Hiroshima, Nagasaki, tsunami, Fukushima e Ishikawa

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B.V.Dagnino

O Japão, recuperado das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki (que alguns historiadores consideram ter sido completamente desnecessárias) depois da 2ª. Guerra Mundial, vive novo pesadelo nuclear: a central de Fukushima com seus cinco reatores, depois de atingidas pelo terremoto no nível 9 na escala Richter e pelo tsunami que se seguiu, são objeto de preocupação. A tragédia japonesa poderia ou não ser evitada? Só se retirássemos toda a população nipônica definitivamente da falha geológica onde está o país, o que teria que ser feito também com San Francisco na Califórnia, a Nova Zelândia e com todas as cidades do chamado Cinturão de Fogo no Oceano Pacífico.

Será que mestre Ishikawa (e seus 5 ou 6 Ms) poderia nos ajudar mais uma vez para minorar (ou mitigar, como dizem os ambientalistas) as conseqüências do desastre natural? Comecemos pelo M de Management. Ao que consta de notícias de jornais, a operadora Tokyo Electric Company (TEPCO) escondeu das autoridades japonesas diversos incidentes que deveriam ter sido reportados. Mau sinal: onde estão os princípios éticos da governança da empresa, que nem sequer cumpre os preceitos legais? Gestão do conhecimento também passou ao largo, pois o histórico de operação desta e de outras centrais aconselhavam redobrar uma série de medidas de segurança. Isso também ocorreu do lado do órgão fiscalizador, pois a prorrogação da licença de operação de uma central com 40 anos não considerou os últimos avanços da tecnologia nuclear

Passando ao M de Métodos, ao que tudo indica o processo de projeto não considerou um terremoto escala 9, mas apenas 7, o que não é aceitável face à localização da central. Já a intensidade do tsunami, que tornou os geradores diesel de emergência inoperantes, foi realmente imprevisível. Por outro lado, o fato de as tomadas de energia elétrica de geradores móveis não serem compatíveis com as da central evidencia mais um descuido de projeto. Essa foi uma das razões que tornaram difícil o resfriamento do núcleo dos reatores. Ponto para o M da Mão de obra. O empenho do pessoal das usinas, arriscando-se e sendo efetivamente atingido por radiação em nível acima do permitido, tem sido elogiado com destaque. Não foi publicado nenhum detalhe sobre o treinamento e a qualificação e certificação dos técnicos de operação e manutenção, que se supõe adequados. O M de Máquinas/ equipamentos requereria um aprofundamento técnico acima do possível de se condensar em poucas linhas. Os reatores a água fervente (BWR) projetados pela GE, deve-se supor, consideraram todos os requisitos de segurança aplicáveis, tais como redundância de sistemas, vaso de contenção etc.

E o Brasil? Com 11 anos vividos na área nuclear e tendo avaliado faz poucos anos a gestão de Angra 1, tenho plena confiança nas duas usinas, Angra I e Angra 2 da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto. A prioridade que é dada à segurança é impressionante. O papel fiscalizador da CNEN, o intercâmbio contínuo de experiências entre os países que operam usinas nucleares através do WANO – World Association of Nuclear Operators, o suporte técnico propiciado pela IAEA – International Atomic Energy Agency e pelo INPO – Institute of Nuclear Power Operators inclui auditorias cruzadas, quando profissionais brasileiros avaliam centrais de outros países e especialistas estrangeiros de larga experiência inspecionam nossas usinas.

B.V.Dagnino é membro Fundador da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ), fellow, membro fundador e Chartered Quality Professional (CQI, Londres), fellow American Society for Quality (ASQ) e diretor técnico da Qualifactory Consultoria.

