Publicado o ISO Survey 2014

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A ISO publicou o The ISO Survey of Management System Standard Certifications – 2014 que apresenta os resultados da sua pesquisa sobre as diversas certificações em 2014. Este é um estudo anual que mostra o número de certificados emitidos com as normas de sistemas de gestão no ano anterior. Um resumo das estatísticas são mostradas na tabela abaixo.

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Apesar dos esforços para mostrar resultados consistentes, há flutuações no número de certificados de ano para ano, devido a: variabilidade do número de certificados notificados anualmente por organismos de certificação individuais; participação inconsistente de alguns organismos de certificação que contribuem para a pesquisa de um ano para outro; participação de novos organismos de certificação.

Principais tendências

Com 1.609.294 certificados emitidos em todo o mundo em 2014, ligeiramente acima do ano anterior, a última edição demonstrou um crescimento moderado para quase todas as normas de sistemas de gestão ISO abrangidas pela pesquisa, confirmando as tendências observadas ao longo dos últimos dois anos. Esta estabilização do mercado é, no entanto, compensada por três bons desempenhos que exibem um crescimento mais sustentado. Embora menos impressionante do que em anos anteriores, a ISO 50001 para a gestão de energia demonstrou uma taxa de crescimento de 40%, liderada mais uma vez pela Alemanha, responsável por 50% dos 6.778 certificados emitidos.

Da mesma forma, a norma de gestão de alimentos, a ISO 22000, continua a oferecer um desempenho confiável, com uma taxa de crescimento de 14%, enquanto a ISO 16949 para o setor automotivo mostrou uma acelerada progressão com 8%, sinalizando que a recuperação econômica da indústria automobilística está se mantendo.

Com 1% e 7%, respectivamente, as normas ISO 9001 (gestão da qualidade) e ISO 14001 (gestão ambiental) atingiram gradualmente a estabilidade, embora, deve-se frisar que as suas novas edições revisadas em 2015 serão lançadas, que deverá alterar o quadro para o próximo ano.

Finalmente, a grande novidade deste ano é a inclusão de uma norma recém-chegada: a ISO 22301 para a gestão da continuidade dos negócios, sendo que isso é motivado por uma consciência global de que as organizações precisam se proteger contra perturbações em tempos de crise. A certificação nessa norma teve um avanço, ainda pequeno, de 1.700 certificados, mas parece manter com um bom potencial para o futuro. Abaixo um resultado detalhado de cada norma.

ISO 9001 – Sistemas de gestão da qualidade

Como ocorreu no ano passado, essa norma de gestão da qualidade continuou a experimentar um período de calmaria, atingindo um quota de 1% de crescimento em comparação com 2% e 3% nos dois anos anteriores. O crescimento certamente estabilizou desde os tempos de boom, há duas décadas, refletindo a incerteza econômica atual do mundo. Além disso, em países com uma tradição já estabelecida de certificação, muitas das maiores empresas estão certificados e está se certificando com as normas mais específicas. A situação deverá melhorar, no entanto, com a introdução da nova versão da ISO 9001 em 2015.

A certificação ISO 9001 seguiu com as seguintes tendências regionais:

  • A grande surpresa deste ano foi a América do Norte, com um crescimento de 4%, suportado em grande parte pelo México, onde participaram vários novos organismos de certificação na edição de 2014. Por outro lado, o crescimento dos EUA devido a menos certificações este ano.
  • Em 1,9%, a região do Leste da Ásia-Pacífico registrou progressos encorajadores. Notavelmente, a norma teve um desempenho bom na Austrália, com mais certificados do que em 2013. Estas estatísticas positivas foram ligeiramente prejudicadas por uma grande queda no Vietnã devido ao relato de um grande organismo de certificação com menor número de certificados e uma queda nas Filipinas, onde um organismo de certificação foi excluído desta edição da pesquisa porque a sua aprovação foi cancelada.
  • Na América do Sul houve um crescimento negativo (-4,2%), que pode ser em grande parte atribuída a uma queda significativa no Brasil, onde a participação na pesquisa foi menor e um número de organismos de certificação relataram menos certificados.
  • Na Europa, igualmente, houve um diminuição no crescimento das certificações ISO 9001, havendo aumento de apenas 0,2%. Isso pode ser rastreado até um declínio em países como a Grécia, a Alemanha e os Países Baixos, devido a não participação de grandes organismos de certificação na edição deste ano, enquanto a desaceleração no Reino Unido é imputável a um grande organismo de certificação relatando menos certificados. Ainda sofrendo os desdobramentos da crise econômica, o mercado espanhol também se apresentou com voz trêmula este ano, com muitos organismos de certificação relatando menor número de certificados. Na outra extremidade, a Bielorrússia teve um aumento substancial devido a um dos seus principais organismos de certificação acreditados enviando seu relatório pela primeira vez este ano.

ISO 14001 (Sistemas de gestão ambiental)

A ISO 14001 teve, depois do ano passado, um ligeiro revés com uma taxa de crescimento de 7%. O crescimento foi impulsionado pelo Leste da Ásia e América do Norte, apresentando 10% e 14%, respectivamente. O crescimento foi apoiado no Canadá, no México e nos EUA por novos organismos de certificação que entraram na pesquisa, enquanto os organismos existentes nos EUA também relataram significativamente mais certificados. A Austrália experimentou um crescimento exponencial com um importante organismo de certificação relatando mais certificados do que o normal, enquanto o aumento registrado na República Checa e Turquia refletiu, principalmente, a inclusão de certificados anteriormente não declarados. No geral, porém, a China contou com o maior crescimento em números absolutos, com um aumento de 13.023 certificados emitidos.

