ABNT: Aproveitando o desconhecimento da sociedade e do poder público sobre a normalização no Brasil, a atual diretoria da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) continua a perpetrar seus mandos e desmandos

Nessa minha luta solitária contra os desmandos da atual diretoria da ABNT, formada pelo Pedro Buzatto Costa (muito conhecido pelo poder judiciário), presidente do Conselho Deliberativo, seu genro, Ricardo Fragoso, e Carlos Santos Amorim, eles contam com o total desconhecimento sobre a importância da normalização, tanto dos poderes executivo, judiciário e legislativo, além dos profissionais e dos consumidores, para perpetrar os seus descalabros nesses últimos 14 anos, se escondendo dentro de uma caixa preta que ninguém consegue abrir.

abnt_copyrightHayrton Rodrigues do Prado Filho, jornalista profissional registrado no Ministério do Trabalho e Previdência Social sob o nº 12.113 e no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo sob o nº 6.008

Tenho enviado diversos textos mostrando os desmandos e as inverdades espalhadas pela atual diretoria da ABNT no mercado e o que eu noto com as interações com os meus leitores é, muitas vezes, um desconhecimento sobre o mal que Pedro Buzatto Costa e seus diletos funcionários, com um corpo de advogados muito bem pagos, fazem ao Brasil.

Todos os brasileiros precisam entender que as normas são documentos estabelecidos por consenso, e aprovados por um organismo reconhecido, que fornecem, para um uso comum e repetitivo, regras, diretrizes ou características para atividades ou seus resultados, visando à obtenção de um grau ótimo de ordenação em um dado contexto. São parâmetros de civilidade, são padrões de uma economia de mercado que trabalha fundamentalmente com a promoção da qualidade de vida, que trabalha para prestigiar a dignidade humana e para garantir os direitos fundamentais dos cidadãos.

É a livre iniciativa, que transcende o lucro fácil, o lucro obtido pela baixa qualidade dos produtos que se oferecem à população, o desrespeito a normas mínimas de qualidade e segurança normalmente acaba financiando o que temos de pior na política e na economia, trazendo as piores práticas porque consagra o oportunismo, a esperteza, a cupidez.

A diretoria atual na ABNT, apenas visando lucro, ilegalmente, diz que as normas são voluntárias e pertencem à ABNT, reivindicando direito autoral sobre elas. Isso é lorota, pois elas existem na sociedade moderna, marcada pela impessoalidade, e sua existência é regulada pelo Estado brasileiro para garantir segurança, qualidade e alcance da finalidade de cada coisa.

Não há sentido jurídico em norma sem poder de coerção. Norma tem a ver com civilidade e progresso; tratamento igualitário. Garantir significa prevenir; significa preservar. O descumprimento da norma implica em: sanção; punição; perda; e gravame. As consequências do descumprimento vão desde indenização, no código civil, até processo por homicídio culposo ou doloso.

Quando se descumpre uma norma, assume-se, de imediato, um risco. Isso significa dizer que o risco foi assumido, ou seja, significa que se está consciente do resultado lesivo. A consciência do resultado lesivo implica uma conduta criminosa, passível de punição pelo código penal.

Inclusive a atual diretoria descumpre uma decisão da Justiça ao insistir que tem o direito autoral das normas técnicas. Basta ver em qualquer NBR: © ABNT 2016 Todos os direitos reservados. A menos que especificado de outro modo, nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida ou utilizada por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e microfilme, sem permissão por escrito da ABNT. Isso é mentira, pois já existem decisões judiciais: uma da Justiça Estadual de São Paulo e outra da Justiça Federal.

Assim, foi decidido que a divulgação e o uso das normas técnicas brasileiras por terceiros, que não os credenciados ou associados à ré, é legítima. Na verdade, é um absurdo o monopólio do uso das normas técnicas.

Todos os brasileiros precisam entender que os acidentes de consumo, desde que os produtos ou serviços não cumpram os princípios de fabricação de acordo com uma norma técnica, são de responsabilidade dos produtores, bastando o consumidor acionar os órgãos de defesa do consumidor, o Ministério Público ou diretamente a justiça. Quem não cumpre as normas técnicas está cometendo um ato ilegal, pode ser implicado em sanção, punição, perda e gravame.

E as consequências desse descumprimento vão desde indenização, no Código Civil, até um processo por homicídio culposo ou doloso. Ou seja, quando se descumpre uma norma técnica, assume-se, de imediato, um risco, o que significa dizer que o risco foi assumido ou seja se está consciente do resultado lesivo. A consciência do resultado lesivo implica em uma conduta criminosa, passível de punição pelo Código Penal.

Para entender o mal que a atual diretoria da ABNT está fazendo para o país, deve-se atentar onde se situa a ABNT no Estado brasileiro. A Lei nº 4.150, de 21 de novembro de 1962, diz em seu art. 4º: A partir do segundo ano de vigência desta lei, o Instituto de Resseguros do Brasil passará a considerar, na cobertura de riscos elementares, a observância das normas técnicas da “ABNT”, quanto a materiais, instalações e serviços de maneira e também concorrer para que se estabeleça na produção industrial o uso das “marcas de conformidade” da “ABNT”. No art. 5º: A “ABNT” é considerada como órgão de utilidade pública e, enquanto não visar lucros, aplicando integralmente na manutenção de sua administração, instalações, laboratórios e serviços, a renda que auferir, em seu favor se manterá, no Orçamento Geral da República, dotação não inferior a dez milhões de cruzeiros (Cr$10.000.000,00).

Essa é a posição institucional da ABNT (clique no link para ver onde se encaixa a ABNT no organograma do governo).

Os consumidores e os profissionais, que atuam no mercado brasileiro, necessitam entender, urgentemente, que o presidente da ABNT, Pedro Buzatto Costa, e seus diletos funcionários, além de seus bem pagos advogados, trazem um prejuízo imensurável para a sociedade como um todo. Se alguém quiser se proteger dos raios em qualquer lugar do país deve instalar um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA).

Para se ter o conhecimento sobre o assunto existe a série NBR 5419, parte 1, 2, 3 e 4, publicada em 2015. Porém, para manter a sua estrutura e todas as mordomias, a atual diretoria vende essas normas a (pasmem) 876 reais. Ou as pessoas compram ou vão ficar desprotegidas e podem tomar um raio na cabeça.

E o pior, além cobrar esse preço abusivo, eles enganam a sociedade tentando restringir o compartilhamento dessas normas ilegalmente alegando, como já dito anteriormente, direitos autorais inexistentes. Isso é travar a disseminação do conhecimento. Isso fere a Constituição brasileira.

Agora cabe uma pergunta: com qual a ABNT a sociedade quer ficar? A boa, a ética e a fundamental dos normalizadores, financiada pelas empresas e pela sociedade consumidora composta por mais de 15.000 pessoas ou profissionais que prestam um trabalho gratuito dentro dos Comitês Técnicos, correspondendo aos membros das comissões de estudo, coordenadores e secretários de reuniões, etc. Eles elaboram, com o seu trabalho voluntário, as normas técnicas brasileiras (NBR).

Ou com a ABNT de Pedro Buzatto Costa, com uma conduta altamente questionável, especificamente em relação a pagamentos de benefícios à direção da entidade, prática de nepotismo e alterações em estatuto para perpetuação de poder, com mais de 90 pessoas com trabalho remunerado, inclusive a sua atual diretoria e um corpo de advogados contratados a honorários desconhecidos. Essa trupe recebe os documentos normativos da ABNT dos normalizadores e formata esses documentos e carimba o número da norma. Somente na ABNT de Buzatto existe a diretoria executiva, a qual estabelece seus próprios salários e os custos da entidade.

O que os leitores acham de ser feito um abaixo assinado para que as normas técnicas brasileiras NBR sejam publicadas, na íntegra, no Diário Oficial da União (DOU)?

Se o leitor quiser entender melhor sobre o assunto, basta ler os artigos sobre os mandos e desmandos da atual diretoria da ABNT que eu escrevi.

Hayrton Rodrigues do Prado Filho é jornalista profissional, editor da revista digital Banas Qualidade, editor do blog https://qualidadeonline.wordpress.com/ e membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ)hayrton@hayrtonprado.jor.br

Otimismo na indústria

Luiz Gonzaga Bertelli

A crise econômica que de certa forma dilacerou boa parte do setor industrial começa a perder o fôlego. Os sinais de recuperação vão ficando mais nítidos e gerando confiança. Pelo menos é o que demonstra o estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que prevê a retomada do crescimento a partir do ano que vem.

Segundo o documento, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 1,7% em 2017; 2,5% em 2018; 2,8% em 2019; e ultrapassar os três pontos em 2020. Com a recuperação dos investimentos privados, o emprego também voltará a crescer.

Apesar do quadro otimista, a CNI faz um alerta: para dar conta da demanda do reaquecimento da economia, o Brasil terá de qualificar 13 milhões de jovens entre 2017 e 2020 para ocupações no setor industrial, incluindo pessoal de nível superior e técnico. De acordo com o estudo, as áreas de maior procura serão construção civil, com 3,8 milhões de vagas, seguidas de meio ambiente e produção (2,4 milhões), indústria metal mecânica (1,7 milhão); e alimentos (1,2 milhão).

Sempre que há retomada no crescimento, as empresas necessitam de mão de obra qualificada para dar vazão ao crescimento da produção. É por isso que o CIEE, já há algum tempo, vem alertando as corporações para a necessidade de abrir oportunidades para estagiários e aprendizes, com o objetivo de formar, dentro de sua cultura organizacional, os próprios talentos. Pois, no momento em que o crescimento econômico exigir maior desempenho das empresas, aquelas que contarem com capital humano mais preparados alcançarão resultados mais positivos.

O estágio, que pode ser realizado por estudantes dos ensinos médio, técnico, tecnológico e superior, é adequado para fortalecer a formação prática no campo profissional. O estudante também leva à empresa sua bagagem teórica e os novos estudos da área, desenvolvidos na academia.

