

Pela primeira vez nos 380 anos da história da prestigiosa universidade norte-americana de Harvard, mais da metade dos calouros será não branca, com 50,8% compostos por minorias. A notícia, vinda de um país ainda fortemente marcado pela questão racional, foi uma das que mais chamou atenção na imprensa mundial.

Uma análise mais apurada dos números, entretanto, mostra que nem todos os comentaristas e mesmo especialistas atentaram para um aspecto que deveria provocar reflexão entre os responsáveis pelas políticas educacionais dos países ocidentais. Asiáticos ou descendentes são a expressiva maioria dos não brancos, com 22,2% do total, seguidos pelos afro-americanos (14,6%), hispânicos e outros latinos (11,6%) e descendentes de índios americanos ou habitantes das ilhas do Pacífico (2,5%).

É elogiável postura de Harvard, ao adotar práticas de inclusivas e estimular a formação de turmas com alunos de diferentes origens, experiências de vida e perspectivas – um diferencial e tanto num mundo globalizado. Vale atentar, no entanto, que a predominância de asiáticos nesses percentuais confirma a persistência de um forte traço cultural: a extrema valorização da educação em potências como China e Japão, e a preocupação de integrá-la à economia produtiva e à ciência aplicada.

Algumas análises já vinculam essa ênfase no ensino de ponta – perceptível em várias outras universidades pelo mundo afora – com o potencial de investimento chinês em países ocidentais. Inclusive no Brasil, onde só de 2015 para cá foram compradas 21 empresas, com investimento de 21 bilhões de dólares, segundo levantamento da AT Kearney e Dealogic, citado por Época Negócios.

A alta qualificação dos profissionais mais a fartura de recursos financeiros podem estar sinalizando para uma alteração no mercado de trabalho. Nessa perspectiva, seria bem lógico começar a pensar em alargar o eixo da formação de futuros talentos, pois eles poderão muito bem ter ótimas oportunidades de carreira se estiverem preparados para atuar em empresas com cultura, valores e até missões – não melhores nem piores –, mas diferentes do que vem sendo ensinado em nossas escolas.

Ausência na educação

Projeto de normas técnicas

Acesse o link https://www.target.com.br/produtos/normas-tecnicas-brasileiras-e-mercosul/projetos-de-normas para ter conhecimento dos Projetos de Norma Brasileiras e Mercosul disponíveis para Consulta Nacional.

Selecione o Comitê Técnico desejado e clique sobre o código ou título para consultar. Ou, se preferir, você pode realizar pesquisas selecionando o produto “Projetos de Normas” e informando a(s) palavra(s) desejada(s).

Luiz Gonzaga Bertelli

Dados do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE), divulgados recentemente pela Folha de S. Paulo, mostram que cada professor das redes públicas de ensino do estado mais rico da nação falta, em média, 30 dias por ano. O principal motivo seria o grande volume de licenças médicas, em torno de 60% das ausências. As faltas equivalem a 15% do total de 200 dias letivos que as escolas são obrigadas a cumprir. De acordo com especialistas, esses dados sinalizam a precariedade da carreira do professor. Dois em cada dez docentes em São Paulo dão aulas em mais de uma escola, às vezes trabalhando em redes de ensino diferentes. Os números referem-se a 370 mil professores que atuaram nas redes públicas em 2015. No total, foram 11 milhões de faltas.

O impacto das ausências está intimamente ligado à qualidade de ensino, conforme comprovou estudo do TCE. Quanto mais faltas de professores, menor é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Existem ainda dúvidas se todas as escolas computam as faltas dos docentes, o que poderia trazer à tona um quadro ainda mais angustiante.

Um dos fatores que expõe a fragilidade da carreira docente é a baixa remuneração. O ganho médio dos professores equivale à metade do que recebem profissionais com a mesma escolaridade. Com isso, os docentes buscam aulas nos três períodos, elevando a carga horária e agravando os motivos para as ausências. De acordo com a Prova Brasil 2015, um questionário aplicado aos professores, 39% deles trabalham mais de 40 horas semanais, o que dificulta também o preparo das aulas e, consequentemente, impacta a qualidade do ensino.

