Qualidade e Inovação: dois pilares para a competitividade

Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto e Ana Lucia Atrasas

O conceito de qualidade pode ser entendido de várias maneiras, tais como excelência, adequação ao uso, conformidade com as especificações, mas pode também, ser associado ao ato de “fazer as coisas certas”, diretamente ligado à idéia de eficácia. O conceito de produtividade, por sua vez, admite diversas variantes do quociente resultados/insumos e pode ser associado ao ato de “fazer certo as coisas”, diretamente ligado à idéia de eficiência, ou bom uso dos recursos disponíveis. A Figura 1 oferece uma visão de como a qualidade e a produtividade podem interagir proporcionando a competitividade.

figura 1

Figura 1 – Qualidade, Produtividade e competitividade

Fonte: Costa Neto e Canuto (2010)

Evidentemente, outros fatores podem ser invocados como elementos para a competitividade, como disponibilidade, ações de marketing e diversas outras condições abrigadas sob o conceito de vantagem competitiva, amplamente discutido por Porter (2005). Nesse contexto, a existência das inovações pode ser de decisiva importância.

Uma das formas de se aprimorar a qualidade de produto e serviços, amplamente difundida pelas empresas japonesas, que para tanto se valem de um extenso arsenal de ferramentas e princípios, é a busca por melhorias contínuas, muitas vezes obtidas com o uso de técnicas simples, ao alcance dos operadores de processos, e análises on line. Em contraparte, existem as melhorias incrementais, em geral conseguidas por métodos mais sofisticados, uso intensivo de técnicas estatísticas poderosas, participação de especialistas e analises offline.

Outra forma de se conseguirem melhorias incrementais é mediante o aporte de inovações tecnológicas. A Figura 2 comprara o efeito proporcionado pelas melhorias contínuas e incrementais.

figura 2

Figura 2 – Melhorias contínuas e incrementais

Fonte: Costa Neto e Canuto (2010)

Outra forma de comprar os efeitos das melhorias contínua e incremental pode ser vista na Figura 3.

figura 3

Figura 3 – Melhorias contínua e incremental

Fonte: Costa Neto e Canuto (2010)

Nesta figura, o processo operava a um nível usual de defeitos n1. No instante t1 ocorreu uma não-conformidade (ou falha) esporádica que foi detectada online, provavelmente por um gráfico de controle de processo, voltando-se ao nível usual. No instante t2, dentro da linha de busca por melhorias contínuas, obteve-se uma redução da variação do processo mantendo o nível usual de defeitos. No instante t3, provavelmente após a realização de uma análise mais profunda offline, conseguiu-se trazer o processo a um patamar n2, correspondente a um consideravelmente melhor nível de qualidade.

Note-se que a perda causada pela não conformidade esporádica é, em verdade, muito menor que a perda crônica que havia quando o processo operava ao nível n1, representada pela área da figura entre esses dois níveis, embora essa perda crônica seja mais difícil de enxergar, até porque se pode estar acostumado com ela, considerando-a inerente ao processo.

São em geral vantagens das melhorias contínuas: sua busca faz parte do dia-a-dia dos interessados na qualidade; resultam da análise de pessoas ligadas ao processo; e são conseguidas com ferramentas simples e a baixo custo. São em geral vantagens das melhorias incrementais ou inovativas: proporcionam “saltos” de qualidade; constituem evoluções marcantes do processo; e podem representar menores custos a longo prazo. Entretanto, como estratégias para a melhoria da qualidade e, portanto, da competitividade da empresa, ambas as possibilidades devem ser devidamente consideradas.

Inovar não é simplesmente introduzir algo novo. É preciso também que esse “algo novo” gere valor adicional. Assim, uma invenção não implica necessariamente inovação, somente o será se servir para alguma finalidade que crie ou acrescente valor. É claro que a questão da geração de valor é relativa, depende de quem a interprete. Uma novidade pode gerar valor adicional para certas aplicações (para as quais representará uma inovação) e não para outras.

Voltando á Figura 2, esta conceituação leva à consideração de que deve haver algum tipo de inovação tanto nas providências que resultaram em melhoria contínua quanto naquelas que produziram melhoria incremental. A diferença é que os efeitos das melhorias incrementais são mais fortes, mais visíveis, muito provavelmente devido à introdução de procedimentos diferenciados ou ao aporte de nova tecnologia (COSTA NETO E CANUTO, 2010).

Entretanto, com a imensa capacidade de geração de novos produtos e soluções existente na atualidade, a questão da inovação tecnológica ganha especial importância e deve ser permanentemente considerada como fonte para novas soluções que incrementam a competitividade das empresas.

Segundo a PINTEC – Pesquisa Industrial – Inovação Tecnológica 2000, do IBGE – Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, “a inovação tecnológica é definida pela implementação de produtos (bens ou serviços) ou processos tecnologicamente novos ou substancialmente aprimorados. A implementação da inovação ocorre quando o produto é introduzido no mercado ou o processo passa a ser operado pela empresa”. A inovação pode ser de produto (bens tangíveis ou serviços) ou de processo.

Em geral, o desenvolvimento da primeira implica a necessidade da segunda, para atender às novas condições tecnológicas. Para maior esclarecimento sobre esta e outras questões ligadas à inovação, sugere-se Bastos Tigre (2006).