A aprendizagem é importante para incluir e dar formação socioprofissional para jovens de 14 a 24 anos, capacitando-os para o mercado de trabalho com programas que unem a prática na empresa com o conteúdo teórico que o CIEE oferece por meio do programa Aprendiz Legal. As empresas que formarem seus próprios talentos estarão mais preparadas para enfrentar a competitividade que o desenvolvimento econômico costuma trazer para o mercado de trabalho.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).

O conhecimento sobre a Indicação Geográfica por meio da norma técnica

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O registro de Indicação Geográfica (IG) é conferido a produtos ou serviços que são característicos do seu local de origem, o que lhes atribui reputação, valor intrínseco e identidade própria, além de distingui-los em relação aos seus similares disponíveis no mercado. São produtos que apresentam uma qualidade única em função de recursos naturais como solo, vegetação, clima e saber fazer (know-how ou savoir-faire).

A NBR 16536 de 10/2016 – Indicação Geográfica – Orientações para estruturação de Indicação Geográfica para produto fornece orientações para a estruturação de Indicações Geográficas (IG) para produto, compreendendo a Indicação de Procedência e a Denominação de Origem, bem como a orientação para a elaboração dos documentos que podem subsidiar o pedido de reconhecimento formal da IG. A diversidade que o Brasil apresenta no seu território resulta na existência de muitos produtos que se diferenciaram por seu contexto cultural, histórico, social, ambiental e econômico, em função das regiões de produção.

Esta condição evidencia um grande potencial para o desenvolvimento de Indicações Geográficas (IG). Esta norma busca fornecer orientações para a estruturação de indicações geográficas para produtos aos diferentes públicos interessados. O processo de estruturação deve ser orientado para alcançar o reconhecimento formal de IG e consolidá-las, com ganhos socioeconômicos e a preservação da história e do “saber fazer” local, nas respectivas regiões, em benefício da sociedade brasileira.

O sucesso de uma potencial IG dependerá do esforço contínuo dos produtores organizados coletivamente, desde a etapa de diagnóstico da IG até e após o seu reconhecimento formal, bem como a sua gestão. O trabalho ao longo do tempo deve buscar a melhoria contínua da qualidade dos produtos, defesa da IG e sua valorização no mercado, com foco nos aspectos que diferencia estes dos demais produtos.

Esta norma apresenta orientações e boas práticas para a estruturação de uma IG de produto, podendo ser aplicada parcial ou totalmente. Indicação de procedência (IP) e denominação de origem (DO) são modalidades de Indicação Geográfica (IG). Em termos de direitos de propriedade industrial, elas são equivalentes, uma vez que não existe hierarquia ou ordem de importância entre elas.

Uma IG não é criada. A IG é o resultado da ação do homem, ao longo do tempo, em um determinado território. O reconhecimento formal da IG é feito com base em uma situação preexistente, relacionada ao produto e seu vínculo com determinado território, resultando em uma identidade.

O desenvolvimento de projetos estruturantes para a formalização do reconhecimento da IG tende a ser de médio a longo prazo, dependendo diretamente da atuação dos produtores e da internalização dos conceitos da IG no território. Preenchidos todos os critérios necessários, a potencial IG pode ser reconhecida formalmente como: IP, quando atender aos requisitos de enquadramento especificados para a IP; ou DO, quando atender aos requisitos de enquadramento especificados para a DO.

A estruturação de uma IG envolve as seguintes atividades: diagnóstico e orientações para a estruturação propriamente dita e para a apresentação do pedido de reconhecimento formal da IG no Brasil. Para a estruturação de uma IG, recomenda-se que seja realizado um diagnóstico do seu potencial.

Isso possibilita verificar se o instrumento de propriedade industrial da IG é adequado às condições locais e aos interesses dos atores envolvidos. Além disso, permite identificar os pontos fortes e os pontos fracos, bem como fornece elementos para orientar a estruturação da IG.

Convém verificar se a potencial IG atende aos requisitos necessários para apresentar o pedido de reconhecimento formal da IG, bem como identificar em qual modalidade a IG pode ser enquadrada (IP ou DO). É recomendado que o diagnóstico seja formulado visando compreender as especificidades de cada No caso da IP, convém que a análise do produto identifique as características que o tornaram conhecido no mercado como vinculado ao território específico.

No caso da DO, convém que a análise do produto identifique as qualidades e características influenciadas pelo meio geográfico. Convém que haja uma distinção entre o produto da potencial IG e os produtos da mesma categoria, que não sejam IG. Um exemplo desta distinção entre o produto da potencial IG e os produtos da mesma categoria é café do Norte Pioneiro do Paraná e cafés.

Tratando-se de produto da mesma categoria, convém considerar que áreas geográficas delimitadas podem sofrer interseção em área de IG reconhecida anteriormente. Neste caso, os produtos decorrentes deste espaço comum apresentam características particulares previstas no regulamento de uso de cada IG, para que não haja dúvida quanto à diferenciação dos produtos.

Isto pode ocorrer entre as diversas opções de combinação entre as modalidades de IG, como, por exemplo, IP e IP, IP e DO, bem como DO e DO. A interpretação do diagnóstico possibilita o entendimento da realidade da potencial IG. Recomenda-se concluir pela viabilidade ou não da estruturação da IG, com a interpretação das informações levantadas no diagnóstico.

São exemplos de resultados do diagnóstico e ações decorrentes: existe efetivo potencial para estruturação, desenvolvimento e consolidação de uma IG. Desta forma, convém que um projeto específico seja formulado para o processo de reconhecimento formal de uma IP ou de uma DO.

Existe potencial para a IG ser estruturada, porém é necessário que ações sejam previamente implementadas, conforme a necessidade apontada. Estas ações podem ser relativas à motivação, à organização dos produtores, à organização da produção para atendimento aos aspectos legais da produção, à infraestrutura, à melhoria da qualidade do produto, entre outros.

Não há potencial para estruturação, nem para o reconhecimento formal de uma IG. Convém avaliar outras estratégias de propriedade industrial, coletivas ou individuais, para a valorização do produto. É recomendado que a área geográfica da potencial IG estabeleça, com precisão, os limites geográficos nos quais existam as condições que possibilitam a elaboração, a transformação, a extração, a produção ou a fabricação do produto, mantendo as suas características diferenciais.

Convém que a delimitação da área geográfica seja apresentada de forma georrefenciada. Convém considerar o uso da base cartográfica do órgão oficial de cartografia. Convém que a delimitação contemple a área onde está localizada a produção dos produtos da potencial IG.

No caso em que as características ambientais peculiares sejam determinantes para assegurar a relação do produto com a origem, recomenda-se que a área geográfica delimitada seja homogênea. Convém indicar se a área geográfica delimitada se limita às zonas associadas aos tipos de solo, de clima ou de relevo específicos. É recomendada a elaboração de uma cartografia digital da área geográfica, em um sistema de informação geográfica (SIG), em escala apropriada que permita saber com precisão os limites geográficos, no qual estarão também indicadas as coordenadas geográficas dos limites.

O Instituto Nacional de Propriedade Industrial(INPI) é a instituição que concede o registro e emite o certificado. Existem duas espécies ou modalidades de Indicação Geográfica: Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO). No Brasil, as Indicações Geográficas, registradas até 21 de julho de 2016 estão no quadro abaixo.

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58,2% das rodovias brasileiras apresentam algum tipo de problema

Uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) constatou que, dos 103.259 km analisados, 58,2% apresentam algum tipo de problema no estado geral, cuja avaliação considera as condições do pavimento, da sinalização e da geometria da via. Em relação ao pavimento, 48,3% dos trechos avaliados receberam classificação regular, ruim ou péssimo. Na sinalização, 51,7% das rodovias apresentaram algum tipo de deficiência. Na variável geometria da via foram constadas falhas em 77,9% da extensão pesquisada.

De 2015 para 2016, houve aumento de 26,6% no número de pontos críticos (trechos com buracos grandes, quedas de barreiras, pontes caídas e erosões), passando de 327 para 414. De acordo com a pesquisa, somente os problemas no pavimento geram um aumento médio de 24,9% no custo operacional do transporte.

O estudo da CNT e do SEST SENAT abrangeu toda a extensão da malha pavimentada federal e as principais rodovias estaduais pavimentadas. A má qualidade das rodovias é reflexo de um histórico de baixos investimentos no setor.

Em 2015, o investimento federal em infraestrutura de transporte em todos os modais foi de apenas 0,19% do PIB (Produto Interno Bruto). O valor investido em rodovias (R$ 5,95 bilhões) foi quase a metade do que o país gastou com acidentes apenas na malha federal (R$ 11,15 bilhões) em 2015. Já em 2016, até setembro, dos R$ 6,55 bilhões autorizados para investimento em infraestrutura rodoviária, R$ 6,34 bilhões foram pagos.

“Essa distorção nos gastos públicos tem causado graves prejuízos à sociedade brasileira, desde o desestímulo ao capital produtivo, passando pelas dificuldades de escoamento da produção até a perda de milhares de vidas”, avalia o presidente da CNT, Clésio Andrade. A CNT calcula que, para adequar a malha rodoviária brasileira, com obras de duplicação, construção, restauração e solução de pontos críticos, seriam necessários investimentos de R$ 292,54 bilhões.

A etapa de coleta da Pesquisa CNT de Rodovias 2016 durou 30 dias (de 4 de julho a 2 de agosto). Os resultados são apresentados por tipo de gestão (pública e concessionada), por jurisdição (federal e estadual), por região e por unidade da Federação. O estudo avalia também os corredores rodoviários, que unem dois ou mais polos de atração econômica com denso fluxo de tráfego de veículos; apresenta análises socioeconômica e ambiental e traz o ranking de qualidade de 109 ligações rodoviárias pesquisadas. Há ainda informações sobre infraestrutura de apoio e resultados por rodovia.

