Lâmpadas incandescentes

incandescenteA partir do dia 1º de julho, o varejo não pode mais comercializar lâmpadas incandescentes e fluorescentes compactas com potência superior a 60W que não atenderem aos novos níveis mínimos de eficiência energética, regulamentação que tem por objetivo elevar a participação no mercado de modelos com maior eficiência, de acordo com o Plano de Metas estabelecido na Portaria interministerial nº 1007/2010. A medida do governo integra a nova legislação, elaborada pelo Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE), e é coordenada pelos ministérios de Minas e Energia; Ciência, Tecnologia e Inovação, e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em parceria com o Inmetro, responsável pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), assim como pela a fiscalização. A regulamentação visa induzir que as lâmpadas incandescentes de uso comum (LI) atinjam níveis mínimos de eficiência mais rigorosos que os atuais – as lâmpadas com outras potências terão prazos de vencimento até 2016.

“Presentes em 70% dos lares brasileiros, as lâmpadas incandescentes, de baixo desempenho energético, deixarão de ser comercializadas gradativamente no Brasil, seguindo uma tendência mundial recomendada pela Agência Internacional de Energia. Elas consomem quatro vezes mais energia e duram oito vezes menos que as fluorescentes compactas, o que as torna, no final das contas, muito mais caras para o bolso do consumidor. Como a tecnologia da incandescente tradicional já atingiu seu limite de desenvolvimento tecnológico quanto a sua eficiência e tempo de vida, ela deve deixar de existir”, explica Alfredo Lobo, diretor de Avaliação da Conformidade do Inmetro.

Desde janeiro de 2007 (as compactas) e fevereiro de 2009 (as incandescentes), estas lâmpadas não podem ser importadas ou fabricadas no Brasil sem atender a requisitos estabelecidos nas Portarias Inmetro, em consonância com o que determina o PBE, e devem ostentar na embalagem a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (Ence) indicando a sua eficiência energética, fluxo luminoso e vida útil.

A partir dos prazos finais estabelecidos nas portarias, atacadistas e varejistas, incluindo as lâmpadas importadas, serão fiscalizados pelos órgãos delegados do Instituto nos estados. Os estabelecimentos, importadores e fabricantes que não atenderem à legislação estarão sujeitos às penalidades previstas em lei. Já a importação é ainda controlada pelo Inmetro, de forma a impedir a entrada de produtos irregulares no País.

Países como a Argentina, Alemanha e Austrália já aboliram a comercialização das lâmpadas incandescentes, e outros determinaram cronograma para eliminação, como os da União Europeia e os Estados Unidos, só para citar alguns. As lâmpadas terão de atender a níveis cada vez mais rigorosos para continuarem no mercado.

Esses produtos devem cumprir a NBR 14671 de 04/2001 – Lâmpadas com filamento de tungstênio para uso doméstico e iluminação geral similar – Requisitos de desempenho que estabelece os requisitos de desempenho para lâmpadas, incluindo métodos de ensaio e meios para confirmação da conformidade com os requisitos. São definidos métodos de avaliação da produção total listada de um fabricante de lâmpadas, relacionados aos seus registros de ensaios em produtos acabados.

Aplica-se a lâmpadas incandescentes com filamento de tungstênio para serviço de iluminação geral, atendendo os requisitos de segurança da NBR IEC 60432-1 e possuindo: potência nominal de 15 W a 200 W inclusive; tensão elétrica nominal de 127 V e 220 V; bulbos em formatos A, PA, PS ou R, claro, fosco, com revestimento similar ao fosco, ou com revestimento branco, conforme nomenclatura dada na IEC 60887; e base rosca Edison E27/27. As lâmpadas para as quais é reivindicada conformidade com esta norma devem satisfazer aos requisitos da NBR IEC 60432-1.

As lâmpadas devem ser projetadas de maneira tal que seu desempenho seja confiável e aceito em uso normal. Em geral, isto pode ser alcançado pelo atendimento aos requisitos da seção 5. As lâmpadas devem ser ensaiadas conforme os procedimentos do anexo B.

Para a sua identificação, uma informação identificando o revestimento branco das lâmpadas deve ser marcada na própria lâmpada ou na embalagem. Outras informações sobre as características das lâmpadas devem ser conforme o anexo C. As lâmpadas devem satisfazer aos requisitos dimensionais especificados na tabela de características correspondente.

As lâmpadas com bases E27 devem estar conforme o gabarito para ensaio de contato, folha 7006-50, da IEC 60061-3. quanto às características e tolerâncias para os valores iniciais, a potência inicial das lâmpadas individuais não deve exceder 104% da potência nominal, mais 0,5 W, conforme especificado na tabela de características ou marcado na lâmpada. O fluxo luminoso nominal das lâmpadas não deve ser menor que os valores mostrados na tabela de características da lâmpada.

Os valores iniciais do fluxo luminoso, para lâmpadas individuais foscas, com revestimento similar ao fosco ou claras, não devem ser inferiores a 93% do fluxo luminoso nominal. Os valores iniciais do fluxo luminoso, para lâmpadas individuais de revestimento branco, não devem ser inferiores a 90% do fluxo luminoso nominal. A manutenção do fluxo luminoso de lâmpadas individuais, a 75% da vida nominal, não deve ser menor que o valor especificado na tabela de características pertinente da lâmpada na sua tensão elétrica de ensaio.

A vida média truncada de um ensaio de vida normal ou a vida média truncada equivalente de um ensaio de vida acelerado, calculada pelo método de D.1.1 do anexo D, deve ser igual ou superior aos limites de D.1.2, relacionados à vida nominal e à quantidade de lâmpadas para o ensaio de vida (QEV), conforme definido no anexo D. As lâmpadas, individualmente, devem ter uma vida não inferior a 70% da vida nominal.

