O ensaio de intemperismo e a relação com o tempo de exposição natural

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Fernando Soares de Lima, técnico especializado do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT)

Cada vez mais os fabricantes de artigos têxteis e materiais em geral tomam consciência da importância de melhorar a qualidade de seus produtos com relação ao intemperismo, mas ainda existem alguns mitos e hábitos relacionados a esta análise que necessitam ser melhor esclarecidos a fim de se evitar erros graves que podem comprometer o resultado destas análises.

Intemperismo é a resposta de materiais e produtos ao ambiente, geralmente causando falhas indesejáveis e prematuras. Para analisar quais seriam essas falhas, ou o quanto elas podem deteriorar o material, geralmente são efetuados ensaios de intemperismo seguindo normas especificas em equipamentos apropriados.

No caso de avaliar danos causados pela exposição solar, utilizam-se equipamentos que possuem lâmpadas de arco de xenônio. Este tipo de lâmpada é apropriada por possuir comprimentos de onda em faixas próximas as do sol, o que favorece uma degradação no material semelhante a que ocorreria caso este ficasse exposto ao sol por determinado tempo.

Quando há a necessidade de acelerar o processo de degradação no material, com o objetivo de avaliar quais os danos causados pela exposição ao ambiente por longo prazo, utilizam-se equipamentos com lâmpadas ultravioleta, que emitem comprimentos de onde específicos de UVA ou UVB. Estes equipamentos são câmaras que sujeitam o material a ciclos de exposição ultravioleta, altas temperaturas e condições de choque térmico.

Para avaliação da degradação de materiais têxteis expostos ao intemperismo geralmente utiliza-se a exposição à luz de arco de xenônio, onde observa-se principalmente sua solidez da cor, ou seja, o quanto este material “desbota” quando exposto à luz. A principal norma utilizada neste ensaio é a NBR ISO 105 B02 que possui vários métodos de ensaios mas o mais utilizado é o método 1, que se refere à analise de materiais cujas propriedades de exposição à luz são desconhecidas.

Seguindo-se esta norma e este método, o material a ser ensaiado é exposto à luz da lâmpada de arco de xenônio com irradiância, umidade e temperaturas controladas juntamente com tecidos de lã azuis de referência. A irradiância controlada é o fluxo de energia que é emitido no material e sua unidade é W/m². A umidade é controlada pois a quantidade de água disponível no ambiente pode alterar as reações que ocorrem no material durante a exposição.

No caso da temperatura deve-se observar que duas temperaturas são controladas. A primeira é a temperatura no corpo-de-prova que é controlada por um termômetro em um painel negro, este termômetro é chamado de BST – Black Standard Termometer ou BPT – Black Panel Termometer. A segunda é a temperatura interna da câmara do equipamento onde o material está sendo exposto chamada de CHT – Chamber Temperature.

Os tecidos de lã azuis de referência tratam de oito tecidos de lã, tintos na cor azul e que possuem solidez da cor conhecidas quando expostos à luz. O primeiro tecido de lã apresenta uma solidez da cor menor em relação ao segundo e assim segue para os demais, sendo o oitavo tecido de lã o que oferece uma maior solidez da cor.

A avaliação do material exposto é feita em função dos tecidos de lã azuis de referência e existem dois critérios para finalização do ensaio, devendo-se seguir o que ocorrer primeiro. Um dos critérios é seguir com o ensaio avaliando-se o corpo de prova até que este atinja o grau 3 da escala cinza de alteração da cor. Neste caso ao final do ensaio o material analisado é comparado ao conjunto de tecidos de lã azul e sua nota é relacionada ao tecido de lã azul que apresentar solidez da cor semelhante ao material.

O outro critério é seguir com o ensaio até que o sétimo tecido de lã azul atinja o grau 4 da escala cinza de alteração da cor, caso isto ocorra antes do material avaliado atingir nota 3 da escala cinza de alteração da cor. Neste caso o material avaliado tem sua nota dada como > 7, que significa que este material possui solidez da cor maior que o tecido de lã padrão azul 7.

Existe uma postura equivocada de muitos solicitantes do ensaio de exposição de materiais à luz de arco de xenônio pela norma citada que muitas vezes, principalmente por motivos financeiros, determina o número de horas de exposição do material. Como vimos anteriormente, para seguir a norma o número de horas de exposição dependerá totalmente da resistência do material quando exposto à luz.

No caso da necessidade de determinar um valor fixo de horas de exposição, deve-se adotar outro critério que é a quantidade de energia irradiada no material, e ao final avaliar a solidez da cor deste em relação à escala cinza de alteração da cor. Outro engano muito comum é relacionar o número de horas de exposição em equipamentos de laboratório com o tempo de exposição do material ao ambiente.

Nenhum fabricante de equipamento ou norma de ensaio determina esta correlação. A única forma de encontrar esta relação seria obtendo informações do tipo: qual a irradiância emitida pelo sol na superfície da Terra? Isto é muito difícil de dizer pois cada região recebe uma irradiância diferente em função da angulação da Terra, da quantidade de nuvens, da poluição em determinadas regiões e assim por diante.

O ensaio de intemperismo feito em laboratório possui apenas alguns dos fatores que podem causar degradação no material e estes são totalmente controlados (irradiância, umidade, temperatura da amostra e temperatura da câmara). Quando o material é exposto ao ambiente, além de não haver controle dos parâmetros já citados, existem outros fatores que podem causar degradação, como exemplo poluição, chuva ácida e poeira.

Mas se não há relação do tempo de ensaio em equipamento de laboratório e o tempo de exposição do material no ambiente, para que eu deveria efetuar este ensaio?Os ensaios de intemperismo são de extrema importância para conhecer qual será o comportamento do material quando exposto ao natural e avaliar quais os danos que podem ser causados no material exposto ao ambiente e o quanto este dano impacta na integridade do material. Empresas preocupadas com a qualidade de seus produtos executam estes ensaios com o objetivo de melhorar seus processo e formulações a fim de evitar que seus produtos tenham uma degradação desfavorável ou precoce.

Uma opção para proceder com este ensaio também é de maneira comparativa, onde o novo material desenvolvido é exposto juntamente com um material de resistência já conhecida e então criam-se os parâmetros de aceitação para este novo produto.

NBR ISO 105-B08 de 04/2009

A NBR ISO 105-B08 de 04/2009 – Têxteis – Ensaios de solidez da cor – Parte B08: Controle de qualidade dos tecidos de lã azul de referência 1 a 7 descreve um método para efetuar o controle de qualidade de produção de tecidos de lã azul de referência 1 a 7 que serão usados em partes apropriadas das séries ABNT NBR ISO 105-B de métodos de ensaios de solidez da cor a luz. Especifica um procedimento de avaliação instrumental da regularidade de tingimento e dois procedimentos para avaliação de características de desbotamento de materiais de referência.

É aplicável a todos os tecidos de lã tintos planejados para uso como tecidos de lã azul de referência 1 a 7 (ver NBR ISO 105-B01:2009, subseção 4.1 .I ). Não é adequada para tecido de lã azul de referência 8. É baseada na NBR ISO 105-B02, que é internacionalmente considerado o método mais amplamente empregado para ensaios de solidez da cor a luz e representativo de todos os métodos onde se especificam os tecidos de lã azul de referência.

A qualificação para o ensaio por líquido penetrante

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O ensaio por líquidos penetrantes é um método desenvolvido para a detecção de descontinuidades essencialmente superficiais, abertas na superfície do material. O método começou a ser utilizado antes da primeira guerra mundial, principalmente pela indústria ferroviária na inspeção de eixos.

Consistia em aplicar querosene ou óleo sobre a superfície da peça e removê-lo após várias horas. Em seguida, era aplicada uma mistura de solvente com pó de giz sobre a superfície, que ao secar absorvia de dentro das trincas o querosene ou óleo aplicado anteriormente. Evidentemente, este processo permitia apenas a observação de grandes defeitos abertos sobre a superfície da peça.

O ensaio por líquidos penetrantes consiste em fazer penetrar na abertura da descontinuidade um líquido; após a remoção do excesso de líquido da superfície, faz- se o líquido retido sair da descontinuidade por meio de um revelador. A imagem da descontinuidade fica então desenhada sobre a superfície.

O ensaio presta-se a detectar descontinuidades superficiais e que sejam abertas na superfície, tais como trincas, poros, dobras, etc.; pode ser aplicado em todos os materiais sólidos que não sejam porosos ou com superfície muito grosseira. É usado em materiais não magnéticos como alumínio, magnésio, aços inoxidáveis austenísticos, ligas de titânio, zircônio, bem como em materiais magnéticos.

É também aplicado em cerâmica vitrificada, vidro e plásticos. O ensaio por líquidos penetrantes pode revelar descontinuidades (trincas) extremamente finas, da ordem de 0,001 mm de abertura. A principal vantagem do método é a sua simplicidade; é de fácil aplicação e interpretação dos resultados. O aprendizado é simples, requer pouco tempo de treinamento do inspetor. Como a indicação se assemelha a uma fotografia do defeito, é muito fácil avaliar os resultados. Não há limitação para o tamanho e forma das peças a ensaiar, nem para o tipo de material.

Só detecta descontinuidades abertas para a superfície, já que o penetrante precisa entrar na descontinuidade para ser posteriormente revelado; por esta razão, a descontinuidade não deve estar preenchida com material estranho. A superfície do material não pode ser porosa ou muito rugosa ou absorvente, porque nesses tipos de superfície não existe possibilidade de remover totalmente o excesso de penetrante, o que causa mascaramento de resultados.

A aplicação do penetrante deve ser feita numa determinada faixa de temperatura. Superfícies muito frias, abaixo de 10°C, ou muito quentes, acima de 52°C, não são recomendáveis ao ensaio. Alguns penetrantes especiais existentes no mercado foram desenvolvidos para faixas de temperaturas que excedem as mencionadas, porém seu uso é restrito.

Algumas aplicações das peças em inspeção exigem que a limpeza seja efetuada da maneira mais completa possível após o ensaio; é o caso de maquinaria para indústria alimentícia e material a ser soldado posteriormente, entre outros. Este fato pode se tornar limitativo ao exame, especialmente quando a limpeza for difícil de fazer.

A NBR 16450 de 02/2016 – Ensaios não destrutivos — Líquido penetrante — Qualificação de procedimento estabelece os requisitos mínimos de uma sistemática de qualificação do procedimento de ensaio não destrutivo por líquido penetrante Tipo I e II (fluorescente e colorido), técnicas “a” e “c” (removível com água e solvente), com revelador Tipo “d” (úmido não aquoso), para o nível de sensibilidade especificado (Nível 1 ou 2). A aplicação dos requisitos desta norma é de responsabilidade do profissional Nível 3 no método de líquido penetrante. A pessoa que executa o ensaio de líquido penetrante deve atender à NBR NM ISO 9712.

Os seguintes instrumentos são necessários para a condução dos ensaios de qualificação, conforme a técnica aplicada: cronômetro; medidor de temperatura; medidor de luz branca; medidor de luz ultravioleta; e termohigrômetro (quando aplicável). Todos os instrumentos mencionados em devem estar calibrados.

As condições de ambientes para a realização dos ensaios de qualificação devem proporcionar mínima interferência na qualidade do ensaio a ser realizado. Os padrões devem ser conforme a ISO 3452-3 tipo 1, bloco de referência. Durante toda a execução dos ensaios de qualificação do procedimento, os dispositivos devem garantir a manutenção da temperatura de ensaio conforme estabelecido no procedimento, respeitando os limites definidos na Seção 5.

Na qualificação dos materiais penetrantes, devem ser respeitados os limites de temperatura especificados pelo fabricante. Todos os conjuntos de materiais penetrantes constantes no procedimento devem ser avaliados durante os ensaios de qualificação.

Para os ensaios em temperaturas convencionais (5 °C a 52 °C), devem ser conduzidos na temperatura mínima estabelecida no procedimento com tolerância de 0 °C e – 5 °C. Exemplo: para se qualificar um procedimento na temperatura mínima de 10 °C, o ensaio é conduzido na temperatura entre 5 °C e 10 °C.

Durante a condução do ensaio de qualificação, os materiais penetrantes e o bloco de ensaio devem estar mantidos à temperatura mínima estabelecida em 5.1.1. Imediatamente antes da aplicação do penetrante no bloco de ensaio e estabilizada a temperatura mínima, deve-se efetuar uma leve limpeza da superfície do bloco com panos secos e limpos de forma a remover qualquer condensado que possa interferir no ensaio.