A Figura 4 situa a inovação tecnológica em um processo de viabilização de novos produtos, sejam eles bens tangíveis ou serviços, mostrando o encadeamento que deve existir para que esse processo seja sólido e sustentável.

figura 4

Figura 4 – Processo sustentável de inovação tecnológica baseada em tecnologia

Fonte: Costa Neto e Canuto (2010)

Rodgers (1995), entretanto, considera que a efetiva adoção de uma nova idéia, mesmo quando esta apresenta vantagens óbvias, é, via de regra, difícil. Muitas inovações requerem um longo tempo para que sejam adotadas. Quase sempre, muitos anos a partir da data em que foram concebidas.

Esse autor define inovação como uma idéia prática ou um produto percebido como novo por um indivíduo, ou por qualquer outro receptor como, por exemplo, uma empresa. Afirma que a percepção dos receptores sobre as características de uma inovação (produto, processo ou serviço) está associada à sua taxa de adoção.

Esta taxa de adoção é definida pela velocidade relativa com que a inovação é adotada por determinado grupo social. Pode ser medida, por exemplo, pelo número de pessoas que passaram a utilizá-la no período de um ano.

Segundo Kotler (2001), a vantagem relativa de uma inovação é a capacidade de superação da concorrência que ela proporciona. Expressa-se por características como rentabilidade econômica, custos reduzidos, prestígio social do uso e outros benefícios, caracterizando o grau em que o produto parece ser superior aos de seus concorrentes no mercado.

Por outro lado, não se pode deixar de mencionar o perigo social ligado ao surgimento das inovações. Quando, no século XVIII, as invenções do tear e da máquina a vapor trouxeram importantes inovações, substituindo o trabalho humano por máquinas, em compensação propiciaram a geração de numerosos outros empregos decorrentes da Revolução Industrial, que adveio junto com enorme incremento do comércio. No mundo saturado como o de hoje, inovações que representam a automação de processos podem levar muitas pessoas ao desemprego sem ter alternativas compensadoras, gerando grave problema social cuja solução dependerá de ações de governo.

Isso tem sido feito em diversos países através de sistemas de seguridade social. No Brasil, há a questionável solução do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (COSTA NETO e CANUTO, 2010).

A propósito, Rifkin (2001), há quase uma década, advertia: “Se os dramáticos ganhos de produtividade da revolução tecnológica não forem compartilhados, mas sim usados principalmente para melhorar os lucros da empresa, para o benefício exclusivo dos acionistas, altos executivos e da emergente elite dos trabalhadores com conhecimento da alta tecnologia, há a possibilidade de que a lacuna cada vez maior entre os que têm e os que não têm leve a uma revolução social e política em escala global”. Resta saber se, até que ponto e de que outra forma, suas palavras podem estar adquirindo foro de verdade.

No mundo moderno, é fácil encontrar exemplos de inovações baseadas em tecnologias que revolucionaram a nossa vida e proporcionaram o surgimento e o crescimento de inúmeras empresas e negócios, tais como a telefonia celular, o desenvolvimento de softwares inteligentes, as soluções GPS, dentre muitas outras. No Brasil, com sua imensa potencialidade agrícola, a EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, bem como outras instituições do SNPA – Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária, tem contribuído significativamente para o crescimento do agronegócio brasileiro mediante as mudanças introduzidas na tecnologia de produção, na criação de cultivares adaptadas aos mais diferentes ecossistemas, como também nas tecnologias de manejo e produção pecuária.

Roessing e Lazzarotto (2005) mencionam, por exemplo que “o desenvolvimento de diversos cultivares de soja adaptadas ao clima tropical alavancaram o agronegócio no centro-oeste, no norte, sudeste e no nordeste brasileiro. Essa inovação permitiu ao complexo agroindustrial da soja a geração de R$ 76,24 bilhões em 2003 e tem permitido a geração de emprego para 4 a 5 milhões de pessoas. Igualmente importante para o crescimento do agronegócio foi o desenvolvimento de tecnologias de cultivo e a adaptação de cultivares de milho nas áreas de cerrado, antes inapropriadas para o seu cultivo”.

A Embrapa está também envolvida no processo de inovações da tecnologia de produção do biodiesel, que poderá introduzir mudanças radicais na matriz energética brasileira, com aspectos positivos nas condições ambientais e sociais, além de contribuir para a economia de divisas. Dentre as matérias-primas sendo pesquisadas para tanto estão a soja, o girassol, o dendê, a mamona e o pinhão manso.

Costa Neto e Canuto (2010) lembram também exemplos de inovações que não dependeram da incorporação de novas e revolucionárias tecnologias, mas de idéias novas que acrescentaram valor. Mediante o uso das chamadas tecnologias apropriadas, que aproveitam peculiaridades específicas de certas regiões ou culturas, como no uso das pedras abundantes no local ao invés de tijolos para a construção de casas na cidade de São Tomé das Letras, MG.

A eliminação de procedimentos desnecessários em processos, aumentando a produtividade e reduzindo o custo, caso em que a inovação se apresenta sob a forma de racionalização. O surgimento há três décadas das empresas aéreas que competiam em custo mediante a eliminação de gastos com refeições, bebidas, check-in e outras atividades não diretamente ligadas ao escopo do serviço.

A introdução de faixas exclusivas para ônibus nas grandes cidades, como forma de melhorar o transporte público e incentivar o seu uso. A criação e ampla disseminação dos restaurantes por quilo. No futebol, a proibição de os goleiros agarrarem bolas recuadas, eliminando um recurso de empobrecimento do jogo. O ato de se abaixar e beijar o chão em cada país visitado, pelo papa João Paulo II.