ISO 50001 (Sistemas de gestão de energia)

Até agora a ISO 50001 ainda teve um bom desempenho em seu terceiro ano na pesquisa, com uma progressão anual de 40% (6.778 certificados emitidos). A Europa concentrou a maior parte do negócio, com uma quota substancial de 80% do mercado. Fiel à forma, a Alemanha detém 50% do total do mundo devido à legislação do país em matéria de energia. Um campeão de crescimento este ano, o Reino Unido ocupou o segundo lugar, muito à frente de outros países, embora com dez vezes menos certificados quando comparado com os certificados na Alemanha.

ISO/IEC 27001 (Sistemas de gestão de segurança da informação)

A norma de segurança da informação experimentou uma ligeira desaceleração, com um modesto crescimento de 7%, desmentindo os resultados promissores de anos anteriores. Como uma empresa inovadora em tecnologia digital, o Japão lidera historicamente a certificação no setor de segurança da informação, embora o Reino Unido também apareça como destaque com o crescimento mais importante em termos absolutos (340 certificados emitidos), resultante de um relatório de um organismo de certificação com mais certificados do que em 2013.

ISO 22000 (Sistemas de gestão de segurança alimentar)

Houve uma diminuição na emissão de certificados quando comparado com o ano passado: um aumento de 14% (ou 30.500 certificados emitidos) em comparação com 20% e 15% de aumento em anos anteriores. Contudo, esse desempenho mostrou-se razoável, já que houve a quebra do número de certificados de 30.000 pela primeira vez. Em particular, a América do Norte experimentou uma taxa de crescimento espetacular de 70%, principalmente nos EUA, onde um novo organismo de certificação se juntou à pesquisa e um dos principais contribuintes existente relataram mais certificados do que o habitual. Na Europa, a Grécia – um dos países que ostentava o maior número de certificados – despencou este ano devido a um organismo de certificação importante não participar do estudo. Por outro lado, uma notável progressão da Austrália pode estar ligada a um contribuinte significativo relatando mais certificados do que o habitual.

ISO/TS 16949 (Sistemas de gestão de qualidade para o setor automobilístico

Com uma saudável progressão de 8% (contra 5% em 2012 e 7% em 2013), a certificação para a indústria automotiva, a norma ISO/TS 16949, revelou uma aceleração do crescimento, confirmando uma tendência que se fez visível nos últimos dois anos. Estes resultados encorajadores são a prova de que a indústria do automóvel está rapidamente recuperando de seus pontos baixos de recessão. O lar de muitos fabricantes de peças de automóveis, a China, liderou o caminho nessa área, seguida, à distância, por parte dos EUA, um sinal de que o mercado de automóveis dos EUA está tendo uma recuperação após a crise de 2008.

ISO 13485 (Sistemas de gestão de qualidade para os dispositivos médicos)

Revelando uma taxa de crescimento de 8% em comparação com os 12% e 15% das pesquisas anteriores, o setor dos dispositivos médicos confirmou a crise que emergiu nos últimos anos. Enquanto a China teve um crescimento notável nesta área, quase dobrando o número de certificação, em termos absolutos, não competiu com os cinco principais países que dominam o mercado. Sobre a tendência do ano passado, a Europa sustentou quase 60% do número total de certificados emitidos devido aos regulamentos restritos que tonrou mandatório a esse tipo de certificação em alguns países.

ISO 22301 (Sistemas de gestão de continuidade de negócios)

Fazendo uma incursão tímida na pesquisa deste ano, a ISO 22301 para a gestão de continuidade de negócios já está mostrando alguma promessa: 1.700 certificados apresentados. No topo ficou a Índia, com quase 30% do número total de certificados, seguida pelo Reino Unido e Japão. No mundo incerto de hoje, as organizações têm uma tendência em se preparar contra os riscos de desastre e assim a ISO 22301 vem ganhando adeptos que querem olhar em frente, havendo um grande potencial no futuro para essa norma.

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O novo papel do mediador extrajudicial

Antonio Carlos Morad, fundador da Morad Advocacia Empresarial

A Lei 13.140/15 trouxe boas novidades para aqueles que detém relações contratuais, quase de todo o gênero, pelos quais poderiam sofrer algum tipo de desavença. A figura do mediador extrajudicial aparece nessa legislação de forma preventiva, simpática e econômica. O mediador extrajudicial poderá figurar pela vontade das partes como um desembaraçador de desavenças que possam vir a existir durante o tempo da contratação.

Tal “julgamento” extrajudicial poderá contribuir com um possível apaziguamento das partes gerando economias no âmbito geral, mesmo em relação ao direito privado, ajudando a diminuir o gargalo do sistema judiciário e se antecipando aos casos de arbitragem como forma também econômica. Essa economia pode ser percebida no tempo e no desencaixe de valores despendidos para iniciar procedimentos de arbitragem, como também com despesas em processo judicial.

