Em São Paulo, postos de gasolina lideram ranking de áreas contaminadas

Um posto de abastecimento é uma instalação que possui equipamentos e sistemas para o armazenamento de combustível automotivo, com registrador de volume apropriado para o abastecimento de equipamentos móveis, veículos automotores terrestres, aeronaves, embarcações ou locomotivas, e cujos produtos são destinados exclusivamente ao uso do detentor das instalações ou de grupos fechados de pessoas físicas ou jurídicas, previamente identificadas e associadas em forma de empresas, cooperativas, condomínios, clubes ou assemelhados. Segundo a Cetesb, o aumento constante do número de áreas contaminadas registradas é consequência também da ação rotineira de fiscalização e do licenciamento dos postos de combustíveis , das fontes industriais, comerciais, de tratamento e disposição de resíduos, além do atendimento a acidentes.

Nesse contexto, mais uma vez, o setor de postos de combustíveis, com 3.597 casos (75% do total), é destaque na lista de áreas contaminadas. A atividade industrial vem em segundo lugar, com 768 registros (16%), seguida da comercial, com 232 (5%), de resíduos, com 136 (3%), e de “Acidentes/Desconhecida/Agricultura”, com 38 (1%). A despeito dessa liderança no ranking das atividades que resultaram em áreas contaminadas, o relatório mostra, por outro lado, que o setor também se destaca no que se relaciona às providências para o saneamento desses locais. Referente só aos postos de combustíveis, 300 áreas (8% do total de 3.597) são classificadas como “Reabilitadas para uso declarado” (área anteriormente contaminada que, depois de submetida às medidas de intervenções, tem restabelecido o nível de risco aceitável à saúde humana, ao meio ambiente e a outros bens a proteger) e 806 (23% do total) se encontram em “Processo de monitoramento para encerramento”. Ou seja, 1.106 áreas (ou 31% do total, somando-se os dois percentuais) estão com suas providências – visando a reabilitação – finalizadas ou praticamente concluídas.

Somando-se a isso o intenso programa de licenciamento iniciado pela Cetesb em 2001, objetivando a regularização dos postos de combustíveis, devido à obrigatoriedade de licença ambiental desses estabelecimentos – exigida por resolução federal publicada em 2000 – , a própria agência ambiental paulista, e por conseguinte o estado de São Paulo, tem colhido os frutos desses trabalhos, como lembra o diretor de Controle e Licenciamento Ambiental, Aruntho Savastano Neto. Ele se baseia em estatística do Setor de Atendimento a Emergências da companhia, para embasar sua afirmação.

De acordo com ele, em 1999 a Cetesb atendeu a 76 acidentes emergenciais envolvendo postos e sistemas retalhistas de combustíveis. Desde então, esses números vêm despencando, tendo chegado a somente sete atendimentos emergenciais no ano passado e dois este ano – até abril último – , comprovando a eficácia dos trabalhos desenvolvidos pela Cetesb com relação ao setor, estigmatizado pelos problemas diversos que o cercavam, tanto por falta de prevenção a acidentes ambientais e vazamentos (o que é sanado pelas exigências envolvidas no licenciamento), como pela responsabilização por milhares de áreas contaminadas no estado (o que está sendo gradativamente reduzida com as exigências que a companhia faz visando a reabilitação dos locais cadastrados).

Com relação ao quadro geral – incluindo todas as atividades (não só postos de combustíveis), o gerente do Departamento de Áreas Contaminadas destaca, ainda, o fato de que a soma do número de áreas reabilitadas para uso declarado (425) e de áreas em processo de monitoramento para encerramento (987), ou seja, áreas já ou praticamente saneadas, representa 30% do total das áreas registradas nessa última lista. Outra constatação interessante é a de esse número de áreas classificadas como reabilitadas para uso declarado teve um aumento de 24% em relação ao registrado em dezembro de 2012 (342).

Os principais grupos de contaminantes encontrados nas áreas registradas também refletem o grande número de solos contaminados pela atividade de revenda de combustíveis, destacando-se: os solventes aromáticos (basicamente representados pelo benzeno, tolueno, etilbenzeno e xileno, presentes na gasolina vazada nos postos de combustível), combustíveis líquidos, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAHs), metais e solventes halogenados. Existe uma norma, a NBR 15428 de 05/2014 – Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis – Critérios e procedimentos para serviços de manutenção de unidade abastecedora, que estabelece os procedimentos de segurança, qualidade e critérios para manutenção de unidade abastecedora em posto revendedor e posto de abastecimento, conforme definidos na Resolução Conama 273.

Algumas modalidades de manutenção que devem ser realizadas incluem a manutenção preventiva, atividade programada com periodicidade definida, objetivando a execução de rotinas de verificação/intervenção técnica em unidade abastecedora instalada em postos revendedores e postos de abastecimentos, de forma a assegurar o funcionamento dos postos e a garantir suas condições de originalidade e certificação; e a manutenção corretiva, atendimento mediante solicitação específica do posto revendedor ou posto de abastecimento, visando a restabelecer o funcionamento da unidade abastecedora, objetivando assegurar o funcionamento dos postos e a garantir suas condições de originalidade e certificação.

As atribuições da permissionária incluem: substituir ou reparar componentes da unidade abastecedora, quando necessário, dentro dos seguintes critérios: os componentes substituídos ou reparados devem estar em total conformidade com os requisitos técnicos dos fabricantes das unidades abastecedores, regulamentações e normas vigentes; os componentes reparados devem ser fornecidos pelos fabricantes das unidades abastecedoras ou agentes autorizados e credenciados pelos fabricantes, os quais devem prover garantia das peças reparadas; os componentes reparados devem possuir código de identificação que possibilite sua rastreabilidade; os componentes reparados e utilizados nos serviços de manutenção devem ser listados na ordem de serviço, que deve ser numerada, e conter os respectivos códigos de cada componente utilizado.

