A gestão por processos

Coletânea de normas de qualidade e de meio ambiente

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Coletânea Digital com as Normas Técnicas, Regulamentos, etc, relacionadas à Sistema de Gestão Ambiental!

 

Para conhecer a gestão por processos, há a necessidade de se saber o que é um processo. O conceito usual refere-se ao ato de transformação que requer uma entrada (o que será transformado), o processo que irá transformá-lo e, a saída (resultado da transformação). Também os processos produtivos estão incluídos neste conceito.

A saída ou produto do processo pode ter diversas naturezas: informação, serviços, peças, etc. O resultado de todo e qualquer processo é o atendimento das necessidades do cliente. O objetivo principal de cada processo é agregar valor, assegurando que a saída tenha mais valor do que a entrada. Para que se possa planejar um processo que agregue valor é necessário que os requisitos dos processos e dos clientes sejam conhecidos. Estes requisitos surgem a partir das necessidades dos clientes e dos processos que serão utilizados para realizá-los, e isso quer dizer especificações. Como cada organização é o conjunto de diversos processos, a saída de um é a entrada do outro.

Na norma ISO 9001, em 4.1 Requisitos gerais, está escrito que a organização deve estabelecer, documentar, implementar e manter um sistema de gestão da qualidade e melhorar continuamente a sua eficácia de acordo com os requisitos desta norma. A organização deve

a) determinar os processos necessários para o sistema de gestão da qualidade e sua aplicação por toda a organização (ver 1.2),

b) determinar a seqüência e interação desses processos,

c) determinar critérios e métodos necessários para assegurar que a operação e o controle desses processos sejam eficazes,

d) assegurar a disponibilidade de recursos e informações necessárias para apoiar a operação e o monitoramento desses processos,

e) monitorar, medir, (quando aplicável), e analisar esses processos, e

f) implementar ações necessárias para atingir os resultados planejados e a melhoria contínua desses processos.

Esses processos devem ser gerenciados pela organização de acordo com os requisitos desta norma. Quando uma organização optar por adquirir externamente algum processo que afete a conformidade do produto em relação aos requisitos, a organização deve assegurar o controle desses processos. O tipo e a extensão do controle a ser aplicado a esses processos terceirizados devem ser definidos dentro do sistema de gestão da qualidade.

NOTA 1 Os processos necessários para o sistema de gestão da qualidade acima referenciados incluem processos para atividades de gestão, provisão de recursos, realização do produto e medição, análise e melhoria.

NOTA 2 Um processo terceirizado é identificado como aquele necessário para o sistema de gestão da qualidade da organização porém escolhido para ser executado por uma parte externa à organização.

NOTA 3 Assegurar o controle sobre os processos terceirizados não exime a organização da responsabilidade de estar conforme com todos os requisitos do cliente, estatutários e regulamentares. O tipo e a extensão do controle a ser aplicado ao processo terceirizado podem ser influenciados por fatores tais como:

a) impacto potencial do processo terceirizado sobre a capacidade da organização de fornecer produto em conformidade com os requisitos,

b) o grau no qual o controle do processo é compartilhado,

c) a capacidade de atingir o controle necessário por meio da aplicação de 7.4,

Na verdade, o modelo tradicional de gerenciamento das empresas com base na estrutura funcional departamentalizada tem sido adotado por décadas. Considera-se que essa estrutura apresenta vantagens: é fácil atribuir, localizar e cobrar responsabilidades, pois a divisão de tarefas é mais nítida; cada função tem tarefas bem definidas; favorece a especialização e a competência nos conhecimentos e nas técnicas específicas da área funcional; as decisões são hierarquizadas e centralizadas.

Por outro lado essa estrutura tem se mostrado cada vez mais limitada, por apresentar desvantagens: tende a favorecer a otimização de partes da empresa (departamentos, funções), em detrimento da otimização do todo; favorece a criação de barreiras departamentais; não favorece a aprendizagem do todo, pois os problemas de interface são mal resolvidos; não é orientada para o cliente externo.

Assim, cada vez mais cresce a consciência de que é fundamental a busca incessante da satisfação dos clientes e que, pensando-se principalmente em clientes externos, os outputs da empresa (produtos, serviços, atendimento de pedidos, atendimento de reclamações, etc.) resultam de processos e não de departamentos ou funções. Esses processos atravessam os mais diversos departamentos da empresa, e em diferentes níveis hierárquicos.

Normalmente existem responsáveis pelos departamentos ou funções, mas não existem responsáveis pelos processos. E a satisfação dos clientes está diretamente associada ao desempenho dos processos. Assim a tendência é que as atividades empresariais sejam vistas não em termos de funções, departamentos ou produtos, mas em termos de processos-chave e dos processos de negócio.

A visão da empresa como um conjunto (ou complexo) de processos e não de departamentos (ou áreas funcionais), e o gerenciamento da empresa com foco nos processos, é conhecido como gestão por processos. Nesta visão, os processos são delineados com: necessidades (requisitos) e indicadores de desempenho para clientes internos e externos claramente definidos e contratados; procedimentos simplificados e burocracia reduzida; e estrutura funcional. Um processo pode ser visto como uma cadeia cliente-fornecedor na qual cada um dos elos contribui para se atingir o fim (objetivo) comum, ou seja, a satisfação do cliente externo. Um processo pode ser considerado de qualidade quando satisfaz os seguintes requisitos:

▪ Eficácia: o processo está em condições de satisfazer às necessidades dos clientes;

▪ Eficiência: o processo tem condições para ser eficaz utilizando o mínimo dos recursos disponíveis;

▪ Adaptabilidade: o processo tem condições para autorregular-se no sentido de satisfazer novos requisitos (mudanças nos requisitos).