No inverno, os jardins internos trazem a beleza do verde para dentro de casa

GÊNIUS RESPOSTA DIRETA

O Target Gênius Respostas Diretas é o mais avançado e inovador sistema de perguntas e respostas sobre requisitos de normas técnicas. Para conhecê-lo, você pode acessar, sem custo, 5 respostas à sua escolha. Você pode realizar pesquisas selecionando o produto “Gênius Respostas Diretas” e informando a(s) palavra(s) desejada(s): https://www.target.com.br/produtossolucoes/consultoria/consultoria.aspx

danielaA natureza aumenta a qualidade de vida e o bem estar dentro de casa ou apartamento

Daniela Sedo

Em qualquer lugar a natureza é inspiradora e traz também qualidade de vida. Uma alternativa para quem não tem espaço externo para cultivar um jardim pode ser criá-lo dentro de casa. É uma tendência na arquitetura trazer para ambientes internos pequenos nichos naturais com plantas em painéis verticais, vasos ou espaços com recorte de terra como, por exemplo, embaixo da escada, corredor ou varanda. Além de deixar o ambiente mais bonito, os projetos que reservam recintos para o verde podem ser utilizados para aumentar o bem-estar  no dia a dia das pessoas, pois diminuem o estresse.

O verde nos ambientes quebra a monotonia e traz frescor. Além disso, os jardins internos ou jardim de inverno mantém as plantas protegidas em qualquer estação preservando as plantas delicadas da incidência ou de muito sol ou de uma forte geada de inverno, entre outras intempéries do clima. Em espaços pequenos devemos aproveitar a utilização de vasos de tamanhos diferentes e espécies de sombra ou de sol de acordo com a incidência de luminosidade do local, podendo criar uma cerca viva ou um painel vertical, que não exige muito espaço e deixa o ambiente mais descontraído.

Não é preciso sofisticação, porém é necessários boas idéias. Uma forma simples de montar um painel verde é utilizando vasos de terracota específicos para pendurar na parede, que possuem um de seus lados retos. Os vasos de terracota, que possuem 15 cm de diâmetro e 20 cm de altura, são feitos em argila cozida no forno, eles devem ser impermeabilizados por dentro, e pintados por fora, dando um charme todo especial para os jardins verticais.

O ideal é montar um jardim interno com plantas fáceis de mexer e cuidar. Vale a pena colocar espécies perenes, que vão ficar lindas o tempo todo e não darão o trabalho de ter de varrer o chão a toda hora para tirar folhinhas. A manutenção é igual à de jardins externos.

Em ambientes pequenos e internos a pessoa pode colocar Palmeirinhas de sombra como a chamaedoreas ou evônimos com até 40 cm de altura. Qualquer pequeno ambiente pode ser abrilhantado com um pequeno e valioso jardim, afinal o verde sempre quebra aquele ‘gelo’ das ilhas de cimento onde vivemos e ainda alivia o microclima local, aperfeiçoando a qualidade de vida e do ar que respiramos, o que é ótimo para os dias frios.

Daniela Sedo é uma profissional de arquitetura e paisagismo – www.danielasedo.com.br

Siga o blog no TWITTER

Mais notícias, artigos e informações sobre qualidade, meio ambiente, normalização e metrologia.

Linkedin: http://br.linkedin.com/pub/hayrton-prado/2/740/27a

Facebook: http://www.facebook.com/#!/hayrton.prado

Skype: hayrton.prado1

O combate a incêndios em transformadores

transformadoresMaria do Carmo Ribas de Camargo e Patricia Gonçalves Bueno

Todo incêndio representa uma ameaça real à vida das pessoas, trazendo graves consequências de ordem social e econômica, além de afetar o bem estar dos integrantes de uma instalação. Durante os primeiros cinco minutos, os incêndios podem ser dominados mais facilmente.

Com o passar do tempo, entretanto, maiores esforços, e recursos, são necessários para o controle e extinção do fogo. Nesse caso, além dos danos causados pelo fogo, o próprio trabalho de extinção pode causar perdas, ou danos às instalações, aos equipamentos, ferimentos, assim como a perda de vidas.

Mas, como é tratada a legislação da segurança contra incêndio no país? A primeira regulamentação sobre segurança contra incêndio surgiu no Brasil em meados de 1975, após a ocorrência dos incêndios dos edifícios Joelma e Andraus, em São Paulo. A ausência de uma legislação federal que estabeleça as regras de prevenção e proteção contra incêndio é apontada como o principal problema no país. As leis são estaduais e, por isso, cada governo estabelece uma lei com base em normas locais ou estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou mesmo pela Consolidação das Leis de Trabalho (CLT).

A partir da lei N° 6.514 de 1977 foram criadas as Normas Regulamentadoras (NRs), a qual alterou o Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. As Normas Regulamentadoras (NRs) exigem que o local de trabalho seja seguro ao trabalhador. Os requisitos para proteção contra incêndio são especificados na NR 23, na qual traz que as medidas de prevenção contra incêndio devem estar em conformidade com a legislação estadual e as normas técnicas aplicáveis. As regulamentações estaduais de segurança contra incêndio são elaboradas pelos corpos de bombeiros e seus conteúdos são diferentes nos diversos Estados da União e Distrito Federal.

Nos últimos anos houve um aumento do número de incêndios envolvendo transformadores, seja por projetos incorretos como por uma manutenção deficiente. Normalmente, o óleo usado nos transformadores de subestações possui um alto ponto de fulgor e por esta razão é classificado como não inflamável. Porém, quando usado em equipamentos elétricos seja para remover o calor resultante das perdas ou como dielétricos entre os componentes ativos condutores de corrente, este óleo adquire qualidades de produtos inflamáveis e apresenta alto potencial para geração de vapor.