Igualmente, deve-se informar ao operador a necessidade de substituir componentes que não façam parte do escopo de serviços contratados com a mantenedora e manter cópias dos relatórios de manutenções efetuadas e ordens de serviços emitidas arquivadas por dois anos. A permissionária também é responsável pela verificação do fiel cumprimento das exigências dos fabricantes, no que diz respeito às condições mínimas necessárias para a instalação dos equipamentos (aterramento, distribuição/separação elétrica motor/placas etc.).

Em caso de não conformidade, documentar a irregularidade ao proprietário da unidade abastecedora, ao operador e respectivo fabricante. A cada intervenção a permissionária deve emitir uma ordem de serviços (os), em no mínimo três vias, sendo a primeira entregue ao operador do posto, a segunda arquivada pela permissionária e a terceira entregue ao fabricante do equipamento, para fins de futuras consultas e/ou auditorias.

A OS deve conter no mínimo as seguintes informações: data, horário de início e término dos serviços de manutenção; razão social e CNPJ do posto revendedor ou do posto de abastecimento; endereço completo do estabelecimento; nome completo e assinatura do operador; identificação da(s) unidade(s) abastecedora(s) objeto dos serviços: fabricante, modelo e número de série do equipamento; tipo de combustível e quantidade movimentada durante a execução da manutenção; totalizadores de volume (eletrônico, eletromecânico ou mecânico) da(s) unidade(s) abastecedora(s) reparada(s) ou vistoriada(s); identificação dos componentes e peças utilizadas nos serviços, quer sejam novos ou reparados: nome do componente, código do componente, data de fabricação ou reparo.

Os principais componentes a serem identificados são: placas eletrônicas: CPU, interface hidráulica, displays, teclados; bloco medido; válvula solenoide; pulser eletrônico, eletromecânico e mecânico; unidade bombeadora (compacta); motor elétrico, e demais itens devem seguir os parâmetros da normalização vigente de atmosfera explosiva, zona classificada etc., como: prensa cabo, tubulação hidráulica e elétrica, tubo metálico flexível, caixa de ligação antiexplosiva, unidade seladora etc.; discriminação completa e detalhada dos serviços efetuados; identificação do(s) técnico(s) responsável(s) pelos serviços: nome completo legível (em letra de forma), documento de identidade (RG/CPF), documento de habilitação técnica dentro da validade (CREA), número de registro no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia/Instituto de Pesos e Medidas (Inmetro/Ipem) e assinatura do engenheiro ou técnico da permissionária responsável pelos serviços; identificação da permissionária.

A OS deve ser emitida em papel timbrado contendo dados completos da permissionária: nome, endereço, telefone, CNPJ e identificação do responsável técnico pela permissionária, com registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) e Anotação de responsabilidade Técnica (ART); informações e codificações requeridas pelos órgãos fiscalizadores competentes, conforme Portaria Inmetro nº 04 de 03/01/2013.

Como motivar colaboradores

TRAGÉDIAS, CRIMES E PRÁTICAS INFRATIVAS DECORRENTES DA NÃO OBSERVÂNCIA DE NORMAS TÉCNICAS BRASILEIRAS – NBR

R$ 63,90

Capa da publicação E1324

Essa publicação aborda, através da apresentação de casos reais, como o cumprimento das normas técnicas NBR – ABNT está diretamente ligada à segurança, à saúde e à qualidade de vida em nosso dia a dia.  O autor explica de forma prática, e infelizmente mostrando tragédias, como as normas técnicas estão presentes no nosso cotidiano. Elas devem ser levadas a sério quanto à sua observância obrigatória e o poder público precisa fazer gestão para fomentar esse cumprimento por parte da sociedade produtiva e de serviço.

Eduardo Moura

Permitam-me discorrer brevemente sobre um fator crítico de sucesso para qualquer tipo de organização humana: a motivação das pessoas.  Podemos investir na mais avançada tecnologia, definir processos de trabalho altamente eficazes, contratar os profissionais mais competentes do mercado, mas se essa gente não estiver motivada, o que acontece? Acontece o cenário típico: um desempenho geral nada além de ordinário, muito longe do que se poderia qualificar como excelente.

Reconhecendo que motivar as pessoas é vital, muitas empresas investem pesado em pesquisas de clima laboral, técnicas de avaliação do desempenho individual, plano de carreira, sofisticados esquemas de participação nos resultados, bônus para cumprimento de metas, prêmios para os “funcionários do mês” etc. Algumas dessas práticas são válidas, mas a maioria é perniciosa. Hein? Perniciosas?! Sim, por dois motivos. Primeiro, porque estão fundamentadas na premissa inválida (mais detalhes adiante) de que “as pessoas são, por natureza, apáticas em relação ao trabalho, e precisam de um estímulo externo”. Segundo, porque a medio e longo prazo aquelas práticas tendem a formar um bando de mercenários que só se mobilizam pelo vil metal que possam receber. E tem mais: mesmo as práticas que são válidas, ainda assim são insuficientes.

