Fazer mais com menos

Transformando o desempenho em excelência
Nesse e-book ASQ/Target o leitor poderá ler sete histórias de organizações educacionais que…

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Ruy Martins Altenfelder Silva

Um tema com grande foco na última campanha eleitoral foram os programas sociais, inegavelmente um dos maiores fatores que impulsionaram a saída de 25 milhões de brasileiros da faixa de pobreza, composta por pessoas que ganham menos de US$ 4 por dia (R$ 10 ou R$ 299 por mês). Eles foram catapultados, em ampla maioria, para o segmento com renda pessoal entre R$ 300 e R$ 750 por mês, o que dá um valor de R$ 1.200 a R$ 3.000 para uma família de tamanho médio, composta por quatro pessoas, o que as coloca na faixa das pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Finda a campanha, o tema deve merecer uma reflexão aprofundada, que vai além da simples manutenção ou não de tais programas – até porque ninguém, com um mínimo de bom senso, pensaria em extinguir programas com forte efeito inclusivo, como o Bolsa Família. Análises menos apaixonadas destacam um ponto que se configura, com crescente clareza, como uma fragilidade das atuais políticas de assistência social. Em entrevista concedida ao Valor Online entre o primeiro e o segundo turno das eleições, o mexicano Jorge Familiar, vice-presidente do Banco Mundial (Bird) para a América Latina e Caribe, destaca que o Brasil é um país-chave no resgate dos 40% da população do planeta, que vive em pobreza extrema (renda diária de menos de U$1,25) até 2030. 

O dirigente do BIRD também revela preocupação com o desafio de gerar condições para preservar e ampliar as conquistas sociais já alcançadas. Quais as ameaças que, na opinião dele, pairam sobre os projetos assistenciais do governo? O Brasil e vários países vizinhos terão de descobrir caminhos para crescer num cenário internacional adverso, com a baixa nos preços das commodities, o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos e a queda nas vendas para grandes importadores, como a China, que está com seu PIB em queda, etc. Responsável por gerenciar financiamentos acima de U$ 30 bilhões para 31 países (desse total, U$ 15 bilhões destinam-se ao Brasil), ele receita, para sair da zona de risco, o aumento dos investimentos em infraestrutura e reformas na educação e no sistema de transporte de cargas.

A receita não é nova, pois a eliminação dos gargalos do desenvolvimento (e não são só os três citados) vem sendo defendida por vários setores, sem grande sucesso. Quando ventos internacionais favoráveis inflavam a economia, um coro de vozes autorizadas recomendava reforçar os investimentos na eliminação de tais gargalos. Para tanto, os recursos viriam do enxugamento da máquina pública, da gestão adequada do dinheiro público, da eliminação da corrupção e da redução da carga tributária, como instrumento de aumento da produção econômica, entre outras soluções.

Com perspectivas menos animadoras, os desafios agora serão maiores, mas não podem deixar de ser enfrentados, sob pena de comprometer até as conquistas sociais de que se orgulha o país e foi forte marca das últimas administrações federais. A nova realidade indica a urgência de se implementar uma melhor gestão dos orçamentos oficiais, de manter sólidos os fundamentos da macroeconomia e de estancar o desperdício e o desvio dos recursos financeiros. Em poucas palavras, será preciso fazer mais com menos.

Jorge Familiar ressalva que não é suficiente investir na modernização da infraestrutura. É imprescindível cuidar da educação, pois, apesar dos avanços no acesso à educação básica, a qualidade ainda está longe do ideal. Segundo ele, a falta de escolas públicas de qualidade é um grande nó, pois pela primeira vez na história, o número de latinos americanos de classe média supera a quantidade de pobres, já batendo em 35% da população. É uma boa notícia, mas também um desafio, pois com melhores condições de vida aumentam as demandas por mais e melhores serviços. Também preocupa Familiar que basta um choque qualquer – uma doença na família ou a perda do emprego – para que os vulneráveis voltem à condição anterior.

Com sinais de recrudescimento da inflação e inevitáveis ajustes de preços, a saída é focar os programas sociais realmente em quem precisa. Duas medidas eficazes vêm sendo adotadas para combater a desigualdade: aumento de salário e criação de empregos. Mas “estudos que fizemos recentemente mostram que o emprego é mais importante do que a remuneração”. A palavra de ordem, portanto, é tornar o planejamento, os gastos e os procedimentos internos do governo os mais eficientes possíveis, de forma a garantir recursos para serem revertidos em ações sociais. Além disso, ajudaria muito estimular a participação de organizações sociais, como o CIEE, na ação filantrópica de auxiliar os jovens a se preparem melhor conquistar um lugar no mercado de trabalho.