Alguns artigos da 13.140/15 tratam sobre o assunto, entre eles: a)(…)Subseção II – Dos Mediadores Extrajudiciais: Art. 9º Poderá funcionar como mediador extrajudicial qualquer pessoa capaz que tenha a confiança das partes e seja capacitada para fazer mediação, independentemente de integrar qualquer tipo de conselho, entidade de classe ou associação, ou nele inscrever-se; b)(…)Art. 16 Ainda que haja processo arbitral ou judicial em curso, as partes poderão submeter-se à mediação, hipótese em que requererão ao juiz ou árbitro a suspensão do processo por prazo suficiente para a solução consensual do litígio; c)1º É irrecorrível a decisão que suspende o processo nos termos requeridos de comum acordo pelas partes; d) 2º A suspensão do processo não obsta a concessão de medidas de urgência pelo juiz ou pelo árbitro.

Serviço de previsão de raios

CURSO TÉCNICO

Proteção contra Descargas Atmosféricas de acordo com a Nova NBR 5419 de 2015 – Em 3 x R$ 600,00

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), lança hoje um serviço inédito de previsão de raios para o país. Com ele, será possível prever a incidência de raios com antecedência de 24 horas. O sistema foi desenvolvido pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do INPE e estará disponível no próximo verão para uso dos veículos de comunicação de todo o país, a exemplo do que já ocorre coma previsão do tempo.

As pesquisas científicas realizadas para criar o sistema tiveram início há 5 anos e utilizaram como base o modelo meteorológico “Weather Research and Forecasting – WRF” rodado em alta resolução, ferramentas estatísticas e dados de descargas atmosféricas dentro das nuvens e para o solo registrados pela Rede Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas (BrasilDAT). Foram comparadas informações obtidas pelo modelo meteorológico WRF de vento, temperatura, umidade e concentração de gelo, em diferentes alturas na atmosfera, com dados da BrasilDAT, que é a terceira maior rede de detecção de raios do mundo e é operada pelo ELAT.

O Brasil é o país com maior incidência de raios no mundo, com 50 milhões de descargas atmosféricas por ano. O verão é a estação do ano que registra o maior número de raios. “A região tropical é a mais quente do planeta e favorece a formação de tempestades e raios. O Brasil, por ser o maior país tropical do mundo, lidera o ranking”, explicou o coordenador do ELAT, Osmar Pinto Júnior.

Segundo Pinto Junior, o sistema de previsão de raios desenvolvido pelo ELAT pode ajudar a diminuir o número de mortes causadas pelo fenômeno. Cem pessoas morrem por ano no Brasil em acidentes provocados por raios. “Mais de 80% dos acidentes com raios poderiam ser evitados. Para isso, é preciso ter um sistema eficiente de previsão de raios e orientar a população para medidas de proteção.”

Mais informações com Anelize Condino: (12) 3208-7915 – elat@inpe.br

Perfeccionismo: esse mal ainda pode acabar com você

O Target Genius Respostas Diretas é o mais avançado e inovador sistema de perguntas e respostas sobre requisitos de normas técnicas. É, basicamente, um conjunto de perguntas mais comuns sobre determinados assuntos das normas técnicas, acompanhadas das respectivas respostas. Definitivamente, a solução para as dúvidas sobre normas técnicas. Selecione o Comitê Técnico desejado e clique sobre o código ou título para consultar. Ou, se preferir, você pode realizar pesquisas selecionando o produto “Genius Respostas Diretas” e informando a(s) palavra(s) desejada(s). Acesse o link https://www.target.com.br/produtossolucoes/genius/default.aspx

Ernesto Berg

Perfecccionista: “Aquele que se incomoda em complicar o descomplicado, e em dificultar o que é simples”. Diz um ditado que o perfeito é inimigo do ótimo. É uma frase sem sentido para o perfeccionista, que procura sempre a perfeição em tudo. Eternamente exigente consigo mesmo e com os outros, não consegue perceber que a perfeição é desejável, mas raramente necessária. É mestre em envolver-se com detalhes, muitos dos quais, de pouca importância; é capaz de ver um grão de pó numa xícara, e não notar um elefante caminhando ao seu lado, por estar excessivamente concentrado em limpar o minúsculo pó do utensílio.

Claro que um certo grau de perfeccionismo não só é desejável como necessário, para não cair no extremo oposto do relaxamento negligente. Entretanto, é preciso bom senso e autodisciplina para não ultrapassar os limites da coerência. O perfeccionista é reconhecido por seu comportamento de busca compulsiva pela perfeição a todo instante e a qualquer custo, mesmo que isto signifique trazer problemas e dificuldades  aos que estão a sua volta.

Se você: acha que o seu modo de trabalhar é sempre o melhor jeito de fazer as coisas; controla cada detalhe do seu departamento ou setor; examina detalhadamente cada item antes de liberar o trabalho; tem coisas que só você, e ninguém mais, sabe fazer em seu setor; é sempre muito exigente com os outros e com você mesmo; faz questão de que tudo saia sempre na máxima perfeição; revê sistematicamente o trabalho de seus subordinados ou colegas para ter certeza de que nada saia errado; implica com coisas mínimas porque saíram de modo diferente do que você queria; dedica muito tempo a corrigir falhas de pouca importância.

Se você respondeu SIM a duas ou mais das situações acima, então você é um perfeccionista convicto, receita garantida de improdutividade, demoras, atrasos, retrabalho constante e muita (muita mesmo) irritação – sua e de quem convive com você -, seja no trabalho ou em casa.
Além do mais, se você é exigente e complicado nas pequenas coisas provavelmente também tem um comportamento complicado em todas as outras. Se for assim, é candidato a ganhar a medalha de latão, pois além de perfeccionista é, provavelmente, pouco produtivo.