E como fazer? Em primeiro lugar, selecionam-se os processos prioritários, por meio de uma equipe multifuncional constituída exclusivamente para esse fim. Depois, define-se o responsável pelo processo e da equipe de melhoria. Em sequencia, há a definição da finalidade (propósito) do processo e de suas fronteiras (ou seja: o início, o fim e as interfaces do processo); mapeamento do processo (desenho do fluxograma do processo); identificação das necessidades dos clientes e definição dos indicadores de; a medição do desempenho (conforme os indicadores tradicionalmente adotados); o envolvimento e compromisso dos fornecedores e dos membros do processo e definição dos objetivos de melhoria; a análise dos subprocessos e as atividades de identificar as melhorias e realizá-las; estabelecer os itens de controle (para controle do desempenho dos resultados do processo, em conjunto com os clientes do processo) e os itens de verificação (para verificação/acompanhamento do desempenho na entrada e nas atividades/subprocessos internos do processo); e comprovar as melhorias por meio do desempenho dos itens de controle, padronizar o processo (mudanças) e indicar novas prioridades de melhoria.

Para o professor e consultor Maicon Putti (rodrigo@ideiaconsultoria.com.br), quando um processo é mapeado, ou seja, suas operações são descritas, iniciamos uma nova etapa, a de análise dos processos, listamos na seqüência varias ações que podem ser feitas neste momento, com o objetivo de aperfeiçoar, simplificar e agregar valor as operações. Ele pergunta: qual atividade dá inicio ao processo, recebe informação e documentos de quem? “Verificar se o inicio está conectado com o fim de outro processo, para fazermos um alinhamento das atividades. A maioria das não conformidades encontra-se na transição intradepartamental. O desenvolvimento do processo, o caminho percorrido para a execução das atividades, se está leve, livre de obstáculos, simples, etc. A autoconferência na realização de tarefas, se cada um realiza isto, a probabilidade de acerto no final é muito grande. Verificar o processo de tomada de decisão, em que momento a mesma deve ser tomada e sob a responsabilidade de quem? Se centralização em alguma área e/ou profissional insubstituível, gerando dependência e atrasos operacionais em função da dependência. A lógica das operações o porquê da execução e/ou o caminho de determinadas atividades, se não existe uma forma melhor de fazer”, responde.

Ele aduz, ainda, que deve ser avaliado o resultado do processo, o que gerou para a organização. “Este ponto é essencial, pois os nossos processos precisam gerar resultados que atendam as necessidades da organização. O que foi agregado de valor no processo, que melhoria, racionalidade, otimização de tempo, integração com o cliente interno e externo, etc. O fim do processo, lembrando que o fim é o limite da próxima operação, por isso a necessidade de identificar claramente para sabermos quais serão as atividades posteriores ao processo que está sendo finalizado. O relacionamento com outros processos, assim podemos otimizar as operações através da integração com os processos gerados em outros departamentos. Quais documentos foram gerados no processo em análise, a necessidade deste documento, a atualização e se necessário a exclusão. O tempo para execução do processo, porque realizando uma boa análise, o tempo será minimizado. Se o processo já não é realizado por outro setor, isto ocorre muito entre vendas e financeiro, produção e planejamento da produção, etc. A integração do processo com o planejamento empresarial da empresa, do que adianta trabalhar através de rotinas definidas se não estão dentro do planejamento empresarial da empresa”.

Além disso, segundo o professor, deve ser avaliado o grau de automatizado processo, que tipo de ferramentas pode usar para automatizar o processo, seja via sistema de gestão integrado, seja via work flow. “A integração do processo com o sistema de gestão da empresa, porque muitos não conhecem os recursos que o sistema oferece e acabam criando controles paralelos para ter determinada informação. A eliminação de planilhas paralelas, pois se deve concentrar tudo no sistema gerencial da empresa e no processo que foi mapeado. Questione o porquê de esta atividade ser realizada, muitos recebem uma função e continuam a operação da mesma forma que receberam, o questionar leva a quebrar paradigmas. Em suma, aplicando estes pontos de análises de um processo, a organização será mais leves, simples, competitivas e com processos que agreguem valor ao cliente interno e externo”, conclui.

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Gestão de pessoas: o que não fazer com os colaboradores em pré-aposentadoria