A remoção com água: após decorrido o tempo de penetração especificado, a remoção do excesso de penetrante deve ser conduzida por meio de um spray de água por um tempo máximo de 1 min e em seguida efetuar a secagem com panos secos e limpos. A remoção por solvente: após decorrido o tempo de penetração especificado, a remoção do excesso de penetrante deve ser conduzida primeiramente com panos levemente umedecidos em solvente e em seguida com panos secos e limpos.

A revelação deve ser efetuada no tempo máximo estabelecido no procedimento após o término do processo de remoção do excesso do penetrante. A avaliação do ensaio deve ser efetuada depois de decorrido o tempo mínimo de revelação especificado no procedimento e de acordo com o nível de sensibilidade requerido. Quando da utilização de penetrantes tipo I, o processo de remoção e avaliação devem ser conduzidos por meio de lâmpada UVA.

Para os ensaios em temperaturas não convencionais (menor que 5 °C e acima de 52 °C), recomenda-se utilizar penetrantes pelas técnicas IC ouIIC (removíveis com solvente). O ensaio deve ser conduzido na temperatura mínima estabelecida no procedimento com tolerância de 0 °C e – 5 °C.

Durante a condução do ensaio de qualificação, os materiais penetrantes e o bloco de ensaio devem estar mantidos à temperatura mínima estabelecida no item 5.2.1.2. Antes da aplicação do penetrante no bloco de ensaio e estabilizada a temperatura mínima, deve-se efetuar uma leve limpeza da superfície do bloco com panos secos e limpos de forma a remover qualquer condensado que possa interferir no ensaio.

A remoção por solvente: após decorrido o tempo de penetração especificado, a remoção do excesso de penetrante deve ser conduzida primeiramente com panos secos e limpos e em seguida com panos levemente umedecidos em solvente. A revelação deve ser efetuada no tempo máximo estabelecido no procedimento após o término do processo de remoção do excesso do penetrante e secagem.

A avaliação do ensaio deve ser efetuada após decorrido o tempo mínimo de revelação especificado no procedimento e de acordo com o nível de sensibilidade requerido. Quando da utilização de penetrantes tipo I, o processo de remoção e avaliação devem ser conduzidos por meio de lâmpada UVA.

Para temperaturas maiores que 52°C, recomenda-se utilizar penetrantes pela técnica IIC (removíveis com solvente). Se o ensaio for realizado em temperaturas acima de 52 °C, deve ser utilizado um conjunto de blocos sendo que um dos blocos deve ser aquecido e mantido na temperatura estabelecida durante todo o ensaio. As indicações de trinca devem ser comparadas com o outro bloco na faixa de temperatura entre 5 °C e 52 °C.

O ensaio deve ser conduzido na temperatura máxima estabelecida no procedimento com limite de até 10 °C. Para qualificar um procedimento para temperaturas acima de 52 °C, os limites inferior e superior devem ser determinados e o procedimento qualificado para estas temperaturas.

Como por exemplo, para qualificar um procedimento para a faixa de temperatura de 52 °C a 93 °C, a capacidade do penetrante de revelar as indicações no bloco-padrão deve ser demonstrada em ambas as temperaturas (como especificado na NBR NM 334:2012, Anexo B). Apenas o bloco-padrão deve ser aquecido e mantido na maior temperatura estipulada pelo procedimento para realização do ensaio, simulando assim a real condição da inspeção de campo, onde apenas as peças ou equipamentos que são objetos de inspeção se encontram na temperatura elevada.

Os produtos aplicados sobre a superfície aquecida do bloco devem estar na temperatura ambiente. O controle dos tempos de penetração, de remoção, de revelação e de interpretação na condução do ensaio de sensibilidade deve ser rigoroso de forma que as indicações produzidas no bloco-padrão sejam logo observadas, pois qualquer variação no processo pode implicar em não visualização das descontinuidades. Deve ser definido em procedimento os tempos mínimo e máximo de penetração em função das faixas de temperatura, ver exemplo na Tabela 1.

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Como uma alternativa, quando utilizando um penetrante colorido, é permitido o uso de um único bloco-padrão para a temperatura convencional (5 °C a 52 °C) e não convencional, e a comparação deve ser realizada por meio de uma fotografia. Quando a técnica alternativa for utilizada, os detalhes de processamento descritos nos itens 5.2.1 e 5.2.2. são aplicados.

O bloco deve ser minuciosamente limpo entre as duas etapas de processamento. Fotografias devem ser tiradas após processamento para a temperatura não convencional e após o processamento para temperatura convencional. As indicações de trincas devem ser comparadas entre as duas fotografias. Devem ser aplicados os mesmos critérios conforme Seção 5 para a qualificação.

As técnicas fotográficas idênticas devem ser utilizadas para fazer a comparação das fotografias (como especificado na ABNT NBR NM 334:2012, Anexo B). A validade dos ensaios de qualificação dos produtos penetrantes não pode ser superior a 24 meses.

Uma vez ultrapassado este prazo, ou quando houver evidência de que algum lote de um material penetrante apresenta problemas quanto à qualidade, o produto deve ser objeto de novo ensaio de qualificação. A qualificação do procedimento deve ser documentada pelo inspetor nível 3 responsável. O registro do ensaio efetuado dos materiais penetrantes que são objeto de qualificação do procedimento deve conter todas as condições dos ensaios que garantam a rastreabilidade.

O registro deve estar disponível para o cliente/contratante. O registro deve apresentar um parecer conclusivo do profissional nível 3 responsável, quanto a qualidade dos resultados obtidos de forma que evidencie que os materiais penetrantes estão aprovados ou não para uso.

Os padrões para avaliação dos materiais penetrantes devem ser os padrões tipo 1 de 10, 20, 30 e 50 μm da ISO 3452-3, correspondentes ao tipo de penetrante e ao nível de sensibilidade pretendido. Deve-se ressaltar que o ensaio por líquidos penetrantes é um método desenvolvido para a detecção de descontinuidades essencialmente superficiais, abertas na superfície do material. O método começou a ser utilizado antes da primeira guerra mundial, principalmente pela indústria ferroviária na inspeção de eixos. A Tabela 2 apresenta o nível de sensibilidade requerido correspondente ao tipo de bloco para cada tipo de material penetrante.

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No passado, o método consistia em aplicar querosene ou óleo sobre a superfície da peça e removê-lo após várias horas. Em seguida, era aplicada uma mistura de solvente com pó de giz sobre a superfície, que ao secar absorvia de dentro das trincas o querosene ou óleo aplicado anteriormente.

Evidentemente, este processo permitia apenas a observação de grandes defeitos abertos sobre a superfície da peça. O método de ensaio por líquidos penetrantes, como conhecemos hoje, tomou impulso em 1942, nos EUA, quando foi desenvolvido o método de penetrantes fluorescentes, destinado a inspeção de componentes para a área aeronáutica. O método vem-se desenvolvendo através da pesquisa e do aprimoramento de novos produtos utilizados no ensaio, até seu estágio atual.

Os penetrantes foram desenvolvidos para detectar descontinuidades com até 1 mm de largura. Dessa forma, o ensaio por líquidos penetrantes consiste em fazer penetrar na abertura da descontinuidade um líquido; após a remoção do excesso de líquido da superfície, faz- se o líquido retido sair da descontinuidade por meio de um revelador. A imagem da descontinuidade fica então desenhada sobre a superfície.

Algumas vantagens: o ensaio por líquidos penetrantes presta-se a detectar descontinuidades superficiais e que sejam abertas na superfície, tais como trincas, poros, dobras, etc.; pode ser aplicado em todos os materiais sólidos que não sejam porosos ou com superfície muito grosseira. É usado em materiais não magnéticos como alumínio, magnésio, aços inoxidáveis austenísticos, ligas de titânio, zircônio, bem como em materiais magnéticos.

É também aplicado em cerâmica vitrificada, vidro e plásticos. O ensaio por líquidos penetrantes pode revelar descontinuidades (trincas) extremamente finas, da ordem de 0,001 mm de abertura. A principal vantagem do método é a sua simplicidade; é de fácil aplicação e interpretação dos resultados. O aprendizado é simples, requer pouco tempo de treinamento do inspetor. Como a indicação se assemelha a uma fotografia do defeito, é muito fácil avaliar os resultados. Não há limitação para o tamanho e forma das peças a ensaiar, nem para o tipo de material.

Algumas desvantagens a ser destacadas. O ensaio por líquidos penetrantes só detecta descontinuidades abertas para a superfície, já que o penetrante precisa entrar na descontinuidade para ser posteriormente revelado; por esta razão, a descontinuidade não deve estar preenchida com material estranho.

A superfície do material não pode ser porosa ou muito rugosa ou absorvente, porque nesses tipos de superfície não existe possibilidade de remover totalmente o excesso de penetrante, o que causa mascaramento de resultados. A aplicação do penetrante deve ser feita numa determinada faixa de temperatura. Superfícies muito frias, abaixo de 10°C, ou muito quentes, acima de 52°C, não são recomendáveis ao ensaio.

Alguns penetrantes especiais existentes no mercado foram desenvolvidos para faixas de temperaturas que excedem as mencionadas, porém seu uso é restrito. Algumas aplicações das peças em inspeção exigem que a limpeza seja efetuada da maneira mais completa possível após o ensaio; é o caso de maquinaria para indústria alimentícia e material a ser soldado posteriormente, entre outros. Este fato pode tornar-se limitativo ao exame, especialmente quando a limpeza for difícil de fazer.

O nome penetrante vem da propriedade essencial que este material deve ter, isto é, a capacidade de penetrar em aberturas finas. Um produto penetrante com boas características deve ter facilidade para penetrar em aberturas finas; ter facilidade de permanecer em aberturas relativamente grandes; não evaporar ou secar rapidamente; ser facilmente eliminado da superfície onde for aplicado; quando aplicado o revelador, sair em pouco tempo das descontinuidades onde tenha penetrado; ter facilidade de se espalhar nas superfícies, formando camadas finas; ter um forte brilho, seja fluorescente ou em cor; a cor ou a fluorescência devem permanecer em presença de calor, luz ou luz negra; não reagir com a embalagem nem com o material a ser testado; não ser facilmente inflamável; ser estável quando estocado ou em uso; não ser demasiadamente tóxico; ter baixo custo.

Para que o penetrante tenha qualidade, é necessário que certas propriedades estejam presentes. Dentre elas destacam-se viscosidade, tensão superficial, molhabilidade, volatilidade, ponto de fulgor, inércia química, facilidade de dissolução, penetrabilidade, capilaridade e sensibilidade.

O conceito de ecotoxicologia

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A ecotoxicologia relaciona-se com os efeitos tóxicos de substâncias nos organismos vivos, em especial nas populações e comunidades e m ecossistemas definidos. Incluem-se as vias de transferência e as interacções com o ambiente.

Ela pressupõe o uso de testes de toxicidade com organismos, também chamados bioensaios, que são testes feitos em laboratório que determinam o grau ou o efeito biológico de uma substância desconhecida ou de uma substância-teste (como drogas, hormônio, químicos, etc.). O teste é feito através de comparação experimental do efeito da substância testada com efeitos causados por uma substância conhecida, em uma cultura de células vivas ou em um organismo teste.

Os bioensaios diferem principalmente quanto ao tempo de exposição do organismo-teste ao agente ou substância a ser testado. Portanto, os bioensaios podem ser agudo ou crônicos. Testes de toxicidade aguda são estudos experimentais feitos com organismos-teste que determinam se um efeito adverso observado ocorre em um curto período de tempo (em geral até 14 dias) após administração de uma única dose da substância testada ou após múltiplas dosagem administradas em até 24 horas. Já nos testes de toxicidade crônica, os organismos-teste são observados durante uma grande parte do seu tempo de vida, quando acontece a exposição ao agente-teste; os efeitos crônicos persistem por um longo período de tempo, e podem ser evidentes imediatamente após a exposição ou não.

Por meio dos bioensaios pode-se chegar a diversas conclusões, por exemplo: concentração na qual a substância provoca efeito adverso observado em 50% dos indivíduos observados; a substância é capaz de provocar câncer (carcinogenia); a substância é capaz de provocar danos ao feto (teratogenia); a substância é capaz de desregular a atividade endócrina (desruptor endócrino); a substância é capaz de deformar alguma estrutura do tecido (ex. calcificações) ou da célula (ex. deformações no retículo endosplasmático, lisossomo, etc); a substância tem tendência a se acumular em tecido específico (ex. adiposo, nervoso) ou órgão (ex. fígado, rim).