Dicas para livrar-se ou, pelo menos, diminuir o perfeccionismo

– Em vez da perfeição, contente-se com o ótimo, e às vezes, até mesmo o bom já é suficiente.

– Não perca tempo corrigindo falhas sem importância, ou que sejam insignificantes no contexto geral.

– Policie-se para não ficar “pegando no pé” dos outros por coisas sem importância.

– Reconheça que nem todos tem o seu padrão de exigência e perfeccionismo, e não os cobre por isso.

– Aceite trabalhos e tarefas dos outros que estejam no nível bom, dentro dos padrões requeridos pela empresa, mesmo que não estejam dentro do seu alto padrão de exigência.

– Permita com que as pessoas executem tarefas e atividades do seu próprio jeito (não precisa ser sempre da sua maneira), desde que atinjam os mesmos resultados em termos de quantidade, qualidade, prazos, etc.

– Procure ser mais flexível e tolerante com eventuais erros seus e dos outros no trabalho e, em vez de irritar-se, corrija rapidamente a falha sem fazer disso um drama.

– Aceite as diferenças de estilo e de ritmo de trabalho seus, e os das demais pessoas com quem você convive ou trabalha.

– Procure ter senso de proporção, e trabalhe com rapidez sempre em cima das prioridades estabelecidas.

– Policie-se para não se deixar levar por detalhes e pormenores irrelevantes que tomam tempo e pouco pesam no contexto geral.

Lembre-se, a busca da perfeição custa tempo, dinheiro e esforço (com muito retrabalho) que não compensam, pois o custo-benefício quase nunca justifica tanto empenho.  Aprenda a contentar-se com o bom, na maioria dos casos.

Aquilo em que você focaliza sua atenção tenderá a expandir-se. Focalize nas picuinhas e pormenores e terá mais disso. Focalize sua atenção nas soluções e procedimentos eficazes e terá mais disso, isto é, seu trabalho se expandirá cada vez mais, e de forma produtiva.

Ernesto Berg é consultor de empresas, palestrante, articulista, autor de 14 livros, especialista em desenvolvimento organizacional, negociação, gestão do tempo, criatividade na tomada de decisão,administração de conflitos. Foi executivo do Serpro em Curitiba e Brasília por dez anos e consultor senior da Alexander Produfoot Company de São Paulo. É sócio-proprietário da Berg & Cia. – berg@quebrandobarreiras.com.br

Antropometria humana

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I PESQUISA SOBRE QUALIDADE, COMPETITIVIDADE E NORMALIZAÇÃO ABQ/TARGET

A Academia Brasileira da Qualidade (http://www.abqualidade.org.br/) e a Target (www.target.com.br) convidam você a participar e a responder essa pesquisa sendo que os seus resultados serão apresentados no II SEMINÁRIO ABQ QUALIDADE SÉCULO XXI, no dia 12 de novembro de 2015, Dia Mundial da Qualidade, na Fiesp, em São Paulo. Você, participando, poderá preencher a ficha de inscrição com garantia de participação online do evento.

Para responder, clique no link https://www.target.com.br/survey/?sid=1

antropometria.jpgA antropometria trata das medidas físicas do corpo humano. A sua origem vem da antiguidade pois egípcios e gregos já observavam e estudavam a relação das diversas partes do corpo. O reconhecimento dos biótipos data dos tempos bíblicos e o nome de muitas unidades de medida, utilizadas hoje em dia são derivados de segmentos do corpo.

A importância das medidas ganhou especial interesse na década de 40 provocada de um lado pela necessidade da produção em massa, pois um produto mal dimensionado pode provocar a elevação dos custos e por outro lado, devido ao surgimento dos sistemas de trabalho complexos onde o desempenho humano é crítico e o desenvolvimento desses sistemas dependem das dimensões antropométricas dos seus operadores.

Hoje, a antropometria (antropologia física), associada aos valores culturais (antropologia cultural), constitui um ponto importante nas questões que envolvem a transferência de tecnologias, é a denominada antropotecnologia. A antropologia é a ciência da humanidade com a preocupação de conhecer cientificamente o ser humano na sua totalidade.

Devido ao fato de ser um objetivo extremamente amplo que visa o homem como ser biológico, pensante, produtor de culturas e participante da sociedade, a antropologia se divide em dois grandes campos a antropologia física e a antropometria cultural. A física ou biológica estuda a natureza física do homem, origem, evolução, estrutura anatômica, processos fisiológicos e as diferenças raciais das populações antigas e modernas. Objetiva levantar dados das diversas dimensões dos segmentos corporais.

Tem as suas origens na antropologia física que como registro e ciência comparada remonta-se às viagens de Marco Polo (1273-1295), que revelou um grande número de raças humanas diferentes em tamanho e constituição e na antropologia racial comparativa estudada por alguns cientistas no século XVIII, e demonstrava que havia diferenças nas proporções corporais de várias raças humanas.

A NBR ISO 15535 de 08/2015 – Requisitos gerais para o estabelecimento de bases de dados antropométricos especifica requisitos gerais para bancos de dados antropométricos e os relatórios associados a estes que contenham medidas tomadas em conformidade com a NBR ISO 7250-1. fornece informações necessárias como características da população usuária, métodos de amostragem, itens de medição e estatística, para tornar possível a comparação internacional entre diversos segmentos populacionais.

Os segmentos populacionais especificados nesta norma são os grupos de pessoas capazes de manter as posturas definidas na NBR ISO 7250-1. A antropometria tradicional definida na NBR ISO 7250-1 é considerada um complemento necessário aos métodos 3D que estão sendo desenvolvidos em alguns países.