Onde, então, está o elemento faltante para motivar colaboradores? Na verdade não há elemento faltante! Há, sim, elementos já existentes, porém não reconhecidos, e portanto não explorados. Esta frase do Dr. Deming traz à tona dois elementos vitais para a motivação humana: “As pessoas nascem com uma inclinação natural para aprender e inovar. Existe um direito inato de sentir prazer pelo trabalho. Existe uma necessidade inata de auto-estima e respeito. Os administradores que negam a seus funcionários dignidade e auto-estima, abafarão a motivação intrínseca.”

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Aí está: o primeiro elemento vital se chama motivação intrínseca. Se tão somente “descobrirmos” (ou aceitarmos como válido) que as pessoas já nascem com a motivação dentro de si, a questão de motivá-las deixa de ser “que mais devemos dar aos colaboradores?” e passa a ser “que barreiras hoje estão impedindo que a motivação intrínseca das pessoas possa aflorar?”.

O segundo elemento vital é o próprio trabalho. E os dois se complementam belissimamente bem! De fato, o trabalho é o canal ideal para que a motivação intrínseca se manifeste, pois ele traz dentro de si três fatores que, se bem entendidos e trabalhados, podem “turbinar” a motivação intrínseca: a criatividade (a alegria de pensar), a atividade (a alegria de agir) e a sociabilidade (a alegria de compartilhar), conforme concluiu Nishibori em 1971. Além disso, todo trabalho deveria incluir um quarto fator importantíssimo: um sentido de “propósito mais elevado”, pois em sua essência universal, “trabalhar é produzir algo de valor para outras pessoas” (O’Toole, 1973). Não há (e nem deveria haver) nada que possa pagar o sentimento de orgulho e satisfação pessoal pelo trabalho bem realizado. E quando o trabalho é realizado em equipe, todas estas coisas acontecem naturalmente! Basta que a empresa crie estruturas para explorar este verdadeiro tesouro.

Quando líderes empresariais despertam para tais fatos e agem de maneira sábia e coerente, algo maravilhoso acontece! Pessoas que considerávamos “irrecuperáveis” passam a contribuir, os que tínhamos como “rebeldes” passam a ser companheiros de batalha, os “passivos” e “apagados” passam a brilhar, os que pensávamos não ter imaginação de repente nos surpreendem com idéias brilhantes. É claro que pode haver um 0,1% de renitentes que por fenômenos psicológicos raros se recusam a colaborar, mas estes a própria equipe acaba “expurgando” como se fosse um corpo estranho. Sei que tudo isto soa poético e utópico, mas tenho constatado tais verdades em inúmeras ocasiões. E desafio o leitor a fazer o mesmo com sua equipe.

Está tudo aí. Não é preciso inventar nada mais; não é preciso complicar. Há porém, um grande inconveniente: para que o exposto acima funcione, é necessário mudar nossa maneira de pensar sobre as pessoas, nossa forma de encarar a natureza humana. É preciso ver em cada trabalhador a chama quase extinta da dignidade, o diamante bruto da semelhança divina. E isto é difícil e doloroso, quase herético, para quem está acostumado a ver as pessoas como insumos de produção, como “mão-de-obra” que deve responder passivamente ao que foi ordenado, como vassalos que devem ser controlados pelo medo.

Para finalizar, um fato tragicômico: o que salva muitas empresas da extinção é que seus competidores também não sabem lidar com a motivação intrínseca! Mas aqueles que sabem mobilizá-la em direção aos objetivos estratégicos do negócio passam a contar com um poderoso exército de pessoas altamente dedicadas.

Eduardo Moura é diretor da Qualiplus Excelência Empresarial – emoura@qualiplus.com.br

A sustentabilidade dos meios de hospedagem conforme a norma técnica

sustentávelUm meio de hospedagem é uma edificação que exerce o comércio da recepção e da hospedagem dos turistas e visitantes em geral, e constitui-se de um edifício ou prédio contendo basicamente unidades habitacionais, uma recepção e uma governança, podendo ter ainda em sua estrutura, alimentos e bebidas, que compreende: cozinha, adega, restaurante, bar, cantina e despensa, e podendo contar ainda com: estacionamento externo, garagem interna e área de lazer. Existem muitos tipos de meios de hospedagem: albergue, hostel, camping, eco-resort, estalagem, hospedaria, flat, apart-hotel, hotel (e suas subdivisões: charme, executivo, lazer, resort, fazenda, histórico, escola, etc.), pousada, cama e café, motel, camping, etc.

O Brasil possui um potencial turístico bastante diversificado devido à sua extensão territorial. Como um dos maiores países do mundo, ele dispõe de áreas com diferentes culturas, climas e infraestruturas que possibilitam a prática de diversos tipos de atividades turísticas como o ecoturismo, o turismo de massa e o turismo rural. Reunindo diversas classificações é possível chegar a mais de 20 tipologias variadas de turismo que podem ser praticadas no Brasil, sendo algumas dessas bem novas e outras consideradas bastante “exóticas” por algumas pessoas.

Entre as tipologias turísticas mais comuns o Brasil conta com o turismo de aventura (onde a adrenalina é fator principal) e o turismo ecológico ou ecoturismo (voltado à apreciação da natureza) que são realizados em áreas naturais; há o científico ou de estudos e intercâmbio, que visa o aumento do conhecimento e a troca de experiências culturais e educacionais; o turismo de compras ou de consumo, em locais cujos visitantes se interessem somente nos produtos regionais ou de melhor preço postos à venda; turismo cultural, com objetivo de conhecer a história de uma comunidade e seu patrimônio material e imaterial; turismo desportivo para aqueles torcedores ou praticantes que gostem ou estejam envolvidos em uma competição esportiva; de eventos e negócios, quando o turista baseia-se na participação como espectador ou palestrante em algum evento ou está voltado à realização de atividades comerciais, profissionais ou promocionais; náutico, pouco desenvolvido, refere-se ao uso de embarcações para deslocamento turístico em rios, mares, lagos e represas; religioso, motivado pela fé popular em locais de grande importância religiosa; rural ou agroturismo, quando o visitante entra em contato com a rotina de um agricultor, participando das suas atividades e hospedando-se em sua casa; turismo de saúde e bem estar, para pessoas em busca de tratamento médico, seja ele físico ou emocional, etc.

