Protocolo de Paris

A Europa se adianta ao propor oficialmente corte de “pelo menos 40%” de suas emissões de gases estufa até 2030 em relação a 1990

A União Europeia (UE) deu a largada rumo ao acordo do clima de Paris ao se tornar o primeiro bloco a colocar na mesa sua proposta de redução de gases de efeito estufa para o novo tratado global, a ser implementado em 2020. Um documento divulgado pela Comissão Europeia detalha a visão dos 27 países sobre o novo regime climático e diz o que os europeus estão dispostos a fazer.

A chamada Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida (INDC) da UE chega um mês antes do prazo informal dado pelas Nações Unidas para os países desenvolvidos apresentarem seus números. Traz também um avanço ao propor que o novo acordo, que os europeus já estão chamando de Protocolo de Paris, tenha força de lei internacional. Porém, ainda faz pouco para colocar o mundo na trajetória segura de limitar o aquecimento global no fim deste século a 2 °C, objetivo almejado pelos membros da Convenção do Clima da ONU, com base nas recomendações da ciência.

A INDC europeia propõe reduzir as emissões dos 27 países do bloco “em pelo menos 40%” até 2030 em relação aos níveis de 1990, sem a compra de créditos de carbono de fora. Segundo o documento da Comissão Europeia, isso colocaria a UE numa trajetória “economicamente viável” de cortar 80% de suas emissões até 2050, permitindo uma chance “provável” de ficar dentro do limite de 2 °C.

Na linguagem estatística do IPCC, o painel do clima da ONU, “provável” significa uma chance de pelo menos 66%. “Os europeus merecem crédito por terem sido os primeiros a fazer o anúncio, mas sua oferta está aquém do que seria sua contribuição justa ao esforço mundial de redução de emissões”, diz Mark Lutes, analista sênior de clima do WWF, uma das organizações integrantes do Observatório do Clima. “Estamos dizendo que o mundo precisa reduzir a zero as emissões de queima de combustíveis fósseis e chegar a 100% de energia renovável até 2050; e a proposta europeia não chega lá.” No entanto, ressalta Luttes, os europeus deixaram a porta aberta para revisões periódicas dos compromissos a partir de 2020, algo que o Brasil tem defendido nas negociações.

“Esperamos que a UE ainda possa aumentar sua contribuição à luz do que a ciência diz que é necessário fazer para evitar o caos climático”, diz o secretário executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl. “Da mesma forma, esperamos que o Brasil não fique dependendo disso para colocar na mesa um compromisso de redução de emissões ambicioso e proporcional a sua responsabilidade. Para o Brasil, fazer a coisa certa no clima representa oportunidade de recolocar a economia nos eixos, e nós não podemos deixar essa oportunidade passar só porque outros países estão fazendo menos do que deveriam”.

“O Brasil é um dos países com mais oportunidades para redução de emissões e tem tudo para assumir um papel de protagonismo, estimulando os outros países a aumentarem a ambição do novo acordo global”, afirma o gerente de estratégias da conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e  coordenador-geral do Observatório do Clima, André Ferretti.

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Instituto Agronômico faz levantamento sobre a seca em São Paulo

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secaResultados apontam redução de até 50% no volume de chuva em algumas regiões paulistas no mês de outubro

Carla Gomes e Fernanda Domiciano, da assessoria de imprensa do Instituto Agronômico (IAC)

Dados do IAC, de Campinas, apontam que a precipitação pluvial de outubro de 2013 ao mesmo mês de 2014 foi muito reduzida, com valores abaixo do esperado. O levantamento do IAC foi realizado em 13 regiões representativas do Estado de São Paulo.

No planalto paulista, esta redução atingiu níveis superiores a 50% em Ribeirão Preto, Guaíra, Monte Alegre do Sul e Campinas. Mesmo no litoral, como em Ubatuba, o total pluviométrico foi 18% inferior ao esperado”, afirma o pesquisador do IAC, Orivaldo Brunini. “Para se ter ideia, janeiro a março de 2014 foi o trimestre mais seco em 77 anos de análise em Ribeirão Preto. Campinas também registrou, de outubro de 2013 a março de 2014, o período com menor índice de chuva, desde 1891. O prognóstico do IAC é que possivelmente ocorram chuvas na média entre novembro de 2014 e março de 2015, o que pode gerar agravantes no período de estiagem do próximo ano”.

Em outubro iniciou-se a estação chuvosa, então, as anomalias em torno da média histórica deveriam ser zero ou próximo a este valor, porém, a estiagem prolongou-se até o final daquele mês, com índice de precipitação abaixo do esperado, com pouquíssimas localidades com anomalias positivas”, afirma o pesquisador do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.

Em Ubatuba, por exemplo, choveu 150 mm a menos do esperado para o período. Palmital foi a cidade onde mais choveu, com volume de 50 mm superior a 2013. Na região do extremo Oeste do estado, assim como em parte do litoral, a situação hídrica apresentou recuperação em outubro. A restrição, porém, continua nas demais localidades.

Embora se pense e, infelizmente, muitos acreditem que pelas suas características climáticas, São Paulo está isento do fenômeno seca, isto não é verdade”, afirma Brunini. O pesquisador explica que outros períodos de seca já ocorreram no Estado, como em 1954, 1961, 1963, 1974, 1985 e 2001.

Nossos dados apontam que este é, sem dúvida, um dos piores episódios de seca registrados. Isso se intensificou pelo alto grau de urbanização, aumento populacional, falta de preservação dos recursos naturais, entre outros fatores. Assim, é de extrema importância o estabelecimento de programas e políticas públicas para promover a segurança hídrica”, afirma.

O relatório do IAC aponta que o nível de precipitação de março, julho e outubro atingiu níveis preocupantes. “Como não temos mecanismos para evitar o fenômeno seca, devemos sim, adotar técnicas e ações que possam mitigar ou amenizar, ao longo do tempo, os efeitos danosos dessa situação”, analisa Brunini.

Segundo o pesquisador do instituto, a intensificação da seca em São Paulo ocorreu em setembro de 2013, em Campinas, Mococa e Ribeirão Preto. Para Brunini, a situação paulista já vinha se agravando há tempos e atividades como o Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERH) e o Programa de Desenvolvimento da Irrigação (PDA), os processos de outorga do uso da água feitos pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e constante monitoramento meteorológico, como realizado pelo IAC, devem ser implementados e valorizados para atender à demanda da sociedade e propor ações para reduzir os efeitos negativos da seca.

O IAC realizou projeções meteorológicas do final de 2014 a março de 2015. As análises, baseadas em dados do próprio instituto e de órgãos especializados, indicam chuvas em torno da média, com ligeiro acréscimo da temperatura para o período de novembro de 2014 a março de 2015. A recomposição dos reservatórios, porém, não será plenamente alcançada.

Com previsão de chuva dentro da média histórica, não haverá recuperação total dos aquíferos e reservatórios, mantendo-se o sinal de alerta para o atendimento a necessidade da população, serviços essenciais, animais e agricultura em um nível mínimo e seguro, ou seja, estabelecendo um programa real de segurança hídrica. “Estas análises e projeções, se comprovadas, indicam cenário agravante para o período de abril a setembro de 2015, época de redução acentuada de chuvas em quase todo o território paulista”, explica Brunini.

