As vantagens e as desvantagens ambientais das lâmpadas fluorescentes

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fluorescentesEm relação às lâmpadas incandescentes, as que contêm mercúrio têm eficiência luminosa de três a seis vezes superior, têm vida útil de quatro a 15 vezes mais longa e 80% de redução de consumo de energia. Dessa forma, podem reduzir o consumo de recursos naturais para a iluminação, diminuindo a dependência da produção de energia elétrica. Contudo, elas estão também gerando uma nova demanda ambiental: o que fazer com as lâmpadas queimadas? O mercúrio contido nas lâmpadas pode contaminar o solo, as plantas, os animais e a água. Na verdade, o risco oferecido por uma única lâmpada é quase nulo, mas, levando em conta que são comercializadas mais de 100 milhões desse tipo de lâmpadas por ano no Brasil, o problema do descarte vem se se agravando. Atualmente, as empresas de reciclagem de lâmpadas de mercúrio são responsáveis pelo reprocessamento de apenas aproximadamente 6% do estoque de lâmpadas queimadas no país.

Pode ser que o preço de descontaminação ainda seja uma barreira para o fabricante. Além disso, o custo da reciclagem e a conseqüente descontaminação para o gerador de resíduo ainda são muito caros. No Brasil, está sendo cobrado pelos serviços de descontaminação em torno de R$ 0,60 a R$ 0,70 por lâmpada. A esse preço, devem sert acrescentados os custos de transporte, que podem variar de acordo com a distância e o volume. Dependendo da localização em que as lâmpadas estejam, o transporte pode elevar significativamente o preço da reciclagem, desmotivando, e muito, tanto a indústria recicladora quanto a geradora do resíduo.

Para minimizar o impacto ambiental, a Tramppo Recicla Lâmpadas, empresa do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveu um sistema que recupera os componentes presentes nas lâmpadas, reaproveitando mais de 98% da matéria-prima utilizada na fabricação. Por meio de um sistema de vácuo associado a alta temperatura, o equipamento separa o mercúrio, metal tóxico com alto risco de contaminação, de outros elementos, como cobre, pó fosfórico, vidro e alumínio. “A máquina descontamina a lâmpada fluorescente com a extração do mercúrio e possibilita a reciclagem dos outros materiais pela indústria. O lixo é transformado novamente em matéria prima”, explica Gilvan Xavier Araújo, diretor da Tramppo. O trabalho de pesquisa que deu origem à solução, intitulado Descarte adequado de fluorescentes que contenham mercúrio, teve apoio da FAPESP no âmbito do Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE). A engenheira química Atsuko Kumagai Nakazone, da Tramppo, foi a pesquisadora responsável pelos testes com o equipamento. Araújo aponta que a reutilização do mercúrio representa uma grande economia ao país. “Praticamente todo o volume de mercúrio consumido atualmente no Brasil é importado da Espanha, do México, da Rússia e de outros locais”, disse. A Tramppo já iniciou as atividades comerciais da tecnologia pelo processo conhecido como logística reversa, por meio do qual a empresa vende lâmpadas novas para o cliente a preço de custo e recolhe as usadas para reciclagem. “Desse modo, conseguimos focar o trabalho na venda de matéria-prima para as indústrias que produzem lâmpadas. Isso gera uma sustentabilidade ambiental e econômica em todo o processo”, afirma Araújo. O projeto ganhou certificado do Programa New Ventures Brasil, na categoria Modelo de Negócios em Desenvolvimento Sustentável. O objetivo do programa, iniciativa da World Resources Institute (WRI), sediada na Faculdade Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, é fomentar o desenvolvimento mercadológico de empreendimentos sustentáveis.

Uma lâmpada fluorescente é composta basicamente por um tubo de vidro, terminais de alumínio nas duas extremidades e pó fosfórico. O pó fosfórico é composto por diversos elementos químicos, dentre os quais destacamos o mercúrio e o argônio, um gás inerte, mantidos sob pressão muito baixa. Nas duas extremidades do tubo de vidro, existem dois eletrodos conectados a um circuito elétrico, que por sua vez é ligado a uma alimentação de corrente alternada. Quando você acende a lâmpada, a corrente flui pelo circuito elétrico até os eletrodos, onde existe uma voltagem considerável, liberando elétrons. Os elétrons migram através do gás de uma extremidade para a outra e, esta energia modifica parte do mercúrio dentro do tubo, de líquido para gás. Como os elétrons e os átomos carregados se movem dentro do tubo, alguns deles irão colidir com os átomos dos gases de mercúrio. Estas colisões excitam os átomos, jogando-os para níveis de energia mais altos. Quando os elétrons retornam para seus níveis de energia originais, eles liberam fótons de luz. Porém, os elétrons nos átomos de mercúrio estão dispostos de tal maneira que liberam fótons de luz na faixa de comprimento de onda da ultravioleta, onde nossos olhos não são capazes de registrar. Neste sentido, este tipo de luz, precisa ser convertida em luz visível e, é aqui que o revestimento de pó de fósforo do tubo entra em ação, definindo o tipo de da cor da luz . Os fabricantes podem variar a cor da luz usando combinações de fosforosos diferentes.

Concentração Elemento Concentração Elemento Concentração
Alumínio 3.000 Chumbo 75 Manganês 4.400
Antimônio 2.300 Cobre 70 Mercúrio 4.700
Bário 610 Cromo 9 Níquel 130
Cádmio 1.000 Ferro 1.900 Sódio 1.700
Cálcio 170.000 Magnésio 1.000 Zinco 48

Composição da poeira fosforosa de uma lâmpada fluorescente

Espirais de tungstênio, revestidas com uma substância emissora de elétrons, formam os eletrodos em cada uma das extremidades do tubo. Quando uma diferença de potencial elétrico é aplicada, os elétrons passam de um eletrodo para o outro, criando um fluxo de corrente denominado de arco voltaico ou descarga elétrica. Esses elétrons chocam-se com os átomos de argônio, os quais, por sua vez, emitem mais elétrons. Os elétrons chocam-se com os átomos do vapor de mercúrio e os energizam, causando a emissão de radiação ultravioleta (UV). Quando os raios ultravioleta atingem a camada fosforosa, que reveste a parede do tubo, ocorre a fluorescência, emitindo radiação eletromagnética na região do visível. A lâmpada fluorescente mais usada é a de 40 watts (4 pés de comprimento = 1,22 m; diâmetro de 1.1/2″), embora outras de diferentes formas e tamanhos sejam também procuradas. O tubo usado numa lâmpada fluorescente padrão é fabricado com vidro, similar ao que é utilizado para a fabricação de garrafas e outros itens de consumo comum. Os terminais da lâmpada são de alumínio ou plástico, enquanto os eletrodos são de tungstênio, níquel, cobre ou ferro. A camada branca, normalmente chamada de fósforo, que reveste o tubo de uma lâmpada fluorescente, é geralmente um clorofluorfosfato de cálcio, com antimônio e manganês (1 a 2%). A quantidade desses componentes menores pode mudar ligeiramente, dependendo da cor da lâmpada. Uma lâmpada padrão de 40 watts possui cerca de 4 a 6 gramas de poeira fosforosa. A vida útil de uma lâmpada de mercúrio é de 3 a 5 anos, ou um tempo de operação de, aproximadamente, 20.000 horas, sob condições normais de uso.