A NBR 15401 de 05/2014 – Meios de hospedagem – Sistema de gestão da sustentabilidade – Requisitos especifica os requisitos relativos à sustentabilidade de meios de hospedagem,estabelecendo critérios mínimos específi cos de desempenho em relação à sustentabilidade e permitindo que um meio de hospedagem formule uma política e objetivos que levem em conta os requisitos legais e as informações referentes aos impactos ambientais, socioculturais e econômicos significativos. Aplica-se também aos aspectos que podem ser controlados pelo meio de hospedagem ou sobre os quais ele possa exercer influência.

Aplica-se a qualquer meio de hospedagem que deseje: implementar, manter e aprimorar práticas sustentáveis nas suas operações; assegurar-se de sua conformidade com sua política de sustentabilidade definida; demonstrar tal conformidade a terceiros; buscar a certificação segundo esta norma por uma organização externa; ou realizar uma autoavaliação da conformidade com esta norma. Quando não for possível aplicar algum(ns) requisito(s) desta norma devido à natureza de um determinado meio de hospedagem e de seus produtos, ele(s) pode(m) ser considerado(s) passível(eis) de exclusão, sendo esta justificada e documentada pelo meio de hospedagem. Somente são permitidas exclusões relacionadas aos requisitos contidos nos Anexos A, B e C, desde que elas não afetem a capacidade ou a responsabilidade do meio de hospedagem para com a sustentabilidade nas suas três dimensões.

Na verdade, a abordagem da normalização da sustentabilidade do turismo e a decorrente possibilidade de implementar um sistema de certificação dos meios de hospedagem que aplica a(s) norma(s) relacionada(s) partem do estabelecimento de requisitos de desempenho para as dimensões da sustentabilidade (ambiental, sociocultural e econômica), os quais são suportados por um sistema de gestão da sustentabilidade. Este sistema de gestão proporciona uma base estável, coerente e consistente para o alcance do desempenho sustentável dos meios de hospedagem e a sua manutenção.

O sistema de gestão da sustentabilidade soma-se aos demais modelos de sistemas de gestão estabelecidos entre os quais estão, como principais referências, a NBR ISO 9001 (sistema de gestão da qualidade) e a NBR ISO 14001 (sistema de gestão ambiental). Nesta perspectiva, constitui referência básica o ciclo PDCA (Plan – Do – Check – Act), que é brevemente descrito pelas seguintes etapas:

- Plan (Planejar): estabelecer os objetivos e processos necessários para fornecer os resultados de acordo com a política do meio de hospedagem (neste caso, política de sustentabilidade).

- Do (Implementar): implementar os processos.

- Check (Verificar): monitorar e medir o resultado dos processos em relação à política e objetivos e reportar os resultados.

- Act (Agir): tomar ações para melhorar continuamente o desempenho do sistema de gestão.

Trata-se, portanto, da normalização dos aspectos do sistema de gestão da sustentabilidade do meio de hospedagem, tornando possível: contribuir ativamente para a conservação, preservação e recuperação dos recursos naturais; buscar resultados econômicos com ética, contribuindo para a justiça social e a valorização das culturas locais; buscar a legitimidade política em termos de participação e transparência nos processos de decisão e representação comunitária; interagir com os integrantes da cadeia produtiva do turismo, de maneira a construir as condições operacionais para implementar sistemas de gestão da sustentabilidade do turismo com abrangências setorial e geográfica.

O turismo, que é um dos maiores segmentos econômicos do mundo, vem cada vez mais sendo objeto de atenção em relação à sua potencial contribuição para o desenvolvimento sustentável e ao mesmo tempo quanto aos impactos que pode provocar nos campos ambiental, sociocultural e econômico. As organizações de todos os tipos no setor do turismo estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um desempenho correto em relação à sustentabilidade, gerindo o impacto de suas atividades, produtos ou serviços, levando em consideração sua política e seus objetivos de sustentabilidade.

Esse comportamento se insere no contexto de uma legislação cada vez mais exigente, do desenvolvimento de políticas econômicas e sociais, de outras medidas destinadas a estimular a proteção ao meio ambiente e ao patrimônio cultural e de uma crescente preocupação das partes interessadas, em particular os clientes, em relação à qualidade e às questões ambientais e socioculturais. Muitas iniciativas têm se desenvolvido com o propósito de promover o turismo sustentável. Entre elas, o desenvolvimento de normas que estabeleçam os requisitos mínimos para o turismo sustentável, aliadas a mecanismos de certificação, tem se destacado como uma das tendências mais presentes no mercado internacional, despertando o maior engajamento das partes interessadas.

Esta norma estabelece requisitos para meios de hospedagem que possibilitem planejar e operar as suas atividades de acordo com os princípios estabelecidos para o turismo sustentável, tendo sido redigida de forma a aplicar-se a todos os tipos e portes de organizações e para adequar-se às diferentes condições geográfi cas, culturais e sociais. Os princípios para o turismo sustentável são:

1) Respeitar a legislação vigente: O turismo deve respeitar a legislação vigente em todos os níveis no país e as convenções internacionais de que o país é signatário.