A análise ecotoxicológica permite detectar a toxicidade da amostra como um todo efeitos combinados dos diferentes constituintes da amostra, enquanto, a análise química permite apenas quantificar as substâncias isoladas presentes numa amostra importância no caso das descargas de águas residuais em que o efeito global pode não corresponder à adição dos efeitos dos diferentes componentes presentes podendo ser sinergístico (superior à adição dos valores de toxicidade dos diferentes constituintes analisados isoladamente diferentes constituintes analisados isoladamente.

A análise ecotoxicológica permite detectar a toxicidade da amostra como um todo itos combinados dos diferentes constituintes da amostra, enquanto, a análise química permite apenas quantificar as substâncias isoladas presentes numa amostra. Este fato reveste-se de importância no caso das descargas de águas residuais, que apresentam uma grande complexidade, e efeito global pode não corresponder à adição dos efeitos dos diferentes componentes stico (superior à adição dos valores de toxicidade dos diferentes analisados isoladamente) ou antagónico (inferior à adição dos valores de toxicidade dos analisados isoladamente).

Assim, a ecotoxicologia pode ser entendida com a junção de ecologia e toxicidade. Ecologia é o estudo da interação dos seres vivos entre si e com o meio ambiente em que vivem; toxicologia é uma ciência que procura entender os tipos de efeitos causados por substâncias químicas, bioquímicas e os processos biológicos responsáveis por tais efeitos, levando em conta a sensibilidade de diferentes tipos de organismos à exposição de substâncias químicas e as relativas toxicidade de diferentes substâncias. O objetivo da ecotoxicologia seria então entender e prever efeitos de substâncias químicas em seres vivos e comunidades naturais.

A NBR 15469 de 12/2015 Ecotoxicologia – Coleta, preservação e preparo de amostras estabelece os procedimentos para coleta, preservação e preparo de amostras estabelece os procedimentos para coleta, preservação e preparo de amostras a serem utilizadas em ensaios ecotoxicológicos. As condições específicas são descritas nas normas dos respectivos ensaios. Aplica-se a amostras, como: águas; efluentes; sedimentos; solos; resíduos sólidos; fluidos; produtos químicos; óleos e derivados.

A caracterização de um ecossistema é complexa e envolve um grande número de variáveis, o que pode conduzir à elaboração de programas de amostragens com extensão e recursos superdimensionados e uma relação custo/benefício inadequada. No sentido de minimizar os custos, e desde que isto não influencie na qualidade dos trabalhos, o levantamento de dados pretéritos ou pré-caracterização pode contribuir com informações sobre as características da área de estudo e as principais atividades poluidoras.

Os objetivos do estudo devem ser definidos considerando as características da amostra ou, quando pertinente, da área envolvida, como o uso previsto, natureza e área de influência de possíveis interferentes. A elaboração de um plano de amostragem promove o máximo de rendimento e evita problemas no desenvolvimento dos trabalhos, estabelecendo, por exemplo: as matrizes e os parâmetros a serem analisados; os métodos analíticos a serem aplicados; os locais de amostragem; o número de amostras e a periodicidade das coletas; os equipamentos, métodos de coleta e preservação de amostras a serem adotados; e o cronograma das diferentes atividades.

Os técnicos envolvidos com o trabalho devem utilizar os equipamentos de proteção individual (EPI) adequados. No processo de obtenção da amostra, são requisitos mínimos os seguintes registros: identificação numérica ou nominal da amostra; data e hora de coleta; natureza da amostra; localização geográfica (longitude e latitude), quando pertinente; identificação do ensaio a que se destina; e cadeia de custódia.

A cadeia de custódia deve ser preenchida no momento da coleta e deve acompanhar as amostras até o laboratório. Este documento deve conter os dados que garantam a rastreabilidade da amostra desde o momento da coleta até o seu recebimento no laboratório.

A integridade da identificação da amostra deve ser mantida desde a coleta até o término do processo analítico. Para a coleta e armazenamento da amostra, deve ser utilizado material que não interfira no resultado do ensaio.

O equipamento de amostragem deve ser cuidadosamente selecionado em função dos diferentes materiais que podem estar presentes no ambiente e também das análises a serem realizadas. Deve ser tomado o máximo de cuidado para evitar contaminação cruzada, espalhamento dos contaminantes, perda de compostos voláteis, mudança da composição devido à exposição ao ar e outras mudanças que podem ocorrer entre a amostragem e a realização dos ensaios.

As informações sobre o recipiente, preservação e validade das amostras estão descritas na Tabela 1. Preferencialmente, o tempo entre a coleta e o ensaio deve ser o mínimo possível.

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As amostragens devem ser programadas junto ao laboratório executor em função das especificidades de cada ensaio, priorizando a validade da amostra sem congelamento. A cada ponto amostrado, todo material não descartável a ser utilizado deve ser descontaminado, seguindo procedimentos adequados em função da substância química de interesse (SQI) a ser investigada.

Para amostras líquidas e de sedimento, os recipientes devem ser totalmente preenchidos para minimizar a presença de ar. No caso de congelamento de amostras líquidas, se o recipiente estiver completamente preenchido, é necessário homogeneizar e desprezar uma pequena quantidade da amostra para evitar a ruptura do recipiente.

Os recipientes plásticos utilizados para armazenar a amostra contendo contaminação orgânica, como pesticidas e óleos, devem ser descartados. Vedar os recipientes corretamente e verificar possíveis vazamentos.

O material novo, exceto os descartáveis, deve ser lavado com solução de ácido nítrico 10 % ou solução de ácido clorídrico 10 %, água de torneira e água processada. A vidraria utilizada com amostras deve ser lavada com detergente neutro, água de torneira, acetona, água de torneira, solução de ácido nítrico 10% ou solução de ácido clorídrico 10%.

Para o processo de enxágue, utilizar água de torneira e água processada, ou máquina para lavagem de vidraria. O material utilizado com substâncias químicas deve ser lavado com soluções adequadas para a remoção dos contaminantes específicos e água processada.

A amostragem de águas superficiais pode ser realizada por dois processos. Manual: inserir o recipiente com a boca para baixo e coletar entre 15 cm e 30 cm abaixo da superfície da água. Inclinar o frasco lentamente para cima para permitir a saída do ar e a entrada da água.

Com equipamentos: a amostragem de água superficial pode ser realizada com balde de aço inoxidável. Garrafas do tipo Nansen, Niskin ou Van Dorn podem ser utilizadas tanto na amostragem da superfície de corpos d’água quanto em diferentes profundidades.

Em ambos os processos, sempre que possível, o recipiente de armazenamento da amostra deve ser enxaguado com um pouco da amostra e posteriormente descartado, antes do seu preenchimento final. No caso de amostragem conjunta de água e sedimento, a de água deve ser realizada antes da coleta do sedimento.

A amostragem de efluentes pode ser realizada manualmente ou com auxílio de equipamentos. Em ambos os processos, sempre que possível, o recipiente de armazenamento da amostra deve ser enxaguado com um pouco da amostra e posteriormente descartado, antes do seu preenchimento final.

A amostragem do efluente pode ser simples: recomendada quando a variação temporal da toxicidade do efluente é conhecida ou a vazão e a composição do líquido não apresentam variações qualitativas e quantitativas significativas. Dependendo da frequência, a amostragem simples, porém periódica, possibilita a identificação das variações de efeito tóxico. A composta é recomendada para minimizar o número de amostras a serem analisadas e, principalmente, quando há uma grande variação do volume da vazão e/ou da composição do efluente.

A amostragem de sedimentos pode ser realizada manualmente, utilizando pás ou espátulas de material inerte ou com auxílio de equipamentos como pegadores do tipo Ekman, Ponar, Van Veen, Petersen, Shipek, Kajak-Brinkhurst ou box corer, ou amostradores de testemunho (amostrador em tubo). No caso de coleta com pegadores, utilizar a porção superior do sedimento (2 cm a 4 cm).

Quando necessário, deve-se realizar várias pegadas para compor o volume suficiente de amostra, que deve ser homogeneizada com material inerte e armazenada. Encher os recipientes até a capacidade total e transportá-los, sob refrigeração, evitando-se o congelamento.

Armazenar o sedimento coletado em um recipiente fechado, no escuro, em temperatura abaixo de 10 °C, sem congelamento até o uso no ensaio ecotoxicológico. A secagem, o congelamento e o armazenamento sem refrigeração afetam a toxicidade.

A amostragem do solo pode ser: simples: coletadas de um único ponto, utilizando trados manuais ou outras técnicas de amostragem similares; compostas: formadas por amostras pontuais de camadas ou frações homogêneas, podendo ser estratificadas ou agrupadas. São coletadas para avaliar a qualidade ou a constituição geral da área.

Porções iguais de solo devem ser transferidas para um recipiente de tamanho e material adequados, onde deve ser feita a homogeneização. Posteriormente, deve-se fazer o quarteamento da amostra e transferi-la para um frasco apropriado (exceto para voláteis).

Além das técnicas de perfuração com o uso de trado, o solo superficial pode ser coletado utilizando pás ou espátulas de material inerte. Para a maioria dos tipos de solos, este método pode ser utilizado para amostragens superficiais de até 20 cm de profundidade. Não é recomendado o uso de retroescavadeira para a coleta de amostras de solo.

A amostragem com pás ou espátulas é recomendada na coleta de solos contaminados com metais, pesticidas, bifenilos policlorados (PCB), hidrocarbonetos totais de petróleo (TPH), radionuclídeos, entre outros, não sendo aplicável à coleta de amostras com compostos orgânicos voláteis (VOC). A amostragem de solo com VOC e/ou compostos orgânicos semivoláteis (SVOC) devem ser realizadas com amostradores tubulares de polipropileno (liner), através de cravação, minimizando as perdas durante a transferência da amostra para o frasco de coleta.

O resíduo sólido deve ser coletado utilizando amostradores de material inerte, como pás ou trados de aço inoxidável. A escolha do amostrador é condizente ao tipo de resíduo, conforme descrito na NBR 10007.

Para o armazenamento, utilizar frascos de polietileno de alta densidade e preferencialmente, descartáveis. Quando os resíduos contiverem solventes em sua composição, devem ser utilizados frascos de vidro âmbar com boca larga e a tampa de material compatível com o resíduo, ver NBR 10007.

Amostras de fluidos de perfuração/complementares são coletadas com auxílio de recipiente adequado, conforme Tabela 1. A coleta deve ser realizada em pontos que garantam a homogeneidade da amostra, ou seja, de modo a garantir que os componentes do fluido estejam em suspensão.

Não é necessário o enxague do recipiente de armazenamento com um pouco da amostra antes da coleta. Caso o recipiente utilizado seja de plástico, recomenda-se seu descarte após o uso.

Amostras de óleos e derivados são coletadas com auxílio de recipiente adequado, conforme Tabela 1. Não é necessário o enxague do recipiente de armazenamento com um pouco da amostra antes da coleta.

Os riscos da concentração de chumbo em tintas para edificações

tintaSegundo o Inmetro, na construção civil, a pintura é uma operação de grande importância, pois as áreas pintadas são, normalmente, muito extensas, implicando num alto custo. Há uma tendência natural de considerar a pintura uma operação de decoração, no entanto, além de decorar e proteger a superfície, a tinta melhora a higienização dos ambientes, servindo também para sinalizar, identificar, isolar termicamente e controlar a luminosidade.

Atualmente, pode-se dizer que a tinta é composta basicamente por quatro elementos: pigmentos, resinas, solventes e aditivos. Os pigmentos concedem o poder da cor e cobertura, os ligantes ou resinas aderem e dão liga aos pigmentos e os solventes são capazes de dar a consistência desejada.

Já a variabilidade de aditivos encontrados no mercado é a maior responsável por aperfeiçoar uma série de características e tipos específicos de tintas, sejam os solventes à base de água ou orgânicos. As tintas à base de solvente podem conter chumbo em sua composição, por meio dos pigmentos e aditivos, como os secantes.

As tintas que contêm chumbo em sua composição representam um risco de envenenamento, especialmente para crianças pequenas. Como a tinta com chumbo se deteriora ao longo do tempo, as pessoas podem inalar ou ingerir por meio da poeira doméstica, lascas de tinta ou solo contaminado.

Os pigmentos inorgânicos à base de chumbo podem ser utilizados para conferir às tintas as tonalidades de amarelo, laranja e vermelho, e apresentam um baixo custo quando comparados a outros pigmentos coloridos. No caso específico das tintas à base de solvente, o secante de chumbo é o mais importante secante auxiliar, promovendo secagem uniforme por todo o filme de tinta.