O total de chuva acumulado até 27 de novembro de 2014 confirma as projeções de normalidade da precipitação, onde grande parte do estado já está com reserva hídrica recuperada do ponto de vista meteorológico e agronômico, mas não sob o ponto de vista hidrológico. “Destacamos Ribeirão Preto com anomalia negativa muito intensa e baixos volumes de chuva, mas ainda precisamos da confirmação dos dados”, diz.

A análise foi baseada no banco de dados do Instituto Agronômico, o mais completo do Brasil, com registros desde 1890. Para os estudos, foram considerados os efeitos agronômicos, meteorológicos e hidrometeorológicos da seca. A metodologia para análise e cálculo dos índices pode ser acompanhada nos sites: http://www.ciiagro.sp.gov.br; http://www.infoseca.sp.gov.br e http://www.ciiagro.org.br

Esse trabalho liderado pelo IAC conta com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO), com a participação da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (FUNDAG), responsável por procedimentos administrativos.

Sob o ponto de vista da agricultura, as restrições hídricas ainda se mostraram severas em junho e continuaram até outubro de 2014. Somente a região de Presidente Prudente teve o índice pluviométrico adequado para o mês.

Brunini explica que com as chuvas do final de setembro e início de outubro, houve melhoria das condições hídricas, em especial no extremo Oeste paulista e no Vale do Paranapanema. A estação chuvosa, porém, não estava plenamente estabelecida, o que resultou no retorno da situação crítica. “Os resultados demonstram que as condições hídricas estavam críticas, exceto pela última semana de setembro. Somente na região de Presidente Prudente e Adamantina houve pequena melhoria para as culturas. Os valores não foram suficientes para manter o solo à capacidade de campo”, explica.

No caso da cana-de-açúcar, existe uma preocupação relacionada à estiagem nas regiões de Ribeirão Preto, Araçatuba e São José do Rio Preto, o que pode causar impacto para a o cultivo da cultura de ciclos de ano e de ano e meio, afetando o desenvolvimento das plântulas. Para as culturas de inverno, que exigem irrigação, não há indicação de recuperação de bacias hidrográficas, o que pode afetar a produção de batata e tomate, por exemplo. O desenvolvimento dos citros pode ser afetado se o aumento de temperatura, que é esperado, for superior a 2º C acima do normal. O mesmo problema pode ocorrer com o cafeeiro.

O prognóstico realizado pelo IAC, considerando oito regiões representativas de São Paulo e simulado para o período de outubro de 2014 a março de 2015, demonstra que se ocorrerem precipitações próximas ao esperado climaticamente em novembro e dezembro, será possível observar déficit hídrico. Por outro lado, em parte de janeiro, fevereiro e março de 2015 poderá ocorrer adequado suprimento hídrico às culturas com déficit climático quase nulo, nas áreas agrícolas paulistas.

Isso poderá afetar o desenvolvimento inicial do milho safrinha na região de Assis, o crescimento dos frutos do café, em Franca, e a formação final das espigas do milho safrinha, na região de São José do Rio Preto”, afirma o pesquisador do IAC. A má distribuição de chuvas poderá afetar ainda o plantio da cana-de-açúcar e o desenvolvimento de citros.

A rede meteorológica do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGO), do IAC, monitora as condições hidrometeorológicas em mais de 145 pontos no Estado de São Paulo. Essa estrutura fornece dados atualizados a cada 20 minutos, a cada hora e totais diários dos diversos elementos meteorológicos, em especial: chuva, temperatura do ar e umidade relativa. As informações podem ser acessadas no site http://www.ciiagro.org.br/ema. “Esses dados, além de todo o suporte para a agricultura e Defesa Civil, podem dar importantes subsídios para previsão e suporte para programas de sustentabilidade da agricultura, segurança alimentar e segurança hídrica”, afirma Brunini.

Em 2005, o CIIAGRO-IAC introduziu um parâmetro estritamente agrometeorológico para análise de seca, baseado na diferenciação das culturas e em suas peculiares capacidades de retenção de água no solo, que podem ser refletidas por um maior ou menor volume de exploração das raízes. Nesse conceito, algumas culturas são agrupadas de acordo com a profundidade das raízes e considera-se também o tipo de solo, que pode determinar a profundidade do sistema radicular. 

A crise da água e as perspectivas futuras

NORMAS COMENTADAS

NBR 14039 – COMENTADA
de 05/2005

Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Possui 140 páginas de comentários…

Nr. de Páginas: 87

NBR 5410 – COMENTADA
de 09/2004

Instalações elétricas de baixa tensão – Versão comentada.

Nr. de Páginas: 209

NBR ISO 9001 – COMENTADA
de 11/2008

Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Versão comentada.

Nr. de Páginas: 28

Marcelo Buzaglo Dantas

O ano de 2014 no Brasil foi marcado, dentre outras coisas, pela escassez de água. Fenômeno até então pouco conhecido fora dos limites do Norte e do Nordeste do País, a seca chegou ao Sudeste e região.

Fruto da ausência de chuvas, possivelmente associada às mudanças climáticas, outros fatores também contribuíram para a terrível (e ainda não solucionada) situação a que chegamos. A falta de cuidado com a vegetação ciliar onde ela ainda existe é também apontada por especialistas como uma das causas do problema, na medida em que a devastação das áreas circundantes de rios, cursos d’água, lagos, lagoas, reservatórios e similares contribui para o assoreamento e, portanto, para as perdas qualitativas e quantitativas dos elementos hídricos e de suas funções ecológicas.

Por isso, a contundente crítica dirigida ao Novo Código Florestal quando, no particular, reduz os limites de proteção da mata ciliar, já que a faixa de Área de Preservação Permanente (APP) passa a ter a metragem contada a partir da “borda da calha do leito regular” do rio – e não mais do seu “nível mais alto”, como outrora – deixando desguarnecidas áreas alagadiças que exercem importantes funções ambientais.

De todo modo, mesmo no regime florestal anterior, as dificuldades de fazer implementar a legislação ambiental no Brasil sempre foram muitas, a ponto de ter se tornado lugar comum afirmar que o país possui um dos mais bem estruturados sistemas legais de proteção ao meio ambiente do mundo, o qual, contudo, carece de efetividade. A cultura que se desenvolveu no país nunca foi a da preservação. Por aqui, sempre se preferiu investir na reparação dos danos a propriamente prevenir para que aqueles não acontecessem.

No caso dos recursos hídricos, jamais fizemos como os nova-iorquinos: preservar os mananciais para não ter que investir em saneamento. O resultado é conhecido: o povo daquele Estado americano altamente industrializado possui uma das águas de melhor qualidade do planeta.

No Brasil, contudo, a preocupação com a água nunca foi a tônica dos setores público e privado. Exceção feita a poucas iniciativas aqui e acolá, a regra sempre foi a poluição dos elementos hídricos. Desnecessário citar exemplos, infelizmente.