2) Garantir os direitos das populações locais: O turismo deve buscar e promover mecanismos e ações de responsabilidade social e ambiental e de equidade econômica, inclusive a defesa dos direitos humanos e de uso da terra, mantendo ou ampliando, a médio e longo prazos, a dignidade dos colaboradores e comunidades envolvidas.

3) Conservar o ambiente natural e sua biodiversidade: Em todas as fases de implantação e operação, o turismo deve adotar práticas de mínimo impacto sobre o ambiente natural, monitorando e mitigando efetivamente os impactos, de forma a contribuir para a manutenção das dinâmicas e processos naturais em seus aspectos paisagísticos, físicos e biológicos, considerando o contexto social e econômico existente.

4) Considerar o patrimônio cultural e valores locais: O turismo deve reconhecer e respeitar o patrimônio histórico-cultural das regiões e localidades receptoras e ser planejado, implementado e gerenciado em harmonia com as tradições e valores culturais, colaborando para seu desenvolvimento.

5) Estimular o desenvolvimento social e econômico dos destinos turísticos: O turismo deve contribuir para o fortalecimento das economias locais, a qualifi cação das pessoas, a geração crescente de trabalho, emprego e renda e para o fomento da capacidade local de desenvolver empreendimentos turísticos.

6) Garantir a qualidade dos produtos, processos e atitudes: O turismo deve avaliar a satisfação do turista e verifi car a adoção de padrões de higiene, segurança, informação, educação ambiental e atendimento estabelecidos, documentados, divulgados e reconhecidos.

7) Estabelecer o planejamento e a gestão responsáveis: O turismo deve estabelecer procedimentos éticos de negócio, visando engajar a responsabilidade social, econômica e ambiental de todos os integrantes da atividade, incrementando o comprometimento do seu pessoal, fornecedores e turistas, em assuntos de sustentabilidade, desde a elaboração de sua missão, objetivos, estratégias, metas, planos e processos de gestão.

A NBR 15401 foi publicada no final de outubro 2006. Esta versão passou por uma revisão com a integração do texto padrão da ISO para normas de sistema de gestão e pela introdução de melhorias adquiridas pela experiência com adoção da norma pelos meios de hospedagem e com o processo de certifi cação. Neste sentido, esta norma estabelece os requisitos objetivos que podem ser verificados, seja para fins de certifi cação, seja para os meios de hospedagem efetuarem autoavaliações fidedignas e comprováveis.

Destaca-se que existe uma importante distinção entre esta especifi cação, que descreve os requisitos para a sustentabilidade de um meio de hospedagem, possibilitando a sua verificação e inclusive a certificação, e uma diretriz não certificável, destinada a prover orientação genérica a um meio de hospedagem que visa implementar ou aprimorar práticas de turismo sustentável. No contexto de uma região específica, a sustentabilidade da atividade do turismo, como o desenvolvimento sustentável de uma forma geral, está relacionada com as atividades e responsabilidades de múltiplos atores, não sendo possível ser restrita a uma única organização. Contudo, lograr o objetivo do desenvolvimento sustentável passa necessariamente pelas organizações adotarem práticas sustentáveis em suas atividades.

Esta norma contém quatro anexos. Os Anexos A, B e C têm caráter normativo e referem-se às três dimensões de sustentabilidade (ambiental, sociocultural e econômica). O Anexo D tem caráter informativo e apresenta exemplos de práticas de sustentabilidade. Desta maneira, esta norma constitui-se em uma referência para os meios de hospedagem implementarem e manterem consistentemente práticas que contribuam para o objetivo maior do turismo sustentável.

Quando foi a última vez que respondeu sim, mas queria dizer NÃO?

CURSOS TÉCNICOS DISPONÍVEIS PELA INTERNET

A Target preparou um programa especial de cursos pela Internet, contemplando as últimas tendências do mercado. Com o objetivo de facilitar a participação daqueles que possuem uma agenda de compromissos complexa, a Target criou a opção para que o cliente possa assistir aos cursos através da transmissão pela Internet. Fique atento aos cursos que estão disponíveis. Clique aqui e veja um exemplo de como funciona o recurso. Garanta a seu desenvolvimento profissional adquirindo os cursos pela Internet da Target: https://www.target.com.br/produtossolucoes/cursos/gravados.aspx

Cassia Verginia

Não, palavra simples, mas que é tão difícil de dizer. Cada vez mais pessoas enfrentam problemas e dificuldades em seu dia-a-dia por uma razão muito simples: a incapacidade de dizer não. Respondem frequentemente sim a pedidos e exigências absurdas quando na verdade  gostariam de dizer não.

São vários os fatores por trás dessa incapacidade: o medo de ser rejeitado,  dificuldade em enfrentar conflitos,  falta de objetivos e prioridades, temor de represália, baixa auto estima, entre outras. O resultado dessa atitude é o acumulo de compromissos e tarefas. É importante compreender que é impossível aceitar tudo aquilo que nos propõem.

O quanto você se considera uma pessoa ocupada? O quanto você considera que realmente produz as coisas importantes para alcançar os seus objetivos e sonhos?

Se você vive uma vida parecida como a maioria das pessoas, provavelmente se considera ocupado mas não está realmente satisfeito com a sua produtividade. Pessoas altamente produtivas e realizadoras sabem utilizar bem o tempo delas e aprendem a dizer não. A preparação para o sim e para o não começa dentro de você e essa pequena atitude reafirma a importância da sua resposta, evitando conflitos internos. Para isso, sugiro a adoção de dois hábitos:

Tenha clareza dos seus objetivos profissionais e pessoais: metas levam tempo para serem cumpridas e quando você sabe exatamente onde você quer chegar fica claro como você deve agir no trabalho, em casa ou nas horas vagas.