Muitos trabalhadores têm dúvidas a respeito da estabilidade antes da aposentadoria. Esse tipo de estabilidade preserva o emprego dos trabalhadores que estão próximo da aposentadoria. Na verdade, a estabilidade é um direito concedido ao trabalhador em permanecer no emprego, mesmo contra a vontade de seu empregador, desde que inexista uma causa objetiva a determinar sua dispensa. Conceitualmente, observa-se a existência de duas classificações de estabilidades, sendo a primeira prevista no ordenamento jurídico legal, como, por exemplo, no caso das gestantes, e a segunda, regulada em instrumentos normativos, pelos quais há a elaboração de cláusulas protetivas ao trabalhador pela entidade sindical, como na garantia de emprego aos empregados em vias de obter o direito à aposentadoria.
Na estabilidade prevista nos acordos ou convenções coletivas de trabalho, a cláusula normativa simplesmente visa impedir que o empregado seja dispensado antes de preenchidos os requisitos para o percebimento do benefício previdenciário. Todavia, em inúmeras oportunidades as redações das cláusulas normativas pecam pela falta de clareza, não fazendo qualquer distinção específica quanto à modalidade da aposentadoria a ser observada pelo trabalhador, se integral ou proporcional. Com efeito, se não houver qualquer diferenciação pela norma coletiva, por aplicação do princípio da proteção, consubstanciado no artigo 8º, da CLT, deve-se adotar o entendimento mais favorável ao trabalhador.
Quando o trabalhador encontra-se próximo de completar as condições exigidas para adquirir o direito à aposentadoria, seja integral ou proporcional, desde que haja previsão nesse sentido nas normas coletivas da categoria, ele detém o que se chama de estabilidade pré-aposentadoria. Ou seja, no período fixado na norma (que costuma ser de 12 ou 24 meses anteriores à aposentadoria) ele não pode ser dispensado sem justa causa.
O advogado associado do escritório Rodrigues Jr. Advogados, Rafael Cenamo Junqueira (rafael.junqueira@rodriguesjr.com.br), diz que há quem defenda que a estabilidade protege apenas o período correspondente ao direito de se obter a aposentadoria proporcional, se o empregado já possuir tempo de serviço para gozá-la. “A fim de sanar o dissenso da doutrina e da jurisprudência no tema, encontra-se em trâmite no Plenário do Senado Federal o Projeto de Lei Complementar n. º 521, de 2009, cuja autoria pertence à senadora Rosalba Ciarlini (DEM/RN). Referido projeto possui o escopo de proteger o trabalhador em vias de adquirir a aposentadoria, de modo a delimitar determinados procedimentos a serem adotados pelos empregados e empregadores antes de se efetivar a dispensa. Sob o ponto de vista prático, a empregadora restará impossibilitada de dispensar o seu empregado nos 18 meses que antecedem a data de aquisição do direito à aposentadoria voluntária, desde que este trabalhador esteja registrado há pelo menos cinco anos em seus quadros. Caso haja descumprimento à determinação acima, o empregador será compelido ao pagamento de uma indenização ao trabalhador dispensado no valor equivalente a um mês de remuneração por ano ou fração igual a seis meses de serviço efetivo”.
Ele explica que não obstante, se restar caracterizada a dispensa por culpa recíproca ou força maior, desde que reconhecida pela Justiça do Trabalho, o importe da indenização será reduzido em 20% do total devido. “É importante ressaltar, por oportuno, que o debate a respeito desses e de outros dispositivos contidos na mencionada proposta do Projeto de Lei é salutar para toda a sociedade, principalmente nesse momento embrionário, de forma a possibilitar alterações e ajustes necessários, que atendam aos interesses de todos os envolvidos, sejam empregados ou empregadores. Pode-se inferir que as previsões relativas à garantia de emprego ao trabalhador que estiver em vias de adquirir o direito à aposentadoria poderão ser tratadas pelas empresas como uma forma de capacitar o ambiente de trabalho, de modo a incentivar seus profissionais obterem maior produtividade e, por consequência, melhorar sua imagem diante destes e da sociedade”.
Junqueira acrescenta que isso porque certamente as empresas poderão adotar estratégias de marketing, de modo a fazer uso desses profissionais, a fim de demonstrar aos demais a preocupação da instituição na preservação de seus trabalhadores. “Poderão, ainda, utilizar a experiência destes profissionais para transmitir conhecimento aos demais empregados, de modo a promover a integração no ambiente de trabalho, mediante a realização de treinamentos, o que certamente trará benefícios econômicos. Diante de tais fatos, não restam dúvidas acerca do incremento de medidas de proteção aos trabalhadores que se encontram em vias de obter o direito à aposentadoria, assim como o aumento dos deveres concernentes às empregadoras, as quais deverão ater-se às novas regras, a fim de evitar um aumento em seu passivo judicial trabalhista”, complementa.

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Palestrantes

Roberto Macedo
Tema: Economia Brasileira: uma visão macro, setorial e regional
  
Donizete Santos – Presidente SKF no Brasil
Tema:O Modelo de Gestão SKF
José Donizetti Cardoso – Diretor Xerox
Tema: CULTURA E RESULTADOS – duas dimensões
Dra Ellen Lopes – Diretora Executiva.
Tema: A Qualidade na Cadeia Alimentar
Farhad Abdollahyan – Project Management.
Tema: O Modelo de Gestão Britânico – PRINCE2 (Olimpíada 2012)
Maristela Hurtado – Coach Executivo
Tema: O fator humano na gestão de projetos – os 4Es
Fabíola Bergamo
Tema: Sustentabilidade e Responsabilidade Social
 

O teletrabalho veio para ficar?

 
 

Como gerenciar as normas técnicas e os documentos internos e externos

Controlar e manter o seu acervo de normas técnicas e de documentos internos e externos sempre atualizados e disponíveis para compartilhamento entre todos os usuários é hoje um grande desafio em diversas organizações por envolver a dedicação e o esforço de vários profissionais. As normas do Sistema de Gestão da Qualidade da série ISO 9000 são rigorosas quanto aos critérios de controle, atualização e disponibilização de documentos corporativos aos seus usuários. Clique para mais informações.  

 

Segundo algumas pesquisas, já há mais de 10 milhões de teletrabalhadores no país, principalmente no setor de telemarketing trabalhando diretamente a partir de suas casas, reduzindo custos e investimentos para a empresa, oferecendo oportunidades diferenciadas aos empregados, e servindo de exemplo para outras empresas que relutam em fazer o mesmo – seja em tarefas operacionais, técnicas ou administrativas. Claro que trata-se de uma tarefa com bom número de desafios, incluindo os de ordem jurídica, tecnológica, de gestão e outros. Mas, o resultado final compensa o esforço e se trata de uma evolução natural de um mercado de trabalho que precisa se adaptar às dificuldades das grandes metrópoles (incluindo os cada vez maiores tempos de deslocamento), às questões ambientais e à natureza cada vez mais complexa das relações de trabalho e consumo.