A educação é o grande motor do desenvolvimento. Enquanto não alcançarmos políticas públicas que melhorem as condições de trabalho dos professores, aprimorem as estruturas das escolas e consigam sintetizar uma grade curricular mais próxima do interesse e das necessidades dos alunos, o país continuará a sofrer severas perdas do ponto de vista econômico e social. Para progredir, destacar-se no mercado internacional e melhorar a qualidade de vida da população, é necessário que o país invista na qualidade de ensino e, principalmente, na figura central da educação, que é o professor.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).

Cultive a cultura da qualidade em sua empresa

Aumente a cultura da qualidade para as melhorias efetivas.

Ben Tomic e Vesna Spasojevic Brkic

Organizações bem-sucedidas são aquelas que ganham lucro. Ganhar lucro, em grande parte, é o resultado de satisfazer seus clientes, o que é alcançado quando os clientes reconhecem o valor de usar seu produto ou serviço.

O atributo que cria valor para um produto ou serviço aos olhos do cliente é a qualidade. Os clientes sempre definem o valor de um produto ou serviço comparando o desempenho do produto ou serviço em relação ao custo. Por outro lado, a qualidade do produto ou serviço está sempre nas mãos da organização, e seus produtos devem funcionar de forma a satisfazer ou até mesmo deliciar clientes.

Para alcançar a qualidade, as organizações devem atender constantemente e exceder as expectativas dos clientes por meio de melhorias de qualidade efetivas. Todas as melhorias de qualidade ocorrem projeto por projeto como parte de um programa de melhoria de qualidade que deve levar a uma melhor qualidade de produto ou serviço (1). Esses programas nem sempre são bem-sucedidos (2) porque são muito mais difíceis de executar do que simplesmente iniciar ou planejar.

A razão para isso é que as questões que prejudicam as melhorias de qualidade geralmente não estão ao nível técnico, mas em um nível mais profundo, envolvendo os aspectos humanos dentro de uma organização que podem influenciar nos seus resultados finais. A implementação de projetos de melhoria de qualidade não significa apenas uma aplicação rigorosa de ferramentas e métodos de qualidade. Os funcionários são os que devem realizar as melhorias e as mudanças e são conduzidos por diferentes forças que influenciam o comportamento.

As emoções e os sentimentos influenciam nosso pensamento e como reagimos a certos problemas. Esta é a principal razão que, com base em apenas a aplicação técnica de ferramentas e métodos de qualidade, simplesmente as coisas não funcionam.

Há muitas maneiras pelas quais as organizações podem garantir que as melhorias de qualidade sejam bem-sucedidas, mas de acordo com nossa pesquisa, a única maneira comprovada de apoiar consistentemente as melhorias de qualidade bem-sucedidas é desenvolver uma cultura da qualidade forte e sustentável.

As marcas de uma cultura da qualidade

Uma cultura organizacional é considerada orientada para a qualidade quando promove os valores e as mentalidades de grupo baseadas em melhorias contínuas nas práticas de trabalho diárias e envolve todas as partes interessadas relevantes. Uma cultura da qualidade inclui as seguintes características: um ambiente positivo que é orientado para a qualidade e, ao mesmo tempo, cria clientes satisfeitos; uma ênfase natural na melhoria contínua dos processos da organização, o que resulta em uma força de trabalho orgulhosa, clientes satisfeitos e uma organização lucrativa; empregados que não apenas seguem procedimentos de qualidade e realizam tarefas atribuídas, mas também trabalham consistentemente com outros para tomar ações e iniciativas focadas na qualidade; os funcionários que observam a qualidade em todos os aspectos do seu trabalho e fazem da qualidade uma prioridade absoluta de seus processos de trabalho e resultados relacionados; e empregados que se apropriam das iniciativas de qualidade introduzidas pela liderança.

Para examinar a cultura da qualidade, realizamos uma pesquisa abrangente de 200 bem-sucedidas (3) organizações nas indústrias aeroespacial e de transporte de seis continentes (4) e 32 países diferentes. Por meio de questões de pesquisa, determinamos três pré-requisitos principais que a cultura da qualidade simplesmente não pode existir e os chamou de pilares de uma cultura da qualidade.