É importante que os dados escaneados sejam verificados de acordo com as definições estabelecidas na NBR ISO 7250-1 (ver ISO 20685). O estado da arte dos programas permite a integração das medidas de antropometria tradicional com aquelas obtidas por imagens 3D.

O bem-estar das pessoas é muito dependente de suas relações dimensionais e proporcionais com diversos fatores, como o crescimento, princípios de projeto para o vestuário, para o transporte, para os ambientes de trabalho e doméstico e também para atividades desportivas e recreativas. A implementação de bancos de dados das medidas corporais de uma população fornece a base para requisitos essenciais de segurança e saúde, como também para normas internacionais no campo da segurança de máquinas e de equipamentos de proteção individual, e adquiriu importância no desenvolvimento de manequins do corpo humano gerados por computador.

Uma das maiores dificuldades na formulação de banco de dados internacionais em antropometria é que os numerosos estudos existentes raramente são comparáveis no sentido mais estrito. As dificuldades surgem na comparação entre um estudo e outro porque ou os métodos utilizados diferem entre si ou não são suficientemente bem descritos.

A padronização antropométrica utilizada para a coleta dos dados é fundamental para a criação de qualquer banco de dados antropométricos. Essa norma destina-se a ser utilizada em conjunto com a NBR ISO 7250-1. O objetivo final é que um banco de dados desenvolvido por um pesquisador possa ser facilmente utilizado por outros pesquisadores, de tal modo que seja facilmente acessado por aqueles responsáveis pela elaboração de normas em apoio ao bom projeto e ao desenvolvimento de requisitos de segurança e saúde (por exemplo, ISO 15534 e ISO 14738).

Para atingir este objetivo, foi necessário desenvolver uma norma internacional adequada para assegurar que os bancos de dados antropométricos e os relatórios associados a estes sejam compatíveis internacionalmente. A norma fala que os métodos de medição definidos na NBR ISO 7250-1 devem ser utilizados.

Qualquer desvio em relação a estes deve ser indicado no relatório antropométrico. Prevê-se que outros itens além daqueles definidos na NBR ISO 7250-1 devem ser medidos de acordo com o objetivo da pesquisa.

Em tais casos, as definições, os métodos, os instrumentos e as unidades de medição devem ser claramente indicados no relatório. Quando uma medida pode ser tomada de ambos os lados, direito e esquerdo, do corpo humano, o relatório deve indicar claramente de que lado a medida foi tomada.

Convém que fotografias ou desenhos detalhados das medidas tomadas sejam fornecidos, e os procedimentos de medição sejam documentados. O indivíduo deve estar nu ou vestindo pouca roupa, deve estar com a cabeça descoberta e sem os sapatos.

O tipo de roupa, caso relevante, deve ser codificado na folha de registro dos dados antropométricos. As condições de medição devem ser documentadas, juntamente com os resultados numéricos de qualquer pesquisa.

As características demográficas da população devem ser indicadas do modo mais claro possível no relatório. No caso em que a população está dividida em diversos subgrupos, por exemplo, local do exame e local do domicílio, para qualquer amostragem ou relatórios estatísticos, isto deve estar indicado no relatório.

É desejável que sejam utilizados os métodos de amostragem aleatória e estratificada aleatória. Entretanto, se isso for impossível, o relatório deve indicar o método de amostragem utilizado.

É desejável que o número de indivíduos necessário para o desenvolvimento de um banco de dados seja estabelecido utilizando uma fórmula estatística poderosa, com base na acuidade dos resultados desejados pelo pesquisador (ver Anexo A). Entretanto, na realidade, a seleção dos indivíduos é frequentemente influenciada por diversos fatores, como o tamanho da população, o número de pessoas que concordam em participar, o custo e o período de tempo necessário para a pesquisa.

Os questionários biográficos devem ser preenchidos para fornecer informações que incluam sexo, data de nascimento, data do exame e local do exame. Outras informações demográficas podem ser incluídas no questionário de acordo com os objetivos do estudo. Convém que a edição de anomalias óbvias durante a coleta dos dados seja realizada utilizando, por exemplo, um programa de computador especificamente desenvolvido para detectar números que se encontram fora de qualquer intervalo razoável de dados para aquela medida (ver Anexo F).

Os instrumentos antropométricos para a tomada de medidas lineares e circunferenciais devem medir em milímetros. Os de medição da massa corporal devem pesar com a precisão de 500 g.

O tamanho da amostra deve ser suficiente para estimar o valor da medida em um grupo específico. Por exemplo, convém que o tamanho da amostra seja suficiente para estimar a média verdadeira da estatura da população dentro de ± 10 mm para mulheres que estão entre 30 anos e 34 anos de idade. Um método para calcular o tamanho da amostra é apresentado no Anexo A.

Onde apropriado para um estudo específico, as seguintes informações podem também ser levadas em consideração para determinação do tamanho da amostra: localização geográfica; status socioeconômico; nível educacional; ocupação; e outras variáveis demográficas que influenciem nas distribuições antropométricas.

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Como atingir resultados em uma empresa?

VÍDEO EXPLICATIVO

5S A Base para a Qualidade Total – Disponível pela internet

As dicas para o sucesso do 5S em sua Empresa

Para se obter resultados em qualquer empresa é preciso, antes de mais nada, ter um objetivo a ser alcançado com base num planejamento estratégico. Essa é a premissa de Amauri Nóbrega, consultor executivo e sócio fundador da Cinco Global. “Tendo um objetivo claro, inicia-se o planejamento de como chegar lá”.