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Os riscos da radioatividade

NBR NM 323: os requisitos para um sistema de análise de perigos e pontos críticos de controle (APPCC)
O Sistema APPCC, tal como se aplica na elaboração de alimentos, é um sistema pró-ativo de gestão da segurança dos alimentos que implica controlar pontos críticos de controle em sua manipulação, para reduzir o risco de desvios que poderiam afetar a dita inocuidade. Este sistema pode ser usado em todos os níveis de manipulação de alimentos, e é um elemento importante de gestão global da qualidade.

usinaDepois do tsunami no Japão, a notícia que mais abalou o mundo foi o acidente nuclear de Fukushima, em março de 2011, na costa japonesa, que contaminou água, peixes e organismos microscópicos até 600 quilômetros mar adentro em três meses. Recentemente, um vazamento de água radioativa registrado em um circuito de resfriamento da central nuclear de Penly, na região oeste da França, foi contido e foi descartado qualque impacto negativo para o meio ambiente. De acordo com a Electricité de France (EDF), o retorno à normalidade no circuito de resfriamento permitiu suspender o plano de mobilização dos funcionários. A empresa diz que a água radioativa foi “recolhida em depósitos previstos para tal efeito, sem nenhuma consequência para o meio ambiente”. O incidente aconteceu depois de dois princípios de incêndio no edifício do reator, controlados no início da tarde de quinta-feira pelos bombeiros, depois da ativação do alarme que provocou a paralisação automática de um dos reatores. Mas, afinal, quais os riscos da radioatividade? Segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), o esquecimento de uma rocha de urânio sobre um filme fotográfico virgem levou à descoberta de um fenômeno interessante: o filme foi velado (marcado) por “alguma coisa” que saía da rocha, na época denominada raios ou radiações. Outros elementos pesados, com massas próximas à do urânio, como o rádio e o polônio, também tinham a mesma propriedade. O fenômeno foi denominado radioatividade e os elementos que apresentavam essa propriedade foram chamados de elementos radioativos.

Comprovou-se que um núcleo muito energético, por ter excesso de partículas ou de carga, tende a estabilizar-se, emitindo algumas partículas. Um dos processos de estabilização de um núcleo com excesso de energia é o da emissão de um grupo de partículas positivas, constituídas por dois prótons e dois nêutrons, e da energia a elas associada. São as radiações alfa ou partículas alfa, núcleos de hélio (He), um gás chamado “nobre” por não reagir quimicamente com os demais elementos.Outra forma de estabilização, quando existe no núcleo um excesso de nêutrons em relação a prótons, é através da emissão de uma partícula negativa, um elétron, resultante da conversão de um nêutron em um próton. É a partícula beta negativa ou, simplesmente, partícula beta.

No caso de existir excesso de cargas positivas (prótons), é emitida uma partícula beta positiva, chamada pósitron, resultante da conversão de um próton em um nêutron. Portanto, a radiação beta é constituída de partículas emitidas por um núcleo, quando da transformação de nêutrons em prótons (partículas beta) ou de prótons em nêutrons (pósitrons).Geralmente, após a emissão de uma partícula alfa ou beta, o núcleo resultante desse processo, ainda com excesso de energia, procura estabilizar-se, emitindo esse excesso em forma de onda eletromagnética, da mesma natureza da luz, denominada radiação gama.

Dessa forma, as radiações nucleares podem ser de dois tipos: partículas, possuindo massa, carga elétrica e velocidade, esta dependente do valor de sua energia; e ondas eletromagnéticas, que não possuem massa e se propagam com a velocidade de 300.000 km/s, para qualquer valor de sua energia. São da mesma natureza da luz e das ondas de transmissão de rádio e TV. A identificação desses tipos de radiação foi feita utilizando-se uma porção de material radioativo, com o feixe de radiações passando por entre duas placas polarizadas com um forte campo elétrico.assim, Os núcleos instáveis de uma mesma espécie (mesmo elemento químico) e de massas diferentes, denominados radioisótopos, não realizam todas as mudanças ao mesmo tempo.

As emissões de radiação são feitas de modo imprevisto e não se pode adivinhar o momento em que um determinado núcleo irá emitir radiação. Entretanto, para a grande quantidade de átomos existente em uma amostra é razoável esperar-se um certo número de emissões ou transformações em cada segundo. Essa “taxa” de transformações é denominada atividade da amostra. A atividade de uma amostra com átomos radioativos (ou fonte radioativa) é medida em: Bq (Becquerel) = uma desintegração por segundo; e Ci (Curie) = 3,7 x 1010 Bq.