Em localidades onde existe a separação de resíduos recicláveis, é importante manter os produtos que contêm mercúrio separados do lixo comum. Tais produtos são, freqüentemente, classificados como resíduos perigosos se excederem o limite regulatório de toxicidade (0,2 mg.L-1). Uma vez segregados e/ou separados, os resíduos mercuriais podem, então, ser tratados objetivando a recuperação do mercúrio neles contidos. As opções de aterramento e incinerações não são as mais recomendadas. Com a finalidade de minimizar o volume de mercúrio descarregado ao meio ambiente, a opção de reciclagem, com a conseqüente recuperação do mercúrio, é considerada a melhor solução. O principal argumento é que tecnologias comprovadamente bem sucedidas para esta finalidade já existem. As principais empresas mundiais para reciclagem de mercúrio estão localizadas nos EUA, enquanto que os fabricantes de equipamentos estão localizados na Suécia e Alemanha. Esse último foi o precursor na fabricação de equipamentos para a desmercurização de lâmpadas fluorescentes, em meados da década de 80.

O processo de reciclagem mais usado e em operação em várias partes do mundo envolve basicamente duas fases:

Fase de esmagamento – As lâmpadas usadas são introduzidas em processadores especiais para esmagamento, quando, então, os materiais constituintes são separados por peneiramento, separação eletrostática e ciclonagem, em cinco classes distintas: terminais de alumínio, pinos de latão, componentes ferro-metálicos, vidro, poeira fosforosa rica em Hg e isolamento baquelítico. No início do processo, as lâmpadas são implodidas e/ou quebradas em pequenos fragmentos, por meio de um processador (britador e/ou moinho). Isto permite separar a poeira de fósforo contendo mercúrio dos outros elementos constituintes. As partículas esmagadas restantes são, posteriormente, conduzidas a um ciclone com um sistema de exaustão, onde as partículas maiores, tais como vidro quebrado, terminais de alumínio e pinos de latão são separadas e ejetadas do ciclone e separadas por diferença gravimétrica e por processos eletrostáticos. A poeira fosforosa e demais particulados sãocoletados em um filtro no interior do ciclone. Posteriormente, por um mecanismo de pulso reverso, a poeira é retirada desse filtro e transferida para uma unidade de destilação para recuperação do mercúrio. O vidro, em pedaços de 15 mm, é limpo, testado e enviado para reciclagem. A concentração média de mercúrio no vidro não deve exceder a 1,3mg/kg. O vidro nessa circunstância pode ser reciclado, por exemplo, para a fabricação de produtos para aplicação não alimentar. O alumínio e pinos de latão, depois de limpos, podem ser enviados para reciclagem em uma fundição. A concentração média de mercúrio nesses materiais não deve exceder o limite de 20 mg/kg. A poeira de fósforo é normalmente enviada a uma unidade de destilação, onde o mercúrio é extraído. O mercúrio é, então, recuperado e pode ser reutilizado. A poeira fosforosa resultante pode ser reciclada e reutilizada, por exemplo, na indústria de tintas. O único componente da lâmpada que não é reciclado é o isolamento baquelítico existente nas extremidades da lâmpada.

Fase de destilação de mercúrio – A fase subseqüente nesse processo de reciclagem é a recuperação do mercúrio contido na poeira de fósforo. A recuperação é obtida por um processo em que o material é aquecido até a vaporização do mercúrio em temperaturas acima do seu ponto de ebulição de 357° C. O material vaporizado a partir desse processo é condensado e coletado em recipientes especiais ou decantadores. O mercúrio assim obtido pode passar por nova destilação para se removerem impurezas. As emissões fugitivas durante esse processo podem ser evitadas usando-se um sistema de operação sob pressão negativa.

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Reciclagem: o que fazer com mais de 140 bilhões de bitucas de cigarro descartadas no Brasil por ano?

NBR ISO 19011: as diretrizes para a auditoria de gestão
Comparada com a primeira edição da norma publicada em 2002, que se aplicava apenas à ISO 9001 e ISO 14001, o escopo da ISO 19011:2012 – Diretrizes para auditoria de sistemas de gestão – foi expandido para refletir o pensamento atual e a complexidade de auditoria padrão de múltiplos sistemas de gestão. Ela vai ajudar as organizações a otimizarem e facilitarem a integração de seus sistemas de gestão e facilitar uma auditoria única. Clique para mais informações.

bitucaA mudança de hábito do brasileiro no que se refere ao microlixo (tipo de resíduo formado por itens de pequeno tamanho, como papel de bala, bituca de cigarro e goma de mascar), ainda caminha a passos curtos. Dizer que esse tipo de material, quando descartado de forma inadequada, resulta em inúmeros problemas nas grandes cidades, como enchentes, já ultrapassou aquilo que podemos chamar de clichê. Essa é uma questão bastante lembrada em épocas de chuva, quando as regiões que sofrem com alagamentos ficam mais vulneráveis.

Porém, o microlixo é um tema que merece estar na pauta diária de cada cidadão, uma vez que, de acordo com o Sindifumo-SP (Sindicato da Indústria do Fumo do Estado de São Paulo), mais de 140 bilhões de cigarros são consumidos anualmente no Brasil, apenas no mercado legal. E boa parte destes cigarros depois de fumados tem destino certo: o meio ambiente. Um dado bastante negativo, mas com uma solução muito positiva: apesar das mais de 700 substâncias tóxicas, incluindo metais pesados como mercúrio, chumbo e cádmio, as bitucas podem ser recicladas. “A tecnologia atual permite que elas sejam facilmente transformadas em papel ou adubo”, esclarece Leandro Gouveia, gerente de comunicação da Recicleiros. No ano passado, a empresa coletou mais de 100 kg de bitucas, mas com a ampliação do projeto a expectativa é terminar 2012 com, no mínimo, 200 kg recolhidos.

Com base nessa problemática é que em 2007 a Recicleiros iniciou uma ação com o objetivo de conscientizar as pessoas em relação ao descarte do microlixo no meio ambiente. Nascia, então, o projeto Bota Bituca (www.botabituca.com.br), uma espécie de cinzeiro, feito com garrafas PET recicladas, e que pode ser facilmente carregado no bolso ou na bolsa. “O bota bituca é uma ferramenta. A causa que está por trás dele é a conscientização da população sobre o microlixo. Ter criado a ferramenta foi consequência de estudos que fizemos para entender a motivação que faz com que centenas de milhões de pessoas joguem os filtros de cigarro indiscriminadamente por aí. Criamos uma solução simples e eficiente, alinhada com o conceito de diversas organizações ao redor do mundo que entendem a relevância ambiental dos cinzeiros portáteis”, explica Erich Burger, sócio-diretor e fundador da Recicleiros.