Não existe um nível conhecido de exposição ao chumbo que seja considerado seguro. Envenenamento por chumbo na infância pode ter impactos na saúde ao longo da vida, incluindo: dificuldades de aprendizagem, anemia e distúrbios em habilidades de coordenação, visual, espacial e de idioma.

Assim, foi estabelecida a Aliança Global para a Eliminação da Tinta com Chumbo (GAELP), uma iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), cujo objetivo é evitar a exposição de crianças a tintas contendo chumbo e minimizar a exposição de pintores e outros usuários a este produto. O objetivo geral é eliminar progressivamente a produção e venda de tintas que contêm chumbo e, finalmente, eliminar os riscos de contaminação por esse tipo de metal pesado.

O estabelecimento de limites legais para o teor de chumbo tem se mostrado uma ferramenta eficaz para diminuir a venda e a utilização de tinta com chumbo. No Brasil, a Lei 11.762, de 01 de agosto de 2008, limita o teor máximo de chumbo em tintas imobiliárias e de uso infantil e escolar, vernizes e materiais similares.

De acordo com Rúbia Kuno, gerente da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), se a parede permanecer intacta, não haverá risco para as pessoas que estão em um ambiente com parede pintada com tinta que contém chumbo. O grande problema é quando essa parede vai sofrer alguma manutenção, pois ao lixar a parede, o chumbo poderá ser liberado nos particulados (pó) e poderá ser inalado. “Outro problema que preocupa as autoridades de saúde, é quando a parede começa a liberar lascas da camada de tinta, oferecendo riscos em especial às crianças que podem levar esse material à boca. O ato de ingerir esse material é geralmente praticado por crianças, expondo-as ao chumbo por ingestão”.

Para que o chumbo cause algum problema de saúde tem que haver rota de exposição, ou seja, o contaminante tem que atingir o ser humano e ser absorvido, quer seja por inalação ou ingestão, principalmente, pois neste caso a absorção pela pele é insignificante. Em condições normais no ambiente, isto é, pintura intacta, o chumbo não é volátil, então se o material não for aquecido e não sofrer as alterações citadas na resposta da questão anterior, não haverá rota de exposição. Então, as pessoas que estão no ambiente não sofrerão os efeitos do chumbo.

Nos testes do Inmetro, embora haja tendência de conformidade, chama atenção os valores encontrados, já que uma das marcas apresentou o teor de chumbo 200 vezes maior que o limite estabelecido pela Lei, tornando o resultado dessa análise preocupante, pois expõe o consumidor e o meio ambiente ao risco. Cabe ressaltar que a exposição ao chumbo causa uma série de doenças, incluindo retardo mental leve, resultante da perda de pontos de QI, bem como o aumento na pressão arterial, anemia e efeitos gastrointestinais. Diante da toxicidade do chumbo para a saúde humana e o meio ambiente, torna-se imprescindível que o Brasil caminhe no sentido de banir o uso deste metal nas tintas, atendendo ao Programa do PNUMA e da OMS, a fim de evitar a exposição de crianças, pintores e outros usuários a qualquer concentração de chumbo.

O Inmetro, em seu teste do teor de chumbo nas tintas, usou a NBR 15315:2005 – Tintas para construção civil – Método de ensaio de tintas para edificações não industriais. Recentemente foi publicada a NBR 16407 de 10/2015 – Tintas para construção civil – Método para avaliação de desempenho de tintas para edificações não industriais – Determinação do teor de chumbo que descreve o método para determinação do teor de chumbo por espectroscopia de absorção atômica ou por espectrometria de emissão por plasma indutivamente acoplado em tintas, vernizes e correlatos classificados conforme a NBR 11702.

Este método não descreve os possíveis problemas de segurança, saúde e higiene do trabalho associados à sua execução. É responsabilidade do usuário estabelecer as condições adequadas de trabalho para a execução do ensaio respectivo sem qualquer tipo de risco.

Recomenda-se que o executor deste ensaio tenha treinamento básico adequado. A confiabilidade dos resultados obtidos na execução deste ensaio depende das boas práticas experimentais, principalmente no que se refere ao treinamento do usuário, ao bom estado dos equipamentos e à calibração dos padrões utilizados.

A norma recomenda o uso do aparelho de análise por espectroscopia de absorção atômica (EAA) ou aparelho de análise por espectrometria de emissão em plasma induzido (ICP-OES); um forno de mufla capaz de manter a temperatura em (500 ± 10) °C; vidraria de laboratório, seringas, cadinho e chapa elétrica; e homogeneizador de tintas.

Os materiais: soluções de acetato de amônio (NH4C2H3O2 a 50 % em massa); ácido nítrico (HNO3) concentrado; soluções padrão de Pb, obtidas a partir de solução de nitrato de chumbo Pb(NO3)2 em solução de HNO3 diluído (dissolver 1,598 0 g de nitrato de chumbo Pb(NO3)2 em 10 mL de água, adicionar 10 mL de (HNO3) e diluir para 1 L).

Calcular a concentração média de chumbo na porção não volátil da amostra conforme indicado a seguir:

Chumbo em mg/kg da porção não volátil da amostra = (C × F × 5 000) / (NV × S) onde

C é a concentração de chumbo na solução de amostra que foi aspirada, expressa em microgramas por mililitro (μg/mL);

F é o fator de diluição (ver 6.3.9);

5 000 é a conversão de 50 mL de 6.3 para 100 % (para dividir pela % de não voláteis);

NV é a porcentagem de não voláteis da amostra determinados conforme ABNT NBR 15315;

S é a massa de amostra expressa em gramas (g).

O relatório deve conter as seguintes informações: o teor de chumbo, expresso em miligramas por quilograma (mg/kg); identificação completa da amostra ensaiada; indicação do tipo de equipamento utilizado; data e responsável pelo ensaio; e referência a esta norma. Quanto à precisão, a repetibilidade: dois resultados, cada um com uma média de determinação, obtidos pelo mesmo operador em diferentes dias, devem ser considerados suspeitos se diferirem em mais de 11 % relativos; a reprodutibilidade: dois resultados, cada um com uma média de determinação, obtidos por operadores de laboratórios diferentes, devem ser considerados suspeitos se diferirem em mais de 28 % relativos.

Gestão de projetos e ensaios de proficiência por comparação interlaboratorial


II Seminário ABQ Qualidade Século XXI

A Target, cumprindo o seu papel de apoiar e incentivar a qualidade, a normalização e a competitividade…

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Filipe de Medeiros Albano e Carla Schwengber ten Caten

As decisões tomadas em ambientes ligados à área da saúde, segurança, meio ambiente, indústria, entre outras, são vinculadas, muitas vezes, a resultados de ensaios ou calibrações. Estas medições devem ser confiáveis, pois um resultado inadequado pode levar a uma tomada de decisão errônea. Dentro deste contexto, está a importância da qualificação dos laboratórios que realizam estas medições. Os mesmos devem ter seus processos estruturados, de forma que seja possível garantir a sua qualidade.

A norma NBR ISO/IEC 17025 aborda sistemas de gestão da qualidade para laboratórios com enfoque em requisitos técnicos e gerenciais. Os laboratórios que obtém acreditação ou reconhecimento com base nesta norma são aqueles que buscam um processo de melhoria contínua e tem uma preocupação com a confiabilidade de seus resultados (ROSA, et al., 2011). Cabe destacar que também se deve observar o fato de que a conquista de uma acreditação é mais simples do que sua manutenção ao longo do tempo (TAWFIK; FATAH, 2010).

Para se qualificar e obter este reconhecimento de terceira parte, no Brasil realizado pela CGCRE/INMETRO e por Redes Metrológicas, por exemplo, o laboratório deve participar de Ensaios de Proficiência (EP), que são programas de comparação de resultados de medições, visando identificar se as empresas envolvidas são tecnicamente competentes nos ensaios ou calibrações que realizam. Alguns autores também chamam esta atividade de comparações interlaboratoriais.

Os EP são desenvolvidos por organismos chamados de provedores. As demandas do mercado por EP são, no Brasil, maiores do que a oferta atual. Além disso, cabe destacar a grande diversidade de ensaios e calibrações existentes, em diferentes áreas da metrologia, o que possibilidade a execução dos mais variados tipos de EP. A partir de 2010, a CGCRE/Inmetro desenvolveu um programa de acreditação de provedores de EP. Esta acreditação é realizada com base na norma NBR ISO/IEC 17043, que aborda questões técnicas e gerenciais ligadas à avaliação da conformidade de provedores de EP.

Devido a crescente demanda de EP no país, os provedores percebem a necessidade de desenvolver projetos para estruturar a oferta de novos serviços para o mercado, além de buscar sua qualificação através da acreditação(THOLEN, 2011). O ambiente de desenvolvimento de projetos dos provedores nem sempre segue todas as recomendações de guias como o PMBOK ou normas como a NBR ISO 10006. Além disso, cabe destacar que os projetos de EP são atividades que demandam certo detalhamento, devido a sua complexidade, fator que justifica um cuidado especial no desenvolvimento de um projeto de um novo EP.

Segundo Keeling (2002), existem alguns benefícios na Gestão de Projetos, tais como: maior facilidade de medição, pois o andamento do projeto pode ser medido por meio da comparação com metas e padrões definidos de desempenho, maior flexibilidade, uma vez que pode empregar ou agregar especialistas e peritos por períodos limitados. Além disso, destacam-se a simplicidade, ligada as metas e objetivos de fácil entendimento, e o controle independente das ações desenvolvidas no projeto e na rotina.

Dentro do tema EP e Gestão de Projetos, encontram-se as seguintes questões de pesquisa: como é realizada a gestão de projetos de EP de provedores acreditados no Brasil? Os provedores utilizam recomendações de guias ou normas de gestão de projetos para desenvolver suas atividades?

O objetivo geral deste trabalho é analisar a gestão dos projetos de EP desenvolvidos por provedores acreditados no Brasil. Como objetivos específicos, destacam-se: avaliar o conhecimento declarado dos provedores sobre as normas NBR ISO 10006, NBR ISO/IEC 17043 e o Guia Pmbok do PMI (i), analisar as áreas de relação (áreas comuns) entre as referências citadas anteriormente (ii), avaliar o nível de maturidade declarado de gestão de projetos de ensaios de proficiência dos provedores acreditados no Brasil (iii) e analisar oportunidades de melhoria na Gestão dos Ensaios de Proficiência desenvolvidos no país (iv).

O presente artigo está estruturado em cinco seções. A primeira é a introdução do tema e identificação da questão e objetivos da pesquisa. A segunda seção aborda o referencial teórico sobre gestão de projetos e EP. Logo após é apresentado o método de pesquisa, sendo divido em quatro etapas. Os resultados da pesquisa são apresentados na seção quatro e na última parte do trabalho são apresentadas as considerações finais da pesquisa.

O referencial deste trabalho está embasado em dois assuntos, a Gestão de Projetos e os Ensaios de Proficiência. A Gestão de Projetos é um esforço temporário empreendido para criar um serviço, um produto ou um determinado resultado. Devido a este fato, ele possui um prazo limitado, uma data definida para a finalização e um resultado diferente daquele produzido em um processo, que caracteriza uma rotina (PMI, 2013).

A gestão de um projeto aborda a execução de 5 processos gerenciais: iniciação, planejamento, execução, monitoramente e controle e o seu encerramento (PMI, 2013). Para implementar projetos, o PMI (2013) propõe ao logo das fases citadas anteriormente a ação integrada de nove áreas de conhecimento, a saber: gestão do escopo, tempo, custos, qualidade, recursos humanos, comunicação, riscos, aquisições e integração. Segundo Gusmão et al. (2006), estas ações são normalmente gerenciadas pelo gerente de projetos, que é a pessoa responsável pela realização das tarefas ligadas ao desenvolvimento do projeto.

Outra referência mundialmente conhecida é a NBR ISO 10006, que trata de sistemas de gestão da qualidade focando em diretrizes para a gestão da qualidade em projetos, apesar de em português utilizar o termo empreendimentos. Esta norma é aplicável a projetos de complexidade variada, pequenos ou grandes, de curta ou longa duração, em ambientes diferentes e independentemente do tipo de produto ou processo envolvido (ABNT, 2006). Ainda, esta norma é apenas orientativa, não sendo utilizada em processos de certificação, como a norma NBR ISO 9001, por exemplo.