Na verdade, um núcleo com excesso de energia tende a estabilizar-se, emitindo partículas alfa ou beta. Em cada emissão de uma dessas partículas, há uma variação do número de prótons no núcleo, isto é, o elemento se transforma ou se transmuta em outro, de comportamento químico diferente. Essa transmutação também é conhecida como desintegração radioativa, designação não muito adequada, porque dá a idéia de desagregação total do átomo e não apenas da perda de sua integridade. Um termo mais apropriado é decaimento radioativo, que sugere a diminuição gradual de massa e atividade.Cada elemento radioativo, seja natural ou obtido artificialmente, se transmuta (se desintegra ou decai) a uma velocidade que lhe é característica. Para se acompanhar a duração (ou a “vida”) de um elemento radioativo foi preciso estabelecer uma forma de comparação. Por exemplo, quanto tempo leva para um elemento radioativo ter sua atividade reduzida à metade da atividade inicial ? Esse tempo foi denominado meia-vida do elemento.

Meia-vida, portanto, é o tempo necessário para a atividade de um elemento radioativo ser reduzida à metade da atividade inicial. Isso significa que, para cada meia-vida que passa, a atividade vai sendo reduzida à metade da anterior, até atingir um valor insignificante, que não permite mais distinguir suas radiações das do meio ambiente. Dependendo do valor inicial, em muitas fontes radioativas utilizadas em laboratórios de análise e pesquisa, após dez meias-vidas, atinge-se esse nível. Entretanto, não se pode confiar totalmente nessa “receita” e sim numa medida com um detector apropriado, pois, nas fontes usadas na indústria e na medicina, mesmo após dez meias-vidas, a atividade da fonte ainda é geralmente muito alta.

Na natureza existem elementos radioativos que realizam transmutações ou “desintegrações” sucessivas, até que o núcleo atinja uma configuração estável. Isso significa que, após um decaimento radioativo, o núcleo não possui, ainda, uma organização interna estável e, assim, ele executa outra transmutação para melhorá-la e, ainda não conseguindo, prossegue, até atingir a configuração de equilíbrio. Em cada decaimento, os núcleos emitem radiações dos tipos alfa, beta e/ou gama e cada um deles é mais “organizado” que o núcleo anterior. Essas seqüências de núcleos são denominadas séries radioativas ou famílias radioativas naturais. No estudo da radioatividade, constatou-se que existem apenas três séries ou famílias radioativas naturais, conhecidas como do urânio, do actínio e do Tório. A do actínio, na realidade, inicia-se com o urânio-235 e tem esse nome, porque se pensava que ela começava pelo actínio-227. As três séries naturais terminam em isótopos estáveis do chumbo, respectivamente, chumbo-206, chumbo-207 e chumbo-208. Os principais elementos das séries acima mencionadas são apresentados no quadro abaixo.

Alguns elementos radioativos têm meia-vida muito longa, como, por exemplo, os elementos iniciais de cada série radioativa natural (urânio-235, urânio-238 e tório-232). Dessa forma, é possível explicar, porque há uma porcentagem tão baixa de urânio-235 em relação à de urânio-238. Como a meia-vida do urânio-235 é de 713 milhões de anos e a do urânio-238 é de 4,5 bilhões de anos, o urânio-235 decai muito mais rapidamente e, portanto, é muito mais “consumido” que o urânio-238. Com o desenvolvimento de reatores nucleares e máquinas aceleradoras de partículas, muitos radioisótopos puderam ser “fabricados” (produzidos), utilizando-se isótopos estáveis como matéria prima. Com isso, surgiram as séries radioativas artificiais, algumas de curta duração.