Três componentes devem existir ao mesmo tempo para causar um incêndio em um transformador: combustível/inflamável, oxigênio e calor. Possíveis materiais combustíveis usualmente presentes no transformador são óleo mineral, cabos e materiais celulósicos. Vapores combustíveis são gerados pela decomposição do óleo devido a uma sobrecarga térmica de origem interna ou externa. Para os transformadores localizados no pátio da subestação é óbvio que o suprimento de oxigênio é abundante. Como possíveis fontes externas de calor, isto é, fonte de ignição, temos a considerar cabos superaquecidos, raios, e exposição ao fogo, possivelmente de um incêndio em transformador adjacente ou em outro equipamento.

Como então podemos realizar a proteção contra incêndio em transformadores? Uma das maneiras de se combater o incêndio nos transformadores é resfriando o equipamento com água nebulizada, que pode ser através de sistema de spray ou por linhas manuais, através de hidrantes. Para que o resfriamento possa ser realizado é necessário que a subestação seja desenergizada ou, no mínimo, o equipamento que esteja pegando fogo antes do início do combate manual, devido ao perigo de eletrocussão do brigadista. Segundo a IEEE-979, a tabela 1 mostra o perigo de o brigadista ficar muito próximo do equipamento energizado durante a extinção do incêndio.

Tabela 1 – Retorno da corrente através da mangueira

tabela 1_transformadores

Caso não seja possível desenergizar o transformador, deverá ser utilizado o sistema de spray nebulizador. Os principais objetivos de atuação do sistema de spray são: emulsionar o óleo derramado no tampo superior e nas paredes laterais do transformador, evitando a incandescência do mesmo; resfriar a superfície total do transformador; e combate o fogo gerado pelo óleo derramado.

No Brasil este sistema é normalizado pela NBR 8674 que trata da execução de sistemas fixos automáticos contra incêndio com água nebulizada para transformadores e reatores de potência. O sistema de spray controla o fogo e o impacto é minimizado, podendo realizar o reparo do transformador após seu combate. Os transformadores que não possuem este sistema de proteção não podem ser reparados, tendo perda total dos equipamentos.

Por outro lado, a natureza violenta de um incêndio pode tornar o sistema de spray inútil. Segundo Bandeira, embora isto possa ocorrer, em alguns casos o sistema automático consegue operar mesmo após a explosão, controlando do incêndio, limitando os danos e minimizando o tempo de parada da subestação.

Mas, instalar um sistema de spray é um requisito legal ou uma recomendação? Como falado anteriormente, as regulamentações estaduais são diferentes nos diversos Estados da União e Distrito Federal. A tabela 2 apresenta os requisitos encontrados nos Decretos Estaduais do Corpo de Bombeiros.

Tabela 2 – Decretos Estaduais do Corpo de Bombeiros

tabela 2_transformadores

As normas NBR 13231 e 13859, que tratam especificamente de proteção contra incêndio em subestações elétricas, não deixam claro quando se deve instalar sistema fixo de nebulização. Segundo o Data Sheet 5-4 – Transformers, da FM Global, somente é obrigatório a instalação deste sistema quando não for possível atender as distâncias mínimas entre transformadores e reatores a edificações.

Como pode ser observado, não há exigência sobre a instalação de sistema automático de nebulização, exceto para o estado de São Paulo. Deve-se levar em conta também os requisitos da Seguradora para definir o custo x benefício de investir no sistema de proteção contra incêndio.

A prevenção contra incêndio deve ser encarada como um processo ininterrupto e, por isso, necessita ser mantida em permanente modernização, tanto de equipamentos como métodos por todos que fazem parte do processo preventivo. Este artigo não tem a pretensão de esgotar o tema, mas busca fomentar a discussão nas diversas partes interessadas no assunto.

Referências

- NBR 8674:2005 – Execução de sistemas fixos automáticos de proteção contra incêndio, com água nebulizada para transformadores e reatores de potência.

- Bandeira, Daniel Amarante Torres – Um estudo explanatório de causas e consequências de incêndios em transformadores em subestações. 2007.

- FM Global – Property Loss Prevention Data Sheets 5-4 – Transformers

- IEEE-979:1994 – Guide for subestation fire protection – Institute of Electrical and Eletronics Engineers.

Maria do Carmo Ribas de Camargo é engenheira química, com especialização em engenharia de segurança do trabalho e mestre em gestão integrada em saúde do trabalho e meio ambiente, docente em curso de pós graduação em gestão integrada no Senac – mcrcamargo@gmail.com; Patricia Gonçalves Bueno é engenheira de segurança do trabalho, mestre em gestão integrada em saúde do trabalho e meio ambiente, docente em cursos de MBA e Especialização nas áreas de qualidade, meio ambiente, sustentabilidade, responsabilidade social, saúde e segurança do trabalho em instituições de ensino superior (UniFMU, Faculdades Oswaldo Cruz, UNG, Centro Universitário SENAC e Uninove) – patriciaengenharia@hotmail.com

A importância cultural, histórica, social e econômica do futebol

COLETÂNEAS DE NORMAS TÉCNICAS

Coletânea Série Sistema de Gestão Ambiental

Coletânea Digital Target com as Normas Técnicas, Regulamentos, etc, relacionadas à Sistema de Gestão Ambiental!
Saiba Mais…

Coletânea Série Tecnologia da Informação

Jamil Albuquerque

Entre as coisas menos importantes do mundo, o futebol é a mais importante. É mais do que um esporte, é um dos maiores fenômenos sociais do planeta. Trata-se de um amálgama pancultural, social e econômico. A paixão pelos clubes frequentemente supera, em alguns casos, até mesmo a devoção religiosa, e a adoração do público em relação a alguns jogadores pode até mesmo parar guerras.

Foi o que aconteceu em 1969, ano em que o homem foi à Lua. O Santos, time do “Rei” Pelé, tinha ido à República Democrática do Congo para disputar quatro amistosos locais. Mas, logo no desembarque, uma surpresa: as ruas do país estavam tomadas por tanques e rebeldes e conflito armado. Os jogos foram imediatamente suspensos. Aí vem a parte, no mínimo, curiosa: o governo e a população, chateados por não poderem mais ver o “Rei” em campo, acabaram entrando em um acordo, e os conflitos foram suspensos para que se realizassem as partidas.