Cabe a ressalva de que o tema gestão de projetos é amplo e tem sido desenvolvido em diferentes áreas. Pesquisas de Din et al. (2011) relacionam a gestão de projetos com a certificação ISO 9001, onde se constatou que em empresas certificadas por esta norma, a performance dos seus projetos foram melhores, quando comparadas com empresas não certificadas. Dentro deste contexto foi destacada a importância dos processos de comunicação para a obtenção de um projeto adequado. Autores como Pegoraro, Saurin e Paula (2011) também abordam o uso da gestão de projetos e a importância da comunicação entre os stakeholders, sendo esta prática aplicada com um enfoque de gestão de requisitos de projetos.

Outro autor, Chen (2011), comenta que a abordagem tradicional de gestão e acompanhamento de projetos utilizando marcos de verificação de progresso é insuficiente. Uma forma adequada de permitir que um cliente possa monitorar e intervir no desenvolvimento de um projeto é a abordagem “reuniões de fluxo”.

Esta abordagem está ligada ao fato do gerenciamento das informações durante o projeto ser realizada de forma sistemática e organizada, além de proporcionar um ambiente adequado para implantação e gestão das lições aprendidas. Dentro deste contexto, percebe-se a relevância de um adequado processo de comunicação para uma adequada gestão de projetos.

Outro fator relevante são os projetos e o seu vínculo com a estratégia e o porte da organização envolvida. Atualmente as empresas estão enfrentando mais dificuldades com a implementação de estratégias do que com sua formulação. O trabalho de Meskendahl (2010) examina a ligação entre a estratégia empresarial, gestão de portfólio de projetos, e o sucesso do negócio para fechar a lacuna entre a formulação e implementação da estratégia.

De acordo com a autora, pesquisas anteriores já haviam encontrado algumas evidências de apoio de uma relação positiva entre os conceitos isolados, mas até agora não existe uma lógica relacionando todo o ciclo da estratégia para o sucesso do projeto. Meskendahl (2010) propõe um modelo conceitual de gestão de projetos abrangente, considerando a orientação estratégica, a estruturação de portfólio de projetos, abordando a importância da relação entre gestão de projetos, portfólios e gestão estratégica. Um item primordial para um projeto de sucesso é que estes fatores estejam alinhados.

Sobre a consideração da gestão de projetos vinculada com o porte da organização que o gerencia, pode-se citar a pesquisa desenvolvida por Turner et all. (2010). De acordo com estes autores, as pequenas e médias empresas (PME) fazem uma contribuição fundamental para a economia em termos de emprego, inovação e crescimento.

O gerenciamento de projetos pode desempenhar um papel significativo no desenvolvimento desta contribuição, mas as PME necessitam de formas menos burocráticas de gestão de projetos do que as utilizadas por organizações maiores e mais tradicionais. PME usam o gerenciamento de projeto tanto para gerenciar as operações, para oferecer produtos customizados e para gerir a inovação e o crescimento. Desta forma, percebe-se que a gestão de projetos deve adaptar-se as necessidades das organizações.

Percebe-se a amplitude do tema gestão de projetos e suas diferentes possibilidades de aplicação. No desenvolvimento de EP pode-se fazer uso de conceitos relacionados à gestão de projetos, apesar de não haver uma ligação explicita entre estes fatores, com exceção dos utilizados na área da qualidade. A próxima seção aborda os EP e sua gestão.

Os EP são realizados através de uma sistemática que tem como objetivo apoiar os laboratórios de ensaios e calibração na garantia dos serviços prestados, fornecendo apoio ao SGQ da empresa (HOWERTON et al., 2010). Por meio do EP é possível avaliar o desempenho de laboratórios para ensaios ou medições específicas, identificar problemas analíticos, estabelecer uma comparabilidade de métodos de ensaio ou calibração, prover confiança adicional aos clientes do laboratório, capacitar os participantes com base em resultados das comparações interlaboratoriais, validar a incerteza declarada e atribuir valores para materiais de referência (ABNT, 2011).

As empresas que promovem rodadas de comparação entre laboratórios são chamadas de provedores de EP. Recomenda-se que estas organizações sigam a norma NBR ISO/IEC 17043, que foi elaborada para fornecer uma base consistente a todas as partes interessadas para determinar a competência de organizações provedoras de EP. Atualmente a CGCRE realiza, também, a acreditação de provedores de EP (CGCRE, 2011).

Dentro do contexto de qualificação de laboratórios, destacam-se as exigências relacionadas à garantia da qualidade da norma ABNT NBR ISO/IEC 17025, onde está explicito que o laboratório deve monitorar a validade dos ensaios e calibrações realizados através de um procedimento de controle da qualidade. Tal monitoramento pode ser realizado através de participações em EP (ABNT, 2005).

Em cada EP deve ser definido o desenvolvimento e operação do programa, definindo os possíveis participantes, amostras, frequência do programa, entre outras informações (RMRS, 2011). Destaca-se que um EP pode ser realizado na área de calibração ou ensaios.

Segundo ABNT (2011), os programas de comparação podem variar de acordo com as necessidades do setor em que eles são utilizados, a natureza dos itens de EP, os métodos em uso e o número de participantes. A natureza do ensaio ou medição efetuada em EP define o método de comparação de desempenho que pode ser quantitativo, qualitativo ou interpretativo.

Os EP podem ser classificados em cinco tipos diferentes: sequencial, simultâneos, modelos de níveis distintos, amostras divididas e ensaios parciais (ABNT, 2011). A norma recomendada pela NBR ISO/IEC 17043 para a análise estatística dos resultados é a ISO/DIS 13528 – Statistical methods for use in proficiency testing by interlaboratory comparisons. O método estatístico proposto por esta norma é embasado em um algoritmo para geração de uma média e desvio robustos, uma vez que consiste em um processo de exclusão de valores dispersos (outliers).

O desempenho de cada laboratório participante pode ser avaliado a partir da análise estatística dos resultados enviados, sendo definida a estimativa do valor real (valor designado) através de consenso. O valor designado também pode ser atribuído ao mensurando por um laboratório de referência. Destaca-se que as amostras preparadas também são analisadas através de teste de homogeneidade e estabilidade (ISO/DIS, 2005).

Diferentes pesquisadores destacam a importância da participação em EP. De acordo com estudos realizados por Howerton et al. (2010), foram analisados resultados de EP realizados nos Estados Unidos em laboratórios clínicos de 1994 até 2006 e percebeu-se uma diferença significativa na melhoria dos laboratórios participantes, onde observou-se a redução de resultados insatisfatórios. Neste estudo foram avaliados 36.000 resultados de participantes de EP na área de análises clínicas. Estes EP são aprovados pela Clinical Laboratory Improvement Amendments (CLIA), que é uma agência regulatória da área de saúde Norte Americana.

De acordo com Pizzolato, Reis e Ribeiro (2008), existe um número reduzido de provedores no Brasil, frente à demanda do mercado. Na pesquisa realizada por estes autores, o foco foram os EP da Rede Metrológica RS, que é uma das maiores provedoras deste tipo de atividade no país. De acordo com o estudo conduzido, percebeu-se que existe uma tendência de crescimento da quantidade de laboratórios com resultados satisfatórios no EP de análises microbiológicas da Rede Metrológica RS entre os anos de 2004 e 2006.

Ainda, em relatórios de comparação da Rede Metrológica RS publicados recentemente percebe-se que, ao longo do tempo, os laboratórios tendem a apresentar uma melhoria em seu desempenho analítico. O grupo que participa da comparação melhora sua precisão e exatidão ao longo das rodadas (RMRS, 2011). Isso ocorre em diferentes ensaios e matrizes, a saber: análises ambientais em água, ensaios físico-químicos em vinhos, cachaça e sucos, análise de sementes, análise de carvão, entre outras. Assim sendo, percebe-se a importância dos EP e sua abrangência, pois os mesmos podem ser desenvolvidos em qualquer área que sejam realizadas medições através de ensaios ou calibrações.

A pesquisa desenvolvida, em relação aos seus objetivos, é classificada como sendo um trabalho exploratório que utiliza como procedimento técnico um estudo de caso aplicado através de pesquisas realizadas com provedores de EP. Este trabalho possui uma abordagem quantitativa, sendo de caráter aplicado. O método proposto está embasado em quatro etapas, apresentadas na Figura 1.

Etapa

Descrição

1

Identificação dos provedores acreditados

Identificar os provedores brasileiros que são acreditados pela CGCRE/INMETRO para esta atividade. Estas organizações devem ser o público alvo desta pesquisa.

2

Elaboração do questionário e submissão

Elaborar questionário para ser enviado aos provedores de ensaios de proficiência com questões relacionadas ao objetivo da pesquisa, como o conhecimento declarado sobre a ABNT ISO/IEC 17043, ABNT NBR ISO10006 e o Pmbok, bem como identificar qual área de conhecimento são aplicadas em EP, além de investigar a maturidade dos provedores e se os mesmos consideram suas atividades como sendo projetos. Os questionários devem ser submetidos por e-mail para os coordenadores técnicos ou da qualidade dos provedores identificados na etapa anterior. Monitorar a devolução dos questionários respondidos.

3

Análise dos resultados

Analisar os resultados da pesquisa que aplicada com os provedores, com foco nos objetivos do trabalho, para tanto, deve-se realizar análises distintas, conforme é indicado nas etapas 3.1 até 3.3.

3.1

Análise descritiva

Analisar o perfil dos provedores, identificando seu número de funcionários, tempo de experiência, configuração da empresa (público ou privada) e área de atuação.

3.2

Identificação do nível de conhecimento sobre normas e guias de GP e EP

Identificar as diferenças entre o nível de conhecimento dos provedores nas normas utilizadas para elaborar os projetos de ensaios de proficiência.

3.3

Análise da correlação entre fatores pesquisados

Analisar a correlação entre as áreas de gestão de projeto estudadas e a percepção dos provedores, buscando identificar associação entre os resultados de diferentes questões da pesquisa aplicada.

4

Discussão dos resultados

Realizar uma discussão geral dos resultados, identificando possíveis oportunidades de melhoria para gestão de projetos de EP. Analisar as relações existentes entre os itens pesquisados, discutir sobre o entendimento da gestão realizada por provedores de EP.

Figura 1 – Descrição das etapas do método de trabalho

Os resultados da pesquisa podem ser apresentados e estruturados conforme a aplicação do método de pesquisa descrito. A identificação dos provedores, elaboração e submissão do questionário. Durante esta etapa foram identificados os provedores acreditados no sítio do Inmetro, http://www.inmetro.gov.br/credenciamento/acre_prod_ep.asp, onde, no período que a pesquisa foi realizada, que foi de março a junho de 2012, existiam 12 empresas listadas.

Após a identificação dos provedores, foram elaborados questionários com questões sobre o conhecimento do provedor sobre o Pmbok, a NBR ISO10006 e a NBR ISO/IEC 17043. Esta avaliação foi realizada em uma escala Lickert de zero a 5, onde o valor mais alto representa muito conhecimento declarado. Ainda, existiam questões que relacionavam as áreas do Pmbok com as áreas que são abordadas na NBR ISO/IEC 17043 e também sobre quais áreas eram consideradas efetivamente na provisão de um EP. Além disso, questionou-se se o provedor considerava os EP realizados como sendo projetos e também se ele se considerava maduro na gestão de seus projetos ligados aos EP.

O questionário foi submetido para todos provedores acreditados por e-mail, informando que estaria sendo realizada uma pesquisa e que as respostas não seriam identificadas. Após recebimento de todos os instrumentos, foi realizada uma análise das respostas, que está apresentada a seguir.

Análise do perfil dos provedores acreditados

A parte inicial do questionário apresentava perguntas sobre a constituição do provedor, visando identificar seu tempo de experiência, número de funcionários, nível de escolaridade, área de atuação e tipo de empresa (público, privada ou privada sem fins lucrativos). Os perfil destas organizações está apresentado na Tabela 1.

Clique nas figuras para uma melhor visualização 

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Tabela 1 – Perfil dos Provedores de EP

A Tabela 1 refere-se aos dados de todos provedores de EP acreditados no Brasil, sendo 12 organizações. O tempo médio de experiência destas empresas é de 12,8 anos, trabalhando com uma média de 13,4 funcionários, sendo que a maioria dos provedores brasileiros são empresas privadas sem fins lucrativos. Destaca-se que apenas 2 empresas acreditadas nesta área são privadas.