Planeje diariamente o que precisa ser feito: o planejamento semanal deve ser feito antes de começar a semana e não é recomendável economizar tempo na hora de pôr tudo no papel ou na agenda eletrônica. Ao fim de um dia, também é indicado dedicar dez minutos para anotar o que precisa ser feito no dia seguinte. A rotina de uma pessoa produtiva se conecta com os grandes objetivos e isso só é possível realizando pequenas tarefas.

Defina o que é realmente importante e foque nisso. Antes de começar qualquer tarefa que você não tinha planejado, avalie o que é realmente importante.  Se não for, diga NÃO.

Cassia Verginia é consultora em desenvolvimento humano  e coach – www.realizeacao.com.br

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Lâmpadas incandescentes

incandescenteA partir do dia 1º de julho, o varejo não pode mais comercializar lâmpadas incandescentes e fluorescentes compactas com potência superior a 60W que não atenderem aos novos níveis mínimos de eficiência energética, regulamentação que tem por objetivo elevar a participação no mercado de modelos com maior eficiência, de acordo com o Plano de Metas estabelecido na Portaria interministerial nº 1007/2010. A medida do governo integra a nova legislação, elaborada pelo Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE), e é coordenada pelos ministérios de Minas e Energia; Ciência, Tecnologia e Inovação, e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em parceria com o Inmetro, responsável pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), assim como pela a fiscalização. A regulamentação visa induzir que as lâmpadas incandescentes de uso comum (LI) atinjam níveis mínimos de eficiência mais rigorosos que os atuais – as lâmpadas com outras potências terão prazos de vencimento até 2016.

“Presentes em 70% dos lares brasileiros, as lâmpadas incandescentes, de baixo desempenho energético, deixarão de ser comercializadas gradativamente no Brasil, seguindo uma tendência mundial recomendada pela Agência Internacional de Energia. Elas consomem quatro vezes mais energia e duram oito vezes menos que as fluorescentes compactas, o que as torna, no final das contas, muito mais caras para o bolso do consumidor. Como a tecnologia da incandescente tradicional já atingiu seu limite de desenvolvimento tecnológico quanto a sua eficiência e tempo de vida, ela deve deixar de existir”, explica Alfredo Lobo, diretor de Avaliação da Conformidade do Inmetro.

Desde janeiro de 2007 (as compactas) e fevereiro de 2009 (as incandescentes), estas lâmpadas não podem ser importadas ou fabricadas no Brasil sem atender a requisitos estabelecidos nas Portarias Inmetro, em consonância com o que determina o PBE, e devem ostentar na embalagem a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (Ence) indicando a sua eficiência energética, fluxo luminoso e vida útil.

A partir dos prazos finais estabelecidos nas portarias, atacadistas e varejistas, incluindo as lâmpadas importadas, serão fiscalizados pelos órgãos delegados do Instituto nos estados. Os estabelecimentos, importadores e fabricantes que não atenderem à legislação estarão sujeitos às penalidades previstas em lei. Já a importação é ainda controlada pelo Inmetro, de forma a impedir a entrada de produtos irregulares no País.

Países como a Argentina, Alemanha e Austrália já aboliram a comercialização das lâmpadas incandescentes, e outros determinaram cronograma para eliminação, como os da União Europeia e os Estados Unidos, só para citar alguns. As lâmpadas terão de atender a níveis cada vez mais rigorosos para continuarem no mercado.

Esses produtos devem cumprir a NBR 14671 de 04/2001 – Lâmpadas com filamento de tungstênio para uso doméstico e iluminação geral similar – Requisitos de desempenho que estabelece os requisitos de desempenho para lâmpadas, incluindo métodos de ensaio e meios para confirmação da conformidade com os requisitos. São definidos métodos de avaliação da produção total listada de um fabricante de lâmpadas, relacionados aos seus registros de ensaios em produtos acabados.

Aplica-se a lâmpadas incandescentes com filamento de tungstênio para serviço de iluminação geral, atendendo os requisitos de segurança da NBR IEC 60432-1 e possuindo: potência nominal de 15 W a 200 W inclusive; tensão elétrica nominal de 127 V e 220 V; bulbos em formatos A, PA, PS ou R, claro, fosco, com revestimento similar ao fosco, ou com revestimento branco, conforme nomenclatura dada na IEC 60887; e base rosca Edison E27/27. As lâmpadas para as quais é reivindicada conformidade com esta norma devem satisfazer aos requisitos da NBR IEC 60432-1.

As lâmpadas devem ser projetadas de maneira tal que seu desempenho seja confiável e aceito em uso normal. Em geral, isto pode ser alcançado pelo atendimento aos requisitos da seção 5. As lâmpadas devem ser ensaiadas conforme os procedimentos do anexo B.

Para a sua identificação, uma informação identificando o revestimento branco das lâmpadas deve ser marcada na própria lâmpada ou na embalagem. Outras informações sobre as características das lâmpadas devem ser conforme o anexo C. As lâmpadas devem satisfazer aos requisitos dimensionais especificados na tabela de características correspondente.

As lâmpadas com bases E27 devem estar conforme o gabarito para ensaio de contato, folha 7006-50, da IEC 60061-3. quanto às características e tolerâncias para os valores iniciais, a potência inicial das lâmpadas individuais não deve exceder 104% da potência nominal, mais 0,5 W, conforme especificado na tabela de características ou marcado na lâmpada. O fluxo luminoso nominal das lâmpadas não deve ser menor que os valores mostrados na tabela de características da lâmpada.