Mesmo numa época em que ainda não havia informação circulando em velocidade, como hoje, Pelé já era um mito, e em toda parte do mundo, as pessoas paravam para ver seu futebol mágico. Por alguns dias não se ouviram tiros, e os únicos gritos foram de comemoração aos gols de Pelé, Zito, Pepe e outros craques santistas. Assim que o avião partiu de volta para o Brasil, o clima de guerra voltou ao Congo. Os conflitos permaneceram por mais de três anos, até o final de 1972, quando assumiu um governo democrático provisório.

O futebol também está imensamente inserido na vida cultural do mundo, como se vê pela frequência com que é usado em propaganda na televisão. Há inclusive uma propaganda brasileira de 2012 que foi muito comentada na época. Nela, um torcedor aparece fazendo uma tatuagem como se fosse a camisa de seu time. Na cena seguinte, aparece outro torcedor em seu casamento na igreja, ao lado de sua linda noiva vestida de branco, com a camisa de seu time por cima do terno. Já na outra cena, aparece um torcedor abraçando e beijando uma TV depois de um gol de seu time. E tudo isso com a trilha sonora da música Balada do louco, dos Mutantes, cuja letra diz: “dizem que sou louco por pensar assim [...], mas louco é quem me diz que não é feliz. Eu sou feliz!”.

Isso demonstra claramente a paixão que o futebol desperta nas pessoas no mundo inteiro, em especial no Brasil. Mas de onde surgiu essa paixão?

Tudo começou na Inglaterra, por volta do século 18. Nessa época, havia um ditado que dizia: “o sol nunca se põe sobre o Reino Unido”. Quando lá era noite, era dia em algum outro país do planeta em que o Reino Unido mandava. Tamanha era a força, a pujança e o vigor desse grande império.

No início da era industrial, já no século 19, a Inglaterra começava a desenvolver seu sistema de produção, e precisava de mecanismos que desenvolvessem naturalmente a disciplina naqueles que deixavam de ser artesãos autônomos e agricultores e tornavam-se operários com contratos de trabalho.

O futebol foi perfeito para aquele momento. Era divertido, tinha regras e metas claramente definidas, tempo determinado, limitação de espaços, forçava os jogadores a produzir dentro de um quadrado, estabelecia a competição que estimulava o crescimento e era orientado para resultados.

A Inglaterra se beneficiou tremendamente do futebol como esporte para construir-se como a primeira potência industrial do planeta. Praticamente todas as empresas inglesas tinham um “campinho” nos fundos de suas fábricas para que as pessoas, durante os intervalos, fossem se divertir. Era lazer e treinamento, permitia que todos extravasassem as tensões e, ao mesmo tempo, treinava a mente para o trabalho em equipe, para saber ganhar, perder e vibrar com as conquistas do grupo.

Em suma, os governantes ingleses usaram o futebol para fazer treinamento em massa, de grandes contingentes, de sua mão de obra nacional. Ou seja, o futebol ajudou a construir uma das maiores potências do planeta e consolidar a maior casa de pólvora do mundo, que é a casa dos Windsor, ou Dinastia Windsor.

Com o tempo, o futebol foi “exportado” a muitos outros países, em especial ao Brasil, como sabemos, e começou a agradar as pessoas do mundo todo. Por que o futebol agrada tanto? Porque é o mundo dos adultos com a marca do mundo das crianças. É uma ótima parte dos dois mundos. Tiramos “sarro” dos amigos, xingamos, extravasamos, voltamos a ser crianças. Descontamos nossas frustrações no futebol. E isso é muito bom! São guerras controladas.

Os gregos foram os primeiros a sacar que o esporte é como uma praça de guerra controlada. Talvez por isso o futebol seja tão estimulante para os seres humanos, liberando nosso lado mais primata, mais instintivo e mais competitivo.

Jamil Albuquerque nasceu em Monte Carlo, em Santa Catarina. É economista e instrutor MASTER MIND, escreveu também os livros “A Arte de Lidar com Pessoas”, co-autor de “A Lei do Triunfo para o Século 21”, “Líder com Mente de Mestre” e “Vivendo e aprendendo a jogar”.

Por que caem as edificações e os viadutos no Brasil?

edificioQuem assistiu esse final de semana ao resgate de uma família dos escombros de uma edificação que desmoronou em Aracaju (SE) não pôde deixar de ficar emocionado. E de quem é a culpa por desmoronamentos de edificações e viadutos no Brasil? Um dos culpados é a atual diretoria da Associação Brasileira das Normas Técnicas (ABNT) que utiliza o argumento de que as normas técnicas (NBR) são apenas vetores da qualidade de instituições privadas. A ABNT, por um equívoco momentâneo, passa este discurso: a norma é de sua propriedade, é só um vetor de qualidade e não é obrigatória.

Na verdade, o fabricante, a construtora, etc. que não cumpre a norma está contra a civilidade e o progresso, ao tratamento igualitário. Garantir significa prevenir, significa preservar. O descumprimento da norma implica em: sanção, punição, perda e gravame. As consequências do descumprimento vão desde indenização, no Código Civil, até um processo por homicídio culposo ou doloso. Quando se descumpre uma norma, assume-se, de imediato, um risco. Isso significa dizer que o risco foi assumido, ou seja, significa que se está consciente do resultado lesivo. A consciência do resultado lesivo implica em uma conduta criminosa, passível de punição pelo Código Penal.

O Código Brasileiro de Defesa do Consumidor, lei de caráter geral e nacional, editado com fundamento no artigo 5º, inciso XXXII, da Constituição brasileira, aprovado pela Lei n.º 8.078, de 11-9-1990, ao disciplinar as vedações aos fornecedores de produtos ou serviços com o intuito de coibir práticas abusivas estabelece em seu artigo 39, VIII: Art. 39 – É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços: VIII – colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro).