Por outro lado, é incontestável que os instrumentos de comando e controle, tão enaltecidos por muitos, não tiveram o condão de diminuir os efeitos da degradação do meio ambiente. Não fosse assim, o Código Florestal anterior, aliado a uma série de outras normas legais (Sistema Nacional de Unidades de Conservação, Lei da Mata Atlântica, etc.) teria sido responsável pela redução do desmatamento. Não foi, contudo, o que aconteceu.

Logo, torna-se necessário partir-se para uma nova era. Um tempo em que se passe a investir intensamente na valorização e na recompensa daqueles que realizam serviços ambientais. A lógica é simples: em vez de simplesmente punir aquele que descumpre a legislação – o que, repita-se, revelou-se ineficaz – remunera-se quem preserva. É uma inversão total daquilo que sempre se praticou no Brasil. Em vez de “poluidor-pagador”, passa-se para a tônica do “protetor-recebedor”.

Iniciativas como essas vão desde a remuneração financeira aos pequenos proprietários rurais que preservam a vegetação que protege as águas, passando por incentivos tributários à preservação ecológica (IPTU verde, ICMS ecológico, redução de IPI para produtos ambientalmente sustentáveis, etc.), maior incentivo financeiro à criação de reservas particulares do patrimônio natural (RPPNs), estímulo à comercialização de créditos de logística reversa e de cotas de reserva ambiental, entre outros.

Ganham as pessoas, ganha o meio ambiente e ganha a sustentabilidade. Já está mais do que na hora de se reconhecer que a proteção do meio ambiente não é apenas uma fonte geradora de despesas, mas pode se tornar uma grande oportunidade para se obter recompensas financeiras efetivas, ao mesmo tempo em que se contribui para a melhoria da qualidade ambiental das presentes e futuras gerações.

Marcelo Buzaglo Dantas é advogado, pós-doutor em Direito, consultor jurídico na área ambiental e membro da Comissão de Direito Ambiental da OAB/RJ e da Comissão Permanente de Direito Ambiental do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB).  Também é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

O desmatamento na Amazônia influencia o nível de chuvas no Brasil

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A falta de água no Sudeste pode estar relacionada com o desmatamento na Amazônia. Assinado por Antonio Donato Nobre, o relatório O Futuro Climático da Amazônia fez uma revisão e síntese da literatura científica, articulada com análises interpretativas das questões mais importantes relacionadas ao assunto. Sem perder o foco na ciência, trata dos temas com linguagem acessível e aspiração holística, isto é, busca ligar fontes e muitas análises de especialistas em uma imagem coerente do ecossistema amazônico.

Suas linhas mestras são o potencial climático da grande floresta – fator critico para todas sociedades humanas –, sua destruição com o desmatamento e o fogo e o que precisa ser feito para frear o trem desgovernado em que se transformaram os efeitos da ocupação humana sobre o clima em áreas de floresta. Deve-se saber a potência climática da floresta. Quanta energia do Sol é consumida para evaporar 20 trilhões de litros de água ao dia? Para dar uma noção da grandeza de energia envolvida na transpiração amazônica, basta fazer uma comparação com as hidrelétricas.

Evaporar um grama de água líquida consome 2,3 quilojoules de energia solar. Para converter isso em energia hidráulica/elétrica, imagine uma chaleira gigante que comporte esse volume d’água, daquelas que se liga na tomada elétrica. Quanta eletricidade seria necessária para ferver e evaporar toda essa água?

A usina de Itaipu, com 14 mil MW de potência, precisaria gerar eletricidade em sua capacidade máxima por 145 anos para que a chaleira evaporasse a água equivalente àquela transpirada em apenas um dia amazônico. Ou, para rivalizar com as árvores amazônicas e fazer o trabalho em um dia, seria preciso somar a eletricidade de 50 mil usinas hidrelétricas como Itaipu (ou 200 mil como Belo Monte).

Esta comparação deixa claro que, diante da potência climática da floresta, as maiores estruturas humanas se mostram microscópicas. Como se pode entender a circulação da água pela paisagem? A água irriga e drena os solos de forma análoga ao sangue, que irriga e drena os tecidos do corpo. Se os familiares rios são análogos às veias, que drenam a água usada e a retornam para a origem no oceano, onde ficam as artérias do sistema natural?

São os rios aéreos, que trazem a água fresca, renovada na evaporação do oceano. Para completar o sistema circulatório faltava somente o coração, a bomba que impulsiona os fluxos nas artérias aéreas. A teoria da bomba biótica veio explicar que a potência que propele os ventos canalizados nos rios aéreos deve ser atribuída à grande floresta, que funciona, então, como coração do ciclo hidrológico.

clima1O estudo revela alguns segredos. O primeiro é que a floresta mantém úmido o ar em movimento, o que leva chuvas para áreas continente adentro, distantes dos oceanos. Isso se dá pela capacidade inata das árvores de transferir grandes volumes de água do solo para a atmosfera através da transpiração.

O segundo segredo é a formação de chuvas abundantes em ar limpo. As árvores emitem substâncias voláteis precursoras de sementes de condensação do vapor d’água, cuja eficiência na nucleação de nuvens resulta em chuvas fartas e benignas.

O terceiro segredo é a sobrevivência da floresta Amazônica a cataclismos climáticos e sua formidável competência em sustentar um ciclo hidrológico benéfico, mesmo em condições externas desfavoráveis. Segundo a nova teoria da bomba biótica, a transpiração abundante das árvores, junto com uma condensação fortíssima na formação das nuvens e chuvas – condensação essa maior que aquela nos oceanos contíguos –, leva a um rebaixamento da pressão atmosférica sobre a floresta, que suga o ar úmido sobre o oceano para dentro do continente, mantendo as chuvas em quaisquer circunstâncias.

O quarto segredo indica a razão de a porção meridional da América do Sul, a leste dos Andes, não ser desértica, como áreas na mesma latitude, a oeste dos Andes e em outros continentes. A floresta amazônica não somente mantém o ar úmido para si mesma, mas exporta rios aéreos de vapor que, transportam a água para as chuvas fartas que irrigam regiões distantes no verão hemisférico.

O quinto segredo desvendado é o motivo pelo qual a região amazônica e oceanos próximos não fomentam a ocorrência de fenômenos atmosféricos como furacões e outros eventos climáticos extremos. A atenuação da violência atmosférica tem explicação no efeito dosador, distribuidor e dissipador da energia nos ventos, exercido pelo rugoso dossel florestal, e da aceleração lateral de larga escala dos ventos na baixa atmosfera, promovida pela bomba biótica, o que impede a organização de furacões e similares. A condensação espacialmente uniforme sobre o dossel florestal impede concentração de energia dos ventos em vórtices destrutivos, enquanto o esgotamento de umidade atmosférica pela remoção lateral de cima do oceano, priva as tempestades do seu alimento energético (vapor de água) nas regiões oceânicas adjacentes a grandes florestas.

clima2Todos esses efeitos em conjunto fazem da majestosa floresta Amazônica a melhor e mais valiosa parceira de todas as atividades humanas que requerem chuva na medida certa, um clima ameno e proteção de eventos extremos. Houve um desmatamento acumulado de 762.979 km². Esse valor é maior que a soma das áreas de três estados de São Paulo, ou que as áreas somadas de duas Alemanhas ou de dois Japões. Uma unidade de área mais próxima do brasileiro, o campo de futebol (4.136 m²), dá uma noção da magnitude da devastação: 184 milhões de unidades – quase um campo de futebol desmatado na Amazônia para cada brasileiro.