Enfim, a qualidade de processos e produtos (bens tangíveis ou serviços), juntamente com sua contraparte de produtividade, são elementos básicos para a competitividade das empresas. Ao par disso, para se conseguir melhorias significativas na qualidade dos produtos e processos, a busca permanente por inovações, baseadas ou não no aporte de novas tecnologias, tem um papel de destaque. As empresas e organizações que atuem num mercado altamente globalizado e informatizado, como o dos tempos que correm, não podem ficar alheias a essas realidades, sob pena de não obterem a competitividade em face da concorrência, que pode estar em qualquer ponto do globo, e não cumprirem a finalidade social que se espera da sua atuação.

Referências

BASTOS TIGRE, P. – Gestão da Inovação – A economia da tecnologia no Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 2006.

COSTA NETO, P. L. O. e CANUTO, S. A. – Administração com Qualidade – Conhecimentos necessários para a gestão moderna. São Paulo: Blucher, 2010.

KOTLER, P. – Administração de Marketing. São Paulo: Prentice-Hall, 2001. 10ª

ed. PORTER, M. E. – Estratégia Competitiva – Técnicas para análise de indústrias e da concorrência. Rio de Janeiro: Campus, 2005, 2ª ed.

RIFKIN, J. – Fim dos Empregos: o declínio inevitável dos novos níveis dos empregos e a redução de força total de trabalho. São Paulo: Makron Books, 2001.

RODGERS, E. M. – Diffusion of Innovations. New York: The Free Press, 1995.

ROESSING, A. C. e LAZZAROTTO, J. J. – Criação de Empregos pelo Complexo Agroindustrial da Soja. Londrina, PR: Embrapa Soja, 2005.

Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto é professor titular do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UNIP – Universidade Paulista e presidente da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ); e Ana Lucia Atrasas é economista da Embrapa e doutoranda da UNIP – Universidade Paulista.

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Pesquisa: o grau de inovação no Brasil é baixo ou muito baixo

Referências mundiais em inovação

Seis em cada dez líderes empresariais que comandam negócios inovadores consideram que o grau de inovação no Brasil deixa a desejar. A conclusão está em uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada com 100 executivos – responsáveis pela tomada de decisão nas companhias que realizam projetos inovadores. Quando a pesquisa questionou a opinião deles sobre este tema, 54% responderam que o grau de inovação da indústria brasileira é “baixo” e outros 8% responderam “muito baixo”; 35% afirmaram “nem alto, nem baixo” e apenas 3% classificaram como “alto”.

Os empresários que consideram o grau de inovação “baixo” ou “muito baixo” justificaram as respostas. Para eles, o principal motivo é que o Brasil está atrasado em relação a outros países, reflexo de defasagem tecnológica acumulada ao longo dos anos. A consequência disso é que a indústria, muitas vezes, acaba por importar ou copiar o que é feito em outros países. De acordo com os entrevistados, falta cultura de inovação nas empresas brasileiras em geral. Eles também elencaram como entraves a falta de políticas de incentivo, a dificuldade de interação entre empresas e universidades e o baixo nível de educação dos profissionais.

“A pesquisa comprova a importância do papel da inovação para a sobrevivência das empresas no mercado global e a necessidade de um esforço para criar um ambiente favorável a negócios inovadores no Brasil. Sem dúvida, a inovação é o meio mais estratégico para a indústria crescer e colher resultados mesmo em cenários adversos como o atual”, avalia o superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Paulo Mól.

O estudo da CNI foi feito com líderes de 60 pequenas e médias empresas e de 40 grandes. Os setores abordados foram de bens de consumo e de capital, químico e petroquímico, construção civil, farmacêutico, automotivo, eletroeletrônico, têxtil, digital, energético, siderúrgico e metalúrgico, mineração, celulose e papel. Além de mostrar a relevância no faturamento, a pesquisa revela que a inovação faz parte da estratégia do negócio em 99% das empresas consultadas. Entre as motivações para inovar, os empresários apontaram, em primeiro lugar, a vantagem competitiva. Também foi citado o aumento de produtividade, de lucro e de potencial de internacionalização.

Em relação à fatia do orçamento destinada a atividades inovadoras, a pesquisa revela que as empresas de grande porte investem mais que as pequenas e médias. No primeiro grupo, a maioria (37,5%) destina mais de 5% do orçamento à inovação; 10% indicam que o investimento está entre 3% e 5% do faturamento; em outros 27,5% o percentual é entre 1% e 3%. No segundo grupo, 21,7% apontam que mais de 5% do faturamento vai para inovação; 16,7% afirmam que fica entre 3% e 5% e a maioria (31,7%) dizem que o percentual está entre 1% e 3%.

Considerando a perspectiva da inovação no Brasil, os entrevistados deram notas a determinados temas, em que zero significava “péssimo” e dez, “excelente”. Na avaliação deles, a qualidade dos cursos de engenharia pontuaram 6,1; os sistemas de financiamento 5,3; a internacionalização de empresas e o acesso à pesquisa e desenvolvimento por pequenas e médias empresas tiveram nota 4,9; marco legal ficou com 4,6; a atração de centros de pesquisa para o país e propriedade intelectual ganhou 4,4.