Mudança de comportamento

Além das questões jurídicas e administrativas, há também um problema psicológico: muitas vezes é difícil para o gestor abrir mão de manter sob os seus olhos a força de trabalho. O diretor teme permitir que o trabalhador trabalhe fora do alcance de visão de um supervisor, e sem as restrições ambientais de um escritório corporativo. Mudar este paradigma é complicado, e geralmente precisa acontecer na forma de programas-piloto em pequena escala que demonstrem os ganhos potenciais do desenvolvimento desta alternativa

Segundo a advogada Eliana Saad Castelo Branco, apesar de parecer novidade, o teletrabalho vem sendo discutido há anos, pois a Organização Internacional do Trabalho (OIT) define o teletrabalho como uma forma de serviço efetuada em um local distante do escritório central e/ou do centro de produção, que permita a separação física e que implique o uso de uma nova tecnologia facilitadora da comunicação. “Jack Nilles, o pai do teletrabalho, após ser indagado sobre uma forma de melhorar as condições de trânsito, cerca de 35 anos atrás, chegou a conclusão de que seria possível reduzir o número de carros, portanto, de engarrafamentos nas ruas. Se o trabalhador tivesse a oportunidade, pelo menos algumas vezes, de trazer o trabalho para junto de si ao invés de precisar ir até ele, já traria grandes resultados. Jack enfrentou algumas dificuldades para realizar seus estudos, mas finalmente conseguiu realizá-lo. Os conceitos foram aceitos e o tele-trabalho se globalizou. Seu objetivo, a partir de então, era provar que uma melhora na qualidade devida de um funcionário aumenta sua produtividade”, informa ela.

Em 2005, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) deu início ao projeto piloto que implantaria o programa de trabalho virtual. Não havia obrigatoriedade de adesão nem restrição de cargos. A empresa forneceu aos funcionários virtuais notebook, celular, acesso banda larga e até mesa de trabalho. Os funcionários também tiveram a oportunidade de treinamento de informática e de segurança da informação para que conservassem bem os equipamentos”.

A advogada sustenta que a legislação brasileira tem sido apontada por diversas companhias como um obstáculo na implementação de programas de trabalho virtual no país. Muitas empresas temem ser processadas por trabalhadores que possam alegar ter ficado ininterruptamente à disposição no momento em que casa e trabalho passaram a ocupar o mesmo espaço. No entanto, existem alternativas que regulamentariam essa relação para que funcionários e empregadores não sejam prejudicados.

A realização do teletrabalho exige, por parte dos administradores, que se adotem procedimentos diferentes dos anteriores em relação ao local, horário de funcionamento e, conseqüentemente, ao estilo de administração. Para Jack Nilles, a questão central do gerenciamento desta nova proposta é a mudança de prioridades. Ao invés do foco nas horas trabalhadas, o que se deve levar em consideração é o desempenho. O verdadeiro segredo do tele-trabalho bem sucedido está na confiança mútua estabelecida entre o gerente e seu subordinado Porém, muitas empresas ainda encontram-se ligadas ao mecanismo clássico de controle que é a supervisão da presença física e do tempo utilizado pelo trabalhador. Podemos citar como benefícios para as empresas a redução de custos, ganhos de produtividade, melhores tempos de resposta, melhoria no clima organizacional, redução da demanda de locais para escritório, prática na gestão por competência, entre outros. Já para o funcionalismo as questões referentes a melhorias na qualidade de vida, como ter maior contato com a família, reduzem o estresse e a tensão profissional, resultando em um melhor desempenho. Além de gerar menos gastos com transporte ou manutenção de veículos, reduz riscos de deslocamento e a propagação de viroses, gripe, etc. assim o trabalhador pode administrar melhor seu tempo, e com certeza os reflexos desta mudança serão encontrados positivamente no resultado de seus serviços”.

Claro que existem também desvantagens como a necessidade de capacitação dos trabalhadores que demanda investimento, a possível queda de produção na fase inicial do projeto, e até mesmo o distanciamento dos próprios funcionários e suas inter-relações. Entretanto, para a sociedade em geral os benefícios seriam muitos. Afinal, menos veículos em movimentação reduzem os níveis de poluição e também os gastos com manutenção de estradas, reduziria impostos, congestionamentos e gastos com combustíveis. Vale à pena uma reflexão neste sentido.

O fato de o local de trabalho ser transferido para a residência do trabalhador implica necessariamente que os  recursos para execução das atividades sejam custeados pelo empregador? O problema é de difícil solução, pois, se o próprio empregado custear, por exemplo, ferramentas de trabalho, o contrato pode, em princípio, se caracterizar como labor autônomo, já que faltaria à espécie o elemento dependência, que, a teor do artigo 3º da CLT, deve ser econômica e técnica, consubstanciando-se no próprio conceito de subordinação. Mas, o empregador deve custear, por exemplo, energia elétrica, linha telefônica e outras despesas básicas? Não é fácil separar o custo operacional das despesas domésticas do empregado.

Na realidade, se o intento do empregador é de apenas reduzir custos, talvez a mantença de todo o equipamento a ser instalado na residência do empregado seja até mais custosa do que o labor nas dependências da empresa. Enfim, há muitas transformações na sociedade e não está sendo diferente com as relações de trabalho. O momento é de mudança na postura, seja do patrão, seja do empregado, para que o teletrabalho não se transforme, como já ocorreu com a terceirização em mera forma de o empregador reduzir encargos contratando verdadeiros empregados como se fossem trabalhadores autônomos.

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Dicas Qualidade Online

Esfiharia Effendi – Quando você estiver perto da Estação da Luz, nas proximidades das lojas para noivas da região da rua São Caetano, no centro de São Paulo, não deixe de ir provar a massa das esfihas da casa que são assadas na hora. Fundada por um armênio e tocada pela terceira geração dos seus descendentes, a esfiharia serve os salgados desde 1973 e mais parece um buteco. Também são servidos o quibe cru, o homus, os charutinhos de uva e de repolho, e o basturmã. R. Dom Antônio de Mello, 77 – Luz – São Paulo – SP – Tel.: (11) 228-0295.