De acordo com Clésio Andrade, “os dados indicam a necessidade de fortes investimentos na infraestrutura de transporte e logística, de priorização de projetos e de modernização da infraestrutura rodoviária”. Ele avalia que o estudo se consolidou como relevante instrumento gerencial para os transportadores, assim como referência para o planejamento de investimentos públicos e privados em todo o país.

É importante ressaltar que a CNT acredita nesse governo, que tem demonstrado preocupação com interesses em investimento na infraestrutura de transporte e logística. Nesse momento que o Brasil vive hoje, com o enfraquecimento das questões ideológicas e o pragmatismo do novo governo, a CNT, ciente do seu papel, tem trabalhado em seus escritórios na China e na Alemanha com o objetivo de m mostrar as potencialidades do Brasil e atrair investimentos necessários para a melhoria da infraestrutura brasileira.

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rodovias

A quem deve a iniciativa pela melhoria

Clicando aqui é possível ter conhecimento dos Projetos de Normas Brasileiras e Mercosul, disponíveis para Consulta Nacional. Selecione o Comitê Técnico desejado e clique sobre o código ou título para consultar e votar.

Várias áreas podem iniciar projetos de melhoria, cada qual com uma contribuição específica. É preciso aproveitar esse potencial e ampliar a origem da iniciativa.

Claudemir Oribe

A resolução sistemática de problemas, como muitas outras atividades organizacionais, não nasce por si só. Talvez as pessoas sejam otimistas demais na eficácia daquilo em que trabalham, e não consideram ter que resolver algum problema. Talvez ainda, não tenham percebido os benefícios dessa atividade no próprio desenvolvimento profissional. Enfim, resolver problemas é algo que precisa ser fomentado e incentivado.

O interessante é que, embora os problemas estejam em todos os lugares, a criação de um movimento para resolvê-los não acontece devido à falta de iniciativa de um patrocinador. Dessa forma, os problemas não são resolvidos mesmo existindo recursos metodológicos poderosos, como é o caso do MASP.

A origem desse movimento pode acontecer de diversas maneiras. No entanto, algumas áreas e funções, talvez não estejam conscientes de que podem ter um papel mais proativo no na melhoria e, consequentemente, no desenvolvimento organizacional. E cada área, tem uma contribuição específica que possibilita um resultado com um viés específico.

A função ou área mais evidente para fomento da melhoria é, sem dúvida, a Gestão da Qualidade. Como normalmente ela conhece os problemas é fácil determinar aquelas que são mais prioritárias. A promoção de melhorias pertence naturalmente a essa área, que tem responsabilidade de designar os alvos de ação, treinar as pessoas e definir as estratégias corretas para cada tipo de problema. Entretanto, ela não é capaz de fazer nada sem apoio da liderança.

A gerência, e mesmo a alta direção, pode também determinar esforços especiais para melhoria, sobretudo para os problemas crônicos, sistêmicos e complexos, que são os alvos típicos do MASP. Quando os líderes conhecem a metodologia que envolve a melhoria da qualidade isso facilita a decisão para que recursos sejam mobilizados com esse propósito. Dessa forma, a decisão gerencial é fundamental, também para incentivar e motivar as pessoas e equipes para vencer os obstáculos.

Ainda que a participação ou, no mínimo, a aprovação da liderança seja fundamental, a iniciativa pela melhoria da qualidade não é exclusiva desse grupo. Na verdade a gestão de custos, normalmente feita pela área de Controladoria, também poderia tomar a iniciativa de provocar mudanças no sentido de reduzir perdas e custos desnecessários. Mesmo que não tenha responsabilidade direta pelos processos, a controladoria pode negociar com a alta liderança, como quem possui acesso direto, para que investimentos em treinamento e dedicação em projetos de resolução de problemas sejam empreendidos.

A visão dos custos de não conformidade pode facilitar a aprovação desses recursos, pois quase sempre eles são ínfimos em relação às enormes perdas provocadas pelos problemas e pela falta de qualidade e produtividade. Dessa forma, a Controladoria pode sugerir, e até conduzir, processos de redução de perdas pois conseguirá de forma muito precisa, auferir os resultados desses trabalhos.

Outra área que poderia provocar reações de melhoria são aquelas relacionadas aos serviços pós-venda. Como todos os problemas avançam pelos processos e acabam inevitavelmente estourando lá, o pós-venda possui informação de sobra, como dados e casos ilustrativos para não apenas ilustrar, mas para motivar uma mobilização que realmente impactam os clientes. Essa talvez seja uma das principais vantagens do pós-venda na proposição de melhorias: trazer a voz do cliente para dentro da empresa e indicar alvos com potencial de aumentar a satisfação.

Como estratégia de desenvolvimento de pessoas, o RH também pode propor e fomentar a criação de times de melhoria, com o propósito maior de aproveitar o potencial humano e criar um ambiente propício à criatividade e inovação. Dessa forma, a questão da melhoria da qualidade se torna até secundária diante do aprendizado e da motivação obtido pela cooperação e pelo uso de ferramentas analíticas de resolução de problemas. As competências serão desenvolvidas continuamente, com potencial de melhorar o desempenho e o comprometimento. Devido á esses motivos, o RH pode e deve ter um papel mais ativo no fomento de projetos de melhoria pelo seu potencial de aumento do capital humano.

Finalmente, resta ainda mais um ator organizacional com potencial de provocar mudanças: os próprios empregados. Infelizmente, temos visto uma postura mais reativa das pessoas no sentido de aprender e se arriscar na tentativa de resolver problemas mais desafiadores. Isso é realmente uma pena, pois as oportunidades existem e são enormes, podendo distinguir aqueles com iniciativas com potencial de obtenção de resultados organizacionais.

Sem dúvida, aqueles que enfrentam essas dificuldades irão se destacar no ambiente e mostrar que são merecedores das melhores oportunidades. Para isso é preciso apenas iniciativa e o resto acontece naturalmente. Pois como afirmou o poeta Victor Hugo, a iniciativa é fazermos o que está certo, sem ser preciso que alguém nos diga para fazermos tal.

Referências

ORIBE, Claudemir Y. Quem Resolve Problemas Aprende? A contribuição do método de análise e solução de problemas para a aprendizagem organizacional. Belo Horizonte, 2008. Dissertação (Mestre em Administração). Programa de Pós-Graduação em Administração da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Claudemir Oribe é mestre em administração, consultor e instrutor de MASP, ferramentas da qualidade e gestão de T&D – claudemir@qualypro.com.br

O prédio da sede da ABNT é hipotecado judicialmente por condenação de pirataria de software

Tentando responder a um texto que escrevi (Atual diretoria da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) expõe seus clientes a riscos jurídicos por venda e uso de software pirata), a diretoria da ABNT sugere que Juízes e Desembargadores mentem e caluniam em suas decisões judiciais. Desmerecer e caluniar quem escreve verdades são técnicas muito antigas e usadas pelos regimes ditatoriais e virou moda nos dias atuais para desmerecer investigações como a Lava Jato e outras denúncias que pipocam na imprensa.

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Hayrton Rodrigues do Prado Filho, jornalista profissional registrado no Ministério do Trabalho e Previdência Social sob o nº 12.113 e no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo sob o nº 6.008

Em um comunicado de esclarecimento, a diretoria atual da ABNT, formada por Pedro Buzatto Costa (muito conhecido pelo poder judiciário), presidente do Conselho Deliberativo, seu genro, Ricardo Fragoso, e Carlos Santos Amorim, tenta contestar a verdade por calúnia e difamação. É muito estranho eles tentarem contestar uma série de informações que estão em decisões judiciais. Será que eles querem dizer que os juízes e os desembargadores estão mentindo ou caluniando?

Será que eles acham que têm o poder e podem estar acima dos limites da lei e da justiça? Uma entidade tão importante para a normalização brasileira como a ABNT precisa respeitar os direitos fundamentais dos cidadãos e a Justiça.

Para reforçar o grave crime que a atual diretoria perpetrou, já que a ABNT perdeu o processo em segunda instância em acórdão de pirataria de software, pesquisei no 2º Cartório Oficial de Registro de Imóveis da Capital sobre a atual sede da ABNT no centro de São Paulo. Consta lá uma hipoteca judiciária, no livro 2 Registro Geral, matrícula 49.190, ficha 04, de 08 de junho de 2016: “Nos termos em que dispõe os parágrafos 1º e 2º do artigo 495 da Lei nº 13.105/2015, e à vista da sentença proferida em 31 de maio de 2010, pelo Doutor Cesar Santos Peixoto, M. Juiz de Direito da 26ª Vara Cível da Capital, nos autos do processo nº 583.00.2006.142175-2 – Ordem 633,… contra a Associação de Normas Técnicas (ABNT) … é feito o presente registro de hipoteca judiciária sobre o imóvel desta matrícula, de propriedade da ré, em garantia do cumprimento da sentença, onde a mesma foi condenada ao pagamento da multa no valor de R$ 1.000.000,00”. Vale ressaltar que o referido valor atualizado ultrapassa o valor de R$ 6.000.000,00.

Inclusive a compra desse prédio ainda é muito nebulosa e, por mais que se insista, não há respostas por parte da diretoria. Informações dão conta de que alguns milhões de reais estão envolvidos, além de uma ampla reforma de dois anos, tudo pago pela venda de normas com preço altamente excessivos. O fato de o famoso coronel, presidente da ABNT, ter resolvido uma dívida pessoal de quase 1 milhão de reais de uma ação que ele está envolvido, exatamente nesse período, é uma mera coincidência.

Minha insistência em obter respostas da atual diretoria da ABNT diz respeito à saúde da normalização técnica brasileira, a qual está indo de mal a pior. A atual gestão, há mais de 13 anos no poder da ABNT, conseguiu diminuir o número de normas brasileiras vigentes em mais de 13%, o que em números seriam mais de 1.300 normas NBR que deixaram de existir e não foram substituídas. Isso é um desastre para a competitividade brasileira.