Ao aprofundar o tema sobre recursos humanos para inovação, 89% dos entrevistados disseram que os profissionais recém-chegados ao mercado de trabalho não estão suficientemente capacitados. Importante ressaltar que 77,5% das grandes empresas e 46,7% das pequenas e médias buscam um perfil específico de profissional para fomentar inovação. Entre as características valorizadas estão pro-atividade, criatividade e habilidades de comunicação. Além disso, procuram-se profissionais das áreas de engenharia, com formação técnica, pesquisadores e doutores e programadores.

Sob outro enfoque, a pesquisa da CNI traz os modelos de financiamento das empresas entrevistadas. No grupo das grandes, a modalidade de combinação de fontes é a realidade de 67,5% das empresas. Nessa combinação, de acordo com os empresários, estão recursos próprios, recursos captados de instituições públicas e de privadas, linhas de financiamento e parcerias entre instituições. Já nas pequenas e médias, 46,7% usam recursos próprios e outros 46,7% se valem da combinação de fontes.

“No Brasil, a empresa que quer inovar tem mais oferta de financiamento por linhas de crédito. E ter crédito disponível é essencial. Porém, nesses casos, é preciso devolver esse dinheiro depois. Isso afasta, por exemplo, micros e pequenas empresas, além de novos negócios. Quando falamos em inovação de resultado significativo, falamos de inovação radical e esse é um investimento arriscado. Por isso, defendemos a ampliação de recursos para financiamento na forma de subvenção, recursos não reembolsáveis, para estimular mais projetos de inovação. Isso irá incrementar o sistema de financiamento e estimular mais investimentos privados”, argumenta Paulo Mól.

Apesar da expectativa de baixo crescimento para o país, os representantes das empresas estão otimistas quanto ao volume de recursos para inovação nos próximos cinco anos: 57% responderam que pretendem “aumentar” ou “aumentar muito” os investimentos. Outros 39% afirmaram que a tendência é permanecer como está.

Aos empresários, foi perguntado o que deve ser feito para aumentar a inovação na indústria brasileira. No que compete ao governo, eles disseram que, em primeiro lugar, é preciso simplificar tributos. Em seguida, citaram a necessidade de conectar empresas a universidades e a centros e pesquisa e desenvolvimento, além de investir em educação e facilitar a importação de equipamentos e tecnologia.

Os líderes empresariais também listaram ações que precisam ser tomadas pelo setor produtivo. A mais importante delas foi estimular a cultura e a capacitação de profissionais inovadores, ter mais visão estratégica e ousadia, aumentar investimentos em pesquisa e desenvolvimento e novas tecnologias, além de estreitar o relacionamento com universidades.

O estudo mostra ainda quais são as referências mundiais em inovação para os empresários brasileiros: os Estados Unidos aparecem como modelo principal. Depois, foram citados Alemanha, Coreia do Sul, Japão e China. “Essas são nações que consolidaram um ambiente favorável à inovação e, assim, estimulam os investimentos privados. Elas servem de inspiração. Aqui, os setores privado, público e a academia precisam trabalhar em conjunto para fortalecer a estratégia de inovação do Brasil”, conclui Mól.

Normas técnicas

A NBR 16500 – Atividades para gestão da pesquisa, dodesenvolvimento e da inovação (PD&I) – Terminologia é apresentar um conjunto de terminologias e definições que são importantes requisitos para o desenvolvimento de projetos de P&DI, com o propósito de harmonizar conceitos e termos para os diversos agentes do sistema brasileiro de inovação. É importante registrar que essa norma faz parte de um conjunto de normas brasileiras proposto pela ABNT, que contempla as Normas de Sistema de Gestão de P&DI e Projetos de P&DI. Ela foi desenvolvida de forma a ser compatível com as normas de sistema de gestão e projetos de P&DI, que se complementam mutuamente, mas também podem ser utilizadas de forma independente.

Por exemplo, alguns termos: pesquisa (no contexto de PD&I) é indagação original e planejada que objetiva descobrir novos conhecimentos ou aprimorar o conhecimento existente em produtos, processos, métodos ou sistemas, visando maior compreensão dos fenômenos envolvidos e suas aplicações; desenvolvimento (no contexto de PD&I) é o trabalho sistemático realizado com utilização do conhecimento gerado na pesquisa e na experiência, com o propósito de criar novos ou significativamente aprimorados produtos, processos, métodos ou sistemas; e inovação é a introdução no mercado de produtos, processos, métodos ou sistemas que não existiam anteriormente, ou que contenham alguma característica nova e diferente da até então em vigor.

A NBR 16501: As diretrizes para a pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) foi desenvolvida de forma a ser compatível com outras normas de sistemas de gestão. Essas normas se complementam mutuamente, mas também podem ser utilizadas de forma independente. A implantação de um sistema de gestão conforme proposto nessa norma contribui para: proporcionar diretrizes para organizar e gerenciar eficazmente a PD&I, promover e sistematizar as atividades da PD&I, e promover a cultura da inovação na organização. Fornece orientação para apoiar as organizações que estejam operando em um contexto onde o fluxo da informação e seu aproveitamento sistemático geram conhecimento que pode ser usado como fator de competitividade ou excelência.

As atividades da PD&I podem ser conduzidas por diferentes atores e em diversas formas e arranjos, ocorrendo em conjunto ou de forma separada. Nesse contexto, é comum encontrar organizações onde a inovação é decisiva em suas estratégias, podendo a P&D serem desenvolvidas por algumas organizações e a inovação por outras; as organizações podem gerar conhecimento e tecnologia internamente, de forma compartilhada ou ainda por meio de aquisição externa. As atividades da Pesquisa Básica, tipicamente conduzidas por universidades e centros de pesquisa, não são objeto dessa norma, ainda que constituam base importante para o processo de inovação.