O uso de telas hexagonais sem qualidade coloca em riscos as obras civis

A utilização de telas hexagonais na estruturação do concreto para prevenir as trincas e as fissuras ou em cercas e alambrados, quando se faz a opção por produtos importados com preços mais baixos e sem qualidade, pode estar colocando em risco as obras civis em relação à sua durabilidade. Esse alerta do gerente executivo do Instituto de Metais Não Ferrosos (ICZ), Ricardo Goes, baseia-se em dados obtidos no mercado consumidor e nas importações registradas nos órgãos que controlam o comércio exterior brasileiro. De acordo com esses dados, as importações de telas hexagonais, principalmente originárias da Ásia – em especial da China – vêm crescendo ano a ano e atingiram volumes, em 2008, 14 vezes maiores do que em 2003, na média mensal.

Segundo Goes, um dos principais problemas encontrados nas telas hexagonais importadas é que boa parte delas não atende às exigências da NBR 10122 em quatro itens fundamentais:

  • O primeiro deles relaciona-se à galvanização de baixa qualidade, com o revestimento de zinco aplicado em gramatura abaixo das especificações da norma, propiciando o aparecimento de focos de ferrugem, inutilizando prematuramente o produto;
  • O diâmetro externo do rolo da tela menor que o especificado na norma técnica, causando o chamado efeito mola, quando da sua abertura ou, ainda, deformando o produto ao longo de toda a sua extensão, devido à sua excessiva compactação;
  • Ausência completa da identificação do produto na etiqueta que acompanha o rolo;
  • Irregularidade nas dimensões da abertura das malhas.

 

Conforme destaca o gerente, a norma especifica a camada mínima de galvanização para as telas hexagonais. “A não-conformidade com a norma pode ser verificada no caso de a tela se apresentar com traços de ferrugem, pois a galvanização é responsável pela proteção contra a corrosão do arame. Análise feita pelo Sindicato Nacional da Indústria de Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos (Sicetel), com base nos resultados de ensaios realizados em laboratório, no Centro Universitário da FEI – Instituto de Pesquisa e Estudos Industriais, Relatório de Análise nº 61.498/08 e Certificado nº 59.364/08, indica que alguns produtos não estão em conformidade com a norma, inclusive com amostras contaminadas por metais pesados”, explica. Diz ainda que, de acordo com o ensaio em laboratório, e segundo a NBR 10.122, a ilustração abaixo demonstra a grande diferença na proporção da camada de zinco aplicada nos fios BWG 24. O fio em conformidade apresentou 20 g/m2 e o fio em não-conformidade aproximadamente 1/5 da camada aplicada ou apenas 5,6 g/m2.

Outro problema, apontado pelo gerente, é que o padrão nacional exige que as etiquetas de identificação do produto, inseridas nos rolos das telas hexagonais, contenham as informações obrigatórias relativas à marca; identificação do número da norma e do tipo de tela; diâmetro do fio, em milímetros e alternativamente em BWG; altura do rolo em metros; comprimento do rolo em metros; gramatura mínima da camada de zinco ou liga de zinco, em gramas por metro quadrado; e identificação do fabricante ou do importador. Essas informações são essenciais para a verificação da conformidade das telas importadas com a norma brasileira.

“A não conformidade aos requisitos da NBR 10122 pode trazer diversos tipos de prejuízos para os usuários das telas hexagonais. Entre os mais importantes, podemos citar: grande dificuldade de manuseio, devido às irregularidades dimensionais e de abertura dos hexágonos, entre outras falhas de fabricação que causam o chamado efeito mola devido à má compactação do rolo, que fica com diâmetro muito reduzido, ele não se abre uniformemente, dificultando bastante a sua utilização e, muitas vezes, chegando a inutilizar o material; e desgaste acelerado das telas, conforme demonstra a foto 4, caso não se atenda aos requisitos de camada mínima de galvanização, conforme prescrito pela norma brasileira. Sem a aplicação da camada mínima de galvanização, as telas tendem a oxidar e a sofrer um processo acentuado de corrosão”, alerta.

Para ele, essas irregularidades, além de caracterizar a não-conformidade com a norma brasileira, infringem também o Código de Defesa do Consumidor (CDC – Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990), que em seu artigo 39, inciso VIII, proíbe a colocação, ao mercado consumidor, de qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro). “Além disso, o artigo 12 do CDC estabelece que “o fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela (…) apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes e inadequadas sobre suas utilizações e riscos”.  O CDC determina ainda, em seu artigo 31, que a oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidades, composição, preço, garantia, prazo de validade e origem, entre outros dados, bem  como sobre os riscos que apresentam à saúde e á segurança dos consumidores”.

Dessa forma, frisa o gerente, o uso de telas hexagonais que não apresentam conformidade com as exigências da norma brasileira é um exemplo claro do ditado popular o barato pode custar caro, pelos danos e prejuízos potenciais que pode trazer aos seus compradores. Além disso, as telas hexagonais importadas de países asiáticos, especialmente da China, atualmente custam quase o equivalente (cerca de 5% menos, no preço ao consumidor) ao preço ao consumidor das telas hexagonais fabricadas no Brasil. Estas, porém, seguem rigorosamente a NBR 10.122 e, assim, oferecem garantia de procedência, de qualidade e durabilidade, com a gramatura do revestimento de zinco correta; de dimensões e de trabalhabilidade.

“Assim, construtores, arquitetos e engenheiros que especificam ou executam obras precisam atentar para a questão da qualidade e durabilidade das obras e da segurança de seus funcionários e usuários de edificações e locais nos quais são utilizadas telas hexagonais. Uma tela em não-conformidade pode colocar em risco a vida de operários e de pessoas que trabalham ou utilizam espaços que empregam telas hexagonais em funções de segurança. Portanto, para obter durabilidade, qualidade e segurança é fundamental utilizar telas hexagonais em conformidade com as normas brasileiras”, finaliza.