Os valores iniciais do fluxo luminoso, para lâmpadas individuais foscas, com revestimento similar ao fosco ou claras, não devem ser inferiores a 93% do fluxo luminoso nominal. Os valores iniciais do fluxo luminoso, para lâmpadas individuais de revestimento branco, não devem ser inferiores a 90% do fluxo luminoso nominal. A manutenção do fluxo luminoso de lâmpadas individuais, a 75% da vida nominal, não deve ser menor que o valor especificado na tabela de características pertinente da lâmpada na sua tensão elétrica de ensaio.

A vida média truncada de um ensaio de vida normal ou a vida média truncada equivalente de um ensaio de vida acelerado, calculada pelo método de D.1.1 do anexo D, deve ser igual ou superior aos limites de D.1.2, relacionados à vida nominal e à quantidade de lâmpadas para o ensaio de vida (QEV), conforme definido no anexo D. As lâmpadas, individualmente, devem ter uma vida não inferior a 70% da vida nominal.

No inverno, os jardins internos trazem a beleza do verde para dentro de casa

GÊNIUS RESPOSTA DIRETA

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danielaA natureza aumenta a qualidade de vida e o bem estar dentro de casa ou apartamento

Daniela Sedo

Em qualquer lugar a natureza é inspiradora e traz também qualidade de vida. Uma alternativa para quem não tem espaço externo para cultivar um jardim pode ser criá-lo dentro de casa. É uma tendência na arquitetura trazer para ambientes internos pequenos nichos naturais com plantas em painéis verticais, vasos ou espaços com recorte de terra como, por exemplo, embaixo da escada, corredor ou varanda. Além de deixar o ambiente mais bonito, os projetos que reservam recintos para o verde podem ser utilizados para aumentar o bem-estar  no dia a dia das pessoas, pois diminuem o estresse.

O verde nos ambientes quebra a monotonia e traz frescor. Além disso, os jardins internos ou jardim de inverno mantém as plantas protegidas em qualquer estação preservando as plantas delicadas da incidência ou de muito sol ou de uma forte geada de inverno, entre outras intempéries do clima. Em espaços pequenos devemos aproveitar a utilização de vasos de tamanhos diferentes e espécies de sombra ou de sol de acordo com a incidência de luminosidade do local, podendo criar uma cerca viva ou um painel vertical, que não exige muito espaço e deixa o ambiente mais descontraído.

Não é preciso sofisticação, porém é necessários boas idéias. Uma forma simples de montar um painel verde é utilizando vasos de terracota específicos para pendurar na parede, que possuem um de seus lados retos. Os vasos de terracota, que possuem 15 cm de diâmetro e 20 cm de altura, são feitos em argila cozida no forno, eles devem ser impermeabilizados por dentro, e pintados por fora, dando um charme todo especial para os jardins verticais.

O ideal é montar um jardim interno com plantas fáceis de mexer e cuidar. Vale a pena colocar espécies perenes, que vão ficar lindas o tempo todo e não darão o trabalho de ter de varrer o chão a toda hora para tirar folhinhas. A manutenção é igual à de jardins externos.

Em ambientes pequenos e internos a pessoa pode colocar Palmeirinhas de sombra como a chamaedoreas ou evônimos com até 40 cm de altura. Qualquer pequeno ambiente pode ser abrilhantado com um pequeno e valioso jardim, afinal o verde sempre quebra aquele ‘gelo’ das ilhas de cimento onde vivemos e ainda alivia o microclima local, aperfeiçoando a qualidade de vida e do ar que respiramos, o que é ótimo para os dias frios.

Daniela Sedo é uma profissional de arquitetura e paisagismo – www.danielasedo.com.br

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O combate a incêndios em transformadores

transformadoresMaria do Carmo Ribas de Camargo e Patricia Gonçalves Bueno

Todo incêndio representa uma ameaça real à vida das pessoas, trazendo graves consequências de ordem social e econômica, além de afetar o bem estar dos integrantes de uma instalação. Durante os primeiros cinco minutos, os incêndios podem ser dominados mais facilmente.

Com o passar do tempo, entretanto, maiores esforços, e recursos, são necessários para o controle e extinção do fogo. Nesse caso, além dos danos causados pelo fogo, o próprio trabalho de extinção pode causar perdas, ou danos às instalações, aos equipamentos, ferimentos, assim como a perda de vidas.

Mas, como é tratada a legislação da segurança contra incêndio no país? A primeira regulamentação sobre segurança contra incêndio surgiu no Brasil em meados de 1975, após a ocorrência dos incêndios dos edifícios Joelma e Andraus, em São Paulo. A ausência de uma legislação federal que estabeleça as regras de prevenção e proteção contra incêndio é apontada como o principal problema no país. As leis são estaduais e, por isso, cada governo estabelece uma lei com base em normas locais ou estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou mesmo pela Consolidação das Leis de Trabalho (CLT).

A partir da lei N° 6.514 de 1977 foram criadas as Normas Regulamentadoras (NRs), a qual alterou o Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. As Normas Regulamentadoras (NRs) exigem que o local de trabalho seja seguro ao trabalhador. Os requisitos para proteção contra incêndio são especificados na NR 23, na qual traz que as medidas de prevenção contra incêndio devem estar em conformidade com a legislação estadual e as normas técnicas aplicáveis. As regulamentações estaduais de segurança contra incêndio são elaboradas pelos corpos de bombeiros e seus conteúdos são diferentes nos diversos Estados da União e Distrito Federal.