Colocado na perspectiva temporal, teriam sido, em média, 12.635 campos desmatados por dia; 526 campos por hora; 8,8 campos – ou 36.291 m² por minuto; 605 m² por segundo, ininterruptamente, nos últimos 40 anos. Para caber na compreensão o gigantismo destes números é preciso estender a imaginação para além destas analogias. Um trator ficcional, operando uma lâmina frontal com 3 m de largura, precisaria acelerar quase à velocidade de um avião a jato (726 km/h) para desmatar a área raspada na Amazônia no ritmo registrado do espaço, em imagens.

Como um trator desmata muito mais lentamente (0,24 – 0,36 ha/h66, ou ~0,8 km/h se essa área estivesse contida em uma faixa com 3 m de largura), com a mesma lâmina de 3 m, seriam necessários mais de 900 tratores simultaneamente derrubando a floresta, lado a lado, formando uma frente destrutiva com quase 3 km de largura. Uma comparação ainda mais impressionante é uma “estrada de desmatamento,” com 2 km de largura, que daria para cobrir a distância da Terra até a Lua (380 mil km).

Além disso, a falta de chuva é uma ameaça mortal para a Amazônia. Em 2000, Peter Cox e colaboradores do Hadley Center publicaram um impactante artigo na revista Nature. Pela primeira vez haviam unido um modelo geral de circulação da atmosfera com um modelo interativo de vegetação em que o ciclo do carbono era bem detalhado. Entre os resultados, o modelo projetava uma redução acentuada, progressiva e permanente da chuva na Amazônia, o que levaria à sua morte gradual.

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Com a floresta seca, entraria o fogo e seriam liberadas vastas quantidades de carbono, o que resultaria em piora acentuada do aquecimento global. Ou seja, pela primeira vez um modelo climático gerava um vaticínio terrível para a grande floresta. Catorze anos depois, o novo modelo do Hadley Center está similar aos demais. Já não suprime a floresta por efeito externo como antes. Não obstante, os efeitos do modelo original do Hadley Center afetavam a floresta pela redução de chuvas, como decorrência do excesso de CO2 na atmosfera e seu resultante aquecimento.

Mas os erros na previsão de chuvas podem ocorrer nos modelos climáticos. E é justamente na redução de chuvas que está a maior ameaça à floresta. Se esses modelos não preveem corretamente a redução de chuvas, não colocarão a floresta em perigo. Como nenhum modelo climático atual incorpora os mecanismos e os efeitos previstos pela teoria da bomba biótica de umidade, principalmente nos potenciais efeitos das mudanças na circulação do vento (convergência de grande escala suprimida sobre a terra seca), suas projeções podem ser incertas.

Pode-se vir a descobrir no futuro que o modelo original do Hadley Center foi o único a prever – talvez não pelas razões certas– o futuro climático da Amazônia. Estima-se que o bioma amazônico tenha sustentado 400 ou mais bilhões de árvores com diâmetro à altura do peito, acima de 10 cm. Distribuindo essa população de árvores por área, infere-se que o desmatamento corte raso tenha destruído, somente no Brasil, mais de 42 bilhões de árvores nos últimos 40 anos.

Enfileirados e considerando uma altura média de 15 m, os troncos destas árvores cobririam 635 milhões de km, ou quase 1700 vezes a distância Terra Lua. Esse ritmo de destruição significa mais de 1 bilhão de árvores cortadas ao ano; quase 3 milhões ao dia; mais de 120 mil por hora; mais de 2000 por minuto; e 34 por segundo!

E isso sem contar um número talvez ainda maior das árvores decepadas nas chamadas florestas degradadas. Nestas quatro décadas foram destruídas quase 6 árvores por cada habitante da Terra, mais de 200 por cada brasileiro. São essas árvores ausentes que são percebidas pelo clima, já que cada árvore dizimada representa, entre muitos serviços ceifados, menor evaporação da superfície.

O relatório continua com a descrição dos efeitos do desmatamento e do fogo sobre o clima: a devastação da floresta oceano verde gera um clima dramaticamente inóspito. Os modelos climáticos anteciparam, há mais de 20 anos, variados efeitos danosos do desmatamento sobre o clima, já confirmados por observações. Entre eles estão a redução drástica da transpiração, a modificação na dinâmica de nuvens e chuvas e o prolongamento da estação seca. Outros efeitos não previstos, como o dano por fumaça e fuligem à dinâmica de chuvas, mesmo sobre áreas de floresta não perturbada, também estão sendo observados.

O dano do desmatamento, assim como os danos do fogo, da fumaça e da fuligem, ao clima, são candentemente evidentes nas observações cientificas de campo. As análises baseadas em modelos atualizados e em nova teoria física projetam um futuro ainda pior. Emerge como fator principal a afetar o clima a grave extensão acumulada do desmatamento amazônico, até 2013 no Brasil em quase 763.000 km² (área equivalente a 184 milhões de campos de futebol ou três estados de São Paulo).

Tal superfície precisa ainda ser somada à fração de impacto da extensão acumulada da menos falada e menos estudada degradação florestal (estimada em mais de 1,2 milhão de km²). O relatório prossegue relacionando os dois itens anteriores, floresta oceano verde e desmatamento, no contexto temporal mais estendido: o equilíbrio vegetação clima, que balança na beira do abismo.

Os modelos climáticos ligados interativamente a modelos de vegetação exploram quais são as extensões de tipos de vegetação e as condições climáticas capazes de gerar estáveis equilíbrios vegetação clima. Para a Amazônia, esses modelos projetam a possibilidade de dois pontos possíveis e alternativos de equilíbrio: um que favorece a floresta (úmido, atual para a bacia amazônica e histórico) e outro que favorece a savana (mais seco, atual para o Cerrado, futuro para a bacia amazônica).

O ponto preocupante desses exercícios de modelagem é a indicação de que aproximadamente 40% de remoção da floresta oceano verde poderá deflagrar a transição de larga escala para o equilíbrio da savana, liquidando, com o tempo, até as florestas que não tenham sido desmatadas. O desmatamento por corte raso atual beira os 20% da cobertura original na Amazônia brasileira, e a degradação florestal, estima-se, já teria perturbado a floresta remanescente em variados graus, afetando adicionalmente mais de 20% da cobertura original.

A seção final do relatório recomenda um plano de mitigação baseado na reversão radical tanto dos danos passados quanto a das expectativas de danos futuros: um esforço de guerra. As florestas da Amazônia são essenciais para a manutenção do clima, e com ele a segurança das gerações futuras. Felizmente, os avanços nas ciências fazem desta guerra um desafio que pode ser bem sucedido.

Apesar da dificuldade em separar precisamente os efeitos de fundo das mudanças climáticas globais daquelas locais e regionais, não resta a menor dúvida de que os impactos do desmatamento, da degradação florestal e dos efeitos associados já afetam o clima próximo e distante da Amazônia. Já afetam em alto grau hoje em dia e prometem afetar ainda mais seriamente no futuro, a ponto de que a única opção responsável que se coloca é agir vigorosamente no combate às causas.