Diferentemente dos demais cinzeiros portáteis que primam pela estética, por estampas diferenciadas, entre outras questões que têm no design sua principal inspiração, o Bota Bituca tem na eficiência seu maior diferencial. Simples, ergonômico e funcional, é possível colocar bitucas acesas em seu interior. Além de apagar em segundos, o objeto não deixa o cheiro do cigarro escapar, preservando seu nariz, sua bolsa e sua roupa. Desde que o projeto foi, literalmente, para as ruas, a empresa social Recicleiros tem feito diversas intervenções para combater a poluição deste tipo de resíduo, lançando, inclusive, a campanha I Bin It. “Queríamos um termo forte, universal e simples, com isso criamos a expressão I Bin It que traduzindo é ‘Eu jogo no Lixo’. Desenvolvemos um pôster que ilustra bem o conceito da campanha onde o símbolo do Power tem a função de instigar e fazer com que as pessoas se conscientizem sobre o grande problema que é o microlixo”, explica Burger. O pôster deu origem a um pequeno adesivo que pode ser colado no carro, no caderno, no celular e outros lugares para mostrar que mesmo aqueles que não sejam fumantes podem aderir à causa contra o microlixo. Além disso, o Bota Bituca conta com o apoio de diversas personalidades do esporte, da música e das artes. Até hoje já foram distribuídos mais de 400 mil Bota Bitucas por todo o Brasil, em ações de conscientização da população nas ruas, eventos musicais e esportivos. Para adquirir o Bota Bituca, basta acessar o site e comprar pela internet. O pack com cinco unidades custa R$20,00, com 10 unidades sai por R$32,00 e com 80 unidades, R$168,00.

O que fazer com os restos de kevlar

coleteCriado pela DuPont em 1970, que detém a marca registrada do produto, originalmente, foi desenvolvido como um substituto para o aço em pneus radiais. Agora, tem sido usado em uma ampla gama de aplicações, desde pneus de bicicletas, barcos e caiaques até linhas de ancoragem e outras aplicações subaquáticas, além de roupas estilo armadura para fins militares e de segurança. O kevlar é uma aramida, um termo inventado como abreviatura de poliamida aromática. A composição química do kevlar é poli n-fenileno e é mais propriamente conhecido como uma para-aramida. Aramidas pertencem à família dos náilons, contudo os comuns, como náilon 6,6, não têm propriedades estruturais muito boas, de modo que a distinção de para-aramida é importante.

Para Márcio Manique, gerente de vendas e marketing da empresa, quando a manta de kevlar for confeccionada com o acréscimo de resina termoplástica, a recomendação da DuPont é que os restos do produto sejam incinerados, uma vez que a mistura não permite a reciclagem do fio. O processo de incineração deve ser requisitado a órgãos ambientais como a Cetesb, em São Paulo, que dará orientação para que a empresa de blindagem localize os endereços de fornos especiais para agendar esse trabalho. No entanto, explica Márcio, para os casos nos quais o Kevlar é usado em seu estado puro, ou seja, sem qualquer acréscimo de substância na confecção da manta, a DuPont realiza a coleta para reciclagem.

A ação faz parte de um programa de sustentabilidade da companhia para otimizar o uso de Kevlar em outros tipos de produtos para o segmento automotivo. Dessa forma, a Du Pont informa que se responsabiliza pela reciclagem das sobras de Kevlar em seu estado puro, ou seja, sem acréscimo de resina termoplástica. No trabalho das blindadoras, as sobras são comuns na confecção da blindagem Nível 3-A. Assim, as empresas blindadoras podem solicitar a coleta das sobras pela DuPont, que encaminhará o material para uma indústria que o transformará num subproduto chamado de polpa de Kevlar, que pode ser usada na fabricação de pastilhas de freio, devido ao seu alto desempenho, resistência e ausência de elementos tóxicos na fibra. A DuPont também realiza um trabalho forte junto às empresas responsáveis pela confecção das mantas para otimizar o corte do tecido, reduzindo assim perdas e desperdícios por parte dos blindadores. Como se sabe, no sistema de blindagem Armura as peças são pré-moldadas, isto é, são produzidas na fábrica e apenas encaixadas nas carrocerias dos automóveis, justamente para minimizar os desperdícios e sobras.

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Descarte de medicamentos: um problema muito grave no Brasil

medicamentosQualquer remédio contém substâncias químicas que podem contaminar o solo e a água e não devem ser descartados no lixo comum, mas o problema é que a população não sabe disso, não há orientação e não existem postos de recolhimento. Uma das alternativas para evitar o descarte de medicamentos no lixo comum e na rede de esgoto seria a criação de pontos para coleta dos remédios vencidos para que sejam encaminhados para o descarte adequado. Isso poderia evitar que os remédios fossem descartados no lixo doméstico e na rede de esgoto. Os remédios vencidos devem ser recolhidos por uma empresa especializada e incinerados.

Uma forma de diminuir a quantidade de medicamentos a serem descartados é a compra de remédios fracionados, isto é, comprar apenas a quantidade necessária ao uso, o que evitaria o acúmulo desnecessário. A prática é pouco comum entre as farmácias. Essa medida seria o ideal, pois a pessoa compraria a quantidade justa, evitando o descarte inadequado no lixo. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estima que entre 10 mil e 28 mil toneladas de remédios são jogados fora pelos consumidores a cada ano. São remédios que vão para o lixo ou para o esgoto e podem poluir o solo e a água, trazendo risco ao ambiente e às pessoas. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), as causas do problema estão relacionadas ao uso intensivo, inadequado e irracional dos medicamentos. No Brasil, a questão está em discussão entre os órgãos públicos de saúde, representantes de organizações de defesa do consumidor e da indústria com o objetivo de se criar uma legislação específica para evitar o desperdício e reduzir o impacto ambiental do descarte dos medicamentos, além de conscientizar o usuário sobre a destinação final adequada dos produtos.

Segundo a Anvisa, a logística reversa significa utilizar o mesmo caminho que o medicamento faz até o consumidor final para que o resíduo seja recolhido e tratado da forma correta. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a importância de se descartar corretamente esse tipo de produto deve-se ao seu potencial perigo ao meio ambiente e à saúde humana. Apesar dos diferentes níveis de riscos relacionados ao descarte de medicamentos, como os descartados por hospitais, farmácias ou pela dona-de-casa, todo resíduo de produto farmacêutico precisa ser tratado adequadamente. Para a advogada Gislaine Barbosa de Toledo, da Fernando Quércia Advogados Associados, todas as pessoas em alguma fase da sua vida usaram medicamentos, contudo, o problema surge quando os medicamentos estão com prazo de validade vencido e não serão mais usados. Daí surge à seguinte pergunta: O que fazer com eles?

“A resposta geralmente é imediata jogar no lixo ou na rede de esgoto, todavia este processo é totalmente errado, visto que os resíduos de medicamentos podem contaminar o solo, a água, os animais, além do risco à saúde de pessoas que possam reutilizá-los de forma intencional ou por acidente em virtude de situação social. No caso em apreço pode ser somada a carência de informação da população em relação aos problemas da contaminação, bem como a falta de locais para os medicamentos serem descartados. Diante disto com a instituição da Política Nacional de Resíduos Sólidos através da Lei n.º 12.305/2010 e do Decreto n.º 7.404/2010, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), está promovendo campanhas sobre o tema, visando implantar políticas de protecionismo ao meio ambiente e a saúde da população”.