Em consequência, os materiais radioativos produzidos em instalações nucleares (reatores nucleares, usinas de beneficiamento de urânio e tório, unidades do ciclo do combustível nuclear), laboratórios e hospitais, nas formas sólida, líquida ou gasosa, que não têm utilidade, não podem ser simplesmente “jogados fora” ou “no lixo”, por causa das radiações que emitem. Esses materiais, que não são utilizados em virtude dos riscos que apresentam, são chamados de rejeitos radioativos. Na realidade, a expressão “lixo atômico” é um pleonasmo, porque qualquer lixo é formado por átomos e, portanto, é atômico. Ele passa a ter essa denominação popular, quando é radioativo.Os rejeitos radioativos precisam ser tratados, antes de serem liberados para o meio ambiente, se for o caso. Eles podem ser liberados quando o nível de radiação é igual ao do meio ambiente e quando não apresentam toxidez química. Os rejeitos sólidos, líquidos ou gasosos podem ser, ainda, classificados, quanto à atividade, em rejeitos de baixa, média e alta atividade.

Os de meia-vida curta são armazenados em locais apropriados (preparados), até sua atividade atingir um valor semelhante ao do meio ambiente, podendo, então, ser liberados. Esse critério de liberação leva em conta somente atividade do rejeito. É evidente que materiais de atividade ao nível ambiental mas que apresentam toxidez química para o ser humano ou que são prejudiciais ao ecossistema não podem ser liberados sem um tratamento químico adequado. Os sólidos de baixa atividade, como partes de maquinária contaminadas, luvas usadas, sapatilhas e aventais contaminados, são colocados em sacos plásticos e guardados em tambores ou caixas de aço, após classificação e respectiva identificação. Os produtos de fissão, resultantes do combustível nos reatores nucleares, sofrem tratamento especial em usinas de reprocessamento, onde são separados e comercializados, para uso nas diversas áreas de aplicação de radioisótopos. Os materiais radioativos restantes, que não têm justificativa técnica e/ou econômica para serem utilizados, sofrem tratamento químico especial e são vitrificados, guardados em sistemas de contenção e armazenados em depósitos de rejeitos Radioativos. Deve ser esclarecido a diferença entre contaminação radioativa e irradiação. Uma contaminação, radioativa ou não, caracteriza-se pela presença indesejável de um material em determinado local, onde não deveria estar.

Assim, a irradiação é a exposição de um objeto ou um corpo à radiação, o que pode ocorrer a alguma distância, sem necessidade de um contato íntimo. Irradiar, portanto, não significa contaminar. Contaminar com material radioativo, no entanto, implica em irradiar o local, onde esse material estiver. Por outro lado, a descontaminação consiste em retirar o contaminante (material indesejável) da região onde se localizou. A partir do momento da remoção do contaminante, não há mais irradiação. A irradiação por fontes de césio-137, cobalto-60 e similares não torna os objetos ou o corpo humano radioativos.

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Lixo nuclear: um problema de difícil e complexa solução

Depois do terremoto no Japão, a sociedade mundial voltou a discutir as usinas nucleares e um dos problemas se relaciona com o lixo nuclear. Ele é produzido em todos os estágios do ciclo do combustível nuclear- desde a mineração do urânio até o reprocessamento de combustível nuclear irradiado. Grande parte desse lixo permanecerá perigoso por milhares de anos, deixando uma herança mortal para as futuras gerações. Durante o funcionamento de um reator nuclear são criados isótopos radioativos extremamente perigosos – como césio, estrôncio, iodo, criptônio e plutônio. O plutônio é particularmente perigoso, já que pode ser usado em armas nucleares se for separado do combustível nuclear irradiado por meio de um tratamento químico chamado reprocessamento.

Como parte da operação de rotina de toda usina nuclear, alguns materiais residuais são despejados diretamente no meio ambiente. Resíduo líquido é descarregado (como “água de resfriamento de turbina”) no mar ou em rio próximo à usina; resíduos gasosos vão para a atmosfera. Há três categorias de lixo atômico: resíduo de alto nível (HLW, de high level waste); resíduo de nível intermediário (ILW, intermediate level waste); e resíduo de baixo nível (LLW, de low level waste). O HLW consiste principalmente de combustível irradiado proveniente dos núcleos de reatores nucleares (embora a indústria nuclear não o considere como “lixo”) e de resíduos líquidos de alta atividade produzidos durante o reprocessamento. A remoção de plutônio pelo reprocessamento resulta num imenso volume de resíduo líquido radioativo. Parte desse mortal resíduo de reprocessamento, armazenado em grandes tanques, é misturado com material vítreo quente e solidificado.