Nóbrega é enfático ao dizer que, ao investir em um planejamento estratégico, não faz sentido não conseguir executá-lo, o que pode, inclusive, por o futuro desse negócio em risco. Traçado o planejamento estratégico, outro tipo de esforço é demandado nessa empresa: o foco no trabalho humano. Os negócios que são mais atraentes geralmente têm algo em comum, que é a motivação da sua equipe. “Se a empresa tem sistematicamente conseguido atingir os seus resultados, a equipe recebe uma boa parcela do cumprimento dessa meta”, comenta o consultor executivo.

Para Amauri Nóbrega, outro mérito das empresas que conseguem atingir suas metas por meio do planejamento estratégico é que elas têm uma disciplina arraigada e a força de negociação. O método é importantíssimo para as empresas que querem se manter fortes no mercado que atuam. Assim, o consultor pontua três processos-chave para atingir qualquer objetivo: pessoal, estratégico e operacional. “A essência de um negócio passa pelo alinhamento deles. Os seus líderes precisam conhecer a fundo esses processos, pois eles são a base para chegarmos ao sucesso”, diz.

O trabalho nesses três eixos deve seguir com disciplina. “Se uma empresa quer executar seu plano e atingir resultados, é imprescindível haver disciplina, algo necessário tanto na vida pessoal quanto na profissional”, comenta Amauri Nóbrega.

Para conquistar essa disciplina, o consultor recomenda se cercar de pessoas complementares às suas habilidades e competências e mudar radicalmente hábitos ruins. “Vejo o negócio como a vida pessoal. Se você recebe uma orientação do médico dizendo que precisa perder peso e a primeira coisa que lhe vem à cabeça é que não irá conseguir, você deve trabalhar o seu pensamento, pois ele é o principal vilão de cronogramas não cumpridos”, exemplifica.

Ativos ambientais

Curso ambiental pela internet

Metodologia para Identificação e Classificação de Aspectos e Impactos Ambientais, Conforme NBR ISO 14001 – Disponível pela Internet

Possibilitar ao participante a identificação dos aspectos e impactos ambientais, e elaborar o LAIA – Levantamento de Aspectos e Impactos Ambientais de sua organização conforme a norma NBR ISO 14001.

Eduardo Pires Castanho Filho e Adriana Damiani Correia Campos

Transformar ônus num bônus. Foi assim que o governo de São Paulo, a Bolsa de Valores, bancos e empresas sustentáveis lançaram as bases de um novo mercado de títulos ambientais, que foi discutido em um seminário ocorrido na BM&F-Bovespa. Utilizando dados da ESALQ e de consultores independentes, chegou-se à conclusão que São Paulo poderá compensar suas reservas legais por meio de Cota de Reserva Ambiental (CRA), títulos nominativos previstos na atual legislação florestal (Lei n. 12.651/2012, art. 44)1 e que representariam área de vegetação nativa existente ou em recuperação.

Discutiram-se as funções socioambientais das florestas e de como haveria mercado para esses papéis, sem se descuidar dos aspectos legais. Para a emissão da CRA, é condicionante registro prévio no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Depois de emitida, a CRA deverá ser obrigatoriamente registrada em bolsas de mercadorias ou em sistemas de registro e de liquidação financeira de ativos.

A área a ser compensada no estado de São Paulo é menor do que a estimada, porque a lei anistiou aqueles que têm propriedades abaixo de quatro módulos fiscais (75% delas em São Paulo). Dessa forma, a superfície excedente (propriedades que têm mais do que a lei exige) é quase igual à demandada (propriedades que precisam ter o que a lei exige), desde que as falhas de mercado sejam corrigidas. Assim, São Paulo ficaria de acordo com a lei, com a oferta cobrindo a demanda; porém, restringiria a política pública, pois não se ganharia um hectare a mais para as funções ambientais.

Estudos levados a efeito pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) mostraram que o volume total a ser compensado no estado é da ordem de 960 mil hectares)2. O excedente de áreas com florestas nativas em São Paulo é suficiente para cobrir o deficit. Resta ainda uma superfície de cerca de 630 mil hectares não sujeita à obrigação de recuperação porque estão em propriedades abaixo de 4 módulos fiscais. Essas propriedades também têm um percentual menor de faixas de proteção de cursos d’água. Aparentemente, a lei ambiental quis proteger o social em detrimento do bem natural.

Áreas recuperadas têm um custo muito alto e a remuneração precisa ser condizente para que a política avance. Assim, a renda por hectare/ano deve refletir não apenas o custo da terra, mas o do investimento de longo prazo que se fará sobre ela. Rendimentos atuais de R$150,00/hectare/ano (pecuária leiteira no Vale do Paraíba) são compatíveis com uma terra que vale de R$5 mil a R$7 mil o hectare. Para que essa terra remunere os investimentos em recuperação florestal, atualmente em cerca de R$10 mil por hectare, seria necessário que a renda anual fosse, no mínimo, R$350,00/ha/ano.

A dificuldade em desenvolver novos mercados reside no fato de que a mesma unidade produtiva física e jurídica produz dois tipos de bens e serviços muito distintos: de mercado (alimento, energia, fibras, estocagem de carbono, laser) e públicos (água, biodiversidade, polinização, intemperização de rochas, equilíbrio climático). Para estes últimos, a participação do Estado como indutor dos mercados é fundamental e imprescindível. Além do mais, a insegurança jurídica persiste no tocante à compensação das reservas em outros estados, além de Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADINs) que pendem de julgamento nos tribunais superiores e regulamentações federais a respeito das CRAs que aguardam serem decretadas.