Além disso, as dimensões da cultura da qualidade que indicaram uma influência significativa nas melhorias de qualidade foram identificadas como elementos de uma cultura da qualidade. Nosso estudo mostrou que esses pilares e elementos são essenciais para criar as melhorias de qualidade bem-sucedidas.

Pilares de uma cultura da qualidade

A cultura da qualidade exige um compromisso sinérgico com vários elementos culturais. Nossa pesquisa identificou três pré-requisitos básicos para a implementação bem-sucedida de uma cultura da qualidade (ver Figura 1).

Liderança orientada para a qualidade (5) é o início de uma cultura da qualidade e influencia a importância da satisfação do cliente derivada de produtos ou serviços de melhor qualidade. A liderança deve defender a qualidade não só através de canais formais, mas também através de exemplos visíveis para todos os funcionários de uma organização.

A liderança em uma cultura da qualidade é inspiradora e não formal. O papel da liderança na criação de uma cultura da qualidade é criar a visão e a direção para as estratégias de melhoria em uma organização. A responsabilidade da liderança é desenvolver um ambiente no qual os funcionários possam se envolver completamente na realização de seus objetivos.

A boa liderança como força impulsionadora é essencial para melhorar a qualidade em toda a organização (6) e encoraja os funcionários a tomarem iniciativa e uma abordagem proativa. A liderança orientada para a qualidade inspira, motiva e reconhece qualquer contribuição para a qualidade de todos os funcionários – independentemente do nível organizacional – e divulga a mensagem, pois nessa organização a qualidade é o atributo mais importante do produto ou serviço que ela produz.

O envolvimento de todos os funcionários e seu empoderamento (7) é igualmente importante porque as pessoas em todos os níveis são a essência de uma organização. O seu envolvimento completo permite que suas habilidades sejam usadas para beneficiar a organização.

O empoderamento dos funcionários baseia-se na confiança e na comunicação aberta que evolui a partir do processo de capacitação dos funcionários para pensar, comportar-se, agir, reagir e controlar seu trabalho de forma mais autônoma. O empoderamento efetivo dos funcionários não só tem implicações positivas para a satisfação dos funcionários, mas também para muitos outros aspectos de uma organização.

O empoderamento dos funcionários leva à automotivação e a uma sensação de independência que se reflete em maior lealdade e esforço extra para a organização. Empoderar os funcionários é acreditar que eles vão controlar o seu próprio sucesso através de seus esforços e trabalho árduo. Isso beneficia toda a organização.

A criação de um espírito de equipe que se concentra na qualidade (8) também é particularmente importante porque produzir qualidade não é apenas um esforço individual, mas também o esforço de todos os funcionários envolvidos no processo.

Os funcionários devem estar dispostos a cooperar como parte de uma equipe e acreditar que pertencem a um grupo que desempenha tarefas interdependentes trabalhando para uma missão comum para melhorar a qualidade.

As equipes orientadas para a qualidade têm um efeito sinérgico na resolução de problemas, análise mais objetiva da solução dos problemas e dos processos e mais domínio e compromisso. Eles são essenciais para qualquer iniciativa de melhoria de qualidade em uma organização.

Elementos de uma cultura da qualidade

De acordo com nossa pesquisa, os elementos de cultura da qualidade mais influentes que afetam de forma significativa e positiva as melhorias de qualidade nas organizações (Figura 2) são:

Estabelecer metas e objetivos claros (9) (10) é essencial para o sucesso de qualquer negócio. Alcançar um objetivo comercial deve ser a medida mais importante. Os objetivos devem ser específicos, mensuráveis, realizáveis, realistas e direcionados no tempo. Os principais indicadores de desempenho devem ser estabelecidos para monitorar e corrigir o desempenho de acordo com os objetivos. As metas e os objetivos devem ser uma ferramenta para progredir em direção à visão e missão da organização.

Usando uma comunicação eficaz (11) em uma organização também garante que todas as metas e os objetivos organizacionais sejam alcançados. Os canais de comunicação sempre devem estar abertos e as informações sempre disponíveis e acessíveis.