Os blocos de vidro resultantes também são classificados como HLW. Ainda que o processo de vitrificação possa tornar mais fácil o transporte e o armazenamento do lixo atômico, de forma alguma diminui o terrível risco para as pessoas e o ambiente durante o milênio que virá. De maneira geral, o HLW é mil vezes mais radioativo que o ILW.

O ILW consiste principalmente de “latas” de combustível metálicas que originalmente continham urânio combustível para usinas nucleares, peças de metal do reator e resíduos químicos. Têm de ser blindado para proteger operários e outras pessoas contra a exposição durante o transporte e a destinação final. Normalmente, ele é estocado no local em que é produzido. O ILW, de maneira geral, é mil vezes mais radioativo que o LLW. O LLW pode ser definido como o resíduo que não requer blindagem durante o manuseio normal e o transporte. O LLW consiste principalmente de itens como roupas de proteção e equipamentos de laboratório que possam ter entrado em contato com material radioativo.

O consultor ambiental Mauricio Waldman (mw@mw.pro.br) explica que ainda em estado de choque, a opinião pública mundial assiste ao pesadelo em câmara lenta dos reatores nucleares de Fukushima. Tal como uma hemorragia que resiste a todo e qualquer tratamento, a usina nuclear continua a emitir pródigas quantidades de radiação, cujos efeitos em longo prazo estão distantes de serem mapeados e devidamente avaliados. Afinal, a gangrena radioativa continua, sem previsão de final feliz. “Fato óbvio, o acidente japonês traz a lembrança os dramáticos eventos da explosão do reator de Chernobyl (1986) e porque não, reacende as polêmicas relacionadas com a utilização da energia nuclear. Na ocasião, a fusão do reator ucraniano matou entre 7 e 10 mil pessoas, fez 500 mil vítimas potenciais, afetou em menor grau nove milhões de pessoas e forçou a evacuação de 400.000 cidadãos. Até hoje, fatia considerável dos orçamentos dos países atingidos é destinada para remediar os problemas gerados pelo acidente. Nesta ordem de considerações, é importante ressalvar que apesar de acontecerem, sinistros envolvendo usinas atômicas são sempre apresentados como estatisticamente improváveis. Ademais, esses equipamentos contam com palavras apaziguadoras de profissionais que assumem o papel de relações públicas a serviço da continuidade do nuclear”, explica.

Para demonstrar isso, o consultor cita como exemplo as ponderações dos responsáveis pela Usina de Chernobyl:

“Mesmo que acontecesse o impossível, os sistemas de controle automático e de segurança desligariam o reator em questão de segurança. A usina tem sistemas para refrigeração do núcleo, além de diversos outros dispositivos tecnológicos de segurança” (Nicolai Fomin, engenheiro-chefe de Chernobyl, 1985).

“As chances de fusão de um núcleo são de uma a cada 10.000 anos. As usinas são dotadas de controles seguros e confiáveis, e estão protegidas de qualquer colapso por três sistemas de segurança diferentes e independentes” (Vitali Skiyerov, ministro de energia ucraniano, 1985).

“Esse medo das centrais nucleares não tem fundamento. Eu trabalho de avental branco. O ar lá dentro é puro e limpo, porque é cuidadosamente filtrado” (Boris Chernov, operador de turbina em Chernobyl, 1985).

“Portanto, em face do que tem acontecido, tudo leva o cidadão comum a no mínimo por em dúvida a palavra dos especialistas, uma descrença que seria maior ainda caso a pauta dos noticiosos explorasse mais profundamente o que está em jogo. Efetivamente, os problemas não se resumem a incêndios de reatores, imagens de multidões em pânico ou outros incidentes cinematográficos. Silenciosamente, uma ameaça latente — sobre a qual a opinião pública é pouco ou nada informada — diz respeito à questão da geração, armazenamento e destinação do lixo nuclear”, acrescenta.