Em razão dessa expressa atribuição normativa, contida em textos legais e regulamentares, e qualificada como atividade normativa secundária, delegada pelo poder público, a norma técnica brasileira tem a natureza de norma jurídica, de caráter secundário, impositiva de condutas porque fundada em atribuição estatal, sempre que sinalizada para a limitação ou restrição de atividades para o fim de proteção de direitos fundamentais e do desenvolvimento nacional, funções, como já se afirmou, eminentemente estatais. Pode ser equiparada, por força do documento que embasa sua expedição, à lei em sentido material, vez que obriga o seu cumprimento. As normas técnicas brasileiras, que alcançam todo o território nacional e se impõem aos órgãos públicos e privados por expressa disposição legal ou regulamentar, são, como todas as normas jurídicas – únicas que podem impor comportamentos – imperativas em seu cumprimento e acarretam, também por expressa determinação legal ou regulamentar, em caso de descumprimento, a aplicação de penalidades administrativas – e eventualmente até de natureza criminal – estas dependendo do documento legal que as abriga.

Assim, as NBR, homologadas e editadas pela ABNT, constituem expressão da atividade normativa secundária do poder público, emitidas que são por expressa atribuição, delegação e credenciamento de órgãos estatais e fundadas em leis, decretos e regulamentos dos quais retira a força, a validade e a categorização de normas jurídicas. As NBR são regras de conduta impositivas para os setores produtivos em geral, tendo em vista que, além de seu fundamento em lei ou atos regulamentares, tem em vista cumprimento da função estatal de disciplinar o mercado com vistas ao desenvolvimento nacional e à proteção de direitos fundamentais tais como os direitos relativos à vida, à saúde, à segurança, ao meio ambiente, etc.

No caso de edificações, viadutos, etc., a melhor solução para evitar essas tragédias é exigir e fiscalizar o cumprimento obrigatório das normas técnicas em relação à construção de estruturas e edificações. E por que caem os viadutos e pontes? A união das lajes e dos pilares é feita pelas vigas de sustentação. Se o cálculo não estiver perfeito ou se materiais não previstos no projeto forem utilizados, essa estrutura pode ceder, fazendo com que as vigas e consequentemente as lajes se soltem do pilar.

Os pilares, com ajuda das vigas, sustentam todo o peso da laje. Assim, se a fundação da obra tiver sido malfeita ou mal dimensionada, o pilar pode afundar (recalcar, no jargão da engenharia) e deslocar o centro da força da laje. Isso pode ocasionar a ruptura ou deslocamento do apoio das vigas mestres e levar a estrutura do viaduto à ruína.

Durante a execução da obra, diariamente engenheiros e mestres de obra devem vistoriar se todos os passos do projeto estão sendo seguidos à risca. Caso detectem deformidades e irregularidades, podem solicitar ajustes estruturais. Em regra, antes de um viaduto cair, ele apresenta deformações, estalos e fissuras anormais que indicam algum problema.

A pressa na execução costuma ser o erro mais comum em uma obra. Em uma construção, o concreto precisa ser moldado e escorado por uma estrutura de metal ou de madeira. Ele fica em repouso até criar resistência suficiente para suportar seu próprio peso e o que vai carregar — o tempo de cura. Caso esse tempo não seja respeitado, a estrutura tende a deformar e cair.

É preciso que os projetos sejam menos sacrificados em virtude dos prazos apertados. Às vezes a técnica é colocada em xeque para atender outras necessidades. Durante e elaboração do projeto, os engenheiros calculam a estrutura da fundação, pilares, vigas e lajes.

A partir disso, determinam a quantidade de aço e concreto que será usada, além de determinar o tempo que o concreto necessita para criar resistência, chamado tempo de cura. Um erro de cálculo aumenta o risco de dano e ruína na estrutura da obra.

Dessa forma, para evitar as perdas materiais e humanas, deve-se obrigatoriamente cumprir as normas técnicas. Uma delas é a NBR 6118 – Projetos de estruturas de concreto – Procedimento que estabelece os requisitos básicos exigíveis para o projeto de estruturas de concreto simples, armado e protendido, excluídas aquelas em que se empregam concreto leve, pesado ou outros especiais. Para a elaboração desta norma, foi mantida a filosofia da edição anterior da NBR 6118 (historicamente conhecida como NB-1) e das ABNT NBR 7197, ABNT NBR 6119 e NB-49, de modo que a esta norma cabe definir os critérios gerais que regem o projeto das estruturas de concreto, sejam elas de edifícios, pontes, obras hidráulicas, portos ou aeroportos etc. Assim, ela deve ser complementada por outras normas que estabeleçam critérios para estruturas específicas.

Esta norma aplica-se às estruturas de concretos normais, identificados por massa específica seca maior do que 2 000 kg/m³, não excedendo 2 800 kg/m³, do grupo I de resistência (C20 a C50) e do grupo II de resistência (C55 a C90), conforme classificação da NBR 8953. Entre os concretos especiais excluídos desta norma estão o concreto massa e o concreto sem finos

Ela estabelece os requisitos gerais a serem atendidos pelo projeto como um todo, bem como os requisitos específicos relativos a cada uma de suas etapas. Não inclui requisitos exigíveis para evitar os estados limites gerados por certos tipos de ação, como sismos, impactos, explosões e fogo. Para ações sísmicas, consultar a NBR 15421; para ações em situação de incêndio, consultar a NBR 15200.

Já a NBR 6122 (NB 51) – Projeto e execução de fundações estabelece os requisitos a serem observados no projeto e execução de fundações de todas as estruturas da engenharia civil. Esta norma trata dos critérios gerais que regem o projeto e a execução de fundações de todas as estruturas convencionais da engenharia civil, compreendendo: residências, edifícios de uso geral, pontes, viadutos, etc. Obras especiais, como plataformas offshore, linhas de transmissão etc., são também regidas por esta norma no que for aplicável, todavia obedecendo às normas específicas para cada caso particular.