A maioria dos provedores (75%) atua na área de ensaios, onde existe uma maior demanda por este tipo de atividade. Ainda, percebe-se que somente 1 provedor atua ao mesmo tempo na área de calibração e ensaios. Sobre o nível de escolaridade, percebe-se que esta é uma atividade que demanda esforço intelectual. Este fato reflete que 41,7% dos provedores tem pessoal com doutorado ou mestrado concluído ou em andamento.

Análise nível de conhecimento sobre Pmbok, ABNT NBR ISO10006 e ABNT NBR ISO/IEC 17043

A próxima fase consistiu na realização de uma análise sobre o nível de conhecimento declarado dos provedores em relação ao guia de gestão de projetos Pmbok, a norma ABNT NBR ISO10006 e a ABNT NBR ISO/IEC 17043. A Figura 2 apresenta os resultados médios das respostas fornecidas pelos diferentes provedores.

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Figura 2 – Nível de conhecimento declarado dos provedores

Percebe-se que o conhecimento declarado em relação a norma NBR ISO/IEC 17043 é alto, o que não ocorre para as demais. Aplicando o teste da ANOVA nos resultados, percebeu-se que os fatores estudados apresentam diferença significativa, uma vez que o p-value foi 0,0002. O teste foi realizado com 95% de confiança. Os princípios para realização deste teste, como avaliação da independência e verificação da normalidade dos resíduos, bem como a sua homocedasticidade, foram atendidos satisfatoriamente.

Após a ANOVA, aplicou-se o teste de Tuckey, com 95% de confiança, para verificar qual fator apresentava diferença significativa. Esta avaliação indicou que o Pmbok e a norma ABNT NBR ISO10006 não tem diferença significativa, pois o p-value foi de 0,391. Isso indica que o conhecimento sobre esta norma e sobre o guia são igualmente baixos e significativamente diferentes do conhecimento declarado sobre a norma ABNT NBR ISO/IEC 17043. Desta forma, percebe-se que entre os provedores, todos declararam que possuem conhecimento alto em relação a norma ABNT NBR ISO/IEC 17043 e conhecimento igualmente baixo sobre a ABNT NBR ISO10006 e o Pmbok.

Análise das áreas utilizadas em EP e maturidade de projetos

Os provedores brasileiros acreditados também responderam questões a respeito de quais áreas do conhecimento eles consideravam que a norma NBR ISO/IEC 17043 abordava e quais que o provedor realmente utilizava no desenvolvimento de seus EP. Os resultados desta pesquisa estão apresentados na Figura 3. Foram incluídas as 9 áreas de conhecimento do Pmbok, bem como “estratégia” para verificar se isso era levado em consideração no desenvolvimento dos EP. Entende-se por “estratégia” o alinhamento dos projetos com o planejamento estratégico da empresa (vínculo com seus objetivos, visão, valores e missão).

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Figura 3 – Áreas de conhecimento e relação com a norma de EP

Analisando as respostas obtidas, percebe-se que os provedores concordam que estratégia, custos, riscos e tempo são pouco abordados na norma utilizada para o desenvolvimento de EP, uma vez que apresentaram menos de 50% no gráfico 1 da Figura 3. Para avaliação das respostas, elaborou-se uma matriz cruzando as informações do Pmbok, da NBR ISO 10006 e NBR ISO/IEC 17043, apresentada no Apêndice 1.

Nesta matriz, pode-se observar que de fato estas áreas não são abordadas pela norma para desenvolvimento de EP. Outras áreas como integração, avaliando a matriz construída, também não são abordadas de forma explicita na norma NBR ISO/IEC 17.043, apesar de a maioria dos provedores considerarem que a mesma é abordada, pois apresenta 83% no gráfico 1 da Figura 3.

No segundo gráfico elaborado, apresentado na mesma Figura citada anteriormente, são apresentadas as áreas do conhecimento que são consideradas na prática pelos provedores de EP acreditados do Brasil. Mesmo não sendo abordada pela norma de EP, a maioria dos provedores (75%) considera questões ligadas à estratégia para execução destas atividades. Outros fatores que foram citados nesta questão foram custos e tempo, apresentando resultados de 67% e 83%, respectivamente. Percebe-se que custos ainda não são considerados tão relevantes como outras áreas de conhecimento, na prática, como qualidade, comunicação, aquisições, escopo. Na matriz que compara as normas, no Apêndice 1, percebe-se que estas outras áreas são mais consideradas. Essa pode ser uma das justificativas para este fato.

Ainda, na Figura 3, percebe-se que a área mais citada é a qualidade (100%), que já era esperado, devido a esta ser uma norma ligada a avaliação da conformidade, com um foco em qualidade. A menos citada foi Riscos (33%), o que pode representar uma possível área de melhoria para provedores de EP. Destaca-se que as área na matriz do Apêndice 1 que mais e que menos apresentam vínculo com a norma NBR ISO/IEC 17.043 são qualidade e riscos, respectivamente.

As últimas duas questões abordadas na pesquisa foram as que estão apresentadas na Figura 4. A maioria dos provedores de EP considera que suas atividades são desenvolvidas através de projetos (58%). Dentre os entrevistados, 25% citou que considera que são parcialmente desenvolvidos projetos.

A justificativa dos que citaram “parcialmente” foi coerente, uma vez que foi relatado que os EP são projetos a primeira vez que são desenvolvidos. Depois de os mesmos serem validados, muitas vezes com rodadas piloto, eles passam a serem desenvolvidos frequentemente, se tornando processos e fazendo parte da rotina do provedor. Esta lógica permite interpretar que EP que são executados frequentemente, sem mudanças em seu escopo, podem ser considerados processos e não projetos.

provedores5

Figura 4 – Desenvolvimento de projetos de EP e maturidade de provedores

A maioria dos provedores (83%) se considera madura no desenvolvimento de EP. Os mesmos relataram que este fato está relacionado com alguns fatores, tais como: tempo de experiência em EP, acreditação pela CGCRE/INMETRO desta atividade e a lógica de um processo estruturado de gestão dos EP desenvolvidos. Os 17% que se declararam não maduros estão iniciando esta atividade e ainda possuem menos de cuinco anos de experiência neste assunto.

Análise correlação entre fatores da pesquisa

Os resultados da pesquisa foram cruzados em uma matriz de correlação, que buscou identificar relações positivas ou negativas entre os fatores estudados. As informações que foram correlacionadas foram as respostas sobre: integração, escopo, tempo, custos, qualidade, recursos humanos (RH), comunicação, riscos, aquisições, estratégica, consideração de EP como projetos e a maturidade em projetos de EP.

Para avaliação das correlações todas as respostas foram transformadas em valores quantitativos. Utilizou-se o coeficiente de Pearson e o p-value para avaliar a correlação dos dados. A Tabela 2 apresenta dos dados que apresentaram correlação significativa, com coeficiente de Pearson maior do que 0,60 e p-value menor do que 0,05.

Itens

Coeficiente de Pearson

p-value

Integração – Tempo

0,77

0,003

Integração – Comunicação

0,77

0,003

Tempo – RH

0,63

0,027

Comunicação e Aquisições

0,67

0,016

Tabela 2 – Análise da Correlação significativa

Para os provedores acreditados do Brasil, a Integração entre atividades de iniciação, planejamento, execução, controle e encerramento e a gestão do tempo e a comunicação estão relacionadas positivamente. Ou seja, elas têm interferência, o que é coerente, pois a gestão do tempo do projeto está intimamente ligada a sua adequada integração dos processos de gerenciamento. Além disso, a comunicação é um fator relevante para a adequada integração das atividades.

Outras áreas que apresentaram correlação significativa foi tempo e RH, sendo que de fato a adequada gestão de RH influencia a gestão do tempo, principalmente no sentido de um adequado planejamento e controle das atividades relacionadas com os EP, sendo executados por uma equipe capacitada e bem gerida. Ainda, a Comunicação e as Aquisições apresentaram correlação, que evidencia a importância dos processos de gestão das informações e contato com fornecedores e demais subcontratados em EP.

Das áreas que apresentaram resultados significativos, somente aquisições, comunicação e RH estão explicitamente contemplados na norma NBR ISO/IEC 17.043, mas pelos resultados, percebe-se que existem outros fatores que são relevantes para o desenvolvimento de EP, mesmo que não esteja descritos em seções próprias da norma citada anteriormente. Como uma discussão geral dos resultados, pode-se dizer que a atividade de provisão de EP no Brasil é relevante para o apoio ao desenvolvimento de acreditação e reconhecimento de competência de laboratórios. Atualmente existem poucos provedores acreditados, frente à demanda de EP no mercado.

Os provedores acreditados do país possuem uma alta qualificação em termos de nível de escolaridade. Já a sua experiência e número de funcionários envolvidos com os EP foram variáveis, uma vez que trabalham com 2 a 100 pessoas e as organizações possuem de 2,5 a 35 anos de experiência. O nível de conhecimento declarado em relação a normas e guias de gestão de projetos como o Pmbok e a NBR ISO 10006 foram considerados baixos, quando comparados com a norma NBR ISO/IEC 17043, que é a referência utilizada para o desenvolvimento de EP. Apesar deste fato, percebeu-se que os provedores também utilizam conhecimentos da área de gestão de projetos para desenvolver suas atividades, com exceção de gestão de riscos, que se demonstrou uma das maiores lacunas nas atividades de EP. A área de custos também evidenciou possíveis melhorias. Cabe destacar que ambas não constam na norma ABNT NBR ISO/IEC 17043.

Também foi observado que a maioria dos provedores considera os EP como sendo projetos (58%). Mesmo assim, foi constatado que se o mesmo EP é desenvolvido repetidas vezes, o mesmo passa a ser uma rotina. Desta forma, os provedores desenvolvem um projeto na primeira vez que executam determinado EP. Caso o mesmo seja implantado de maneira adequada, ele poderia ser considerado, caso fosse repetido ciclicamente, como sendo um processo.

Enfim, os EP desenvolvidos no Brasil por provedores acreditados são atividades importantes para o desenvolvimento da Metrologia, tanto na área de ensaios quanto de calibração. O objetivo geral deste trabalho foi analisar a gestão dos projetos de EP desenvolvidos por provedores acreditados no Brasil, que foi realizado de forma adequada. Ainda, foi possível avaliar o conhecimento declarado dos provedores sobre as normas NBR ISO 10006, NBR ISO/IEC 17043 e o Guia Pmbok, analisar as áreas de relação (áreas comuns) entre estas referências e analisar o nível de maturidade declarado de gestão de projetos de EP.

Foi possível identificar oportunidades de melhoria na gestão dos EP desenvolvidos no país, sendo que as maiores lacunas identificadas na gestão dos provedores foras as áreas de riscos e custos. Como sugestões de trabalhos futuros, tem-se propor procedimentos para gestão de custos e riscos em EP, analisando quais práticas seriam aplicáveis para este tipo de atividade e realizar esta pesquisa com outros provedores acreditados de fora do país, visando comparar os resultados entre o Brasil e outras nações. Outra sugestão seria analisar a gestão de projetos de EP com um enfoque estratégico analisando a gestão de portfólio dos provedores.

Referências

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Filipe de Medeiros Albano e Carla Schwengber ten Caten são da UFRGS – filipealbano@yahoo.com.br; carlacaten@gmail.com

Os testemunhos de estruturas de concreto

Para fins de avaliação da resistência à compressão, a extração dos testemunhos de concreto deve ser feita, sempre que possível, na direção ortogonal à de lançamento, e distanciada das juntas de concretagem de pelo menos um diâmetro exemplar. No sentido de preservar a segurança da estrutura, toda extração tem de ser precedida de um escoramento adequado, sempre que ele se fizer necessário.

A superfície da estrutura, na região a ser brocada, precisa ser preparada com a retirada de eventual revestimento. A distância mínima entre bordas dos furos não pode ser inferior a um diâmetro do testemunho. É preciso empregar broca rotativa ou oscilante, refrigerada a água, sem uso de percussão (martelete). O diâmetro do exemplar deve ser de 15 cm, exceto quando isso não for exequível, porém nunca menor que três vezes a dimensão máxima característica do agregado graúdo.

Quando o testemunho não puder ser extraído com 15 cm, o seu diâmetro tem de ser igual ou superior a três vezes a dimensão máxima característica do agregado graúdo que foi utilizado no concreto em questão, mas não inferior a 10 cm. Quando isso também não for possível, a amostra necessita ser composta de, no mínimo, dez exemplares. A relação altura (h)/diâmetro (d) do testemunho capeado será igual a dois, nunca maior. Sempre que isso não for possível, podem ser aplicados aos resultados obtidos os coeficientes da tabela a seguir, sendo admitida a relação (h/d) < 1 somente em casos especiais de exemplares de concreto retirados de pavimentação.