É pouco esclarecedora a questão dos serviços ecossistêmicos, sua qualificação e valoração. Em São Paulo, a proteção de aquíferos e bacias críticas, e conservação de biodiversidade parecem ser os produtos mais atraentes. Agregar estocagem de carbono e produção de madeira nobre não parece despropositado. Cabe ao Estado fazer o mapeamento dos locais onde isso deve prioritariamente ser executado, aproveitando inclusive estudos como o Projeto Biota e os zoneamentos agroambientais.

É indispensável que existam mercados futuros como instrumentos de financiamento em longo prazo dessas atividades, conferindo liquidez ao sistema. São Paulo possui mais de 1 milhão de hectares em suas Unidades de Conservação, dos quais pelo menos metade padece de regularização fundiária e pode ser objeto de compensação via doação. É preciso que esses recursos sejam utilizados, por exemplo, para pagar as desapropriações e regularizar essas unidades.

Para melhor compreensão de como se daria a estipulação desses ativos ambientais, faz-se necessário esclarecer o que são serviços ecossistêmicos. A lista do quadro 1 é uma adaptação de trabalho clássico coordenado por Costanza (1997)3, no qual foi feita uma relação exaustiva de quais eram os serviços que os ecossistemas prestavam e tentou-se valorá-los para 16 grandes biomas mundiais, tendo se chegado a uma cifra de US$33 trilhões por ano, ou seja, na época, quase 3 vezes o PIB mundial.

Um dos modos de cálculo seria o do valor econômico, composto de um valor de uso, que por sua vez é dividido em valores de uso direto e indireto. Exemplificando, um valor de uso direto é o consumo da semente produzida em um determinado ecossistema, ou uma visitação que se faz a um parque ou a uma reserva particular. Indireto tem a ver com o uso que se faz do solo, da influência que existe no clima, ou na manutenção da qualidade da água, por exemplo (Figura 1).

A segunda avaliação consiste no valor de opção, como os especialistas o denominam, que se trata do valor que é dado para usar ou não um bem, hoje ou no futuro. Se esse bem for guardado para o futuro, quanto valeria? Normalmente, está relacionado com os recursos genéticos para os quais se teria um uso futuro.

Existe, ainda, um terceiro tipo de valor: da existência, ou o valor do não uso, no qual entram considerações de ordem cultural, estética, histórica e ideológica entre outras. É, analogamente, o valor atribuído a uma obra artística. Ou seja, ele é dado por um sentimento de uma parcela da sociedade que entende que aquilo tem um determinado valor, e lhe imputa esse valor, estando disposta a pagar por ele (Figura 2).

Os bens e serviços da figura 2 são uma simplificação da tabela de Costanza (1997)4 e podem ser fornecidos tanto por ecossistemas mais complexos como por ecossistemas mais simplificados. No Brasil, entre os mais complexos, existem a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica intacta, que são sistemas que fornecem praticamente todos aqueles produtos listados. Mas existem também os ecossistemas simplificados, como os agroecossistemas, as florestas plantadas, ou mesmo as áreas recuperadas, onde também existem condições de geração de bens ecossistêmicos.

Atualmente, estão se solidificando alguns mercados ambientais, como, por exemplo, mudança climática e o mercado do CO2. Outro mercado que também se estrutura é o da água, que não é propriamente de produção, mas de manutenção da qualidade do fluxo. O exemplo mais marcante é o da cidade de Nova York, assim como a questão da manutenção das espécies hoje é muito forte na Europa, parte dos Estados Unidos, Canadá.

No tocante à biodiversidade, prevalece que não se trata apenas de um reservatório para uso futuro, pois vislumbra-se uma série de funções dela extraídas. Exemplo atual é a questão dos fármacos (vide a nova Lei da Biodiversidade – n. 13.123, de 20 de maio de 2015)5. O pagamento pela biodiversidade teria que ser trabalhado de uma maneira distinta, pois não se pode tratar a questão de um modo igual para todo o Brasil.

De outra monta, mercados ligados às mudanças climáticas estariam associados às áreas de expansão da fronteira, ou seja, à manutenção da Floresta Amazônica e do Cerrado. Essa dependência pode ser ilustrada pela influência que poderia ter uma seca na Amazônia no clima de São Paulo. Nas áreas da fronteira agrícola consolidada, entende-se que os grandes mercados ambientais são o da água e o do não uso da biodiversidade, até pelo grau de consciência maior que as populações desses locais estão tendo (Figura 3).

Analisando com mais detalhes essa área de fronteira agrícola consolidada, observa- -se que no Estado de São Paulo houve um esgotamento físico da fronteira depois de meados da década de 1960 e 1970. Convivem florestas, agricultura e pecuária com a infraestrutura socioeconômica. Isso é representado no mosaico no Estado como um todo, onde o espaço geográfico está totalmente apropriado, pública ou privadamente. Pela terminologia usada nos estudos de economia agrícola, existem as unidades de produção agrícola que são os proprietários privados; o Estado, representado basicamente pelas Unidades de Conservação e estações experimentais, e ainda a infraestrutura urbana, de transporte, de geração de energia elétrica, etc. No espaço estadual, há uma vegetação remanescente, que é de 4,4 milhões de hectares muito mal distribuídos, e um grande comprometimento dos mananciais em algumas bacias hidrográficas.