Ruy Martins Altenfelder Silva é presidente do Conselho de Administração do CIEE e da Academia Paulista de Letras Jurídicas (APLJ).

Audiodescrição: um instrumento eficaz na inclusão social de pessoas com deficiência visual

NFPA 72: código nacional de sinalização e alarme de incêndio

A revisão de 2010 foi a mais extensa possível ocorrida desde 1993 e dessa forma a norma NFPA 72 se expandiu para além do foco central sobre sistemas de alarme de incêndio para incluir também requisitos para sistemas de comunicação de massa de notificação utilizados para emergências climáticas, eventos terroristas, ataques químicos, biológicos e emergências nucleares, etc.. Essa cobertura mais ampla se refletiu em um título novo para a norma: Código Nacional de Alarme e Sinalização de Incêndio. Clique para mais informações.

A audiodescrição, técnica que transforma o visual em verbal, é o caminho para o acesso de pessoas com deficiência visual à cultura e à informação, contribuindo para sua inclusão social. Criada na década de 1970 pelo norte-americano Gregory Frazier em sua dissertação de mestrado sobre cinema para cegos, e apresentada à Universidade de São Francisco, a audiodescrição foi efetivamente implementada somente em 1981 pelo casal Margaret Rockwell e Cody Pfanstiehl, como forma de ampliar o entendimento das pessoas com deficiência visual em qualquer evento em que haja imagens, sejam elas estáticas ou em movimento, concretas ou abstratas. “Todos, inclusive idosos e disléxicos, podem ser beneficiados quando a tradução das imagens em palavras seguir regras básicas, sem inferências, interpretações ou explicações. Talvez este seja o maior cuidado que se deve ter no uso deste importante instrumento para as pessoas com deficiência visual, pois a audiodescrição exige estudo, aprofundamento e técnicas sistematizadas de acordo com a manifestação artística, e por isso é reconhecida como um trabalho profissional”, explica Rosângela Ribeiro Mucci Barqueiro – coordenadora de relações institucionais da Laramara (Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual), psicóloga, audiodescritora e consultora em inclusão.

A técnica se aplica para eventos culturais (peças de teatro, filmes, desenhos, animações, programas de TV, exposições, musicais, óperas, desfiles de moda, espetáculos de dança, mágica, acrobacias, artes circenses), religiosos (missas, batizados, crismas, procissões, casamentos, funerais, cultos e rituais em geral), turísticos (passeios, visitas, roteiros turísticos), esportivos (jogos, torneios, olimpíadas, caminhadas, trilhas, lutas, competições em geral), acadêmicos (livros, apostilas, palestras, seminários, congressos, aulas, banners, feiras de ciência, experimentos científicos, histórias), corporativos (reuniões, treinamentos, murais de avisos, publicidade e apresentações). Segundo Rosângela Barqueiro, “com a inclusão nas escolas, a tendência é que haverá um avanço maior e mais rápido do uso deste importante instrumento, e só com ele será possível atender às exigências de acessibilidade à informação para as pessoas com deficiência visual”.

Para qualquer tipo de audiodescrição, é necessário que o audiodescritor-roteirista tome conhecimento do material previamente, pois é preciso estudar termos a serem introduzidos em seu script de forma precisa, para ser coerente e fiel à obra. Qualquer que seja o tema a ser abordado é imprescindível uma preparação e o respeito pela linguagem proposta pelo autor. Esse recurso pode ser ao vivo ou gravado. A audiodescrição ao vivo significa que é narrada no mesmo momento da ação, porém, seguindo um roteiro prévio. É o caso de uma peça de teatro, que, por acontecer eventuais improvisos, não deve ser gravada. Em teatro e cinema, por exemplo, o equipamento usado é o mesmo da tradução simultânea. Os audiodescritores ficam em cabines narrando em microfones e o som é transmitido para os usuários por meio de equipamentos radiofônicos sintonizados numa determinada frequência, através dos fones de ouvido. Já em auditórios, salas de aula, eventos mais específicos e com poucos recursos financeiros, utiliza-se um aparelho de transmissão de FM, cuja audiodescrição é recebida em rádios comuns de FM sintonizados no melhor canal de transmissão local e com os fones de ouvido. Este é o mais recomendado, pois, além de eficiente, a própria pessoa com deficiência participa com seu rádio e seus fones, tendo domínio total do volume e sintonia, além de ser mais confortável, pois seus fones são de uso exclusivo.