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Coletânea Gestão Ambiental

A Gestão ambiental se configurou como uma das mais importantes ferramentas de eliminação de barreiras e de facilitação de negócios, com vistas a atuação em mercados mais competitivos. O emprego destas ferramentas como forma de agregar valor a produtos e processos industriais vem, cada vez mais, crescendo em importância, em especial no acesso e manutenção de mercado. Com preço reduzido, são livros e CD-ROMS que os gestores podem adquirir e implementar os programas de qualidade em suas empresas. Clique para mais informações.

Conflitos organizacionais. Como se pode gerenciá-los?

Livros e vídeos sobre conflitos 

Quer conhecer as várias técnicas de administração de conflitos? Quando o conflito atinge uma organização ou comunidade, como fazer para manter as pessoas unidas?
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Normalmente, os conflitos têm sua principal causa na divergência de interesses, ideologias ou opiniões a respeito de certo assunto, procedimento ou realização de certas tarefas. Diferentemente do que a maioria das pessoas imaginam, os conflitos bem administrados podem gerar mudanças positivas no comportamento das pessoas, pois motiva na busca de soluções.

Já quando administrados de maneira errada, causam tensão, levam a agressão e geram ambientes improdutivos. No mundo corporativo ideal, todos se entendem, sabem como se relacionar, não existem restrições de recursos financeiros e técnicos/tecnológicos e não há concorrentes que afetam a relação com o mercado. Enfim, os resultados são facilmente atingidos e, por isso, não existem conflitos nas organizações.

Mas, infelizmente, a realidade é outra, segundo explica Fernando Montero da Costa, diretor de Operações da Human Brasil. “Um conflito normalmente ocorre quando há divergências de ideias e opiniões, onde há necessidades, interesses e problemas distintos”. Ele lista diversos outros motivos:

– Escassez de recursos.

– Situações de Interdependência

– Falta de informação (o processo de comunicação interno não é claro, nem efetivo na empresa).

– Falta de clareza nas responsabilidades e funções.

– Valores e cultura da empresa são distintos e podem não condizer com a de seus empregados.

– Situações de imposição de poder e força.

– Oscilações no clima interno e nas relações estabelecidas dentro da organização.

– Conflitos encobertos.

– Clima competitivo ou de escassez de reconhecimento.

– Divergências de estilos, habilidades e competências de atuação tanto entre líderes quanto entre os empregados da organização.

– Existência de inseguranças internas, como o medo de perder o controle, o poder, etc.

Montero diz que o principal problema em relação aos choques internos está em não resolvê-los. “Um conflito não resolvido pode provocar aumento de hostilidade interna, ressentimentos, diminuição da eficácia das equipes de trabalho, além da perda de autoestima e integração”.

O diretor explica que, ao lidar com os conflitos, entram em jogo basicamente duas variáreis: a disposição em cooperar com a sua solução e a defesa dos interesses próprios. “A combinação de ambas as dimensões dá lugar a distintas formas de abordar um conflito nas organizações”, diz ele. Ele cita algumas:

– Não enfrentar ou fugir do conflito.

– Acomodar-se à situação, numa relação: eu perco, e o outro ganha.

– Solução de compromisso na qual ninguém perde mais do que o outro, ou seja, partem-se as diferenças.

– Enfrentar o conflito numa relação competitiva: eu ganho e o outro perde.

– Colaborar de maneira assertiva, estabelecendo ao final uma relação: ganha x ganha.

As tendências modernas de gestão de recursos humanos mostram que, na dúvida sobre qual estilo de abordagem de conflitos mais apropriado, recomenda-se que se adote uma postura mais assertiva/colaborativa, quando possível”, afirma Montero. Completa dizendo que, portanto, é fundamental desenvolver tanto a empatia quanto o exercício do feedback emocional nas relações interpessoais com subordinados, superiores e colegas.

Para os tradicionalistas, os conflitos são o resultado de comportamentos de alguns indivíduos indesejáveis; sendo que o conflito está associado à cólera, à agressividade, à batalha física e verbal, à violência, a sentimentos e comportamentos essencialmente negativos e prejudiciais ao grupo e à organização. muitos conflitos têm efeitos negativos e prejudiciais, mas esta perspectiva é muito superficial, limitada e mesmo, inadequada. De acordo com a visão atual, é reconhecida a utilidade de um certo grau de conflito para a vitalidade das organizações e dos grupos. Isso porque por muito grande que seja a compatibilidade entre as pessoas de uma equipe, haverá sempre momentos em que os pensamentos, as necessidades e as aspirações de cada um se chocam. Contudo, uma conclusão é inevitável: os conflitos fazem parte da vida e não significam que sejam destrutivos ou prejudiciais.

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Dicas Qualidade Online – Cozinha cabocla

Cozido caboclo – Pegue meio quilo de acém cortado em cubos grandes e passe em farinha de trigo, frite em um pouco de azeite, junte uma cebola grande picada e dois dentes de alho amassados. Acrescente três tabletes de carne e três xícaras de água quente. Deixe cozinhar em fogo baixo, com a panela tampada, durante uns 35 minutos ou até que a carne esteja macia. Acrescente duas batatas doces cortadas em cubo, três xícaras de abóbora cortadas em pedaços grandes, duas batatas comuns em cubos e algumas folhas de repolho rasgadas. Cozinhe até que amoleçam os legumes e o molho fique encorpado. Por fim, coloque cinco folhas de couve rasgadas e depois de uns quatro minutos sirva a seguir com arroz branco.