Seria importante dizer que há mais de um ano venho tentando ouvir dessa atual diretoria da ABNT algumas questões fundamentais para o processo de normalização no Brasil e não obtive sucesso. A sociedade brasileira, por meio de seus representantes legais e constituídos, tem o direito de saber:

– Como pode ser feita uma análise detalhada dos números da entidade, o balanço, a demonstração do resultado do exercício (DRE)?;

– Quais são os custos gastos nos processos de feitura das normas técnicas?;

– A ABNT paga algum valor aos membros das comissões de estudo que efetivamente elaboram as normas técnicas?;

– Quais são os poderes e salários dos diretores estatutários da ABNT? Atualmente eles têm poder de decisão?;

– O presidente do Conselho Deliberativo da ABNT outorga poderes extraordinários à diretoria da ABNT? Quais são esses poderes?;

– Há pagamentos de despesas pessoais dos diretores pela ABNT? Se sim, como são feitas essas prestações de contas?;

– Quais foram os investimentos feitos nos Comitês Técnicos em 2014, 2015 e 2016?;

– Quais são os custos com salários dos funcionários?;

– Considerando que ao longo de mais de 60 anos o presidente da ABNT sempre teve um mandato de dois anos, com a possibilidade de uma reeleição, por que o estatuto foi alterado, pela atual gestão da ABNT, na década passada, para alterar essa regra e permitir reeleição eterna do presidente?;

– Considerando que desde que a ABNT foi reconhecida como entidade de utilidade pública até antes da atual gestão da entidade as normas técnicas brasileiras eram vendidas pela ABNT por preço referente, exclusivamente, ao reembolso do custo da cópia reprográfica do conteúdo da norma, por que a atual gestão da ABNT alterou esse método e cobra preços muito acima desse custo?;

– A ABNT cobra royalties sobre direito autoral das normas técnicas? A ABNT obtém lucros nas vendas das normas técnicas?;

– A ABNT ainda é uma instituição de utilidade pública? Se sim, por que não presta conta do seu faturamento e de suas despesas à sociedade, descumprindo a lei?;

– Considerando o Código de Defesa do Consumidor, a atual diretoria da ABNT concorda que as normas técnicas brasileiras são de observância obrigatória em relação aos direitos do consumidor de produtos e serviços oferecidos no Brasil?

Uma instituição, considerada pelo Estado brasileiro como de utilidade pública, se fosse séria, responderia a essas questões para o povo brasileiro. Esse seria um procedimento correto e de acordo com os novos ventos que estão soprando no Brasil.

A nossa luta é passar a ABNT a limpo. Com a palavra os membros do Conselho Deliberativo da ABNT, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça.

Hayrton Rodrigues do Prado Filho é jornalista profissional, editor da revista digital Banas Qualidade, editor do blog https://qualidadeonline.wordpress.com/ e membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ)hayrton@hayrtonprado.jor.br

Cristo e o poder da motivação

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Ernesto Berg

Qual o significado da palavra motivação? O vocábulo já se autodefine: motivo + ação, isto é, um motivo que leve à ação. Terá, entretanto, que ser um motivo forte, ou não haverá interesse nem empenho suficiente para agir. A pessoa tem que estar interessada em pagar o preço pelo resultado final, preço este que pode ser um grande esforço, uma contínua perseverança, talvez um alto valor em dinheiro. Os verdadeiros empreendedores conhecem bem essa atitude motivacional, pois frequentemente arriscam tudo o que têm por aquilo em que acreditam, porque têm fé no resultado final – não me refiro aos riscos que corre uma pessoa inconsequente e imatura.

A fonte da motivação

Cristo afirma: “Tende bom ânimo, eu venci o mundo.” João 16.33. Em outras palavras: “Motivem-se, alegrem-se, eu superei as dificuldades e problemas do mundo, venci as circunstâncias e aparências do mundo.” Cristo dá a fórmula para superar as dificuldades: “Portanto vos digo: não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis… Buscai antes o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.” Mateus 6.25 e 33.

Devemos buscar motivação e ânimo na dimensão celestial, pois no plano em que estamos as coisas habitualmente têm aparência de dificuldades e obstáculos. O reino de Deus é o domínio do perfeito e do completo. É lá que as coisas acontecem.

A propósito, quando você levanta pela manhã e olha-se no espelho, gosta do que vê? Como está sua fisionomia? Sorridente, alegre, tranquila? Ou talvez taciturna, sombria, preocupada? A sua motivação está “em alta”, ou com sabor de desencanto e aborrecimento? A sua atitude e aparência matinal dizem muito do seu real estado de espírito. “Sendo, pois, o teu olho simples (bom, puro), também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau (sombrio, preocupado), também todo o teu corpo será tenebroso”, afirma Jesus. (Lucas 11.34). O olho aqui é visto como a lente da alma e reflete orientação da vida interior que professamos. Está associado aos princípios e valores de vida que cada um manifesta em sua vida, molas propulsoras da motivação e do entusiasmo. A palavra entusiasmo vem do grego “enteos” e significa literalmente “Deus dentro de si”, isto é, vigor e benção do Senhor habitando em nós.

A lei da semeadura

“Tudo o que o homem semear, isso também ceifará (colherá)”, afirma o apóstolo Paulo. (Gálatas 6.7b). Então pergunte-se: “O que eu tenho semeado em minha vida e agora estou colhendo?” A resposta está no tipo e na qualidade de vida que leva agora. É só olhar para si mesmo. Está hoje melhor do que há cinco ou dez anos? Em que área está melhor? Financeira, conjugal, profissional, psicológica, na saúde? A melhor resposta seria dizer que está melhor em todas as áreas e não apenas em uma ou duas delas.

Mas, pode ser que esteja pior do que há alguns anos, e isto é bem mais problemático. Então, novamente, o que tem plantado? “Porque semearam ventos, segarão (colherão) tormentas, (Oséias 8.7a) ou, na linguagem popular: Quem semeia ventos colhe tempestades”.

Pergunta n° 1: O que leva a cada um de nós viver do jeito que vivemos?

Resposta: Nossos interesses e motivações.

Pergunta n° 2: O que motiva mais do que tudo ao ser humano?

Resposta: A busca da felicidade e da segurança. Para uns felicidade e segurança significa dinheiro, para outros um bom emprego, para outros ter paz de espírito, ou ter saúde, viajar etc.

Já se perguntou o que realmente o motiva na vida? Cristo conhecia bem o poder da motivação, por isso mesmo afirmou: “Porque onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.” Lucas 12.34. Aquilo a que você der o maior valor (o tesouro), aquilo também o motivará, fará você lutar (o coração).

A propósito, como você usa ou gasta o dinheiro que ganha? Como você gasta e onde você gasta o seu dinheiro diz muito sobre você mesmo, sobre seus valores e princípios. Pessoas há que não sabem utilizar o dinheiro com sabedoria. Quanto mais ganham mais investem em sua infelicidade, pois semeiam com ele problemas e infortúnios em vez de transformá-lo em bênçãos para si e para os outros.

Hábitos

Muito do que temos, pensamos ou fazemos hoje, é resultado de comportamentos e atitudes que adotamos repetida e prolongadamente durante muitos anos, até tornarem-se hábitos. Passam, então, a agregar-se à nossa natureza, e nos referimos a esses comportamentos como parte integrante de nós mesmos. Nós e os hábitos passamos a ser um só.

Entretanto, é bom lembrar que eles não nasceram conosco, foram adicionados, acrescentados. Se forem bons hábitos seremos bem-sucedidos, mas se forem maus hábitos, poderemos  atrair  muitos  problemas. Diz a sabedoria oriental: “Cultive um comportamento e terás um hábito; cultive um hábito e terás um resultado; cultive um resultado e decretarás a tua vida.”

Pensar com pessimismo, ou pensar com otimismo tornam-se hábitos, como quaisquer outros. Então seja otimista! Ter medo de agir, ou ter coragem de agir, tornam-se hábitos como quaisquer outros. Então aja com coragem! Fracassar continuamente, ou ter sucesso continuamente, tornam-se hábitos, como quaisquer outros. Logo, acredite no sucesso! Ser infeliz, ou ser feliz, tornam-se hábitos como quaisquer outros. Então, seja feliz! Sorrir, ou não sorrir, tornam-se hábitos como quaisquer outros. Sorria!

O alimento da nossa mente

Cristo alertou-nos sobre aquilo que pomos em nosso coração (mente) é, também, o que dele retiramos (Mateus 12.35). Vale uma pergunta: “Que tipo de tesouro você tem cultivado? O que está colocando em sua mente? Com que raciocínios convive? Quem são as pessoas e situações que continuam alimentando esses raciocínios? Pergunte-se: “O que posso e devo fazer para romper com os maus hábitos?”

Novamente Jesus: “Porque da abundância do seu coração fala a boca.” Lucas 6.45.b. Isto é, do que está cheio o seu coração e a sua mente, disso você irá falar o tempo todo. Então preste atenção nos assuntos sobre os quais conversa com as pessoas e saberá o recheio e conteúdo dos seus pensamentos. “Porque por tuas palavras serás justificado (absolvido) e por tuas palavras serás condenado (derrotado). Lucas 12.37.”

As palavras têm poder

As palavras literalmente materializam coisas, pois expressam emoções, sentimentos, aspirações e desejos que, cedo ou tarde, acabam ocorrendo na nossa vida. Basta perseverar nas afirmações e acreditar nelas que elas acabam corporificando. É só uma questão de tempo.