De acordo com ela, a Anvisa vem discutindo o tema Descarte de Medicamentos desde 2009, em linhas gerais com o referido tema busca-se implementar compromissos com o setor empresarial, conselhos profissionais, setores de transporte, publicidade, vigilâncias sanitárias, drogarias e farmácias, ou seja, com pessoas que se utilizam deste setor de forma direta ou indireta visando a implantação de uma logística reversa para os resíduos de medicamentos, além de implementação de acordos. Os compromissos para serem efetivos deverão ser não só entre o setor privado, mas também entre o Poder Público. Ela relaciona algumas maneiras para se livrar dos medicamentos de forma consciente:

– Efetuar doações de medicamentos que não estão mais sendo utilizados (desde que não estejam vencidos) para ONG’s ou igrejas;

– Comprar medicamentos fracionados, ou seja, comprar apenas medicamentos na quantidade necessária que irá usar;

– Criação de postos para coleta de remédios vencidos.

“Em São Paulo de forma pioneira podemos citar os exemplos da Eurofarma e Grupo Pão de Açúcar que lançaram o programa Descarte Correto de Medicamentos, em que as pessoas podem levar medicamentos vencidos, embalagens primárias de remédios, cartelas de comprimidos, agulhas, tubos de pomadas e qualquer material nos postos de arrecadação. Os materiais arrecadados são encaminhados a Limpurb (Departamento de Limpeza Urbana) que adota procedimentos necessários para a destinação final dos resíduos de medicamentos de forma consciente e eficiente. Importante frisar que as bulas, caixas ou as embalagens de medicamentos, desde que não possuam contado direto com o produto, podem ser descartadas nas caixas seletivas normais, por não terem reagentes agressivos ao meio ambiente”.

Gislaine afirma que nas localidades que ainda não existem programas de coleta correta de medicamentos, uma forma de conscientização é procurar as Secretarias de Saúde para se informar sobre o seu destino. “No presente caso devemos cobrar providências imediatas das autoridades públicas, bem como propagarmos a importância do descarte de medicamentos em locais apropriados, visto o assunto em apreço ser uma responsabilidade social, pois agindo de forma consciente poderemos dar uma qualidade de vida melhor para as futuras gerações”, conclui.

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Norma fornece os requisitos para o aproveitamento da água de chuva

Curso: Ferramentas MASP – (Metodologia de Análise e Solução de Problemas)
A solução de problema é possível por meio de análises das relações entre características e causas, executando ações corretivas apropriadas. Entretanto, esse processo de estratégica de soluções pode ser abordado sob diversos ângulos. Consequentemente, quando se usa uma metodologia mal aplicada, não se chega à ações de melhoria. Sendo assim, é importante entender as relações entre as causas atuais e as características do problema ou efeito. Clique para mais infotrmações.

rainCerca de 98% da água da Terra que estão nos oceanos não são potáveis devido ao sal, portanto, somente 2% é própria para uso. Mas dessa porcentagem, 1,6% são as geleiras. Apenas 0,36% é encontrada no subsolo em aquíferos e poços e cerca de 0,036% está nos lagos e rios. Com a poluição, essa água precisa ser tratada e somente com o combate aos desperdícios e o aproveitamento da água da chuva o ser humano poderá evitar a escassez.

Porque faz miúdas as gotas das águas que, do seu vapor, derramam a chuva. (Jó 36:27)

A escassez de água no mundo agrava-se em virtude da desigualdade social, da falta de manejo e usos sustentáveis dos recursos naturais. De acordo com os números apresentados pela Organização das Nações Unidas (ONU), controlar o uso da água significa deter e poder, pois as diferenças registradas entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento chocam e evidenciam que a crise mundial dos recursos hídricos está diretamente ligada às desigualdades sociais. Em regiões onde a situação de falta d’água já atinge índices críticos de disponibilidade, como em alguns locais da África onde a média de consumo de água por pessoa é de dez a 15 litros/pessoa. Já em Nova York, há um consumo exagerado de água doce tratada e potável, onde um cidadão chega a gastar 2.000 litros/dia.

Aproximadamente 35% da população mundial não têm acesso à água tratada e 43% da população mundial não contam com serviços adequados de saneamento básico. Diante desses dados, constata-se que mais de dez milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças intestinais transmitidas pela água. Numa economia mundial cada vez mais integrada, a escassez de água cruza fronteiras, podendo ser citado com exemplo o comércio internacional de grãos, onde são necessárias 1.000 toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos, sendo a importação de grãos a maneira mais eficiente para os países com déficit hídrico importarem água. Enfim, além do crescimento populacional, a urbanização e a industrialização também ampliam a demanda pelo produto. Conforme a população rural, tradicionalmente dependente do poço da aldeia, muda-se para prédios residenciais urbanos com água encanada, o consumo de água residencial pode facilmente triplicar. Além disso, a industrialização consome ainda mais água que a urbanização. A afluência (concentração populacional), também gera demanda adicional, à medida que as pessoas ascendem na cadeia alimentícia e passam a consumir mais carne bovina, suína, aves, ovos, laticínios e consomem mais grãos.

Por tudo isso, a reutilização/reuso de água ou o uso de águas residuárias não é um conceito novo e tem sido praticado em todo o mundo há muitos anos. Nesse sentido, deve-se considerar o reuso de água como parte de uma atividade mais abrangente que é o uso racional ou eficiente da água, o qual compreende também o controle de perdas e desperdícios, e a minimização da produção de efluentes e do consumo de água. Dessa forma, grandes volumes de água potável podem ser poupados pelo reuso quando se utiliza água de qualidade inferior (geralmente efluentes pós-tratados) para atendimento das finalidades que podem prescindir desse recurso dentro dos padrões de potabilidade.

Dessa forma, a reutilização de água pode ser direta ou indireta, decorrente de ações planejadas ou não. O reuso indireto não planejado ocorre quando a água, utilizada em alguma atividade humana, é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada a jusante, em sua forma diluída, de maneira não intencional e não controlada. Caminhando até o ponto de captação para o novo usuário, está sujeita às ações naturais do ciclo hidrológico (diluição, autodepuração). O reuso direto planejado das águas ocorre quando os efluentes, após tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga até o local do reuso, não sendo descarregados no meio ambiente. É o caso com maior ocorrência, destinando-se a uso em indústria ou irrigação. Já as águas de chuva são encaradas pela legislação brasileira hoje como esgoto, pois ela usualmente vai dos telhados, e dos pisos para as bocas de lobo onde, como “solvente universal”, vai carreando todo tipo de impurezas dissolvidas, suspensas ou simplesmente arrastadas mecanicamente, para um córrego que vai acabar dando num rio que por sua vez vai acabar suprindo uma captação para Tratamento de Água Potável. Claro que essa água sofreu um processo natural de diluição e autodepuração, ao longo de seu percurso hídrico, nem sempre suficiente para realmente depurá-la.