Esta norma apresenta uma grande diferença em relação à anterior, já que foi separada a parte de projeto da parte de execução das fundações. Tudo que se refere a projeto está concentrado nas seções de fundação direta e de fundação profunda. Já a parte de execução está apresentada na forma de Anexos separados para cada tipo de fundação.

Reconhecendo que a engenharia de fundações não é uma ciência exata e que riscos são inerentes a toda e qualquer atividade que envolva fenômenos ou materiais da natureza, os critérios e procedimentos constantes nesta norma procuram traduzir o equilíbrio entre condicionantes técnicos, econômicos e de segurança usualmente aceitos pela sociedade na data da sua publicação. Esta norma não contempla aqueles tipos de fundação que têm aplicação restrita (sapatas estaqueadas, radier estaqueados, estacas de compactação, melhoramento do solo, etc.) e aqueles que estão em desuso (caixões pneumáticos etc.). Tais fundações podem ser utilizadas com as adaptações que sejam necessárias a partir dos tipos aqui apresentados.

Devem ser considerados os seguintes aspectos na elaboração dos projetos e previsão do desempenho das fundações: visita ao local; feições topográficas e eventuais indícios de instabilidade de taludes; indícios da presença de aterro (bota-fora) na área; indícios de contaminação do subsolo por material contaminante lançado no local ou decorrente do tipo de ocupação anterior; prática local de projeto e execução de fundações; estado das construções vizinhas; peculiaridades geológico geotécnicas na área, tais como: presença de matacões, afloramento rochoso nas imediações, áreas brejosas, minas d´água, etc.

Para qualquer edificação deve ser feita uma campanha de investigação geotécnica preliminar, constituída no mínimo por sondagens a percussão (com SPT), visando a determinação da estratigrafia e classificação dos solos, a posição do nível d’água e a medida do índice de resistência à penetração NSPT, de acordo com a NBR 6484. Na classificação dos solos deve ser empregada a NBR 6502.

Em função dos resultados obtidos na investigação geotécnica preliminar, pode ser necessária uma investigação complementar, através da realização de sondagens adicionais, instalação de indicadores de nível d’água, piezômetros, bem como de outros ensaios de campo e de ensaios de laboratório. Em obras de grande extensão, a utilização de ensaios geofísicos pode se constituir num auxiliar eficaz no traçado dos perfis geotécnicos do subsolo.

Independentemente da extensão da investigação geotécnica preliminar realizada, devem ser feitas investigações adicionais sempre que, em qualquer etapa da execução da fundação, forem constatadas diferenças entre as condições locais e as indicações fornecidas pela investigação preliminar, de tal forma que as divergências fiquem quem completamente esclarecidas. Para a programação de sondagens de simples reconhecimento para fundações de edifícios, deve ser empregada a NBR 8036.

O poder positivo da empatia

NORMAS COMENTADAS

NBR 14039 – COMENTADA
de 05/2005

Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Possui 140 páginas de comentários…

Nr. de Páginas: 87

NBR 5410 – COMENTADA
de 09/2004

Instalações elétricas de baixa tensão – Versão comentada.

Nr. de Páginas: 209

NBR ISO 9001 – COMENTADA
de 11/2008

Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Versão comentada.

Nr. de Páginas: 28

imageLuciana Peruchi

Em minhas leituras sobre equipes de trabalho e comportamento humano tenho percebido repetidas vezes citações sobre o poder positivo da empatia. Ela é evidenciada como característica de sucesso pelos grandes líderes, descrita por Daniel Goleman, umas das cinco áreas de habilidades da Inteligência Emocional.

Mas me pergunto “será possível desenvolver essa característica?” Primeiro precisamos entender do que se trata. Segundo Luft, empatia é o estado de espirito no qual uma pessoa se identifica com a outra, supondo sentir o que ela está sentindo. Mas será essa uma habilidade inerente ou um estado de espírito?

Independente do seu conceito, no dia a dia é necessário um esforço consciente para desenvolver uma atitude empática. Uma das dicas que procuro aplicar em meus círculos de relacionamento é entender que somos diferentes, mas não de forma superficial, quando no fundo tentamos fazer as pessoas se tornarem como nós queremos que elas sejam, mas no mais profundo conceito de permitir que o outro seja “ele”.

Pierre Weil, educador e psicólogo francês autor do bestseller O Corpo Fala , criou a fórmula VR f (EC), ou seja, a vivência da realidade (VR) é função[f] do estado de consciência(EC) em que nos encontramos, portanto a forma com que a pessoa vivencia a realidade é determinada pelo seu estado de consciência. Sua criação, a forma que interpreta as coisas, o quão fundo vai nos conceitos da vida, enfim, uma infinidade de fatores que tornam o ser humano possuidor de uma diversidade impar, com vivências e estados de consciência distintos.

Essa simples fórmula nos ajuda a entender que somos diferentes e porque somos especialmente diferentes. Conscientes disso fica muito mais fácil ser empático!

Saiba mais vendo o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=zwau1PKyfX4

Luciana Peruchi é proprietária da Inpectus Consultoria e Assessoria Empresarial e coordenadora de eventos focados em mudança comportamental.