Motivação por afastamento ou por aproximação?
“Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.” 1 João 5.4. A fé de cada um é do tamanho de sua motivação, de sua coragem em agir e realizar. A fé vem de ouvir e acreditar na Palavra. (Romanos 10.17)

Existem dois tipos de motivação: por afastamento e por aproximação. O primeiro tipo, por afastamento, ocorre quando a motivação é negativa, em vez de positiva. Exemplo: o indivíduo que vai trabalhar, não porque gosta do serviço, mas porque precisa do dinheiro que o emprego propicia. Ele quer afastar as agruras do desemprego e da falta de dinheiro. Outro exemplo, a pessoa que frequenta a igreja por medo de ir para o inferno, e não porque ama a Deus. Ele quer afastar Satanás de sua vida, mas pouco faz para se aproximar de Jesus. Mais um exemplo, o indivíduo que se casa ou amasia não por amor, mas por medo da solidão ou de lhe faltarem recursos financeiros.

Nestes exemplos as pessoas estão tentando afastar-se do desemprego, da insegurança, do inferno, da solidão, da humilhação etc. e assim agarram-se ao que tem, ou pensam ter. Aqui não há felicidade apenas busca de algum tipo de preservação e segurança. São indivíduos buscadores de segurança e de proteção. Infelizmente este tipo de motivação é o que predomina na maioria das pessoas. Não procuram, nem lutam por algo novo, apenas grudam-se ao que já possuem, ao que é velho, e vivem acomodadas numa caixa de fósforo.

O segundo tipo de motivação é por aproximação. Ocorre com as pessoas que perseguem seus ideais e sonhos, correm atrás daquilo que as fazem crescer e desenvolver seu potencial espiritual, mental e físico. Elas se aproximam de coisas positivas e construtivas e não fogem dos desafios quando surgem. São buscadoras de realização e de desafios, querem aprender e auxiliar sempre mais. São líderes e deixam sua marca por onde passam. As pessoas do primeiro tipo – afastamento -, entram em campo para se defender e não perder. O empate para eles já está ótimo. As do segundo tipo – aproximação -, entram em campo para ganhar e fazer acontecer. Em qual tipo você se enquadra? Cristo joga no time aproximação, do qual é líder e capitão.

Dize-me com quem andas…

Com que tipo de pessoas você tem andado? Quais são os ideais delas, seus objetivos de vida, suas missões? “Aves iguais voam à mesma altura”, diz o ditado. Já se perguntou com que tipo de aves você tem voado? São águias e condores, ou são sabiás, pombinhas, ou, mesmo, urubus (o que é pior ainda).

Brian Tracy, um dos cinco maiores consultores norte-americanos em marketing, vendas e motivação, diz que você é exatamente igual aos seus três ou quatro amigos mais íntimos. Porque cada qual procura pessoas que são iguais a elas. Se esses amigos íntimos forem vencedores, positivos, atuantes, então você também é um vencedor. Se esses amigos mais chegados forem do tipo “mais ou menos”, então você é igualzinho a eles. Mas, se forem fracassados, negativos, vivem queixando-se, neste caso, você faz parte do time dos derrotados. Então faça agora a pergunta mágica: “De qual dos três times eu faço parte?” Você sabe, com certeza, a resposta.

Mas a boa notícia é que podemos facilmente fazer parte do time dos vencedores. Paulo afirmou: “Posso tudo naquele (Cristo Jesus) que me fortalece.” Filipenses 4.13

A essência disso é que Jesus veio, e nele o domínio de Deus alterou as fronteiras impostas aos indivíduos. Paulo assegura que os que andam com Cristo são mais do que vencedores, isto é, supervitoriosos, pois conquistam mais do que uma vitória comum. Não se trata de uma linguagem conceitual, mas de plena confiança em alcançar vitórias abundantes. O que temos então a fazer é andar com Cristo e incluí-lo no nosso círculo de amizades mais íntimas, dando-lhe a total primazia.

Ernesto Berg é consultor de empresas, professor, palestrante, articulista, autor de 15 livros, especialista em desenvolvimento organizacional, negociação, gestão do tempo, criatividade na tomada de decisão, administração de conflitos – berg@quebrandobarreiras.com.br

Conheça mais sobre o controle da temperatura

Vídeos das palestras

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Assista aos vídeos do Seminário ABQ Qualidade Século XXI – Qualidade no Brasil: Lições a aprender, promovido pela Academia Brasileira de Qualidade (ABQ): http://www.abqualidade.org.br/Eventos/home.php?videos-abq

Cristiano Bertulucci Silveira

O controle de temperatura aplicado na indústria é uma das tecnologias essenciais na fabricação adequada de produtos pois em um processo de fabricação, se a temperatura variar muito acima ou abaixo da faixa ideal necessária para uma determinada fase de um processo de fabricação, os resultados podem ser revestimentos danificados, adesão inadequada, material enfraquecido ou um componente comprometido. Por este motivo, torna-se cada vez mais importante que o fabricante não apenas determine a temperatura adequada para cada etapa de produção, mas também monitore a temperatura dentro deste processo.

Os controladores de temperatura nas operações de fabricação cumprem a seguinte função: São responsáveis por garantir que a etapa do processo opere dentro dos padrões, medindo a temperatura constantemente e comparando e corrigindo com a temperatura especificada (programadas internamente) no controlador. Como resultado, os fabricantes podem descobrir problemas relacionados com a temperatura mais rapidamente e tratá-los quando necessário. Existem três tipos gerais de controles de temperatura que são aplicados durante os processos de fabricação: controle de temperatura ON-OFF, Proporcional e PID.

O controle de temperatura ON/OFF é o mais barato de todos os tipos de controle e também o mais simples em termos de funcionamento pois o seu controle é apenas ligar ou desligar. Por exemplo, no caso de uma temperatura medida ficar abaixo de um certo ponto, os sinais de controle são enviados para a máquina ligar um resistência de forma com que a temperatura se eleve. Da mesma forma, se a temperatura ultrapassar um determinado ponto, o controle de temperatura é acionado para desligar a resistência ou ligar um sistema de resfriamento a fim de baixar esta temperatura.

controle de temperatura on off

Um outro exemplo comum de controle ON/OFF é um termostato doméstico de uma geladeira por exemplo. Quando a temperatura cai abaixo de um certo ponto, o controlador aciona o motor da geladeira para diminuir a temperatura e fazer com que ela volte ao valor programado. Com o ar condicionado funciona da mesma maneira: se a temperatura sobe passando um certo ponto, o controlador aciona o ar-condicionado, fazendo com que a temperatura volte ao estado que foi programada. Controles ON/OFF são freqüentemente usados em processos onde a mudança de temperatura é muito lenta e o controle de temperatura não é necessário.

Ao contrário do controle de temperatura ON/OFF, que só atua quando um limite ajustado é atingido, os controles proporcionais são projetados para responder à mudança de temperatura antes que ela saia da faixa desejada. Essencialmente, os controles proporcionais aumentam ou diminuem a fonte de energia à medida que a temperatura atinge seu limite superior, inferior ou Setpoint, o que retarda ou acelera o aquecimento e ajuda a estabilizar a temperatura.

controle-de-temperatura-proporcional-1

Pela Figura 2, podemos ver que a uma variação no tempo do disparo de um rele ou um Triac pode resultar em uma porcentagem da carga em relação a original na saída. Veja que ligando a saída por 5 segundos e deixando ela desligada por mais 15 segundos até ligar ela novamente, fazemos com que o sistema dose a energia de forma com que a carga na saída se mantenha a 25% da energia que poderia vir da carga e existir ali. Veja abaixo outro exemplo em que aumentamos o tempo ligado para 12 segundos e o tempo desligado para 8 segundos. Agora temos uma carga na saída 60% da carga nominal.

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O tempo de ciclo deve ser curto o suficiente para permitir que a massa térmica da carga suavize os pulsos de comutação e neste exemplo utilizamos um ciclo de 20 segundos. Deve-se atentar que alguns sistemas podem necessitar de tempos de ciclo mais curtos do que os que suportados por um relé por exemplo. Nesses casos, um relé de estado sólido é tipicamente usado com tempos de ciclo de até 0,2 segundos.

Na prática, o tempo de ciclo pode não ser uma constante, podendo variar com a demanda da potência. A seguir você pode ver uma animação e entender como variando a largura dos pulsos, podemos dosar a energia e qual o resultado produzido em um diodo (mais ou menos energia para produzir luz):

inversor de frequencia pwm

O controle de temperatura PID combina os chamados controle proporcional com o controle integral e derivativo (PID). Assim, ele permite que o sistema opere dentro de uma banda proporcional da mesma forma que um controle proporcional faz mas com duas características adicionadas que melhoram a regulação global da temperatura. O recurso proporcional permite que o controle reaja às circunstâncias atuais e ajuste adequadamente. Já valor integral leva em consideração a soma de eventos recentes (ou seja, ritmos de controle proporcional passados) e o valor derivado por sua vez determina a reação apropriada com base na taxa com a qual os ritmos passados estão mudando. Combinados, os três usam dados atuais, dados passados e a taxa na qual os dados estão mudando para definir um algoritmo específico de controle de temperatura compensando assim, o erro de temperatura entre a variável de processo e o ponto de ajuste, mantendo uma temperatura constante.

controle-de-temperatura-pid

Em termos simples, PID significa:

P para Proporcional
I para Integral
D para Deirivativo

Ao decidir qual o tipo de controle é melhor para um processo específico, há várias coisas que devemos ter em mente. Em primeiro lugar, considere o tipo de sensor de entrada (termopar ou RTD) e o intervalo de temperatura que o seu processo exige. Em segundo lugar, considere a forma que a saída deve ser associada: relé eletromecânico, SSR ou saída analógica. Em terceiro lugar, decida que tipo de algoritmo de controle é necessário (on/off, proporcional ou PID). Por fim, considere o número e o tipo de saídas necessárias para a aplicação, como calor, resfriamento, alarme e limite. Uma vez que estes fatores foram determinados, será muito mais fácil determinar que tipo de controlador de temperatura é adequado para uma aplicação específica.