De acordo com o presidente da Target, Maurício Ferraz de Paiva, a norma NBR 15527 fornece os requisitos para o aproveitamento de água de chuva de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis, porém não se aplica a usos não potáveis em que as águas de chuva podem ser utilizadas após tratamento adequado como, por exemplo, descargas em bacias sanitárias, irrigação de gramados e plantas ornamentais, lavagem de veículos, limpeza de calçadas e ruas, limpeza de pátios, espelhos d’água e usos industriais. “A concepção do projeto do sistema de coleta de água de chuva deve atender as ABNT NBR 5626 e ABNT NBR 10844. No caso da ABNT NBR 10844, não deve ser utilizada caixa de areia e sim caixa de inspeção. No estudo devem constar o alcance do projeto, a população vai utilizar a água de chuva e a determinação da demanda a ser definida pelo projetista do sistema”, explica.

Somam-se a isso que no projeto deve ser incluídos estudos das séries históricas e sintéticas das precipitações da região onde ele estará localizado e as calhas e condutores horizontais e verticais devem atender a ABNT NBR 10844, devendo ser observados o período de retorno escolhido, a vazão de projeto e a intensidade pluviométrica. “Devem ser instalados dispositivos para remoção de detritos, que podem ser, por exemplo, grades e telas que atendam a NBR 1221 3. Também pode ser instalado no sistema de aproveitamento de água de chuva um dispositivo para o descarte da água de escoamento inicial, sendo recomendado que tal dispositivo seja automático. Por fim, devem ser considerados no projeto: extravasor, dispositivo de esgotamento, cobertura, inspeção, ventilação e segurança”, recomenda Paiva.

A norma descreve que o volume de água de chuva aproveitável depende do coeficiente de escoamento superficial da cobertura, bem como da eficiência do sistema de descarte do escoamento inicial, sendo calculado pela seguinte equação: V = P X A x C x qfator de captação, onde: V é o volume anual, mensal ou diário de água de chuva aproveitável; P é a precipitação media anual, mensal ou diária; A e a área de coleta; C é o coeficiente de escoamento superficial da cobertura; e qfator de captação é a eficiência do sistema de captação, levando em conta o dispositivo de descarte de sólidos e desvio de escoamento inicial, caso este último seja utilizado. No Anexo A (informativo), estão descritos os métodos de cálculos para dimensionamento dos reservatórios.

A água de chuva só deve ser usada em ambientes urbanos para fins não potáveis, isto é, não deve ser usado para beber, banho, lavagem e cozimento de alimentos. Entre seus principais usos, em áreas urbanas, banheiro (descarga de vasos sanitários); regas de hortas e jardins; lavagem de pisos, quintais e automóveis; em áreas rurais: além dos mesmos fins do ambiente urbano, destina-se a irrigação de plantações, lavagem de criatórios de animais e bebedouro; e em áreas industriais, além dos usos semelhantes a edificações em ambiente urbano, recomenda-se para resfriamento de caldeira e extrusoras, lavagem de peças, dentre outras aplicações. Entre os seus benefícios, permite aproveitar um recurso disponível, que contribui para economizar na conta da água, além de servir como reserva em épocas de seca ou de falta d’água; contribui para reduzir a necessidade de água para fins não potáveis dentro da edificação (regas de jardins, lavagem de automóveis, descarga de vasos sanitários) e para reduzir enchentes nas grandes cidades, que têm o solo impermeabilizado pelo asfalto.

Para mais informações sobre a NBR 15527, clique no link: NBR 15527 – Água de chuva – Aproveitamento de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis – Requisitos

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Depois de um ano, uma avaliação da Política Nacional de Resíduos Sólidos

Coletânea Série Acadêmicos
A produção acadêmica deve ter um caráter científico e pode, muito bem, ser divulgada para além do meio acadêmico, sendo que uma questão não pode excluir a outra. Assim, os trabalhos científicos devem ser divulgados para um público o mais amplo possível. De toda maneira, é positivo o fato de que a produção acadêmica e científica esteja no centro de diversos debates atuais, pois são diversas as análises que demonstram o caráter produtivo da ciência para o capital e para toda a sociedade. Clique para mais infomações.

Completando um ano, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabelece a não geração, redução, reutilização e tratamento de resíduos sólidos; a destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos; a diminuição do uso dos recursos naturais (água e energia, por exemplo) no processo de produção de novos produtos; a intensificação de ações de educação ambiental; o aumento da reciclagem no país; a promoção da inclusão social e a geração de emprego e renda para catadores de materiais recicláveis. Um dos pontos fundamentais da nova lei é a chamada logística reversa, que se constitui em um conjunto de ações para facilitar o retorno dos resíduos aos seus geradores para que sejam tratados ou reaproveitados em novos produtos. “A responsabilidade compartilhada, a logística reversa, a institucionalização das obrigatoriedades dos geradores de resíduos e do poder público como viabilizador do desenvolvimento dos setores, atrelados aos impactos sociais, econômicos e ambientais, fundamentam a importância deste momento para o desenvolvimento sustentável do País”, explica o presidente do Instituto Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (IBDS), Carlos Renato Garcez do Nascimento. “O processo de dialogo e engajamento entre poder público, setor produtivo e sociedade civil é de fundamental importância para o alinhamento e a potencialização das orientações da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei n.º 12.305/2010), motivo pelo qual o IBDS promove o Sustain Total 2011”, afirma.

Acompanhe a entrevista com Carlos Renato Garcez do Nascimento:

Como você avalia a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)?
A PNRS se propõe a estabelecer uma política nacional para o adequado gerenciamento e manejo dos resíduos sólidos. A formulação de uma política que foi amplamente discutida e debatida no Congresso Nacional pretende tratar dos resíduos no seu todo e não somente dos resíduos domiciliares e industriais, como muitos pensam. A Política Nacional de Resíduos Sólidos que foi aprovada trata dos diferentes tipos de resíduos como o urbano, o industrial, o comercial, o dos serviços de saúde, os agrosilvipastoris, entre outros, em um único documento legal. Entendemos que a efetividade da Política Nacional de Resíduos Sólidos somente será plena com a mobilização e o engajamento de todos os setores produtivos. O diálogo é fundamental para que haja engajamento e comprometimento entre os principais públicos de interesse das cadeias produtivas. Os compromissos a serem firmados devem ser desenvolvidos de forma integrada entre o setor público, produtivo e sociedade civil. Logicamente, o estudo de impacto econômico, social e ambiental é fundamental para garantir a responsabilidade solidária entre os públicos. A incorporação da responsabilidade compartilhada depende diretamente da cultura de gestão da sustentabilidade em cada setor. Precisamos esclarecer que o processo somente se inicia com a visão de que há uma relação de interdependência muito grande, independente dos fatores concorrenciais ou de mercado. O princípio da responsabilidade compartilhada e sua definição precisa e objetiva da responsabilidade da fonte geradora, ou seja, de quem gera os resíduos – estabelecimentos industriais, comerciais, prestadores de serviços, inclusive da área de saúde – sem dúvida nenhuma acaba de vez com as incertezas existentes dando uma solução definitiva para essa questão bastante controvertida. Espero que o Governo Federal ponha em prática a referida Lei, que é uma legislação muito clara e objetiva, e que trata de todos os assuntos relacionados com os resíduos sólidos, sejam eles de que natureza e responsabilidades forem, inclusive obrigando os municípios brasileiros a criarem aterros sanitários e não mais lixões, que ficam proibidos de serem utilizados. Nós temos o útil e o agradável ao nosso alcance. Só falta agora o Governo Federal e os governos estaduais e municipais fazerem a sua parte, e a sociedade civil e os empresários cumprirem com sua obrigação.