Uma organização deve promover a comunicação formal e informal. A comunicação efetiva em uma organização ocorre quando uma das partes da organização envia a mensagem certa para outra pessoa que também está recebendo e interpretando corretamente.

Uma organização deve usar todos os métodos que suportam uma comunicação eficaz, como reuniões, workshops, apresentações, pesquisas, mensagens de voz, teleconferências, cartas pessoais, memorandos, cartazes, boletins informativos, artigos de imprensa, relatórios anuais, anúncios, sinais, quadros de avisos e folhetos informativos. A liderança de uma organização deve ser transparente e compartilhar todas as informações relevantes aos funcionários para criar a confiança necessária entre os funcionários e a alta gerência. Desenvolver um sistema efetivo formalizado é crucial para a eficácia organizacional. Uma organização deve contar com os procedimentos bem definidos para seus processos. Estes procedimentos devem ser devidamente documentados, claros, simples e eficazes.

Os funcionários devem estar cientes e bem treinados sobre esses procedimentos. A organização deve reforçar o fato de que os procedimentos devem ser rigorosamente seguidos. Quando os procedimentos são provados ineficazes, eles devem ser revisados, mas todos os envolvidos com um procedimento devem estar cientes de qualquer alteração. Uma organização deve testar periodicamente a eficácia de seus procedimentos e aprimorá-los continuamente.

Apoiar o progresso e o desenvolvimento dos funcionários (12) é fundamental para enviar a mensagem aos funcionários que seus trabalhos e contribuições para a organização são importantes. O progresso e o desenvolvimento dos funcionários devem ser esperados e realizados regularmente.

Os funcionários devem ser promovidos com frequência de acordo com suas conquistas. Os gestores devem incentivar o desenvolvimento de carreira de um determinado funcionário em relação às necessidades organizacionais e ao interesse e às capacidades do empregado. Para obter efeito, uma organização deve estabelecer planos de desenvolvimento de carreira bem-estruturados que sejam monitorados e avaliados. Um forte vínculo entre a motivação dos funcionários e seu progresso na carreira deve existir em uma organização.

A introdução de um sistema de recompensa efetivo (13) (16) é vital para estabelecer um padrão justo e equitativo para todos os envolvidos e incentiva o comportamento contínuo e similar dessa pessoa e os outros funcionários. Uma organização deve cuidar adequadamente de seus funcionários, fornecendo recompensas monetárias (por exemplo, prêmios, planos de bônus e opções de compra de ações), prêmios não monetários (reconhecimentos, promoções e reatribuições), bônus não monetários (férias) ou simples agradecimentos. Um sistema de recompensa deve ser justo para todos os funcionários de uma organização, independentemente da sua posição.

O investimento contínuo na formação de funcionários (17) é importante porque vivemos em um mundo que está em constante mudança e requer aprendizagem contínua e atualização de habilidades existentes. O conhecimento e a competitividade dos funcionários devem ser fatores críticos para a organização. A organização deve planejar, conduzir e melhorar os programas de treinamento e investir continuamente na capacitação e no desenvolvimento profissional de seus funcionários. Eles devem ser encorajados pela organização a realizar mais treinamento e desenvolvimento profissional. O processo de aprendizagem deve ser considerado contínuo e ser objeto de constante mudança e desenvolvimento.

Construindo uma cultura sustentável

A necessidade de uma cultura da qualidade é amplamente reconhecida e necessária para que uma organização permaneça competitiva. No mundo de hoje em que as margens das organizações para o erro diminuíram e a probabilidade de erro aumentou, tornou-se imperativo a necessidade de maior qualidade dos produtos e serviços. Isso tem um impacto direto na maior satisfação do cliente e, portanto, no sucesso financeiro.

Se uma organização quiser acelerar o seu crescimento e desempenho, deve incorporar uma cultura da qualidade que apoiará as iniciativas de melhoria da qualidade (18). Isso levará a uma melhor qualidade e satisfação do cliente. O valor de tomar medidas para mudar a organização para uma cultura mais orientada pela qualidade pode ser substancial. Com a liderança adequada de qualidade e o envolvimento de funcionários capacitados, uma organização pode construir uma base para o desenvolvimento de uma cultura da qualidade sustentável.