Já a NBR 16502 – Gestão da pesquisa, do desenvolvimento e da inovação (PD&I) – Diretrizes para elaboração de projetos de PD&I estabelece diretrizes para a elaboração de projetos de PD&I, independentemente de sua complexidade, duração ou área de atividade. As suas diretrizes são genéricas e aplicáveis a qualquer organização, independentemente do porte e natureza. Não abordam os aspectos relativos à gestão de projetos de PD&I. Não estabelece um formato único para a apresentação de projetos.

Crise, tempo de inovação

CURSO PELA INTERNET

Auditorias de 5S – Disponível pela Internet

Conheça o método eficaz para fazer auditorias de 5S em sua empresa

Renato Matavelli

Quando os indicadores macroeconômicos de um país estão positivos, quando a expectativa do mercado é por dias melhores e, principalmente, quando os resultados nas empresas estão espelhando cenários favoráveis, fica mais difícil pensar em projetos de inovação. O gestor muitas vezes fica seduzido em aproveitar ao máximo esse período, maximizando o lucro sem grandes alterações nos processos internos.

Pois muito bem, façamos a mesma análise em um cenário mais pessimista, algo que estamos vivendo neste início de 2015, com indicadores macroeconômicos menos favoráveis, com a expectativa do mercado por mais turbulências, pela diminuição de demanda e pelo acirramento da concorrência. Podemos afirmar então que é o cenário ideal para o investimento em inovação? Sim.

As empresas devem investir no tema inovação e aqui não estamos falando apenas na criação de um novo produto ou serviço, mas sim em qualquer iniciativa de melhoria, aperfeiçoamento ou mesmo automatização de processos internos que tragam ganhos para a companhia. Em um momento no qual o mercado está saturado e novas vendas são mais difíceis, uma melhoria de processo que resulte em uma diminuição de custo, torna-se muito bem-vinda.

Esse é o momento ideal para investir em inovação tecnológica, tanto nos processos ligados ao core business da empresa, como por exemplo, a área de logística ou produção, como também naqueles ligados ao backoffice em áreas de contabilidade, jurídica, fiscal e comercio exterior, entre outras. É o momento de realizar uma análise minuciosa nos processos e tecnologias atuais, desde o início de uma operação até o momento de entrega ao cliente, identificando espaços para a criatividade e ousadia.

A ideia é listar os processos, identificando-os por criticidade e oportunidade de melhoria e, a partir daí, iniciar um trabalho em busca de alternativas. Este, porém, não é um cenário para ser pensado somente no momento atual, pois a crise é passageira, mas o objetivo, além de sobreviver, é sair na frente dos concorrentes quando a turbulência passar.

Uma dica importante é o quesito software, uma vez que não precisamos listar a importância do uso da TI nos dias atuais. O primeiro passo é avaliar se os processos identificados estão com as melhores soluções em tecnologia ou se existem alguns processos sendo executados por sistemas já desatualizados ou ainda de forma manual.

É importante definir as prioridades e avaliar as alternativas, tanto no desenvolvimento interno (indicado para os processos sem soluções de mercado), como na busca de soluções de mercado, que já foram experimentadas por outras empresas e que agregarão mais valor à sua operação com o uso das melhores práticas de mercado. Esse é o primeiro passo para apresentar aos gestores projetos com resultados reais e, com isso, conseguir mais investimento em novas ações de inovação, pois essa é uma engrenagem que não deve parar.

Renato Matavelli é diretor de R&D da Sonda IT.

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Empresas buscam simplificar processos e liberar tempo para inovação

NORMAS COMENTADAS

NBR 14039 – COMENTADA
de 05/2005

Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Possui 140 páginas de comentários…

Nr. de Páginas: 87

NBR 5410 – COMENTADA
de 09/2004

Instalações elétricas de baixa tensão – Versão comentada.

Nr. de Páginas: 209

NBR ISO 9001 – COMENTADA
de 11/2008

Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Versão comentada.

Nr. de Páginas: 28

 Aplicar técnicas de design no tratamento de dados e informações é saída para tornar as áreas das empresas mais integradas e a comunicação mais fluida

O Massachusetts Institute of Technology (MIT) definiu no seu Programa de Desenvolvimento de Líderes o desenvolvimento de quatro competências críticas para uma liderança efetiva em um mundo cada vez mais complexo: sensemaking, visioning, relating e inventing. O sensemaking, enquanto competência, começa a ser explorado por algumas empresas brasileiras pioneiras na área, que buscam se tornar menos burocráticas, mais ágeis e muito mais integradas – cenário ideal para um mundo de negócios em que é preciso saber agir, analisar e redirecionar rotas cada vez mais rápido.

A base para que o sensemaking reduza essa distância entre estratégia e educação é através da gestão visual da informação, reduzindo processos e relatórios para informações mais claras, diretas e que, especialmente, façam sentido para os colaboradores. Ao nível da liderança, as ferramentas de sensemaking auxiliam os gestores a compreenderem cenários competitivos, modelos de negócios e forças de mudanças para então agilizarem a tomada de decisões quanto ao futuro da empresa e o cascateamento do planejamento estratégico.