Etiqueta de Eficiência Energética em edificações

Livros técnicos

     
   
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O Inmetro publicou a revisão do regulamento técnico da Etiqueta de Eficiência Energética em edificações comerciais, de serviços e públicos, após um mês em consulta pública, quando recebeu a colaboração da sociedade e de todas as partes interessadas. O regulamento faz parte do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) e foi desenvolvido em parceria com a Eletrobras para incentivar a elaboração de projetos que aproveitem ao máximo a capacidade de iluminação e ventilação natural das construções, levando a uma redução de até 50% no consumo de energia elétrica. A etiqueta de eficiência energética, desde que atinja um nível de excelência em eficiência energética (faixa A) também garante condições especiais de financiamento junto ao BNDES.

Para receber a etiqueta, os projetos de edifícios devem ter área útil superior a 500 m² ou ser atendidos por alta tensão. Os empreendimentos são avaliados em três aspectos: envoltório, sistema de iluminação e sistema de condicionamento de ar. O objetivo é estimular o ganho de calor pelo sistema de fechamento do edifício e, ao mesmo tempo, aproveitar a iluminação e a ventilação naturais, levando a um consumo menor de energia elétrica.

O Inmetro analisa o edifício na fase de projeto e também realiza uma inspeção após a conclusão da obra para verificar se os sistemas estão de acordo com o que foi previamente apresentado. Outra fiscalização só acontecerá quando acabar a validade de cinco anos da etiqueta. A construção será fiscalizada e, dependendo do caso, poderá mudar a categoria da etiqueta.

O processo de etiquetagem de edificações no Brasil ocorre de forma distinta para edifícios comerciais, de serviços e públicos e para edifícios residenciais. A metodologia para a classificação do nível de eficiência energética dos primeiros já está devidamente regulamentada e seu conteúdo encontra-se distribuído nas quatro publicações técnicas disponibilizadas nessa página. A metodologia para classificação dos edifícios residenciais está em fase de elaboração e passará, em breve, por consulta pública.

A etiqueta é concedida em dois momentos: na fase de projeto e com o edifício construído. São avaliados, basicamente, três aspectos: envoltória, iluminação e condicionamento de ar. Dessa forma, a etiqueta pode ser concedida de forma parcial, desde que sempre contemple a avaliação da envoltória.

“Hoje, 15% da energia produzida no País é consumida por edificações comerciais e 7,6% por edificações públicas, totalizando 22,6% de toda energia gerada. Um edifício etiquetado pode gerar uma economia de até 50% no consumo de energia. É uma tendência mundial, principalmente na Europa, não somente pela questão ambiental e redução no consumo, mas também por valorizar o imóvel”, ressaltou Márcio Damasceno, integrante da equipe técnica do PBE. A economia de eletricidade oriunda por meio da arquitetura bioclimática pode chegar a 30% em edificações já existentes (se passarem por readequação e modernização). O custo médio estimado da avaliação de eficiência energética de um projeto varia em torno de R$ 15 mil a R$ 20 mil.

Assim como os eletrodomésticos, os projetos de arquitetura serão analisados e receberão etiquetas com graduações de A a E, de acordo com o consumo de energia, sendo A a mais eficiente ou econômica. As etiquetas poderão ser solicitadas por construtoras, ainda na fase inicial do projeto, ou por prédios já construídos que queiram se adaptar ao programa. Para recebê-la, as edificações são avaliadas em três sistemas: envoltória, sistema de iluminação e sistema de condicionamento de ar, aproveitando melhor as chamadas energias passivas – a iluminação e a ventilação naturais – além de incentivar o uso racional de água e de energia solar.

No total, 14 edifícios comerciais já estão com os seus projetos etiquetados: uma agência da Caixa Econômica Federal (CEF) em Curitiba; a sede administrativa da CEF em Belém (PA); Superintendência da CEF no Paraná; Alpha Plaza (blocos A, B, C e D), em Campinas; Hangar Hotel (prédio 1 e torre); e os projetos da Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina (SATC), em Criciúma; a Faculdade de Tecnologia Nova Palhoça (FATENP), em Nova Palhoça (SC); e o Laboratório da Engenharia Ambiental (Cetragua) da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis; além do Novo Terminal Rodoviário em Brasília. “Até o fim de 2010, teremos a primeira edificação etiquetada construída”, adiantou Damasceno, referindo-se à Superintendência da CEF no Paraná. Além das vantagens em economia de energia, a etiqueta garante também condições especiais aos empréstimos da linha ProCopa Turismo, do BNDES, para hotéis, com prazos de financiamento maiores e taxas juros menores. Mais informações no site http://www.procelinfo.com.br

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O processo de normalização no Brasil

Completando esse ano 70 anos, pois foi fundada em 1940, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o órgão responsável pela normalização técnica no país, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico. Em 14 de outubro de 1946, delegados provenientes de 25 países, dentre eles o Brasil, se reuniram para discutir a criação de uma organização internacional, que tinha como propósito facilitar a coordenação internacional e harmonização de normas industriais, que terminou levando a criação da International Organization for Standardization (ISO). A data deste encontro marcou o Dia Internacional da Normalização.

Historicamente, pode-se dizer que a primeira fase da normalização ocorreu por volta de 1900 até os anos 80 e concentrou seus esforços na criação de normas que visavam à especificação e à definição de produtos industriais, agrícolas, etc.. Nessa fase, as normas incluíam itens como formas e tamanhos de barras de aço, perfis e dimensões de parafusos, porcas, mancais e inúmeras outras peças. Portanto, nesse período, a maior atenção da normalização voltava-se para a padronização de peças utilizadas na construção de máquinas e equipamentos.

Hoje, as normas, além dos produtos em si, abrangem um universo bem maior de temas. Esses temas, chamados de teóricos, tratam de questões relativas a terminologias, glossários de termos técnicos, símbolos, regulamentos de segurança, entre outros. O aparecimento de normas específicas para temas dessa natureza é que caracterizou a segunda fase da normalização. Tanto no campo industrial quanto na relação entre fabricantes e consumidores, a normalização passou a cumprir alguns objetivos relacionados à simplificação; comunicação; economia global; segurança, saúde e proteção da vida; e proteção do consumidor e dos interesses da sociedade.