O controlador de temperatura é necessário em qualquer situação onde é desejado manter a temperatura estável e controlada. Isto pode ser uma situação onde deseja-se manter objetos quentes ou resfriados e que esta temperatura esteja igual a temperatura alvo (setpoint), independente de mudanças no ambiente. Neste contexto, existem dois tipos fundamentais de controlador de temperatura: o de controle em malha aberta e o de controle em malha fechada sendo que o de controle em malha aberta é a aplicação mais básica de controle de temperatura e nesta aplicação a temperatura real do objeto não é levada em consideração.

controlador-de-temperatura-malha-aberta-malha-fechada

Para que você possa entender melhor o controle em malha aberta, imagine o sistema de ar condicionado de um carro convencional. Em um dia quente, o ar condicionado regulado no máximo deixaria a temperatura confortável, mas por outro lado em um dia frio, a mesma configuração deixaria o ambiente do carro muito gelado pois o controlador de temperatura opera sem considerar a temperatura ambiente.

Para que a temperatura ambiente seja considerada, é necessário a utilização de um sensor que faz a leitura da da temperatura e informa ela ao controlador que por sua vez realiza o controle a fim de manter um valor desejado. Na figura acima podemos ver esta diferença na indústria em que temos o aquecimento de um tanque. No controle em malha aberta o operador deve olhar a temperatura e então agir na válvula manualmente. A válvula opera sem ter o valor exato da temperatura na sua entrada. Por outro lado em malha fechada, a válvula abre e fecha no tempo exato pois ele sabe exatamente como está ficando a temperatura na saída.

Abaixo, você pode visualizar um diagrama de controle em malha aberta:

controlador de temperatura malha aberta

Já o controle em malha fechada é mais sofisticado e nestas aplicações a saída da temperatura é medida e ajustada constantemente a fim de manter constante a temperatura de saída próxima da desejada (setpoint). Como exemplo, podemos citar a medição da temperatura feita pelo sensor de temperatura dentro de um forno que comprada com o setpoint definido no controlador do painel elétrico. O controlador de temperatura por sua vez se encarrega de manter e controlar o processo da forma como deve ser. Veja abaixo um diagrama de controle em malha fechada:

controlador de temperatura em malha fechada

Como vimos, o controlador de temperatura é um dispositivo aplicado para manter uma temperatura desejada em um valor específico. O exemplo mais simples de controlador de temperatura é o encontrado nas geladeiras das residências onde um termostato mede a temperatura do refrigerador e envia a informação para o controlador de forma com que ele comanda o motor da geladeira que por sua vez faz circular gás nas serpentinas que retiram calor interno da geladeira de forma com que a sua temperatura fique dentro da regulada por você. Também temos o exemplo do forno elétrico, onde o controlador monitora a temperatura interna e liga ou desliga a resistência de forma com que a temperatura fique dentro da desejada.

O controlador de temperatura aplicado na indústria opera da mesma forma do que os encontrados nas residências sendo que as aplicações mais comuns são para o controle de aquecimento e resfriamento de fornos, chillers e ar condicionados individuais e centrais. No ambiente industrial utiliza-se vários tipos de sensores que medem a temperatura constantemente e que comparam esta medição com a desejada gerando assim um sinal de correção de forma com que os dispositivos como válvulas proporcionais ou controladores de corrente e tensão ajustem a energia necessária para manter a temperatura desejada.

Algumas das aplicações que podemos encontrar o controlador de temperatura gerenciando a manufatura são em extrusoras de plástico, formadoras térmicas, embalagens, processamento e armazenamento de alimentos, etc. A seguir podemos ver alguns exemplos nestes segmentos:

Tratamento Térmico / Fornos

Os controladores de temperatura são usados em fornos e em aplicações de tratamento térmico tais como fornos cerâmicos, caldeiras e trocadores de calor.

Embalagem

No mundo da embalagem, as máquinas equipadas com barras de vedação, aplicadores de cola, funções de fusão a quente, túneis de encolhimento ou aplicadores de etiquetas devem operar com níveis de temperatura e tempo de processo estabelecidos por padrões de qualidade. Neste quesito, o controlador de temperatura regula com precisão estas operações para garantir a fabricação de produto com alta qualidade.

Plástico

É comum realizar o controle de temperatura na indústria de plásticos em chillers portáteis, secadores e equipamentos de moldagem e extrusão. Em equipamentos de extrusão, o controlador de temperatura é utilizado para monitorar e controlar precisamente temperaturas em diferentes pontos críticos na produção do plástico.

Saúde e Farmacêutico

O controlador de temperatura é  utilizado no setor de saúde para aumentar a precisão. Equipamentos comuns que utilizam estes dispositivos incluem instrumentos de ensaio de laboratório, autoclaves, incubadoras, equipamento de refrigeração, câmaras de cristalização e câmaras de ensaio onde os espécimes devem ser mantidos dentro de parâmetros de temperatura específicos.

Alimentação

As aplicações comuns de processamento de alimentos que envolvem o controlador de temperatura incluem processos que possuem preparação de cerveja, mistura, esterilização e fornos de cozimento e recozimento sendo que nestes processos os controladores regulam a temperatura e/ou tempo de processo para garantir um desempenho ideal.

Todos os controladores de mercado possuem alguns pontos em comum que são as entradas e as saídas. Tipicamente, se você deseja medir algo, você precisa de uma entrada de medição, que neste caso é a temperatura. Após medir, se você deseja controlar algo, entrão você precisará de uma saída.
O controlador de temperatura pode ter diferentes tipos de entradas. Isto porque a entrada depende do tipo do sinal e do sensor especificado para determinado processo. Os 3 tipos de sensores para aplicações de temperatura são os termoacopladores ou termopares, resistivos (RTDs) e termistores.

termopar

Os termopares ou termoacopladores incluem os tipos J, K, T, R, S, B e L entre outros e a letra se caracteriza pela composição dos materiais que compõem os 2 fios do instrumento de medição e pela temperatura que eles suportam. Por possuir um par de fios distintos em termos de materiais, eles também são chamados de termopar. Abaixo, você pode ver uma tabela com a característica mostrando a composição de cada um de cada um. (clique na tabela para uma melhor visualização)

controlador-temperatura-tabela-termopar

 

 

 

 

 

 

 

 

controlador-de-temperatura-rtd-resistivo-pt100

 

Os RTDs (Resistance Temperature Detectors) utilizam materiais como a platina em sua composição que suporta temperaturas de até 500ºC ou níquel (um pouco menos estável que a platina). Eles se baseiam na variação da resistividade com a temperatura e por possuírem característica resistivas podem apresentar uma desvantagem com relação ao termopar devido ao fato de que quando a corrente circula pelo RTD, ela provoca aquecimento, que pode interferir na medição da temperatura. Tipicamente o RTD é chamado de PT100 é composto por platina, possuindo 100Ω e é muito encontrados em processos com fornos industriais.

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Os termistores podem ser de dois tipos: NTC ou PTC e são sensores semicondutores que podem ter a varição de resistência de forma proporcional. A resistência pode se elevar com a temperatura (PTC – positive temperature coeficient) ou se comportar de forma inversa em que a resistência diminui com a elevação da temperatura (NTC – negative temperature coeficient).

Os termistores são muito encontrados nas geladeiras, freezers e tanques de refrigeração de bebidas.

Alternativamente, o controlador de temperatura pode possuir entradas de tensão e corrente, permitindo assim a aquisição de sinais de outros tipos de sensores como pressão, nível e fluxo. Entradas típicas de sinais de tensão podem ser de 0 a 5VDC, 0 a 10VDC (mais comum) e 2 a 10VDC. Já para entradas do tipo corrente, podemos encontrar no mercado a de 0 a 20mA e 4 a 20mA (mais comum).

Tipicamente, um controlador de temperatura pode ter incorporado um recurso para detectar quando um sensor de entrada está com defeito ou está ausente. Isso é conhecido como detecção de falha de sensor e sem esta funcionalidade de condição de falha, poderão haver danos significativos ao equipamento a ser controlado caso falhe o sensor pois esse recurso permite que o controlador interrompa o processo imediatamente se uma condição de falha do sensor for detectada.

Da mesma forma que os controladores possuem entradas, eles também possuem saídas sendo que cada saída pode ser utilizada para fazer várias funções, incluindo controle de processo tais como ligar ou desligar aquecimento ou resfriamento, disparar um alarme ou enviar o valor de temperatura para um CLP.

As saídas típicas de um controlador de temperatura incluem reles comuns, reles de estado sólido e saídas analógicas. Uma saída a rele possui tipicamente um polo alinhado com uma bobina de tensão DC. O controlador energiza a bobina do rele, provendo isolação dos seus contatos. Isso permite que os contatos controlem uma fonte de tensão externa capaz de alimentar a bobina de um contator que fará o controle em correntes muito mais elevadas por exemplo.

Outro tipo de saída que pode ser encontrada em um controlador de temperatura é a do tipo SSR. SSR são saídas lógicas que ligam ou desligam um rele de estado sólido. A maioria dos relés de estado sólido requerem de 3 a 32VDC para ligar e um SSR típico com sinal de 10V pode ativar até três relés de estado sólido.

Um triac fornece a função de rele sem peças móveis. É um dispositivo de estado sólido que controla correntes de até 1A e suas saídas podem permitir uma pequena quantidade de corrente de fuga, geralmente menor que 50mA. Esta corrente de fuga não afeta circuitos de contator de aquecimento, mas pode ser um problema se a saída for usada para conectar a outro circuito de estado sólido, como uma entrada de um CLP. Se isso é uma preocupação, um contato de relé padrão seria uma escolha melhor pois fornece corrente zero absoluta quando a saída é desenergizada e os contatos estão abertos.