Como primeira ação, impõe-se a universalização e facilitação de acesso às descobertas científicas, que podem reduzir a pressão da principal causa do desmatamento: a ignorância. Em segundo lugar, é preciso estancar a sangria da floresta, ou seja, zerar o desmatamento, a degradação florestal e o fogo já, com todos e quaisquer recursos e meios éticos possíveis, no interesse da vida. Ao mesmo tempo, em vista do diagnóstico de que desmatamento e degradação acumulados constituem-se no mais grave fator de dano ao clima, torna-se necessário e inevitável desenvolver um amplo esforço para replantar e restaurar a floresta destruída. Tal esforço precisa ter perspectiva de médio e longo prazos para culminar com a regeneração da floresta oceano verde original.

Diante disso, as elites governantes podem, devem e precisam tomar a dianteira na orquestração da grande mobilização de pessoas, recursos e estratégias que possibilitem recuperar o tempo perdido. Na conclusão, ao apontar para a urgência de ações de proteção e restauro da grande floresta, acena com oportunidades reais na viabilidade de se trilhar um novo caminho, onde a floresta protegida e recomposta seja a principal aliada das atividades humanas, dentro e fora da Amazônia.

O autor conclui escrevendo que, na grande floresta da Amazônia, a Terra guarda um de seus mais espetaculares tesouros: a profusão de vida que inala gás carbônico e exala oxigênio, transpira água, emite odores mágicos, remove gases tóxicos, pulsa e regula, umedece e faz chover, propele ventos e alimenta rios aéreos, acalmando a fúria dos elementos, tornando amigo o clima próximo e também o mais distante. As sociedades abrigadas sob seu hálito doador de vida têm nela um cordão umbilical que sustém suas economias e lhes dá bem estar.

Por tudo isso, é necessário, desejável, viável e até lucrativo alterar o modus operandi da ocupação humana na Amazônia. Há muitas alternativas para reviver a competência de convívio respeitoso com a floresta das civilizações ancestrais. Embora as ações de salvação propostas sejam todas requeridas para lograr o restabelecimento funcional da regulação climática pela floresta, a novidade está em enfrentar o passivo de desmatamento com reflorestamento e restauração ecológica.

“Há muitas e excelentes alternativas para reviver a competência de convívio respeitoso (e tecnológico) com a floresta das civilizações ancestrais. O esforço de guerra contra a ignorância e pela consciência da necessidade vital das florestas é a melhor estratégia para harmonizar a sociedade – começando pelos governantes – em torno do objetivo comum de recuperar o tempo perdido, criando chances reais de evitarmos o pior dos desastres climáticos. Entretanto, se a despeito da montanha de evidências científicas ainda não formos capazes de agir, ou se formos lentos demais, então é provável que tenhamos de lidar com prejuízos incompreensíveis para quem sempre teve sombra e água fresca providos graciosamente pela grande floresta”.

As normas tecnicas para o inventário de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE)

Para aquelas empresas que desejam neutralizar as emissões de GEE, recomenda-se produzir um inventário que contabiliza, de maneira precisa, as emissões e remoções de GEE e possibilita identificar projetos que gerem créditos de carbono. Os especialistas sugerem ainda que o processo seja guiado segundo normas internacionais.

As demandas organizacionais fundamentadas em inventários de GEE incluem a gestão de riscos de GEE e a identificação de oportunidades de redução; a identificação de riscos associados com restrições de GEE no futuro; a identificação de oportunidades na relação custo/efetividade de redução por meio da busca por eficiência no uso de energia e outros recursos;a definição de metas de GEE, medição e relatório de desempenho; um relatório público e participação em programas voluntários de GEE; um inventário voluntário das emissões de GEE e do progresso quanto às metas de GEE, para o público interessado; um relatório a programas de governos e ONGs, incluindo registros de GEE; e a rotulagem ambiental.

Atualmente são seis os gases considerados como causadores do efeito estufa: dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), oxido nitroso (N2O), clorofluorcarbonetos (CFCs), hidrofluorcarbonetos (HFCs) e hexafluoreto de enxofre (SF6). Segundo vários especialistas, o CO2 é o principal culpado pelo aquecimento global, sendo o gás mais emitido (aproximadamente 77%) pelas atividades humanas.

No Brasil, cerca de 75% das emissões de gases do efeito estufa são causadas pelo desmatamento, sendo o principal alvo a ser mitigado pelas políticas públicas. No mundo, as emissões de CO2 provenientes do desmatamento equivalem a 17% do total.

O SF6 é o gás com maior poder de aquecimento global, sendo 23.900 vezes mais ativo no efeito estufa do que o CO2. Este gás é usado na indústria elétrica para aplicações de alta tensão, como em interruptores e disjuntores. Em conjunto, os gases fluoretados são responsáveis por 1,1% das emissões totais de gases do efeito estufa.

greenhouse gas emisions

A mudança do clima foi identificada como um dos maiores desafios a ser enfrentado por nações, governos, empresas e cidadãos nas próximas décadas. A mudança do clima tem implicações para os sistemas humano e natural, e pode levar a alterações significativas na utilização de recursos naturais, produção e atividade econômica. Em resposta, iniciativas internacionais, regionais, nacionais e locais estão sendo desenvolvidas e implementadas para limitar concentrações de GEE na atmosfera da Terra. Tais iniciativas dependem da quantificação, monitoramento, elaboração de relatórios e verificação das emissões e/ou remoções de GEE.

A meta geral das atividades de validação ou verificação de GEE é dar confiança a todas as partes que dependem de uma declaração de GEE. A parte que elabora a declaração de GEE é responsável pela conformidade com requisitos da norma ou programa de GEE relevante. Assim, o organismo de validação ou verificação é responsável por realizar uma avaliação objetiva e fornecer uma declaração de validação ou verificação em relação à declaração de GEE da parte responsável, baseada em evidências.

Há uma norma, a NBR ISO 14065 de 07/2012 – Gases do efeito estufa – Requisitos para organismos de validação e verificação de gases de efeito estufa para uso em acreditação e outras formas de reconhecimento que fornece requisitos para organismos que executam validações ou verificações de GEE usando a NBR ISO 14064-3 ou outras normas ou especificações relevantes. Ela contém uma série de princípios que convém que estes organismos sejam capazes de demonstrar, e fornece requisitos específicos que refletem estes princípios.

Os requisitos gerais se relacionam às questões legais e acordos contratuais, responsabilidades, gestão da imparcialidade e questões de responsabilização e financiamentos. Os requisitos específicos incluem disposições relacionadas a estruturas, recursos e competências, gestão de informações e registros, processos de verificação e validação, apelação, reclamações e sistemas de gestão. Fornece uma base para que administradores, reguladores e acreditadores de programas de GEE avaliem e reconheçam a competência de organismos de validação e verificação. Também pode ser usada de outras formas, como na avaliação de pares dentro de grupos de organismos de validação ou verificação ou entre tais grupos.