Produtos perigosos: cumprir as normas evita multas e gastos com danos ao meio ambiente

O transporte de produtos perigosos é um caso particular na condução de mercadorias em uma cadeia de fornecimento. Durante essa atividade, vários fatores passam a ser críticos e a imprudência pode significar não só a perda de produtos como um elevado risco para os profissionais envolvidos e o meio ambiente. Dessa forma, os acidentes no transporte rodoviário de produtos perigosos adquirem uma importância especial, uma vez que a intensidade de risco está associada à periculosidade do produto transportado. Considera-se produto perigoso aquele que representa risco para as pessoas, para a segurança pública ou para o meio ambiente, ou seja, produtos inflamáveis, explosivos, corrosivos, tóxicos, radioativos e outros produtos químicos que, embora não apresentem risco iminente, podem, em caso de acidentes, representar uma grave ameaça à população e ao meio ambiente. Os acidentes no transporte desses produtos podem ter consequências catastróficas, sobretudo diante da proximidade de cidades e de populações lindeiras às principais rodovias. Além das perdas humanas de valor social incalculável, os custos decorrentes da contaminação ambiental atingem cifras muito elevadas. Assim, todos os envolvidos precisam cumprir obrigatoriamente as normas técnicas relacionadas com esse tipo de transporte.

Mauricio Ferraz de Paiva

Em relação ao transporte de produtos perigosos, as empresas transportadoras, expedidoras, distribuidoras, despachantes aduaneiros e fabricantes de produtos químicos devem cumprir obrigatoriamente as normas técnicas, para que tenham produtos e transporte mais seguros, bem como profissionais mais conscientes, de modo a que empresa possa atender perfeitamente às novas legislações, evitando multas e gastos com danos ao meio ambiente, devolução de mercadorias, despesas estas que algumas vezes são superiores ao lucro da venda do produto ou do frete. A grande maioria dos produtos perigosos é transportada em rodovias, fato este que, associado a diversos fatores como condições das vias, manutenção dos veículos, tipos inadequados de embalagens, etc., torna essa atividade potencial geradora de acidentes ambientais.

A NBR 7500 de 04/2013 – Identificação para o transporte terrestre, manuseio, movimentação e armazenamento de produtos estabelece a simbologia convencional e o seu dimensionamento para identificar produtos perigosos, a ser aplicada nas unidades de transporte e nas embalagens/volumes, a fim de indicar os riscos e os cuidados a serem tomados no transporte terrestre, manuseio, movimentação e armazenamento. Estabelece características complementares ao uso dos rótulos de risco, dos painéis de segurança, dos rótulos especiais e dos símbolos de risco e de manuseio, bem como a identificação das unidades de transporte e o emprego de rótulos nas embalagens/volumes de produtos perigosos discriminados nas instruções complementares do Regulamento para o Transporte de Produtos Perigosos (RTPP) aprovado pelo Decreto nº 96.044.

Também estabelece a identificação das embalagens/volumes e os símbolos de manuseio e de armazenamento para os produtos classificados como não perigosos para transporte. Aplica-se a todos os tipos de transportes e suas formas intermodais. No caso de transporte aéreo e marítimo, consultar, respectivamente, ICAO/IATA e IMDG/IMO. Estabelece os pictogramas (símbolos do Sistema Globalmente Harmonizado GHS – de classificação e rotulagem de produtos químicos) para manuseio e armazenagem aplicados às embalagens internas e/ou externas de produtos químicos classificados como perigosos conforme critérios das NBR 14725-2 e NBR 14725-3.

A NBR 7503 de 06/2013 – Transporte terrestre de produtos perigosos – Ficha de emergência e envelope – Características, dimensões e preenchimento especifica as características e as dimensões para a confecção da ficha de emergência e do envelope para o transporte terrestre de produtos perigosos, bem como as instruções para o preenchimento da ficha e do envelope. A ficha de emergência deve ser confeccionada em papel branco, tamanho A4 (210 mm x 297 mm), carta (216 mm x 279 mm) ou ofício (216 mm x 355 mm), com gramatura de 75 g/m2 a 90 g/m2. A ficha de emergência deve ser impressa em uma única folha, não podendo ser plastificada.

Toda a impressão deve ser na cor preta, com exceção da tarja, que deve ser na cor vermelha, com largura mínima de 5 mm e comprimento mínimo de 250 mm. O padrão da cor da tarja está estabelecido na NBR 7500. A largura mínima entre as faixas deve ser de 188 mm. A impressão deve ser feita em fonte legível, similar à arial, corpo mínimo 10, sendo que os títulos FICHA DE EMERGÊNCIA, RISCOS e EM CASO DE ACIDENTE devem estar em letras maiúsculas (caixa-alta). Estes requisitos não se aplicam à impressão da logomarca da empresa.

A NBR 14619 de 05/2014 – Transporte terrestre de produtos perigosos – Incompatibilidade químicaestabelece os critérios de incompatibilidade química a serem considerados no transporte terrestre de produtos perigosos e incompatibilidade radiológica e nuclear no caso específico para os materiais radioativos (classe 7). Os critérios definidos nesta norma são aplicáveis às cargas fracionadas e a granel de produtos e de resíduos perigosos, mesmo em se tratando de quantidade limitada por veículo, em uma mesma unidade de transporte e durante o eventual armazenamento temporário.

Aplica-se também ao transporte de embalagens (incluindo IBC ou Intermediate Bulk Container e embalagens grandes) vazias e não limpas que contiveram produtos perigosos. Os critérios de incompatibilidade desta norma podem ser orientativos em relação ao armazenamento, desde que sejam observados as normas e os regulamentos de segurança específicos aplicáveis.

A elaboração desta norma visa estabelecer os parâmetros para o transporte terrestre dos produtos perigosos quimicamente incompatíveis que são segregados uns dos outros para minimizar os riscos, em caso de vazamento, ruptura de embalagem ou de qualquer outro acidente. A incompatibilidade química pode ser definida como o risco potencial entre dois ou mais produtos de ocorrer explosão, desprendimento de chamas ou calor, formação de gases, vapores, compostos ou misturas perigosas, devido à alteração das características físicas ou químicas originais de qualquer um dos produtos, se colocados em contato entre si, devido a vazamento, ruptura de embalagem, ou outra causa qualquer.