Saídas analógicas também podem ser encontradas no controlador de temperatura com sinais típicos de 0-10V ou 4-20mA sendo que estes sinais são calibrados de modo a variar em porcentagem da saída. Por exemplo, se um controlador de temperatura estiver enviando um sinal de 0%, a saída analógica será 0V ou 4mA. Da mesma forma, quando o controlador estiver enviando um sinal de 50%, a saída será 5V ou 12mA e quando ele estiver enviando um sinal 100%, a saída será 10V ou 20mA.

Um controlador de temperatura poderá possuir vários parâmetros além do Setpoint. Basicamente o Setpoint é o alvo setado pelo operador e representa o que o controlador precisa manter estável. Por exemplo, uma temperatura nominal de 30°C significa para o controlador que ele deverá manter a temperatura neste valor o tempo todo.

Alarme Alto ou Baixo – Outro parâmetro é o valor de alarme que é utilizado para indicar quando um processo atingiu alguma condição determinada. Há algumas variações nos tipos de alarmes. Por exemplo, um alarme alto pode indicar que a temperatura ficou mais quente do que o valor ajustado e da mesma forma, um alarme baixo pode indicar que a temperatura caiu abaixo do valor ajustado.

Em um sistema de controle de temperatura, um alarme fixo elevado evita que uma fonte de calor danifique o equipamento desligando a fonte se a temperatura exceder algum valor de Setpoint. Um alarme fixo baixo, por outro lado pode proteger o equipamento caso exceda a mínima temperatura evitando o congelamento.

O controlador de temperatura também pode testar um dispositivo de saída danificado, tal como um elemento de aquecimento aberto. Isto pode ser feito verificando a quantidade de sinal de saída e comparando com a quantidade de alteração detectada no sinal de entrada. Por exemplo, se o sinal de saída for 100% e o sensor de entrada detectar qualquer alteração na temperatura após um certo período de tempo sem alterar a saída, o controlador determinará que o loop está quebrado. Esse recurso é conhecido como alarme de Loop.

Alarme de Desvio – Outro tipo de alarme é o alarme de desvio que é ajustado em algum valor em torno do Setpoint. O alarme de desvio monitora o ponto de ajuste do processo e permite que o operador seja notificado quando o processo variar muito em relação ao valor pré-programada do Setpoint.

Alarme de Banda – Uma variação no alarme de desvio é o alarme de Banda e ele será ativado dentro ou fora de uma faixa de temperatura designada. Tipicamente, os pontos deste tipo de alarme são definidos metade acima e metade abaixo do ponto de ajuste do controlador de temperatura. Por exemplo, se o ponto de ajuste for 150° e os alarmes de desvio estiverem ajustados em ± 10°, os alarmes seriam ativados quando a temperatura atingisse 160° no extremo superior ou 140° no extremo inferior. Se o Setpoint for alterado para 170°, o alarme alto ativará a 180° e o alarme baixo a 160°.

Abaixo podemos ver uma Figura com os diferentes tipos de alarmes para um controlador de temperatura.

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Outro conjunto comum de parâmetros do controlador de temperatura são os parâmetros PID, que significa proporcional, integral, derivada e é uma função de controle avançado que usa feedback do processo controlado para determinar a melhor forma de controlar esse processo. Todo controlador de temperatura, do básico ao mais complexo opera basicamente da mesma forma.

Vimos que basicamente, os controladores controlam ou mantêm alguma variável ou parâmetro com um valor definido e neste sentido existem duas variáveis requeridas pelo controlador que são o sinal de entrada real e valor de Setpoint desejado. O sinal de entrada é também conhecido como o valor do processo e é amostrado muitas vezes por segundo, dependendo do controlador para o efetivo controle

O valor de entrada ou processo, após amostrado, é comparado com o valor de Setpoint e caso o valor real não seja igual ao do Setpoint, o controlador de temperatura gera uma mudança de sinal de saída com base na diferença entre o Setpoint e o valor de processo juntamente com a informação se o valor de processo está se aproximando ou se afastando do Setpoint. Este sinal de saída inicia então algum tipo de resposta para corrigir o valor real de forma que ele busque o Setpoint.

A ação de controle tomada depende do tipo de controlador de temperatura. Por exemplo, se o controlador de temperatura tiver um controle do tipo ON/OFF, será o Setpoint que vai  decidir se a saída precisa ser ligada, ou desligada. O controle ON/OFF é um dos tipos mais simples de controle a ser implementado e ele opera em cima de valores pre definidos. Por exemplo, imagine um controlador de temperatura que foi ajustado para controlar a temperatura dentro de uma sala. Se o Setpoint for 68° e a temperatura real cair para 67°, um sinal de erro mostrará uma diferença de -1°.

O controlador enviará então um sinal para ligar a resistência que gera o calor necessário para elevar a temperatura de volta ao ponto de ajuste de 68°. Uma vez que a temperatura chega a 68°, o aquecedor desliga. Para uma temperatura entre 68 ° e 67 °, o controlador não toma nenhuma ação e o aquecedor permanece desligado. No entanto, uma vez que a temperatura chega a 67 °, o aquecedor vai ligar novamente.

Por outro lado, ao contrário do controle ON/OFF, o controle PID determina o valor de saída exato necessário para manter a temperatura desejada e neste caso a potência de saída pode variar de 0 a 100% (no ON/OFF era somente ligado e desligado). No PID o controlador de temperatura utiliza um tipo de saída analógica sendo o conversor de saída proporcional ao valor da entrada. No entanto, se a saída for um tipo de saída binária, como um rele por exemplo ou um controlador SSR ou triac, a saída deverá ser proporcional ao tempo para obter uma representação analógica.

Um sistema proporcional ao tempo usa tempos de ciclo para proporcionar o valor de saída.  Como exemplo, se o tempo de ciclo for ajustado para 8 segundos, um sistema que pede 50% de energia terá a saída ligada por 4 segundos e desligada por 4 segundos. Contando que o valor de potência não mude, os valores de tempo também não mudariam pois ao longo do tempo, a potência foi calculada em média para o valor de 50% comandado (metade ligado e metade desligado). Se a potência de saída precisasse ser 25%, então para o mesmo tempo de ciclo de 8 segundos, a saída estaria ligada por 2 segundos e desligada por 6 segundos. Veja figura abaixo:

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Se os pulsos forem iguais (4s ligado e 4 segundos desligado), um tempo de ciclo mais curto é desejável porque o controlador pode reagir mais rapidamente e mudar o estado da saída para determinadas mudanças no processo. No entanto, devido à mecânica de um rele, um tempo de ciclo mais curto pode encurtar a atuação dele batendo na sua limitação de velocidade de chaveamento. Assim, este tempo não é recomendável ser inferior a 2 segundos.

Para dispositivos de comutação de estado sólido como um controle SSR ou triac, os tempos de comutação podem ser bem melhores e como falado, tempos de comutação mais longos, independentemente do tipo de saída, permitem uma maior oscilação no valor do processo. A regra geral é que, somente se o processo permitir, quando uma saída de rele for usada, um tempo de ciclo mais longo deve ser pensado.

Características adicionais

Comunicação – O controlador de temperatura também pode ter vários recursos opcionais adicionais. Um deles é a capacidade de comunicação. Um link de comunicação permite que o controlador se comunique com um CLP ou um computador permitindo a troca de dados entre o controlador de temperatura e o CLP. Um exemplo de troca de dados típica seria um computador som sistema SCADA conectado ao CLP que por sua vez recebe a informação da temperatura do controlador que está lendo o valor do processo.

Setpoint Remoto – Uma segunda opção é um Setpoint remoto. Esse recurso permite que um dispositivo remoto, como um CLP ou computador altere o Setpoint do controlador de temperatura. Neste caso, ao contrário da capacidade de comunicação mencionada acima, a entrada de Setpoint remoto utiliza um sinal de entrada analógico linear que é proporcional ao valor de Setpoint. Isso fornece maior flexibilidade ao operador para alterar o Setpoint de um local remoto. Com relação ao sinal, um sinal típico pode ser 4-20 mA ou 0-10 VDC.

Configuração por Software – Outro recurso comum fornecido com o controlador de temperatura é a capacidade de configurá-lo usando um software especial em um computador conectado via um link de comunicação. Isso permite uma configuração rápida e fácil do controlador e também a opção de salvar configurações para uso futuro.

Entrada Digital – Outra característica comum é a entrada digital. que pode trabalhar em conjunto com um Setpoint remoto permitindo selecionar o Setpoint local ou remoto para o controlador. Também pode ser usado para selecionar entre o Setpoint 1 e o Setpoint 2 conforme programado no controlador de temperatura. As entradas digitais também podem redefinir remotamente um dispositivo caso ele entre na condição de limite.

Outras características opcionais incluem uma fonte de alimentação do transmissor que pode ser usada para alimentar um sensor de 4-20mA por exemplo. Esta fonte de alimentação poderia ser usada para fornecer alimentação de 24VDC até no máximo de 40mA.

Display – Em algumas aplicações, um display de duas cores também pode ser uma característica desejável, facilitando a identificação de diferentes estados do controlador. Alguns produtos também possuem monitores que podem mudar de vermelho para verde ou vice-versa dependendo de condições pré-programadas, como por exemplo mostrar em vermelho uma condição de alarme. Assim, nenhum alarme poderia ser mostrado por um display verde, mas se um alarme estiver presente, o visor ficaria vermelho.

O controlador de temperatura pode ser encontrado em diferentes tipos com uma vasta gama de recursos e capacidades. Há também muitas maneiras de categorizar os controladores de acordo com suas capacidades funcionais.

Loop único ou Multi-loop

Em geral, o controlador de temperatura é de loop único ou multi-loop. O controlador de loop único possui uma entrada e uma ou mais saídas para controlar um sistema térmico. Já os controladores multi-loop possuem múltiplas entradas e saídas capazes de controlar vários loops em um processo. Com mais loops de controle é possível controlar mais funções do sistema de processo.

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O controlador de temperatura de loop único pode ser encontrado no mercado na sua forma básica em que mudanças de Setpoint devem ser realizadas de forma manual e na forma mais sofisticados que seja capaz de executar automaticamente até oito mudanças de Setpoint ao longo de um determinado período de tempo.