Já a NBR ISO 14066 de 08/2012 – Gases de efeito estufa – Requisitos de competência para equipes de validação e equipes de verificação de gases de efeito estufa especifica os requisitos de competência para as equipes de validação e equipes de verificação, complementando a implementação da NBR ISO 14065. Não está vinculada a qualquer programa de gases de efeito estufa (GEE) específico. Se um programa de GEE específico for aplicável, os requisitos de competência deste programa de GEE são adicionais aos requisitos dessa norma. Importante acrescentar que os requisitos de competência da direção e pessoal de apoio são especificados na NBR ISO 14065, de 2012, na Seção 6.

Ao especificar os requisitos de competência para equipes de validação e equipes de verificação em benefício aos administradores, reguladores, organismos de validação e organismos de verificação de programa de GEE, essa norma torna-se necessária para alcançar consistência no mercado internacional e manter a confiança pública no relato de GEE e outras comunicações, havendo necessidade de definir os requisitos de competência para equipes de validação e equipes de verificação. Os requisitos para organismos de validação de GEE e organismos de verificação de GEE são estabelecidos na NBR ISO 14065.

Ela exige que os organismos de validação e os organismos de verificação estabeleçam e mantenham um procedimento para gerenciar a competência de seu pessoal que realiza as várias atividades de validação ou verificação dentro da equipe indicada para a contratação. É função do organismo de validação ou verificação assegurar que as equipes tenham a competência necessária para concluir eficientemente o processo de validação ou verificação. Essa norma inclui princípios para assegurar a competência das equipes de validação e das equipes de verificação. Apoiando esses princípios, existem requisitos gerais baseados nas tarefas que as equipes de validação ou equipes de verificação precisam ser capazes de realizar e a competência exigida para tanto.

A aplicação de princípios é fundamental para a avaliação da competência dos membros da equipe para realização da validação e verificação. Os princípios são a base dos requisitos dessa norma e orientarão a sua aplicação. O princípio da independência envolve: permanecer imparcial à atividade que está sendo validada ou verificada, e livre de tendências e conflitos de interesse; manter a objetividade durante toda a validação ou verificação para assegurar que as constatações e as conclusões serão baseadas em evidências objetivas geradas durante a validação ou verificação.

O princípio da integridade envolve a demonstração do comportamento adequado por meio de confiança, honestidade, trabalho com empenho e responsabilidade, observando a lei, mantendo a confidencial idade e fazendo divulgações previstas pela lei e pela profissão durante todo o processo de validação ou verificação. O princípio da apresentação adequada envolve: refletir verdadeira e precisamente as atividades, constatações, conclusões e relatórios de validação ou verificação; relatar obstáculos significativos encontrados durante o processo de validação ou verificação, bem como opiniões não resolvidas, divergentes, entre os membros da equipe, a parte responsável e o cliente.

O princípio de cuidados profissionais devidos envolve: exercer os devidos cuidados e julgamentos em conformidade com o risco atribuído à tarefa realizada e com a confiança atribuída pelos clientes e usuários pretendidos; ter a competência necessária para realizar a validação ou verificação. O princípio do julgamento profissional envolve: ser capaz de tirar conclusões significativas e precisas, fornecer opiniões e fazer interpretações com base em observações, conhecimento, experiência, literatura e outras fontes de informação; demonstrar ceticismo profissional. Os membros da equipe de validação ou da equipe de verificação planejam e realizam uma validação/verificação com uma atitude de ceticismo profissional para obter evidência adequada suficiente, se as informações sobre o objeto estiverem livres de distorções materiais.

Os membros da equipe de validação ou da equipe de verificação consideram a materialidade, a garantia de riscos contratuais e a quantidade e qualidade das evidências disponíveis ao planejar e realizar a contratação, em especial ao determinar a natureza, a duração e a extensão dos procedimentos de obtenção de evidências. Eles devem planejar e realizar uma validação/verificação com uma atitude de ceticismo profissional, reconhecendo que possam existir circunstâncias que façam com que as informações sobre o objeto estejam materialmente distorcidas.

Uma atitude de ceticismo profissional significa que membros da equipe de validação ou da equipe de verificação fazem uma avaliação crítica, com uma mentalidade questionadora, da validade da evidência obtida, e estão alerta à evidência que contradiz ou coloca em questionamento a confiabilidade dos documentos ou representações pela parte responsável. Assim, a atitude de ceticismo profissional é necessária, durante todo o processo de contratação, aos membros da equipe de validação ou da equipe de verificação, para reduzir o risco de ignorar circunstâncias suspeitas, de generalização indevida, ao tirar conclusões a partir de observações, e do uso de hipóteses falsas na determinação da natureza, a duração e a extensão dos procedimentos de obtenção de evidências e avaliação dos seus resultados.

Os membros da equipe de validação ou da equipe de verificação consideram a confiabilidade das informações a serem usadas como evidências, por exemplo, fotocópias, fac-símiles, documentos filmados, digitalizados ou outros documentos eletrônicos, incluindo a consideração de controles sobre sua preparação e manutenção, quando relevantes. Embora eles não sejam treinados ou não se espere que sejam peritos em autenticação, em raras ocasiões a validação/verificação pode envolver a autenticação da documentação.

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Depois de anos de queda, as emissões brasileiras de GEE dão sinais de voltar a subir

gee

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O Observatório do Clima apontou para tendência de o Brasil reverter o cenário de queda nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), colocando em risco seu papel nas negociações internacionais e no contexto pós-2020, além de colocar em dúvida a competitividade econômica e a capacidade de resposta do país à mudança do clima no futuro próximo

O período de reduções drásticas nas emissões brasileiras de gases de efeito estufa (GEE) pode estar no fim, como apontam os documentos da Análise do Panorama Atual de Emissões Brasileiras – Tendências e Desafios, do Observatório do Clima, elaborados a partir de seu Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SEEG). A queda de mais de 70% nas taxas de desmatamento na Amazônia, que ajudaram o Brasil a baixar sua participação nas emissões globais de 6,2% em 2004 para 2,9% em 2012, colocou o país em boa posição para iniciar as discussões do novo acordo global de clima, que irá substituir o Protocolo de Quioto depois de 2020.

Em 2012, as emissões globais aumentaram 7%. Mas as estimativas geradas pelo Observatório do Clima apontam uma clara tendência de crescimento nas emissões de GEE dos setores de energia, transportes, agropecuária, indústria e resíduos sólidos. E vale ressaltar que as estimativas do Observatório do Clima ainda não captam o aumento do desmatamento na Amazônia no ano passado.

Há portanto, uma forte indicação de que podemos chegar a 2020 com emissões em ascensão. “O Brasil deverá cumprir a meta voluntária de redução de emissões fixada em 2010 para 2020. Mas seguindo a trajetória atual, é provável que nos próximos anos reduções adicionais do desmatamento sejam inferiores ao aumento de emissões nos demais setores, levando a um novo período de crescimento”, alerta Tasso Azevedo, coordenador do SEEG.

Além da queda do desmatamento que se verificou durante alguns anos no Brasil, as taxas de crescimento econômico bem abaixo do projetado pelo governo federal nas políticas de clima também vão ajudar: “As metas brasileiras de redução de emissões foram definidas em 2010 com base em um crescimento médio anual da economia de 4% a 5%, bem distante da realidade de nossa matriz energética”, acrescentou Azevedo.