O Brasil ainda precisa avançar muito para cumprir o estabelecido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos? A PNRS prevê que todos os municípios do País tenham coleta seletiva em quatro anos, prazo para que os lixões sejam extintos. No entanto, dados apontam que a coleta seletiva está implantada em apenas 8% dos 5.565 municípios. Pela lei, os governos municipais e estaduais têm dois anos de prazo para a elaboração de um plano de resíduos sólidos. É tempo suficiente?
O governo precisa massificar os novos conceitos da PNRS e instrumentalizar economicamente as diretivas legais para acelerar o processo de alinhamento. Os prazos estipulados pela PNRS são baziladores, entretanto inexeqüíveis olhando para diversidade regional do País. Ao passo que temos municípios espalhados pelo País com prévio alinhamento as premissas da PNRS quanto à elaboração dos Planos Municipais, também temos municípios que, pela sua própria localização geográfica e modais de transporte, não se adequaram às orientações da PNRS. Como buscar integral satisfação aos ditames da PNRS em cidades onde o modal de transporte é aquaviário e a extensão territorial é superior a alguns Estados da Federação? Temos vários pontos que necessitarão de flexibilização pelo Governo Federal, mesmo nos posicionando que a PNRS é paradigmática para mudança na cultura do lixo.

Pode se dizer que com a PNRS, o país passa a ter um marco regulatório na área de resíduos sólidos?  Você não acha que ela chegou muito tarde? Que valores que serão investidos na aplicabilidade desta política?

A PNRS é o marco regulatório mais importante no que se refere à gestão de resíduos sólidos no país. A lei 12.305/2010 faz a distinção entre resíduo (lixo que pode ser reaproveitado ou reciclado) e rejeito (o que não é passível de reaproveitamento). A lei se refere a todo tipo de resíduo: doméstico, industrial, da construção civil, eletroeletrônico, lâmpadas de vapores mercuriais, agrosilvopastoril, da área de saúde, perigosos, etc. A Política Nacional de Resíduos Sólidos harmoniza-se com diversas leis, em especial as Leis de Saneamento Básico e de Consórcios Públicos. De igual modo está inter-relacionada com as Políticas Nacionais de Meio Ambiente, de Educação Ambiental, de Recursos Hídricos, de Saúde, Urbana, Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior e as que promovem a inclusão social. A PNRS traçou grandes desafios: a não-geração, redução, reutilização e tratamento de resíduos sólidos, bem como destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos, redução do uso dos recursos naturais (água e energia, por exemplo) no processo de produção de novos produtos, fortalecimento das ações de educação ambiental, ampliação da reciclagem, promoção da inclusão social, a geração de emprego e renda de catadores de materiais recicláveis. A proposição da legislação institui o princípio de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, abrangendo fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, consumidores e titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Propõe atribuições compartilhadas das instituições públicas, setor produtivo, consumidor final, enfim de toda a cadeia produtiva. É importante que os municípios elaborem as políticas públicas e os planos de gestão de resíduos sólidos alinhadas à política nacional e que se traduzam em oportunidades de negócios com geração de emprego e renda, sustentabilidade dos empreendimentos e receitas para o município. Um dos grandes desafios da Política Nacional será a implantação do sistema de logística reversa, que consiste num conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos ou outra destinação final ambientalmente adequada. Acreditamos que a legislação poderia ter vindo antes, antecipando o atual momento, onde os problemas derivados dos resíduos sólidos são objeto do cotidiano diário nos canais de comunicação. Além disso, os valores a serem investidos para adequação à PNRS já nascem com um gargalo orçamentário imenso. A sinalização do Governo Federal do aporte de R$1,5bilhões neste primeiro momento são insuficientes para os ajustes necessários em curto prazo. A falta de desenvolvimento institucional, aliado à incapacidade operacional, escala inadequada dos empreendimentos e a insustentabilidade econômico-financeira dos projetos de manejo potencializam as dificuldades de execução da PNRS. Isto demanda capacitação dos municípios como fator primordial para o cumprimento das exigências e metas da Política Nacional, considerando dois grandes desafios: qualificação das cooperativas de catadores para o correto manejo – tratamento e disposição final – e constituição de parcerias público-privado (PPP), integrando coleta seletiva ao processo do sistema de logística reversa.

Como o Brasil pode reduzir a geração de lixo? Atualmente, são 57 milhões de toneladas por ano.

Basicamente, aderir a práticas de consumo mais sustentáveis do que as convencionais é fundamental para qualquer sociedade que reconheça a importância do desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, ações simples como planejar a compra de alimentos de modo que se evite o desperdício, procurar produtos mais duráveis em vez dos descartáveis são boas práticas para esta redução de geração de resíduos.

A logística reversa é o principal instrumento da Política Nacional de Resíduos Sólidos para garantir maior eficácia no descarte e na reciclagem do lixo?

Podemos dizer que é um dos principais instrumentos. A responsabilização ambiental pós-consumo diz respeito à extensão do âmbito da responsabilidade civil ambiental visando à prevenção e reparação de danos ambientais causados pelos resultados de um dado processo produtivo que já tenham deixado à esfera do produtor ou fabricante por sua assimilação como produtos pelo mercado de consumo – e subseqüente descarte pelo consumidor. No cenário mundial, observa-se uma tendência de transferir as responsabilidades sobre coleta, transporte e destinação final de embalagens e outros resíduos, dos governos para as cadeias produtivas. O alinhamento da transferência de responsabilidade sobre coleta, transporte e destinação final de embalagem, ao processo de logística reversa nas cadeias produtivas vêm incrementando o reaproveitamento de materiais e a economia com embalagens retornáveis, trazendo ganhos que estimulam cada vez mais novas iniciativas e esforços em desenvolvimento e melhoria nos processos de reinserção no ciclo de vida dos produtos. Ambientalmente, o retorno do produto ou parte dele ao setor produtivo evita o consumo de matérias primas virgens e diminui os riscos de contaminação ambiental. Do ponto de vista social, a atividade de logística reversa pode gerar novos empregos, ao criar canais de distribuição reversos. Economicamente, possibilita a reciclagem e comercialização desses novos produtos. Culturalmente, cria uma responsabilidade individual pelo resíduo gerado e proporciona um cuidado maior pelo usuário. Ou seja, a logística reversa aplicável aos processos de gestão de resíduos sólidos é uma ferramenta essencial ao desenvolvimento sustentável regional.

Qual o papel dos catadores de material reciclável neste processo?