Ao implementar os elementos que são uma parte essencial de uma cultura da qualidade e promover adequadamente o crescimento e a sustentabilidade da cultura, uma organização pode melhorar significativamente a qualidade de seus produtos ou serviços. A cultura da qualidade é principalmente sobre o comportamento das partes interessadas, em vez da funcionalidade do sistema de gerenciamento de qualidade (quality management system – QMS). Implementado, um QMS deve ser eficaz, mas isso pode ser conseguido por meio do desenvolvimento e da manutenção de uma cultura da qualidade adequada.

As descobertas desta pesquisa podem ser valiosas para as organizações interessadas em desenvolver uma cultura da qualidade que permita e sustente melhorias bem-sucedidas ou interessadas em definir uma direção para a mudança em uma cultura organizacional existente. Ter uma cultura da qualidade forte em uma organização pode revelar-se uma vantagem competitiva significativa, especialmente no clima econômico às vezes instável de hoje. Organizações bem-sucedidas são proativas, transformando suas culturas da qualidade através de uma forte liderança orientada para a qualidade, envolvimento de todos os funcionários e compromisso de mudança. Com essas iniciativas, essas organizações já estão enfrentando os desafios da próxima década e preparando o caminho para um futuro mais brilhante.

Referências

(1) Joseph M. Juran and A. Blanton Godfrey, Juran’s Quality Handbook, McGraw-Hill, 1999.

(2) Joseph M. Juran, “Why Quality Initiatives Fail,” Journal of Business Strategy, Vol. 14, No. 4, 1993, pp. 35-38.

(3) Success measurement was based on business performance indicators such as marketing, finances, operations, employees, investments, development, quality and customer satisfaction.

(4) Broken down, respondents to this study were from six continents: North America (55.5%), Europe (32%), Asia (8%), Australia (2%), South America (1.5%) and Africa (1%).

(5) Forbes Insights and ASQ, “Culture of Quality,” executive report, 2014, www.forbes.com/forbesinsights.

(6) Ashwin Srinivasan and Bryan Kurey, “Creating a Culture of Quality,” Harvard Business Review, April 2014.

(7) Ibid.

(8) G.K Kanji and H. Yui, “Total Quality Culture,”Total Quality Management, Vol. 8, No. 6, 1997, pp. 417-428.

(9) Forbes Insights and ASQ, “Culture of Quality,” see reference 5.

(10) Kim Cameron and Wesley Sine, “A Framework for Organizational Quality Culture,” Quality Management Journal, Vol. 6, No. 4, 1999, pp. 7-25.

(11) American Productivity and Quality Center (APQC), “Creating and Sustaining a Culture of Quality—Benchmarking Study,” August 2002.

(12) Ibid.

(13) Forbes Insights and ASQ, “Culture of Quality,” see reference 5.

(14) Kanji, “Total Quality Culture”, see reference 8.

(15) APQC, “Creating and Sustaining a Culture of Quality—Benchmarking Study”, see reference 11.

(16) Amanda Hankel, “Clues About Culture”, Quality Progress, August 2014, pp. 18-23.

(17) APQC, “Creating and Sustaining a Culture of Quality—Benchmarking Study,” see reference 11.

(18) Forbes Insights and ASQ, “Culture of Quality”, see reference 5.

Ben Tomic é coordenador de qualidade sênior da Bombardier Aerospace em Toronto e professor de meio período no Sheridan College, Faculdade de Ciências Aplicadas e Tecnologia em Brampton, Ontário. Possui um doutorado em gestão de qualidade pela Universidade de Belgrado na Sérvia. Tomic é um membro sênior da ASQ, um técnico de calibração certificado pela ASQ, analista de processos de qualidade, gerente de qualidade/excelência organizacional, associado de melhoria, inspetor mecânico, técnico, auditor, engenheiro, Green Belt e Black Belt; e Vesna Spasojevic Brkic é professora associada da Universidade de Belgrado. Possui um doutorado em gestão de qualidade pela Universidade de Belgrado.

Fonte: Quality Progress/2017 July

Tradução: Hayrton Rodrigues do Prado Filho

Será que funciona estudar com prazos?