Quando se excluem as emissões de Mudança de uso da Terra entre 1990 e 2012, só houve redução de emissões no Brasil no ano de 2009, em consequência da crise econômica global, deflagrada no segundo semestre de 2008. Já em 2010 as emissões voltaram a crescer um ritmo superior ao de 2008 e seguiram nesta tendência até 2012. E o desmatamento da Amazônia, que por anos foi a principal fonte de emissões brasileiras e representou cerca de 70% do total nos anos 90, caiu para 32% em 2012, se equiparando aos setores de energia e agropecuária, com 30% cada um. “Mesmo com a redução de emissões observada nos últimos anos, o Brasil está entre os maiores emissores mundiais e deve assumir sua responsabilidade para o enfrentamento do problema nas próximas décadas”, afirmou Carlos Rittl, Secretário Executivo do Observatório do Clima.

No período pós-2020, todos os grandes emissores terão que realizar cortes profundos em suas emissões para que seja possível limitar o aquecimento global a níveis seguros. Isto irá exigir um esforço muito maior dos países que mais emitem GEE: “É necessário planejar e investir em um modelo de desenvolvimento baseado em reduções progressivas de emissões.  No Brasil, não temos ainda esta visão de longo prazo. O país está acomodado e ficando para trás em investimentos em uma economia de baixo carbono,” acrescentou Rittl.

Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), em 2013, a China investiu US$ 54 bilhões em energias renováveis (exceto grandes hidrelétricas). Os investimentos dos EUA somaram US$ 34 bilhões.  Índia e África do Sul investiram US$ 6 e US$ 5 bilhões, respectivamente. Já o Brasil reduziu seus investimentos no setor de  US$12 bilhões em 2008, para apenas US$ 3 bilhões em 2013 – quase 75%  de redução no volume de investimentos nestas fontes de energia.

O Observatório do Clima cobra do governo federal a aplicação do que determina a lei 12.187, de 2009, que estabeleceu a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), em seu parágrafo 11: que todos os princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos das políticas públicas e programas governamentais devem compatibilizar-se a PNMC. Em julho de 2014, o Observatório do Clima apresentou ao Ministério de Relações Exteriores sua visão sobre os princípios e critérios que deverão nortear a definição da meta brasileira de redução de emissões para o período pós-2020. “Até 2030, o Brasil terá que reduzir suas emissões a níveis muito inferiores aos atuais. Isto significa promover uma profunda transformação em nossa economia. O país precisa enfrentar este desafio desde já, preparando-se para um cenário em que terá que assumir compromissos significativos de corte de emissões junto à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima no pós-2020”, concluiu Rittl.

O Observatório do Clima faz uma série de recomendações para que o Brasil reduza as suas emissões de forma compatível com o sua responsabilidade sobre o problema, sua capacidade e o que requer o IPCC para que limitemos o aquecimento global a 2°C, dentre elas: zerar as emissões por desmatamento, neutralizar as emissões na agropecuária, reverter a queda da participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira, recuperar áreas degradadas e desmatadas para ampliar a captura de carbono e universalizar o tratamento biológico de resíduos sólidos e esgoto no Brasil com aproveitamento do biogás e dos materiais recicláveis. O relatório completo está disponível no hotsite do Observatório do Clima.

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Controlar e manter o seu acervo de normas técnicas e de documentos internos e externos sempre atualizados e disponíveis para compartilhamento entre todos os usuários é hoje um grande desafio em diversas organizações por envolver a dedicação e o esforço de vários profissionais. As Normas de Sistemas da Qualidade – série ISO 9000, são rigorosas quanto aos critérios de controle, atualização e disponibilização de documentos corporativos aos seus usuários. Tanto os documentos de origem interna como externa, devem ser controlados para evitar a utilização de informações não-válidas e/ou obsoletas, cujo uso pode trazer sérios problemas aos sistemas, produtos e negócios da empresa.  É por isso que a Target Engenharia e Consultoria desenvolveu Sistemas que gerenciam e controlam estes documentos de forma rápida, ágil e segura, facilitando o acesso à informação e ajudando os seus clientes a garantirem suas certificações.

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Gases de Efeito Estufa (GEE)

geeOs GEE, em inglês GreenHouse Gas (GHG), envolvem a Terra e fazem parte da atmosfera. Esses gases absorvem parte da radiação infravermelha refletida pela superfície terrestre, impedindo que a radiação escape para o espaço e aquecendo a superfície do planeta. Para reduzir essas emissões as empresas podem obedecer a uma série de normas técnicas que especificam esses requisitos.

Atualmente são seis os gases considerados como causadores do efeito estufa: dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), clorofluorcarbonetos (CFCs), hidrofluorcarbonetos (HFCs), e hexafluoreto de enxofre (SF6). Segundo os especialistas, o CO2 é o principal culpado pelo aquecimento global, sendo o gás mais emitido (aproximadamente 77%) pelas atividades humanas.

No Brasil, cerca de 75% das emissões de gases do efeito estufa são causadas pelo desmatamento, sendo o principal alvo a ser mitigado pelas políticas públicas. No mundo, as emissões de CO2 provenientes do desmatamento equivalem a 17% do total.

O SF6 é o gás com maior poder de aquecimento global, sendo 23.900 vezes mais ativo no efeito estufa do que o CO2. Este gás é usado na indústria elétrica para aplicações em alta tensão, como em interruptores e disjuntores. Em conjunto, os gases fluoretados são responsáveis por 1,1% das emissões totais de gases do efeito estufa.

No Brasil, já foram publicadas algumas normas para disciplinar o assunto. A NBR ISO 14064-1 de 11/2007 – Gases de efeito estufa – Parte 1: Especificação e orientação a organizações para quantificação e elaboração de relatórios de emissões e remoções de gases de efeito estufa especifica princípios e requisitos no âmbito da organização para a quantificação e para a elaboração de relatórios de emissões e remoções de gases de efeito estufa (GEE). Inclui determinações para o projeto, o desenvolvimento, o gerenciamento, a elaboração de relatórios e a verificação de um inventário de GEE da organização. Se um programa de GEE for aplicável, as exigências desse programa são adicionais às exigências da NBR ISO 14064. Se um dos requisitos da norma impedir uma organização ou proponente de projeto de GEE de cumprir um requisito de programa de GEE, o requisito do programa de GEE tem prioridade.

A NBR ISO 14064-2 de 11/2007 – Gases de efeito estufa – Parte 2: Especificação e orientação a projetos para quantificação, monitoramento e elaboração de relatórios das reduções de emissões ou da melhoria das remoções de gases de efeito estufa especifica princípios e requisitos, e oferece orientação para a elaboração de projetos para quantificação, monitoramento e relato de atividades de redução de emissões ou melhoria da remoção de gases de efeito estufa. Inclui requisitos para o planejamento de um projeto de gases de efeito estufa, identificando e selecionando fontes, sumidouros e reservatórios de gases de efeito estufa relevantes para o projeto e o cenário de referência (linha de base), monitorando, qualificando, documentando e relatando o desempenho de projetos de GEE e administrando a qualidade dos dados. Se um programa de GEE for aplicável, as exigências desse programa são adicionais às exigências da ABNT NBR ISO 14064. Se um dos requisitos da norma impedir uma organização ou proponente de projeto de GEE de cumprir um requisito de programa de GEE, o requisito do programa de GEE tem prioridade.