O grande desafio é a profissionalização das cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis, constituídas por pessoas físicas de baixa renda, para garantir efetiva participação nas ações que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Haverá necessidade de criação de um programa com a finalidade de melhorar as condições de trabalho e as oportunidades de inclusão socioeconômica dos catadores, estimulando a incubação e o fortalecimento institucional das cooperativas.

Todo o lixo que é descartado por meio de uma correta coleta seletiva pode se transformar em matéria-prima para outras finalidades?

Nem todo tipo de resíduo gerado serve de matéria prima ou insumo para utilização no desenvolvimento de novos produtos. Uma eficiente coleta seletiva não é sinônimo da resolução dos problemas oriundos dos resíduos sólidos. Entretanto, a redução dos impactos sociais, econômicos e ambientais passa necessariamente pelo fomento da coleta seletiva. Não há como não produzir resíduos. Podemos, no entanto, reduzir essa produção reutilizando, sempre que possível os materiais recicláveis. Ainda hoje, grande parte de materiais reutilizáveis e recicláveis são descartados de forma errônea. A coleta seletiva é uma alternativa politicamente correta que desvia do meio ambiente os resíduos que poderiam ser reaproveitados. Reaproveitar e reciclar os resíduos proporcionam um aumento na conscientização da população de sua responsabilidade social. A implantação de um sistema de coleta seletiva visa amenizar ou eliminar os impactos ambientais advindos de um descarte incorreto dos materiais produzidos. Com um sistema de coleta seletiva, a população passa a dar maior importância ao meio em que vivemos, incentivando a reciclagem, e passando a racionalizar o uso dos recursos naturais renováveis e não-renováveis. Dessa forma, possibilitando o desenvolvimento de processos mais limpos, e chegando de uma forma mais rápida ao desenvolvimento sustentável. Os maiores beneficiados por esse sistema são o meio ambiente e a saúde da população. Além disso, a reciclagem implica uma redução significativa dos níveis de poluição ambiental e do desperdício de recursos naturais, por meio da economia de energia e matérias-primas. Por fim, pode-se afirmar que a ações ambientais, manifestadas por meio da implantação da coleta seletiva, buscam racionalizar o uso dos recursos naturais e reduzir o montante de dejetos e resíduos devolvidos ao meio ambiente, contribuindo, com isso, para um desenvolvimento mais harmônico entre homem e natureza.

Atualmente é possível transformar até o resíduo hospitalar?

A problemática dos resíduos hospitalares (ou resíduos de serviços de saúde) remete diretamente às questões de Saúde Pública e Saneamento Básico. Isto torna evidente a necessidade de apresentação de alternativas para o gerenciamento de tais resíduos, a fim de proteger a qualidade de vida. Para o caso particular do Brasil, onde tal problemática é negligenciada e as pesquisas são quase inexistentes, este problema é ainda mais grave. Na busca da melhor opção para a adequada destinação final dos resíduos hospitalares, entre as denominadas tecnologias limpas ou tecnologias ambientais, sobressaem-se como alternativas contemporâneas de gerenciamento a minimização, a reutilização e a reciclagem de resíduos de serviços de saúde. Neste contexto, existem exemplos bem sucedidos de reciclagem dos resíduos hospitalares – hospitais que segmentam e gerenciam os resíduos gerados por meio de planos de gerenciamento de resíduos de serviço de saúde. Em resumo, o gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde, por meio da minimização, reutilização e da reciclagem, exige mudança tanto na cabeça e hábitos do indivíduo, quanto na concepção que envolvem os resíduos hospitalares, desde sua produção até seu destino final.

O consumidor é importante agente para a sustentabilidade. Como convencê-lo a optar por consumir produtos sustentáveis e a ser responsável pela coleta seletiva do lixo que produz?
A importância do consumidor fica clara com a institucionalização da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, que é um conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, visando minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos. Com este sistema, impõe-se ao consumidor uma efetiva participação em razão do ciclo de vida do produto, após, claro, atribuir a toda cadeia de fornecimento sua parte de responsabilidade em razão do manejo e depósito dos resíduos e rejeitos, com vistas ao impacto ambiental que possam causar ao meio ambiente e à saúde humana. O que precisa é um processo contínuo de educação ambiental para o consumidor consciente buscar o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e a sustentabilidade, maximizando as consequências positivas deste ato, não só para si mesmo, mas também para as relações sociais, a economia e a natureza – repassar para o consumidor, por meio de políticas de conscientização, que com pequenos gestos realizados por um número muito grande de pessoas, pode-se promover grandes transformações. Acabar com os grandes depósitos de lixo que existem no Brasil, os chamados lixões, e promover o tratamento dos resíduos sólidos de forma adequada é o grande desafio do País e uma das prioridades da agenda ambiental.

Qual a importância do Instituto Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável – IBDS neste processo?

O IBDS participa como agente potencializador neste processo de implantação dos ditames da PNRS. Atuamos de forma sistêmica e incisiva nas ações de disseminação dos princípios norteadores do marco regulatório de resíduos sólidos. Estamos atentos ao que o mercado vem apresentando, olhando com preocupação para o consumo crescente mundial nos últimos 50 anos, em especial nas últimas três décadas. Dados indicam que para que o planeta consiga compensar ou reduzir o impacto do aumento do consumo sobre os recursos naturais, é necessário imprimir maior sustentabilidade em nossos padrões de organização, produção e promoção do bem-estar. A sustentabilidade depende de como vamos lidar com os resíduos sólidos (lixo reutilizável ou não). Temos o papel de orientar os municípios a acabar com os lixões e abandonar tecnologias de baixa eficiência na gestão de resíduos sólidos. É necessário que o setor produtivo proponha modelos de reciclagem abrangentes (cobrindo todo o território nacional) e eficientes, implementando a logística reversa completa.

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Manufatura reversa e uma metodologia para mensurar a redução de emissões por desmatamento

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imagesCAKH1OFGA manufatura reversa pode ser definida como a a ação de decomposição dos equipamentos mecânicos, eletroeletrônicos, etc. que foram manufaturados ou montados com vários materiais para a conclusão de um aparelho para uso nas diversas atividades do cotidiano, nas várias formas de aplicação à sua finalidade. A ação inversa da linha de montagem, a desmontagem possibilita que cada tipo de componente ou material utilizado anteriormente quando da inoperância ou obsolência do aparelho não seja descartado no lixo e possa ser encaminhado para reciclagem.

Ela está inserida na logística reversa, que é o caminho inverso dos aparelhos e equipamentos que por força da nova Política Nacional de Resíduos Sólidos determina que todo o produto fabricado e vendido pelas indústrias e o comércio é de responsabilidade do fabricante até sua destinação final. Em linguagem comum isso quer dizer do nascimento ao cemitário. Deverão retornar ao fabricante ou ter tratamento adequado para reaproveitamento/reciclagem depois que o consumidor não mais usar o aparelho devendo receber tratamento adequado ambientalmente correto no todo ou na maioria de suas partes possíveis de reciclagem.