Waldman diz que é fato consumado que a operação de equipamentos nucleares gera rejeitos extremamente perigosos. Este é o caso do plutônio, elemento químico radioativo não encontrado na natureza. Subproduto do urânio – a matéria prima energética da atomoeletricidade – cada central nuclear gera em média entre duas e três toneladas de plutônio por ano, um material perigosíssimo devido sua índole destrutiva. “O plutônio – cujo nome deriva de Plutão, o Deus grego do Inferno – é uma “sobra” virulentamente letal. Basta uma fração da ordem de um milionésimo de grama para por a perder a saúde das pessoas. Além dos efeitos drásticos no meio ambiente, a periculosidade deste elemento químico pode perdurar por milhares de anos, potencializando pulsões já notavelmente daninhas. O pior é saber que passando ao largo das controvérsias que cercam o nuclear, o segmento manteve taxas expressivas de expansão. Em parte, o crescimento se justifica por interesses bélicos. Como até hoje ninguém traçou a linha divisória que separa o chamado uso civil da utilização militar, não há como negar que a expansão da atomoeletricidade corre em paralelo com a probabilidade de eclodirem guerras nucleares, cujos efeitos, em si mesmos dantescos, provocariam impactos simplesmente sem precedentes”.

Assegura, ainda que, tendo este cenário por pano de fundo, a produção mundial de eletricidade de origem atômica mais do que triplicou entre 1980 e 1997, especialmente nos países ricos. As centrais nucleares – 439 em maio de 2008 – estão atualmente em operação em muitas nações, particularmente no hemisfério norte. No século XXI, a energia nuclear alcançou participação nunca vista na produção de energia, suprindo 16 % do consumo mundial.

“Disto resulta um acúmulo de centenas de toneladas de plutônio. Em 2007, apenas os EUA, maior produtor mundial de energia nuclear (30% do total), exibiam uma montanha de 50.000 toneladas métricas de plutônio. Mas onde colocar todo esse lixo? Há quem proponha lacrá-lo em cavernas artificiais construídas especialmente para este fim. Yucca Montain, controvertido projeto de armazenamento do lixo nuclear dos EUA em túneis escavados nas Montanhas Rochosas, acata tal premissa. Teoricamente segura, esta instalação recepcionaria todos os rejeitos radioativos dos EUA e inclusive de países estrangeiros, uma generosidade que o governo norte-americano advoga para que assim seja detida a expansão dos arsenais nucleares”.

O especialista aponta alguns problemas para isso, a começar pela logística de transporte. Para funcionar efetivamente como depósito de resíduos atômicos, transferir lixo radioativo das usinas até Yucca Mountain solicitaria mais de 15.000 carregamentos por caminhão e ferrovia, os quais atravessariam 43 estados durante um período de 30 anos. Configurando um autêntico Chernobyl móvel para 50 milhões de pessoas ao longo do trajeto, este detalhe foi o estopim de aceso inconformismo em muitos estados dos EUA, que resistem em permitir a passagem do lixo nuclear pelo seu território.

“Outro aspecto é o horizonte temporal. Devido à persistência da radiação, o horizonte de responsabilidade legal é avaliado entre 250.000 e 500.000 anos, um período de tempo equivalente a cem vezes o lapso entre a inauguração da pirâmide de Quéops e a leitura deste artigo. Isto significa ficar à mercê do imponderável, principalmente em função da imprevisibilidade dos desastres naturais, sem contar a maximização dos seus efeitos, vitaminados, por exemplo, pelas mudanças climáticas. Nessa perspectiva, a tremenda quantidade de lixo nuclear, aliada aos seus malefícios e consequências duradouras no ambiente, põe diretamente em cheque a hipótese de uma estocagem eficiente”.

Finalmente, o consultor conclui dizendo que não existem recipientes, nem sistemas de armazenamento cuja blindagem seja invulnerável na escala de milhares de anos. Do mesmo modo que um tsunami imprevisto atingiu Fukushima – isso é um fenômeno estatisticamente improvável – abalos sísmicos ainda mais devastadores não podem ser descartados em face do perfil geológico do território japonês. Para complicar, teríamos falhas humanas igualmente inéditas e destinação não-planejada dos resíduos, incidentes que ninguém está em condições de assegurar a respeito de sua improbabilidade.