Normas comentadas

NBR 14039 – COMENTADA de 05/2005Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV – Versão comentada.

Nr. de Páginas: 87

NBR 5410 – COMENTADA de 09/2004Instalações elétricas de baixa tensão – Versão comentada.

Nr. de Páginas:209

Especialista ensina técnicas para estudar com prazos e desafios inspiradores.

Estudar com prazos, ou seguir uma frequência de estudos mais relaxada e sem pressão? Constantemente enfrentamos desafios e assim é colocada a teste nossa motivação e dedicação ao objetivo. Seja para uma prova, ou concurso, independente da razão, sua motivação precisa estar toda focada no seu objetivo.

Um jogo fácil é sem graça. Nós, seres humanos, somos movidos por desafios, somos inspirados pela vontade de vencer. Isso é o que afirma o professor de técnicas de estudo e especialista em concursos públicos Charles Peterson, ressaltando que adoramos descobrir novos horizontes, conhecer novos lugares e conquistar vitórias. E isso tem totalmente ligação com a motivação para os estudos.

É mais comum do que parece, estudantes terem bastante tempo para estudar e não o fazerem. Devido à falta de prazo ou edital publicado o desafio desaparece. Sem uma meta a ser alcançada, o estudo fica muito tedioso e sem motivação. “Estudar com prazo bem definido gera engajamento, o que torna o dia a dia de estudo muito mais dinâmico, pois, com um prazo estabelecido, não há tempo a perder. Quanto mais envolvido com o projeto você estiver, mais motivado ficará”, explica o especialista.

E como conseguir essa motivação? Como seguir os prazos? Peterson conta que todos somos motivados por desafios e para ajudar, ele costuma aconselhar seus alunos: “Peço a eles que estabeleçam um prazo para dominar o conteúdo programático de seu estudo, bem como um prazo para passarem na prova. Dessa forma, o estudo fica muito mais motivante porque o prazo gera uma pressão positiva para estudar”.

É de suma importância colocar no papel suas metas, fazer um planejamento do que você pretende conseguir em quanto tempo, sendo meses ou anos. Impondo uma meta, traçando um objetivo, você terá a motivação e o prazo para cumpri-lo. No meio desse tempo você pode fazer outras provas, ou tentar outros concursos, mas se aferre ao objetivo final e no prazo estipulado anteriormente.

Para não se perder, o especialista conta alguns passos importantes para estudar com esses prazos, lidando com os desafios.

1- Estabeleça o prazo para você dominar determinado conteúdo.

2- Crie desafios inspiradores como por exemplo: fazer um simulado por mês; uma revisão semanal de todos os tópicos já estudados; além do cronograma do dia, fazer 2 exercícios de português todos os dias; a cada semana, aumentar o número de exercícios diários de português;  elaborar questões de leis que possuem poucos exercícios; fazer atividade física diariamente; privar-se de redes sociais em caso de não cumprir o cronograma de estudo; recompensar-se com programas agradáveis por ter cumprido a meta semanal; inserir sua preparação para concursos em uma visão mais ampla e inspiradora.

3- Estabeleça quantos concursos/provas irá fazer como número máximo para você passar. Charles Peterson ressalta que objetivo aqui é fazer você estudar com empenho, já que tem prazo para passar. Não quer dizer necessariamente que você irá desistir, caso não passe dentro deste prazo.

4- Tenha metas semanais de estudo. Antes da semana começar é muito bom que o aluno já tenha definido, pelo menos quantas horas vai estudar na semana; quais tópicos vai estudar e quantos exercícios vai fazer.

5- Queira passar nos primeiros lugares! Estabeleça uma meta desafiadora que irá exigir toda sua capacidade, foco e motivação.

Agora é hora de qualidade

Luiz Gonzaga Bertelli

Há algumas décadas, em tempos menos tecnológicos, era comum os jovens gastarem o dia na rua. Chão de terra batida, cantigas de roda e o máximo de perigo era a fuga do irritadiço cachorro da vizinha ou alguma desavença com a turma da rua de baixo. Talvez o passado esteja idealizado pela nostalgia, mas didaticamente serve de ilustração para contrapor à situação atual, marcada pela insegurança e violência, pelo consumismo que define identidades – e frustrações, na impossibilidade de exercitá-lo em tempos de crise – e por amizades mais virtuais do que reais.