No operacional, ele atua na redução do ruído na comunicação corporativa, em fluxos externos ou internos. Os colaboradores aprendem técnicas para tratar as informações relevantes para o negócios, considerando também os interesses dos usuários dos e-mails, relatórios, gráficos e apresentações.

O sensemaking é uma competência humana que se tornou crítica para os negócios devido ao aumento da complexidade crescente gerada por uma sociedade em rede. Felizmente, há como desenvolver o pensamento estratégico e facilitar os processos cognitivos por meio da capacitação contínua dos colaboradores”, afirma Denise Eler, mestre em educação e especialista em Gestão Estratégica da Informação pela UFMG.

A busca por mudanças na cultura organizacional das empresas foi o que motivou instituições como Sebrae e Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) a adotarem a metodologia em suas empresas. Para o presidente do Sebrae Minas, Lázaro Luiz Gonzaga, o objetivo é que os profissionais não fiquem presos a processos e, dessa forma, engessados na hora de tomar decisões.

O sensemaking é um processo que ajuda a criar esse significado, porque transforma a complexidade em algo de fácil compreensão. Trata-se de uma ferramenta poderosa no cotidiano das organizações, pois, ajuda a disseminar uma atitude mais consciente”. A metodologia surge como solução para empresas que, muitas vezes, estão aprisionadas, por inércia ou rotina, em um conjunto de percepções que se tornam sem sentido.

Corrente da produtividade

CURSO  TÉCNICO

Aterramento e a Proteção de Instalações e Equipamentos Sensíveis contra Raios: Fatos e Mitos

Apresentação de novos conceitos e técnicas de projeto que resultem em maior eficiência dos sistemas de proteção contra os efeitos de surtos gerados internamente ou devidos às descargas atmosféricas. Aterramentos e SPDA´s (Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas) não garantem a proteção de equipamentos eletro-eletrônicos. O curso apresenta os mais modernos conceitos e técnicas efetivas para eliminação dos efeitos de raios nas instalações. Mais informações e inscrições: https://www.target.com.br/home.aspx?pp=1&c=680&cm=1

Ruy Martins Altenfelder Silva

Inovação e produtividade não são temas para o futuro, são para ontem. Para iniciar este artigo, tomo emprestado o mote de oportuno seminário que reuniu, em junho, vários especialistas, lotando a plateia do Teatro CIEE, em São Paulo. Na abertura do encontro, utilizei a recorrente comparação entre a situação do Brasil e da Coreia do Sul, que há quatro décadas emplacavam índices muito próximos de produtividade e inovação.  Hoje, passados 40 anos, um curto lapso de tempo no relógio da história, a Coreia revolucionou sua economia e ocupa postos de liderança na florescente economia asiática.

Assim, transformou-se numa referência, sempre ditada, daquilo que o Brasil poderia ter feito, mas não fez, para alavancar seu desenvolvimento. Nas últimas três décadas, o país alcançou altas taxas de crescimento, criou empregos e engordou sua classe média.

Mas desde os anos 80 mantém estagnado, em nível muito baixo, o estratégico indicador de produtividade: ocupa a 75ª posição no ranking mundial que reúne 122 países. Trocando em miúdos, isso significa que, saindo de uma relação PIB/pessoal ocupado parelha, atualmente o trabalhador coreano produz quatro vezes mais do que seu colega brasileiro.

Vamos a outro aspecto preocupante. O Brasil também engatinha no quesito inovação, um dos pilares da produtividade. Segundo a consultoria Booz & Company, os investimentos anuais em pesquisa e desenvolvimento cresceram perto de 6% entre as mais empresas mais inovadoras do mundo.

Enquanto isso, por aqui houve uma retração de 18% entre 2012 e 2013, com investimentos na casa de 3 bilhões de dólares. Resultado: o 54º lugar numa lista de 75 nações, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), baseados em dados de 2010.

Esse dois fortes gargalos são atribuídos a uma longa série de causas, a começar pela reconhecida precariedade da educação e pelas deficiências da formação profissional. A essas, somam-se o baixo empenho de empresas e governo; o descolamento entre a pesquisa acadêmica e o universo da produção; o custo e a burocracia envolvidos na obtenção de patentes; a evasão dos cérebros que buscam oportunidades mais atraentes em outros países; a inexistência de estímulos para que os jovens se voltem à criação e à pesquisa, pois são raras as universidades que buscam despertar nos alunos a inquietude e a visão para o empreendedorismo de ponta. E por aí vai…

Em contraponto a esse cenário negativo, existem marcos animadores que sinalizam para o potencial brasileiro de inovação: as aeronaves da Embraer; os motores a biocombustível; a Petrobrás, com exploração em águas profundas; a Embrapa que fez do cerrado a área responsável por 63% da produção nacional de soja; e o case interessante da One que, ao colocar água de coco em caixinha, vem batendo de frentes com gigantes do mercado de bebidas hidratantes, como a tradicional Gatorade.

Acrescente-se a eles alguns dados internacionais e ficará clara a urgência tanto de uma política pública para a área de pesquisa e desenvolvimento quanto maior empenho das empresas em patrocinar a busca de inovações aplicáveis à indústria e ao comércio. Desde os anos 1990, não só os países desenvolvidos superam o Brasil em inovação científica e tecnológica, mas nações emergentes registram invejáveis avanços, graças a investimentos pesados em educação e ao planejamento de sistemas dinâmicos que os colocam em condições de concorrer com as grandes potências, que também não estão dormindo em berço esplêndido.