Esses índices de correção são aplicáveis aos concretos com massa específica de 160 kg/m3 a 3.200 kg/m3, rompidos secos em equilíbrio com o ambiente ou úmidos. Os testemunhos têm de ser íntegros e não conter materiais estranhos ao concreto, tais como pedaços de madeira, barras de aço, etc. Podem ser aceitos aqueles que contiverem barras de aço em direção ortogonal ao seu eixo e cuja área de seção não ultrapasse 4% da área de seção transversal do exemplar.

A NBR 7680-1 de 01/2015 – Concreto – Extração, preparo, ensaio e análise de testemunhos de estruturas de concreto – Parte 1: Resistência à compressão axial, em todas as suas partes, estabelece os requisitos exigíveis para os processos de extração, preparo, ensaio e análise de testemunhos de estruturas de concreto. Esta Parte 1 trata especificamente das operações relativas à resistência à compressão axial de corpos de prova cilíndricos de concreto.

Os resultados obtidos pelo procedimento estabelecido nesta Parte 1 podem ser utilizados: para aceitação definitiva do concreto, em casos de não conformidade da resistência à compressão do concreto com os critérios da NBR12655; para avaliação da segurança estrutural de obras em andamento, nos casos de não conformidade da resistência à compressão do concreto com os critérios da NBR 12655; para verificação da segurança estrutural em obras existentes, tendo em vista a execução de obras de retrofit, reforma, mudança de uso, incêndio, acidentes, colapsos parciais e outras situações em que a resistência à compressão do concreto deva ser conhecida.

Esta norma, sob o título geral “Concreto – Extração, preparo, ensaio e análise de testemunhos de estruturas de concreto”, tem previsão de conter as seguintes partes: Parte 1: Resistência à compressão axial; e Parte 2: Resistência à tração na flexão. A extração de testemunhos de estruturas se aplica às situações previstas na Seção 1. Em todos os casos, sua realização depende da aprovação prévia de um engenheiro responsável.

A NBR 7680-2 de 02/2015 – Concreto – Extração, preparo, ensaio e análise de testemunhos de estruturas deconcreto – Parte 2: Resistência à tração na flexão também estabelece os requisitos exigíveis para os processos de extração, preparo, ensaio e análise de testemunhos de estruturas de concreto. Esta Parte 2 trata especificamente das operações relativas à resistência à tração na flexão de testemunhos prismáticos de pavimentos de concreto.

Nos casos controversos que envolvam mais de um interveniente, a extração deve ser antecipadamente planejada em comum acordo entre as partes envolvidas (responsável pelo projeto estrutural, pela execução da obra, pela extração dos testemunhos e, quando for o caso, pela empresa de serviços de concretagem, entre outros). Sempre que for considerada necessária, a realização de extração de testemunhos deve ser precedida de estudos com base nos documentos disponíveis (projetos, memórias de cálculo, memoriais descritivos e outros), de forma a balizar a obtenção de informações consistentes e evitar extrações desnecessárias, que podem minorar a capacidade resistente da estrutura em avaliação.

Aplicável quando a resistência característica à compressão do concreto (fck) não for atingida a partir dos critérios previstos na NBR 12655 para aceitação automática do concreto no estado endurecido. Neste caso, para evitar danos desnecessários à estrutura, antes da realização da extração, deve ser solicitado ao projetista estrutural que verifique a segurança estrutural a partir do valor da resistência característica à compressão estimada (fck,est), calculada com base nos resultados obtidos a partir dos ensaios dos corpos de prova moldados, conforme previsto na NBR 12655.

Feita esta análise, tem-se duas possibilidades: o resultado da análise é positivo: os requisitos de avaliação da segurança estrutural são considerados atendidos com a resistência, fck,est, obtida conforme a NBR 12655, para a estrutura ou parte dela. Neste caso, não é necessária a realização de extrações de testemunhos e o projetista estrutural aceita a nova resistência, fck,est, obtida; o resultado da análise é negativo: deve ser feito um planejamento da extração de testemunhos, considerando os critérios desta Parte 1 da NBR 7680, em comum acordo com todas as partes envolvidas, conforme 3.1.

O equipamento utilizado para realizar a extração de testemunhos deve permitir a obtenção de amostras homogêneas e íntegras do concreto da estrutura. Para extrair testemunhos cilíndricos, deve ser empregado um conjunto de extratora provido de cálice e coroa diamantada, ou outro material abrasivo equivalente, que possibilite realizar o corte dos testemunhos com as dimensões estabelecidas, sem danificar excessivamente a estrutura.

O equipamento deve possibilitar refrigeração à água do local do corte do concreto e minimizar vibrações, que devem ser evitadas para se obter paralelismo entre as geratrizes dos testemunhos extraídos e evitar ondulações em sua superfície. O procedimento aplica-se no caso de dúvidas quanto à resistência à compressão axial do concreto aos critérios da NBR 12655. O lote a ser analisado deve corresponder ao estabelecido na Tabela 1.

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tabela 1_concreto

O lote deve abranger um volume de concreto que possibilite decidir sobre a segurança da estrutura, mas a extração de testemunhos deve ser tão reduzida quanto possível, para evitar maiores danos aos elementos estruturais analisados. Os lotes não identificados por mapeamento durante a concretagem (lotes sem rastreabilidade) podem ser mapeados por meio de ensaios não destrutivos.

Pode ser utilizado qualquer procedimento confiável, sendo adequado empregar a avaliação da dureza superficial pelo esclerômetro de reflexão (NBR 7584) ou a determinação da velocidade de propagação de onda ultrassônica (NBR 8802). Os métodos não destrutivos também podem ser utilizados para comprovar a homogeneidade do concreto em um lote identificado por mapeamento.

Todos os ensaios devem ser realizados por equipe competente, pois existem fatores que podem confundir as análises. Diferentes alturas de ensaios, diferentes texturas superficiais (devido a formas), diferentes taxas de armaduras, pequenos cobrimentos, ou até mesmo diferenças na umidade interna do concreto, podem alterar os resultados de avaliações de ensaios não destrutivos.

Os requisitos relativos à formação de lotes para extração de testemunhos, em função do tipo de amostragem realizada para o controle de aceitação (NBR 12655), assim como a quantidade de testemunhos a serem extraídos de cada lote, estão estabelecidos na Tabela 1. Os requisitos relativos ao mapeamento, à formação de lotes e à quantidade de testemunhos a serem extraídos estão estabelecidos na Tabela 1.

No caso de estruturas sem histórico do controle tecnológico, estas devem ser divididas em lotes, identificados em função da importância dos elementos estruturais que as compõem e da homogeneidade do concreto, que deve ser avaliada por meio de ensaios não destrutivos. O local para a extração de testemunhos em uma estrutura deve ser determinado por consenso entre o tecnologista de concreto, o construtor e o projetista da estrutura, de forma a reduzir os riscos de extração em locais inadequados.

O diâmetro de um testemunho cilíndrico utilizado para determinar a resistência à compressão deve ser pelo menos três vezes a dimensão máxima característica do agregado graúdo contido no concreto e preferencialmente maior ou igual a 100 mm. No caso de elementos estruturais cuja concentração de armaduras torne inviável a extração de testemunho de diâmetro igual ou superior a 100 mm, sem danificar a armadura, permite-se a extração de testemunho com diâmetro igual a 75 mm.

Esta norma aplica-se principalmente à medição de descargas parciais em ensaios com tensão alternada. Os termos gerais, as definições e os requisitos são, em geral, também aplicáveis às medições de descargas parciais em ensaios com tensões contínuas.

Algumas características especiais de medição de descargas parciais com tensão contínua constam de uma seção separada. No decorrer do texto, são feitas referências a estas seções.

As medições de descargas parciais são feitas com as seguintes finalidades principais: verificar se as descargas parciais, no objeto sob ensaio, em uma tensão especificada, não são superiores a uma intensidade especificada; determinar os valores de tensão nos quais descargas de uma intensidade baixa especificada se iniciam com tensão crescente e cessam com tensão decrescente; determinar a intensidade de descargas parciais em uma tensão especificada.

As descargas consideradas nesta norma são descargas elétricas localizadas nos meios isolantes, limitadas a uma parte somente do dielétrico sob ensaio, e que curto-circuitam somente partes da isolação entre eletrodos. As descargas parciais ocorrem mais frequentemente na forma de pulsos individuais, os quais podem ser detectados como pulsos elétricos no circuito externo ligado ao objeto sob ensaio. Contudo, pode ocorrer uma forma mais contínua, assim chamada descarga sem pulsos.

Esta forma, normalmente, não é detectada pelos métodos descritos nesta norma. As descargas parciais podem ocorrer em cavidades da isolação sólida, em bolhas de gás dentro de isolação líquida ou entre camadas de isolação com características dielétricas diferentes.

Elas podem ocorrer também junto a arestas vivas ou pontas de superfícies metálicas. Partículas metálicas, poeiras ou fibras, dentro da isolação ou sobre ela, podem causar também descargas parciais, bem como umidade ou poluição sobre superfícies isolantes. Cada descarga parcial individual determinada origina um pulso único de corrente no dielétrico e no circuito externo.

Se a energia em jogo for pequena, as descargas parciais podem levar a uma deterioração progressiva das propriedades dielétricas dos materiais isolantes; a definição e avaliação dessa deterioração estão, no entanto, fora do escopo desta norma. As medições de descargas parciais em equipamento que possui enrolamento, como transformadores, geradores e motores, são dificultadas pela atenuação do pulso ao longo dos enrolamentos por fenômenos de ressonância. As prescrições para ensaios nestes equipamentos são tratadas resumidamente.

Esta norma trata principalmente dos métodos elétricos de medição de descargas parciais; é feita, porém referência também a métodos não elétricos. Os circuitos de ensaio e instrumentos de medição devem ser verificados e calibrados como especificados em 5.1 a 5.3 e devem atender aos requisitos especificados pela comissão de estudo interessada (ver 6.1).

Se as comissões de estudo interessadas não especificarem diferentemente, qualquer um dos circuitos de ensaio mencionados em 4.2 e qualquer um dos instrumentos mencionados em 4.4 são aceitáveis. A comissão de estudo interessada pode restringir a escolha a instrumentos que meçam uma ou mais grandezas particulares. Nesse caso, qualquer instrumento que meça essa(s) grandeza(s), ligado a qualquer circuito de medição, é, em geral, considerado aceitável.

Para ensaios com tensões contínuas, ver Seção 9. Os métodos não elétricos de detecção de descargas parciais não são recomendados para medições quantitativas, mas são úteis para finalidades especiais, como na localização de descargas parciais (ver 4.5).

A maioria dos circuitos em uso para ensaios de descargas parciais pode ser derivada de um dos três circuitos básicos, indicados nas Figuras A.1 a A.3, sendo algumas variantes desses circuitos indicadas nas Figuras A.4 e A.5. Cada um desses circuitos consiste principalmente em: um objeto sob ensaio que, em muitos casos, pode ser considerado como capacitor, Ca, (ver Anexo C); um capacitor de acoplamento, Ck (ou um segundo objeto sob ensaio Ca1); um impedor de medição Zm (e, às vezes, um segundo impedor Zm1), o cabo de ligação e o instrumento de medição; às vezes um impedor ou filtro, Z, para evitar a passagem dos pulsos de descarga para o circuito de alimentação de alta-tensão e para reduzir interferência da fonte de alimentação.

As características particulares das disposições dos diferentes circuitos são consideradas no Anexo A. Descargas parciais no objeto sob ensaio causam transferência de cargas no circuito de ensaio, dando origem a pulsos de corrente através do impedor de medição. Este impedor, em combinação com o objeto sob ensaio e o capacitor de acoplamento, determina a duração e a forma dos pulsos de tensão medidos.

Estes pulsos são amplificados e a sua forma é ajustada a fim de fornecer ao instrumento de medição um valor proporcional à sua carga aparente. Os circuitos de medição podem ser classificados em dois grupos, em função da faixa de frequência da medição: banda larga e banda estreita. Em ambos os casos, o circuito de medição consiste basicamente em um impedor de medição, um instrumento de medição e um cabo de ligação.