Já a NBR 9735: Conjunto de equipamentos para emergências no transporte terrestre de produtos perigosos determina que o transportador deve propiciar o treinamento adequado ao condutor e pessoal envolvido (se houver) nas operações de transporte, para a utilização do conjunto de equipamentos estabelecidos nessa norma. Para o treinamento, o transportador deve atender às orientações dos fabricantes do produto e do equipamento de proteção individual. Para efetuar a avaliação da emergência e ações iniciais constantes na ficha de emergência e/ou envelope para transporte, de acordo com a NBR 7503, o condutor e o pessoal envolvido (se houver) devem utilizar o EPI indicado, além do traje mínimo obrigatório (calça comprida, camisa ou camiseta, com mangas curtas ou compridas, e calçados fechados).

O traje mínimo obrigatório não é considerado EPI, ou seja, não necessita atender a 4.2.4. Durante o transporte, o condutor e o pessoal envolvido (se houver) devem utilizar o traje mínimo obrigatório (calça comprida, camisa ou camiseta, com mangas curtas ou compridas, e calçados fechados). Recomenda-se o uso de vestimenta com material refletivo para o condutor e pessoal envolvido na operação de transporte, nas unidades de transporte que trafegam no período noturno (do pôr do sol ao amanhecer). Na unidade de transporte devem ter tantos conjuntos de EPI quantas forem as pessoas envolvidas (condutor e auxiliar(es) nas operações de transporte, para sua proteção na fuga/escape. Todo EPI deve apresentar, em caracteres indeléveis e bem visíveis, o nome comercial da empresa fabricante, o lote de fabricação e o número de CA (Certificado de Aprovação), e no caso de EPI importado, o nome do importador, o lote de fabricação e o número do CA. Os EPI devem estar higienizados, livres de contaminação e acondicionados no interior da cabine da unidade de transporte. O EPI citado só deve ser utilizado em caso de emergência (avaliação e fuga), não podendo ser utilizado para outros fins.

A NBR 16173 de 05/2013 – Transporte terrestre de produtos perigosos – Carregamento, descarregamento e transbordo a granel e embalados – Capacitação de colaboradoresestabelece os requisitos mínimos para a capacitação de colaboradores na realização das atividades de carregamento, descarregamento e transbordo de produtos classificados como perigosos para transporte a granel e embalado. Ela estabelece os requisitos para colaboradores que atuam no carregamento, descarregamento e transbordo de veículos de carga, como caminhões-tanque, contêiner tanque ou vagões-tanque e embalagens (IBC, tanque portátil e recipientes), a fim de desenvolver e implementar procedimentos de operação segura baseada em análise de risco. Os procedimentos operacionais incluem os requisitos relativos aos diversos aspectos das operações de carregamento, descarregamento e transbordo incluindo provisões das instalações envolvendo manutenção, programas de ensaios nos equipamentos de transferência (por exemplo, programas de manutenção de mangueiras) utilizados no carregamento, descarregamento e transbordo de veículos de carga.

Também estabelece treinamento, avaliação e reciclagem da capacitação de profissionais que atuam nas operações de carregamento, descarregamento e transbordo, para desenvolver tais operações. Visa reduzir os riscos dessas operações com produtos perigosos e pode ser aplicada à capacitação de colaboradores para outros produtos. Não se aplica à capacitação para operadores de transvasamento no sistema de abastecimento de GLP a granel (NBR 15863).

A NBR 15481 de 10/2013 – Transporte rodoviário de produtos perigosos – Requisitos mínimos de segurança estabelece a verificação dos requisitos operacionais mínimos para o transporte rodoviário de produtos perigosos referentes à saúde, segurança, meio ambiente e qualidade, sem prejuízo da obrigatoriedade de cumprimento da legislação, regulamentos e normas vigentes. O objetivo desta Norma é atender às legislações, regulamentos e normas vigentes de transporte de produtos perigosos, verificando o atendimento às condições mínimas de segurança. Pode ser aplicada ao transporte de produtos não perigosos, excluindo-se os itens obrigatórios específicos. É aplicada ao expedidor, destinatário (quando aplicável) e transportador.

ANBR 15480 de 05/2007 – Transporte rodoviário de produtos perigosos – Plano de ação de emergência (PAE) no atendimento a acidentesestabelece os requisitos mínimos para orientar a elaboração de um plano de ação de emergência (PAE) no atendimento a acidentes no transporte rodoviário de produtos perigosos. Orienta o desenvolvimento de um plano de emergência dirigido para as medidas que podem ser tomadas como reação organizada a uma situação de emergência no local. Essas ações não substituem nem se dirigem às medidas de prevenção, que desempenham papel na redução dos riscos potenciais de emergências. Esta norma pode ser usada para o transporte de produtos não perigosos.

Enfim, os acidentes em rodovias envolvendo veículos que transportam cargas/produtos perigosos adquirem uma importância especial. Nestes acontecimentos, a intensidade de risco está associada à periculosidade do material transportado com potencial para causar simultaneamente múltiplos danos ao meio ambiente e à saúde dos seres humanos expostos.

A malha rodoviária concentra cerca de 60% do volume de cargas transportadas no Brasil, percentual que tende a crescer tendo em vista a expansão do comércio entre os países da América Latina. No entanto, a infraestrutura das rodovias, a precariedade da frota de veículos transportadores de cargas e diversos outros problemas favorecem substancialmente o aumento do número de acidentes, constituindo-se em um sério problema para a saúde pública.

Um dos grandes obstáculos encontrados ao nível das realidades locais é a ausência de informações básicas que permitam avaliar os impactos desses eventos sobre a saúde humana (expostos, lesionados e óbitos) e o meio ambiente (contaminação de solos, águas superficiais e subterrâneas, ar e cadeia alimentar). As consequências da ausência de dados se refletem diretamente na possibilidade de estimar os custos humanos, ambientais e financeiros desses acidentes e, por conseguinte, na capacidade de formulação de políticas públicas de controle e prevenção amplas, adequadas e efetivas no que diz respeito à saúde e meio ambiente.

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria – mauricio.paiva@target.com.br

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 1.773 outros seguidores