Nos Estados Unidos, enquanto cai o investimento governamental em P&D (principalmente na área da defesa), as indústrias, universidades e fundações aumentam as verbas para esse fim. Na China, em que pesem as controvérsias  sobre a originalidade de patentes, o governo concede incentivo fiscal para investimentos em pesquisa e prêmios em dinheiro para inventores, entre outros estímulos. E até a Europa, às voltas com longa crise, parece não ter cortado os recursos para essa área.

Embora não possa exibir diferenciais como os da Coreia do Sul, Taiwan, China e Cingapura, com seus 16% de crescimento no número de pesquisadores, o Brasil conta com boa quantidade desses profissionais e de artigos científicos publicados. Mas é preciso corrigir os muitos gargalos, não apenas na elite da inovação.

A bandeira, vale sempre destacar, é defendida pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) desde sua fundação há meio século, quando iniciou uma eficaz trajetória dedicada à disseminação do estágio e da aprendizagem como eficientes modalidades de formação profissional de qualidade e alinhada à realidade do mundo do trabalho. Afinal, para assegurar ganhos saudáveis de produtividade é preciso qualificar toda a cadeia de capital humano, da base ao topo.

Ruy Martins Altenfelder Silva é presidente do Conselho de Administração do CIEE e Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp.

As 50 empresas mais inovadoras do Brasil

TRAGÉDIAS, CRIMES E PRÁTICAS INFRATIVAS DECORRENTES DA NÃO OBSERVÂNCIA DE NORMAS TÉCNICAS BRASILEIRAS – NBR

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Capa da publicação E1324

Essa publicação aborda, através da apresentação de casos reais, como o cumprimento de normas técnicas NBR – ABNT está diretamente ligado à segurança, à saúde e à qualidade de vida em nosso dia a dia. O autor explica de forma prática, e infelizmente mostrando tragédias, como as normas técnicas estão presentes no nosso cotidiano. Elas devem ser levadas a sério quanto à sua observância obrigatória e o poder público precisa fazer gestão para fomentar esse cumprimento por parte da sociedade produtiva e de serviço. Mais informações: https://www.target.com.br/livros/target/livro_2013.aspx

A DOM Strategy Partners realizou uma pesquisa com as 500 maiores companhias do país em diferentes setores da economia para identificar as suas práticas mais inovadoras no relacionamento com o cliente. O estudo detalha qual é o foco da inovação gerada pelas organizações, como é percebida pelo público, além da maneira que é traduzida em práticas e modelos de negócios. O resultado deu origem ao ranking inédito “As 50 empresas mais inovadoras do Brasil”, que traz a avaliação em 14 segmentos distintos.

Para qualificar e tangibilizar o valor produzido pela inovação, sob a ótica de seus usuários e clientes, a DOM se baseou nas premissas de inovação apresentadas na metodologia IAM AIR – Adequação, Incremento e Ruptura. O método, desenvolvido pela consultoria, combina a mensuração do valor e resultados potenciais das inovações em três dimensões, classificadas por Clayton Christensen, professor e autor do livro “O Dilema da Inovação”, são: Adequação – as empresas buscam se equiparar aos padrões do mercado para simplesmente não serem passadas para trás; Incremento – quando criam vantagem competitiva, mirando novos nichos pouco explorados; e Ruptura- aquela em que uma empresa nova no mercado, ao invés de tentar vencer os concorrentes, muda as regras da competição de um determinado setor, abrindo novo caminho.

Com isso, a pesquisa não se restringe ao conceito de inovação no que tange à tecnologia, mas como objeto de fortalecimento da empresa com os seus stakeholders. “Uma boa ideia não é suficiente. Ela precisa criar valor – intangível e tangível – para que possa ser propagandeada e comercializada, e assim, ser considerada uma inovação. Este é o conceito central que distingue a inovação da invenção e investigação científica”, explica Daniel Domeneghetti, CEO da DOM Srategy Partners.

A partir de um recorte inicial privilegiando as companhias que mais investem e se diferenciam pela inovação no relacionamento com seus clientes e da condução de pesquisas de campo com clientes para confirmação de que essas inovações são efetivamente relevantes e percebidas, a consultoria refinou critérios para compor o ranking das maiores empresas inovadoras, tais como oferta de produtos e serviços inovadores, interatividade no ponto de contato com o cliente, colaboração e interação on-line com clientes, disponibilização de formatos e modelos de atendimento, qualidade da gestão do relacionamento com o cliente e experiência de marca durante o consumo.

Desse levantamento, saíram as 50 empresas mais bem pontuadas. Conforme aponta o estudo, os setores bens de consumo não duráveis – em que estão listadas diversas fabricantes – e o varejo são os que mais se destacaram como inovadores. O grupo de empresas mais bem pontuados com notas acima de nove, possui estratégia planejada de inovação a partir da percepção, avaliação e recomendação de seus consumidores. No top 10 geral da lista estão: O Boticário, NetShoes, Chilii Beans, Dilleto, Nespresso, Albert Einstein, Wine, Bradesco, Whirlpool e Habib’s.