Assim, ela tem o sentido contrário da fabricação, portanto cada parte de um aparelho é separada e identificada sendo colocada em um recipiente conforme seu tipo. O resultado é que a acumulação de determinado material deixa de ser uma peça qualquer e se transforma em uma matéria prima, ou que contenha conteúdo valorizável por algum processo, passando a ser uma commoditie com preço de mercado regulado inclusive em bolsas de valor. Pode ser um plástico em suas variadas composições, componentes metálicos, como parafusos, molas, contatos, além de celulose, emborrachados, vidros, madeiras, placas eletrônicas, peças e componentes reaproveitáveis.

Portanto basicamente, ela é o desmontar e separar as partes que compõem quaisquer aparelhos e sua seleção por tipo, de forma ordenada e técnica para que sejam reciclados. Assim economizamos matéria prima primária retirada da natureza. E uma vez processada a matéria prima sua reciclagem tem menor custo, possibilitando um novo ciclo economicamente viável e adequado a preservação ambiental. Deve operar como adequação ambiental, recuperação de valor e prestação de serviços diferenciados. A aplicação da atividade engloba novas formas de serem realizados, alcançando finalmente uma consciência mais clara do que é consumo responsável, destinação ambientalmente correta, pesquisa e educação.

Uma nova metodologia para quantificar a redução de emissões de projetos que reduzem o desmatamento não planejado pode ajudar a abrir o mercado de carbono para países e comunidades pobres na África, Ásia e América Latina, impulsionando a conservação das florestas e criando novos meios de subsistência. O desmatamento e a degradação florestal correspondem a aproximadamente 20% da emissão global de gases do efeito estufa – mais do que o setor de transporte do mundo inteiro, atrás apenas do setor de energia. Isto se deve principalmente pela expansão da agricultura, transformação de florestas em campos de pastagem, o desenvolvimento de obras de infraestrutura, e os efeitos destrutivos da exploração madeireira e incêndios florestais. Por isso é crucial focar em ações para a prevenção do desmatamento.

Esta nova metodologia – aprovada pelo Verified Carbon Standard (VCS) – permite aos projetos calcularem emissões evitadas por desmatamento tanto na borda (“de fronteira”) de grandes áreas, como por exemplo, em áreas agrícolas, quanto de maneira desigual (“mosaico”) dentro da floresta.

Um aspecto importante para finalizar a metodologia de “Desmatamento Não Planejado” foi a decisão de unir as duas metodologias que estavam sendo desenvolvidas separadamente pelo Banco Mundial e pela FAS, em conjunto com a Carbon Decisions International (CDI) e o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), com apoio financeiro da Marriott International. A fim de abordar uma série de cenários de desmatamento não planejado em países em desenvolvimento, esta nova metodologia preenche um nicho importante em comparação às demais metodologias de REDD.

“Unir a ‘metodologia de fronteira’ da FAS com a ‘metodologia de mosaico’ do Banco Mundial foi crucial para permitir o desenvolvimento de projetos de REDD tanto na Amazônia brasileira, como na África e na Indonésia”, comentou Virgílio Viana, superintendente-geral da FAS. “Esta metodologia quebrou o ‘paradigma norte-sul’, colocando o ‘sul’ como líder nas discussões de alto nível”.

“Esta metodologia irá finalmente gerar um arranjo para recompensar atividades inovadoras que reduzem o desmatamento pelo mundo enquanto promove a conservação de hábitats naturais, criando empregos sustentáveis e contribuindo para o bem-estar de comunidades locais”, disse Ellysar Baroudy, Fundo Biocarbon do Banco Mundial. “Um exemplo do impacto que esta metodologia terá em comunidades locais é o inovador mecanismo financeiro estabelecido no projeto Ankeniheny-Zahamena em Madagascar, para financiar a proteção de 370 mil hectares de reservas naturais através da venda de créditos de carbono pelo o Fundo BioCarbon do Banco Mundial”.

De acordo com Lucio Pedroni, da CDI, esta metodologia é um importante avanço para todo mundo que trabalha para reduzir o desmatamento em áreas tropicais por meio de sua abordagem robusta e amplamente aplicável. “Muitos desenvolvedores de projetos estavam esperando a aprovação desta metodologia, e finalmente eles poderão finalizar sua documentação e registrar seus projetos no VCS”, diz.

O secretário executivo do IDESAM, Mariano Cenamo, disse que a colaboração trouxe importantes benefícios para o diálogo sobre REDD. “A aprovação desta metodologia mostra que há um alto nível de conhecimento científico e técnico apoiando os projetos de REDD no mercado de carbono voluntário”, diz. Jeff Hayward, diretor do Rainforest Alliance, que junto com o Bureau Veritas Certification, foi responsável pelo processo de dupla validação da metodologia, disse: “Esta é uma metodologia inovadora de alta qualidade que permitirá a projetos de REDD estabelecerem linha de base crível e monitorarem as reduções de emissão”.

Victor Salviati da FAS destacou a importância dessa metodologia para o Brasil por tudo que as áreas tropicais, em particular, sofrem devido ao desmatamento não planejado. Para Gabriel Ribenboim, também da FAS, a metodologia representa um importante marco em um longo processo que começou como o projeto de REDD no Juma em 2008, e servirá como exemplo para projetos similares na Amazônia.

Enquanto os VCS atualmente têm nove metodologias no escopo de Agricultura, Floresta e Uso do Solo (AFOLU, em Inglês) – incluindo 3 metodologias relacionadas a projetos de REDD – esta metodologia é mais amplamente aplicável, abrindo a porta para um crescente número de projetos de REDD como por exemplo da África, a qual oportunamente será considerada nas discussões de REDD+ nas negociações da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudança do Clima na próxima Conferência das Partes a ser realizada em Durban, na África do Sul, em Dezembro de 2011.

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Central de reciclagem

A Made in Forest disponibilizou uma área destinada à reciclagem que abriga o maior número de organizações, pois podem ser encontradas informações de educação ambiental e pontos de descarte em todo o Brasil de quase 40 tipos de resíduos. Para ter acesso aos pontos, o cidadão ou a empresa seleciona o material desejado para reciclagem, acessa www.centraldareciclagem.com.br, clica no material que deseja descartar e digita sua cidade para conhecer os pontos de descarte do material. “O serviço é de utilidade pública, organizado e divulgado pela rede www.madeinforest.com, porém esta iniciativa precisa contar também com o apoio das empresas e dos Prefeitos para informar e educar a população sobre o correto descarte dos materiais”, afirma o sócio fundador da rede, Fabio Biolcati.

Neste espaço de reciclagem a empresa patrocinadora tem além da área de publicidade e serviço de informação à população uma área inédita de conteúdo em forma de artigos e vídeos que podem ser institucionais, produtos ou de eco educação sobre a reciclagem do material especifico, o banco de dados disponibiliza quase 40 tipos diferentes de materiais recicláveis. O objetivo da Made in Forest é integrar os organismos envolvidos com o meio ambiente em contato com a população, seu público consumidor e entre si, para que juntos possam buscar negócios, consumo sustentável e ajudar a identificar e fortalecer a economia verde do planeta, gerando assim empregos verdes, renda à população e municípios.