A NBR ISO 14064-3 de 11/2007 – Gases de efeito estufa – Parte 3: Especificação e orientação para a validação e verificação de declarações relativas a gases de efeito estufa especifica princípios e requisitos e fornece orientação para aqueles que estão conduzindo ou administrando a validação e/ou verificação de declarações de gases de efeito estufa (GEE). Pode ser aplicada na quantificação organizacional ou de projeto de GEE (relatórios de GEE realizados de acordo com a ABNT NBR ISO 14064-1 ou NBR ISO 14064-2). Especifica também requisitos para selecionar validadores/ verificadores de dados, informações, sistemas de informações e controles de GEE. Se um programa de GEE for aplicável, as exigências desse programa são adicionais às exigências da ABNT NBR ISO 14064. Se um dos requisitos da norma impedir uma organização ou proponente de projeto de GEE de cumprir um requisito de programa de GEE, o requisito do programa de GEE tem prioridade.

Já a NBR ISO 14065 de 07/2012 – Gases do efeito estufa – Requisitos para organismos de validação e verificação de gases de efeito estufa para uso em acreditação e outras formas de reconhecimento especifica princípios e requisitos para organismos que realizam validações ou verificações de declarações de gases do efeito estufa (GEE). Ela é neutra a um programa de GEE. Se um programa de GEE for aplicável, os requisitos daquele programa de GEE são adicionais aos requisitos desta norma.

Por fim, a NBR ISO 14066 de 08/2012 – Gases de efeito estufa – Requisitos de competência para equipes de validação e equipes de verificação de gases de efeito estufa especifica os requisitos de competência para as equipes de validação e equipes de verificação. Complementa a implementação da NBR ISO 14065. Não está vinculada a qualquer programa de gases de efeito estufa (GEE) específico. Se um programa de GEE específico for aplicável, requisitos de competência deste programa de GEE são adicionais aos requisitos desta Norma. Os requisitos de competência da direção e pessoal de apoio são especificados na NBR ISO 14065:2012, Seção 6.

Enfim, o setor produtivo terá que buscar as informações de emissões de gases de efeito estufa (GEE) das indústrias nacionais para construção, acompanhamento e avaliação das futuras metas de redução de suas emissões aplicadas aos diversos setores industriais. Apesar da evolução na prática de elaboração e relato voluntário de inventários de emissões de GEE por parte do setor privado brasileiro, não há um banco de inventários de emissão consolidado e disponível para todos os subsetores da indústria nacional, tornando a análise das emissões algo parcial e subjetivo neste momento.

Assim, a elaboração de um Inventário de Emissões de GEE é o primeiro passo para que uma instituição ou empresa possa avaliar como as suas atividades impactam o meio ambiente e identificar estratégias para contribuir para o combate às mudanças climáticas. Conhecendo o perfil das emissões, qualquer organização pode dar o passo seguinte: o de estabelecer estratégias, planos e metas para redução e gestão das emissões de gases de efeito estufa, engajando-se na solução desse enorme desafio para a sustentabilidade global.

O uso da terra, a mudança de uso da terra e florestas é um setor fundamental da mudança climática, ao mesmo tempo responsável por significativo volume liberado de GEE e com papel e potencial importante na mitigação das mudanças climáticas. A agricultura ou o uso da terra é responsável sozinha por cerca de 14% do total de emissões antropogênicas globais de GEE e se espera que tenha grande crescimento nas taxas de emissão, causado principalmente por aumentos de renda e população. O desmatamento é responsável por outros 17%, definindo a contribuição desse setor em aproximadamente um terço das emissões globais totais.

O Brasil é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa e é bem sabido que a maior parte das emissões brasileiras de GEE, que contribuem para o aquecimento global, vem de queimadas ligadas ao desmatamento do bioma amazônico, e não de combustíveis fósseis, principal culpado na maioria dos países. O Brasil sofre e ainda costuma sofrer pressões para conter a destruição da floresta equatorial amazônica.

O uso de energias não-renováveis, como as derivadas de combustíveis fósseis, que são responsáveis pelo acréscimo das emissões de gás carbônico na atmosfera, pode ser reduzido caso os indivíduos ajam de forma consciente no ato de consumo. Pequenas ações do dia-a-dia, como se locomover de bicicleta ou de transporte público (que queima menos combustível por pessoa transportada) têm grande efeito a longo prazo, principalmente se realizadas por muitas pessoas. Com o aquecimento global, a sustentabilidade do homem no planeta é que está ameaçada.

Se evitar, quando possível, o transporte movido a combustíveis derivados de petróleo, o consumidor consciente impede que uma grande quantidade de gás carbônico seja liberada para a atmosfera, contribuindo para a suavização do efeito estufa. Se um automóvel fica na garagem um dia por semana, deixa de emitir por ano 440 quilos de gás carbônico na atmosfera (considerando um trajeto de 20 quilômetros), o mesmo que uma árvore de porte grande leva cerca de 20 anos para conseguir absorver. Por isso, é recomendável que as pessoas prefiram a locomoção a pé e de bicicleta. Ou então, utilizem o transporte coletivo para distâncias mais longas, como ônibus e trens.

Inventário de GEE

nbsA NBS Cema, joint venture entra a NBS Consulting Group e a Cema Consultoria Ambiental, acaba de receber o selo ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol, coordenado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da Fundação Getúlio Vargas, que tem como objetivo estimular a cultura corporativa para a elaboração e publicação de inventários de emissões de gases do efeito estufa. As empresas qualificadas para o Selo Ouro são aquelas que atenderam todos os requisitos obrigatórios referentes as normas e metodologias de contabilização de gases do efeito estufa internacionalmente aceitas e ainda, tiveram seus Inventários “verificados” por uma empresa de terceira parte independente de acordo com as regras do programa. No caso da NBS Cema, o inventário foi “verificado” pela ABS-QE, entidade certificadora internacional, de origem americana.

De acordo com Alessandro Santiago, diretor comercial do Grupo NBS, desde a primeira publicação dos inventário de 2008, quando o programa contava com apenas 23 empresas, até a publicação neste ano dos relatório de 2013, houve um aumento de mais de 400% no número de participantes, contando agora com 128 empresas. “Os inventários de 2013 representam cerca de 10% do total das emissões nacionais da indústria estimadas pelo governo federal e 18% do total da energia elétrica consumida no país, dados apresentados durante o evento de publicação dos inventário de 2013, pelo GHG, demonstrando serem bastantes significativos, complementou Santiago. O Selo Ouro foi uma conquista para a NBS que com tais iniciativas pretende ampliar seu entendimento do impacto das operações da organização neste processo, criando ações significativas, por exemplo, com uma melhor gestão da logística dos consultores nos projetos, permitindo não somente uma redução das emissões de carbono, mas também reduzindo os custos dos projetos com despesas de deslocamento.