Segundo Domeneghetti, a constatação do estudo ressalta que não existe inovação sem compreender o mercado em que as companhias atuam. “Cada empresa tem o modelo, a demanda e o tamanho do investimento para ser destinado a inovação, de acordo com o seu segmento ou sua estratégia de negócios. A inovação, assim, não é regra, mas uma equação de sucesso”, pontua o executivo. A pesquisa “As 50 empresas mais inovadoras do Brasil” avaliou as empresas entre os meses de março e junho deste ano por meio de uma pesquisa com mais de três mil consumidores e informações primárias, dentre releases, relatórios, informações para investidores, assim como, secundárias, ou seja, notas, reportagens, matérias, estudos e pesquisas publicadas nos últimos 12 meses.

50 Empresas Mais Inovadoras do Brasil

O Boticário 9,13
Netshoes 9,12
Chili Beans 9,11
Diletto 9,08
Nespresso 9,06
Albert Einsten 9,04
Wine.com 9,01
Bradesco 8,92
Whirlpool 8,91
Habib’s 8,89
Osklen 8,84
P&G 8,83
Natura 8,82
Bauducco 8,72
Beauty’in 8,71
Brigaderia 8,66
Vigor 8,65
Cacau Show 8,64
Centauro 8,62
Itaú Unibanco 8,52
Banco do Brasil 8,51
Mundo Verde 8,50
Nestlé 8,46
Mercado Livre 8,45
Coca – Cola 8,33
Avianca 8,32
Chama da Amazônia 8,31
Fiat 8,29
Porto Seguro 8,28
JBS – Friboi 8,24
Bradesco Seguros 8,22
Santander 8,20
Urban Remedy 8,18
Kopenhagen 8,16
UOL 8,13
Baggio Café 8,50
Subway 8,46
Azul 8,45
Buscapé 8,33
Ultrafarma 8,32
Casas Bahia 8,31
Certisign 8,29
BRF 7,97
Walmart 7,96
MC Donald’s 7,95
Pague Menos 7,94
Starbucks 7,92
SKY 7,91
Samsung 7,90
AMBEV 7,89

Pesquisadores desenvolvem fita que detecta formol em leite

NORMAS COMENTADAS

NBR 14039 – COMENTADA
de 05/2005

Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Possui 140 páginas de comentários…

Nr. de Páginas: 87

NBR 5410 – COMENTADA
de 09/2004

Instalações elétricas de baixa tensão – Versão comentada.

Nr. de Páginas: 209

NBR ISO 9001 – COMENTADA
de 11/2008

Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Versão comentada.

Nr. de Páginas: 28

Aparato pode ser utilizado em outros produtos. Adulteração de laticínios é prática comum e se espalha pelo Brasil
Lívia Carolina Machado – Núcleo de Pesquisa em Desenvolvimento e Comunicação – NPDC/CDT

Diante de recentes denúncias relativas à adulteração do leite com substâncias como ureia, soda cáustica, água oxigenada e cal virgem, uma ação conjunta entre Ministério da Agricultura, Ministério Público do Rio Grande do Sul, Polícia Federal e Poder Judiciário confiscou milhões de litros de leite contaminado no país. A chamada Operação Leite Compensado durou 12 meses.

No decorrer de 2013, a apuração do Ministério Público rio-grandense não revelou apenas que transportadores e comercializadores de leite estavam adulterando a bebida no Estado, mas também que a prática é nacional. Em maio deste ano, a LBR precisou fazer um recall de caixinhas de duas importantes marcas, depois de identificar que aproximadamente 300 mil litros de leite estavam contaminados com formol. Os lotes, fabricados no Rio Grande do Sul, teriam sido vendidos aos Estados de São Paulo e Paraná.

As fiscalizações na cadeia do leite e em outros produtos de origem animal são constantes, independente da Operação, mas ainda assim, alguns produtos conseguem chegar às casas dos consumidores brasileiros. Pensando em situações como essa, os pesquisadores da Universidade de Brasília, Paulo Anselmo Ziani Suarez e Guilherme Bandeira Cândido Martins, desenvolveram uma tecnologia que permite ao cidadão comum realizar essa análise.

A Macofren Tecnologias Químicas, empresa incubada no Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UnB), licenciou a tecnologia de forma não exclusiva para comercialização do produto. Trata-se da FITA ZER0-F, que detecta de modo rápido e fácil a presença de formol no leite, produtos de beleza e higiene, entre outros. O teste consiste em um papel que quando entra em contato com a amostra, gera uma cor, que indica a presença ou ausência de formol. Na presença de formol é gerada uma cor violeta intensa, que varia de acordo com a concentração do mesmo na amostra.

A Operação Leite Compensado, do Ministério Público do Rio Grande do Sul, teve sua primeira fase desencadeada em 8 de maio do ano passado. As investigações apontaram para um esquema que adulterou cerca de 100 milhões de litros do produto no estado.

Na ocasião, o MP revelou que transportadores estavam adicionando água e ureia (que contém formol) ao leite cru para aumentar o volume e disfarçar a perda nutricional no caminho entre a propriedade rural e a indústria. O esquema era realizado em postos de resfriamento.

26 pessoas foram denunciadas, sendo que 13 foram presas e quatro estão em liberdade provisória. Os processos na cidade gaúcha de Ibirubá foram os únicos já concluídos em primeira instância, e seis pessoas tiveram suas sentenças decretadas – uma delas chegou a ser condenada a 18 anos e seis meses de cadeia em regime fechado.

Para marcar um ano da primeira fase da operação, o MP deflagrou em 8 de maio deste ano a quinta fase da Operação Leite Compensado. Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e três de prisão em dez municípios gaúchos.