Analógico

controlador-de-temperatura-analógicoO tipo de controlador de temperatura mais simples e básico é o controlador analógico. Controladores analógicos são de baixo custo, simples e versáteis o suficiente para um controle de processo robusto e confiável em ambientes industriais severos, incluindo aqueles com ruídos e interferências significativas. Neste tipo, o display do controlador é tipicamente um botão giratório.

Os controladores analógicos são usados principalmente em sistemas térmicos não críticos ou não sofisticados que necessitam apenas de controle de temperatura ON-OFF. Um controlador de temperatura analógico básico aceita termopares ou entradas RTD e oferece opcionalmente o modo de controle de potência percentual para sistemas sem sensores de temperatura. Sua desvantagem básica é a falta de exibição de informação legível e a falta de sofisticação para tarefas de controle mais desafiadoras. Além disso, a ausência de qualquer capacidade de comunicação limita a sua utilização para aplicações simples, tais como comutação ON/OFF em elementos de aquecimento ou dispositivos de arrefecimento.

Controlador de Controle de Limite

controlador-de-temperatura-limiteEstes tipos de controladores realizam o controle de limite de segurança sobre a temperatura do processo sendo que neste caso eles não possuem capacidade para controlar a temperatura por conta própria. Simplificando, os controladores de limite são dispositivos de segurança independentes para serem utilizados ao lado ou em conjunto com um controlador de loop de controle existente. O controlador de temperatura de limite é capaz de aceitar termopar, RTD ou entradas de processo com limites ajustados para alta ou baixa temperatura, assim como um controlador comum. O limite de travamento deve ser definido por um operador conforme necessidades do processo. Um exemplo típico seria uma segurança definida para um forno. Se o forno exceder alguma temperatura definida, o dispositivo limite desligaria o sistema a fim de evitar danos ao forno e possivelmente qualquer produto que possa ser danificado por temperaturas excessivas.

Controlador de Temperatura de Uso Geral

controlador-de-temperatura-uso-geralOs controladores de temperatura de uso geral são usados para controlar a maioria dos processos típicos na indústria. Normalmente, eles possuem uma variedade de tamanhos DIN, saídas múltiplas e funções de saída programáveis. Estes controladores também podem executar o controle PID em situações que possuem esta demanda e são tradicionalmente colocados no painel frontal com o visor para facilitar a acessibilidade do operador.

A maioria dos controladores de temperatura digitais modernos podem calcular automaticamente os parâmetros PID para obter o melhor desempenho do sistema térmico usando seus algoritmos de auto-ajuste incorporados. Estes tipos de controlador de temperatura possuem uma função pré-tune responsável por calcular inicialmente os parâmetros PID para um processo e definir uma função de sintonia contínua para refinar constantemente os parâmetros PID. Isso permite uma configuração rápida, economia de tempo e redução de desperdício.

Controlador de Temperatura para Acionamento de Motor de Válvula

controlador-de-temperatura-valvulaUm tipo especial de controlador de uso geral é o controlador de temperatura para acionamento de motor de válvula (VMD). Estes controladores são projetados especificamente para controlar motores de válvulas aplicados em processos de fabricação, tais como controle de queimador de gás em uma linha de produção. Neste tipo de controlador, algoritmos de ajuste especiais dão um controle preciso e uma reação de saída rápida sem a necessidade de feedback de slidewire ou conhecimento excessivo em algoritmos de ajuste de PID. Os controladores VMD controlam a posição da válvula em algum lugar entre 0% a 100%, dependendo das necessidades energéticas do processo industrial.

Controlador de Perfil de Temperatura

controlador-de-temperatura-perfilO controlador de temperatura do tipo perfil, também chamado de controlador de rampa de imersão permite aos operadores programar uma série de setpoints e o tempo para chegar em cada setpoint. Programar uma mudança de setpoint é chamado de rampa e o tempo para permanecer em cada setpoint é chamado de soak ou dwell. Uma rampa ou um soak é considerado um segmento. Um controlador de temperatura perfilador oferece a capacidade de inserir um número de segmentos para permitir perfis complexos de temperatura sendo que estes podem ser armazenados como receitas pelo operador. A maioria dos perfiladores permitem o armazenamento de várias receitas para uso posterior sendo que os perfiladores menores podem permitir quatro receitas com dezesseis segmentos cada um.

O controlador de temperatura de perfil é capaz de executar perfis de rampa e imersão tais como mudanças de temperatura ao longo do tempo juntamente com a duração de espera e imersão/ciclo sem a necessidade de um operador. Aplicações típicas para controladores de perfil incluem tratamento térmico, recozimento, câmaras ambientais e fornos de processo complexos.

Controlador de Temperatura Multi Loop

controlador-de-temperatura-multi-loopAlém do controlador de temperatura de loop único que pode controlar apenas um loop de processo, os controladores de loop múltiplo podem controlar mais de um loop, o que significa que eles podem aceitar mais de uma variável de entrada. De um modo geral, um controlador multi-loop pode ser pensado como um dispositivo com muitos controladores de temperatura individuais dentro de um chassi único. A programação de qualquer um dos loops é semelhante à programação de um controlador de temperatura comum. No entanto, sistemas multi-loop tendem a não ter a tradicional interface de usuário física (sem display ou switches) utilizando em vez disso um link de comunicação dedicado.

Os controladores de loop múltiplo precisam ser configurados por um programa de software especializado em um PC onde o controlador de temperatura pode ser programado e configurado usando a interface de comunicações dedicada. As informações podem ser acessadas através de uma interfaces de comunicações que podem ser DeviceNet, profibus, modbus/RTU, CanOPEN, Ethernet/IP e modbus/TCP.

O controlador de temperatura de malha múltipla fornece um sistema modular compacto que pode operar dentro de um sistema autônomo ou em um ambiente de CLP. Como uma substituição para os controles de temperatura em CLPs, eles fornecem controle PID rápido e poupam o trabalho intensivo de cálculos a partir do processador de um CLP, permitindo taxas mais rápidas de varredura. Como substituto para vários controladores DIN, eles fornecem um único ponto de acesso de software a todos os loops de controle e o custo de instalação é reduzido eliminando muita fiação, recortes de painel e economia de espaço.

Controladores de loop múltiplo fornecem alguns recursos adicionais não disponíveis em controladores tradicionais. Por exemplo, os controladores de loop múltiplo têm maior densidade de loop para um determinado espaço. Alguns sistemas de controle de temperatura de múltiplos laços podem ter até 32 loops de controle em um pacote montado no trilho DIN não muito maior que 8″. Eles também reduzem a fiação por ter um ponto de conexão comum para a fonte de alimentação e interfaces de comunicação.

O controladore de temperatura multi-loop também possui recursos de segurança aprimorados, um dos quais é a ausência de botões onde qualquer pessoa pode alterar configurações críticas. Ao ter controle completo sobre as informações que estão sendo lidas ou escritas para o controlador, o fabricante do equipamento pode limitar as informações que qualquer operador possa ler ou alterar, impedindo que ocorram condições indesejáveis, como a definição de um valor de ajuste muito alto para um intervalo que pode danificar o produto ou a máquina.

Existem tipicamente duas opções de tensão de alimentação quando se trata de controlador de temperatura: baixa tensão (24VAC / DC) e alta tensão (110-230VAC). Controladores podem possuir tamanhos padrão que são referidos por números DIN como 1/4 DIN, 1/8 DIN, 1/16 DIN e 1/32 DIN sendo que DIN é um acrônimo para a tradução aproximada “Deutsche Institut fur Normung”, uma organização alemã de padrões e medições. Para nossos propósitos, o DIN indica simplesmente que um dispositivo está em conformidade com um padrão geralmente aceito para dimensões de painel.
Comparação do tamanho DIN.

controlador-de-temperatura-din

 

Tamanho DIN 1/4 1/8 1/16 1/32
Tamanho em mm 92 x 92 92 x 45 45 x 45 49 x 25
Tamanho em polegadas 3.62 x 3.62 3.62 x 1.77 1.77 x 1.77 1.93 x 0.98

Observando a figura e a tabela podemos ver que o menor tamanho é o 1/32 DIN, que é 24mm×48mm com um recorte de painel correspondente a 22,5mm×45mm. O próximo tamanho é o 1/16 DIN que mede 48mm×48mm com um corte de painel tamanho de 45mm×45mm. O 1/8 DIN é 48mm×96mm com um recorte de painel de 45mm×92mm. Por fim, o tamanho maior é o 1/4 DIN que mede 96mm×96mm com um recorte de painel de 92mm×92mm.

É importante notar que as normas DIN não determinam a profundidade de um controlador atrás de um painel. Elas apenas determinam as dimensões do painel frontal e dimensões do painel de corte.

Em alguns casos, é desejável que um controlador de temperatura tenha algum tipo de aprovação de um instituto ou agência para garantir que o controlador atenda a um conjunto mínimo de padrões de segurança. O tipo de aprovação depende do país em que o controlador será utilizado sendo que o registro mais comum de aprovação, UL e cUL, aplica-se a todos os controladores usados nos EUA e no Canadá. Geralmente, há uma certificação requerida para cada país e no Brasil temos o INMETRO. Para controladores que são usados em países da União Européia, a aprovação CE é necessária. Um terceiro tipo de aprovação é FM e isso se aplica apenas a dispositivos de limite de controladores nos EUA e no Canadá.

Cristiano Bertulucci Silveira é engenheiro eletricista pela Unesp com MBA em Gestão de Projetos pela FVG e certificado pelo PMI. Atuou em gestão de ativos e gestão de projetos em grandes empresas como CBA-Votorantim Metais, Siemens e Votorantim Cimentos. Atualmente é diretor de projetos da Citisystems –cristiano@citisystems.com.br – Skype: cristianociti