O circuito de banda larga exibe uma resposta a pulsos que permite a determinação de amplitude e polaridade de pulsos de descargas individuais em acréscimo à discriminação entre pulsos consecutivos. O circuito de banda estreita normalmente permite somente a determinação da amplitude das descargas medidas. Em geral, um circuito de banda larga é mais susceptível à interferência externa.

As características de banda larga ou estreita do circuito de medição são normalmente determinadas pelo instrumento e impedância de medição. As características dos circuitos de medição são determinadas pelos seguintes parâmetros: frequências de corte inferior e superior, f1 e f2; largura da banda, Δf; tempo de resolução de pulso, Tr; fator de escala, Ke.

O impedor de medição geralmente atua como impedor a quatro terminais, com uma resposta à frequência escolhida de forma a evitar que a frequência de alimentação de ensaio atinja a do instrumento de medição. Isto pode ser conseguido, no caso de um impedor resistivo, ligando-se um indutor em paralelo com o resistor, ou ligando-se um capacitor em série entre o resistor de medição e o cabo de medição.

O impedor de medição pode consistir em um resistor, circuito sintonizado ou projetos mais complexos de filtro. Para circuitos de medição de banda estreita, adota-se frequentemente a sintonização do medidor para a frequência de medição do instrumento.

O Inmetro analisou 12 marcas de apontadores a laser

aberturaPara assistir aos conteúdos do Seminário ABQ Qualidade Século XXI – Os Desafios para a Competitividade Brasileira, realizado no Salão Nobre da FIESP no dia 13/11 – Dia Mundial da Qualidade, acesse o link www.abqeventos.org.br

Também disponível no YouTube:

– Evento na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=4ElnsRXSwvY

– Abertura: https://www.youtube.com/watch?v=pwH7CcXh8kk

– 1ª Palestra: https://www.youtube.com/watch?v=8IfxZi0g4lw

– 2ª Palestra: https://www.youtube.com/watch?v=8MEGKRIQs5g

– 3ª Palestra: https://www.youtube.com/watch?v=2ftfvlVMwyY

– Manifesto: https://www.youtube.com/watch?v=PJ-dx7igRhk

Caneta-laserBianca Reis

Os ensaios avaliaram a potência de radiação emitida, o comprimento de onda e a rotulagem do produto. Uma em cada quatro amostras apresentou uma radiação superior ao estabelecido pela norma e metade dos produtos analisados não tinha as informações necessárias na embalagem, expondo a saúde e a segurança da sociedade aos riscos que o produto pode oferecer.

Amplamente utilizados em apresentações, para chamar a atenção ou em slides ou em projeções, os apontadores a laser, também conhecidos como “laser pointers” ou “canetas a laser”, têm um feixe de luz vermelha e, além de sua finalidade principal, podem agregar outras funções, podendo ainda ser usados como pen-drive, dispositivo para passar slides em apresentações, caneta esferográfica e lanterna. Além disso, é possível encontrar apontadores para uso em espetáculos de luzes, nas cores amarela, azul, violeta e verde.

Os lasers produzem um feixe de luz intenso e altamente direcionado. O corpo humano é vulnerável a certos lasers, que podem gerar danos à pele e, principalmente, aos olhos, que são mais sensíveis à exposição. Por essa razão, os apontadores a laser não devem ser apontados para os olhos de alguém.

Mais recentemente, também tem sido comum o mau uso dos lasers, como em estádios de futebol, quando torcedores apontam o feixe de luz na direção dos olhos dos jogadores do time adversário, em particular os goleiros, e contra aeronaves. Em ambos os casos, ainda que os lasers sejam de alta potência, quando apontados para alvos a longas distâncias, a sua intensidade é reduzida, porém provocam o ofuscamento da visão.

De acordo com dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), em 2013, foram 1763 registros de ocorrências com laser em aeroportos, e no 1º semestre de 2014, 638. Essa atitude tem sido tão frequente, que passou a ser considerada criminosa, e passível de ser enquadrada no Código Penal Brasileiro.

Diante desse cenário, o Inmetro optou por analisar os apontadores a laser, de feixe vermelho ou verde, no que tange aos seus requisitos de segurança e sua rotulagem e buscando prestar esclarecimentos ao consumidor, sobre os riscos envolvidos na utilização inadequada. Foram analisadas as seguintes marcas: Multilaser, ForceLine, Targus, Logitech , Kensington, XConcept, Key Ring, Comtac, Feel Eectronics e JDRay (laser verde). Cabe destacar que dois apontadores a laser não tinham identificação de marca.

O primeiro ensaio mediu o comprimento de onda dos apontadores, que determina a maior ou a menor penetração do laser no tecido humano, quanto maior for o comprimento de onda, mais profunda é a penetração e vice-versa. Em seguida, foi verificada a potência óptica que, assim como as lâmpadas residenciais, é identificada em Watt.

Para ser considerado conforme o produto poderia apresentar uma potência menor ou igual a 5 mW na faixa espectral (comprimento de onda) de 400 nm a 700nm. Das 12 marcas analisadas, três foram consideradas não conformes. São elas: Comtac, Feel Eletronics e JDRay (laser verde).

Estas três marcas apresentaram potência maior que 5 mW e, além disso, a marca JDRay apresentou comprimento de onda maior 700 nm. Cabe ainda destacar que esta marca teve um resultado muito acima do máximo permitido, apresentando uma emissão de potência óptica total de 48,6 mW.

A análise da rotulagem verificou se havia informações no produto identificando o nome do fabricante, o limite superior de potência e o comprimento de onda emitido – comparandose os valores declarados correspondiam aos obtidos no ensaio -,a classificação e orientações quanto ao uso seguro. Ademais, os produtos das Classes 2, 2M, 3R, 3B e 4deveriam ter uma etiqueta de aviso de perigo e, os que apresentassem emissões fora da faixa do visível, deveriam conter rótuloscom o seguinte alerta:“radiação a laser visível e invisível”.

Das 12 marcas analisadas no ensaio de rotulagem, seis foram consideradas não conformes: Multilaser, Marca sem identificação (caneta a laser preta), Key Ring, Comtac, Feel Electronics e JdRay (laser verde). Cabe destacar que a rotulagem é de suma importância para o bom uso de um produto como os apontadores a laser. Assim, a ausência de informações completas e corretas para o consumidor pode representar potencial risco para a saúde e segurança da sociedade.

Resultado Geral

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tabela_teste

Visando orientar os consumidores sobre os riscos que envolvem o mau uso do produto, a chefe do Laboratório de Radiometria e Fotometria (Laraf) da Metrologia Científica e Industrial do Inmetro, Giovanna Borghi, e o presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologista, Marcus Vinicius Abbud Safady foram entrevistados.

Giovanna Borghi

– É possível afirmar que um laser mais brilhante é mais perigoso ou não há nenhuma relação entre o brilho e a potência?

O brilho é um atributo de percepção visual e depende tanto do comprimento de onda, quanto da potência, da área do feixe e da superfície que o está refletindo. Se comparado nas mesmas condições, um laser com potência maior terá brilho maior. Entretanto, um feixe infravermelho não visível, por exemplo, não causará nenhuma sensação de brilho ao observador. Conforme a definição feita pela Comissão Internacional de iluminação (Commission International de L’Eclairage – CIE), o termo brilho (ou brightness) é um atributo de percepção do sistema visual (sensibilidade do olho humano) que faz com que uma fonte de luz pareça emitir mais ou menos e está limitada a região do visível. Neste caso, refere-se à luminância relativa de cores diferentes em condições bem iluminadas, ou seja, o brilho depende do ambiente. A luminância, ainda segundo a CIE, é a potência radiante ponderada por uma função espectral de sensibilidade que é característica do sistema de visão e é expressa na unidade cd/m². No caso de fontes de luz tais como os lasers ou leds, existe uma definição de uma unidade de medição (Sistema Internacional) chamada brilho espectral (spectral brilliance) que é a intensidade ou radiância dentro de certa largura de banda espectral que define a região efetiva do laser.

Já a intensidade é a medida da potência irradiada da (ou incidente na) superfície de um determinado intervalo do espectro magnético e é expressa na unidade W/m². Portanto, a potência e o brilho têm definições diferentes, embora algumas pessoas as utilizem como se fossem correspondentes uma vez que em determinadas condições se assemelham.

– Vimos na análise que alguns lasers possuem um feixe fora da faixa visível (acima de 700nm), o que representa um perigo extra. No caso da análise isso ocorreu em lasers verdes; poderíamos ter também em feixes vermelhos? Em suma, qualquer tipo de laser pode ter um feixe fora do visível?

A emissão de luz fora da faixa do visível depende da tecnologia utilizada na construção do laser. Para laser verde é comum o processo de conversão de um laser infravermelho. Se bem projetado, a emissão no infravermelho é eliminada ainda dentro do equipamento. No caso dos vermelhos e azuis, é comum a utilização de um diodo semicondutor que já emite na cor (comprimento de onda) final. Como exemplo, citamos suscintamente a geração de luz verde em Lasers do tipo semicondutor. A luz verde obtida é o resultado da geração de luz em 808 nm na cavidade do laser. Esta luz passa um cristal de itrio dopado com neodímio (Nd:YVO4) que aumenta o comprimento de onda de 808 nm para 1064 nm, e depois passa por um cristal dobrador de frequência que divide o comprimento de onda para 532 nm, verde. Na janela de saída deste laser ainda é colocado um filtro infra-vermelho que impede a emissão do feixe de luz neste comprimento de onda. Neste caso exclusivo, para esta tecnologia de geração de luz verde é também produzida a luz infravermelha que é suprimida na saída do laser, em um dispositivo bem projetado.

– Existe uma relação direta entre o comprimento de onda e a potência? Ou seja, quanto mais potente um laser, maior tende a ser seu comprimento (e maior a chance de um laser fora da faixa visível)?

Não existe nenhuma relação entre potência e comprimento de onda de um laser, pois são parâmetros físicos distintos.

– Existem apontadores a laser nas cores: verde, amarelo, violeta e vermelho. A maioria das marcas analisadas era vermelha, sendo apenas dois produtos que emitiam laser na cor verde. Gostaria de saber se além da potência óptica, as diferentes cores podem causar impactos distintos no olho humano? As cores emitidas correspondem a indicações de usos diferentes?

Dependendo do comprimento de onda e potência emitidos, os laser são classificados. A potência de um laser e o seu comprimento de onda de emissão são características intrínsecas da tecnologia de construção utilizadas, bem como dos materiais empregados.

Marcus Vinicius Abbud Safady

– Quais os tipos de lesões que podem ocorrer, quando se faz utilização inadequada destes produtos?

Lesão do epitélio pigmentar da retina na área central (mácula) responsável pela visão de detalhes. Além disso, são descritas alterações na coróide, responsável pela vascularização/nutrição da retina. Essas lesões têm intensidade proporcional ao tempo de exposição e a potencia do laser. São descritos casos de lesões retinianas com exposições mais prolongadas (1 minuto) em laser pointer de 5 mW de potência e casos de lesão retiniana praticamente imediata com laser pointer de 1000 mW. Em resumo, mesmo os apontadores de menor potencia, na faixa de 5 mW, podem causar danos na retina com maior tempo de exposição, mostrando a importância da regulamentação e de seu uso.

– Os danos causados no olho ocorrem quando olhamos diretamente para o laser ou basta que alguém aponte o laser para o nosso olho? Ou seja, se alguém apontar o laser para o nosso olho e se estivermos olhando para outra direção, pode haver, mesmo assim, algum dano?

Os danos causados pelo laser na retina ocorrem em qualquer ponto que eles incidam. Porém, se ocorrerem na periferia da retina, provavelmente não deixarão sequelas funcionais já que a percepção retiniana na sua periferia é muito menor que na área central. Por essa razão, os danos são muito mais importantes quando olhamos diretamente para o laser, pois os raios incidirão diretamente na mácula, região nobre da retina central.

– Podemos dizer que existe uma potência de laser que não apresenta perigo para os olhos – por exemplo, 1 mW?

Os danos retinianos causados pelo raio laser dependem de três variáveis: tempo de exposição, potência do laser e área da retina atingida. Dessa maneira, mesmo um laser de 1 mW pode, teoricamente , causar danos se o tempo de exposição for longo o suficiente, o que na prática não se observa.

CURSO TÉCNICO PELA INTERNET

Interpretação e Aplicações da Norma Regulamentadora Nº 13 (NR-13) do MTE (Inspeção de Segurança de Caldeiras e Vasos de Pressão) – Disponível pela Internet

Oferecer aos participantes conhecimentos e habilidades necessárias para uma adequada interpretação e aplicação da NR 13.