Como se vislumbraria transformar a fragilidade dos mercados de serviços derivados da biodiversidade em uma política pública? O processo se inicia com a produção rural. O produtor possui um agroecossistema, porém, sem características de multifuncionalidade – nomenclatura francesa criada para justificar a questão dos subsídios agrícolas6. O que o agricultor produz? Ele produz alimentos, fibras, matérias-primas energéticas, etc. para determinados mercados, ou seja, existe uma sanção social para parte da produção dos agroecossistemas que são transacionadas no mercado de produtos. Ainda existe outra parte da sua produção, dos serviços ecossistêmicos, cujos benefícios vão para sociedade sob diversas formas, e que acabam não sendo pagos, mas que percorrem exatamente o mesmo circuito (Figura 4).

Outro aspecto é que, para que estes serviços ecossistêmicos aumentem, é necessário que se migre desses agroecossistemas muito simplificados para outros mais complexos, contribuindo para o aumento da sua sustentabilidade. É evidente que esse processo vai ter custo, o qual vai acabar pesando na decisão do produtor enveredar por esse caminho ou não.

Aparentemente, hoje em dia o benefício ecossistêmico dificilmente é sentido ou mensurado pela sociedade, que é a sua verdadeira beneficiária. E, quando mensurado, gera redução de renda para o produtor porque se espera que ele o forneça gratuitamente. Está aí talvez a maior dificuldade de que seja aceito pelo produtor rural o percurso de ir do mais simples para o mais complexo.

Como é que seria injetado recurso para que essa mudança de fato acontecesse e se rumasse no sentido de uma reversão dos ecossistemas simples? Seria por meio de um pagamento social por esse uso, complementado pelos recursos de uma demanda global, difusa, embutida nas certificações, na solidariedade interespecífica, intergeracional. Quer dizer, haveria duas fontes básicas de recursos para que isso acontecesse.

Com o intuito de gerar eventuais debates, foi feita uma tentativa de listar os serviços ecossistêmicos que seriam fornecidos por aquelas áreas com fronteira agrícola consolidada. Quando se mencionam as questões da biodiversidade, mata ciliar ou mesmo da água, também não se prevê claramente pagamento legal para isso. O mesmo ocorre com projetos particulares, nos quais pagamentos estão sendo feitos pela criação de fundos privados, quando o benefício é muito maior do que isso. Aumentar a fiscalização para coagir as pessoas a cumprir um dispositivo claramente antieconômico não parece ser a solução mais eficaz.

A renda média bruta da agricultura de São Paulo está por volta de R$3 mil por hectare por ano. Estimando em aproximadamente 20% a rentabilidade privada esperada (a receita líquida que o agricultor conseguiria), representaria em torno de R$500 a R$600 por hectare/ano, o que não estaria muito longe de avaliações feitas em outros trabalhos.

Continuando: se entender que 30% da área do Estado de São Paulo precisaria estar com algum tipo de cobertura florestal e com ecossistemas mais complexos, e excluindo desse montante a área que já é do Estado (1 milhão de hectares), isso significaria aproximadamente 6 milhões de hectares florestados. Seis milhões de hectares a R$500,00 representam R$3 bilhões por ano.

A agricultura, apenas em sua fase agrossilvopastoril, arrecada de ICMS mais de R$7 bilhões anualmente, ou seja, o que ela arrecada de tributo seria mais que suficiente para pagar os serviços ambientais. Estaria bem pago? Não se sabe. Provavelmente, estaria muito subestimado, mas isso seria uma radical transformação daquele mosaico que se verifica no Estado de São Paulo, e a um custo relativamente baixo.

Notas

1BRASIL. Lei n. 12.651, de 25 de maio de 2012. Esta Lei estabelece normas gerais sobre a proteção da vegetação, áreas de Preservação Permanente e as áreas de Reserva Legal; a exploração florestal, o suprimento de matéria-prima florestal, o controle da origem dos produtos florestais e o controle e prevenção dos incêndios florestais, e prevê instrumentos econômicos e financeiros para o alcance de seus objetivos. Diário Oficial da União, 28 maio 2012.

2CASTANHO FILHO, E. P. et al. A evolução da agropecuária paulista e a implantação da legislação ambiental: impactos socioeconômicos e ambientais. Informações Econômicas, São Paulo, v. 43, n. 4, jul./ago. 2013. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/LerTexto.php?codTexto=12719&gt;. Acesso em: ago. 2015.

3COSTANZA, R. et al. The value of the world’s ecosystem services and natural capital. Nature, Vol. 387, May 1997. Disponível em:< http://www.esd.ornl.gov/benefits_conference/nature_paper.pdf&gt;. Acesso em: ago. 2015.

4Op. cit. nota 3.

5BRASIL. Lei n. 13.123, de 20 de maio de 2015. Dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, sobre a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado e sobre a repartição de benefícios para conservação e uso sustentável da biodiversidade; revoga a Medida Provisória no 2.186-16.  Diário Oficial da União, 14 maio 2015.

6Pagamento por outros serviços visto que a unidade de produção agrícola não produz apenas alimento, fibra ou energia.

Eduardo Pires Castanho Filho é pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e especialista em produtos florestais; e Adriana Damiani é executiva pública – castanho@iea.sp.gov.bradrianadamiani@iea.sp.gov.br