Diante desse quadro, é preocupante o levantamento realizado pela ONG Todos Pela Educação com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad): entre as crianças e jovens que estão fora da escola, 62% têm entre 15 e 17 anos. O agravante é que a situação não é causada somente por falta de vagas no sistema de ensino.

Em faixas etárias menores, o país beira a universalização, como 90% das crianças entre 4 e 5 anos matriculadas em escolas em 2015 contra 72% em 2005 – um expressivo salto quantitativo em uma década. Segundo os pesquisadores, os adolescentes se afastam da escola pela reprovação e, especialmente, pela insatisfação com o conteúdo do ensino médio. A análise da ONG Todos pela Educação coincide com um alerta há tempos apresentado pelo CIEE: o ensino médio deveria passar por uma reforma que possibilitasse preparar o jovem para decidir seu futuro e enfrentar os desafios que encontrará após a conclusão desse ciclo, qualquer que seja sua opção: mercado de trabalho, ensino técnico ou universidade.

A complexidade da realidade atual força – e não é de hoje – a escola a se reinventar. A reforma proposta pelo governo federal pode ser um ponto de partida, mas não bastará, sem que seja completada por mudanças no papel da escola e do professor. O domínio de conhecimentos enciclopédicos será necessário hoje, quando uma pesquisa na internet fornece a informação desejada em segundos?

Mais do que memorizar dados e fatos, deveria ser prioridade desenvolver nos jovens a capacidade crítico-analítica para filtrar e interpretar os terabytes de informações que estão ao alcance de um toque na tela do smartphone. Ou seja, vale insistir: como a quantidade já foi suprida, é a hora e a vez de investir na qualidade da educação que formará nossos jovens para o futuro que se desenha.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).

A mais perversa exclusão

Clicando aqui é possível ter conhecimento dos Projetos de Normas Brasileiras e Mercosul, disponíveis para Consulta Nacional. Selecione o Comitê Técnico desejado e clique sobre o código ou título para consultar e votar.

Luiz Gonzaga Bertelli, presidente do Conselho de Administração do CIEE

Em setembro de 2016, o Ministério da Educação reconhecia: 13,1 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não sabem ler nem escrever. Drama que persiste em pleno século 21 e se agrava ainda mais quando a eles se somam os 40 milhões de analfabetos funcionais, aqueles 27% que estão entre os 15 aos 64 anos, passaram pela escola, mas não conseguem, com proficiência, ler interpretar e redigir um simples texto ou lidar com números.

Como o primeiro dado foi levantado pelo IBGE a partir de autodeclaração dos entrevistados, muitos especialistas acreditam que eles estão abaixo da realidade. Já a taxa do analfabetismo funcional tem a chancela do Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa.

Seja como for, o analfabetismo é a mais perversa das exclusões e não ganha a mesma atenção de outras crises, como a econômica e a política. Esse descaso acontece mesmo nos dias atuais quando ganha força a percepção de que competitividade das empresas, eficiência dos governos, condição de vida das pessoas e exercício pleno da cidadania não podem ser dissociados da educação.

O mais irônico, para não dizer trágico, é que, embora não haja divergências sobre essa correlação, a questão educacional caminha com lentidão rumo à possível solução. Há bem mais de um século os brasileiros mais responsáveis vêm reivindicando a adoção de uma eficaz política pública para a educação. Ou seja, uma boa saída seria o governo adotar uma política que valorize o professor, profissionalize gestão escolar (precarizada pelas indicações políticas), institua mecanismos que eliminem as fraudes e desvios que corroem as verbas do setor, reintroduza a disciplina nas salas de aulas para fortalecer o aprendizado, e por aí afora.

Agora, quando com a aprovação da tão almejada reforma do ensino médio visando adequá-lo à realidade dos jovens, é também a hora de se pensar num esforço de todos para resgatar os analfabetos de todos os tipos. Seja para melhorar a qualidade do capital humano, seja para pagar a dívida com a geração mais velha até aqui marginalizada pelas deficiências em letras e números.