O trabalho de normalização é necessário e importante para garantir que qualquer pessoa envolvida dentro do processo, em qualquer das etapas consiga obter o mesmo resultado de outra pessoa dentro do mesmo processo. Na prática, a normalização é uma forma de reduzir o desvio padrão dos processos, aumentando a eficiência da capacidade produtiva. Não se pode parar com este imenso e contínuo processo de melhoria, que traz cada vez produtos melhores e de baixo custo para a população.

A Revolução Industrial, no século XVIII, também teve seu papel relevante, pois marcou o declínio do trabalho artesanal e o aumento da especialização e da padronização, de modo a favorecer a produção seriada em massa. Assim, a partir do momento em que o homem entra na era industrial e inicia a produção em massa, surge uma grande variedade de formas e tamanhos desse produto e de seus componentes. Devido ao grande número de variáveis para o setor produtivo controlar, os custos dos produtos geralmente eram elevados.

Por volta de 1839, o inglês Joseph Whitworth realizou um importante estudo, com o propósito de padronizar os perfis das roscas de fixação. Com a introdução da padronização, todos os elementos que compõem uma rosca: o passo, os raios, a altura e os ângulos do filete passaram a seguir os padrões estabelecidos por Whitworth. Além de reduzir a variedade de passos e ângulos e facilitar os processos de fabricação e controle, a padronização das roscas criou uma linguagem comum entre fabricantes e consumidores. Essa padronização logo se tornou conhecida na Inglaterra, sendo adotada, também, por indústrias de outros países.

Um fato ocorrido durante a segunda guerra mundial (1939 a 1945) proporcionou um impulso na atividade de normalização. Devido ao ataque japonês a Pearl Harbour, os Estados Unidos viram-se envolvidos num esforço de guerra para o qual eles não haviam se preparado. De repente tiveram que adaptar suas indústrias, especialmente as mecânicas e metalúrgicas, para produzir canhões, aviões, navios, fuzis, etc. Como eles tinham que trabalhar contra o tempo, as atividades de fabricação foram divididas entre as diversas empresas que tinham maior afinidade com a produção daquele item específico. As peças passaram a ser produzidas em locais distantes geograficamente e enviadas para um local onde era feita a montagem dos armamentos. Para que isso funcionasse foi necessário que se investisse em padronização de medidas e tolerâncias para que as diversas peças se encaixassem entre si.

E como se elabora um documento normativo? Antes disso, é preciso que seja definida a necessidade de existência da norma e que problemas poderão ser evitados com essa norma? Depois, definir os principais pontos para a sua criação, isto é, levantar a prática atual; fazer fluxograma do processo; e descrever quem usa, quem faz, o que usa, o que faz, para quem faz e como faz as atividades do processo. Alguns pontos importantes na elaboração de um documento normativo: apresentar uma linguagem simples e objetiva, e ser elaborada de forma participativa através do consenso e da responsabilidade.

Na formatação se define o padrão visual e sua estruturação de apresentação na Empresa, através de uma norma básica para elaboração e formatação – “Norma das Normas”, que pode ser ou não nos padrões da Diretiva 3, estabelecida pela ABNT. Nessa norma das normas devem ser estabelecidas as regras de numeração, aprovação, revisão e distribuição. Deve-se verificar se a norma proposta não fere algum dispositivo já existente em vigor na estrutura vigente, se está de acordo com a política global da Empresa e se não cria conflito de autoridade. Esta verificação limita-se à analise dos aspectos formais, não entrando no mérito do conteúdo da atividade que está sendo normalizada.

A sua formatação deve constar de: Identificação; Sumário; Texto dividido em seções; e Informações complementares. A identificação pode ser de cabeçalho e rodapé. A identificação de cabeçalho consta de: logotipo da Empresa; título da norma; numeração de ordem; número da versão/revisão; e cancelamento. A identificação de rodapé consta de: elaborado por; aprovado por; data de vigência; e número da página.

O Sumário é o resumo de todos os itens constantes da norma. No Texto deve constar: objetivo; campo de aplicação; referências normativas; definições; diretrizes; procedimentos; e anexos. O objetivo, campo de aplicação e as diretrizes são obrigatórios sempre numa norma. O objetivo descreve a finalidade básica da norma. Geralmente começa com verbo no infinitivo. O campo de aplicação, refere-se a abrangência do assunto normalizado. Pode-se ter uma ou mais áreas da organização, de acordo com a abordagem sobre o tema normalizado. As referências normativas são leituras complementares de documentos que aprofundam os conhecimentos sobre o assunto tratado. As definições são explicações complementares que auxiliam no entendimento de palavras ou expressões utilizadas no texto da norma.

As siglas e abreviaturas são utilizadas para definir siglas ou abreviaturas escritas ao longo do texto da norma, sem que haja necessidade de repetir o extenso da sigla após sua identificação. As diretrizes são orientações necessárias para o pleno entendimento e operacionalização do assunto normalizado. Os procedimentos descrevem passo a passo cada uma das etapas referentes a operacionalização do assunto normalizado. Para descrição de procedimentos, utiliza-se normalmente, o verbo no tempo presente e na terceira pessoa do singular. Os anexos são documentos, formulários, instruções de preenchimento, mapas, desenhos, plantas, que auxiliam no entendimento do assunto.

Enfim, as normas técnicas são uma fonte de tecnologia, manutenção de qualidade e otimização de processos que asseguram que a produção de sua empresa esteja competitiva e adequada aos padrões nacionais e internacionais. Ela dá apoio tecnológico às normas de gerenciamento de processos e produtos que por sua vez, garantem a qualidade, permanente do produto ou serviço, também dá apoio tecnológico às normas de operação dirigidas ao operador que executa as atividades repetitivas.

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