Nos últimos anos houve um aumento do número de incêndios envolvendo transformadores, seja por projetos incorretos como por uma manutenção deficiente. Normalmente, o óleo usado nos transformadores de subestações possui um alto ponto de fulgor e por esta razão é classificado como não inflamável. Porém, quando usado em equipamentos elétricos seja para remover o calor resultante das perdas ou como dielétricos entre os componentes ativos condutores de corrente, este óleo adquire qualidades de produtos inflamáveis e apresenta alto potencial para geração de vapor.

Três componentes devem existir ao mesmo tempo para causar um incêndio em um transformador: combustível/inflamável, oxigênio e calor. Possíveis materiais combustíveis usualmente presentes no transformador são óleo mineral, cabos e materiais celulósicos. Vapores combustíveis são gerados pela decomposição do óleo devido a uma sobrecarga térmica de origem interna ou externa. Para os transformadores localizados no pátio da subestação é óbvio que o suprimento de oxigênio é abundante. Como possíveis fontes externas de calor, isto é, fonte de ignição, temos a considerar cabos superaquecidos, raios, e exposição ao fogo, possivelmente de um incêndio em transformador adjacente ou em outro equipamento.

Como então podemos realizar a proteção contra incêndio em transformadores? Uma das maneiras de se combater o incêndio nos transformadores é resfriando o equipamento com água nebulizada, que pode ser através de sistema de spray ou por linhas manuais, através de hidrantes. Para que o resfriamento possa ser realizado é necessário que a subestação seja desenergizada ou, no mínimo, o equipamento que esteja pegando fogo antes do início do combate manual, devido ao perigo de eletrocussão do brigadista. Segundo a IEEE-979, a tabela 1 mostra o perigo de o brigadista ficar muito próximo do equipamento energizado durante a extinção do incêndio.

Tabela 1 – Retorno da corrente através da mangueira

tabela 1_transformadores

Caso não seja possível desenergizar o transformador, deverá ser utilizado o sistema de spray nebulizador. Os principais objetivos de atuação do sistema de spray são: emulsionar o óleo derramado no tampo superior e nas paredes laterais do transformador, evitando a incandescência do mesmo; resfriar a superfície total do transformador; e combate o fogo gerado pelo óleo derramado.

No Brasil este sistema é normalizado pela NBR 8674 que trata da execução de sistemas fixos automáticos contra incêndio com água nebulizada para transformadores e reatores de potência. O sistema de spray controla o fogo e o impacto é minimizado, podendo realizar o reparo do transformador após seu combate. Os transformadores que não possuem este sistema de proteção não podem ser reparados, tendo perda total dos equipamentos.

Por outro lado, a natureza violenta de um incêndio pode tornar o sistema de spray inútil. Segundo Bandeira, embora isto possa ocorrer, em alguns casos o sistema automático consegue operar mesmo após a explosão, controlando do incêndio, limitando os danos e minimizando o tempo de parada da subestação.

Mas, instalar um sistema de spray é um requisito legal ou uma recomendação? Como falado anteriormente, as regulamentações estaduais são diferentes nos diversos Estados da União e Distrito Federal. A tabela 2 apresenta os requisitos encontrados nos Decretos Estaduais do Corpo de Bombeiros.

Tabela 2 – Decretos Estaduais do Corpo de Bombeiros

tabela 2_transformadores

As normas NBR 13231 e 13859, que tratam especificamente de proteção contra incêndio em subestações elétricas, não deixam claro quando se deve instalar sistema fixo de nebulização. Segundo o Data Sheet 5-4 – Transformers, da FM Global, somente é obrigatório a instalação deste sistema quando não for possível atender as distâncias mínimas entre transformadores e reatores a edificações.

Como pode ser observado, não há exigência sobre a instalação de sistema automático de nebulização, exceto para o estado de São Paulo. Deve-se levar em conta também os requisitos da Seguradora para definir o custo x benefício de investir no sistema de proteção contra incêndio.

A prevenção contra incêndio deve ser encarada como um processo ininterrupto e, por isso, necessita ser mantida em permanente modernização, tanto de equipamentos como métodos por todos que fazem parte do processo preventivo. Este artigo não tem a pretensão de esgotar o tema, mas busca fomentar a discussão nas diversas partes interessadas no assunto.

Referências

- NBR 8674:2005 – Execução de sistemas fixos automáticos de proteção contra incêndio, com água nebulizada para transformadores e reatores de potência.

- Bandeira, Daniel Amarante Torres – Um estudo explanatório de causas e consequências de incêndios em transformadores em subestações. 2007.

- FM Global – Property Loss Prevention Data Sheets 5-4 – Transformers

- IEEE-979:1994 – Guide for subestation fire protection – Institute of Electrical and Eletronics Engineers.

Maria do Carmo Ribas de Camargo é engenheira química, com especialização em engenharia de segurança do trabalho e mestre em gestão integrada em saúde do trabalho e meio ambiente, docente em curso de pós graduação em gestão integrada no Senac – mcrcamargo@gmail.com; Patricia Gonçalves Bueno é engenheira de segurança do trabalho, mestre em gestão integrada em saúde do trabalho e meio ambiente, docente em cursos de MBA e Especialização nas áreas de qualidade, meio ambiente, sustentabilidade, responsabilidade social, saúde e segurança do trabalho em instituições de ensino superior (UniFMU, Faculdades Oswaldo Cruz, UNG, Centro Universitário SENAC e Uninove) – patriciaengenharia@hotmail.com

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