“Fukushima mostra o quanto o discurso que candidamente batizou o nuclear como energia limpa – visto não gerar gás de efeito estufa – é largamente equivocado. Mostrou igualmente as limitações de um suspeito diálogo responsável que tem sido proposto para legitimar a expansão da atomoeletricidade. Nesse parecer, um fato óbvio se impõe: Não há diálogo possível com um anátema. Num país que como o Brasil, já assistiu acidente sério envolvendo a radioatividade (caso do Césio de Goiânia de 1987), podemos – e devemos – lançar  mão de  alternativas  mais aceitáveis. Algumas sugestões: energia solar, eólica e maremotora, as quais além de não produzirem  efeito estufa, também não emitem radioatividade. Isto sem esquecer os benefícios da conservação de energia e utilização responsável dos recursos naturais. Medidas mínimas cabíveis diante do espetáculo do inusitado”.

No caso do Brasil, o lixo atômico produzido pelas usinas Angra I e II, no Rio de Janeiro, é guardado em depósitos provisórios. Também existem depósitos provisórios em centros de pesquisa nuclear no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais – o único depósito permanente fica em Goiás. O grande problema está mesmo no lixo de alta radioatividade, como restos do combustível nuclear que move as usinas. De tão perigosas, essas pastilhas gastas de urânio vão sendo empilhadas em uma piscina de resfriamento ao lado do reator onde são usadas.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em seu estudo “Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2008 (IDS 2008)” descreve que apesar de produzir 13.775 metros cúbicos de resíduos radioativos, o Brasil ainda não tem, com exceção do depósito de Abadia de Goiás – que contém os rejeitos do acidente com césio-137, ocorrido em Goiânia, em 1987 -, depósitos finais para onde encaminhar esse material perigoso com segurança. Só para se ter uma idéia, ainda se estuda o local ideal para a construção do depósito definitivo para os rejeitos das usinas de Angra I e II, que começaram a operar, respectivamente, em 1982 e 2000. Os rejeitos radioativos brasileiros são depositados, temporariamente, no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo, no Instituto de Energia Nuclear (IEN), no Rio, e no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), em Minas Gerais, todos ligados à Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear). O estado campeão na produção destes rejeitos é São Paulo, responsável por 36% do material que vai para os depósitos da Cnen, seguido por Rio de Janeiro (19%) e Bahia (18%).

Livro de Maurício Waldman

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Quando se pensa em ações sustentáveis, prontamente nos remetemos para a questão ambiental. Isto porque nos dias de hoje, não há continente ou país isento de problemas ecológicos. Na raiz desta situação está a imprudência, o descaso e a falta de planejamento. Não constitui nenhum exagero ponderar que medidas de conservação da natureza poderiam ter evitado muitas das catástrofes vivenciadas pela sociedade contemporânea. Atualmente, não há quem duvide da necessidade urgente de solucionar esta questão. De modo sem precedentes, montanhas de rejeitos parecem se acumular por todos os lados, despertando indignação e indagações sobre como resolver este problema. Com um tema tão complexo e delicado pela frente, o ideal é buscar soluções viáveis e permanentes para a sociedade e para o planeta. Assim, dando continuidade para o debate de ações pedagógicas, sociais e ambientais, a Cortez Editora e o autor Maurício Waldman lançam o livro “Lixo: Cenários e Desafios”, publicação que coloca de modo transparente os principais aspectos de um tema de interesse para o conjunto da sociedade humana. Para comprar o livro, clique no link http://www.lojacortezeditora.com.br/catalogsearch/result/?q=LIXO%3A+cEN%C3%81RIOS+E+DESAFIOS&x=17&y=11

Normas comentadas

Confira quais as normas comentadas disponíveis. Elas oferecem mais facilidade para o entendimento e são muito mais fáceis de usar: http://www.target.com.br/portal_new/produtossolucoes/NBR/Comentadas.aspx

NBR 14039Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Possui 140 páginas de comentários

NBR 5410Instalações elétricas de baixa tensão – Comentada – para windows, versão 2004

NBR ISO 9001 – COMENTADASistemas de gestão da qualidade – Requisitos

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Glossário Técnico Gratuito

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