A audiodescrição gravada é feita em estúdio com diretor e técnico de gravação. É feita a sincronização do áudio extra com a audiodescrição e o som do filme. A transmissão da audiodescrição na TV se faz por canal secundário de áudio e a maior parte das transmissões atuais na TV brasileira só está disponível na TV Digital. A audiodescrição é reconhecida como recurso de tecnologia assistiva, e, felizmente, cada vez mais usado, inclusive do ponto de vista pedagógico. Ainda não está sendo usado em todas as escolas, no entanto, é cada vez maior a participação de professores envolvidos na construção da inclusão efetiva nas salas de aula. “É um processo trabalhoso, mas igualmente gratificante e satisfatório, porque sai do discurso e passa para a ação, proporcionando, assim, coerência e harmonia entre pensar, sentir, falar e agir com inclusão”, conclui a especialista.

Qualidade de vida: uma esperança para os pacientes com artrite reumatoide

Entre as doenças autoimunes mais comuns, está a artrite reumatoide. É uma doença crônica cuja principal característica é a inflamação das articulações (juntas), embora outros órgãos também possam ser acometidos. Os principais sintomas são dor, edema, vermelhidão e inchaço nas juntas, especialmente nas mãos e punhos. Se a doença progride, pode ocorrer degeneração das cartilagens das juntas e deformidades, impedindo a pessoa a realizar suas tarefas cotidianas. Estima-se que pode ocasionar a incapacitação e até a mortalidade em 1% da população mundial. Além disso, essas pessoas possuem um risco maior de desenvolverem doenças cardiovasculares.

Segundo o reumatologista Cleiton Viegas Brenol, gestor da Unidade de Terapia Biológica do Sistema de Saúde Mãe de Deus (SSMD), o tratamento adequado, logo após o diagnóstico, previne a ocorrência de deformidades e melhora a qualidade de vida de quem tem a doença. “Os medicamentos que controlam a doença diminuem a inflamação e suas consequências para as juntas e outros órgãos. Essas medicações são da classe dos imunossupressores, que funcionam como reguladores do sistema imunológico”.

No entanto, quando os tratamentos tradicionais por via oral falham, a terapia imunobiológica, com medicações fabricadas por engenharia biológica, pode ser uma opção. Essas medicações são capazes de diminuir a atividade inflamatória da artrite reumatoide. No Brasil, estão disponíveis oito tipos de imunobiológicos, de uso tanto intravenoso quanto subcutâneo (injeção abaixo da pele). “Os avanços da imunologia e biologia molecular introduziram tratamentos com medicamentos mais eficazes, com menos efeitos indesejáveis e capazes de induzir até o desaparecimento dos sinais e sintomas. Eles controlam as deformidades articulares, diminuem a dor, aumentam a capacidade de movimento articular e asseguram mais disposição no dia a dia”, afirma Cleiton.

O especialista comenta que o objetivo ideal dessa abordagem de tratamento é o de controlar totalmente a doença e suas consequências, tal como as deformidades articulares. “Se esse objetivo for alcançado, o paciente conseguirá manter normalmente suas atividades de lazer e trabalho, com diminuição da dor, aumento da capacidade de movimento articular e mais disposição no dia a dia”. O pintor francês Pierre-Auguste Renoir foi uma das célebres pessoas que desenvolveram a doença. Sua obra é uma prova de persistência, apesar da dor e da limitação física. “Assim como os pacientes com pressão alta ou diabete sabem quando a doença está descontrolada (através da medida da pressão arterial ou do nível de açúcar no sangue), os pacientes com artrite devem saber quando o seu tratamento não está indo bem”, conclui Dr. Brenol, pesquisador autor de artigos científicos sobre artrite reumatoide.

A doença autoimune ocorre quando o sistema de defesa do organismo perde a capacidade de reconhecer o que é próprio do corpo humano, levando a produção de anticorpos contra células, tecidos ou órgãos. Essa desordem tem origem na relação entre fatores externos (ambientais) e fatores intrínsecos do organismo, como predisposição genética, alterações nos níveis hormonais e baixo controle imunorregulatório. Pesquisas relatam que aumentou a incidência dessas doenças nas últimas décadas. Dados presumem que elas ataquem de 15 a 20% da população mundial. O diagnóstico das doenças autoimunes é feito através do quadro clínico do paciente e de exames laboratoriais de sangue. Existem cerca de 30 doenças autoimunes, sendo que cada uma possui sintomas específicos, atacando órgãos distintos.

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